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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

DEUS NOS CRIOU PARA A VIDA E NÃO PARA A MORTE – Maria de Lourdes Cury Macedo

DEUS NOS CRIOU PARA A VIDA E NÃO PARA A MORTE – Maria de Lourdes Cury Macedo                
         Segunda-feira, 2 de novembro de 2015.
Evangelho de Mt 5, 48

No mês de novembro celebramos duas datas próximas uma da outra. Neste ano a Solenidade de todos os Santos caiu no domingo dia 01 e Finados, no dia 02.
 O dia de Finados recorda-nos que somos todos peregrinos e que estamos a caminho da pátria definitiva, o céu,  pois pelo batismo fomos feitos filhos e herdeiros de Deus. Nosso Deus nos criou não para a morte, mas para a vida, e vida em plenitude. A Eucaristia, alimento espiritual, que Jesus nos deixou, é garantia de vida eterna. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” diz Jesus. (Jo 6, 54).
Por isso dia de finados é dia de lembrarmos e rezarmos para as pessoas queridas que já não estão mais conosco. É um dia de Saudade e não de tristeza, porque quem morreu já está com Deus na glória eterna.
Na Festa de Todos os Santos celebramos a multidão dos que estão diante de Deus para sempre: todos os santos e os anjos. Todos que estão no céu são santos. Conhecemos o nome de alguns, mas são milhões de santos e santas, desconhecidos que fazem parte da família de Deus e que estão no céu.
Ao celebrar a Festa de Todos os Santos devemos recordar que a VOCAÇÃO de todos nós é a busca da SANTIDADE que se realiza quando estamos intimamente unidos a Cristo.
 Jesus é o mestre e modelo divino de toda a perfeição, de toda a santidade. Ele pregou a santidade a todos, sem distinção de raça, de cor, pobre, rico. . . enfim para a humanidade inteira.
Jesus é o Santo de Deus, Ele é o próprio autor da santidade, que nos convida, nos aconselha: a “Sermos perfeitos como é perfeito o Pai celeste, isto é, Sede Santos como o vosso Pai celeste é Santo”. (Mt 5, 48; 1Pedro 1,15-16; cf.Lv 19,2)
         Jesus pede para nós cristãos, neste evangelho, para sermos melhores, para buscarmos a perfeição, a santidade. Ele pede aos cristãos para irem além daqueles que não são cristãos, ou seja, daqueles que não conhecem e nem seguem a Jesus. Jesus nos quer santos, perfeitos e irrepreensíveis. Ele nos ensina ter: Amor ao próximo gratuitamente, sem esperar recompensa.
         Mas o que é a santidade?
         Quando ouvimos falar em santidade ou em ser santos dizemos, isto não é para mim. Nós dizemos isso porque para nós ser santo é algo tão difícil, tão longe de nós, da nossa fraqueza, dos nossos defeitos e pecados, da nossa realidade que desistimos logo de ser santos pensando que para ser santo é necessário ser mártir, sofrer muito, ser triste..., viver isolado..., não participar de nada.  Até temos medo em pensar em ser santo.
Sabe por que agimos assim? Por que nós não sabemos o que é ser santo. Principalmente nos dias de hoje que o mundo está tão violento, tão egoísta, tão competitivo...  Um mundo onde todos querem levar vantagem em tudo, onde um explora o outro, onde o respeito, o amor, a obediência, a justiça, a boa educação, a solidariedade, a gentileza parece que caiu de moda. Onde todos só pensam em tirar proveito de tudo, onde o prazer, o ter, e o poder estão em alta? É lei gozar a vida! Aproveitar o máximo, não perder nada. Pensar só em si! Nem que para isso tenha que ser desonesto, corrupto, ladrão.... .    Sacrifício, Cruz, nem pensar. . . !!!!
O que é ser santo? Ser santo é deixar o Espírito Santo agir em nós, conduzir a nossa vida. Muitos se tornaram santos porque se abriram à ação do Espírito Santo e viveram para agradar a Deus e ao próximo. Experimentaram Jesus vivo em suas vidas, deixaram Jesus tocar nos seus corações e viveram intensamente o amor por Ele, praticaram a Palavra de Jesus. E para viver assim é preciso construir, lutar contra nossos próprios defeitos e comodismo. É preciso muita renuncia, amor, disponibilidade em servir de acordo com os dons que Deus nos deu. 
Ninguém é santo de braços cruzados, ou já nasce santo, a santidade é conquistada, é construída com a ajuda do Espírito Santo. E quando Deus vai à nossa frente caminhando conosco crescemos no amor, na perfeição, na santidade. A santidade vai se desenvolvendo em nós na medida, que nos abrimos ao Espírito Santo e permitimos que Ele aja na nossa vida. Na medida, que guardamos o Evangelho no coração e vivemos o Amor a todos sem distinção, sem interesse...   sem esperar nada em troca.
