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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Dar de coração-Helena Serpa



08/11/2015 - XXXII Domingo do tempo comum – 1ª. leitura 1 Reis 17, 10-16 – “confiantes na providência de Deus”
Todo o bem que fizermos em Nome de Deus confiando na Sua assistência se converterá em bênçãos e graças para nós. Como a leitura nos sugere o Senhor está sempre atento às necessidades de todos nós, Seus filhos e filhas que aqui estamos confiando na Sua Providência. Assim sendo, mesmo que tenhamos muito pouco ou quase nada, Ele multiplicará o mínimo que possuímos e colocamos generosamente em Suas Mãos para que possamos servir aos seus filhos, nossos irmãos. “A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá”! É esta a certeza que têm todos os que se considerarem filhos e filhas de Deus! Se fizermos a experiência de colocarmos o pouquinho que nos resta, de fé, de esperança, de alegria, de paciência e serenidade, à disposição dos nossos irmãos, sempre haverá sobra para podermos enfrentar as horas em que estivermos também necessitados. A farinha e o azeite que foram usados para alimentar Elias abundaram em alimento que nunca desapareceu da vasilha. É assim que temos de encarar as nossas carências! Confiando em Deus e a Ele nos entregando.  – Você já aprendeu a colocar à disposição dos filhos de Deus o pouco que você tem? – Você se acha muito pobre para ajudar a alguém que precisa igual a você? – Você já experimentou dar a alguém o último centavo, em nome de Deus?

Salmo 145 – “Bendize, minha alma, bendize ao Senhor!”
O salmo vem confirmar o que fala a 1ª leitura: “O Senhor é fiel para sempre...ele dá alimento aos famintos...” Esta é a obra que o Senhor faz aos seus filhos: alimenta, abre os olhos, ergue protege, ampara, a todos aqueles que se voltam para Ele e Nele esperam. Porém, o caminho daqueles que não o buscam, não o procuram é confuso e perigoso. Que estejamos sempre confiantes na fidelidade do Senhor e entreguemos a Ele o nosso caminho, assim teremos toda a Sai assistência, teremos tudo o de que precisamos.

2ª. Leitura Hebreus 9, 24-28 – “Cristo já morreu por nós”
Conforme a carta dos Hebreus nós podemos nos conscientizar da importância que temos de dar à nossa existência aqui na terra, pois uma vez só, viveremos aqui. Assim como Jesus Cristo que    morreu uma só vez para nos abrir as portas do céu, nós também morreremos uma única vez e depois virá o julgamento. Jesus se manifestou ao mundo para destruir o pecado e nos conceder uma vida nova. Portanto, não precisaremos voltar aqui para a terra, como muitas falsas doutrinas pregam, a fim de melhorarmos e nós mesmos e nos salvarmos. Não, Cristo já morreu por nós, já se ofereceu uma só vez. Temos apenas que tomar posse desse direito adquirido para nós por Jesus. O Seu Sangue já nos lavou e não é somente nos santuários feitos por mãos humanos que teremos acesso, mas também um dia no céu, estaremos na presença de Deus, porque assim o esperamos confiantes no nosso Senhor que nos salvou, Jesus Cristo. – Você tem certeza de que já está salvo (a)? – Você acha que já tem um lugar reservado para você perto de Deus? – Você pensa sobre isso? – Qual é a pessoa em quem mais você confia aqui na terra?

Evangelho – Marcos 12, 38-44 -  “ dar de coração”
Os doutores da lei se orgulhavam do seu saber e deixavam-se ser notados, reverenciados, incensados. Jesus, então, os criticava, pois também gostavam de ser cumprimentados nas praças públicas e sentar-se nas primeiras cadeiras nas sinagogas e nos melhores lugares nos banquetes. Com isso eles exploravam as pessoas mais humildes principalmente, as viúvas, que eram sinal de humildade, de carência, de solidão.  A crítica de Jesus não se adequa somente à realidade daquele tempo. Hoje também encontramos “doutores da Lei”, que por possuírem muito conhecimento das coisas de Deus, se arvoram de serem “melhores e mais santos” do que os menos aquinhoados.   Com efeito, Jesus nos ensina a termos coerência nas nossas ações e nos motiva a fim de que todas as nossas atitudes estejam ajustadas à nossa verdadeira condição de vida, com a nossa realidade, mas principalmente com a intenção do nosso coração.  E nos dá uma grande lição de coerência quando nos fala da ação da viúva que tomou tudo que possuía e deu como oferta no templo, de forma consciente e de coração. Assim agindo ela doou muito mais do que todos os outros que depositavam grandes quantias no cofre do templo somente porque tinham mais e muito mais ainda lhes sobrava. A coerência que Jesus nos alerta é a de que sejamos justos quando fizermos as nossas ofertas. Dar tudo o que temos é colocar nas mãos do Senhor de coração, o que possuímos, seja muito ou muito pouco. – Você se considera uma pessoa muito importante porque tem conhecimento das coisas de Deus? – Você tem orgulho e gosta de chamar atenção por causa disso? – Como você tem feito as suas ofertas ao Senhor? - Você tem dado as sobras que lhe restam, ou tem tirado do pouco que você tem para viver? - É de coração?

O omo bem usar o dinheiro injusto-Helena Serpa


07/11/2015 – sábado - XXXI semana comum– Romanos 16, 3-9.16.22-27 – “o ósculo santo
Nesta carta vimos São Paulo com muita gratidão saudar a todos aqueles que colaboraram na sua missão evangelizadora para difundir o Evangelho de Jesus Cristo no meio dos pagãos. Assim, ele os saúda e recomenda que também eles, se saúdem mutuamente. “Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo!” O beijo santo é um gesto que simboliza o sentimento de um coração que tem conhecimento do amor de Deus e, portanto, está cheio do Espírito Santo. Jesus beija a todos nós com o Seu Espírito Santo e faz com que tenhamos um coração agradecido e fraterno. Como seguidores de Jesus Cristo e, na nossa vida diária sabemos que não podemos caminhar sozinhos (as). Mesmo que sejamos “os (as) melhores”, isto é, que tenhamos vida de oração, intimidade com Deus, conhecimento da Palavra, cultura, dinheiro, fama e todos os predicados possíveis e imagináveis, não nos é dispensável a colaboração de ninguém.  Jesus nos escolheu para edificar o reino dos céus aqui na terra e nos confirmou na fidelidade a vivência do Seu Evangelho, mas, para que isso aconteça, Ele nos revela os mistérios que estão no coração do Pai, segundo o Seu plano de amor para a nossa prosperidade humana e espiritual. Assim sendo, somos anunciadores da Boa Nova no meio dos “pagãos”, ou seja, dos que ainda não conhecem o segredo da felicidade a qual se encontra no coração de Deus desde toda a eternidade. Que  possamos também, de uma maneira concreta, cultivar entre nós o exercício da gratidão uns com os outros expressando, com gestos e ações puros, o amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo. - Você é uma pessoa que aceita a colaboração das pessoas?-  Você tem um coração agradecido e sabe expressar essa gratidão? - Faça uma retrospectiva da sua vida e reflita quantas pessoas o (a) ajudaram a caminhar. - Ore por essas pessoas e firme um propósito de, na primeira oportunidade, externar a elas a sua gratidão.

Salmo  144 – “Bendirei o vosso nome pelos séculos, Senhor!”
A nossa gratidão a Deus se manifesta através do louvor e do testemunho que nós damos ao mundo quando anunciamos as Suas maravilhas na nossa vida. Assim sendo, cada geração conta à outra as obras do Senhor e os Seus próprios feitos anunciam a sua glória e o esplendor do reino do céu. Se, cultivarmos no nosso coração o sentimento de gratidão a Deus, nós estaremos bendizendo o Seu nome todos os dias da nossa vida.

