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Fevereiro 2018
Lectio
Primeira
leitura: Deuteronómio 26, 16-19
Moisés
falou ao seu povo dizendo: 16«Hoje, o SENHOR, teu Deus, ordena-te que cumpras
estas leis e preceitos. Observa-os e cumpre-os com todo o teu coração e com
toda a tua alma. 17Hoje, declaraste ao SENHOR que Ele seria o teu Deus e que
andarias nos seus caminhos, observando as suas leis, os seus preceitos e os
seus mandamentos. 18Por sua vez, o SENHOR declarou-te hoje que serias o seu
povo particular, como te tinha dito, e que deverias observar todos os seus
mandamentos; 19que te tornaria superior em honra, fama e esplendor a todos os
povos que Ele tinha criado; que serias um povo consagrado ao SENHOR, teu Deus,
como Ele tinha dito»
Este texto
tem a forma de um tratado de aliança, e está colocado entre o corpo legislativo
do Deuteronómio (capítulos 11-26) e as bênçãos e maldições que decorrem da
observância ou da transgressão dos decretos do Senhor. Juridicamente, em
Israel, o pacto representa a forma mais radical para construir a comunhão entre
pessoas. Cria-se uma situação em que os contraentes trocam entre si o que têm
de mais pessoal. Na presença de testemunhas, e com um documento público, cada
uma das partes propõe e aceita um duplo compromisso recíproco.
Mas a
liturgia de hoje apresenta-nos um tipo de «pacto» muito especial: não é um
pacto entre dois homens, mas entre Deus e um povo, entre Deus fiel e Israel. É
um pacto teológico, onde os dois contraentes não se colocam no mesmo nível.
A perícopa
tem um claro significado didáctico e manifesta a experiência que Israel fez de
Deus. Deus não é um ser longínquo, inacessível; Deus é comunhão, é vontade de
salvação para o povo escolhido. É Ele que elege, por amor e gratuitamente o
povo (cf Dt 4, 3-7). É Ele que dá a Israel leis e mandamentos, que são um
caminho de vida e um modelo de sabedoria (cf. Bar 4, 1-4). Israel é chamado a
corresponder a essa graça pela obediência e pela fidelidade a Deus.
Evangelho:
Mateus 5, 43-48
Naquele
tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43*«Ouvistes o que foi dito:
Amarás o
teu próximo e odiarás o teu inimigo. 44Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos
inimigos e orai pelos que vos perseguem. 45*Fazendo assim, tornar-vos-eis
filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o sol se levante
sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores.
46Porque, se amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem já
isso os cobradores de impostos? 47E, se saudais somente os vossos irmãos, que
fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? 48Portanto, sede
perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.»
Mateus
oferece-nos, neste texto, a última antítese com que Jesus revela o cumprimento
dos ensinamentos da Lei. O Levítico ordenara o amor ao próximo e proibira a
vingança e o rancor «contra os filhos do teu POV(]» (Lev 19, 18). Mas o ensino
rabínico e outros contemporâneos de Jesus, como os essénios e os zelotas,
admitiam o acrescento, que não é bíblico: «odiarás o teu ioirnlço». Jesus vai
mais além: exige uma caridade sem limites, e que chegue mesmo aos inimigos.
Porquê? Porque é assim que o Pai nos ama, e nos quer parecidos com Ele. A
universalidade do amor cristão idealista. É concreta: propõe o amor a todos,
também a quem não nos ama, não nos cumprimenta … É esse amor que distingue os
discípulos de Cristo dos pagãos e dos pecadores. É, pois um amor que ultrapassa
o simplesmente humano e natural, e nos projecta para o horizonte infinitamente
perfeito do Pai. A gratuidade do amor torna-se lei que regula a relação com
Deus e com os homens. É essa a justiça superior que Jesus exige para se entrar
no Reino.
Meditatio
A Aliança
de que nos fala o Deuteronómio era um pacto de mútua fidelidade entre Deus e o
Povo de Israel: «Hoje, o SENHOR, teu Deus, ordena-te que cumpras estas leis e
preceitos … o SENHOR declarou-te hoje que serias o seu povo particular. .. ».
Jesus revela-nos que a obediência às leis e preceitos tinha como objectivo
fazer dos membros do povo de Deus filhos do mesmo Deus, semelhantes ao Pai,
perfeitos como Ele é perfeito, e que essa perfeição havia de se manifestar na
misericórdia, na gratuidade, na bondade para com todos, e para além de qualquer
medida. Buscar a perfeição consistirá em procurar uma cada vez maior
conformidade com o coração de Deus, com o coração do seu Filho feito homem.
A aliança
com Deus deve transformar toda a nossa vida, em profundidade, e não apenas no
que se refere à observância exterior das leis e preceitos do Senhor. Jesus vai
até mais longe falando, não de aliança, mas de filiação: «Amai os vossos
inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos
do vosso Pai que está no CéLP> (vv. 44-45). O nosso comportamento deve ser
inspirado pelo desejo de nos tornarmos cada vez mais semelhantes ao nosso Pai
do céu. É nisto que consiste o amor perfeito. Trata-se de oferecer o dom maior,
o per-dão. Foi desse modo que Cristo nos amou na cruz, deixando-nos o exemplo e
a graça necessária para nos conformarmos a Ele. Amando os inimigos, rezando por
quem nos quer mal, tornamonos filhos de Deus. Já o somos pelo baptismo. Mas
tornamo-nos cada vez mais filhos do Pai misericordioso que está no céu. E a
nossa maior recompensa será o amor do Pai derramado nos nossos corações.
