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quinta-feira, 30 de abril de 2020

"UM PROFETA SÓ NÃO É ESTIMADO NA SUA PRÓPRIA PÁTRIA E EM SUA FAMÍLIA!" Olivia Coutinho

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA - 01/05/20 - Mt 13,54-58

A palavra de Deus, que nos é apresentada no evangelho de hoje, nos traz uma pequena amostra dos desafios enfrentados pelos os profetas de ontem e que os profetas de hoje continuam enfrentando.
A cruz é certeira no caminho do profeta, pois são muitos, os que tentam obstruir o seu caminho, calar a sua voz, o que não conseguem, pois nem a morte consegue calar a voz de um profeta! É justamente depois da sua morte, que a voz de um profeta ressoa com mais intensidade ainda no coração da humanidade! O profeta morre, mas a sua palavra fica no mundo, como ficaram as palavras de Jesus, o profeta Maior de todos os tempos.
O texto fala do retorno de Jesus à sua cidade de origem! Lá, Jesus experimentou no corpo e na alma a dor da rejeição de seus próprios conterrâneos.
A admiração pelas palavras de Jesus, caiu por terra, quando a identidade do Messias, anunciado pelos profetas do antigo testamento, começou a se revelar na pessoa de Jesus. Os que esperavam por um Messias extraordinário, milagreiro com poderes políticos capaz de derrotar o inimigo com a forças das armas, não quiseram aceitar um Messias na condição de servo, alguém de origem simples, que tinha o olhar voltado para os pequenos, os pobres, os marginalizados...
Julgando Jesus, pela sua condição social, eles recusaram a graça de Deus, não quiseram mergulhar no mistério do amor de Deus, ficando somente no superficial, o mais importante, eles não foram capazes de perceber: o Rosto humano do Pai, sendo  revelado no filho de um carpinteiro!
Os compatriotas de Jesus, tiveram nas mãos a chave da felicidade, mas eles não se deram conta de tamanha preciosidade.
Em Nazaré, Jesus não pode realizar muitos milagres, não, por retaliação, mas pela falta de fé daquele povo, que deveria ser os primeiros a acolher Jesus.
Olhemos para dentro de nós e nos perguntemos: Será que nós também, não estamos tendo as mesmas atitudes dos conterrâneos de Jesus? Estamos aceitando ou não, o recado de Deus que chega até a nós, por meio das pessoas simples?
Dificilmente reconhecemos a sabedoria presente nas pessoas simples, temos a tendência de acreditar somente nas pessoas de alto "nível intelectual." E assim, muitos de nós, vamos deixando escapar as mensagens que Deus quer nos passar através das pessoas simples, esquecendo, de que Jesus, o Mestre de todos os mestres, serviu-se de meios humanos bem simples, para anunciar o reino de Deus!
A humanidade continua dividida, uns acolhe a voz do profeta e se dispõe a mudar de vida, outros, a ignora por não quererem mudar de vida.
Jesus foi rejeitado na sua cidade de origem, mas esta rejeição, não interrompeu o anúncio do Reino, anuncio que continua através dos incansáveis profetas de hoje: homens e mulheres que se embrenham pelo caminho da cruz, dispostos a dar a vida, se preciso for, pela causa do Reino.
FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia Coutinho


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JESUS CAMINHA CONOSCO, SE FAZ PRESENTE NA PALAVRA E NO GESTO DE PARTIR O PÃO – Maria de Lourdes Cury Macedo.