Evangelho – Lucas 16, 9-15 – “como bem usar o dinheiro injusto”


Somente Deus conhece profundamente as intenções do nosso coração e poderá avaliar as nossas ações com justiça e equidade. Enquanto aqui estamos, nós precisamos do dinheiro “injusto” para sobreviver. O dinheiro injusto é o dinheiro que compra as coisas passageiras, mas que não serve para nos comprar o céu. O modo como ganhamos esse dinheiro e como o usamos, somente poderá ser avaliado por Deus, que sonda os nossos corações e conhece a nossa verdade. No entanto, nós podemos, conscientemente, fazer também uma reflexão dos nossos sentimentos e intenções quando praticamos nossas ações tendo em vista o objetivo para o qual vivemos.  Dependendo do modo como usamos o dinheiro injusto que ganhamos, este poderá se converter em boas obras, as quais se transformarão em riquezas que nos esperarão no céu. Jesus fala em fidelidade no pouco e no muito. Ser fiel no pouco é ser leal a Deus com relação à Sua providência na nossa vida, empregar bem o dinheiro que Ele nos propicia ganhar. A chave da nossa felicidade aqui na terra está na maneira como nos relacionamos uns com os outros, bem como na reciprocidade com que cultivamos o amor, mandamento maior da lei de Deus. Tudo o mais, os nossos bens materiais, a nossa bagagem intelectual e todas as coisas que adquirimos pelo trabalho, honesto, ou desonesto, com esforço ou sem empenho, são apenas instrumentos que dispomos para desenvolver entre nós a vivência do amor. Nas nossas pequenas ações diárias nós já demonstramos amor ou desamor. Às vezes, pensamos que seremos julgados (as) apenas pelas grandes “coisas” que fazemos, no entanto, para Deus não importa o que nós realizamos, mas, o caráter com que fazemos essas “coisas”. “O que é importante para os homens é detestável para Deus”, diz-nos Jesus.  Desse modo, vejamos, se o que tem sido “tão importante” para nós, é abominável para Deus, porque ainda é tempo de conversão. - Você está usando o dinheiro que ganha, com justiça, ou você o tem usado  só para   comprar as coisas do mundo?- Os bens que você amealha estão lhe ajudando a adquirir um tesouro no céu? -  Em que você tem investido o seu dinheiro injusto? – Você o tem esbanjado com coisas supérfluas? – Você tem ajudado as pessoas que estão precisando, porque passam necessidade?

O que fazer para agradar a Deus?-Helena Serpa

06/11/2015 – 6ª.feira XXXI semana comum– Romanos 15, 14-21 – “o apóstolo dos gentios”
São Paulo, pois o escolhido pelo Senhor  para evangelizar os pagãos, que eram desprezados pelos judeus, pois não faziam parte do povo de Israel. Assim sendo, Jesus  Cristo  o consagrou para ser servidor do Evangelho de Deus a fim de que os pagãos, fossem também santificados pelo Espírito Santo. Nós todos que não somos judeus tivemos acesso à Lei do Senhor, por causa de São Paulo, que foi fiel à sua missão, por isso, hoje é conhecido como “o apóstolo dos gentios”. Ainda hoje somos formados (as) segundo o Evangelho de Jesus por meio dos escritos que São Paulo nos deixou. Por isso, somos convocados também a viver a obediência da fé, pela palavra e pela ação, com sinais e prodígios, no poder do Espírito Santo. Podemos entender com isso que não nos basta apenas o conhecimento superficial do que está escrito nos ensinamentos, mas a vivência e a prática da palavra com ações concretas de obediência à fé. Somos também, como São Paulo, convocados a anunciar Jesus Cristo onde Ele ainda não é conhecido, aos que vivem na ignorância e, por isso, ainda não compreendem a verdadeira razão da nossa adesão a Cristo. Mesmo dentro da nossa casa, no meio por onde nós circulamos existem aqueles que podem ainda hoje ser considerados “gentios” ou “pagãos”. – Você costuma aprender com São Paulo a viver o Evangelho de Jesus? – O que você tem feito por aqueles que nem ouviram falar de Cristo e vivem ao seu redor?

Salmo 97 – “O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações
O plano de Deus para a salvação da humanidade é perfeito. Ele mesmo providenciou para que todas as nações conhecessem a sua justiça que consiste em que todos se salvem e se alimentem do seu amor. Por isso, o salmista nos convida a cantar ao Senhor Deus um canto novo rendendo-Lhe graças pelas maravilhas que Ele nos dispensou. Não há no mundo ninguém que não esteja inserido dentro do projeto de Deus, por isso, cantamos que os confins do universo contemplam a salvação do nosso Deus. Alegremo-nos e exultemos!

Evangelho Lucas 16, 1-8 – “O que fazer para agradar a Deus?”

Não podemos abusar nem esbanjar a riqueza que Deus Pai nos concedeu, pois, como aquele administrador, um dia nós também iremos prestar conta do que fizemos com os bens que recebemos para administrar. Os bens que Deus pôs ao nosso dispor, são os nossos dons e devem servir para que, partilhados com os nossos irmãos, nos sirvam de passaporte para uma vida plena em Deus. De Deus recebemos a vida cheia de dons, talentos, virtudes, bens materiais, etc... Ao contar para os seus discípulos esta parábola Jesus quis nos dar a lição de que devemos usar a sabedoria e a nossa inteligência também quando tratamos das coisas de Deus aqui nesse mundo. Jesus não elogiou a atitude desonesta do administrador, mas a motivação que o levou a angariar a amizade das pessoas. Estas pessoas são aquelas a quem ajudamos e com os quais nos solidarizamos nas horas de necessidade, não importando o tamanho do bem que fazemos ou a quantia que ofertamos. Será a maneira como vivemos e o nosso modo de ser, de tratar o semelhante, de acolher, de compreender, de dispensar, que fará com que sejamos recebidos um dia nos tabernáculos eternos. A compaixão que exercitarmos com os nossos semelhantes, o perdão e a misericórdia são ações sábias as quais devemos colocar em prática enquanto estivermos aqui na terra, porque elas nos servirão de passaporte para o reino dos céus. Normalmente todos nós colocamos mais empenho nos negócios do mundo do que nos interesses de Deus e damos prioridade ao que rende mais aqui na terra do que o tesouro que juntamos no céu. Os que tratam com as riquezas deste mundo, sabem fazer isso, de modo desonesto. Os filhos da luz, porém, muitas vezes não sabem fazer assim para conquistar a amizade das pessoas e agradarem a Deus. - Você tem usado os seus dons, a sua inteligência e sagacidade também para fazer amizade com as pessoas como Deus quer? – Como  tem tratado as pessoas que precisam de você, que trabalham e  lhe prestam serviço?   – Você é uma pessoa acolhedora ou está sempre prevenida com medo de se envolver? - Você tem vivido as coisas do mundo, do trabalho, do mesmo modo como tem vivenciado as coisas ligadas a Deus? O que faz a diferença?


Em busca da ovelha perdida-Helena Serpa

05/11/2015 - 5ª.feira XXXI semana comum – Romanos
14, 7-12 – “
a Jesus Cristo nós devemos a vida e o direito de ser filho de Deus! ”
Como São Paulo todos nós também poderemos afirmar que, “vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor!” Jesus Cristo deu a vida por nós, e, por isso Ele é o Senhor dos mortos e dos vivos.  Somente Ele tem o poder de nos justificar diante do Pai, a cujo tribunal todos nós compareceremos. Assim sendo, Jesus Cristo é o nosso Senhor e por isso, já não podemos mais viver para nós mesmos. São Paulo falava para a comunidade dos romanos onde havia discordâncias e críticas de uns para com os outros. Ele os exortava a que cada um prestasse conta das suas ações e não julgassem uns aos outros. Nós também, como cristãos, batizados, nunca poderemos esquecer de que devemos a Jesus Cristo, a nossa vida e o direito de ser filho de Deus. Às vezes, queremos ser independentes e donos do nosso destino e entendemos que só temos de dar satisfação dos nossos atos, a nós mesmos. Outras vezes, nos arvoramos de juiz de causa própria, nos isentando dos erros, mas, ao mesmo tempo, julgamos o modo como outras pessoas se comportam. Que a admoestação de São Paulo nos sirva também de lição: “cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”. Jesus Cristo é o Senhor da nossa vida e das nossas ações, por isso não somos propriedade nossa e só a Ele pertencemos. - Você tem a Jesus Cristo, como Senhor da sua vida? - Você costuma pedir orientação ao Espírito Santo antes de decidir algo importante na sua vida? - Qual é a sua atitude diante das pessoas que, segundo a sua opinião, agem errado? - Você as condena? Você se compara com elas? - Você se considera “melhor” que elas? 

