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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Meu Senhor e meu Deus!-Padre Antonio Queiroz



Meu Senhor e meu Deus!
Hoje celebramos a festa do Apóstolo S. Tomé. O Evangelho narra que na primeira Missa de domingo celebrada na Igreja, no dia da ressurreição de Jesus, Tomé não estava presente. Pronto, já entrou minhoca na sua cabeça. A fé fraquejou e ele começou a duvidar da ressurreição de Jesus. “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
Mas felizmente Tomé pertencia a uma boa Comunidade. Seus irmãos na fé o procuraram durante a semana e disseram: “Vimos o Senhor!” No domingo seguinte, Tomé estava na Missa. Jesus apareceu novamente e fez tudo o que ele queria: Mostrou-lhe as mãos, pediu que ele tocasse no seu lado... Em seguida fez um apelo a Tomé: “Não sejas incrédulo, mas fiel!”. E Jesus elogiou a todos os que crêem sem ter visto a ele, entre os quais estamos todos nós.
A fé é uma graça. Ela nos leva a acreditar em coisas que não vemos, mas que nos são reveladas por Deus. As verdades transcendentes, nas quais nós cremos, vão além dos nossos sentidos e da nossa inteligência. No entanto, pela graça de Deus, temos mais certeza a respeito delas do que daquelas coisas que os nossos sentidos percebem.
A fé está muito ligada à vida em Comunidade, especialmente à Missa no domingo. Ovelha separada do rebanho, o lobo pega.
A fé é a base da vida cristã. Se não fosse a fé, não haveria casais perseverando no matrimônio, não haveria padres e religiosos fiéis à sua vocação, e não haveria os milhares de santos e mártires que temos.
Um dia os judeus se aproximaram de Jesus e disseram: “Até quando nos deixarás em suspenso? Se tu és o Messias, o Cristo, dize-nos abertamente!” (Jo 10,24). A revelação sempre deixa uma margem para a nossa vontade e para a liberdade. Se a revelação fosse como “dois mais dois são quatro”, ela passaria por cima da nossa fé, pois a evidência força a inteligência humana a aceitar. Jesus respondeu a eles: “Eu já vos disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome de meu Pai dão testemunho de mim. Vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas” (Jo 10,25-26). Jesus fala que a fé está ligada com a obediência a ele (suas ovelhas). Em outro discurso, Jesus fala quase a mesma coisa: “Quem me ama será amado por meu Pai. Eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,21).
O livro do profeta Jeremias tem uma passagem muito parecida com o Sl 1: “Assim diz o Senhor: maldito a pessoa que confia no ser humano, que na carne busca a sua força e afasta do Senhor seu coração! Será como um arbusto no deserto, nunca vê chegar a chuva... Bendito aquele que confia no Senhor, o Senhor mesmo será sua segurança. Ele será como árvore plantada à beira d’água, que deita raízes rumo ao rio, nem vê chegar o tempo do calor. Suas folhas estão sempre verdejantes. Nem se preocupa com um ano de seca, e o seu fruto nunca deixa de produzir” (Jr 17,5-8).
Tomé era pescador. Temos poucas informações sobre a vida dele. Mas a tradição diz que pregou o Evangelho no Oriente, onde morreu mártir. Portanto, depois da bronca de Jesus, e da sua profissão de fé – “Meu Senhor e meu Deus” – perseverou até o fim da vida. Todos nós estamos crescendo na fé; o importante é caminhar sempre para frente, como fez Tomé.
Havia, certa vez, um pai de família que já estava velho, e sentiu que estava perto da morte. Então chamou seus três filhos, deu a cada um dez moedas de prata e lhes disse: “Aquela sala ali está vazia. Eu peço a cada um de vocês que, com esse dinheiro, encha a sala. A melhor iniciativa será premiada”. Tudo bem. O primeiro saiu e comprou algodão. Encheu a sala de algodão. O segundo comprou penas. Penas bonitas de diversas aves. Esparramou as penas no chão, cobrindo o piso de toda a sala. O terceiro comprou uma lamparina. Acendeu-a e colocou no meio da sala, enchendo a sala de luz. O pai elogiou a criatividade dos três, mas deu o prêmio ao último, porque foi realmente um sábio.
A fé é uma luz derramada por Deus em nossos corações, com a qual iluminamos os ambientes em que vivemos. Ser cristão é ser luz, iluminando o caminho da felicidade e da vida.
Maria Santíssima é chamada Mulher de fé. Ela é nosso modelo nesse ponto. Santa Maria, rogai por nós!
Meu Senhor e meu Deus!