Domingo, 26 de abril de 2020.
Evangelho de Lc 24, 13-35

Neste 3º domingo da Páscoa fazemos memória da experiência dos discípulos de Emaús, que foi a manifestação do Ressuscitado na partilha do pão. No gesto de repartir o pão, abrem-se os olhos, e desperta a urgência da missão. Assim como Jesus caminhou com eles, hoje também caminha conosco, revela a Palavra viva e senta à mesa. Em cada celebração eucarística celebramos a presença de Jesus em nossa vida, ouvindo sua Palavra e participando da partilha do pão. Os dois discípulos de Emaús representam os cristãos de todos os tempos, sempre a caminho com o Senhor.
A morte de Jesus, para seus discípulos e apóstolos, foi um fracasso total, foi a derrota de Jesus. Eles haviam largado tudo para seguir o Mestre e, no entanto, Ele morrera como todo homem morre. Tristeza, medo, frustração, decepção tomaram conta do coração dos apóstolos e discípulos.
Os dois discípulos deixaram Jerusalém e voltavam para o povoado de Emaús onde moravam. Conheciam o testemunho das mulheres, de Pedro e João, que tinham ido ver o sepulcro vazio. Contudo, não deram crédito para o testemunho das mulheres, pois, ainda não acreditavam na ressurreição. Esperavam que Jesus fundasse um reino neste mundo e se decepcionaram com os acontecimentos. Eles representam a comunidade que não havia assimilado a morte do Mestre.
Eles não tinham entendido a missão de Jesus de cumprir fielmente o desígnio salvífico do Pai, apesar de Jesus falar claro com eles sobre a sua morte e ressurreição. Esperavam que Jesus de Nazaré fosse o libertador de Israel. A vida, a paixão, a morte, a ressurreição do Mestre ainda não era uma alternativa de caminho para os discípulos. Quem deseja sofrimento, dor e morte?!
Foi o que aconteceu com os discípulos de Emaús. A tristeza, a desesperança, a decepção tomou conta deles a ponto de não esperarem em Jerusalém para constatar se Jesus havia mesmo ressuscitado. Cabisbaixos, frustrados, desanimados, entristecidos partiram para sua casa, que ficava mais ou menos 11 km de Jerusalém, e caminhavam como se tivessem perdido o sentido da vida. Ir para Emaús não é somente ir para casa, mas é abandonar o projeto de Deus. Eles revelam o estado de ânimo de uma comunidade desorientada, sem força para o testemunho. É com esse tipo de comunidade que Jesus ressuscitado outra vez se põe a caminho.
Eis que Jesus lhes dá um prêmio, se coloca no meio deles quando os dois iam conversando pelo caminho sobre os últimos acontecimentos. Jesus surge como um forasteiro no meio deles, que não se fez reconhecer e pergunta sobre o que estão falando. Jesus escuta o que eles têm para contar..., ouve seus desabafos, suas queixas, mas caminha com eles. Eles contaram da tristeza e decepção que estavam vivendo com a morte do grande profeta Jesus de Nazaré, que já era o terceiro dia, e que algumas mulheres disseram que Ele está vivo.
Os judeus acreditavam que depois do terceiro dia o espírito se afastaria definitivamente do corpo, sem possibilidade de retornar. A morte teria tomado conta de Jesus e da comunidade. Nem o testemunho das mulheres, nem o túmulo vazio, nem a mensagem dos anjos e a própria constatação do sepulcro vazio não mereceu crédito, pois “ninguém o viu”.
Jesus, então tomando a palavra, começou a contar toda a história da salvação até chegar ao servo sofredor, Jesus, anunciado por Isaías. Eles ficaram encantados com suas palavras e o convidaram para entrar em sua casa.
Jesus aceitou o convite. Ao invés do dono da casa partir o pão, eles pedem que Jesus o faça. Jesus tomou o pão, abençoou-o, depois partiu e deu a eles. Neste gesto de Jesus de partilhar o pão, os discípulos o reconhecem. Reavivados na fé e na esperança, puseram-se a caminho para testemunhar a experiência do encontro com Cristo ressuscitado.
Jesus usou dois recursos para ser reconhecido: 1º a Sagrada Escritura; 2º a Eucaristia, a partilha do pão. Jesus desaparece porque já não é mais necessária a presença física d’Ele. A Palavra e o gesto de partir o pão abriram-lhe os olhos. Os discípulos concluem: “Não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?!”. Levantaram e correram para Jerusalém para anunciar, testemunhar que viram Jesus ressuscitado. Ao abrir os olhos, reconheceram e sentiram o efeito da explicação da Palavra: o ardor, a força da graça, ver o sinal da mesa/pão para entender tudo e sair correndo para contar aos outros.
Sentiram: Arder o coração no peito; Seus olhos Abriram; Pé na estrada, Correram para Jerusalém, para anunciar a mensagem aos outros apóstolos. Os apóstolos encontravam-se reunidos e a todos Proclamaram a Palavra: “Realmente, o Senhor ressuscitou!”
Com a Santa Palavra, a Santa Eucaristia e na Comunidade sentimos a presença forte de Jesus em nossas vidas. Sentimos Cristo vivo e presente entre nós. Cristo se faz presente na comunidade solidária que se reúne para partir o pão. Participar da comunidade é reavivar a fé em Cristo ressuscitado.
Podemos concluir: o que Jesus fez com os dois discípulos faz conosco hoje, Ele continua caminhando conosco, somos seus discípulos. Fiquemos firmes na Palavra e na Eucaristia (pão partilhado), a solidariedade com os irmãos, testemunhando na comunidade a presença viva de Jesus no meio de nós.

