Comentários Prof.Fernando*
4 ºdom do Tempo comum/após epifania – 31 de janeiro 2015
Em casa, nas fronteiras e em outros mundos
1) Rejeitado em sua própria terra natal
De um lado a terra natal onde ele foi criado, cresceu. Nesta pequena
aldeia todos conheciam a família de Jesus. Seu discurso de hoje opõe
a sua aldeia à cidade de Cafarnaum (=aldeia de Naum). Apesar de sua
vida itinerante Jesus morou em Cafarnaum e ali exerceu grande parte
de sua atividade. Lá também tinham uma casa, os irmãos Pedro e
André (cf Mc 1,29 e paralelos).
Como aconteceu no passado com os Profetas de Israel, Jesus critica o
povo que o rejeita porque não é a ele mas à sua mensagem que
rejeitam. Por isso “nenhum profeta é bem aceita em sua terra”. Contudo
– relembrando os profetas Elias e Eliseu – Jesus mostra que os
escolhidos para receber as maravilhas dadas por Deus eram os
estrangeiros (a viúva de Sarepta na Sidônia, o leproso que foi curado
vinha da Siria).
2) Certezas e seguranças. A incerteza e os desafios
Hoje também os seguidores de Jesus gostariam de ficar no colo da
própria família religiosa e seguros dentro das própria fronteiras bem
conhecidas. Reúnem-se em igrejas e decoram sua própria doutrina.
Mas a Boa Notícia vinda de Deus não se limita à própria aldeia. O
mundo é mais vasto que a aldeia de Nazaré. Cafarnaum fica na
confluência das fronteiras da Galileia entre os Estados de Felipe e de
Herodes Antipas.
Todas as religiões e todas as Igrejas (também no interior do
Cristianismo) parecem sofrer com uma certa nostalgia de viver numa
Teocracia. Ou – como o Cristianismo viveu séculos no regime de
Cristandade – fora da qual só havia mouros e combater ou bárbaros a
converter. Até os “índios” nativos das “novas” terras descobertas foram
muitas vezes considerados “sem alma” e por isso havia licença para
matá-los. Como os nativos da África negra que podiam ser escravos
dos cristãos...
Em muitas igrejas continua de pé o tema “missionário”. Em geral ele se
confunde ou com a ideia de “converter” outros ou com o simples
“proselitismo”. Está difícil de retomar o projeto do Mestre de Nazaré lido
(tema da domingo passado) sinagoga de Nazaré: levar a Boa Notícia
de Deus aos prisioneiros de todo tipo que existe a liberdade.
Em geral temos medo dos habitantes de Cafarnaum. São pagãos na
maioria (hoje diríamos ateus ou agnósticos na maioria). Alguns grupos
radicais no Islamismo são portadores do mesmo tipo de medo,
desprezando ou odiando os “infiéis” (os que não seguem seu fundador
nem suas doutrinas). Será que há muita diferença entre tais grupos
radicais e o fundamentalismo em torno do qual se organizam inúmeros
grupos cristãos em igrejas, tradições, doutrinas, costumes e
movimentos até antagônicos?
3) Dos antigos profetas aos apóstolos
A primeira leitura (Jeremias 1) mostra a tarefa de quem anuncia a
mensagem divina: sua força vem de seu mandato (divino). Não devem
temer ser combatidos pelos inimigos.
A segunda leitura traz o famoso hino de Paulo ao Amor. Dentro de um
poema genial Paulo mostra o que mais importa. Aliás, é o que importa.
O Amor supera até a Profecia (anunciar) e todos os outros dons, que
também foram dados por Deus: milagres, o conhecimento dos
Mistérios, o carisma das Línguas. Mais que a própria Fé e a Esperança,
o dom maior é o próprio Deus que veio habitar em nós, pois ele é o
próprio Amor. Só ele não passa. `Pode ter nascido e crescido em
Nazaré, mas destina-se a abraçar o Mundo todo. Não é preciso ficar
enfurecido porque Deus ama também os que não são de nosso círculo
estreito. Por mais religioso que ele seja com suas seguranças e
certezas.