Para viver
a fraternidade na comunidade pomos em prática os ensinamentos de Jesus:
"Sede misericordiosos, como é misericordioso o vosso Pai. Não julgueis e
não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e ser-vos-é
perdoado; dai e ser-vos-é dado; uma boa medida … , porque a medida que
empregardes com os outros será usada convoscd’ (Lc 6, 36-38). Não leiamos
superficialmente estas palavras de Jesus. Reflictamos bem sobre elas. Se as
pusermos em prática, com a ajuda do Espírito Santo, experimentaremos uma
profunda serenidade interior, seremos criaturas de paz, de alegria, de bondade
e de mansidão.
"Na
comunhão, mesmo para além dos conflitos, e no perdão recíproco quereríamos
mostrar que a fraternidade por que os homens anseiam é possível em Jesus Cristo
e dela quereríamos ser fiéis servidores" (Cst 65). O condicional é
utilizado muito oportunamente, porque a construção de uma comunidade fraterna,
da comunhão, não é fácil. Infelizmente na comunidade religiosa, como na
comunidade cristã, também nascem inimizades, pequenas, mesquinhas, porque
causadas, geralmente, por corações tacanhos, feridos pelo ciúme e pela inveja.
São, porém, inimizades que provocam muito sofrimento em quem deles é objecto,
sem culpa. Valem, então, as palavras de Jesus: "Amai os vossos inimigos,
fazei bem àqueles que vos odeiam (ou que, sem um verdadeiro ódio, são
invejosos, ciumentos), bendizei aqueles que vos amaldiçoam (no sentido de que fa
lam mal de vós), rezai por aqueles que vos maltratam (não fisicamente, mas moralmente) (Lc 6, 27-28). "Para que sejais filhos do vosso Pai celeste, que faz nascer o sol para os bons e para os maus, e manda a chuva para os justos e os injustos … Sede, portanto, perfeitos como é perfeito o Pai celeste’ (Mt 5, 45-46).
lam mal de vós), rezai por aqueles que vos maltratam (não fisicamente, mas moralmente) (Lc 6, 27-28). "Para que sejais filhos do vosso Pai celeste, que faz nascer o sol para os bons e para os maus, e manda a chuva para os justos e os injustos … Sede, portanto, perfeitos como é perfeito o Pai celeste’ (Mt 5, 45-46).
Oratio
Senhor
Jesus, que no teu rosto humano nos revelaste o rosto do Pai, faz que, olhando
para Ti, que não Te envergonhaste de ser nosso irmão, aprendamos a viver como
filhos obedientes à vontade de Deus. Ele derramou o seu amor gratuito e
generoso nos nossos corações, renovando-os, fazendo de nós seus filhos e teus
irmãos. Infunde, agora, em nossos corações, o teu Espírito Santo, que faça
crescer em nós o homem interior, à tua imagem e semelhança, para vivermos, cada
vez mais, como verdadeiros filhos do Pai e como bons irmãos de todos os homens,
também daqueles de quem não gostamos, ou que nos fazem sofrer. Acolhendo a
graça divina, que repara em nós a imagem do Pai, e a aperfeiçoa, seremos
servidores da paz e da reconciliação na Igreja e no mundo. Amen.
Contemplatio
Sede
misericordiosos, diz-nos Nosso Senhor, como o vosso Pai é misericordioso (Lc 6,
36). Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5, 48). E S. Paulo
acrescentou: «Sede os imitadores de Deus, como seus filhos bem amados, e
caminhai no amor, assim como Jesus Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo
por nós oferecendo-se a Deus como vítima de agradávelodom (Ef 5, 1).
Caminhemos
no amor, na caridade fraterna, como convém a filhos de Deus. – Sois todos
irmãos, dír-nos-á muitas vezes Nosso Senhor. Omnes enim fratres estis (Mt 23).
Éramos
irmãos pela criação, tornámo-nos irmãos pela graça e pela adopção divina. O
Evangelho acentuou e enobreceu a fraternidade. Assim os nossos sentimentos
devem ser inspirados por esta fraternidade delicada. Haveis de evitar, diz
Nosso Senhor, irritar-vos contra os vossos irmãos. – Haveis de procurar o seu
bem como o vosso próprio bem. – Mesmo se são vossos inimigos, permanecem vossos
irmãos e não os haveis de odiar. – Haveis de rezar por eles, haveis de vos
consumir pela sua salvação. – Não os julgareis nos vossos corações, não tendes
missão para isso, seria uma falta (Lc 6, 37) (leão Dehon, OSP 4, p. 66).
Actio
Repete
frequentemente e vive hoje a palavra:
«Sede
misericordiosos, como é misericordioso o vosso Pai» (Lc 6,36).
Obrigado Senhor, obrigado Dehonianos !!!
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