Tempo do Advento - III Semana - Quinta-feira
Lectio
Primeira leitura: Génesis 49, 2.8-10
Naqueles dias, Jacob chamou os filhos e disse-lhes:
2Ajuntai-vos para escutar, filhos de Jacob. Para escutar Israel, vosso pai.
8*A ti, Judá, teus irmãos te louvarão. A tua mão
fará curvar o pescoço dos teus inimigos. Os filhos de teu pai inclinar-se-ão
diante de ti! 9Tu és um leãozinho, Judá; quando regressas, ó meu filho, com a
tua presa! Ele deita-se. É o repouso do leão e da leoa; quem ousará
despertá-lo? 10*O ceptro não escapará a Judá, nem a autoridade à sua
descendência, aé que venha aquele a quem pertence o comando e ao qual obedeceão
os povos.
Jacob moribundo reúne a família e pronuncia
palavras consideradas sagradas e proféticas sobre o futuro dos seus doze filhos
e da descendência deles. Refere-se especialmente a Judá, pai da tribo homónima,
na qual haveria de nascer o Messias (cf. vv. 8-10). Esta profecia, que remonta
ao tempo de Isaías (século VIII-VII), é misteriosa, mas exalta a superioridade
de Judá entre os seus irmãos por causa da sua força real, semelhante à do leão,
e pelo «ceptro» e pela autoridade (v. 10ª), que exercerá sobre as tribos de
Israel e sobre todos os seus inimigos. Trata-se de uma alusão à monarquia davídica,
que receberá o ceptro do Ungido do Senhor, que trará a salvação esperada. Essa
profecia irá realizar-se quando o verdadeiro rei anunciado, a quem pertence o
ceptro, a autoridade e o reino, dominar sobre todos os povos. Este rei ideal e
definitivo aparecerá no Messias, de que fala o Apocalipse: «Venceu o leão da
tribo de Judá» (Apoc 5, 5). Só ele possui o ceptro de Deus, cujo reino não é um
domínio, um poder, mas serviço e amor em favor de todos os povos, que lhe
deverão obediência filial.
Evangelho: Mateus 1, 1-17
1*Genealogia de Jesus Cristo, filho de David
filho de Abraão. 2Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e
seus irmãos; 3Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera; Peres gerou Hesron; Hesron
gerou Rame; 4Rame gerou Aminadab; Aminadab gerou Nachon; Nachon gerou Salmon;
5Salmon gerou, de Raab, Booz; Boozgerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé;
6Jessé gerou o rei David. David, da mulherde Urias, gerou Salomão; 7Salomão
gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerouAsa; 8Asa gerou Josafat; Josafat
gerou Jorão Jorãogerou Uzias; 9Uzias gerou Jotam; Joam gerou Acaz; Acazgerou
Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerouAmon; Amon gerou Josias;
11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilónia.
12Depois da depoação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou
Zorobabel; 13Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azur;
14Azur gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou
Eleázar; Eleázar gerou Matan; Matan gerou Jacob.16Jacob gerou José,
Tempo do Advento Terceira Semana – Sábado
(17|Dezembro)
esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. 17*Assim, o número total das gerações é, desde Abraão até David, catorze; de David até ao exílio da Babilónia, catorze; e, desde o exílio da Babilónia até Cristo, catorze.
esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. 17*Assim, o número total das gerações é, desde Abraão até David, catorze; de David até ao exílio da Babilónia, catorze; e, desde o exílio da Babilónia até Cristo, catorze.
Mateus abre o seu evangelho com a narração
das origens humanas de Jesus: a «Genealogia de Jesus Cristo» (v. 1), que começa
em Adão e termina em «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama
Cristo» (v. 16). O evangelista divide a história da salvação, que tem o seu
ponto culminante em Jesus-Messias, em três grandes períodos: Abraão, David, o
exílio. Apesar da monotonia e do carácter artificial da sucessão dos nomes, o texto
tem importante valor teológico, pois nos oferece a genealogia humana d´Aquele
que será o protagonista do Evangelho. Confirmam-se as promessas dos profetas,
segundo as quais Jesus é descendente de Abraão e de David e, portanto, possui
as bênçãos e a glória dos antepassados.
Meditatio
O projecto de Deus foi longamente preparado,
como mostra a genealogia com que Mateus inicia o seu evangelho. Cristo veio na
plenitude dos tempos, uma plenitude, à primeira vista, desconcertante: o tempo
nada fazia esperar de bom, o lugar do nascimento é uma pequena aldeia, José,
embora sendo da descendência de David, era um modesto trabalhador desconhecido.
Mas Deus é senhor do impossível e realiza os seus planos, quando nada o fazia
prever…
A primeira leitura é uma profecia de Jacob que fala
do ceptro de Judá, que promete um vencedor: «um leãozinho, Judá», um dominador:
«Os filhos de teu pai inclinar-se-ão diante de ti!». Judá é o elo que liga a
primeira leitura ao evangelho. Cristo é filho de Judá. O segundo Adão entrou na
aventura humana, marcada pelo pecado, pelo sofrimento e pela morte, por causa
da desobediência dos nossos primeiros pais, não para punir a humanidade, mas
para a transformar e reconduzir à amizade com Deus, como estava previsto no
primeiro projecto. Toda a história de Israel é testemunho do anúncio da vinda
de um redentor, que os homens esperam para receber a promessa: toda a lei está
grávida de Cristo, diria Agostinho de Hipona. Em Jesus, Deus fez-se
efectivamente homem, e o sonho tornou-se realidade. O Deus- connosco fez Deus-
para-nós, apesar das nossas infidelidades e do nosso fraco acolhimento.