Abraços em Cristo!
Maria de Lourdes

Palavras duras-Dehonianos





2 Maio 2020
3ª Semana - Sábado
Lectio
Primeira leitura: Actos 9, 31-42
Naqueles dias, 31a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, crescia como um edifício e caminhava no temor do Senhor e, com a assistência do Espírito Santo, ia aumentando. 32Pedro, que andava por toda a parte, desceu também até junto dos santos que habitavam em Lida. 33Encontrou lá, estendido num catre, havia oito anos, um homem chamado Eneias, que era paralítico. 34Pedro disse-lhe: «Eneias, Jesus Cristo vai curar-te! Levanta-te e arranja a enxerga.» E ele ergueu-se imediatamente. 35Todos os habitantes de Lida e da planície de Saron viram isso e converteram-se ao Senhor.
36Havia em Jope, entre os discípulos, uma mulher chamada Tabitá, que significa «Gazela.» Era rica em boas obras e nas esmolas que distribuía. 37Ora, nesses dias, caiu doente e morreu. Depois de a terem lavado, depositaram-na na sala de cima. 38Como Lida era perto de Jope e ouvindo os discípulos dizer que Pedro estava lá, mandaram-lhe dois homens com o seguinte pedido: «Vem depressa ter connosco!» 39Pedro partiu imediatamente com eles. Logo que chegou, levaram-no à sala de cima e encontrou lá todas as viúvas, que choravam e lhe mostravam as túnicas e mantos feitos por Dórcada, enquanto ela estava na sua companhia.
40Pedro mandou sair toda a gente, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se depois para o corpo, disse: «Tabitá, levanta-te!» Ela abriu os olhos e, ao ver Pedro, sentou-se.
41Tomando-a pela mão, Pedro ajudou-a a erguer-se. Chamando então os santos e as viúvas, apresentou-lha viva. 42Toda a cidade de Jope soube deste acontecimento e muitos acreditaram no Senhor.
Lucas abre esta secção dos Actos com um sumário sobre a situação interna da Igreja e sobre o seu crescimento. A comunidade está em paz, caminha no temor do Senhor, e cresce com a assistência do Espírito Santo. Pedro anda em viagens apostólicas, pregando a Palavra, curando enfermos e exercendo a sua missão de pastor. Paulo foi acompanhado a Tarso porque provavelmente a sua presença - discutida - causava problemas devido ao seu temperamento combativo, semelhante ao de Estêvão.
Pedro, por sua vez, exerce a sua missão pastoral apoiando, ajudando, encorajando os discípulos, nas várias comunidades já evangelizadas. A sua passagem tem efeitos semelhantes aos da passagem de Jesus: sucedem os milagres.
De vários modos, Lucas mostra, como Jesus está vivo e actua na Igreja apostólica.
Evangelho: João 6, 60-69
Naquele tempo, 60muitos discípulos, depois de ouvirem Jesus, disseram: «Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?» 61Mas Jesus, sabendo no seu íntimo que os seus discípulos murmuravam a respeito disto, disse-lhes: «Isto escandaliza-vos?
62E se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes? 63É o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos disse são espírito e são vida.
64Mas há alguns de vós que não crêem.» De facto, Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam e também quem era aquele que o havia de entregar. 65E dizia:
«Por isso é que Eu vos declarei que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai.» 66A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram para trás e já não andavam com Ele. 67Então, Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?» 68Respondeu-lhe Simão Pedro: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! 69Por isso nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus.»
Os discípulos mostram-se incomodados com as afirmações do seu Mestre, humanamente difíceis de aceitar. Mas Jesus esclarece que não se deve acreditar n´Ele só depois da visão de uma subida sua ao céu, à maneira de Elias e de Enoch. Isso significaria não aceitar a sua origem divina, o que não tem sentido porque Ele vem mesmo do Céu (cf. Jo 3, 13-15).
Mas a incredulidade dos discípulos em relação a Jesus é evidenciada pelo facto de que «é o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos disse são espírito e são vida» (v. 63). Como é real a carne de Jesus, também é real a verdade eucarística. São dois dons, para darem a vida ao homem. Mas muitos discípulos não quiseram confiar-se ao Espírito e dar mais um passo em frente. Jesus não fica surpreendido, pois conhece o homem e as suas decisões mais íntimas. Acreditar n´Ele e na sua Palavra é um dom que ninguém pode oferecer a si mesmo. Só o Pai o pode dar. Só quem nasceu e foi vivificado pelo Espírito, e não actua segundo a carne, compreende a revelação de Jesus e é introduzido na vida de Deus.
Meditatio
A perícopa dos Actos que hoje escutamos oferece-nos mais um belo quadro da Igreja primitiva. Ela enfrenta dificuldades e problemas como a doença prolongada ou a morte de alguns dos seus membros. Mas vive no santo temor de Deus, confortada pela assistência do Espírito Santo. Os discípulos vivem sob o olhar de Deus, cumprindo a sua vontade. Interessam-se pelos pobres e cuidam dos enfermos. Na docilidade ao Espírito, a Igreja expande-se e cresce interiormente. A vida dos crentes, alegres no sofrimento, serviçais uns para com os outros, é um excelente testemunho missionário. Por isso, a Palavra e os milagres encontram terreno preparado e produzem frutos abundantes. A presença dos Apóstolos, e particularmente a de Pedro, ajudam à fidelidade e ao dinamismo missionário.
Pedro lembra certamente as palavras que um dia pronunciou em nome da comunidade: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! Por isso nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus» (Jo 6, 68-69). Para nós é reconfortante escutá-las. Esta fé é o fundamento da vida cristã, da vida religiosa, do apostolado. Pela fé, Pedro continua a vida de Jesus e o seu ministério, os seus gestos e até os seus milagres. Mas a paixão de Jesus também continua em Pedro, que é preso e atormentado, acabando por morrer mártir.
A fé realiza uma união profunda com o Senhor, que continua em nós a sua vida e a sua acção, como verificamos em Pedro. O Apóstolo está consciente disso. Sente-se simples instrumento de Jesus. Por isso, diz a Eneias: «Eneias, Jesus Cristo vai curar-te!» (Act 9, 34).
A nossa reparação há-de também dirigir-se a Cristo-Eucaristia. A incompreensão, a murmuração, a incredulidade, o escândalo, o abandono de Cristo, depois do discurso de Cafarnaúm (cf. Jo 6, 52-56) continuam a ecoar hoje. Quantas blasfémias, profanações, sacrilégios! A amargura de Jesus é aliviada pela fé de Pedro: "Senhor, a quem iremos? Só Tu tens palavras de vida eterna...!" (Jo 6, 68). Se, com uma fé semelhante à de Pedro, formos pessoas dóceis e simples em acolher com gratidão o dom de Cristo, as nossas adorações eucarísticas tornar-se-ão testemunho, oração, reparação por tantos nossos irmãos esquecidos ou incrédulos.
Oratio
Senhor, devo confessar-te que, às vezes também eu gostava de ver milagres e – perdoa-me! - até fazer algum, para que não julguem que ando a pregar fantasias. Mas Tu, mesmo enviando-me alguns sinais do céu, preferes o milagre de uma vida serena, empenhada, de uma vida que confia em Ti, que deixa nas tuas mãos as grandes opções, que se preocupa mais em agradar a Ti que aos homens e às mulheres, que testemunha a alegria de os poder servir, e de se sentir amado por Ti.
Perdoa a minha fraqueza e reforça em mim a convicção de que o que realmente queres é a transformação da minha vida, a passagem do temor ao amor, do apego ao desapego, da angústia à confiança.
Dá-me o teu Espírito Santo, para que este programa tão exigente se torne realizável e me encha de paz. Amen.
Contemplatio
O milagre de Caná, e sobretudo a multiplicação dos pães, eram prelúdios e símbolos da Eucaristia. Os judeus só tinham visto benefícios temporais do Salvador. Na ocasião da multiplicação dos pães, Nosso Senhor deu aos apóstolos uma longa instrução sobre a Eucaristia.
O povo regressava ao lugar onde Nosso Senhor tinha multiplicado o pão, e não o encontrando, foram para Cafarnaúm onde ele estava. Nosso Senhor quer educar os seus espíritos, e fala da Eucaristia: «Procurais-me, diz, porque fostes saciados; desejai antes o alimento da vida eterna, que o Filho do homem vos dará... os vossos pais comeram o maná, que chamavam o pão do céu. Mas o verdadeiro pão do céu não era esse, é aquele que o meu Pai vos dá. Sou eu, que sou o pão da vida... O pão que eu vos hei-de dar, é a minha carne imolada pela vida do mundo. Quem comer deste pão, viverá eternamente».
Muitos discípulos encontraram esta linguagem estranha e foram-se embora. Mesmo os apóstolos não compreenderam e não retiveram este discurso. Mas S. João teve uma graça especial para o reter e reporta-o com uma veracidade tocante e uma grande unção no sexto capítulo do seu Evangelho. Nosso Senhor tinha querido prepará-lo muito particularmente para o dom da Eucaristia (Leão Dehon, OSP 3, p.
409).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).