Em vez de viver instalados em nosso território bem conhecido, é
preciso cuidade para não rejeitar o próprio Filho de Deus. Ao contrário é
bom segui-lo até Cafarnaum.
oooooooooooooo ( * ) Prof. (Edu/Teo/Fil,1975-2012) fesomor2@gmail.com
4 ºdom do Tempo comum/após epifania – 31 de janeiro 2015
Em casa, nas fronteiras e em outros mundos
1) Rejeitado em sua própria terra natal
De um lado a terra natal onde ele foi criado, cresceu. Nesta pequena
aldeia todos conheciam a família de Jesus. Seu discurso de hoje opõe
a sua aldeia à cidade de Cafarnaum (=aldeia de Naum). Apesar de sua
vida itinerante Jesus morou em Cafarnaum e ali exerceu grande parte
de sua atividade. Lá também tinham uma casa, os irmãos Pedro e
André (cf Mc 1,29 e paralelos).
Como aconteceu no passado com os Profetas de Israel, Jesus critica o
povo que o rejeita porque não é a ele mas à sua mensagem que
rejeitam. Por isso “nenhum profeta é bem aceita em sua terra”. Contudo
– relembrando os profetas Elias e Eliseu – Jesus mostra que os
escolhidos para receber as maravilhas dadas por Deus eram os
estrangeiros (a viúva de Sarepta na Sidônia, o leproso que foi curado
vinha da Siria).
2) Certezas e seguranças. A incerteza e os desafios
Hoje também os seguidores de Jesus gostariam de ficar no colo da
própria família religiosa e seguros dentro das própria fronteiras bem
conhecidas. Reúnem-se em igrejas e decoram sua própria doutrina.
Mas a Boa Notícia vinda de Deus não se limita à própria aldeia. O
mundo é mais vasto que a aldeia de Nazaré. Cafarnaum fica na
confluência das fronteiras da Galileia entre os Estados de Felipe e de
Herodes Antipas.
Todas as religiões e todas as Igrejas (também no interior do
Cristianismo) parecem sofrer com uma certa nostalgia de viver numa
Teocracia. Ou – como o Cristianismo viveu séculos no regime de
Cristandade – fora da qual só havia mouros e combater ou bárbaros a
converter. Até os “índios” nativos das “novas” terras descobertas foram
muitas vezes considerados “sem alma” e por isso havia licença para
matá-los. Como os nativos da África negra que podiam ser escravos
dos cristãos...
Em muitas igrejas continua de pé o tema “missionário”. Em geral ele se
confunde ou com a ideia de “converter” outros ou com o simples
“proselitismo”. Está difícil de retomar o projeto do Mestre de Nazaré lido
(tema da domingo passado) sinagoga de Nazaré: levar a Boa Notícia
de Deus aos prisioneiros de todo tipo que existe a liberdade.
Em geral temos medo dos habitantes de Cafarnaum. São pagãos na
maioria (hoje diríamos ateus ou agnósticos na maioria). Alguns grupos
radicais no Islamismo são portadores do mesmo tipo de medo,
desprezando ou odiando os “infiéis” (os que não seguem seu fundador
nem suas doutrinas). Será que há muita diferença entre tais grupos
radicais e o fundamentalismo em torno do qual se organizam inúmeros
grupos cristãos em igrejas, tradições, doutrinas, costumes e
movimentos até antagônicos?
3) Dos antigos profetas aos apóstolos
A primeira leitura (Jeremias 1) mostra a tarefa de quem anuncia a
mensagem divina: sua força vem de seu mandato (divino). Não devem
temer ser combatidos pelos inimigos.
A segunda leitura traz o famoso hino de Paulo ao Amor. Dentro de um
poema genial Paulo mostra o que mais importa. Aliás, é o que importa.
O Amor supera até a Profecia (anunciar) e todos os outros dons, que
também foram dados por Deus: milagres, o conhecimento dos
Mistérios, o carisma das Línguas. Mais que a própria Fé e a Esperança,
o dom maior é o próprio Deus que veio habitar em nós, pois ele é o
próprio Amor. Só ele não passa. `Pode ter nascido e crescido em
Nazaré, mas destina-se a abraçar o Mundo todo. Não é preciso ficar
enfurecido porque Deus ama também os que não são de nosso círculo
estreito. Por mais religioso que ele seja com suas seguranças e
certezas.
Em vez de viver instalados em nosso território bem conhecido, é
preciso cuidade para não rejeitar o próprio Filho de Deus. Ao contrário é
bom segui-lo até Cafarnaum.
oooooooooooooo ( * ) Prof. (Edu/Teo/Fil,1975-2012) fesomor2@gmail.com
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