Salmo 26 – “Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. ”

O Senhor é a nossa luz e nossa salvação, por isso, no mundo, não podemos temer a ninguém. Confiando na bondade do Senhor nós já podemos saborear aqui na terra as coisas boas do céu e, até mesmo, contemplá-lo no templo do nosso coração.  O Senhor é a proteção da nossa vida, por isso nós podemos acolher o conselho do salmista que nos tranquiliza dizendo: “Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor! ”


Evangelho – Lucas 15, 1-10 – “em busca da ovelha perdida”

Ao nos contar esta parábola Jesus nos dá o entendimento claro do método que Deus usa com todos nós, pecadores, necessitados de salvação. Contrariando ao que muitas vezes nós pensamos, Deus não se compraz com a morte do pecador, nem tem o propósito de castigá-lo pelas suas iniquidades. Por causa da nossa fragilidade humana muitas vezes entendemos que aquele que comete um erro precisa ser castigado a fim de pagar a culpa e cremos ser este também o pensamento de Deus para conosco quando pecamos. Neste Evangelho Jesus Cristo nos afirma justamente o contrário: assim como um pastor faz com a ovelha perdida, o Senhor vai à busca do pecador para resgatá-lo e acolhe-lo no Seu redil. Estávamos perdidos no mundo e foi para salvar quem estava perdido que Jesus veio ao mundo. A alegria do céu consiste na conversão dos pecadores da terra.  Cada pecador que se converte é motivo de alegria no céu. Nós somos para Deus um bem precioso, assim como preciosa é a moeda que a mulher da parábola encontrou. Quanto mais consciência nós tivermos do nosso ser pecador mais poderemos experimentar a misericórdia de Deus que vem ao nosso encontro para nos fazer justiça. O Senhor quer nos dar dignidade, nos tirar da lama, nos oferecer roupa nova, anel e sandálias aos pés, a fim de participarmos também da alegria do céu.  Porém, se não nos consideramos pecadores, se nos justificamos e, como os fariseus e os mestres da lei, nós apontamos somente para o pecado do próximo, nunca poderemos comungar da alegria de Deus. O arrependimento é, portanto, o primeiro passo, para que haja festa no céu. - Você também é uma ovelha fugida? - Você também percebe a alegria de Deus quando se deixa encontrar por Ele? - Você preferiria estar entre as noventa e nove ovelhas “justas”? - Você confia na misericórdia de Deus para com o pecador mesmo que ele seja o pior de todos?


Condições para seguir Jesus-Helena Serpa

04/11/2015 - 4ª.feira XXXI semana comum - Romanos 13, 8-10 - " quem ama o próximo está cumprindo a lei "
Nesta carta São Paulo nos esclarece que o amor mútuo é a garantia para que cumpramos toda a lei de Deus e nos exorta a viver a Lei de Deus como o próprio Jesus veio nos revelar.    Assim sendo, todos os mandamentos da Lei de Deus têm um só objetivo: o amor recíproco.  O fato de não matar, o não roubar, o não adulterar, é uma consequência do amor com que praticarmos as nossas ações. Quem ama, não ofende, não faz nenhum mal contra o próximo, assim, portanto está cumprindo com a lei.  Nós precisamos, porém, perceber qual é o parâmetro que distingue o amor. Amar não significa apreciar, gostar, admirar, elogiar, mas querer o bem, dar suporte, compreender os motivos, acolher as imperfeições e saber exortar para edificar. Assim sendo, podemos chegar à conclusão de que por mais que amemos, sempre estaremos devendo amor, visto que nunca conseguiremos sermos perfeitos no amor, como o próprio Deus o é. Contudo, o nosso empenho em progredir no amor, a nossa luta contra o desamor, o propósito de tudo fazer por amor, nos ajudarão a, pelo menos, exercitar a nossa vontade própria e caminhar em busca do amor perfeito. O nosso próximo é todo aquele que se aproxima de nós, portanto, não é necessário ir buscá-lo longe, pois ele está perto, dentro da nossa casa, no nosso trabalho, na nossa comunidade e, por onde passarmos. - Você acha muito difícil amar? - Você espera recompensa das pessoas a quem você ama? - Você sente o amor de Deus por você? - As pessoas conseguem transmitir o amor que Deus tem por você? - Você percebe a diferença entre o amar e o gostar?

Salmo 111 - "Feliz quem tem piedade e empresta!"

A Lei do Senhor é o Amor!  Portanto, é feliz aquele (a) que ama porque, assim, está cumprindo com a Lei. O salmista exalta o homem que assim procede, prognosticando para ele uma descendência forte e abençoada. Todos os que cumprem a lei do amor são consequentemente, corretos, generosos e justos. 

 Evangelho - Lucas 14, 25-33 - " condições para seguir Jesus"

Jesus, neste Evangelho vem nos dar as regras para que possamos segui-Lo e nos configurarmos com Ele. Primeiramente, Ele nos diz que o Seu seguimento implica na renúncia e no desapego das nossas ideias, dos nossos bens e dos nossos ídolos.   Depois, Jesus nos esclarece que assim como Ele tomou a Sua Cruz e a carregou, nós precisamos fazer o mesmo, pois do contrário não poderemos dizer que somos seus (as) discípulos (as). Jesus veio mostrar ao mundo uma nova maneira de ser, valorizando o homem na sua dignidade, libertando-o de tudo o que pudesse escravizá-lo e dominá-lo. Para que possamos segui-Lo precisamos nos sentir homens e mulheres livres de nós mesmos. Quem ama é livre das condições, das circunstâncias e das pessoas. Ama, porque ama com o amor de Jesus. Precisamos também, ter convicção da nossa opção de cristãos e cristãs, a fim de que possamos vivenciar a mensagem evangélica do amor. A Cruz é decorrente da nossa vivência do amor, porque amar nos traz consequências. Não é fácil amar nem tampouco é fácil assumir os encargos que o amor nos propõe. Assim sendo, quando Jesus nos diz "se alguém vem a mim", Ele quer nos dizer, se "você quer me seguir você deverá viver a lei do amor; você terá que amar como eu amo; viver como eu vivo; sofrer como eu sofro; pensar como eu penso." A renúncia maior há de ser do nosso jeito de olhar as coisas, de julgar e de encarar as pessoas. De nos desapegar dos conceitos adquiridos durante a nossa caminhada, consequência da nossa criação, cultura etc.  A Renunciar a tudo que não combina com o pensamento evangélico e ao desapego das coisas e das pessoas, é, portanto, o fundamento para que o reino dos céus viva em nós e Jesus seja o nosso Rei, Senhor e Mestre. Do contrário, estaremos construindo na areia e nunca seremos considerados (as) discípulos (as) e seguidores (as) de Jesus. -Você já fez os cálculos, do que terá de abdicar para que Jesus seja o seu Mestre? - Você é uma pessoa muito arraigada a suas ideias e pensamentos? - Você tem procurado amar como Jesus amou? - Você tem assumido a sua Cruz? Em que?


O que nos dará direito a entrar no Banquete-Helena Serpa

03/11/2015 - 3ª feira XXXI semana comum -   Romanos 12, 5-16 – “agir com fraternidade e “atenções recíprocas””
Nesta carta São Paulo nos orienta a como ser parte do Corpo de Cristo a partir do entendimento das funções do nosso próprio corpo. Da mesma forma como cada membro do nosso corpo tem uma função específica, no entanto, todos trabalham em comum, assim acontece também com o Corpo de Cristo, cujos membros, somos nós. Somo membros uns dos outros e não podemos caminhar sozinhos. De acordo com a graça que nos foi dada, temos dons diferentes, mas que precisam ser direcionados para um objetivo comum, em harmonia com a fé.  A fé em Jesus Cristo e no plano de Deus para nós é quem nos guia e nos direciona. Se não tivermos fé, se não acreditarmos no poder daquele que nos presenteou com os dons que possuímos, eles ficarão estagnados e sem serventia.  O mais importante, porém, é que em tudo o “amor seja sincero”. O amor é a alavanca que faz com que os nossos dons tenham eficácia. O fazer por fazer, ou somente por obrigação tira todo o brilho das nossas ações. São Paulo nos recomenda a agir com fraternidade e “atenções recíprocas”, isto é, que não queiramos cumprir apenas a parte que nos compete, mas que sirvamos também de instrumentos para que o outro possa realizar a sua parte. O zelo, a diligência, o fervor, a alegria, a esperança, a perseverança são também características de quem faz as coisas com amor sincero, sem interesse pessoal. Entre outras recomendações São Paulo nos aponta uma prática segura para a nossa santificação: “abençoai e não amaldiçoeis”; “alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram”. Precisamos, pois, da mesma forma como choramos com aqueles que sofrem alegrarmo-nos também com o seu sucesso, como se fosse nosso. “Acomodai-vos com as coisas humildes”, este é o conselho final de São Paulo para que não nos deixemos levar pelo gosto de grandeza. - Qual o conselho de São Paulo que mais lhe tocou? - Você tem consciência dos seus dons e da sua capacidade em exercitá-los?   - Você se alegra com o sucesso dos outros da mesma maneira como chora pelos seus infortúnios? - Você gosta mais das coisas simples ou tem gosto pela grandeza? – Você percebe a diferença entre umas e outras?