terça-feira, 1 de julho de 2014

O convite -Alexandre Soledade

14 de julho - Segunda - Evangelho - Mt 10,34-11,1

Bom dia!O convite feito aos apóstolos se estendia a todos, e após alertá-los do mundo de lobos que enfrentariam para levar a Boa Nova, Jesus deixa claro o “rastro de graças” a todos que cooperassem com a prática do “caminho”.
Um antigo e conhecido conto narra as idas e vidas de um homem que levava água em potes de barro da fonte até sua casa. O conto narra que um dos potes estava rachado e no transitar a água caía pelo caminho. Após tantas idas e vindas nota que o caminho se tornara florido, lado que correspondia ao lado do pote rachado (…)
Acredito que todos conhecem essa história, mas por que a trouxe para essa reflexão?
Creio que muito mais que água fresca, um local para dormir, um cobertor, uma cesta básica, (…) as pessoas para continuarem no caminho precisam ser ouvidas. Na verdade o grande mal do mundo, que dizem ser a depressão, é a indiferença humana
A indiferença faz brotar no coração a semente do ódio e não estou exagerando nesse argumento. É preciso deixar bem claro que abandoná-la é tão difícil quanto oferecer a outra face a quem nos agrediu
Posso me atrever a dizer que existe a indiferença ativa e a passiva, sendo que a primeira é movida exclusivamente pela raiva, pela dor, pelo rancor, pela falta de perdão, pela auto defesa, e todos os sentimentos que voluntariamente expressamos contra outra pessoa ou situação, mas o que de fato preocupa é a passiva.
A indiferença passiva “mata” a flor que torce para que nosso vaso esteja quebrado e assim receber a água fresca que cairá sem perceber. Percebi, num retiro, o poder que tem quinze minutos de atenção para quem sofre ou esta agoniado. E como não perceber também a falta que faz nossa atenção a muitos outros irmãos e irmãs que desapareceram do nosso olhar e nunca mais foram procurados
“(…) Tomai precaução, meus irmãos, para que ninguém de vós venha a perder interiormente a fé, a ponto de abandonar o Deus vivo. Antes, animai-vos mutuamente cada dia durante todo o tempo compreendido na palavra hoje, para não acontecer que alguém se torne empedernido com a sedução do pecado. Porque somos incorporados a Cristo, mas sob a condição de conservarmos firme até o fim nossa fé dos primeiros dias“. (Hebreus 3, 12-14)
Todo dia, ao sair para o trabalho, vejo uma jovem senhora que fez seminário de vida. Lembro o quanto ela foi tocada por Deus naquele encontro, mas hoje noto que ao passar por mim ela abaixa a cabeça, meio que se esconde. O que será que ela pensa? Será que ela pensa que eu a esqueci, que tudo que foi pregado ou ensinado foi da boca pra fora? E quantos como ela também estão por ai, abaixando a cabeça ou atravessando a rua para não nos olhar nos olhos?
Sim, às vezes alguns temem nossos pré-julgamentos por voltarem a vida que tinham antes (quem somos nós para julgá-los); outros têm a impressão que os esquecemos (e de fato é meio que verdade); outros porém acreditam que “nos achamos” (as vezes sim, infelizmente); outros que o encanto acabou (a semente encontrou um solo pedregoso), (…), mas independente disso somos convidados a levar á água fresca; somos convidados a não nos importar de fazermos trabalho dobrado por nosso vaso estar quebrado…
Talvez o “nosso pai e nossa mãe” do evangelho de hoje sejam nosso orgulho e nossa vaidade. Talvez seja o medo de atravessar a rua e falar bom dia; a preguiça de pegar o telefone e ligar… Ao irmos às pessoas, abrimos as portas para um segundo encontro com Deus “(…) Quem recebe vocês está recebendo a mim; e quem me recebe está recebendo aquele que me enviou”.
Por fim
“(…) Pode-se pecar de diversas maneiras contra o amor de Deus: a indiferença negligência ou recusa a consideração da caridade divina, menospreza a iniciativa (de Deus em nos amar) e nega sua força. A ingratidão omite ou se recusa a reconhecer a caridade divina e a pagar amor com amor”. (Catecismo da Igreja Católica § 2094)
Um imenso abraço fraterno.