Construir a nossa santidade é algo humano e divino. É divino porque Deus nos ajuda, nos guia, nos indica o caminho a seguir. Com a ajuda de Deus ficamos encharcados do seu amor e transformamos a nossa vida e das pessoas que estão ao nosso redor.
Quando nos enchemos de Deus vamos modificando nosso modo de pensar, de falar, de agir, de tratar os outros e, até mesmo de relacionarmos com a gente mesma. Na medida, que  deixamos Jesus reinar no nosso coração nos transformamos e sempre para melhor. Passamos a ser outro Cristo para os nossos irmãos. Passamos a lutar contra nossos defeitos, imperfeições, contra nossos erros, pecados... Não mais queremos pecar. Queremos viver a vida da graça cada vez mais. Enfim, ser santo é lutar para ser melhor, para amar mais e sempre, é lutar para ser fiel ao Evangelho que é a Palavra de Jesus.
O santo não nasce pronto. É um ser humano que fez uma escolha de viver o que Jesus pede: viver a santidade. Escolheu deixar Deus agir em sua vida. Portanto, a santidade é busca espiritual de Deus. É vivência! É vida da busca da perfeição. É a prática, a vivência da Palavra, do Amor.
Santos não são só aqueles que sabemos o seu nome e que foram canonizados pelo Papa, mas todos que morreram na graça de Deus, todos que estão no céu, são santos. Dentre eles, podem estar nossos avós, pais, filhos, netos, parentes, conhecidos, amigos... , que amaram Cristo e viveram uma vida de muito amor, de amor cristão como nos ensina Jesus.
          Os santos são na realidade, irmãos nossos na fé, são exemplos de vida cristã e são nossos intercessores junto de Jesus a quem glorificam. É isso que a Igreja Católica nos ensina. Ela afirma que o único mediador entre os homens e Deus é Jesus.
         O santo é uma pessoa humana, homem ou mulher, que ligada a Cristo pelo batismo, e com a graça do Espírito Santo viveram unidos a Cristo.
         Veneramos os santos por suas virtudes. Respeitamos e guardamos suas imagens ou estampas, por aquilo que elas representam. Porque ao olharmos suas imagens ou estampas nos lembramos, que eles amaram a Deus e que é possível para nós imitá-los em suas virtudes e santidade. Eles são modelos para o nosso modo de viver. É muito bom ler a vida dos santos e procurar segui-los.
A vida deles nos ensina como eles souberam amar a Deus e a todas as pessoas. Eles movidos pelo Espírito Santo deram testemunho do grande amor que tinham dentro de si, atendendo aos irmãos, principalmente aos mais necessitados, de maneira incansável, heroica e até com o martírio, pois muitos morreram por amar o irmão.
         Santidade consiste em fazermos, com a maior perfeição possível, as coisas comuns, todos os dias.  Tudo o que fazemos ou o que somos temos que fazer com amor, buscando o melhor, a perfeição. No trabalho, em casa, na educação dos filhos, como esposa (o), como filho (a), como pai ou como mãe, como genro, nora, como amiga (o), como patrão(ao), na comunidade, enfim na nossa vida comum do dia-a-dia fazer tudo com o AMOR que Cristo nos ensinou.
         Pequenos gestos com amor são de grande valor. Nada é pequeno onde o amor é grande, dizia Santa Terezinha que é exemplo de amor, oração e humildade. Santa Terezinha passou a vida amando o próximo e rezando, oferecendo sacrifícios pela conversão dos pecadores. Morreu com 24 anos. Foi tão humilde que quando ela morreu uma madre disse: não sei o que dizer de Terezinha parece que não temos nada para falar dela. Mas, ela deixou muitas páginas escritas de como ela viveu sem que ninguém percebesse. 
São palavras de Sta Terezinha: “Passarei o meu céu fazendo o bem sobre a terra”.
         Os santos além de serem intercessores nossos junto de Jesus, são modelos e exemplos de vida que nos iluminam e nos fortalecem em nossa caminhada e a melhor maneira de honrá-los é imitar suas virtudes, nisto consiste a nossa devoção a eles: imitá-los.
Meus irmãos e irmãs, peçamos a intercessão de todas as pessoas que durante a sua vida viveram na graça, no amor, na solidariedade e na paz do Senhor e hoje estão no céu glorificando a Deus.
Todos os santos e santas, intercedei por nós.