Como pode Ele dar-nos a sua carne para comer?-Dehonianos


1 Maio 2020
3ª Semana - Sexta-feira
Lectio
Primeira leitura: Actos 9, 1-20
Naqueles dias, 1Saulo, respirando sempre ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, foi ter com o Sumo Sacerdote 2e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, se encontrasse homens e mulheres que fossem desta Via, os trouxesse algemados para Jerusalém. 3Estava a caminho e já próximo de Damasco, quando se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do Céu.
4Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: «Saulo, Saulo, porque me
persegues?» 5Ele perguntou: «Quem és Tu, Senhor?» Respondeu: «Eu sou Jesus, a quem tu persegues. 6Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer.» 7Os seus companheiros de viagem tinham-se detido, emudecidos, ouvindo a voz, mas sem verem ninguém. 8Saulo ergueu-se do chão, mas, embora tivesse os olhos abertos, não via nada. Foi necessário levá-lo pela mão e, assim, entrou em Damasco, 9onde passou três dias sem ver, sem comer nem beber. 10Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor disse-lhe numa visão: «Ananias!» Respondeu: «Aqui estou, Senhor.» 11O Senhor prosseguiu: «Levanta-te, vai à casa de Judas, na rua Direita, e pergunta por um homem chamado Saulo de Tarso, que está a orar neste momento.» 12Saulo, entretanto, viu numa visão um homem, de nome Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista. 13Ananias respondeu: «Senhor, tenho ouvido muita gente falar desse homem e a contar todo o mal que ele tem feito aos teus santos, em Jerusalém. 14E agora está aqui com plenos poderes dos sumos sacerdotes, para prender todos quantos invocam o teu nome.» 15Mas o Senhor disse-lhe: «Vai, pois esse homem é instrumento da minha escolha, para levar o meu nome perante os pagãos, os reis e os filhos de Israel. 16Eu mesmo lhe hei-de mostrar quanto ele tem de sofrer pelo meu nome.» 17Então, Ananias partiu, entrou na dita casa, impôs as mãos sobre ele e disse: «Saulo, meu irmão, foi o Senhor que me enviou, esse Jesus que te apareceu no caminho em que vinhas, para recobrares a vista e ficares cheio do Espírito Santo.» 18Nesse instante, caíram-lhe dos olhos uma espécie de escamas e recuperou a vista. Depois, levantou-se e recebeu o baptismo.
19Depois de se ter alimentado, voltaram-lhe as forças e passou alguns dias com os discípulos, em Damasco. 20Começou, então, imediatamente, a proclamar nas sinagogas que Jesus era o Filho de Deus.
Lucas narra três vezes a conversão de Paulo (9, 1-22; 22, 3-16; 26, 9-18). Esta tripla narrativa significa a importância extraordinária do acontecimento. A missão de Paulo entre os gentios era um problema. Porque é que os missionários cristãos não continuaram a evangelizar os judeus? Lucas sabe que essa mudança radical correspondia à vontade de Cristo. Paulo não queria ser cristão e, muito menos, queria ser missionário. Mas teve que sê-lo!
O nosso texto apresenta-nos Saulo a caminho de Damasco, decidido a
exterminar aquilo que julgava ser uma seita. Mas é envolto em luz e ouve uma voz que o interroga... Trata-se de uma típica narrativa de vocação. Saulo ouve a voz d´Aquele que persegue. Cai do cavalo, fica cego e jejua três dias. Assim morre para a sua cegueira interior e ressuscita para uma nova compreensão da realidade.
O «mistério» de Saulo, e o alcance da sua missão, são entretanto revelados a
um tímido discípulo, chamado Ananias. Saulo é chamado a levar o nome de Jesus aos
pagãos e ao seu rei, tal como aos filhos de Israel. Não se podia dizer melhor o conteúdo da missão e da «paixão» de Saulo. De facto, poucos dias depois, Saulo começa a sua surpreendente missão, proclamando «Filho de Deus» aquele Jesus cujo nome pouco antes escarnecia, perseguindo os seus discípulos.
Evangelho: João 6, 52-59
Naquele tempo, 52os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» 53Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, 55porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. 56Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. 57Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim. 58Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.» 59Isto foi o que Ele disse em Cafarnaúm, ao ensinar na sinagoga.
Nesta secção, a mensagem é aprofundada e torna-se mais sacrificial e eucarística. Jesus é o pão da vida, não só pelo que faz, mas especialmente por causa da eucaristia. Jesus-pão é identificado com a sua humanidade, aquela humanidade que será sacrificada na cruz para salvação dos homens. Jesus é pão, seja como palavra de Deus, seja como vítima sacrificial, que se faz dom por amor ao homem. A murmuração dos judeus denuncia a mentalidade incrédula de quem não se deixa regenerar pelo Espírito e não tenciona aderir a Cristo. Mas Jesus insiste: «se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (v. 53). Mais ainda: anuncia frutos extraordinários para aqueles que participam no banquete eucarístico: não se perderá (v. 39), será ressuscitado no último dia (v. 54) e viverá eternamente (v. 58).