Há quanto tempo você não é tocado? -Jailson Ferreira

13 de julho - DOMINGO-Evangelho - Mt 13,1-23


Uma das particularidades mais fascinantes de Jesus é a capacidade de revelar um jeito novo de enxergar as situações corriqueiras do dia-a-dia. É essa sensibilidade que é típica do artista, que vê a mesma cena que os outros vêem, passa pelas mesmas dores e alegrias que todos passam, mas consegue encher de significado até o mais simples gesto... E sabe para quê o artista faz a sua arte? Para eternizar um momento que ele não quer mais esquecer. Você quer saber se tem essa sensibilidade?

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Em uma de suas pregações, o nosso querido Padre Fábio de Melo recebeu de presente um bonsai de uma menina chamada Ana Cláudia, de Mauá/SP. Por ser um dos padres mais queridos da Canção Nova, ele recebe vários presentes diariamente, mas ele disse que esse foi especial. Não pelo presente, mas pelo email que ele recebeu após o presente, no qual a Ana Cláudia descreveu o que se passou no seu coração nos momentos antes de entregar-lhe o presente. No email, ela fala das suas mãos trêmulas, devido ao nervosismo de se aproximar de alguém que ela tanto admirava. O Padre Fábio disse que, ao final do email, estava chorando. Ele disse que o bonsai poderia até morrer, por ele não saber cuidar, mas que a sensação que ela o fez sentir, essa nunca iria morrer. A partir daquele email, cada vez que ele perceber a aproximação de alguém com um presente nas mãos trêmulas, isso vai ter um novo significado... talvez até chore, ao lembrar do que significa...
Mas todos nós temos aqueles dias em que estamos estressados, impacientes, e que nada nos sensibiliza... Você também é assim? Tudo bem, isso acontece com todo mundo. O problema é quando nos entregamos a esses momentos, e permitimos que, aos poucos, os nossos pensamentos se acomodem e a nossa vida vá ficando monótona, rotineira, morna, ou como diria o Padre Fábio: mais ou menos.
Quando Jesus disse que "não só de pão vive o homem", ele estava falando que também temos necessidades da alma para poder viver plenamente. Nós necessitamos colocar significado, sentido nas coisas! Quando somos crianças ficamos encantados cada vez que descobrimos algo novo. Por que perdemos essa capacidade de admirar-se com as descobertas a medida que o tempo vai passando?
No Evangelho de hoje Jesus diz que falava em parábolas para que os de coração duro ouvissem, mas não entendessem. "Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure." E aqui vem a parte triste, meu irmão: quando assistimos uma pregação, ou lemos um texto bíblico sem a abertura necessária, essa palavra de Jesus é também para nós! E eu confesso que, muitas vezes, já me encaixei nestas palavras.
Quer saber como está o terreno do seu coração para receber a semente de hoje? Então me responda: quando foi a última vez que você se sentiu tocado ao ouvir uma música, escutar uma palavra, ver uma cena, lembrar um momento da sua vida...? "Ah... Faz tempo, meu amigo... nem lembro mais..." Então, meu amigo, será que já não está na hora de voltar a pôr um pouquinho mais de significado nas pequenas coisas? Algumas pessoas passam a ver a vida com outros olhos, após sobreviverem a um acidente grave. Será que precisamos passar por isso para valorizar os pequenos milagres de cada dia?
"Olhai os lírios do campo..." "Um semeador saiu a semear..." "Viram aquela viúva que ofertou uma moeda?" "Um fariseu e um cobrador de impostos entraram no templo para rezar..." "Um pai tinha dois filhos..." Todas essas cenas estão aí, todos os dias, diante dos nossos olhos... Se o terreno do seu coração acolheu bem a semente, a árvore que vai nascer dele será capaz de ver, ouvir, compreender e transmitir a BELEZA ESCONDIDA em tudo o que nos cerca...
Essa música da Adriana tem uma pergunta intrigante: "Qual é a chave do seu coração?" Você saberia responder?

