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domingo, 11 de junho de 2017

Não cometerás adultério-Dehonianos

16 Junho 2017
Lectio
Primeira leitura: 2 Coríntios 4, 7-15
Irmãos, nós trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso ministério, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso. 8Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; 9perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados. 10Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo. 11Estando ainda vivos, estamos continuamente expostos à morte por causa de Jesus, para que a vida de Jesus seja manifesta também na nossa carne mortal. 12Assim, em nós opera a morte, e em vós a vida. 13Animados do mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: Acreditei e por isso falei, também nós acreditamos e por isso falamos, 14sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, também nos há-de ressuscitar com Jesus, e nos fará comparecer diante dele junto de vós. 15E tudo isto faço por vós, para que a graça, multiplicando-se na comunidade, faça aumentar a acção de graças, para a glória de Deus.
O “tesouro” a que se refere Paulo é a luz que Deus faz brilhar no coração para que resplandeça o conhecimento da glória divina, que irradia em Cristo. O v. 6, omitido pela liturgia manifesta-nos esse sentido: «O Deus que disse: das trevas brilhe a luz, foi quem brilhou nos nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo». O “tesouro” é, pois, o conhecimento/experiência de Cristo, em cujo rosto resplandece a glória divina. O “vaso de barro» é a personalidade global do homem.
Paulo volta à sua autobiografia, ainda que o «nós» (v. 7) possa envolver paradigmaticamente muitos outros, incluindo os irmãos da comunidade de Corinto. A imagem do «tesouro em vasos de barro» é sugestiva e eficaz para resumir a distância entre uma preciosidade e o estojo que a leva, entre a segurança do valor e a fragilidade da consciência que dele temos, entre o «extraordinário poder» que vem de Deus e a nudez da impotência humana. Não se trata de menosprezo pelo homem ou pela sua condição, mas de exaltação da genialidade divina. A aventura pessoal de Saulo/Paulo explica a opção didáctica do Apóstolo que usa pólos contrastantes para captar de modo quase provocatório a atenção dos leitores para que saibam ler os sinais.
Evangelho: Mateus 5, 27-32
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 27«Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério. 28Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29Portanto, se a tua vista direita for para ti origem de pecado, arranca-a e lança-a fora, pois é melhor perder-se um dos teus órgãos do que todo o teu corpo ser lançado à Geena. 30E se a tua mão direita for para ti origem de pecado, corta-a e lança-a fora, porque é melhor perder-se um só dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado à Geena.»
31«Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe documento de divórcio. 32Eu, porém, digo-vos: Aquele que se divorciar da sua mulher – excepto em caso de união ilegal – expõe-na a adultério, e quem casar com a divorciada comete adultério.»
Mateus apresenta-nos hoje mais uma antítese usada por Jesus, neste caso, visando o adultério. Mais uma vez, o Senhor acaba com a distinção, própria dos fariseus, entre a intenção e a acção, e declara o princípio da unidade: adultérios do coração, dos olhos, das mãos, são igualmente proibidos. São mencionados os olhos e as mãos pela participação que têm nos desejos do coração. Relativamente à certidão de repúdio, Jesus admite uma única excepção: o caso de união ilegal. Será só uma excepção, ou deverá entender-se que o divórcio, neste caso, não só é permitido, mas exigido pela lei judaica? Ainda não há uma resposta satisfatória. Mas notemos a posição de Cristo em defesa das categorias mais fracas e no restabelecimento da ordem social. Jesus tomará esta mesma atitude quando se referir às crianças (Mt 18, 1-10).
Meditatio
Cristo, misericórdia de Deus, morreu na cruz para nos salvar. O cristão é chamado a partilhar esse mistério de morte, que leva à vida.
