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domingo, 18 de setembro de 2016

Evangelhos Dominicais Comentados-Jorge Lorente


25/setembro/2016 – 26o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Lc 16, 19-31)

...Havia um homem pobre, de nome Lázaro, coberto de feridas, ficava deitado junto ao portão do rico. Desejava matar a fome com o que caía da mesa do rico. Em vez disso eram os cães que vinham lamber-lhe as feridas! Aconteceu que o pobre morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão. Também o rico morreu e foi sepultado. E na morada dos mortos, em meio aos tormentos viu de longe Abraão e Lázaro ao seu lado. Ele então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim. Manda que Lázaro molhe a ponta do dedo e venha refrescar-me a língua, porque sofro nestas chamas’. Respondeu Abraão: ‘Filho, lembra-te de que em vida recebeste teus bens e Lázaro seus males. Agora ele aqui é consolado e tu, atormentado. Ademais, entre nós e vós há um grande abismo. Os que quiserem passar daqui para aí não podem, nem tampouco daí para cá’. O rico disse: ‘Peço-te, então, pai, que ao menos o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos. Que Lázaro os advirta, a fim de que não venham também eles para este lugar de sofrimento’. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas. Que os escutem’. Disse ele: ‘Não é isso, pai, é que se algum dos mortos fosse até lá, eles se converteriam’. Ele respondeu-lhe: ‘Se não ouvem Moisés e os Profetas, tampouco acreditarão se um morto ressuscitar’”.

COMENTÁRIO

Hoje, último domingo do mês de setembro, comemoramos também o dia da Bíblia. Vamos pedir ao Pai que abra nossos ouvidos e nossos corações para acolhermos com amor a sua Palavra.

No evangelho de hoje Jesus nos conta uma parábola muito conhecida e que deve servir-nos de alerta. A Palavra de Deus é muito clara e mostra que é preciso mudar nossa maneira de ver as coisas. Não podemos viver fazendo de conta que fome e desigualdade social, são coisas que não existem.

De fato, este evangelho é um recado direto para quem não se comove com o sofrimento dos pobres, no entanto, deixa claro também que não adianta somente se comover e não mover uma “palha” sequer, para mudar esse quadro. A compaixão deve ser traduzida em gestos concretos, em obras.

Finalizando, Jesus diz que é impossível transpor o abismo que separa o inferno, do paraíso. A ponte que torna possível a travessia para o céu, deve ser construída através de nossas ações. Temos uma vida inteira para construí-la, ou não.

Note que nesta parábola, o rico não maltratava o pobre Lázaro, ele simplesmente o ignorava. Para esse magnata, fechado em seu próprio mundo, era como se Lázaro não existisse. Talvez nunca tenha percebido esse indigente em seu portão.

Se é que chegou a perceber sua presença, certamente ignorou suas necessidades. O rico da parábola, não representa, necessariamente, o rico de bens. Esse rico simboliza a nata da sociedade, nossos governantes e os responsáveis pela distribuição de renda. Ele é o símbolo do cristão que, mesmo não sendo da alta sociedade, não tem compromisso com o evangelho.

O pobre Lázaro representa o povo ignorado, sofrido e oprimido. É o símbolo mais representativo do doente, sem poder aquisitivo, que mendiga atendimento médico e remédios nas longas filas dos postos de saúde. Quantos Lázaros são enxotados das portas de planos de saúde e hospitais particulares.

Outra coisa que nos chama à atenção, é que em nenhum instante Lázaro maldizia sua sorte. A exemplo de Jó, Lázaro aceitava tudo com resignação e esperança. Confiava em Deus e em suas promessas. Sabia que tudo aquilo era passageiro e que sua recompensa estava reservada no céu.

Um dia Lázaro morreu e foi levado, pelos anjos, junto a Abraão. Quando o rico morreu, foi enterrado e enviado para a região dos mortos. Apesar de passarem quase despercebidas, estas duas frases são muito fortes. É preciso entendê-las e sentir-se responsável, para evitar arrependimentos futuros.

Deus Pai reservou o melhor para todos seus filhos. Maravilhas que os olhos humanos jamais viram nos aguardam, no entanto, não basta ser pobre para ser herdeiro do céu, assim como, o inferno não é lugar reservado exclusivamente para os donos de grandes fortunas.

No evangelho, é bem diferente o sentido de pobre e rico. Existem pobres de bens materiais, que são ricos em ganância e soberba. Existem também milionários que não são escravos do dinheiro. Têm espírito cristão, sabem dividir e pagam salários justos aos seus empregados.

Esta parábola nos ensina que é preciso despojar-se. Ensina também que ninguém é condenado pelo simples fato de ser rico. Porém, é preciso cuidado com a tentação do poder. Lembre-se sempre deste singelo versinho: “onde o ouro alto fala... o coração se cala”.

(2239)     jorge.lorente@miliciadaimaculada.org.br  - 25/setembro/2016

2 comentários:

Severino Fernandes disse...

Bela e sabia reflexão. Continue sendo iluminado pela luz divina da Palavra.

Severino Fernandes disse...

Bela e sabia reflexão. Continue sendo iluminado pela luz divina da Palavra.

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