 

Teste sua Coragem-Jailson Ferreira

12 de julho - Sábado-Evangelho - Mt 10,24-33
Jailson Ferreira
Teste sua Coragem
Baseado no Evangelho de hoje, vou propor algumas situações e gostaria que você pensasse em como você se sentiria em cada uma.

1ª Situação: Você está sendo convidado para falar sobre Jesus em uma reunião do seu grupo da igreja, com 10 a 15 pessoas que participam das missas, do seu grupo de oração, e que você só encontra na igreja.

2ª Situação: Você está sendo convidado para falar sobre Jesus para pessoas que você não conhece, em uma escola de ensino médio, com adolescentes de 11 a 16 anos, dos quais a maioria nunca teve contato com a igreja, e além disso ironizam e escarnecem de quem toca nesse assunto, entre os seus próprios colegas.

3ª Situação: Você percebe que o seu ambiente de trabalho precisa melhorar o clima, a relação inter-pessoal, e sente falta de Deus nas pessoas. Você sabe o que está faltando, tem a solução, mas sabe que vai encontrar resistência de um lado, e apoio de outro. E no desenrolar do assunto, a sua própria posição pode ser ameaçada e a sua imagem denegrida.

4ª Situação: Você está sendo convidado a falar sobre Jesus na sua casa, com a sua família. Sabendo que, dependendo da forma que abordar o assunto, poderá passar por ridículo (e receber o deboche ou a indiferença), ou poderá encontrar abertura (e começar um tempo de graça no seu lar).

Você já passou por quantas situações assim? Eu sei... Muitas, muitas, muuuitas!!! E quantas vezes você sentiu receio em situações assim? Eu posso responder por você... QUASE TODAS AS VEZES. Talvez a primeira situação seja muito fácil. É muito fácil falar de Jesus na igreja. Mas as outras situações são bastante desafiadoras! Entre os amigos de colégio, ninguém quer ser excluído dos grupinhos, e para isso têm que se adequar às regras do grupo que quer integrar. No trabalho, quem não tem medo de ser estereotipado? A regra que vale na maior parte do mundo dos negócios é não misturar trabalho com religião. E em casa, para muitos, é ainda mais difícil... No ambiente de casa, cada um se julga profundo conhecedor da vida do outro (principalmente os mais velhos em relação aos mais novos). Em casa, cada um se mostra como é de verdade, e defeitos como o orgulho, a competição e a impaciência são capazes de criar uma casca dura em torno de um frágil coração.
É sabendo disso que Jesus diz no Evangelho de hoje: "Não tenhais medo!" Na época dEle, os discípulos poderiam ser condenados à morte só por falar em Jesus. Hoje, não chegamos a ser ameaçados de morte, mas somos ameaçados de exclusão. E é pelo medo de exclusão que tantas vezes evitamos falar de Deus. Repare se não é isso o máximo que pode acontecer: você ser excluído de um grupo. Até mesmo da própria família! Jesus já dizia: "Filhos vão se voltar contra os pais, e pais vão se voltar contra os filhos, por causa de mim!" E diante dessa possibilidade, o que você prefere? Ficar do lado de Jesus e correr todos os riscos? Ou omitir Jesus para poder continuar fazendo parte do grupo?
"Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus." (Mt 10,32-33)


