08- Quinta
- Evangelho - Lc 11,5-13
Pedi
e recebereis.
Neste
Evangelho, Jesus nos fala da necessidade e da eficácia de uma oração
perseverante. Para esclarecer, ele conta duas parábolas.
A
primeira é a do amigo que chega à meia-noite à casa do vizinho e pede
emprestado os pães, sobressai a insistência daquele que pede. Insistência tão
perseverante que se torna impertinência. Foi por isso que o amigo foi atendido.
Assim devemos fazer com Deus. Pedir, pedir, pedir... e continuar pedindo. A
demora dele em nos atender tem mil razões que nos escapam, mas todas a nosso
favor, pois ele é nosso Pai amoroso. O correto é termos tanta fé, esperança e
amor, que continuamos tranqüilos e com a mesma alegria como se tivéssemos
recebido a graça pedida. O bebezinho é feliz porque confia na mãe e no pai;
assim devemos ser.
A
parábola da criança que pede ao pai o peixe ou o ovo está, bem relacionada com
a anterior. Naquela região havia cobras muito parecidas com uma espécie de
peixe; e havia escorpiões que, quando enroladinhos, pareciam um ovo. Uma
criança podia se enganar, pensar que a cobra é peixe, ou que o escorpião é ovo,
e pedi-los ao pai. Na verdade, a criança quer peixe, quer ovo; mas o que ela
está apontando para o pai lhe dar não é isso, e sim animais venenosos que podem
prejudicá-la. O pai sabe e não atende ao pedido. A criança, por não saber,
chora, sapateia, emburra e até se revolta.
Que
comparação acertada para entendermos por que muitas vezes não somos atendidos
por Deus! A diferença de conhecimento entre nós e Deus é muito maior do que
entre uma criança e seu pai. Deus sabe tudo e, como pai amoroso que é, não vai
nos atender se lhe pedirmos algo que vai nos prejudicar, mesmo que nos
revoltemos.
Por
isso, a nossa melhor atitude quando não somos atendidos por Deus é abaixar a
cabeça, vestir a carapuça e continuar a vida em frente, com a mesma fé e
alegria. E principalmente persistir rezando e pedindo coisas a Deus. Quem pede
sempre recebe, se não aquilo que pede, outra coisa melhor.
Nós
precisamos rezar com humildade, como Jesus nos ensinou no Pai Nosso: “seja
feita a vossa vontade...”; ou como Jesus mesmo rezou: “Pai, se quiseres, afasta
de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua!” (Lc
22,42). Precisamos pedir a Deus com humildade, sem determinar o dia e a hora
para Deus nos atender. Afinal, quem é o Senhor é ele e não nós. Muitas vezes
queremos que Deus se comporte como nosso empregado, que atende todos os nossos
pedidos, sem nem questionar. Ao rezar, não podemos fechar a questão sobre o que
queremos, porque pode ser que o melhor para nós seja outra coisa. Quantas vezes
acontece algo conosco que pensamos ser um mal e, mais tarde, descobrimos que
foi um bem!
Muitos
rezam de manhã e à noite e pensam que é o suficiente. Mas não é, pois Jesus nos
disse: “Orai sempre”. O nosso pensamento, ferido pelo pecado, várias vezes no
dia começa a se voltar para o mal. É a hora de cortarmos o mal pela raiz,
através de uma pequena oração, uma jaculatória, mesmo apenas mental.
Imediatamente
Deus, que está sempre ao nosso lado, entra na nossa vida e resolve. Por
respeito à nossa liberdade, ele não entra se não pedirmos.
Quanta
gente sofre na vida, lutando, lutando contra um mal ou para conseguir um bem, e
se esquece de rezar!
Na
última frase do Evangelho, Jesus nos fala que ganharemos o Espírito Santo, pois
ele contém todas as bênçãos e graças de Deus.
Certa
vez, um homem estava trabalhando na horta, no quintal de sua casa, junto com o
filho de dez anos. Estavam preparando a terra para um novo canteiro.
Olhando
de lado, o pai viu o garoto lutando para remover uma pedra. Ele usava toda a
sua força, mas não conseguia. Experimentava de um lado, de outro... nada.
Então
o pai lhe disse: “Está difícil, é?” O menino respondeu: “Sim, a pedra é muito
pesada!”
O
pai perguntou: “Você já usou todos os meios?” “Sim” – disse o garoto – “já
tentei de tudo que foi jeito”.
O
pai insistiu: “Mas há um meio que você não empregou”. “Qual?” perguntou o
menino. O pai virou-se para ele e disse, sorrindo: “Eu estou aqui e você não me
pediu ajuda!” O pai foi lá e os dois juntos removeram a pedra com facilidade.
Isso
vale bem para nós, em relação a Deus. Ele está ao nosso lado, caminha conosco
nas vinte e quatro horas do dia e nos esquecemos de contar com ele nas lutas da
nossa vida. Deus quer nos dar a mão, pois é para isso que está junto. Sua mão é
infinitamente sábia, infinitamente forte. Mas ele espera o nosso pedido.
Maria
Santíssima mantinha um diálogo com Deus o dia inteiro, mas sempre numa total
disponibilidade, como mostrou na Anunciação: “Eis aqui a serva do Senhor;
faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Pedi
e recebereis.
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