Salmo 130 – “Guardai-me, em paz, junto a vós, ó Senhor! ”


O desejo da nossa alma é estar sossegada e tranquila como a criança que é amamentada no colo acolhedor de sua mãe. Mas, só podemos nos sentir assim, se nos despojarmos de toda a ideia de grandeza e das pretensões ambicionadas pela nossa carne. A confiança que tivermos nos caminhos do Senhor fará matar o orgulho do nosso coração. Acreditar que Deus é Pai e que age em nosso favor em qualquer circunstância, nos traz a paz de que necessitamos para viver. Deus sonda os corações e conhece os nossos anseios por isso, sabe das nossas intenções e nos fará justiça.

Evangelho – Lucas 14, 15-24 – “o que nos dará direito a entrar no Banquete”

Este Banquete hoje também já está preparado e os convidados continuam se excluindo. É o Banquete que Deus preparou para toda a humanidade, no céu, mas que precisamos aceitar o convite desde a nossa vida terrena. A cada momento da nossa existência somos convidados (as) a participar da vida nova que o Senhor nos reservou. Desta forma, Jesus nos chama para compartilhar de um banquete espiritual, com uma vida nova e promissora. No entanto, porque estamos muito entretidos (as) nas nossas ocupações, nos nossos projetos pessoais, como se fôssemos viver eternamente aqui na terra, recusamos o chamado do Senhor. As “coisas lícitas” com as quais nos ocupamos e fazem parte do nosso dia a dia são as que mais nos afastam da intimidade com Deus. Não encontramos tempo para orar, para participar da Eucaristia e alimentar a nossa alma com o pão do reino de Deus, fugimos do sacramento da Penitência porque achamos que não temos pecado. Também não assumimos compromisso com o serviço do reino porque há coisas “mais importantes” que precisamos realizar. Enfim se refletirmos nesta Palavra facilmente nós seremos enquadrados no grupo dos primeiros convidados que se desculparam e não estavam presentes na festa do céu. Enquanto aqui permanecermos, ainda é tempo para que possamos repensar a nossa vida e perceber se estamos ou não recusando o convite de Deus para entrar na vida eterna, desde já. Os pobres, aleijados, os cegos e os coxos podem significar as pessoas que nunca poderíamos supor fossem chamadas a participar do céu, isto é, os pecadores públicos, as prostitutas, os marginais, os assassinos. O reconhecimento do nosso pecado, o arrependimento sincero e o propósito franco de acolher a salvação, serão, no caso, o documento que nos dará direito a entrar no Banquete.      - A quem você está dando mais atenção: aos seus interesses ou ao convite de Deus?  - Você tem deixado de assumir os compromissos a que se propôs? -  Você tem tido “tempo” para o Senhor? -  Quem tem sido mais importante na sua vida? A sua família, o seu trabalho, as suas viagens, o seu lazer?   -  Você tem renunciado a alguma coisa de que gosta muito para trabalhar no reino de Deus?  - Finalmente, você acha que será bem recebido (a) no Banquete?  


domingo, 1 de novembro de 2015

32º Domingo do Tempo Comum-Dehonianos




08/11/2015

32º Domingo do Tempo Comum - Ano B

ANO B
32º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 32º Domingo do Tempo Comum
A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que devemos prestar a Deus. A Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos mais ou menos sumptuosos, mas uma atitude permanente de entrega nas suas mãos, de disponibilidade para os seus projectos, de acolhimento generoso dos seus desafios, de generosidade para doarmos a nossa vida em benefício dos nossos irmãos.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de uma mulher pobre de Sarepta, que, apesar da sua pobreza e necessidade, está disponível para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. A história dessa viúva que reparte com o profeta os poucos alimentos que tem, garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância.
O Evangelho diz, através do exemplo de outra mulher pobre, de outra viúva, qual é o verdadeiro culto que Deus quer dos seus filhos: que eles sejam capazes de Lhe oferecer tudo, numa completa doação, numa pobreza humilde e generosa (que é sempre fecunda), num despojamento de si que brota de um amor sem limites e sem condições. Só os pobres, isto é, aqueles que não têm o coração cheio de si próprios, são capazes de oferecer a Deus o culto verdadeiro que Ele espera.
A segunda leitura oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote que entregou a sua vida em favor dos homens. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse projecto de salvação que Ele tem para os homens e para o mundo.