Seguidores do “caminho” -Alexandre Soledade

11 de julho - Sexta-Evangelho - Mt 10,16-23


Bom dia!
Reafirmo: Ninguém disse que seria fácil manter a fé!
A sociedade e o tempo em que Jesus manifestou essas palavras eram cercados de medos. Um tempo onde primos, sobrinhos, netos, (…) eram chamados de filhos e irmãos. Um tempo onde já se vivia em cidades, mas que nos módulos básicos de convivência ainda carregavam a idéia de clãs, tribos, próximos…
Muitos filhos não tinham respeito por seus pais ao ponto de entregá-los, roubá-los, matá-los por causa de heranças, pastos, ovelhas, por nada. Uma época onde os adeptos de Jesus eram chamados de seguidores do “caminho”, pois ainda não havia a expressão “cristãos” ou cristianismo.
“(…) Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais. E vós conheceis o caminho para ir aonde vou. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho? Jesus lhe respondeu: EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA; ninguém vem ao Pai senão por mim. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto”. (João 14, 3-6)
Esse “caminho” que Jesus ensinava trilhar ia de encontro com os valores da época. O “caminho” pregava que a vida não era centrada na busca do poder e sim da simplicidade; não criava reis ou seres de influencia, pregava o serviço ao próximo; não pregava o uso de holofotes, cargos, promoções para si, dizia não ao orgulho, a arrogância e a prepotência e incrivelmente não dizia nada de errado aos nossos olhos, mas então por que era tão perseguido? Será que algum de nós poderia dizer que o que pregavam era errado?
O intrigante é que ainda somos perseguidos por buscar o caminho.
Um imperador chamado Constantino I após “migrar” de deus em deus buscando conquistas e vitória se viu acuado diante de uma batalha que provavelmente não venceria. Em um sonho ele vê a imagem de uma cruz e nela escrito “IN HOC SIGNO VINCES“ ou simplesmente “sob esse símbolo vencerá”. Ao despertar pediu que fosse pintado nos escudos dos seus guerreiros uma cruz.
A batalha foi vencida e o imperador passou a “tolerar” os seguidores do caminho agora chamados de cristãos. Não há consenso histórico se o imperador de fato assumiu para si o cristianismo, pois também tolerava o paganismo, mas é claro que uma era de perseguições ficava para trás, pois alguém resolveu acreditar.
Ainda hoje, muita gente que persegue o cristianismo também pinta “os escudos com a cruz”, ou seja, são cristãos, mas não conseguem se ver longe das tentações e holofotes do mundo. Duro ver partidos políticos com siglas “cristãos” mas ainda são seduzidos pelo poder e influência; duro ver pessoas que se dizem cristãos e assinar com três pontinhos; duro ver um pecado simples ser maior do que a indiferença; duro ainda ver alguém fazer como Jacó e pular a frente das bênçãos de outro (hunf)…
Quem trabalha em comunidade precisa lutar também contra a intimidação dos pseudos-cristãos que se empenham em aparecer, buscar locais de destaque, coordenações… Somos seguidores do caminho e não dos passos que dão essas pessoas que um dia espero que também sonhem e mudem de atitude como Constantino
Se os “nossos” pararem de nos perseguir, e quando digo “nossos” digo todos que seguem o caminho (cristãos, sejam eles católicos, evangélicos,…), acredito que poderemos cumprir de fato o ultimo desejo de Cristo antes de subir aos céus. “Ide ao mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.
Quem se sente afligido, perseguido, acuado… pode acreditar, tudo isso “faz parte” mas saiba que “IN HOC SIGNO VINCES“
Um imenso abraço fraterno. Bom fim de semana!


