CRISTO REI – DOMINGO
25/11/2012
1ª Leitura
Daniel 7, 13-14
Salmo 92 (93) , 1 a “O Senhor é Rei e se
revestiu de Majestade”
2ª Leitura AP 1, 5-8
Evangelho João 18, 33b – 37
“UM REINO QUE NÃO É DAQUI” – Diácono José
da Cruz
A resposta de Jesus
à Pilatos, de que o seu reino não é deste mundo, poderá ser mal interpretado,
se não se conhecer o contexto do evangelho e o mal entendimento poderá resultar
em uma religião extremamente espiritualista, alienada e descomprometida com as
realidades terrestres que nos cercam. O cristão sempre tem que ter os pés no
chão da história e o olhar no paraíso onde o reino irá atingir a sua plenitude
pois o reino de Jesus não é uma utopia mas realidade concreta.
A igreja celebra
neste domingo a Festa de Cristo Rei que marca o encerramento do ano litúrgico e
convida-nos a refletir sobre a realeza de Jesus porque muito mais que súditos,
com ele reinamos e vamos construindo o reino já nesta vida. Importante
entendermos que não se trata de dois reinos, um terrestre e um celeste, mas de
um único reino que um dia se tornará visível para toda humanidade.
Em sua vida pública
Jesus viveu momentos em que poderia declarar-se rei, aliás, o povo e os
próprios discípulos em alguns desses momentos quiseram fazê-lo um rei porém,
Jesus sempre fugiu desse populismo que não leva a nada a não ser alimentar a
vaidade humana.
A confirmação de
sua realeza diante de Pilatos, se dá em um momento dramático quando Jesus está
totalmente só e indefeso pois os amigos mais chegados o abandonaram, o povo, a
quem ele saciou a fome, instigado pelas lideranças religiosas, haviam pedido a
sua condenação, preferindo libertar Barrabás. É portanto um momento de fracasso
total e vergonhosa humilhação sendo assim, nessas condições totalmente
desfavoráveis, que Jesus confirma que é rei.
Portanto, podemos
compreender em um primeiro momento, que reinar com Jesus significa percorrer o
difícil caminho do discipulado que vai sempre na contra mão dos projetos
humanos, que buscam o Poder e o Ter como as únicas alternativas se ter o
domínio não só de um grupo mas de todas as nações da terra, em um absolutismo
cruel que atropela e faz sucumbir todos os sonhos e ideais de um povo,
desencadeando ódio e violência entre classes, levantando barreiras entre as
nações.
Neste sentido Jesus
é o único rei que une e congrega todas as nações da terra, no mandato dos seus
discípulos sua ordem foi bem clara: ”Ide a todas as nações”. Os grandes
impérios humanos que existiram e que ainda vão existir, todos sem exceção irão
se acabar porque só o Reino de Deus é eterno e jamais passará. Assim como no
passado o rei Davi unificou o norte e o sul, Jesus unificou o mundo inteiro e o
seu reino não terá fim.
A arma poderosa que
Jesus usou, para expandir o seu reino e torna-lo conhecido no mundo inteiro,
não foi o poder bélico de um exército grandioso, nem tão pouco a coragem e
valentia dos seus seguidores, que no primeiro confronto com o poder, fugiram
todos deixando o mestre entregue nas mãos dos seus perseguidores.
Também não fez uso
do poder econômico já que nasceu, viveu e morreu pobre, muito menos utilizou o
poder divino para impor à força o seu reino. Mas empregou a força do amor!
Amor que ele
manifestou em tantos gestos de acolhimento e misericórdia com os pobres e
pecadores pois Jesus nunca quis destruir os que se opuseram ao seu reino mas ao
contrário, quis ganha-los oferecendo também a eles a salvação enquanto que os
reinos do mundo destroem e eliminam quem se interpõe em caminho Jesus constrói,
restaura,renova e edifica o homem todo, sem distinção de raça, cor ou religião.
Por isso como
Igreja, sinal deste reino no meio dos homens, muito mais que súditos ou meros
simpatizantes somos todos discípulos que devem ter o coração sempre aberto a
Deus e aos irmãos, manifestando em nossos gestos e palavras aquele mesmo amor
que na manhã de um domingo irrompeu da escuridão da morte derrotando para
sempre todas as forças do mal, inaugurando um reino que é definitivo.
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