Todos estes ensinamentos de Jesus, em Cafarnaúm, mais do que tratar do
sacramento, referem-se à revelação gradual do mistério da pessoa e da vida de
Jesus.
Meditatio
A missão é de Deus e está nas suas mãos. Por isso, sabe procurar colaboradores onde bem entende. Por vezes, escolhe pessoas que já gastaram muitas energias em actividades que nada tinham a ver com o Evangelho, ou até eram contra ele. A primeira leitura apresenta-nos o caso de Saulo. Mas a história da Igreja apresenta-nos tantos outros, como Agostinho, Francisco de Assis, Inácio de Loiola... Há que não se deixar perturbar pela «falta» de vocações, ou pela qualidade
«aparente» daquelas que nos chegam. Façamos o que está ao nosso alcance e confiemos em Deus, que pode, e certamente quer, continuar a surpreender-nos. Rezemos ao Senhor da messe, para que mande trabalhadores para a sua messe, e demos testemunho, quais modestos Ananias, para ajudarmos os novos apóstolos que o poder de Deus quiser suscitar.
As palavras de Jesus são duras:
«se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (v. 53). «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» - perguntam os seus ouvintes. Mas Jesus não atenua as suas afirmações. Poderia dizer que não se trata exactamente de comer a
sua carne, mas de aderir, na fé, à sua pessoa. Mas o Senhor insistiu no realismo: «se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue...». Jesus não nos liga a Ele apenas pela fé. Liga-nos pelo seu corpo e pelo seu sangue, com toda a estrutura que forma o seu corpo, que é a Igreja. Ele não está simplesmente presente em nós, no nosso íntimo. Também está fora, nos outros, na Igreja. A comunhão com os irmãos é um modo de nos unirmos também a Ele. A fé tem uma expressão externa.
A Eucaristia é presença, no meio de nós, do corpo e do sangue de Jesus, que deve encher toda a nossa vida, dando-nos uma nova forma de existência: «Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele» (v. 56).
A Eucaristia é o máximo sacramento da união com Cristo e entre nós, edifica-
nos na caridade como indivíduos e como comunidade: "Testamento do amor de Cristo que se entrega para que a Igreja se realize na unidade e assim anuncie a esperança ao mundo, a Eucaristia reflecte-se em tudo o que somos e vivemos" (Cst. 81). Cada celebração eucarística deve levar a um aumento de caridade fraterna no único amor do Coração de Jesus: "O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um só pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão" ( 1 Cor 10, 16-17). Se a Igreja faz a Eucaristia, é também verdade que a Eucaristia faz a Igreja.
Oratio
Senhor, quando rezo pelas vocações, nem sempre estou certo de que me escutas, porque tenho rezado tanto e vejo tão poucos frutos. Rezo porque mandaste que eu rezasse. Hoje, porém, sinto-me animado pela tua acção em Saulo e, pensando nas dificuldades actuais, atrevo-me a dizer-te confiadamente: renova no meio de nós os teus prodígios. Mostra, mais uma vez o teu poder, suscitando evangelizadores ardorosos com a qualidade de Saulo, de Agostinho, de Xavier e de tantos outros que bem conheces e me enchem de espanto. Não me deixes desiludido. Mostra o teu poder, para bem do teu povo. Dá à tua Igreja os sacerdotes, os religiosos, os missionários que precisa, para que o teu nome chegue aos confins da terra. Amen.
Contemplatio
A sagrada comunhão é necessária para alimentar em nós a vida espiritual. Deus quis pôr alguma proporção entre a vida natural e a vida sobrenatural. Esta tem, como a primeira, o seu nascimento, os seus alimentos e o seu crescimento. Se não comêssemos, não poderíamos conservar a vida em nós. Não a perderíamos imediatamente, mas não iríamos muito longe. É o alimento que sustenta a nossa vida; é o alimento que nos faz crescer até à virilidade perfeita. É ela que é o antídoto quotidiano da morte reparando o desperdício constante das forças vitais, que depende da acção deprimente do trabalho, da fadiga, do sofrimento.
Acontece o mesmo com a vida espiritual: Nosso Senhor mesmo no-lo disse: «Se
não comerdes a carne do filho do homem e se não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6). Recebemos a vida pelo baptismo e pela graça, mas não podemos conservá-la muito tempo nem fazê-la crescer senão pelo pão da vida, a santíssima eucaristia. Este pão celeste alimenta a vida da nossa alma, repara-lhe as perdas quotidianas, fá-la crescer em Cristo até à plenitude da idade perfeita, isto é, até ao dia da bem-aventurada eternidade» (Ef 4) (Leão Dehon, OSP 4, p. 243s.)
Actio
54).
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Qj.Jem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna» (Jo 6,


Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair-Dehonianos


30 Abril 2020
3ª Semana - Quinta-feira
Lectio
Primeira leitura: Actos 8, 26-40
Naqueles dias, 26O Anjo do Senhor falou a Filipe e disse-lhe: «Põe-te a caminho e dirige-te para o Sul, pela estrada que desce de Jerusalém para Gaza, a qual se encontra deserta.» 27Ele pôs-se a caminho e foi para lá. Ora, um etíope, eunuco e alto funcionário da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém, 28regressava, na mesma altura, sentado no seu carro, a ler o profeta Isaías. 29O Espírito disse a Filipe: «Vai e acompanha aquele carro.» 30Filipe, acorrendo, ouviu o etíope a ler o profeta Isaías e perguntou-lhe: «Compreendes, verdadeiramente, o que estás a ler?»
31Respondeu ele: «E como poderei compreender, sem alguém que me oriente?» E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto dele. 32A passagem da Escritura que ele estava a ler era a seguinte: Como ovelha levada ao matadouro, e como cordeiro sem voz diante daquele que o tosquia, assim Ele não abre a sua boca. 33Na humilhação se consumou o seu julgamento, e quem poderá contar a sua geração? Da face da terra foi tirada a sua vida!
34Dirigindo-se a Filipe, o eunuco disse-lhe: «Peço-te que me digas: De quem fala o profeta? De si mesmo ou de outra pessoa?» 35Então, Filipe tomou a palavra e, partindo desta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Boa-Nova de Jesus. 36Pelo caminho fora, encontraram uma nascente de água, e o eunuco disse: «Está ali água! Que me impede de ser baptizado?» 37Filipe respondeu: «Se acreditas com todo o coração, isso é possível.» O eunuco respondeu: «Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.» 38E mandou parar o carro. Ambos desceram à água, Filipe e o eunuco, e Filipe baptizou-o. 39Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe e o eunuco não o viu mais, seguindo o seu caminho cheio de alegria. 40Filipe encontrou-se em Azoto e, partindo dali, foi anunciando a Boa-Nova a todas as cidades, até que chegou a Cesareia.
Depois da Samaria, cujos habitantes eram meio judeus e meio pagãos, o Evangelho penetra em terreno vedado. O etíope personifica esta dupla conquista da Igreja nascente. Dupla porque se trata de um eunuco que, como tal, estava excluído da assembleia de Israel (Dt 23,1); além disso, era provavelmente pagão, um dos tantos que, simpatizando com o judaísmo, aceitavam a maior parte dos seus princípios religiosos, sem todavia ser admitidos na comunidade judaica. Se era realmente pagão, então terá sido o primeiro a converter-se ao cristianismo, embora Lucas não o afirme. Trata-se, sem dúvida, de uma pessoa rica e influente, alguém que pode fazer uma longa viagem, devidamente equipado, e possuir um rolo manuscrito da Bíblia. Deus envia-lhe Filipe, guiado pelo Espírito. O diácono aproveita o facto do etíope estar a ler Isaías para meter conversa com ele. E surge a grande pergunta: «De quem fala o profeta? De si mesmo ou de outra pessoa?». Filipe fala- lhe, então, de Jesus. O eunuco acredita e recebe o baptismo. A mediação eclesial e a graça de Deus dissiparam-lhe as dúvidas.
Evangelho: João 6, 44-51
Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 44Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia. 45Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim. 46Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto, mas morreram. 50Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá. 51Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.»
«Eu sou o pão da vida que desceu do céu». Estas palavras soam como absurdas. A multidão protesta e torna-se hostil. É difícil ultrapassar o obstáculo da origem humana de Jesus e reconhecê-l´O como Deus. Então Jesus, evitando a discussão com os judeus, procura ajudá-los a reflectir sobre a dureza do seu coração, enunciando as condições necessárias para acreditar n´Ele: ser atraído pelo Pai (v. 44), docilidade a Deus (v. 45ª.), escutar o Pai (v. 45b.). Estamos diante do ensinamento interior do Pai e do ensinamento da vida de Jesus, que desemboca na fé obediente do crente à palavra do Pai e do Filho. Escutar Jesus é ser ensinado pelo próprio Pai. Com a vinda de Jesus, a salvação está aberta a todos, desde que se deixem docilmente atrair pelo Pai. Há uma ligação entre a fé em Jesus e a vida eterna: só quem vive em comunhão com Jesus alcança a vida eterna; só quem «come» Jesus-pão não morrerá. Jesus, pão de vida, dá a imortalidade a quem se alimenta d´Ele, a quem, na fé, interioriza a sua palavra e assimila a vida. Esta secção já inclui o tema da eucaristia que será tratado na secção seguinte.
Meditatio
A evangelização é, antes de mais, plano e acção de Deus. É o que nos mostra o texto da primeira leitura. Filipe recebe ordem para se pôr a caminho, em direcção ao Sul. Não parece ser uma boa decisão em ordem à evangelização. Mas é no caminho para o Sul que irá encontrar um etíope predisposto a acolher a Boa Nova. Segundo a tradição, é nesse encontro que começa a evangelização da África.
Impressiona-nos a disponibilidade, o entusiasmo missionário, a capacidade de interpretar a Sagrada Escritura de Filipe. É, na verdade, um evangelizador convicto e preparado. O Espírito faz o «resto» ...
O texto evangélico é denso de ensinamentos profundos. Jesus começa por afirmar: «Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair» (v. 44). O Pai actua num duplo movimento, envia Jesus e atrai os homens para Jesus. Jesus mostra que o mais importante é a nossa relação com o Pai. Sem ela, até a nossa relação com Jesus seria superficial. Por isso, o próprio Senhor acende em nós o desejo de sermos dóceis para com Deus, de nos deixarmos instruir por Ele: «Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus» (v. 45). Não é fácil entendermos estas palavras de Jesus. Por vezes, somos tentados a pensar que, ser dóceis a Deus, nos retira a liberdade, nos faz menos felizes. Mas a docilidade a Deus é condição para irmos a Jesus, nossa aleg
ria, nossa felicidade: «Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim» (v. 45).
O Pai, actuando, forma em nós sentimentos, que são os de Cristo. Por isso é
que o encontro com Cristo se torna possível. O Pai ensina-nos a viver no abandono, na abnegação por amor e, assim, podemos compreender a paixão e a ressurreição de Jesus. Vemos na morte de Jesus uma grande obra de amor, cujo resultado, a
ressurreição, é obra divina. Pela nossa docilidade à acção do Pai em nós, somos atraídos para Jesus e tornamo-nos semelhantes a Ele.
Deus, ao atrair-nos para Jesus, quer tornar-nos participantes de todos os tesouros do seu Coração: da sua bondade, da sua misericórdia, da sua alegria, do seu amor. Sejamos dóceis a Deus Pai, e ajudemo-nos uns aos outros nessa docilidade.
Oratio
Senhor, infunde em mim o dom da docilidade, o anelo de viver em união Contigo, sem procurar satisfações superficiais fora de Ti. Acende em mim um grande desejo de Cristo, para que o meu conhecimento de Ti, isto é, a minha relação de amor Contigo, encha a minha alma como as águas enchem o mar.
Que todos os meus irmãos, homens e mulheres, particularmente os jovens, se
possam abrir a essa mesma relação Contigo, a esse conhecimento de Ti, preparando uma nova messe para o teu Reino. Amen.
Contemplatio
Nosso Senhor volta com insistência à sua origem divina e à sua qualidade de pão vivo e que vivifica almas: «Os vossos pais, diz, comeram o maná no deserto, e morreram, mas eis o pão que desce do céu e se alguém dele comer, viverá eternamente».
O maná era um elemento efémero que não dava a vida espiritual nem preparava para a vida eterna.
Jesus vai agora falar claramente: «O pão que eu vou dar, diz, é a minha carne que entregarei pela vida do mundo». Trata-se de um pão que Jesus dará mais tarde. A união com ele pela fé não é senão a preparação para a manducação deste pão vivificante.
Os judeus estão escandalizados, mas é preciso que Jesus diga tudo e que prepare os seus discípulos para a instituição da santa Eucaristia: «Em verdade, acrescenta, eu vos declaro: Se não comerdes a carne do Filho do homem e se não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e quem bebe o meu sangue, terá a vida eterna e eu ressuscitá-lo-ei no último dia. A minha carne é verdadeiramente um alimento e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. - Quem come a minha carne e quem bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. E como eu vivo da vida de meu Pai que me enviou, do mesmo modo quem me come viverá de mim» (Leão Dehon, OSP 4, p. 230s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Se alguém comer deste pão, viverá eternamente» (Jo 6, 51).