Aonde esta o reino de Deus? -Alexandre Soledade

10 de julho - Quinta-Evangelho - Mt 10,7-15

Bom dia!
Aonde esta o reino de Deus? Aonde e por onde já o procuramos? Li certa vez numa camiseta a seguinte frase: “dinheiro não é tudo, é 100%”. Vai saber se é mesmo?
“(…) Porque nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isto. Aqueles que ambicionam tornarem-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições”. (I Timóteo 6, 7-10)
O que é o dinheiro se não temos a paz para gastá-lo?
Precisamos muito do dinheiro para pagar nossas contas e manter nosso padrão de vida e a nossa qualidade de vida, mas ele não nos visita, não nos consola, não nos alegra no dia da tristeza. Vi certa vez na internet um homem que ganhou milhões de dólares na loteria, no entanto hoje tenta recuperar o velho emprego de gari.
Assistindo um documentário do History Channel sobre o paradeiro da arca da aliança os pesquisadores e arqueólogos não descartam a possibilidade que ela, por ser feita de madeira possa ter se desmanchado com o tempo, sobrando apenas o ouro que a revestia.
A arca carregava as tábuas da Lei, que eram de pedra, onde Moisés apresentou ao povo os dez mandamentos. Poderia então tamanho tesouro virado pó junto com a madeira? O que havia de mais precioso lá, as tábuas ou a mensagem?
Do êxodo até os dias atuais, em que momento de nossas vidas não usamos como referência os dez mandamentos? Na criação dos nossos filhos eles estão, nos direitos e deveres públicos eles estão lá também, no entanto o ouro não está.
Precisamos nos empenhar ainda mais a levar a mensagem de um reino de Deus que “paira” sobre nós, mas que insistimos em não ver. Que o dinheiro, as posses, os bens devem ser os adornos e não a vestimenta. Que a busca da felicidade não pode estar condicionada a se acertar na loteria, em ser milionário, (…).
Quem nunca sonhou estar de férias no caribe, na Europa, em Nova York com toda a família, num hotel de luxo numa praia paradisíaca digna de um filme de Hollywood? Como sonhar é bom! Por que então não acrescentamos nesses sonhos que temos a paz, o sorriso de nossos filhos, a presença dos nossos amigos? O ouro pode estar também na realidade que vivemos, esteja acontecendo num fundo de um quintal ou numa laje sem cobertura.
Se recebermos de coração aberto a paz ela será convidada a ficar, com dinheiro ou sem dinheiro! “(…) Que a paz esteja nesta casa! Se as pessoas daquela casa receberem vocês bem, que a saudação de paz fique com elas”.
O que me impressiona é nossa vontade de construir patrimônio e se esquecer dos alicerces que de fato nos sustentam para poder usufruir da conquista. E quanto a questão de onde estaria o reino de Deus… Se de fato as tábuas viraram pó é bem provável que elas até hoje estão no ar, ao nosso redor, sobre nós, sobre os irmãos…
Encontrou? A mensagem sobrevive ao tempo. É ela o verdadeiro patrimônio contido na arca da aliança.
Fecho esse texto com a reflexão proposta pelo site da CNBB, para esse mesmo texto, no ano passado:
“(…) A vida de quem é discípulo de Jesus consiste em fazer as obras do reino de Deus para manifestar a sua presença no meio dos homens. É deixar de lado as suas próprias obras para que, como enviado por Jesus, realize as obras de Deus. Para que isso seja possível, o discípulo de Jesus não deve colocar a sua confiança nos bens materiais, mas em Deus, que tudo proverá para que a sua obra seja coroada de êxito. Com essa confiança em Deus, o discípulo de Jesus deve procurar estar atento a tudo o que acontece ao seu redor, para que não perca nenhuma chance de fazer o bem aos que necessitam dele e possa ser, também, um promotor da paz”.
A exemplo de São Barnabé, nos empenhamos em levar a notícia que muda a vida verdadeiramente. O que levar? o que é importante.
Um imenso abraço fraterno.
 

Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel.- Padre Antonio Queiroz

09 de julho - Quarta-Evangelho - Mt 10,1-7


Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Este Evangelho narra Jesus chamando os doze Apóstolos. “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Nessa recomendação, é importante o advérbio “antes”. O povo de Israel é o povo eleito por Deus que teve a missão de preparar a vinda do Messias, por isso deve receber em primeiro lugar a Boa Nova de Jesus. Mas depois será esclarecido que essa Boa Nova é para todos, sem distinção: “Ide fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Quando Deus faz aliança, ele a cumpre, mesmo que a outra parte não a cumpra.
Assim como os Apóstolos, todos nós somos chamados por Deus para cumprir uma missão. Aliás, Deus não faz nada à toa; tudo o que ele criou tem uma finalidade, e é feita de acordo com aquela finalidade. Aliás, isso acontece também conosco; qualquer pessoa inteligente, se faz um objeto, é para uma finalidade; ninguém faz nada à toa.
O cumprimento da vocação realiza e faz feliz. Já o não cumprimento deixa a pessoa frustrada e “fora do eixo”. Ela fica andando pela vida como um carro sem alinhamento ou sem balanceamento. E isso vale também para os objetos feitos por Deus ou pelo homem. Imagine tentar fincar um prego na parede, usando uma lâmpada! É o martelo que foi feito para isso. Deus criou a flor para perfumar, a abelha para produzir mel e para espalhar as sementes pela terra.
A nossa vocação foi a primeira coisa que Deus pensou, já antes de nos criar, pois fomos criados já adaptados ao seu cumprimento. Deus tem um plano para a humanidade, e quer realizá-lo através das próprias pessoas que ele cria.
Existe o ecossistema, isto é, tudo na natureza é harmonioso e “trabalha” em conjunto, cada coisa desempenhando a sua tarefa, desde a formiguinha até as grandes estrelas. Nós fazemos parte desse conjunto, com um detalhe: somos os reis da criação. Tudo foi feito para nos servir. “Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais... Eis que vos dou todas as plantas...” (Gn 1,26-29).
Os seres irracionais seguem automaticamente o chamado de Deus. Conosco é diferente, temos de seguir livre e conscientemente o chamamento de Deus a nós. Também a descoberta da nossa vocação não nos vem por si, mas é fruto de um trabalho nosso. Descobrir a própria vocação é descobrir o caminho da felicidade.
“Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder...” Assim como Jesus deu poderes aos Apóstolos para cumprirem a sua vocação, ele no-los dá também.
Numa floresta, havia três leões. Como o leão é o rei dos animais, a bicharada queria saber qual dos três era o rei. Numa assembléia, surgiu uma proposta que os leões aceitaram. Havia no local uma montanha alta e rochosa, dificílima de escalar. O leão que conseguisse subir até o topo da montanha seria o rei. Como fiscais foram escolhidas as gaivotas.
O primeiro leão começou a subir, mas desistiu. Ao chegar embaixo, disse para a assembléia: “Não dei conta”. O segundo leão foi, mas chegou a uma rocha enorme e voltou para trás. Disse também para a bicharada: “É impossível subir essa montanha”. O terceiro leão conseguiu ir até um pouco mais na frente, mas também se cansou e voltou. Ele disse para os bichos: “Desta vez eu não consegui. Mas é só por enquanto. No futuro conseguirei escalar essa montanha”. Pronto, este foi coroado rei. Foi por causa das suas duas expressões: “desta vez” e “por enquanto”.
Quem tem fé vai em frente no cumprimento da sua vocação e nunca desanima, porque sabe que tem Deus ao seu lado, o qual tem poder infinito. E quem tem fé tem esperança, sempre acredita que amanhã poderá dar um passo à frente e ir mais longe, no cumprimento da vocação.
Muita gente desiste da própria vocação, devido aos problemas que encontra. Basta ver o matrimônio, o sacerdócio, a vida religiosa...
Que Maria Santíssima, o melhor modelo, depois de Jesus, de resposta vocacional, nos ajude.
Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel.

