.

I N T E R N A U T A S-M I S S I O N Á R I O S

SOMOS CATÓLICOS APOSTÓLICOS ROMANOS

e RESPEITAMOS TODAS AS RELIGIÕES.

LEIA, ESCUTE, PRATIQUE E ENSINE.

PARA PESQUISAR NESTE BLOG DIGITE UMA PALAVRA, OU UMA FRASE DO EVANGELHO E CLICA EM PESQUISAR.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os dez leprosos (Pedro Casaldáliga)


Domingo, 9 de Outubro de 2016

Tema: 28º Domingo do Tempo Comum

2 Reis 5,14-17 'Naamã voltou para junto do homem de Deus' e fez sua profissão de fé.
Salmo 97(98) O Senhor fez conhecer a salvação e às nações revelou sua justiça.
2 Timóteo 2,8-13 Se com Cristo ficamos firmes, com ele reinaremos.
Lucas 17,11-19 Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro.
11Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus passava pelos confins da Samaria e da Galiléia.12Ao entrar numa aldeia, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando:13Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!14Jesus viu-os e disse-lhes: Ide, mostrai-vos ao sacerdote. E quando eles iam andando, ficaram curados.15Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.16Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano.17Jesus lhe disse: Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove?18Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?!19E acrescentou: Levanta-te e vai, tua fé te salvou.

Comentário

Entre samaritanos e judeus, habitantes do centro e sul de Israel respectivamente, existia uma antiga inimizade, uma forte rivalidade que remontava ao ano 721 a.C. no qual o imperador Sargon II tomou militarmente a cidade de Samaria e deportou à Assíria a mão de obra qualificada, povoando a região conquistada com colonos sírios, como nos conta o segundo livro dos Reis (cap. 17). Com o correr do tempo, estes uniram seu sangue com a da população da Samaria, dando origem a uma raça mista que, naturalmente uniu também as crenças. “Quem come pão com um samaritano é como quem como carne de porco (animal proibido na dieta judaica)”, diz a Misná (Sab 8,10). A relação entre judeus e samaritanos havia experimentado nos dias de Jesus uma especial dureza, depois de que estes, sob o procurador Copinio (6-9 p. C.) tivessem profanado os pórticos do templo e o santuário projetando durante a noite ossos humanos, como refere o historiador Flávio Josefo em sua obra Antiguidades Judaicas (18,29s); entre ambos grupos dominava um ódio irreconhecível desde que se separaram da comunidade judaica e construíram seu próprio templo sobre o monte Garizin (no século IV a.C., o mais tardar). Hara o século II antes de Cristo, o livro do Eclesiástico (50,25-26) diz: “Duas nações aborreço e a terceira não é povo: os habitantes de Seir e Filistéia e o povo néscio que habita em Siquém (Samaria)”. A palavra “samaritano” constituía uma grave injúria na boca de um judeu. Segundo João 8,48 os dirigentes dizem a Jesus em forma de insulto: Não temos razão em dizer que és um samaritano e que estás louco?
Esta era a situação nos tempos de Jesus, judeu de nascimento, quando tem lugar a cena do evangelho de hoje. Os leprosos viviam fora das cidades; se habitavam dentro da cidade, residiam em bairros isolados do resto do povo, não podendo entrar em contato com ela, nem assistir as cerimônias religiosas. O livro do Levítico prescreve como eles haviam de comportar-se: “O que foi declarado enfermo de infecção cutânea andará de andrajos e despenteado, com a barba coberta e gritando: “Impuro, impuro!” Enquanto durar a infecção continuará impuro. Viverá afastado e terá sua morada fora do acampamento (Lv 13,45-46). O conceito de lepra na Bíblia dista muito da concepção que a medicina moderna dá a esta palavra, tratando-se, em muitos casos, de enfermidades curáveis da pele
Jesus, ao ver os dez leprosos, os envia para que se apresentem aos sacerdotes, cuja função, entre outras, era em princípio de diagnosticar certas enfermidades que, por serem contagiosas, exigiam que o enfermo se retirasse por um tempo da vida pública. Uma vez curados, deviam apresentar-se ao sacerdote para que lhe desse um certificado especial de cura que lhe permitisse sua reinserção na sociedade. Porém, o relato evangélico não termina com a cura dos dez leprosos, pois anota que um deles, precisamente um samaritano, se voltou para Jesus para dar-lhe graças.
Algo parecido havia acontecido já no livro dos Reis, onde Naaman, general do exército do rei sírio, acometido de uma enfermidade da pele, foi ver o profeta de Samaria, Elíseu, para que o livrasse de sua enfermidade. Eliseu, em lugar de recebê-lo, disse-lhe que fosse banhar0se sete vezes no Jordão e ficaria limpo. Naaman, mesmo contrariado por não ter sido recebido pelo profeta, fez o que este lhe disse e ficou limpo. Quando se viu limpo, apesar de não pertencer ao povo judeu, voltou ao profeta para dar-lhe um presente, reconhecendo o Deus de Israel como verdadeiro Deus, capaz de dar vida. Este Deus, além disso, se manifesta em Jesus como o sempre fiel apesar da infidelidade humana.
O que aconteceu ao leproso do evangelho poderia ficar mal aos judeus. Dos dez leprosos, nove eram judeus e um samaritano. Este, quando viu que estava curado, voltou-se para louvar a Deus em grandes gritos e se lançou por terra aos pés de Jesus, dando graças. Estar aos pés de Jesus é a postura do discípulo que aprende do mestre. Os outros nove, que eram judeus, demonstraram com seu comportamento, o esquecimento de Deus que tinham e a falta de educação, que impede de ser agradecido. Somente um samaritano, oficialmente heterodoxo, herege, excomungado, desprezado, marginalizado, voltou a dar graças. Somente este passou a fazer parte da comunidade de seguidores de Jesus; os outros ficaram desqualificados.
Talvez os cristãos estejamos demasiado convencidos de que somente “os de dentro”, os da comunidade, “os católicos”, ou “os da paróquia”... somos os que adotamos os melhores comportamentos. Há gente muito melhor fora de nossos círculos, inclusive em outras igrejas, e até em outras religiões, inclusive entre quem diz que não acredita. No evangelho de hoje é precisamente alguém vindo de fora, desprezado pelos de dentro, o único que sabe reconhecer o dom recebido de Deus, dando uma lição magistral a quem não soube agradecer. Aprendemos a lição do samaritano.
Os dez leprosos (Pedro Casaldáliga)








Um comentário:

Anônimo disse...

Eu todos os dias faço a leitura do dia e complemento com os comentários dessa equipe para complementar meus ensinamento e por em prática muito obrigado, que o Senhor Deus continue derramando benção a todos na Paz de Cristo, Jair Ferreira.

Postar um comentário