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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Somos pessoas cheias da graça de Deus-Helena Serpa

05/07/2015 - XIV Domingo do tempo comum  – 1ª. leitura – Ezequiel 2, 2-5 – “ o Senhor nos manda os Seus profetas”
O  profeta é alguém escolhido por Deus para nos exortar, nos admoestar, nos abrir os olhos, mas também para nos consolar, nos amparar e nos dar palavras de conforto e de esperança. Apesar da nossa teimosia e obstinação Deus como Pai não desiste de nós, por isso, está sempre nos chamando à conversão por meio dos Seus profetas.  O profeta muitas vezes é injustiçado e perseguido, mas não desiste da sua missão e o próprio Deus o motiva a falar em Seu nome. Por isso, até o fim da nossa existência terrena nós sempre teremos a chance de “escutar” o que os profetas nos dizem em nome de Deus. E felizes seremos se escutarmos as palavras dos profetas do Senhor! No entanto, algumas vezes nós nos obstinamos e como um bando de rebeldes não percebemos os recados de Deus para o nosso bem. O pecado nos afasta da convivência dos justos e da intimidade com Deus, porém, nunca poderemos afirmar que tudo está perdido, pois o Senhor vigia a nossa trajetória e fará tudo para nos dar de novo a vida perto de si. – Você acha que um pai ou uma mãe devem desistir do filho quando ele não segue os seus ensinamentos? – Como você agiria em relação a um filho assim? – Você reconhece a sua rebeldia e desobediência aos ensinamentos de Deus e dos profetas?

Salmo 122 – “Os nossos olhos estão fixos no Senhor: tende piedade, ó Senhor, tende piedade!”
Piedade, piedade, é o que fala o Salmo de hoje. Sim, devemos assim orar, porque somos rebeldes e desobedientes, porém reconhecendo que assim somos o Senhor terá compaixão de nós. É na fraqueza que se manifesta a força de Deus em nós, por isso, devemos levantar os nossos olhos para o Todo poderoso e a Ele pedir piedade e misericórdia, somente assim seremos atendidos (as) nas nossas súplicas.

2ª. leitura – 2 Coríntios  12, 7-10 – “A graça de Deus nos basta!”
Esta é uma grande verdade que só descobrimos quando temos a oportunidade de nos sentirmos fracos (as) e dependentes de Deus. São Paulo compreendeu isto, por isso aceitou de bom grado o espinho na carne que deveria ser algo muito violento que lhe pesava na carne e de que ele desejava se livrar sem conseguir. Nós também desejamos nos livrar de muitas cruzes e dificuldades e não temos em nós a capacidade de afastá-las! Há fardos que carregamos a vida inteira e ininterruptamente nos fazem sofrer. No entanto, se prestarmos atenção descobriremos, como São Paulo,  que as “cargas pesadas” que transportamos têm serventia para o nosso crescimento humano e espiritual. Talvez, se não fossem elas, não reconheceríamos a graça de Deus agindo na nossa vida. O Senhor também nos diz: “Basta-te a minha graça”!  É na nossa fraqueza que a força de Deus se manifesta, portanto, nós devemos nos gloriar das nossas incapacidades para que a força poderosa do Cristo atue em nós. Assim compreendendo, com certeza nos será muito mais fácil  convivermos com as nossas imperfeições e sentirmos prazer nas injúrias, nas necessidades e perseguições sofridas por amor de Cristo. Quando nos sentimos fracos  cedemos lugar à força de Deus que opera a nosso favor.  - Você já compreende a razão do seu “espinho na carne”?  - Você admite que a sua humanidade seja fraca? – Você se entristece por isso? – Você tem se apossado da graça de Deus? – Ela tem lhe bastado?