Fazemos parte desta história, que nos liga a Abraão
e a David, fio de ouro que muitas vezes quebrámos com o nosso pecado e que Deus
volta a ligar em Jesus, aproximando-nos cada vez mais do seu coração. E Ele,
que conhece as fragilidades do espírito humano, sabe compreender e perdoar a
nossa fraqueza, mas espera a conversão do nosso coração e o reconhecimento
d´Aquele a quem pertence toda a realeza e a quem todos os povos devem
obediência, fidelidade e amor.
Cristo, Verbo eterno de Deus, assumiu a carne
humana, da estirpe de David. Fez-Se intimamente próximo de nós homens: pela sua
humanidade, ergueu a sua tenda no meio das nossas (cf. Jo 1, 14); tornou-Se
nosso companheiro da caminhada terrena, peregrino connosco rumo à pátria
celeste, em tudo igual a nós, com as nossas fragilidades, os nossos
sofrimentos, excepto o pecado; mas carregou sobre Si os nossos pecados e
ofereceu-Se em sacrifício por eles. Assim alcançou a vitória: «venceu o Leão da
tribo de Judá, o rebeno da dinasia de David» (Apoc 5, 5). Mas este vencedor é
um Cordeiro imolado, não um leão que devora a presa. E todavia é
verdadeiramente o leão de Judá, o vencedor. Mas a sua vitória não foi obtida de
maneira humana. Venceu-a com o sacrifício de si mesmo. E a sua vitória continua
a realizar-se: Cristo, de Lado aberto e Coração trespassado, continua a atrair
todos os homens. É, na verdade, o vencedor prometido, que vem da tribo de Judá.
Oratio
Senhor, Deus de Abraão, de Isaac Deus e de
Jacob, Deus de Jesus Cristo e nosso Deus, prometeste a Judá um reino eterno e
uma realeza sobre todos os povos. Toda a história humana, por meio do povo
eleito e, depois, por meio da Igreja, é herdeira das bênçãos de Israel, e está
orientada para Cristo, esperado das nações. Que cada um de nós se torne
instrumento válido para levar até Ele todo o irmão e irmã que encontrar na
vida. Faz que os homens, de todas as raças e cores, saibam ultrapassar as
divisões e reencontrar-se unidos por uma renovada esperança na vinda do
Salvador e por uma forte confiança de que a sua mensagem de salvação e de vida
é válida para todos, sem qualquer distinção.
Senhor da história e dos povos, enche-nos do teu
poder e faz que vivamos vigilantes reconhecendo os sinais dos tempos e a tua
passagem silenciosa pelas aventuras quotidianas da nossa história. Que,
sobretudo, reconheçamos no teu Filho Jesus, descendente de uma estirpe humana,
o Messias esperado. Amen.
Contemplatio
O patriarca Jacob dizia-o abençoando o seu
filho Judá: «O ceptro não sairá deJudá, dizia, até que venha aquele que deve
vir e será o desejado de todos os povos» (Gen 41). Nós o sabemos, Israel
esperava o Messias e todos os povos desejavam um Salvador. Nós o possuímos, nós,
este Salvador, no tabernáculo, e não vamos ter com ele!
Quer a nossa visita para acender nos nossos
corações o fogo dos santos desejos.
A minha alma é esta Jerusalém descrita por Jeremias
(Lam 1), toda desolada, devastada, sem energia e sem força. Irei ao sacrário
receber os eflúvios da sabedoria e da força divinas.
«Sião, dizia: O Senhor me abandona e me esquece. –
Não, responde o Senhor, é que uma mãe pode esquecer o seu filho e o fruto das
suas entranhas? E mesmo queuma mãe pudesse esquecer o seu filho, eu nunca vos
esqueceria» (Is 49, 14).
Nós temos, portanto, no sacrário, uma mãe e mais do
que uma mãe. Donde vem que não vamos com mais confiança ao Coração eucarístico
de Jesus?
Quem sou eu? Um bebé que precisa de ser aleitado
com leite real. O Salvador está lá para mo dar. O profeta prometeu-o: «Tu terás
o leite real, dizia a Sião, e tu saberás que sou o teu Salvador, o teu Redentor
e a tua força (Is 60).
Tenho lá no sacrário o pão dos fortes, o maná que
deleita e que alimenta. Se não negligencio este banquete, este alimento divino,
crescerei em força e em graça. É a intenção de Nosso Senhor.
Como bebés, diz S. Pedro, desejai e saboreai o
leite espiritual, para que a graça da salvação cresça em vós (1Pd 2, 2).
Crescei, diz-nos S. Paulo, até ao desenvolvimento
do homem perfeito, para que não sejais mais como crianças sem vontade; cumpri
os vossos deveres por amor, a fim de crescerdes sem cessar em Cristo que é o
vosso chefe (Ef 4, 13).
Irei, portanto, ao sacrário buscar o leite da
sabedoria e o espírito de caridade ao coração de Cristo (Leão Dehon, OSP 1, p.
640s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Ó Sapiência, vem ensinar-nos o caminho da vida»
(da liturgia).
LINNNNDOOOOO, OBRIGADAAAA, DEUS TE ABENÇÕE....
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