15- DOMINGO
- Evangelho - Mc 13,24-32
J.
Salviano Silva
Em
verdade vos digo: não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passarão
o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. A respeito, porém,
daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o
Filho, mas somente o Pai.
Jesus
está falando sério! Isso é escatologia. E Jesus está falando sobre o fim dos
tempos, Ele descreve as tribulações que vão acontecer no dia da manifestação do
Filho de Deus. No dia em que Ele vai julgar os vivos e os mortos, Cristo
glorioso revelará a disposição secreta das mentes de todos e retribuirá a cada
um segundo suas obras principalmente de caridade e segundo tiver acolhido
ou rejeitado sua graça. No fim dos tempos, o Reino de Deus vai chegar à
sua plenitude. Depois do Juízo Universal, os justos reinarão para sempre com
Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado.
Prezados
irmãos. Naquele dia, seremos julgados, principalmente pela nossa atitude para
com os necessitados. E gostaria de aproveitar essa reflexão para ressaltar que
a caridade tem um duplo valor: Além de nos salvar no julgamento final, ela tem
o poder de nos purificar dos pecados leves ou veniais.
Das
virtudes: Fé, Esperança e Caridade, a caridade é a mais forte delas. Por que a
caridade é a forma de penitência mais eficaz para que sejamos limpos ou
perdoados dos nossos pecados leves. Veja o que diz o Catecismo da Igreja
Católica:
"Como
o alimento corporal serve para restaurar a perda das forças, a Eucaristia
fortalece a caridade que, na vida diária, tende a arrefecer; e esta caridade
vivificada apaga os pecados veniais."
Então?
O que estamos esperando? Não vamos ficar aqui parados... Mãos a obra, vamos
praticar a caridade já. Porque não sabemos o dia do Juízo Final.
Caríssimos.
Esta vida é uma viagem, na qual não temos pressa de chegar no seu final. Porque
o final desta caminhada, é a morte, é o Juízo final.
A
morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de
misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o
projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado
"o único curso de nossa vida terrestre", não voltaremos mais a outras
vidas terrestres. "Os homens devem morrer uma só vez". Não existe "reencarnação"
depois da morte.
A
morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da
graça divina manifestada em Cristo. O Novo Testamento fala do juízo
principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda
deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da
morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé. A parábola do pobre
Lázaro e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão assim como outros textos do
Novo Testamento, falam de um destino último da alma pode ser diferente para uns
e outros. (Catecismo da Igreja Católica)
Não
temos certeza para onde vamos. Tudo depende do resultado do julgamento, ou
melhor, tudo depende de como vivemos a nossa vida hoje.
A
incerteza de estarmos preparados ou não para passar no Julgamento, e o fato de
não sabermos o dia e a hora, nos deixa em desequilíbrio existencial constante.
Estar
preparado é estar em estado de graça no último momento, no último suspiro. Mas
como isso é possível, se a cada momento da nossa caminhada nós tropeçamos e
caímos, por causa de tantas tentações que vivem à solta em volta de nós.
Geralmente cometemos mais pecados leves mais pecamos, caímos.
Mas
é bom lembrar que além da penitência, do jejum e da caridade, temos a
absolvição geral no começo de cada missa, no ato penitencial quando pedimos
perdão e o sacerdote intercedo por nós, dizendo: Deus todo poderoso, cheio de
bondade e misericórdia infinita, tende piedade de nós. Perdoe os nossos pecados
e nos conduza à Vida Eterna. Isso é uma absolvição para os pecados veniais. Por
isso, não chegue mais atrasado(a) na missa. Por outro lado, mesmo com essa
absolvição geral, os rascunhos dos pecados veniais vão se acumulando em nossa
alma de tal forma, que periodicamente, precisamos de uma limpeza geral, de uma
boa confissão. Vejam. Os Oceanos são formados de gotas de água. De pecadinho em
pecadinho, o nosso ESTADO DE GRAÇA vai ficando SEM GRAÇA... Por isso é
que precisamos, repito, de vez em quando, confessar, para estar sempre
preparados.
Se
soubéssemos quando seria o dia, e a hora, dias antes cuidaríamos de nos
preparar com seriedade. Arrependendo-nos, rezando, confessando e comungando
para sermos aprovados ou perdoados no julgamento final.
Mas
acontece que não é assim que funciona o Plano de Deus a nosso respeito. Ele
quer que durante a nossa vida inteira nos preocupemos e nos esforcemos em estar
sempre preparados, como se estivéssemos vivendo o último dia de nossa
existência terrena, preparados para a chegada do Reino de Deus.
E
este Reino de Deus já deveria ter começado dentro de cada um de nós. Porque se
cada um vivesse o verdadeiro amor a Deus e a próximo, seríamos felizes de uma
alegria contagiante. E estaríamos valorizando o Plano de Deus de vir até nós
por meio de Seu Filho que veio nos dizer que Deus pai é bom, nos ama e quer nos
salvar. Ele nos ensinou a construir um mundo melhor: feito de paz, de
igualdade, de justiça, de respeito entre as pessoas. E a esse mundo
transformado, ele chamou de REINO DE DEUS. E esse reino de amor de Deus deve
ser preparado dentro de cada um de nós. Ele deve brotar de dentro de nós.
Assim: em tudo que eu faço devo demonstrar que Deus está comigo, porque eu
estou em harmonia com Ele e com meus irmãos. Nos meus atos devo mostrar que sou
uma pessoa de Deus. Ou seja. Se o reino de Deus está dentro de cada um de nós,
ele deve ser revelado em nossas atitudes. Por exemplo: quando sou alegre,
verdadeiro, honesto, obediente, justo, trabalhador, estudioso etc, é porque
Deus está dirigindo os meus atos, e o seu Reino da paz e de fraternidade está
acontecendo e brotando de dentro de mim para fora, para os irmãos, até a
chegada do Juízo Final
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