LEITURA I – 1 Re 17,10-16
Leitura do Primeiro Livro dos Reis
Naqueles dias,
o profeta Elias pôs-se a caminho e foi a Sarepta.
Ao chegar às portas da cidade,
encontrou uma viúva a apanhar lenha.
Chamou-a e disse-lhe:
«Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber».
Quando ela ia a buscar a água, Elias chamou-a e disse:
«Por favor, traz-me também um pedaço de pão».
Mas ela respondeu:
«Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus,
eu não tenho pão cozido,
mas somente um punhado de farinha na panela
e um pouco de azeite na almotolia.
Vim apanhar dois cavacos de lenha,
a fim de preparar esse resto para mim e meu filho.
Depois comeremos e esperaremos a morte».
Elias disse-lhe:
«Não temas; volta e faz como disseste.
Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui.
Depois prepararás o resto para ti e teu filho.
Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel:
‘Não se esgotará a panela da farinha,
nem se esvaziará a almotolia do azeite,
até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’».
A mulher foi e fez como Elias lhe mandara;
e comeram ele, ela e seu filho.
Desde aquele dia, nem a panela da farinha se esgotou,
nem se esvaziou a almotolia do azeite,
como o Senhor prometera pela boca de Elias.
AMBIENTE
Encontramos no Livro dos Reis um conjunto de tradições ligadas à vida e à acção de uma figura central do profetismo bíblico: o profeta Elias. Essas tradições aparecem, de forma intermitente, entre 1 Re 17,1 e 2 Re 2,12.
Elias (cujo nome significa “o meu Deus é o Senhor” – o que, por si só, constitui logo um programa de vida) actua no Reino do Norte (Israel) durante o século IX a.C., num tempo em que a fé jahwista é posta em causa pela preponderância que os deuses estrangeiros (especialmente Baal) assumem na cultura religiosa de Israel. Provavelmente, estamos diante de uma tentativa de abrir Israel a outras culturas, a fim de facilitar o intercâmbio cultural e comercial… Mas essas razões políticas não são entendidas nem aceites pelos círculos religiosos de Israel. O ministério profético de Elias desenvolve-se sobretudo durante o reinado de Acab (873-853 a.C.), embora a sua voz também se tenha feito ouvir no reinado de Ocozias (853-852 a.C.).
Elias é o grande defensor da fidelidade a Jahwéh. Ele aparece como o representante dos israelitas fiéis que recusavam a coexistência de Jahwéh e de Baal no horizonte da fé de Israel. Num episódio dramático, o próprio profeta chegou a desafiar os profetas de Baal para um duelo religioso que terminou com um massacre de quatrocentos profetas de Baal no monte Carmelo (cf. 1 Re 18). Esse episódio é, certamente, uma apresentação teológica dessa luta sem tréguas que se trava entre os fiéis a Jahwéh e os que abrem o coração às influências culturais e religiosas de outros povos.
Para além da questão do culto, Elias defende a Lei em todas as suas vertentes (veja-se, por exemplo, a sua defesa intransigente das leis da propriedade em 1 Re 21, no célebre episódio da usurpação das vinhas de Nabot): ele representa os pobres de Israel, na sua luta sem tréguas contra uma aristocracia e uns comerciantes todo-poderosos que subvertiam a seu bel-prazer as leis e os mandamentos de Jahwéh.
O ciclo de Elias começa com o anúncio, diante do rei Acab, de uma seca que irá atingir Israel (cf. 1 Re 17,1). Essa seca é apresentada, não tanto como um castigo pelos pecados do rei, mas sobretudo como uma forma de mostrar que é Jahwéh (e não Baal, o deus cananeu das colheitas e da fertilidade, cujo culto era favorecido por Jezabel, a esposa fenícia de Acab) o verdadeiro senhor da vida que brota, cada ano, nos campos e nos rebanhos. A implacável seca leva, contudo, Elias para a cidade de Sarepta (hoje Sarafand), uma pequena cidade da costa fenícia, a cerca de 15 quilómetros a sul de Sídon. É aí que o nosso texto nos situa.
MENSAGEM
Elias chega a Sarepta e, correspondendo à indicação de Jahwéh, dirige-se a uma viúva da cidade. Pede-lhe água para beber e um pedaço de pão para comer. Nesse tempo dramático de fome e de seca, a mulher apenas tem um punhado de farinha e um pouco de azeite, que se prepara para comer com o filho, antes de se deitar à espera da morte; mas prepara o pão para Elias… E, por acção de Deus, durante todo o tempo que Elias aí permaneceu, nem a farinha se acabou na panela, nem o azeite faltou na almotolia.
Trata-se de uma história de cariz popular que, contudo, apresenta interessantes ensinamentos…
1. Com ela, o autor deuteronomista sugere que nessa luta entre Jahwéh e Baal pela supremacia, o Deus de Israel é o vencedor, pois é Ele que dá o trigo e o azeite de que o Povo se alimenta; mais, Jahwéh actua até em casa do seu “adversário” e entre os seus súbditos (Baal era o deus mais popular na Fenícia).
2. O facto de os beneficiários da acção de Jahwéh serem uma viúva e um órfão (os exemplos clássicos, na Bíblia, dos pobres, dos débeis, dos desfavorecidos, dos marginalizados) sugere que Jahwéh tem uma especial predilecção pelos fracos, pelos pobres, por aqueles que nada têm, por aqueles que necessitam especialmente da protecção, da bondade e da misericórdia de Deus.
3. O pão e o azeite que a mulher reparte com o profeta multiplicam-se milagrosamente. O facto mostra que, quando alguém é capaz de sair do seu egoísmo e tem disponibilidade para partilhar os dons recebidos de Deus, esses dons chegam para todos e ainda sobram. A generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância.
4. A história sugere, ainda, que a graça de Deus é universal e se destina a todos os povos, sem distinção de raças, de fronteiras ou de crenças religiosas.
ACTUALIZAÇÃO
• A nossa história – como tantas outras histórias bíblicas – fala-nos da predilecção de Deus pelos desfavorecidos, pelos débeis, pelos pobres, pelos explorados, por aqueles que são colocados à margem da vida. Porquê? Porque Deus vê a história humana na perspectiva da luta de classes e escolhe um lado em detrimento do outro? Obviamente, não. No entanto, Deus opta preferencialmente pelos pobres porque, em primeiro lugar, eles vivem numa situação dramática de necessidade e precisam especialmente da bondade, da misericórdia e da ajuda de Deus; e, em segundo lugar, porque os pobres – sem bens materiais que os distraiam do essencial – estão sempre mais atentos e disponíveis para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. Os “ricos”, ao contrário, estão sempre preocupados com os seus bens, com os seus interesses egoístas, com os seus projectos e preconceitos e não têm espaço para acolher as propostas que Deus lhes faz. Isto deve lembrar-nos, permanentemente, a necessidade de sermos “pobres”, de nos despirmos de tudo aquilo que pode atravancar o nosso coração e que pode impedir-nos de acolher os desafios e as propostas de Deus.
• A mulher de Sarepta tinha, apenas, uma quantidade mínima de alimento, que queria guardar para si e para o seu filho; mas, desafiada a partilhar, viu esse escasso alimento ser multiplicado uma infinidade de vezes… A história convida-nos a não nos fecharmos em esquemas egoístas de acumulação e de lucro, esquecendo os apelos de Deus à partilha e à solidariedade com os nossos irmãos necessitados. Quando repartimos, com generosidade e amor, aquilo que Deus colocou à nossa disposição, não ficamos mais pobres; os bens repartidos tornam-se fonte de vida e de bênção para nós e para todos aqueles que deles beneficiam.
• A nossa história prova que só Jahwéh dá ao homem vida em abundância. É um aviso que não podemos ignorar… Todos os dias somos confrontados com propostas de felicidade e de vida plena que, quase sempre, nos conduzem por caminhos de escravidão, de dependência, de desilusão. Não é à volta do dinheiro, do carro, da casa, do cargo que temos na empresa, dos títulos académicos que ostentamos, das honras que nos são atribuídas que devemos construir a nossa existência. Só Deus nos dá a vida plena e verdadeira; todos os outros “deuses” são elementos acessórios, que não devem afastar-nos do essencial.

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 145 (146)
Refrão 1:  Ó minha alma, louva o Senhor.
Refrão 2: Aleluia.
O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.
O Senhor ilumina os olhos do cego,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.
O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.
O Senhor reina eternamente;
o teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.

LEITURA II – Heb 9,24-28
Leitura da Epístola aos Hebreus
Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas,
figura do verdadeiro,
mas no próprio Céu,
para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor.
E não entrou para Se oferecer muitas vezes,
como sumo sacerdote que entra cada ano no Santuário,
como sangue alheio;
nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes,
desde o princípio do mundo.
Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos,
para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo.
E, como está determinado que os homens morram uma só vez
e a seguir haja o julgamento,
assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez
para tomar sobre Si os pecados da multidão,
aparecerá segunda vez, sem a aparência do pecado,
para dar a salvação àqueles que O esperam.
AMBIENTE
No passado domingo, o autor da Carta aos Hebreus apresentava Cristo como o sumo-sacerdote por excelência, não na linha do sacerdócio levítico, mas na linha do sacerdócio de Melquisedec… Hoje, passamos a outra secção (cf. Heb 8,1-9,28), na qual o autor apresenta Cristo como o sacerdote perfeito e explica em que consiste essa perfeição e quais as suas consequências para a vida dos fiéis.
Depois de reflectir sobre a imperfeição do culto antigo (cf. Heb 8,1-6), a imperfeição da antiga Aliança (cf. Heb 8,7-13) e a ineficácia dos sacrifícios oferecidos no Templo de Jerusalém (cf. Heb 9,1-10), o autor passa a explicar aos cristãos a quem a Carta se destina porque é que o sacrifício oferecido por Cristo é perfeito (cf. Heb 9,11-14) e como é que, por esse sacrifício, Cristo se torna o mediador da Nova Aliança (cf. Heb 9,15-22). No último parágrafo desta secção (cf. Heb 9,23-28), o autor tira, para a vida dos fiéis, as consequências de tudo o que disse atrás, a propósito do sacerdócio perfeito de Cristo.
Dirigindo-se a cristãos em dificuldade, que já perderam o entusiasmo inicial e que, diante das dificuldades, correm o risco de renunciar ao compromisso assumido no dia do Baptismo, o autor da Carta procura animá-los e revitalizar a sua experiência de fé.
MENSAGEM
No final da sua caminhada terrena com os homens, Cristo, o sacerdote perfeito, entrou no verdadeiro santuário que é o céu – a própria realidade de Deus, a comunhão com Deus. Vivendo em comunhão com o Pai, Ele continua a interceder pelos homens e a dispor o coração do Pai em favor dos homens (vers. 24).
Mais: enquanto que o sumo-sacerdote da antiga Aliança tinha que entrar no santuário todos os anos (o autor refere-se ao Dia da Expiação – o “Yom Kippur” – o único dia do ano em que o sumo-sacerdote entrava no “Santo dos Santos” do Templo de Jerusalém, a fim de aspergir o “propiciatório” com o sangue de um animal imolado e obter, assim, o perdão de Deus para os pecados do Povo), Cristo entrou uma só vez no santuário perfeito, levando o seu próprio sangue, e obteve a redenção de toda a humanidade – desde a fundação do mundo, até ao final dos tempos. A entrega de Cristo, o seu sacrifício consumado no dom da vida, teve uma eficácia total e universal; com ela, Cristo conseguiu a destruição da condição pecadora do homem. A humanidade fica, a partir desse instante, definitivamente salva.
Quando Cristo voltar a manifestar-Se, no final dos tempos (parusia), não será nem para oferecer um novo sacrifício, nem para condenar o homem; mas será para oferecer a salvação definitiva àqueles que Ele, com o seu sacrifício, libertou do pecado.
ACTUALIZAÇÃO
• A ideia de que Cristo nos libertou do pecado com o seu sacrifício domina este texto. O que é que o autor da Carta aos Hebreus quer dizer com isto? Cristo veio a este mundo para libertar o homem das cadeias de egoísmo e de pecado que o prendiam. Nesse sentido, Cristo pediu uma “metanoia” (transformação radical) do coração, da mente, dos valores, das atitudes do homem e propôs, com a sua palavra, com o seu exemplo, com a sua vida, que o homem passasse a percorrer o caminho do amor, da partilha, do serviço, do perdão, do dom da vida. A sua entrega na cruz é a lição suprema que Ele quis deixar-nos – a lição do amor que renuncia ao egoísmo e que se faz dom total aos irmãos, até às últimas consequências. Mais, a sua luta contra o pecado levou-O a confrontar-Se com as estruturas políticas, sociais ou religiosas geradoras de injustiça e de opressão; a sua morte, arquitectada pelos detentores do poder (as autoridades políticas e religiosas do país), foi, também, a consequência da sua luta contra as estruturas que oprimiam o homem e que geravam egoísmo e morte. Ele ofereceu, de facto, a sua vida em sacrifício para nos libertar do pecado. A sua ressurreição revelou que Deus aceitou o seu sacrifício e que não deixará mais que o pecado roube ao homem a vida. Aderir a Jesus, ser cristão, é procurar viver, dia a dia, no seguimento de Jesus e fazer da própria vida um dom de amor aos irmãos; é, também, lutar contra todas as estruturas que geram injustiça e pecado. Gastar a vida dessa forma é participar da missão de Jesus, é colaborar com Ele para eliminar o pecado.
• As outras leituras deste domingo falam-nos de desapego, de partilha, de capacidade para “dar tudo”. Cristo, com a entrega total da sua vida a Deus e aos homens, realizou plenamente esta dimensão. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse projecto de salvação que Ele tem para os homens e para o mundo.
• A certeza de que Jesus Cristo, o sacerdote perfeito, venceu o pecado e está agora junto de Deus, intercedendo por nós e esperando o momento de nos oferecer a vida eterna, deve dar-nos confiança e esperança, ao longo da nossa caminhada diária pela vida. A Palavra de Deus que hoje nos é oferecida garante-nos que as nossas fragilidades e debilidades não podem afastar-nos da comunhão com Deus, da vida eterna; e, no final do nosso caminho, Jesus, o nosso libertador, lá estará à nossa espera para nos oferecer a vida definitiva.