Na primeira leitura, esse mistério é expresso por Paulo quando fala do clima de perseguição em que exerce o seu ministério, isto é, quando proclama a ressurreição do Senhor no meio de muitas tribulações: «Somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados.» (vv. 8-9). Parece um discurso ilógico, e é desconcertante. É desconcertante se não se relacionar com o mistério de Cristo. Paulo acrescenta: «Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo» (v. 10). Deus colocou nos vasos de barro da nossa pobre humanidade, pelo mistério de Cristo, o tesouro da sua ressurreição, «para que a vida de Jesus seja manifesta também na nossa carne mortal» (v. 11). Não podemos pretender uma vida tranquila, sem dificuldades, sem provações, sem perturbações. Não foi esse o caminho do Senhor, e não pode ser esse o nosso caminho. Que o Senhor nos ajude a ver em todos os sofrimentos a sua cruz, isto é, a passagem para a vida.
As palavras duras do Evangelho pretendem alertar-nos para atitudes de condescendência e de cedências para com a nossa sociedade permissiva, que apenas busca a satisfação imediata, a felicidade aparente que a droga, o divórcio, o aborto, o desregramento sexual parecem dar. A nossa sociedade proclama diversas “libertações”, em que facilmente nos podemos deixar levar, sem nos darmos conta da degradação da nossa dignidade humana. As tremendas palavras do Senhor: «Se a tua vista direita for para ti origem de pecado, arranca-a e lança-a fora… se a tua mão direita for para ti origem de pecado, corta-a e lança-a fora…», expressam a decisão com que havemos de evitar o mal e procurar o bem. O “bem” é tudo aquilo que nos permite realizar-nos como pessoas humanas, criadas à imagem de Deus, e destinadas à comunhão com Ele. Tudo aquilo que dificulte ou impeça a realização dessa fundamental vocação do homem há ser deitado fora, custe o que custar. Como dizem as nossas Constituições, «Partilhamos as aspirações dos nossos contemporâneos, como abertura possível ao advento de um mundo mais humano, ainda que elas contenham o risco de um malogro e de uma degradação» (Cst 37).
Há iniciativas que exigem um grande sentido de responsabilidade e nas quais os cristãos, e particularmente, os religiosos podem e devem colaborar. Mas é sempre necessário um sábio discernimento pessoal e comunitário, para não serem instrumentalizados e não favorecerem maiores abusos e injustiças.
Que o Senhor nos encha do seu Espírito, nos afaste do mal e nos impulsione para o bem. Que nos faça «luz do mundo».
Oratio
Eu Te bendigo, Pai bom, porque, pela palavra de Jesus, me escolheste como teu servo para glorificar o teu nome santo.
Eu Te bendigo, Senhor Jesus, pela tua morte e ressurreição porque, por meio delas, venceste a minha morte e me preparaste para a ressurreição.
Eu Te ofereço, Espírito Santo de Deus, como sacrifício de louvor, os meus olhos e as minhas mãos, para que me defendas de todo o escândalo causado ou sofrido, e purifiques toda a minha sensibilidade humana.
Glória a Ti, Trindade Santíssima, pelos séculos dos séculos. Amen.
Contemplatio
Nada custa a quem ama, nem o trabalho, nem a fadiga, nem a dor. «O meu jugo é doce e o meu fardo é leve», diz o bom Mestre, porque não custa levar um fardo para aquele que se ama. «Quem ama a Deus, diz S. João, observa os mandamentos e os mandamentos são-lhe ligeiros» (Jo 5, 3). O amor faz tudo levar com alegria. Nada custava aos três hóspedes da santa casa de Nazaré, nem fadigas, nem privações, nem dores de qualquer género, porque tudo era para Deus e pelas almas. Jesus estava /200 já na mesma disposição do Calvário: «Tomou a cruz com alegria» (Heb 12, 2). Levava com a mesma alegria as cruzes de Nazaré. S. Paulo dizia no mesmo espírito: «Eu regozijo-me nas minhas tribulações» (2Cor 7, 2). Se soubesse dizer a todo o sofrimento que se apresenta: «Aceito-o pelo meu Bem-amado e pelas almas que lhe são caras», todo o sofrimento me seria ligeiro. É o que exprime Santo Agostinho quando diz: «Quando o trabalho é amado, já não há sofrimento». Ó minha alma, ama Jesus. É o segredo da felicidade como em Nazaré. (Leão Dehon, OSP 3, p. 199s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Trazemos no nosso corpo a morte de Jesus,
para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo» (2 Cor 4, 10).



Um comentário:

Anônimo disse...

Eu todos os dias faço a leitura do dia e complemento com os comentários dessa equipe para complementar meus ensinamento e por em prática muito obrigado, que o Senhor Deus continue derramando benção a todos na Paz de Cristo, Jair Ferreira.

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