Alexandre Soledade
Bom dia!
A primeira leitura proposta pra hoje (1Reis 8,1-7.9-13) veremos Salomão
convocando todos os sábios e anciãos a uma importante missão: Transportar a
Arca da Aliança até o templo em Jerusalém.
A Arca era o sinal visível da presença de Deus, pois nela continham as
duas tábuas de pedra dadas a Moisés com os dez mandamentos. Muito mais que as
leis, a arca era repleta e preenchida do poder de Deus e a tarefa de
carregá-la, além de muito respeitosa, deveria ser feita por pessoas maduras na
fé.
Ao transportá-la a Jerusalém e até a deixarem lá, sinais e prodígios
climáticos e meteorológicos iam acontecendo inexplicavelmente… No evangelho de
hoje vemos a própria Palavra de Deus (Jesus) novamente sendo transportada. “(…)
Jesus e os discípulos atravessaram o lago e chegaram à região de Genesaré, onde
amarraram o barco na praia. Quando desceram do barco, o povo logo reconheceu
Jesus“.
Ao invés de sinais climáticos, obras físicas (curas e milagres) iam
acontecendo aos que viam ao encontro desse que passava por sua região. Enquanto
a arca da aliança, quando foi conduzida ao templo, as pessoas imolavam
(sacrificavam) animais, cujo sangue derramado era vistos como holocausto.
Jesus, a nova arca, ao invés do sangue e dos sacrifícios de animais, trazia não
mais uma nuvem amedrontadora, mas uma brisa de vida aos que vinham ao seu
encontro e mais tarde, veriam que o único sangue a ser derramado, seria o dele.
Mas uma coisa não mudou: A arca (Jesus) era transportada, cercada e
tocada apenas por pessoas maduras na fé.
A maturidade na fé não advém com a idade e sim com o contato. Dizem que
não existe amizade sem cumplicidade. Como posso dizer que sou cristão se não me
tornar dia após dia, cúmplice dessa obra?
Os discípulos que acompanhavam Jesus, ao longo dos três longos anos de
convivência diária, devem ter aprendido muito com o mestre, mas muito mais que
os ensinamentos que talvez recebessem em particular, ver tudo aquilo acontecer
apenas pelo mover da fé das pessoas, deveriam arrastá-los ainda mais para mares
nunca navegados.
Andar com Jesus creio eu, deveria ser um tremendo aprendizado e também
os tornava testemunhas vivas dos prodígios que aconteceram. Notem que mesmo
vendo tanta coisa, não foram registrando tudo que ocorria, talvez ao repousar
suas cabeças a noite, ruminavam o que tinha acontecido, discutiam entre eles e
assim a maturidade na fé começava a crescer.
O reino de Deus tem o tamanho da nossa maturidade espiritual!
Carregar a arca era uma honra e talvez um premio a todo aquele que
atingisse a maturidade, maturidade esta que precisava vir, antes de tudo de uma
mudança de comportamento quanto a mim e também na relação com os que me cercam…
“(…) Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência,
maldade, palavras torpes da vossa boca, nem vos enganeis uns aos outros. VÓS
VOS DESPISTES DO HOMEM VELHO com os seus vícios, e vos revestistes do novo, que
se vai restaurando constantemente à imagem daquele que o criou, até atingir o
perfeito conhecimento. Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem
cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos”.
(Colossenses 3, 8-11)
O amor próprio, a dignidade das ações, destemor, fé e o respeito ao
próximo eram e são ainda hoje, etapas imprescindíveis para alcançar esse nível.
Quem acha que por que coordena uma pastoral ou movimento, ou é
sacerdote, ministro, pregador, ministro de música, (…) já alcançou algo, saiba
que, no trajeto da arca, ainda estamos dentro do barco, ou seja, nem ancoramos
em terra firme.
“(…) O cristão de verdade não pode ficar parado. Ele nunca pode dizer
que cumpriu a sua missão, pois ele deve estar sempre a caminho, sempre se
lançando rumo aos novos trabalhos, prestando atenção aos apelos que a realidade
faz, buscando superar novos desafios e obstáculos, sempre olhando com
misericórdia os irmãos e irmãs, procurando conhecer os seus problemas e
necessidades e sendo para todos a manifestação do amor de Deus que responde ao
clamor dos seus filhos e filhas. Por isso, quando terminamos uma etapa da
caminhada, devemos iniciar outra imediatamente, pois a proposta do Reino exige
isso”. (Reflexão proposta pela CNBB)
Amei essa reflexão do site da CNBB, pois cada um de nós, alcançando um
patamar de maturidade deve continuar a caminhar. Quem se acha “velho” ou “novo
demais”, deveria rever seus conceitos e ver o valor do que carrega dentro de si
“(…) Por isso, quando terminamos uma etapa da caminhada, devemos iniciar outra
imediatamente, pois a proposta do Reino exige isso”.
Um Imenso abraço fraterno!
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