Evangelho – Marcos 6, 1-6 - “somos pessoas cheias da graça de Deus”
Jesus só não era reconhecido em Nazaré cidade onde Ele havia crescido e onde morava a sua família, apesar dos milagres que realizava e dos prodígios que fazia nos lugares por onde passava. A desconfiança dos Seus conterrâneos tolhia a ação de Deus por Seu intermédio. Assim também, nós percebemos que é próprio da nossa humanidade não dar valor ao que possuímos e que está à nossa disposição. Preferimos o que vem de fora, o que nós não conhecemos. Parece assim que damos pouco valor a nós mesmos (as) e não nos achamos dignos (as) de sermos pessoas cheias da graça de Deus para dar e receber algo em nosso benefício ou das pessoas do nosso convívio. Jesus hoje quer curar a imagem que temos de nós mesmos (as) e das pessoas que estão perto de nós e são os Seus instrumentos para a nossa libertação e felicidade.    Não podemos desistir dos nossos mais queridos e o Senhor nos escolheu como canais da Sua graça. Precisamos ser curados (as) da nossa timidez, das nossas dúvidas em relação à ação de Deus em nós e através de nós. Confiando na força do alto nós poderemos também fazer milagres e prodígios em nome de Jesus, mesmo dentro da nossa casa e na nossa família.    – Você naturalmente é uma pessoa forte, ou fraca? - Você tem conseguido ser profeta na sua família? – Você se entristece por isso? – Você dar valor às pessoas da sua casa? – Você as considera instrumentos de Deus para sua felicidade?


Um coração renovado-Helena Serpa

04/07/2015 - Sábado XIII Semana comum - Gênesis 27, 1-5.15-29 - "a vontade de Deus é soberana"
Isaac e Rebeca tiveram dois filhos: Esaú e Jacó. Esaú teria direito à benção do seu pai por ser o primogênito, porém, antes, ele desprezara o direito de primogenitura, quando a vendeu a Jacó, por um prato de lentilhas, (ver Gen. 25-29-34). Por isso, Rebeca, sua mãe, armou uma farsa para que Jacó recebesse a bênção de Isaac, no lugar de Esaú. Preparou para Jacó uma roupa peluda, assim como a caça cozida, como fora pedido por Isaac e Jacó se apresentou diante do pai para receber a bênção da primogenitura. Nesta narrativa nós concluímos que Deus leva em conta a nossa humanidade, por isso, Ele nos usa do jeito que somos, com as nossas inclinações, a fim realizar os Seus projetos. O desígnio de Deus estava posto em Jacó, assim, foi que Jacó recebeu a benção ao invés de Esaú.  Da mesma forma acontece conosco: mesmo que as leis humanas e sociais nos obriguem a cumprir algumas convenções, a vontade  do Senhor para nós é soberana.  O Senhor se serve das mais incompreensíveis situações para realizar os Seus intentos. Assim sendo, foi que, mesmo desconfiado Isaac abençoou a Jacó com palavras de vida eterna: "Que Deus te conceda o orvalho do céu e a fertilidade da terra." Que nós possamos também nos apossar da bênção de Deus pedindo para nós o orvalho do céu, isto é, a inspiração para as coisas santas e a sabedoria  que vem do alto a fim de que aqui na terra nós possamos também produzir frutos de santidade. - O que você achou da atitude de Rebeca e de Jacó? - Você acha que Esaú teria direito à bênção?- Como você age em relação às leis dos homens diante da vontade de Deus? - O que significa para você uma bênção?
Salmo 134 - "Louvai o Senhor, porque é bom!"
O salmista canta louvores ao Senhor  porque escolheu Jacó para si e o preferiu por sua herança. Tudo o que Deus faz é bom e merece a nossa admiração. Muitas coisas nós não entendemos, mas tudo quanto agrada ao Senhor no céu e na terra é para nós motivo de regozijo. Todas as coisas que acontecem, segundo a vontade de Deus, têm uma razão de ser, por isso a nós, só nos cabe louvar o Senhor, porque Ele é bom! Viver sob as moções do Senhor é ser surpreendido (a), sempre.
Evangelho - Mateus 9, 14-17 - " um coração renovado "

Jesus não veio nos reformar, mas mudar radicalmente o nosso modo de pensar e de ver as coisas.  As Suas atitudes nos dão a certeza de que o amor de Deus vem salvar-nos concretamente e não apenas para manter as estruturas e as tradições. Por isso, Ele nos ensina a praticar os atos religiosos de coração, e não por obrigação. O jejum é uma prática que deve nos levar à alegria, pela oferta que fazemos a Deus. