14- Sábado
- Evangelho - Lc 18,1-8
Deus
fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele.
Neste
Evangelho, Jesus nos conta a parábola do juiz injusto, que não queria atender a
viúva e, no fim, só a atendeu devido à insistência dela. O centro da parábola
não é o juiz, evidentemente, mas a viúva, e mais precisamente, a insistência da
viúva.
Quando
rezamos, Deus nos atende logo e não nos faz esperar. Acontece que ele faz o que
é bom para nós e do jeito que é melhor para nós, o que nem sempre coincide com
o que nós pensamos.
O
evangelista S. Lucas começa a narração com as seguintes palavras: “Jesus contou
aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e
nunca desistir”. Está aí o objetivo da parábola. Devemos ser, diante de Deus,
como a viúva diante do juiz: pedir, pedir, pedir... e ficarmos insistindo até
receber o que queremos.
Devemos
persistir na oração, mesmo quando dá impressão que Deus não está ouvindo. Deus
é Pai amoroso. Ele nos escuta com atenção, desde o primeiro pedido que fizemos.
Escuta e atende. A forma dele atender é que, muitas vezes, é um mistério para
nós.
A
oração é também uma escola. Ela purifica os nossos afetos, organiza as nossas
idéias, direciona os nossos pensamentos e vai, aos poucos, colocando-nos no
caminho certo da nossa felicidade. O resultado da oração perseverante é sempre
uma grande alegria, ânimo e vontade de lutar e vencer.
Quando
rezamos, Deus nos atende mostrando-nos os primeiros passos do caminho. Os
outros passos, ele vai mostrar depois que dermos os primeiros passos. Se ele
nos mostrasse todos os passos logo no início, correríamos o risco de
esquecê-los. “Não vos preocupeis com o dia de amanhã”.
Quem
não reza, afoga-se num copo d’água. O horizonte das nossas possibilidades é bem
pequeno, termina logo ali. Nós não dominamos nem a nós mesmos! Daí a angústia.
Mas com Deus as nossas possibilidades tornam-se infinitas e sem fronteiras.
Santo
Afonso Maria de Ligório dizia: “Quem reza se salva, quem não reza se condena”.
Nós não queremos ser condenados, por isso vamos rezar.
Rezar
de manhã, rezar ao meio dia, rezar à noite; rezar quando estamos tristes e
quando estamos alegres; rezar principalmente quando somos tentados. As
tentações começam pelos nossos pensamentos. Portanto, desde aí, já devemos
rebatê-los com uma prece. Pode ser uma oração curtinha, que chamamos
jaculatórias, feitas mentalmente. “Vigiai e orai para não cairdes em tentação”.
Em resumo, rezar sempre e nunca cessar de o fazer.
A
oração age em nós como limpa-brisa de carro. As falhas diárias vão embaçando a
nossa visão, obscurecendo a inteligência, enfraquecendo a vontade,
descontrolando os sentimentos... É hora de ligar o limpa-brisa, através da
oração.
Deus
caminha ao nosso lado nas vinte e quatro horas do dia. Mas, por respeito à
nossa liberdade, ele não entra na nossa vida, se não pedirmos. Ele fica nos
esperando em cada esquina da vida, com seus sinais, alertas, advertências e
convites. Ele é capaz de morrer na Cruz, na nossa frente, mas sem interferir na
nossa liberdade. Agora, se pedimos, abrindo a porta para ele, maravilhas
acontecerão.
A
oração é estrada de duas mãos. Nós falamos com Deus e Deus fala conosco.
Imagine um amigo encontrar-se com você e falar o tempo todo! Seria chato, não?
Às vezes, somos chatos com Deus, pois não o deixamos falar nada para nós! Ele
nos fala através da Sagrada Escritura.
Quem
toma a iniciativa da oração é sempre Deus. Ele que percebe as nossas
necessidades, e nos inspira, movendo-nos a pedir, a agradecer, a pedir perdão,
a louvá-lo... “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,15). Deus é que nos dá o
pensar, o querer e o agir.
O
destaque está na persistência da viúva. Se até um homem ruim atende, por causa
da insistência, quanto mais Deus que é nosso Pai amoroso! “Será que vai
fazê-los esperar?”
No
final da parábola, Jesus lamenta: “Mas o Filho do Homem, quando vier, será que
ainda vai encontrar fé sobre a terra?” Que pena a falta de fé! Nós perdemos a
fé por tão pouca coisa! Basta um aparente atraso de Deus em nos atender,
pronto.
Vamos
responder à pergunta de Jesus, dizendo: “Sim, Jesus. Quando o Senhor vier, vai
encontrar fé. Como Santa Mônica, nós, através da oração, vamos perseverar
firmes na fé, confiantes na esperança e alegres na caridade”.
Havia,
certa vez, um mendigo que passava o dia na rodoviária pedindo esmolas. As
pessoas davam moedinhas para ele.
Um
dia, ele viu um homem indo embora, foi atrás, bateu nas costas dele e disse:
“Por favor, o senhor podia dar-me uma moeda de dez centavos?” Assim que o homem
se virou para trás, o mendigo o reconheceu: era seu pai! Então disse: “Meu pai!
O senhor não está me conhecendo?”
O
pai lançou-se ao pescoço dele e falou emocionado: “Meu filho! Já fazem dezoito
anos que estou procurando você! Eu quero dar-lhe tudo o que eu possuo, todos os
meus bens”.
Que
nós não andemos pela vida em busca de dez centavos, sendo que ao nosso lado
está o nosso Pai, rico e amoroso, que quer dar-nos tudo o que possui. O bom
Deus quer que lhe entreguemos todas as nossas preocupações, para assim podermos
dedicar-nos mais ao cumprimento da sua vontade sobre nós.
Maria
Santíssima é nossa Mestra de oração. “Ensina teu povo a rezar, Maria, Mãe de
Jesus!”
Deus
fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele.
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