         Maria de Lourdes

BEM-AVENTURANÇAS: O PONTO ALTO E O CORAÇÃO DO EVANGELHO – Maria de Lourdes Cury Macedo.

BEM-AVENTURANÇAS: O PONTO ALTO E O CORAÇÃO DO EVANGELHO – Maria de Lourdes Cury Macedo.
Domingo, 1 de novembro de 2015
Evangelho de Mt 5, 1-12

         Jesus fez um discurso conhecido como o Sermão da Montanha, as Bem-aventuranças se encontram dentro deste discurso feito por Jesus.
O Sermão da Montanha é um resumo do ensinamento de Jesus a respeito do Reino e da transformação que esse Reino produz. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Elas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus.
         Jesus vivia de acordo com o que Ele anunciava. A Sua mensagem de esperança, de justiça, de igualdade, e, principalmente de amor foi atraindo multidões. A mensagem de Jesus não tinha fronteiras, Ele falava às pessoas vindas de todas as regiões, porque sua Boa-Notícia é para todos os povos.
         Jesus anuncia o Reino e vem provar, por palavras e ações, que o Reino de Deus tinha chegado e estava se realizando na Sua Pessoa.
         Neste texto vemos como Jesus mexe profundamente com a maneira de ver, de agir e de viver de todos nós. Aquilo que Deus ama é o que os homens desprezam. O que constrói o Reino é o que os homens colocam de lado.
         Jesus ensina que onde estão os verdadeiros valores, está a verdadeira felicidade. Esses valores que Jesus mostra, não são os mesmos valores da sociedade. Por isso, Jesus é um sinal de contradição. Ele diz e vive os valores que a sociedade despreza. A sociedade está cada vez mais preocupada com lucros e não pensa, nem procura ajudar aqueles que nada têm.
         Jesus condena os egoístas, os exploradores, os fingidos e os violentos.
         Jesus elogia, valoriza e diz que são bem-aventurados, isto é, são felizes: os pobres, aqueles que agora têm fome, aqueles que agora choram, aqueles que sofrem por causa das coisas de Deus. . . e diz que estas pessoas pertencem ao Reino de Deus.
         Com estas palavras Jesus quer mostrar que a felicidade não está na riqueza, nos lucros e em outros bens que são passageiros, que não fazem as pessoas felizes, fraternas e justas.
         Jesus fala, no Sermão da Montanha, das alegrias que teremos no céu. Ele nos fala dos valores do Reino que garantem nossa felicidade eterna.
         A sociedade no tempo de Jesus explorava o povo. Existia: o Templo e a Lei. Os fariseus faziam a cabeça do povo. A Aliança com Deus era vivida assim: presença no Templo, observância da lei, oração, jejum, esmola, pureza nos ritos, mas era uma pureza externa, física. Doentes e defeituosos não podiam frequentá-los, eram discriminados, excluídos.
         Certo dia, vendo a multidão pobre, explorada, oprimida, sofredora, Jesus sobe a montanha, que simbolicamente é o lugar de Deus para fazer um discurso ao povo que o seguia. Jesus ao subir a montanha nos recorda o Monte Sinai, onde Deus deu à Moisés os 10 mandamentos e onde foi selada a Aliança com o povo  hebreu que saiu da escravidão egípcia. Subindo ao monte, Jesus nos parece um novo Moisés, promulgador da nova lei, no novo Sinai. É a nova constituição do povo de Deus dada por Jesus. No entanto, Jesus deixa bem claro que não veio modificar a lei, isto é, os 10 mandamentos, mas sim aperfeiçoar a lei.
         O Sermão da Montanha é um sermão revolucionário. Jesus “vira a mesa”. É uma inversão dos valores tradicionais. Os hebreus cultivavam a convicção de que prosperidade material, o sucesso, eram sinais de bênçãos de Deus; a pobreza, a doença, a esterilidade eram sinais de maldição.
         Jesus constata a realidade do povo que o segue: pobres, aflitos, mansos, famintos, Ele percebe os esforços que fazem para mudar a situação, conhece as dificuldades e as perseguições que enfrentam para criar a nova sociedade, e os proclama felizes, porque a eles são confiados o Projeto de Deus.
As Bem-aventuranças são propostas de felicidade, e Jesus chama de bem-aventurados os pobres e humildes. Agora os bem-aventurados não são mais os ricos deste mundo, os saciados, os favorecidos, mas os que têm fome e choram, os pobres e perseguidos.
         O que nos diz as Bem-aventuranças hoje?               
         A sociedade que vivemos é baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. Nesta sociedade as palavras: honestidade, moral, verdade, respeito, justiça e amor, perderam o seu sentido original. O Ter, tem mais valor, que o Ser.
         Tudo isso nos traz angústia, porque estamos lutando contra a maré. À vista disso, somos tentados a desanimar e, às vezes, até deixar tudo. Mas, vale a pena continuar. A sociedade é um grande desafio para nós, cristãos amantes da justiça e do amor.
Qual a atitude de Jesus diante disso? O que Jesus valoriza? As palavras que Ele proferiu no Sermão da Montanha há mais de 2.000 anos vêm de encontro a essa angústia e são válidas hoje e sempre, porque são palavras de vida eterna. Devemos retomar, ler e meditar as Bem-aventuranças para não deixar morrer em nós o desejo de evangelizar e transformar a sociedade...
Jesus disse:
Felizes...Os pobres em espírito:  Também chamados de coração pobre. São pessoas, que reconhecem o seu nada e aprendem que tudo o que têm, vem direta ou indiretamente, de Deus. Abertas para Deus, acolhem, não julgam, perdoam, partilham seus bens, o serviço, a vida, são solidários. Ser pobre em espírito é despojar-se das atitudes próprias de coração rico como a arrogância, a ambição, a auto-suficiência, o domínio, a discriminação, o orgulho.
Felizes... Os que choram:  São pessoas que têm capacidade de se arrepender e aquelas que são solidárias com o sofrimento do outro, isto é, sempre fazem algo pelo outro.
Felizes... Os mansos: (virtude apostólica) São pessoas compreensivas, ponderadas, prudentes, pacientes e gentis com o próximo. “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” diz Jesus. (Mt 11,29) Possuir a terra é possuir o coração do irmão para levá-lo até Cristo.
Felizes... Os que têm fome e sede de justiça: São pessoas que desejam realmente fazer a vontade de Deus, construindo uma sociedade justa, sem corrupção. São os que mais se identificam com Jesus, que proclamou, até à morte, a justiça do Reino e não se acomodam e nem concordam com a injustiça das pessoas, e da sociedade, das estruturas. “Meu alimento é fazer a vontade de meu Pai!” (Jo 4,34)
Felizes... Os misericordiosos: São pessoas que têm a coragem de perdoar e pedir perdão. Vivem o amor. São solidários, sabem partilhar, repartir, viver em comum união com o próximo e não quer tudo para si, não são egoístas.
Felizes... Os puros de coração: São pessoas bondosas, leais, de coração honesto e sincero. Que têm uma conduta reta e única, que é transparente, coerente, que tem moral, sinceridade, firmeza, ausência de hipocrisia. Vive em perfeita harmonia com o Reino. Têm mãos inocentes, sem crimes, sem mal. “Se o seu olho é puro, tudo em você é luz!”(Mt. 6,22).
Felizes... Os pacíficos: São pessoas que promovem a paz, se esforçam para viver a paz. Viver em paz não é cruzar os braços, mas é lutar. É transformar. A paz exige luta e perseverança. Querem construir um mundo onde haja paz para todos. Constroem o Reino de Paz entre as pessoas que vivem numa sociedade violenta e destruidora dos valores e da natureza. São os pacificadores ativos que Jesus quer no mundo.
Felizes... Os que sofrem perseguições: São pessoas que se desinstalam, que saem de si para lutar por um mundo melhor, um mundo novo. Querem implantar a justiça do Reino e por isso são perseguidos, caluniados e muitos são martirizados.
         As Bem-aventuranças são o ponto alto e o coração do Evangelho. Resumem todo o programa do Reino. Elas são o ideal cristão que todos devem buscar. Viver as Bem-aventuranças é seguir o que Jesus ensinou e nos mandou viver. As bem-aventuranças é o caminho da santidade.
         Elas são a Boa-Nova, que os cristãos devem difundir pelas suas boas ações. Elas são também o anúncio da felicidade e condição para possuir o Reino dos Céus.
         Um grande abraço em Cristo!


