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de Dezembro- Terça - Evangelho - Lc 2,36-40
Da gruta de Belém, onde naquela Noite Santa
nasceu o Salvador, o olhar volta-se hoje para a humilde casa de Nazaré, para contemplar
a Santa Família de Jesus, Maria e José, cuja festa celebramos, no clima festivo
e familiar do Natal.
O Redentor do mundo quis escolher a família
como lugar do seu nascimento e do seu crescimento, santificando assim esta
instituição fundamental de todas as sociedades. O tempo passado em Nazaré, o
mais longo da sua existência, permanece envolto por uma grande discrição e dele
poucas notícias nos são transmitidas pelos evangelistas. Se, porém, desejamos
compreender mais profundamente a vida e a missão de Jesus, devemos
aproximar-nos do mistério da Santa Família de Nazaré para ver e ouvir. A
liturgia de hoje oferece-nos para isso uma oportunidade providencial.
A humilde
casa de Nazaré é para todo o crente, e especialmente para as famílias cristãs,
uma autêntica escola do Evangelho. Aqui admiramos a realização do projeto
divino de fazer da família uma íntima comunidade de vida e de amor; aqui
aprendemos que cada núcleo familiar cristão é chamado a ser pequena «igreja
doméstica», onde devem resplandecer as virtudes evangélicas. Recolhimento e
oração, compreensão mútua e respeito, disciplina pessoal e ascese comunitária,
espírito de sacrifício, trabalho e solidariedade são traços típicos que fazem
da família de Nazaré um modelo para todos os nossos lares.
Desejei
realçar estes valores na Exortação apostólica «Familiaris consortio», de que
celebramos, neste ano, o vigésimo aniversário. O futuro da humanidade passa
pela família que, nos tempos de hoje, mais do que qualquer outra instituição,
foi assinalada por profundas e rápidas transformações da cultura e da
sociedade. A Igreja, porém, nunca deixou de fazer chegar «a sua voz e oferecer
a sua ajuda a quem, conhecendo já o valor do matrimônio e da família, procura
vivê-lo fielmente; a quem, incerto e ansioso, anda à procura da verdade e a
quem é injustamente impedido de viver livremente o próprio projeto familiar»
(Familiaris consortio, 1). Ela dá conta da sua responsabilidade e deseja
continuar, ainda hoje, «a oferecer o seu serviço a cada homem interessado nos
caminhos do matrimônio e da família»
Para
realizar esta sua ingente missão, a Igreja conta de modo especial, com o
testemunho e contribuição das famílias cristãs. Melhor ainda, «perante os
perigos e dificuldades que a instituição familiar atravessa, ela convida a um
suplemento de audácia espiritual e apostólica, na consciência de que as
famílias são chamadas a ser ‘sinal de unidade para o mundo’, e a testemunhar ‘o
Reino e a paz de Cristo, para os quais o mundo inteiro caminha’» (ibid. 48).
Os
cristãos, recorda o Concílio Vaticano II, atentos aos sinais dos tempos, devem
promover «ativamente o bem do matrimônio e da família, quer pelo testemunho da
sua vida pessoal, quer pela ação harmônica com todos os homens de boa vontade»
(Gaudium et spes, 52). É necessário proclamar com alegria e com coragem o
Evangelho da família.
Jesus,
Maria e José abençoem e protejam todas as famílias do mundo, para que nelas
reinem a serenidade e a alegria, a justiça e a paz, que Cristo, ao nascer,
trouxe como dom à humanidade.
Pai, dá-me a graça de ser piedoso e justo como
as pessoas envolvidas no Mistério da Encarnação de teu Filho Jesus. Sejam elas
para mim fonte de perene inspiração.
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