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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Evangelhos Dominicais Comentados-Jorge Lorente


16/outubro/2016 – 29o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 18, 1-8)

Para mostrar que é necessário orar sempre, sem nunca desanimar, Jesus contou uma parábola: “havia numa cidade um juiz que não temia a Deus e não respeitava ninguém. Havia lá também uma viúva que o procurava, dizendo: ‘faze-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo o juiz se recusou. Por fim, disse consigo mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus e não respeite ninguém, vou fazer-lhe justiça, porque esta viúva está me aborrecendo. Talvez assim ela pare de me incomodar’. Prosseguiu o Senhor: ´Ouvi o que diz este juiz perverso. E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que clamam por ele dia e noite, mesmo quando os fizer esperar? Eu vos digo que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?”

COMENTÁRIO


O Evangelho de hoje fala de justiça, de perseverança, de oração. E fala, acima de tudo, do grande amor de Deus por cada um de nós, e de sua grande preocupação conosco, seus filhos eleitos. Fala de um Deus preocupado com nossa fé. Este Evangelho nos lembra que é preciso muita oração, rezar sem esmorecer, para venceremos as barreiras.

Jesus usa a parábola da viúva e do juiz, para mostrar aos seus discípulos o valor da persistência. Essa senhora dependia de uma ação daquele juiz para se livrar da opressão do adversário. E só conseguiu ser atendida depois de muita insistência.

A viúva que Jesus usou como exemplo, é um personagem bastante comum do nosso dia-a-dia. Ela simboliza o pobre e desamparado que, justamente por não ter como custear as despesas judiciais é simplesmente privado dos seus direitos perante os fortes e poderosos da nossa sociedade.

A Palavra de Deus não envelhece. Dois mil anos se passaram e parece que Jesus foi buscar esse exemplo nas recentes manchetes dos jornais. Aquele juiz era desonesto, não cumpria com suas obrigações e provavelmente, legislava em causa própria, em benefício dos ricos e de seus aliados políticos. É triste admitir, mas nosso dia-a-dia está repleto de casos semelhantes.



Certamente Jesus não pretendia generalizar a ação, nem ridicularizar a função de juiz. Com essa parábola, Jesus queria ressaltar o mau caráter desse homem. Ficou muito claro que esse juiz tinha poder de decisão, mas não exercia sua função com honestidade e retidão.

Juiz quer dizer: aquele que tem o poder de julgar. Entretanto, subentende-se que seu julgamento seja justo e imparcial. Nesta parábola, o juiz não é justo e simboliza somente o poder. Infelizmente, esse juiz é o retrato fiel de certos homens públicos e de muitos políticos que manipulam as leis em causa própria.

A viúva simboliza o marginalizado e excluído. Representa a escória da sociedade, os pobres, os doentes, os trabalhadores, os desempregados, os aposentados, enfim, simboliza o povo simples que não tem quem lute por seus direitos.

Nesta parábola de Jesus encontramos também uma lição de cidadania. Não fosse persistente, jamais essa mulher atingiria seu objetivo. A insistência e a coragem da viúva simbolizam a sociedade unida, que sai a campo, que clama por mudanças e por justiça. É a categoria organizada que, através de seu voto consciente e através movimentos pacíficos, não desiste da difícil luta contra o desmando político.

O juiz atendeu à viúva só para não ser importunado. Essa é a reação normal de quem não ama, só cede sob pressão. Através desta parábola, Jesus nos lembra que Deus é Amor e sabe das nossas necessidades, portanto, fará por nós o melhor se pedirmos com humildade e muita fé.

Com este exemplo, Jesus ressalta a importância e a necessidade de sermos perseverantes na oração. Se a viúva tivesse desistido, se não tivesse sido perseverante, não teria recebido a merecida justiça.

Hoje, aprendemos que a oração é o caminho para quem procura a justiça. Acreditar e pedir, insistir sem exigir, essa é a oração que nos aproxima de Deus.

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Um comentário:

Severino Fernandes disse...

Esta parábola contada por Jesus é a realidade do mundo de hoje nesta sociedade corrompida e cheia de devassidão. O que fazer rezar, rezar e rezar.

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