         Maria de Lourdes

Evangelhos Dominicais Comentados-Jorge Lorente



01/novembro/2015 – Solenidade de Todos os Santos

Evangelho: (Mt 5, 1-12a)

Ao ver aquela multidão de povo, Jesus subiu ao monte. Quando sentou-se, os discípulos se aproximaram, e Jesus começou a ensiná-los: “Felizes os que têm espírito de pobre, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Felizes sereis quando vos insultarem e perseguirem e, por minha causa, disserem todo tipo de calúnia contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque grande será a vossa recompensa nos céus. Foi assim que perseguiram os profetas antes de vós”.
COMENTÁRIO

Hoje comemoramos Todos os Santos, em particular aqueles que não estão no altar. Lembramos hoje dos cristãos que viveram o evangelho, que fizeram da Palavra de Deus o seu estilo de vida, que souberam seguir Jesus com fidelidade, e que agora se encontram na presença de Deus na Glória Celeste. Nossas homenagens aos bem-aventurados que souberam viver o amor. 

O sermão da montanha ou das bem-aventuranças, como é conhecido, é um dos mais expressivos ensinamentos de Jesus. As bem-aventuranças são o resumo de todas as expressões de amor fraterno. De maneira clara elas enaltecem o pobre, o que sofre, o que luta por justiça, o injuriado, o perseguido...

Jesus diz que: quanto mais misericordiosa, mansa, humilde e pura de coração for a pessoa, maior é a chance de receber a grande recompensa no céu. Chama de Bem-aventurados os que promovem a paz num mundo tão conturbado e individualista.

Falecidos ou não, hoje nos lembramos de todos os santos. Homens e mulheres, dotados de total desprendimento e doação. Filhos de Deus que souberam ver em cada próximo um irmão. No anonimato, confiantes, abraçaram o ideal do evangelho e amaram intensamente, sem divisões nem restrições.

Deus nos ama profundamente e quer que nos amemos uns aos outros com amor tolerante, sincero e fraternal. É esse amor que Jesus ressalta em cada uma das bem-aventuranças. Elas afirmam que, quem vive o amor já é santo. Fomos feitos para a santidade, portanto, só há uma alternativa; ser santo ou nada!

A santidade nos espera. A santificação deve ser o nosso ideal. Ser santo é ser pobre em espírito, é confiar plenamente em Deus. É apoiar-se na graça de Deus e compartilhar do sofrimento dos irmãos. É chorar com os que choram, é partilhar os bens e aliviar a dor dos menos favorecidos.

O santo procura ser manso e caridoso com as pessoas, mesmo quando estas não são amáveis. O santo segue Jesus com fidelidade, pratica a justiça e a fraternidade; é misericordioso, sabe dividir e não é mal intencionado. O santo é um apaziguador, reflete harmonia e, acima de tudo, é um construtor da paz.

É preciso, no entanto, persistência e muita coragem, pois o santo é também um sério candidato ao martírio. Quem vive as bem-aventuranças é presa fácil da injúria. Assim como Jesus, o santo será perseguido e até mesmo morto pelos inimigos da verdade, da justiça e da paz. O santo poderá ainda, ser humilhado e martirizado por aqueles que fazem da morte o seu meio de vida.

É poderosa a minoria que sobrevive da opressão, do desemprego, da inflação, também do tráfico de drogas e do aliciamento de menores... são perigosos os abutres que encontram na podridão a sua subsistência. O santo, porém, é muito mais forte, não vira o rosto para as verdades. Tudo vê e jamais fecha os seus olhos.

O construtor da paz é um profeta que incomoda com sua presença e grita bem alto as falcatruas. O bem-aventurado clama por um mundo de amor, onde haja vida e liberdade. Ser santo, essa é a única alternativa para quem quer ganhar sua recompensa no céu.

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

-TODOS OS SANTOS-José Salviano

TODOS OS SANTOS - SOLENIDADE

1 de Novembro de 2015
Ano  B

Evangelho - Mt 5,1-12ª


PRIMEIRA LEITURA
        
         Muitas vezes eu lia e ouvia trechos do Apocalipse e nada entendia. Pois para entender este livro da Bíblia, precisamos mergulhar no contexto histórico.  O texto de hoje refere-se ou fala da situação dos cristãos que se recusaram a adorar o imperador romano, e por isso eram perseguidos, excluídos e até mesmo condenados à morte.
         Quais são os imperadores, considerados deuses do mundo atual que somos pressionados a adorar, sob pena de morte, do corpo e da alma, do corpo e da fé?
SALMO