ALELUIA – Mt 5,3
Aleluia. Aleluia.
Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.

EVANGELHO – Mc 12,38-44
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo,
Jesus ensinava a multidão, dizendo:
«Acautelai-vos dos escribas,
que gostam de exibir longas vestes,
de receber cumprimentos nas praças,
de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas
e os primeiros lugares nos banquetes.
Devoram as casas das viúvas
com pretexto de fazerem longas rezas.
Estes receberão uma sentença mais severa».
Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro
a observar como a multidão deixava o dinheiro na caixa.
Muitos ricos deitavam quantias avultadas.
Veio uma pobre viúva
e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante.
Jesus chamou os discípulos e disse-lhes:
«Em verdade vos digo:
Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros.
Eles deitaram do que lhes sobrava,
mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha,
tudo o que possuía para viver».
AMBIENTE
O nosso texto situa-nos em Jerusalém, nos dias que antecedem a prisão, julgamento e morte de Jesus. Por esta altura, adensam-se as polémicas de Jesus com os representantes do Judaísmo oficial. A cada passo fica mais claro que o projecto do Reino (proposto por Jesus) é incompatível com a visão religiosa dos líderes judaicos. Num ambiente carregado de dramatismo, adivinha-se o inevitável choque decisivo entre Jesus e a instituição judaica e prepara-se o cenário da Cruz.
Jesus tem consciência de que os líderes da comunidade judaica tinham transformado a religião de Moisés – com os seus ritos, exigências legais, proibições e obrigações – numa proposta vazia e estéril. Mal-servida e manipulada pelos seus líderes religiosos, a comunidade judaica tinha-se transformado numa figueira seca (cf. Mc 11,12-14. 20-26), onde Deus não encontrava os frutos que esperava (o culto verdadeiro e sincero, o amor, a justiça, a misericórdia). O próprio Templo – o espaço onde se desenrolavam abundantes ritos cultuais e sumptuosas cerimónias litúrgicas – tinha deixado de ser o lugar do encontro de Deus com a comunidade israelita e tinha-se tornado um lugar de exploração e de injustiça, “um covil de ladrões” (cf. Mc 11,15-19)…
Jesus tem presente tudo isto quando ensina nos átrios do Templo, rodeado pelos discípulos. À sua volta desenrola-se esse folclore religioso, feito de ritos externos, de grandes gestos teatrais, frequentemente vazios de conteúdo. Os “doutores da Lei” (geralmente, do partido dos fariseus; estudavam e memorizavam as Escrituras e ensinavam aos seus discípulos as regras – ou “halakot” – que deviam dirigir cada passo da vida dos fiéis israelitas), com as suas vestes especiais e os traços característicos de quem se julgava com direito a todas as deferências, honras e privilégios, são mais um elemento no quadro desse culto de mentira que Jesus tem diante dos olhos.
Em contraponto, Jesus repara no “átrio das mulheres”, onde uma viúva deposita, no tesouro do Templo, a sua humilde oferta (dons voluntários eram feitos com frequência, tendo por finalidade, por exemplo, cumprir votos). As viúvas, no ambiente palestino de então (sobretudo quando não tinham filhos que as protegessem e alimentassem), eram o modelo clássico do pobre, do explorado, do débil.
MENSAGEM
O nosso texto compõe-se, portanto, de duas partes. Na primeira parte (vers. 38-40), Jesus faz incidir a atenção dos seus discípulos sobre o grupo dos doutores da Lei. Aparentemente, os doutores da Lei são figuras intocáveis da comunidade, com uma atitude religiosa irrepreensível. São estimados, admirados e adulados pelo povo, que os tem em alto conceito. Contudo, o olhar avaliador de Jesus não se detém nas aparências, mas penetra na realidade das coisas… Uma análise mais cuidada mostra que esses doutores da Lei são hipócritas e incoerentes: fazem as coisas, não por convicção, mas para serem considerados e admirados pelo povo; procuram os primeiros lugares, preocupam-se em afirmar a sua superioridade diante dos outros, exibem uma devoção de fachada, fazem do cumprimento dos ritos e regras da Lei um espectáculo para os outros aplaudirem… A sua vida é, portanto, um imenso repertório de mentira, de incoerência, de hipocrisia… Como se isso não bastasse, estes doutores da Lei aproveitam-se, frequentemente, da sua posição e da confiança que inspiram – como intérpretes autorizados da Lei de Deus – para explorar os mais pobres (aqueles que são os preferidos de Deus); servem-se da religião para satisfazer a sua avareza, não têm escrúpulos em aproveitar-se boa-fé das pessoas para aumentar os seus proveitos; exploram as viúvas, que lhes confiam a administração dos próprios bens, alinham em esquemas de corrupção e de exploração…
Os doutores da Lei, com os seus comportamentos hipócritas, mostram que os ritos externos, os gestos teatrais, o cumprimento das regras religiosamente correctas não chegam para aproximar os homens de Deus e da santidade de Deus. Ao olhar para a atitude dos doutores da Lei, os discípulos de Jesus têm de estar conscientes de que este não é o comportamento que Deus pede àqueles que querem fazer parte da sua família.
Na segunda parte (vers. 41-44), Jesus convida os discípulos a perceber a essência do verdadeiro culto, da verdadeira atitude religiosa. Em profundo contraste com o quadro dos doutores da Lei, Jesus aponta aos discípulos a figura de uma pobre viúva, que se aproxima de um dos treze recipientes situados no átrio do Templo, onde se depositavam as ofertas para o tesouro do Templo. A mulher deposita aí duas simples moedas (dois “leptá”, diz o texto grego. O “leptá” era uma moeda de cobre, a mais pequena e insignificante das moedas judaicas); contudo, aquela quantia insignificante era tudo o que a mulher possuía. Ninguém, excepto Jesus, repara nela ou manifesta admiração pelo seu gesto. Apenas Jesus – que lê os factos com os olhos de Deus e sabe ver para além das aparências – percebe naquelas duas insignificantes moedas oferecidas a marca de um dom total, de um completo despojamento, de uma entrega radical e sem medida. O encontro com Deus, o culto que Deus quer passa por gestos simples e humildes, que podem passar completamente despercebidos, mas que são sinceros, verdadeiros, e expressam a entrega generosa e o compromisso total. O verdadeiro crente não é o que cultiva gestos teatrais e espampanantes, que impressionam as multidões e que são aplaudidos pelos homens; mas é o que aceita despojar-se de tudo, prescindir dos seus interesses e projectos pessoais, para se entregar completa e gratuitamente nas mãos de Deus, com humildade, generosidade, total confiança, amor verdadeiro. É este o exemplo que os discípulos de Jesus devem imitar; é esse o culto verdadeiro que eles devem prestar a Deus.
ACTUALIZAÇÃO
• Qual é o verdadeiro culto que Deus espera de nós? Qual deve ser a nossa resposta à sua oferta de salvação? A forma como Jesus aprecia o gesto daquela pobre viúva não deixa lugar a qualquer dúvida: Deus não valoriza os gestos espectaculares, cuidadosamente encenados e preparados, mas que não saem do coração; Deus não se deixa impressionar por grandes manifestações cultuais, por grandes e impressionantes manifestações religiosas, cuidadosamente preparadas, mas hipócritas, vazias e estéreis… O que Deus pede é que sejamos capazes de Lhe oferecer tudo, que aceitemos despojar-nos das nossas certezas, das nossas manifestações de orgulho e de vaidade, dos nossos projectos pessoais e preconceitos, a fim de nos entregarmos confiadamente nas suas mãos, com total confiança, numa completa doação, numa pobreza humilde e fecunda, num amor sem limites e sem condições. Esse é o verdadeiro culto, que nos aproxima de Deus e que nos torna membros da família de Deus. O verdadeiro crente é aquele que não guarda nada para si, mas que, dia a dia, no silêncio e na simplicidade dos gestos mais banais, aceita sair do seu egoísmo e da sua auto-suficiência e colocar a totalidade da sua existência nas mãos de Deus.
• Como na primeira leitura, também no Evangelho temos um exemplo de uma mulher pobre (ainda mais, uma viúva, que pertence à classe dos abandonados, dos débeis, dos mais pobres de entre os pobres), que é capaz de partilhar o pouco que tem. Na reflexão bíblica, os pobres, pela sua situação de carência, debilidade e necessidade, são considerados os preferidos de Deus, aqueles que são objecto de uma especial protecção e ternura por parte de Deus. Por isso, eles são olhados com simpatia e até, numa visão simplista e idealizada, são retractados como pessoas pacíficas, humildes, simples, piedosas, cheias de “temor de Deus” (isto é, que se colocam diante de Deus com serena confiança, em total obediência e entrega). Este retrato, naturalmente um pouco estereotipado, não deixa de ter um sólido fundo de verdade: só quem não vive para as riquezas, só quem não tem o coração obcecado com a posse dos bens (falamos, naturalmente, do dinheiro, da conta bancária; mas falamos, igualmente, do orgulho, da auto-suficiência, da vontade de triunfar a todo o custo, do desejo de poder e de autoridade, do desejo de ser aplaudido e admirado) é capaz de estar disponível para acolher os desafios de Deus e para aceitar, com humildade e simplicidade, os valores do Reino. Esses são os preferidos de Deus. O exemplo desta mulher garante-nos que só quem é “pobre” – isto é, quem não tem o coração demasiado cheio de si próprio – é capaz de viver para Deus e de acolher os desafios e os valores do Reino.
• A figura dos doutores da Lei está em total contraste com a figura desta mulher pobre. Eles têm o coração completamente cheio de si; estão dominados por sentimentos de egoísmo, de ambição e de vaidade, apostam tudo nos bens materiais, mesmo que isso implique explorar e roubar as viúvas e os pobres… Na verdade, no seu coração não há lugar para Deus e para os outros irmãos; só há lá lugar para os seus interesses mesquinhos e egoístas. Eles são a antítese daquilo que os discípulos de Jesus devem ser; não apreciam os valores do Reino e, dessa forma, não podem integrar a comunidade do Reino. Podem ter atitudes que, na aparência, são religiosamente correctas, ou podem mesmo ser vistos como autênticos pilares da comunidade do Povo de Deus; mas, na verdade, eles não fazem parte da família de Deus. Nunca é demais reflectirmos sobre este ponto: quem vive para si e é incapaz de viver para Deus e para os irmãos, com verdade e generosidade, não pode integrar a família de Jesus, a comunidade do Reino.
• Jesus ensina-nos, neste episódio, a não julgarmos as pessoas pelas aparências. Muitas vezes é precisamente aquilo que consideramos insignificante, desprezível, pouco edificante, que é verdadeiramente importante e significativo. Muitas vezes Deus chega até nós na humildade, na simplicidade, na debilidade, nos gestos silenciosos e simples de alguém em quem nem reparamos. Temos de aprender a ir ao fundo das coisas e a olhar para o mundo, para as situações, para a história e, sobretudo, para os homens e mulheres que caminham ao nosso lado, com o olhar de Deus. É precisamente isso que Jesus faz.
• Uma das críticas que Jesus faz aos doutores da Lei é que eles se servem da religião, da sua posição de intérpretes oficiais e autorizados da Lei, para obter honras e privilégios. Trata-se de uma tentação sempre presente, ontem como hoje… Em nenhum caso a nossa fé, o nosso lugar na comunidade, a consideração que as pessoas possam ter por nós ou pelas funções que desempenhamos podem ser utilizadas, de forma abusiva, para “levar a água ao nosso moinho” e para conseguir privilégios particulares ou honras que não nos são devidas. Utilizar a religião para fins egoístas é um comércio ilícito e abominável, e constitui um enorme contra-testemunho para os irmãos que nos rodeiam.