quarta-feira, 29 de abril de 2020

“QUEM CRÊ POSSUI A VIDA ETERNA...” Olivia Coutinho

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA - 30/04/20- Jo 6,44-51
A vida iniciada aqui na terra, quando alimentada do Pão da vida que é Jesus, não será interrompida com a nossa morte corporal. É o próprio Jesus quem nos faz esta promessa ao nos indicar o caminho da eternidade: “Eu sou o pão vivo, descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente!”
Enquanto peregrinos deste mundo, somos necessitados de Deus, e é esta necessidade de Deus que nos faz buscar Jesus, pois sabemos, que somente por Ele é que chegaremos a Deus! Conhecer, crer e seguir o Filho, é a única condição estabelecida pelo o Pai, para chegarmos ao céu!
No evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, Jesus fala fundo ao nosso coração ao se dar como o nosso alimento! Este mistério de amor nos transforma, mina as força do mal, que ainda possui raízes em nós.
“...Quem crê possui a vida eterna.” “ Quem crê,” Jesus fala no presente, com esta afirmação, Ele quer nos dizer, que a nossa vida eterna, começa no aqui e no agora, isto é, se crermos Nele!
Crer Em Jesus, não significa saber que Ele é Deus, isso, até o inimigo sabe, crer em Jesus é comprometer-se com Ele, abraçar a sua causa! Quem crê verdadeiramente em Jesus, está aberto ao perdão, à partilha, enfim, faz o que Ele fazia, por tanto, já possui a vida eterna!
É a partir da nossa confiança num Deus que é Pai, que está sempre de braços abertos para nos acolher que somos motivados a seguir Jesus! É o Pai quem nos atrai, mas foi o Filho, quem nos possibilitou conhecer o Pai! Antes de conhecer Jesus, a imagem que tínhamos de Deus, que nos fora passada no antigo testamento, era de um Deus vingativo, que castigava, que ficava à espreita querendo nos pegar em algum deslize, totalmente diferente do Deus amor, do Deus que é Pai, apresentado por Jesus...
“Eu sou o pão vivo descido do céu.” Com a expressão “eu sou” Jesus se apresenta como o Pão que dá a vida eterna a quem crê e Dele se alimenta! Essa é a diferença entre Ele e o maná do deserto, o maná, sustentou o povo temporariamente, quem dele comeu, morreu, enquanto que quem alimenta de Jesus, estará sempre sustentado, não morrerá jamais!
Quando Jesus diz: “Quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim e eu Nele”, aumenta em nós, a responsabilidade de darmos continuidade a sua presença aqui na terra!
“Eu sou o Pão que desceu do céu”... Acolher esta verdade, é viver o mistério da fé, é estar em comunhão com o Cristo nesta vida, na certeza de permanecer em comunhão com Ele na eternidade.
Alimentar do Pão da vida que é Jesus, é estar o tempo todo em comunhão com Ele e com os irmãos, é ser a extensão do amor de Deus no meio em que vive...

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia Coutinho

(Vídeo) 4º DOMINGO DA PÁSCOA-JESUS É A PORTA-Vera Lúcia

terça-feira, 28 de abril de 2020

-NÓS VIMOS O SENHOR-José Salviano.


05 de Maio-2020

Evangelho Jo 20,22-30

 

Os apóstolos disseram que viram o Senhor, disseram que Jesus ressuscitado havia entrado naquele lugar com as postas fechadas, porém Tomé não acreditou.

Tomé tinha fé, porém, era uma fé pequena, e por vezes duvidava. Esquecendo-se das promessas de Jesus sobre a sua ressurreição, Tomé ficou irritado e disse que só acreditaria se pudesse tocar nas feridas de Jesus. Ele não acreditou que  Jesus teria mesmo aparecido aos seus amigos, mas depois que Jesus entrou naquele lugar pela segunda vez, Tomé ficou envergonhado e disse: Meu Senhor, e meu Deus! Ele  acabou  reconhecendo Jesus e se convencendo  da sua ressurreição quando tocou em seus ferimentos.

E Jesus responde-lhe: "Tomé, você acreditou por que me viu. felizes serão aqueles que acreditarem sem nunca me ter visto."

Que maravilha! Nós somos felizes porque acreditamos em Jesus sem nunca tê-lo visto! Jesus nunca apareceu na nossa frente. E nós acreditamos em Jesus o Filho de Deus vivo, por que temos a certeza de que Ele existiu, e sempre existiu e está hoje no meio de nós, especialmente quando estamos na Igreja, reunidos em assembleia, participando da Santa Missa!
Nós temos várias provas  da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o  Santo Sudário é a maior delas.
Muitos questionamentos foram feitos a respeito do Santo Sudário, como: O que teria causado a imagem no tecido ou lençol que envolveu o corpo de Jesus durante o tempo em que ele esteve  no sepulcro? Seria uma pintura falsa? Impossível! Em plena Idade Média? 
Em 1978, cientistas da Nasa  fizeram o maior e mais sofisticado estudo sobre o santo sudário. Foram  mais de 100 mil horas de estudo, 40 toneladas de aparelhos de pesquisas, para um estudo detalhado das fibras do tecido do santo sudário. E quando terminaram fizeram um relato dos fatos.
Eis o relatório dos cientistas incrédulos. Eles chegaram  a seguinte conclusão:

1-   A imagem  foi causada por alteração química. Mas o que causou isso não sabemos (cientista  não pode dizer a palavra milagre)Pois se o pudessem, teriam dito que foi um milagre!
2-A imagem foi causada por  uma radiação calórico luminosa especial e instantânea  saída do corpo do crucificado. Bravo! Tiveram de dizer  a verdadeira origem daquele fenômeno!  Foi uma luz que saiu do corpo de Jesus, que causou a imagem no lençol.
3-Essa radiação chamuscou ligeira e superficialmente as pontas das fibras do tecido.
4-Perguntaram a eles: Que radiação é essa? Os cientistas não quiseram se manifestar.
Eles afirmaram apenas: "essa estranha radiação está fora dos limites da ciência atual.".
Ora, isto é o mesmo que dizer: Desculpem, mas não podemos afirmar que foi um milagre.