SEGUNDA LEITURA
         O nosso destino é de sermos santos. Todos santos. Isso porque temos o privilégio dado por elo Pai de sermos chamados filhos de Deus.
         Mas para sermos santos temos de aceitar o sofrimento sem reclamar, pelo contrário, rezar pedindo ao Pai que o aceite em favor de nossa purificação, e até agradecer por essa situação através da qual poderemos alcançar a nossa salvação.  Para sermos santos precisamos tolerar, perdoar, ser caridosos, e rezar muito, muito mesmo! Rezar o tempo todo, como o disse Jesus: “Vigiai e orai sem cessar” .  Além do mais, a nossa vida deve ser transformada em uma oração constante, ou contínua. Todos os nossos gestos, conversas, atitudes, devem ser santas, caso contrário nunca iremos alcançar a santidade.  Não podemos ser santos somente após receber a Eucaristia. É preciso ser santos o dia todo, todo o dia.
         Se nós somos santos, estamos revestidos do poder divino, e por isso, podemos suportar as adversidades dessa vida, pois estamos preparados transformá-las em ocasiões de progresso na nossa santidade. Quem vive apegado ao dinheiro, às armas e a todos os poderes materiais, está sempre inseguro, apesar de se mostrarem otimistas, sempre com um sorriso estampado, esses nossos irmãos por dentro estão com medo. Do sequestro, do incêndio, do ladrão...
Ao contrário, aquela e aquele que se esforça para alcançar a santidade, que vive pelo Evangelho, por Cristo e com Cristo, nem se abala diante do sofrimento, diante de todas as ameaças desse mundo. É claro que sofrem, podendo até chorar, mas por dentro sabem que o socorro virá, sabem que tudo aquilo pode ser transformado em trampolim para o grande salto que leva a vida eterna.   
Para sermos santos precisamos nos manter longe de todo o mal. Fugindo das más companhias, dos lugares propícios ao pecado e ao afastamento dos caminhos de Deus. Até podemos usar muitas das coisas do mundo, já que estamos no mundo, coisas essas que podem ser causas de pecado, mas as podemos usar, como se não as estivéssemos usando, e manter-nos intactos, inatingíveis pelo seu poder maligno de nos corromper, de nos arrastar para os caminhos do inferno.
Porém, só podemos fazer isso, se estivermos revestidos da graça de Deus, da graça santificante que nos fortalece. Pois tudo podemos naquele que nos dá força! Podemos (até certo ponto) lidar com o perigo de queda, desde que a força de Deus esteja conosco.
         Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.
Caríssimos. Isso é mais que maravilhoso! E faz parte das promessas de Cristo! João, num momento de inspiração é que nos escreve essa verdade celestial! É o que nos espera, desde que lutemos por isso. Desde que renunciamos a nós mesmo e nos esforcemos para viver na presença daquele que quer a nossa salvação. 

EVANGELHO
         Caríssimos. Hoje é dia de todos os santos. Todos, mesmo. Não só os santos da Igreja, mas também os santos de igrejas outras, os santos sem igrejas...
Se o reino de Deus não foi planejado somente para os judeus, para o povo escolhido, mas sim para toda a humanidade, não podemos nos dar o direito de pensar que só existem santos no nosso meio. Será que não é possível haver santos também em outros credos que não são católicos? Do mesmo modo que os últimos serão os primeiros, e os primeiros poderão ser os últimos, poderemos encontrar um grande pecador no Céu por ter se arrependido sinceramente, como aconteceu com Dimas, nunca devemos achar que somente nós, os católicos teremos o privilégio de sermos santos. 
         Você deve estar se perguntando. Quem está falando aí? É um protestante ou um católico? Pode ter toda certeza que se trata de um católico apostólico romano, que tenta ver o mundo segundo a ótica de Jesus Cristo!
         Irmãs e irmãos. Neste Evangelho, Jesus nos mostra quais os pré-requisitos para sermos santos e um dia participar da glória eterna. Jesus nos mostra que aquelas e aqueles que choram por que são injustiçados, invejados, perseguidos, caluniados, ignorados, excluídos, discriminados, principalmente por causa do Reino dos Céus, e coloca tudo isso nas mãos da justiça divina, continuando pacíficos e pacificadores, caridosos, e, portanto puros, são esses que serão todos os santos no futuro eterno.
         Os pobres são todos aqueles que não tendo para onde correr, diante de tanto perigo e de tanta injustiça, deposita sua confiança em Deus.
FELIZES OS POBRES DE ESPÍRITO- Na sociedade de hoje quem são os pobres de espírito? Será que eles existem? Sabemos que na classe  alta, os pais ensinam exigem dos seus filhos que eles sejam orgulhosos, que andem de nariz levantado, e nunca, jamais se humilhem diante dos demais. Orgulho, otimismo e educação, são palavras chaves de quem é importante, de quem é mais do que os outros. Essas palavras substituem: humildade, fé, e caridade ou fraternidade.
         Para os que venceram na vida, e que têm o dinheiro no lugar de Deus, orgulho representa a confiança no seu taco, confiança em si mesmo, ou melhor, confiança no seu poder de compra. O otimismo, o sorriso fácil, são substitutos da fé. A educação, substituta da caridade.
Já os pobres de espírito, são todos aqueles cujas vidas estão nas mãos de Deus, sua confiança está em Deus e não nos recursos materiais acumulados durante anos.  Sua vida de entrega pelo Reino dos Céus não será em vão, pois serão justificados, eles poderão ter aquilo que precisam: Viver um dia na glória eterna!
OS MANSOS - Do mesmo modo, os mansos, não são covardes, nem medrosos ou acomodados. Mas sim, aqueles que embora sendo injustiçados, atribulados, como aqueles que têm seus barracos destruídos pelos policiais a mando dos poderosos, não agem com violência!  Mas sim, entregam seu sofrimento ao Pai, o qual anota tudo, todas as suas lágrimas para serem transformadas em risos. Felizes os que agora choram, pois vão sorrir muito...
OS AFLITOS - Quem são os aflitos dos dias de hoje? São todos aqueles que perderam os seus empregos, e estão em pleno desespero, estão em pânico por não ter como pagar as suas contas, enquanto, outros espertos, muito espertos, ganham gordos salários sem ter de acordar cedo, pegar um lotação, e trabalhar duro até o fim do dia.
FOME E SEDE DE JUSTIÇA - É por isso que existem aqueles que Têm fome de justiça. E essa fome lhes vêm do fato de que se eles roubarem uma galinha, serão julgados e condenados sem piedade. Mas para aqueles, que não se contentando com os seus altos salários, ainda pegam o dinheiro público para si e para suas famílias. E quando por acaso são pegos, cumprem penas suaves, ou ficam presos dentro de suas próprias mansões com todo conforto, ah! para esses não existem fome e sede de justiça!...
         Os que têm fome e sede de justiça são todos aqueles que estão decepcionados com a justiça injusta desse mundo, que defende os direitos dos mais fortes, e deixando os fracos sem ter para quem reclamar. Vivemos em um mundo em que quem realmente trabalha de sol a sol, não tem direito a uma vida digna. Uma justiça que defende o menor delinquente, que penaliza o corrupto de forma branda, e que condena o aposentado, os fracos, os favelados os sem tetos...
         Mas felizmente, os abandonados pelo poder público, não são desprezados pela justiça divina! Eles não serão decepcionados no dia do juízo final, e alcançarão o prêmio merecido.
OS MISERICORDIOSOS - Por mais incrível que pareça, no mundo de hoje, ainda existem os misericordiosos. São aqueles que repartem o pouco que possuem com os necessitados, sem pretender, nem esperar nada de volta. Nem voto, nem mesmo prestígio por parte dos demais, nada. Eles fazem isso porque são seguidores de Jesus. Fazem isso porque assim se sentem bem, porque sentem na pele o sofrimento  dos irmãos, como sentia Jesus. Fazem isso também porque sabem que a miséria um dia pode chegar a sua porta.   Fazem isso porque têm pena dos irmãos que sofrem, como Jesus sentiu pena daquela viúva que havia perdido o filho depois de perder o marido. Jesus disse àquela mulher: "Não chore!". Fazem isso, porque Jesus misericordioso deve ser imitado por nós.
         Os misericordiosos desse mundo que agem semelhante o agir de Cristo, serão também tratados com misericórdia por Deus. E você? de que lado está?  Com certeza está entre esses misericordiosos que ainda restam na sociedade industrial de consumo.  Você com toda certeza, está do lado de todos os que se compadecem dos famintos, e dos sem teto. Você é um daqueles ou daquelas que não está se importando com o que vão pensar, e estende a sua mão para aliviar o sofrimento dos fracos, derrotados, famintos caídos no chão, sem ter para onde ir...  Você com certeza se compadece daquela senhora mal vestida que puxando um velho e quebrado carrinho de feira, cata as sobras de legumes e verduras, e come frutas podres jogadas no chão. Você seria capaz de dar algo para aquela pobre mulher comer, capaz de dar-lhe um dinheiro para ela comprar o que mais precisa. Você seria capaz de se importar com aquela pobre criatura de Deus, perguntando a si mesmo:  O que será que aconteceu a ela? Onde estão os seus filhos? Por que ela tem de carregar tão dolorosa cruz? E eu? E quanto a mim? Eu fui um bom filho? Eu estou sendo uma boa cristã?
E OS QUE PROMOVEM A PAZ?  Quem são eles? São os juízes, os policiais que mesmo ganhando míseros salários, arriscam as suas vidas para defender as nossas vidas e a propriedade daqueles que sem se importar com os necessitados, exigem do poder público, toda a proteção que merecem. Se você é um daqueles que promovem a paz, fique tranquilo, pois Aquele que vê tudo, até os nossos atos escondidos, um dia o chamará de filho de Deus.
OS PERSEGUIDOS POR CAUSA DA JUSTIÇA – São todos aqueles que denunciaram os crimes dos poderosos, e agora estão sob ameaças, estão sendo julgados, condenados, e jurados! São aqueles que sofrem perseguição por causa de sua fé, por causa do anúncio do Evangelho. Roguemos ao Pai que lhes proteja de toda a maldade desse mundo injusto! Lembremos a eles que quem sofre por trabalhar na construção do Reino de Deus, terá a sua recompensa no Céu. Porque a vontade e o poder  do Pai é maior que tudo, é soberano! Porque o Reino do Céu é dos pobres de espíritos, e dos perseguidos por seguir, imitar a Cristo e anunciar o seu Evangelho!

Um bom e santo  domingo!   José Salviano. 

AS CONDIÇÕES PARA SEGUIR JESUS -Canção Nova

4 de Novembro de 2015-Evangelho - Lc 14,25-33



Jesus instrui os discípulos, apresentando as condições para seguí-lo. Diz que o seguimento deve ser decidido. Jesus pede que odeie pais, mães, filhos e a própria vida. A palavra odiar significa dar preferência, pois o hebraico não tem o verbo preferir. Jesus explica que seguí-lo é mais importante. Mas não dispensa o amor à família e à vida. Aliás, seguindo Jesus, vamos amar mais a família e cuidar melhor da vida, pois vencemos os pecados que destroem a ambos. Ele que ensina o amor, não vai propor o ódio como razão da vida.
Há outra condição para seguí-lo: pegar e carregar a cruz, caminhando atrás dele. É um grande desafio. Ir atrás dele não é somente seguir seus passos, mas viver como Ele viveu. Não se trata de sofrimento, mas de vida entregue, por amor, para a redenção do mundo. Estamos com Ele nessa missão. Para fazer isso, diz Jesus, é preciso calcular bem se vamos assumir com toda radicalidade e perseverança.
Do contrário, vai ser como o rei que saiu para uma guerra e não mediu a força do inimigo. Vai ter que se entregar e negociar a paz. Ou como o outro que começou a construir uma torre e não calculou o quanto iria gastar e não deu conta de continuar. Todo mundo vai debochar dele. É preciso calcular. Do mesmo modo deve agir quem quer seguir Jesus: ver aonde Jesus vai e assumir para valer. Nos tempos atuais sentimos dificuldades de cortar aquilo que impede o seguimento de Jesus, por isso a fé se torna mesquinha e raquítica. Não posso seguir Jesus somente até certo ponto. Não funciona. Não pode ser meu discípulo diz Jesus.
O desapego que Jesus exige para seguí-lo é o mesmo que realizou quando venceu as tentações do demônio. A proposta de Jesus mexe com as estruturas da sociedade. Nós o entendemos quando lemos a carta de Paulo a Filemon. É um bilhete particular que mostra como Paulo pede que Filemon aceite de volta seu escravo, seu escravo fugitivo, Onésimo, não mais como um escravo, mas como irmão querido, na fé, pois Paulo o convertera quando estava na prisão. A escravatura era uma realidade. Paulo não pede que o liberte da escravidão, mas que o faça irmão. Em nosso seguimento de Jesus, teremos que enfrentar as necessidades sociais, mudando os homens em irmãos diante do Senhor.
Seguir significa pegar a cruz: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. Isso não significa o sofrimento, mas a totalidade da adesão ao amor.
Ser discípulo de Jesus é seguí-lo para uma vida nova e aceitar a revolução que Ele quer fazer em nós desde o nosso desapego às pessoas, da anuência à participação na sua cruz e do abandono de tudo o que temos de material e de humano. O seguimento de Jesus implica na renúncia e no desapego das nossas idéias e vontade própria, como também dos nossos bens, ídolos e projetos. Jesus veio mostrar ao mundo uma nova maneira de ser valorizando o homem na sua dignidade, libertando-o de tudo o que possa escravizá-lo e dominá-lo. Para que nós possamos seguí-lo, nós precisamos nos sentir homens e mulheres livres de nós mesmos. Muitas vezes nós, com a boca, professamos que cremos em Jesus e que desejamos seguí-lo, porém, não fazemos o cálculo de que isto implica em empreendermos uma guerra contra a nossa carne. Por isso, nós fracassamos nos nossos propósitos. Nós precisamos ter convicção que a nossa opção de cristãos e de cristãs se fundamenta na vivência da mensagem evangélica do amor. Quem ama é livre das condições, é livre das circunstâncias, é livre das pessoas. Ama, porque ama com o amor de Jesus.
A cruz é decorrente da nossa vivência do amor, porque amar nos traz consequências. Não é fácil amar, nem tampouco é fácil assumir os encargos que o amor nos propõe. Sentar-se para “calcular os gastos” e ou “examinar as condições” é entregar-se à ação do Espírito Santo que é quem nos capacita a deixarmos tudo e seguirmos a Jesus Cristo como discípulos seus. Assim sendo, quando Jesus nos diz “se alguém vem a mim”, Ele quer nos dizer, se “você quer me seguir você deverá viver a lei do amor; você terá que amar como eu amo; viver como eu vivo; sofrer como eu sofro; pensar como eu penso.” A renúncia maior há de ser do nosso jeito de olhar as coisas, de julgar e de encarar as pessoas, de nos desapegar dos conceitos adquiridos durante a nossa caminhada de vida, consequência da nossa criação, cultura etc. A renúncia a tudo que não combina com o pensamento evangélico e o desapego das coisas e das pessoas, é, portanto, o fundamento para que o reino dos céus viva em nós e Jesus seja o nosso Rei, Senhor e Mestre. Do contrário, estaremos construindo na areia e nunca seremos considerados discípulos e seguidores de Jesus.
Você tem muitos planos? Você já fez os cálculos, do que terá de abdicar para que Jesus seja o seu Mestre? Você é uma pessoa muito arraigada às suas idéias e pensamentos? Você tem procurado amar como Jesus amou? Você tem assumido a sua cruz?
Pai, reforça minha disposição em ser discípulo de teu Reino, afastando tudo quanto possa abalar a solidez de minha adesão a Ti e a teu Filho Jesus.


Qual uso fazemos do nosso tempo? -Canção Nova

3 de Novembro de 2015- Evangelho - Lc 14,15-24


 

Que nós hoje possamos refletir: “Qual uso nós fazemos do nosso tempo e que tempo disponibilizamos para o próximo e para as coisas de Deus?”.
“Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: ‘Comprei um campo, e preciso ir vê-lo. Peço-te que aceites minhas desculpas’” (Lc 14,18).
Queridos irmãos e irmãs, no dia de hoje, a Palavra está falando sobre o grande banquete que foi preparado pelo Mestre, para o qual somos convidados.
Esse banquete Jesus compara com aquele no qual o empregado vai chamar os convidados, porque tudo está pronto, mas cada um dá uma desculpa, cada um inventa uma coisa diferente. Todo mundo está muito ocupado, muito atarefado, cheio de compromissos e responsabilidades. Muitas vezes, nós também não temos tempo para atender o convite, o chamado que Deus nos faz para participarmos do Seu banquete.
A Palavra do Senhor quer nos levar a refletir sobre qual é o uso que nós fazemos do nosso tempo, como o preenchemos. Vivemos no mundo da correria, da histeria coletiva, onde as pessoas estão demasiadamente ocupadas, estressadas, compromissadas, de modo que não têm tempo.
“Não tenho tempo, não posso.” Essa é a desculpa que mais escutamos quando precisamos de alguém para isso ou para aquilo. Também é a desculpa que as pessoas mais dão para Deus, para não participar das coisas do Senhor.
As pessoas não têm tempo para a oração, para falar com Deus, para escutá-Lo, pois estão demasiadamente ocupadas com as suas coisas. Sei que todo mundo trabalha, tem compromissos, responsabilidades, mas quando as pessoas não têm tempo para o outro nem para Deus, é porque estão demasiadamente ocupadas consigo.
Por mais que aquilo que você faça seja para sua casa, para sua família, nada disso adiantará se você não tiver tempo para conviver com os seus, para escutá-los, dialogar com eles. Não adianta dizer que você é bom, que tem Deus no coração se você não tem tempo para preencher o seu coração com o Senhor.
A mais terrível de todas as desculpas é alguém dizer que não tem tempo para ir à Missa Dominical ou arrumar um outro compromisso no dia da Celebração Eucarística, no dia do grande banquete para o qual somos convidados pelo Senhor a participarmos.
Muitas vezes, quando olhamos para nossas pastorais, para os nossos grupos de Igreja, eles são assumidos sempre pelas mesmas pessoas. Mas por que são sempre essas pessoas que os assumem? Porque aqueles que Deus chamou – eu ou você – estão demasiadamente ocupados. Nós temos tempo para criticar, falar e cobrar, mas para colocar a mão na massa e assumir compromisso com o Reino de Deus são poucos. E é com esse pouco, que muitas vezes chamamos de desqualificados, que Deus pode contar, porque os que se acham qualificados e podem fazer melhor não colocam a mão na massa.
Que nós hoje possamos refletir: “Qual uso nós fazemos do nosso tempo e que tempo disponibilizamos para o próximo e para as coisas de Deus?”.
Deus abençoe você neste dia!