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 32º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. BILHETE DE EVANGELHO.
Naquele dia, no templo, havia muitos ricos e uma pobre viúva. Só Jesus repara nesta mulher cuja pobreza é dupla, financeira e afectiva. Os ricos fazem barulho com as suas mãos que depositam no tronco grandes somas. A mulher é mais discreta, só Jesus consegue ouvir cair as duas pequenas peças. Uma vez mais, Jesus não se contenta em ver as aparências, procura ver o coração. Ele vê que aquilo que distingue a pobre viúva dos ricos é o seu coração que motiva a primeira a tomar sobre a sua indigência, os segundos sobre o seu supérfluo. Parece que a mulher não contou, não negociou com Deus, ela deu tudo, tudo o que tinha para viver. Os ricos dão com boa consciência, a mulher dá com bom coração. É por isso, diz Jesus, que ela deu mais do que toda a gente, não em quantidade, mas em generosidade.
3. À ESCUTA DA PALAVRA.
Jesus discreto no templo… Vê os ricos, mas a sua atenção vira-se para a pobre viúva. Olhar curioso, inquiridor? Não! Como seu Pai, Jesus ultrapassa as aparências, vê o coração. A viúva deu toda a sua vida, tudo o que tinha. Não se questiona sobre como vai viver a seguir. Dá um salto no abandono total de si mesma ao Senhor. Ela é verdadeiramente filha de Abraão, o Pai da fé. Espera contra toda a esperança. Lança-se nos braços de Deus. Ao olhar esta pobre viúva, Jesus devia pensar certamente em si mesmo… Também nós somos reenviados a nós mesmos. Não se trata daquilo que damos no peditório, em cada domingo! Trata-se da nossa fé, da confiança que damos ao nosso Pai dos céus. Todos nós conhecemos momentos em que tudo escurece, em que não temos mais apoios, em que a nossa vida parece tremer. É então que se pode verificar a solidez da nossa fé, da nossa confiança. “Senhor, eu creio, mas vem em auxílio da minha pouca fé! Pai, entrego-me nas tuas mãos!”
4. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
A oração silenciosa… Para nos colocarmos sob o olhar de Jesus, tomemos nesta semana tempo para a oração silenciosa. Esta não deve ser “vazia”. É um tempo em que nos pomos na presença do Senhor e em que, depois de algumas palavras de louvor, o silêncio nos ajuda a sentir o olhar amoroso de Cristo.

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
portugal@dehonianos.org – www.dehonianos.org


Dedicação da Basílica de S. João de Latrão-Dehonianos


09/11/2015

Dedicação da Basílica de S. João de Latrão

 A Basílica do Santíssimo Salvador, ou de S. João de Latrão, foi fundada pelo Papa Melquíades (311-314) sobre a colina de Latrão. Aí se celebraram sessões de cinco Concílios Ecuménicos. Aí o Papa celebra a Missa da Ceia do Senhor, em quinta-feira santa. Aí multidões de presbíteros e bispos foram ordenados ao longo dos séculos. Daí partiram muitos missionários para os cinco continentes. Uma vez que o Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, tem a sua sede na Basílica de Latrão, essa igreja é justamente chamada “mãe e cabeça de todas as igrejas”, como se lê no seu frontispício. O aniversário da sua Dedicação é celebrado como festa litúrgica, desde o século XII.

Lectio

Primeira leitura: Ezequiel 47, 1-2.8-9.12
Naqueles dias, o Anjo conduziu-me para a entrada do templo, e eis que saía água da sua parte subterrânea, em direcção ao oriente, porque o templo estava voltado para oriente. A água brotava da parte de baixo do lado direito do templo, a sul do altar. 2Fez-me sair pelo pórtico setentrional e contornar o templo por fora, até ao pórtico exterior oriental; vi rebentar a água do lado direito. 8Ele disse-me: «Esta água corre para o território oriental, desce para a Arabá e dirige-se para o mar; quando chegar ao mar, as suas águas tornar-se-ão salubres. 9Por onde quer que a torrente passar, todo o ser vivo que se move viverá. O peixe será muito abundante, porque aonde quer que esta água chegar, tornar-se-á salubre; e a vida desenvolver-se-á por toda a parte aonde ela chegar. 12Ao longo da torrente, nas suas margens, crescerá toda a sorte de árvores frutíferas, cuja folhagem não murchará e cujos frutos nunca cessam: produzirão todos os meses frutos novos, porque esta água vem do santuário. Os frutos servirão de alimento e as folhas, de remédio.
O tema da manifestação da Glória de Javé na terra de Israel, no meio do seu povo, no templo, como centro vivificante, atinge, a sua máxima expressão no texto de Ezequiel, que hoje escutamos. A presença da Glória de Deus no meio de Israel provocará transformações, que trarão ao povo as mesmas condições de vida do início, da criação. Os quatro rios paradisíacos são agora uma única torrente que irrompe da entrada do templo e desce até Arabá pelo lado direito do mesmo templo. Começando por ser um simples arroio, vai crescendo até se tornar uma torrente intransponível, que fertiliza os campos até ao Mar Morto. O próprio Mar Morto volta a encher-se de vida, porque as suas águas salgadas se tornam salubres. Na nova Jerusalém dos tempos escatológicos, a presença de Javé será uma bênção manifestada em poder vivificante e criador. Este simbolismo da água é retomado pelo Novo Testamento: do Lado aberto de Cristo, templo de Deus no meio dos homens, brotará o Espírito que tudo renova e recria, verdadeira fonte de águas vivas que jorram para a vida eterna.

Segunda leitura: 1 Coríntios 3, 9c-11.16-17
Irmãos: Vós sois o edifício de Deus. 10Segundo a graça de Deus que me foi dada, eu, como sábio arquitecto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele. Mas veja cada um como edifica, 11pois ninguém pode pôr um alicerce diferente do que já foi posto: Jesus Cristo. 16Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 17Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós.
A construção da Igreja é realizada por impulso da misteriosa dinâmica divina, sob o alicerce que é Jesus Cristo. O contributo humano necessário, por vontade de Deus, será avaliado, não segundo a dignidade da tarefa encomendada, mas segundo o esforço voluntário de cada um. Tanto faz ser arquiteto como pedreiro! Mas o templo de Deus é a própria comunidade humana. É aí que Deus quer habitar. Os outros templos, mais ou menos grandiosos, hão-de ajudar a que, todos e cada um, se tornem templo do Deus vivo.

Evangelho: João 12, 13-22
Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14Encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas nos seus postos. 15Então, fazendo um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas pelo chão e derrubou-lhes as mesas; 16e aos que vendiam pombas, disse-lhes: «Tirai isso daqui. Não façais da Casa de meu Pai uma feira.» 17Os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devora. 18Então os judeus intervieram e perguntaram-lhe: «Que sinal nos dás de poderes fazer isto?» 19Declarou-lhes Jesus, em resposta: «Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!» 20Replicaram então os judeus: «Quarenta e seis anos levou este templo a construir, e Tu vais levantá-lo em três dias?» 21Ele, porém, falava do templo que é o seu corpo. 22Por isso, quando Jesus ressuscitou dos mortos, os seus discípulos recordaram-se de que Ele o tinha dito e creram na Escritura e nas palavras que tinha proferido.
Jesus entrara em Jerusalém como vencedor da morte e senhor da vida - ressuscitara Lázaro; entrara no ambiente próprio de um rei triunfante, como indicavam os ramos de palmeira associados ao triunfo dos Macabeus (cf. 1 Mac 13, 50-52; 2 Mac 10, 1-9). Mas é ele próprio que encontra um jumento e monta nele. Não é, pois, o Messias no sentido que o povo esperava, mas o Messias anunciado por Zacarias (cf. Zc 9, 9). Só a partir da sua morte e ressurreição, graças à presença do Espírito, é que tudo isto é entendido pelos próprios apóstolos. Ao contrário do que se pensava, não é o povo que dá autoridade a Jesus, mas o Pai. O seu reino também não é deste mundo. Por isso, os judeus nada tinham a temer, quando verificaram: “toda a gente vai atrás d´Ele.”

Meditatio
Hoje a Igreja-Mãe chama-nos para Roma a fim de, ao menos em espírito, celebrarmos com ela o aniversário da Dedicação da Sé Catedral do Papa, que não é, como muitos julgam, a Basílica de S. Pedro do Vaticano, mas é exatamente a Basílica de S. João de Latrão. 
A liturgia hodierna sublinha claramente o significado da igreja-edifício, como sinal visível do único verdadeiro templo que é o corpo pessoal de Cristo e o seu corpo místico, que é a Igreja, que celebra num determinado lugar o culto em espírito e em verdade (cf. Jo 4, 23; At 2, 46s.). Para além da sacralização do espírito material, somos estimulados a colher em Cristo homem-Deus a verdadeira sacralidade que, a partir dele, se comunica a todo o povo santo e sacerdotal, batizado e crismado no Espírito, unido ao sumo e eterno sacerdote na única oblação (Heb 10, 14). 
A casa do povo de Deus, no que diz respeito à estrutura, ao decoro e à funcionalidade, deve ser tida a peito por todos os crentes, que nela renascem para a vida divina, e que nela serão abençoados para o último êxodo pascal, rumo à pátria. É casa de todos e, como tal, deve ser cuidada e guardada com amor também no seu aspeto exterior, que é sinal da nossa pureza interior” (CEI, Rito da Dedicação de uma igreja, Orientações Pastorais, Roma 1981, 12-14).
Na festa da Dedicação da Catedral de Roma, sigamos um conselho do P. Dehon: “Renovemos a nossa devoção e a nossa confiança para com a Igreja romana. Sejamos dóceis a todos os seus ensinamentos, a todas as suas orientações. Amemo-la, veneremo-la tanto mais quanto mais ela for atacada e combatida. Rezemos pelo Soberano Pontífice e pela Igreja”. (Leão Dehon, OSP 3, p. 70).

Oratio
Senhor, Pai santo, nós vos damos graças. Nesta casa visível, que nos destes a graça de construir, incessantemente concedeis os vossos favores à vossa família, que, neste lugar, peregrina para Vós. Aqui nos dais o sinal admirável da vossa comunhão connosco e nos fazeis participar no mistério da vossa aliança: aqui edificais o vosso templo, que somos nós, e fazeis crescer a Igreja, presente em toda a terra, na unidade do Corpo do Senhor, que, um dia, tornareis perfeita na visão da paz da celeste Jerusalém. Com os Anjos e os Santos, nós Vos louvamos, no templo da vossa glória. Ámen. (cf. Prefácio da Missa).

Contemplatio
As grandes ordenações em S. João de Latrão são realmente emocionantes. A cerimónia é feita no coro da Basílica, ao pé da mesa da Ceia, testemunha da primeira ordenação no Cenáculo, junto das sagradas cabeças de S. Pedro e de S. Paulo, que depois de Jesus, são a nascente do sacerdócio, e nesta igreja que é a cabeça e a mãe de todas as igrejas. Sobre estas lajes prostraram-se, depois de S. Silvestre e de Constantino, muitos milhares de padres que vinham receber a unção sacerdotal ou a consagração episcopal. Daí partiram os apóstolos de tantas nações. Aí renova-se cada ano a nascente do apostolado pelas ordenações de clérigos de todas as nações. Experimentei aí as mais profundas e as melhores emoções da minha vida. (Leão Dehon, Memórias (NHV), 65-66).
Actio
Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
“O templo de Deus é santo, e esse templo sois vós” (1 Cor 3, 17).

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Dedicação Da Basílica De Latrão (9 de Novembro)