Prezadas irmãs e irmãos.  Para nós, o Santo  Sudário foi o resultado de uma eclosão de luz e calor que  saiu do corpo de Cristo no momento da sua ressurreição.  Um verdadeiro milagre! Um "milagraço",  como disse o padre Quevedo. Esta foi a maior prova da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo!
Para nós, que temos fé, não precisamos de provas científicas para saber que  o sudário é uma foto de Jesus Cristo, deixada por ele a nós.
Porém, infelizmente, ainda hoje se encontram pessoas que questionam a veracidade do Santo Sudário. Cerca de 9% apenas.
Por outro lado, esses questionamentos  fazem parte  do direito que Deus nos deu de duvidar. "...quem tem ouvido para ouvir, ouça". Se Jesus  dizia isso é porque Deus nos deu o livre arbítrio. Que é o poder de querer ou não querer, ou de aceitar ou recusar uma coisa, pessoa ou fato mesmo tendo que nos ater com ele. Em outras palavras, O DIREITO DE CRER, OU NÃO CRER.
Que Deus tenha piedade dos ”Tomés” de hoje! Aqueles e aquelas que não conseguem acreditar em Deus e em seus mistérios.  Aqueles que ouvindo não escutam,  vendo não enxergam, tocando não sentem!  Eles continuam indiferentes!
Roguemos a Deus por eles, pois segundo o que disse Jesus, “quem não crer já está condenado”!

Fica com Deus. José Salviano.

-EU DOU MINHA VIDA PELAS OVELHAS-José Salviano.


04 de Maio-2020

Evangelho Jo 10,11-18

 

A palavra pastor vem de pasto. As ovelhas comiam o pasto, plantinhas, relva, ou capim, e o homem que as levava para comer o pasto no campo, chamava-se PASTOR.
Ele levava sempre consigo um pedaço comprido de madeira, um galho de árvore que carregava sempre na mão, e que se chamava cajado, e servia para se defender dos lobos e se apoiar quando andava pelos terrenos irregulares.
(É por isso que nosso bispo carrega na mão, um cajado, para simbolizar que ele é nosso pastor.)
O cajado tinha uma das extremidades torta,  que era para puxar pelo pescoço ou pelas pernas, os cabritos e ovelhas que se desviavam do caminho. Em vez de irem para a direita, indo para a esquerda. Ou fugiam na hora de entrar no redil. O desconforto daquele gancho no pescoço prendia a respiração e o animal obedecia.
Conosco também acontece mais ou menos assim: Jesus nos puxa a orelha quando Ele nos chama e não atendemos o seu chamado. E em vez disso, seguimos o caminho errado, o caminho do pecado ou do crime. Ele faz isso permitindo algum acontecimento desconfortável para nós...
E como se entorta uma madeira?  Quando o galho de árvore é verde, quando foi retirado da árvore recentemente, podemos entortá-lo, mediante uma pressão contínua, e gradual, isto é, todo dia aumenta um pouco, para não se quebrar. Assim, é só esperar o galho secar, e pronto. Pode-se tirá-lo da prensa, que ele já ficou torto. 
O mesmo podemos fazer com as crianças. Enquanto são pequenas,  e por tanto estão prontas para receber  a nossa educação, podemos lhes ensinar  o Evangelho,  por meio de palavras e  exemplo. E assim,  quando crescerem,  terão  a palavra de Deus em suas mentes.

APASCENTAR AS OVELHAS, significava: levar a elas a paz, acalmá-las, dar-lhes o conforto, a tranquilidade através da proteção e da segurança, orientando-as ou guiando-as com muito cuidado, para o lugar certo onde havia boas pastagens.
Jesus disse a Pedro: “Apascenta minhas ovelhas”. Ou seja, cuida do meu rebanho, que somos todos nós).
Apascentar ou pastorear o rebanho das ovelhas e dos cordeiros, não era muito fácil. Havia muitos perigos: o maior deles era a presença do lobo feroz que aparecia do nada, de onde estava escondido esperando um momento oportuno  para avançar e pegar uma ovelha para comer. Outro perigo era representado pelos ladrões,  que apareciam de vez em quando para roubar algumas ovelhas para o seu alimento.
Nos nossos dias  temos muitos lobos disfarçados ou vestidos de ovelhas, que são os falsos amigos  que levam os jovens para os caminhos do vício, do crime e do pecado.
Além disso, algumas ovelhas distraídas, geralmente se perdiam das coleguinhas, ou do rebanho, e se metiam em apuros, podendo se machucar.
Quando isso acontecia, o pastor largava o rebanho comendo e corria para procurar aquela ovelha perdida, até encontrá-la. Aí, ele ficava muito feliz, e se ela estivesse machucada, colocava-a nos ombros e voltava para o seu rebanho sorrindo e contente por ter encontrado a ovelha que havia se desgarrado do rebanho.
Quando nós perdemos algum objeto da nossa estima, ficamos  sem chão. E não sossegamos até encontrá-lo. E quando o encontramos, ficamos muito felizes, e até dizemos aos amigos: Achei! Encontrei!
Jesus disse que haverá mais alegria nos Céus quando um pecador se converte do que  quando várias pessoas  jutas rezam.
O pastor cuidava de todas as ovelhas, desde os cabritos saltitantes, e brincalhões, até as velhas que ficavam gordas e pesadas, e por isso caminhavam devagar.
Então, o homem que cuidava ou pastoreava o rebanho, era um sujeito bom, DAVA A SUA VIDA PELAS SUAS OVELHAS, pois corria risco de vida ao defendê-las dos lobos e dos ladrões.

Jesus deu a sua vida por amor a nós. Jesus é comparado ao BOM PASTOR, e nós somos comparados ao seu rebanho. Assim como o pastor das ovelhas, Jesus nos conduz com muito amor, e fica triste quando um de nós se perde por caminhos errados. Caminhos das drogas, do crime, do pecado.

Jesus todo dia chama de volta esses nossos irmãos que se desgarraram do seu rebanho. E quando um desses se arrepende e volta para a vida da Igreja, quando confessa seus pecados e se converte, ou seja, muda de vida, Jesus e todos lá no Céu ficam muitos contentes. Até mais do que quando vê os cristãos que estão rezando.

Tenha um bom dia. José Salviano