 

Cristo nos atrai- Alexandre Soledade

08 de julho-Terça-Evangelho - Mt 9,32-38
 Alexandre Soledade
  
Bom dia!
Inicio essa reflexão com um pensamento bem particular: os discípulos de Jesus são conhecidos pelo amor uns aos outros e aos que mais precisam e por eles superam as pressões e os entraves da vida em comunidade.
“(…) O discípulo nasce pelo fascínio do encontro com Cristo e se desenvolve pela força da atração que permanece na experiência de comunhão dos discípulos de Jesus. ‘A Igreja cresce, não por proselitismo, mas ‘por atração: como Cristo atrai tudo para si com a força de seu amor’. A Igreja atrai quando vive em comunhão, pois os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como ele nos amou’“. (CNBB – Documento 87, §89)
Vivemos tempos onde as pessoas não querem mais se responsabilizar umas pelas outras. Tenho “compromissos cristãos” bem definidos, ou seja, participo das celebrações e de uma pastoral ou movimento, ou ajudo nas festas ou ajudo no recolhimento e entrega de materiais de primeira necessidade como roupas, alimentos, (…). Graças a Deus, desses operários a igreja esta bem suprida, mas novos campos precisam ser roçados (internet, livros, CDs, DVDs,…); novos campos precisam ser cuidados (juventude, promoção humana, política, relações sociais, comunicação…) e reconquistar campos abandonados (família, filhos, casamento, amor ao próximo).
O operário que precisamos hoje na messe é extremamente capacitado por Deus, mas muitas vezes pouco utilizado ou aproveitado por nós, às vezes por mera vaidade ou “medo de perdermos o espaço”. Aos pastos repletos de lobos Jesus envia os mais experientes ficando assim o cuidar do rebanho para os que foram ensinados pelo pastor. Mas tenho uma pergunta: onde estão eles?
Muitos pararam no caminho em virtude das perseguições dos próprios filhos de Deus que existem em toda comunidade. Pessoas que por imaturidade e frustrações pessoais “abraçam” a igreja como local para realizarem suas necessidades de ser reconhecido e poder “mandar” em alguém.
Não estou falando nenhuma coisa que não saibamos ou que não vivamos em nossas comunidades; padres nos seminários sofrem com isso também. Não é um conforto, mas se até Jesus teve que enfrentá-los, por que nós não teríamos?
A proposta da CNBB para o evangelho de hoje é bem nesse foco: Dizer para cada um que pensou em desistir a continuar lutando pelo reino de Deus
“(…) Existem pessoas que vivem chorando pelos cantos por causa das ofensas e calúnias das quais são vítimas no trabalho evangelizador. O Evangelho de hoje nos mostra que não deve ser essa a atitude dos discípulos de Jesus. Quando Jesus realiza a expulsão de um demônio, é caluniado, pois afirmam que é pelo poder do mal que ele faz exorcismos. Jesus simplesmente continua a sua caminhada, preocupando-se com o sofrimento e as dores de todos os que encontra pelo caminho e fazendo o bem a todos, olhando a todos com compaixão e preocupando-se porque são como ovelhas que não têm pastor. Assim também devemos ser nós, não devemos viver preocupados com as calúnias que nos são dirigidas, mas sim preocupados em fazer o bem”. (proposta do site da CNBB)
Por que é que mesmo lendo isso ainda me calo, fujo ou desisto?
“(…) Quando Jesus viu a multidão, ficou com muita pena daquela gente porque eles estavam aflitos e abandonados, como ovelhas sem pastor”.
Se me calo, desisto ou “entrego os pontos” o mundo vai aos poucos parar de ouvir meus valores, preceitos e no que acredito. Se parar de acreditar, de denunciar, de aprender é sinal que o mundo conseguiu me mudar.
Não ligue para aqueles que ficam procurando defeitos no seu trabalho. Faça sim uma reflexão permanente se algo do que falam é verdade, no entanto, entendendo e verificando que o motivo da crítica é a inveja ou dor de cotovelo, bata o pé e continue.
Rezemos para que os filhos de Deus não se persigam.
Um imenso abraço fraterno.