“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus-Canção Nova

2 de Novembro de 2015-


“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus 5, 3).-Canção Nova
-Canção Nova
Amados irmãos e irmãs, passando o tempo de Pentecostes, nós voltamos para o Tempo Comum na Liturgia da Igreja nesta décima semana. Nós retomamos este tempo de graça ao começarmos a refletir sobre o Sermão da Montanha.
Que beleza de ensinamento e de mensagem e, acima de tudo, de regra para a nossa vida se quisermos viver a vontade de Deus e tudo aquilo que há e precisamos para a nossa salvação, o Sermão da Montanha nos dá as dicas e os ensinamentos fundamentais para isso.
O Sermão das Bem-aventuranças é como se fosse o segredo da felicidade. “Bem-aventurados” quer dizer “felizes”. O mundo proclama que é feliz quem tem dinheiro, quem tem posses, quem tem poder, quem vive o prazer como bem quiser. Jesus, o Senhor da Vida, vem nos mostrar onde é que está o sentido da vida e como, de fato, podemos ser felizes para sempre.
A felicidade consiste na pobreza evangélica, em viver o desprendimento e o despojamento e não se apegar a nada.Quem não tem, deve trabalhar para ter com honestidade sem se afligir porque não tem. E aqueles que têm, devem saber dividir com quem não têm e viver como se não tivesse. Despojado, desapegado, porque deste mundo nós nada levamos!
Bem-aventurados aqueles que confiam no Senhor, mesmo em meio às aflições que a vida proporciona, porque é de Deus que recebe o consolo; quem sabe em Deus confiar e não coloca em nenhum outro a sua confiança.
Feliz de quem vive a mansidão do Espírito e não vive na agitação, na revolta e não se torna rebelde a Deus e a tudo, porque é o próprio Deus quem vem saciar a nossa fome e a nossa sede de justiça.
Feliz e bem-aventurado é quem tem um coração misericordioso, assim como Deus se compadece de nossas misérias e fraquezas, alcança a misericórdia aquele que sabe agir com misericórdia para com o seu próximo.
Bem-aventurados serão aqueles que promovem a paz; que não promovem disputas, brigas, competições e discórdia entre os homens, mesmo que as situações pareçam conflituosas.
Bem-aventurados são aqueles que vivem a pureza de coração e não se entregam às impurezas deste mundo, não se entregam à malícia e a toda e qualquer sujeira que este mundo deseja colocar dentro de nós.
Deus tem um plano para a nossa felicidade, Ele nos quer plenamente felizes, a receita está na Sua Palavra, porque só o Senhor tem palavras de vida eterna!
Deus abençoe você!


A pobreza evangélica-Canção Nova

1 de Novembro de 2015-Evangelho - Mt 5,1-12a

Bem-aventurados os pobres em espírito

A pobreza evangélica é também a atitude de reconhecer nos pobres o lugar da presença de Deus.
“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!” (Lucas 6,20).
Nós hoje acompanhamos as bem-aventuranças de Jesus, proclamadas no Evangelho de Lucas; elas estão também no Evangelho de Mateus. Mas, aqui em Lucas, vemos as bem-aventuranças em comparação ao espírito contrário daquilo que é o bem-aventurado.
Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!” (Lc 6, 20). Mas, o contrário Jesus também disse: “Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação!” (Lc 6, 24), porque não se trata apenas da pobreza espiritual, como muitos querem interpretar o texto. A pobreza evangélica é também a atitude de reconhecer nos pobres o lugar da presença de Deus.
Nós não exaltamos a miséria, não exaltamos de forma nenhuma os seres humanos, os filhos de Deus, que padecem devido à indigência, à necessidade, quando isso, na verdade, é um escândalo em todos os sentidos. Nenhum ser humano, nenhum filho de Deus, deveria padecer na miséria e na indigência! Mas na pobreza, sim, na pobreza de não se comprometer em ser afortunado, em se preocupar a fazer dos bens materiais o sentido primeiro e único da vida.
Pobre é aquele que é desapegado, pobre é aquele que sabe viver tendo e não tendo, é aquele que luta para os seus dias serem melhores, para a sua vida ser abençoada, para a sua vida ser reta e justa e não viver no luxo, no desperdício, enquanto outros nada têm. Ser pobre é ser justo consigo mesmo e ser justo com os outros.
Eu louvo a tantos que vivem este espírito de pobreza com total desprendimento de vida! Uns porque possuem o necessário para uma sobrevivência digna, para sustentar seus filhos, para levar uma vida honesta, para conceder o melhor que puderem ao seus. Outros até porque têm muito, mas vivem um desprendimento, não se apegam ao que têm, cuidam dos mais pobres e não vivem na opulência nem se acham melhores do que os outros.
Que o espírito da pobreza evangélica conduza nossos passos, nossas atitudes e nos ensine a viver a simplicidade em toda e qualquer ocasião da vida.
Deus abençoe você!