13- Sexta
- Evangelho - Lc 17,26-37
Padre
Antonio Queiroz
O
mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado.
Neste
Evangelho, Jesus nos fala a respeito da sua segunda vinda à terra. Será bem
diferente da primeira, pois ele aparecerá com o seu poder, glória e autoridade
divinas.
Jesus
acentua que o seu julgamento que fará a todos nós, na sua segunda vinda, será
personalizado, e bem diferente de uma pessoa para outra, mesmo que vivam ou
trabalhem juntas. O julgamento terá como base as nossas obras, boas ou más.
Os
discípulos fiéis de Jesus não precisam ter medo, pois será um encontro muito
alegre e gratificante. O julgamento deles não terá surpresas, pois eles já
conhecem os Evangelhos, e o seguem.
Já
os perversos vão ver com quantos paus se faz uma canoa. Vão tremer como vara
verde. O impacto que eles terão será chocante e sem chance de voltar atrás.
Será o choque da mentira com a verdade, da prepotência com a derrota.
As
duas comparações são claras: 1) Nos dias de Noé (Cf 7,17), as pessoas comiam,
bebiam, casavam-se... até que veio repentinamente o dilúvio e pegou todo mundo
desprevenido, com exceção de Noé e sua família, que estavam preparados e por
isso se salvaram na Arca. 2) Em Sodoma foi pior (Cf Gn 19,23). As pessoas
viviam no pecado achando que tudo era normal; até o momento em que caiu fogo do
céu e matou todo mundo, menos Ló e sua família. A esposa de Ló teve um momento
de fraqueza na fé e olhou para trás. Imediatamente foi transformada numa
estátua de sal (Cf Gn 19,26).
Como
naquele tempo, também hoje, as pessoas que vivem submersas nas leviandades e
absorvidas pelo culto a outros “deuses”, serão surpreendidas de forma
irrevogável pela presença do Filho do Homem, o Juiz.
Deus
manda continuamente sinais: acidentes, tragédias, terremotos... Muitas pessoas
ficam assustadas, mas param por aí. Outras aproveitam para dar um passo à
frente na direção da Palavra de Deus. Por isso que a sorte será diferente para
cada um. Duas pessoas que vivem ou trabalham juntas, uma será tirada e a outra
deixada.
Os
discípulos perguntaram a Jesus: “Senhor, onde acontecerá isso?” Jesus responde:
“Onde estiver o cadáver, aí se reunirão os abutres”. Abutres são aves que se
alimentam de carniça, como os urubus brasileiros. Onde existe carniça, aí se
reúnem os urubus. Podemos dar outros exemplos, com o mesmo sentido: onde existe
doce, aí se reúnem as formigas; onde existe bar, aí se reúnem os cachaceiros;
onde existe sacrário, aí se reúnem os amantes da Eucaristia... Em outras
palavras, Jesus responde a pergunta dos discípulos dizendo-lhes que não é
importante saber o dia ou o local da sua vinda, pois ele vai encontrar cada um
fazendo aquilo que gosta. Vai pegar o urubu em volta da carniça etc.
Por
outro lado, sua vinda será chocante para os maus, pois os encontrará fazendo
aquilo que gostam, que é o mal.
Para
uns, Missa no domingo não tem valor; para outros, o domingo não tem sentido se
não participar da Missa. Uns nem se lembram da data do batismo ou do casamento;
outros vêem essas datas como importantíssimas na vida.
No
fundo, Jesus quer dizer que este mundo tem um condutor, que é Deus, o qual é
infinitamente mais poderoso que todas as forças do mundo juntas. Isso não
aparece agora, mas um dia veremos. Por isso devemos viver preparados.
Havia,
certa vez, uma onça que sabia de tudo o que acontecia nos matos. Seu espírito
crítico era felino; tudo ela percebia e criticava. Ela enxergava defeitos em
tudo e em todos, e comentava com a bicharada.
Um
dia, aquela onça começou a sentir a visão meio cansada, enxergando pouco, e
procurou um oftalmologista. Este resolveu fazer uma cirurgia nos olhos dela.
Terminada a recuperação da cirurgia, a onça se mandou novamente para os matos.
No
entanto, algo muito estranho estava acontecendo: agora ela enxergava muito mais
defeitos, coisas horríveis. E ela pensava: será que a bicharada piorou ainda
mais? Eram tantos os defeitos que ela enxergava que, inquieta, procurou
novamente o oftalmologista.
Este
examinou seus olhos e disso: “Dona onça, a senhora me desculpe! O erro foi meu.
Quando eu fiz a cirurgia nos seus olhos, eu me enganei e coloquei seus olhos
voltados para dentro. Por isso que a senhora estranhou, pois está vendo os
próprios defeitos”. E recolocou os olhos na posição certa.
A
onça voltou novamente para a floresta, mas agora era mais prudente ao criticar
os demais bichos, pois sabia que seus defeitos eram bem maiores.
Jesus
virá de surpresa. Que ele nos encontre sem pecado, especialmente os pecados da
língua. Que sejamos rigorosos conosco mesmos, mas muito condescendentes e
compreensivos diante das falhas dos outros.
Maria
Santíssima, a discípula fiel do Senhor, viveu sempre preparada para o segundo
encontro com o seu Filho, vindo como Juiz. Por isso hoje ela brilha no céu como
a estrela da manhã. Que ela nos ajude a viver sempre preparados para o encontro
com o seu Filho.
O
mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário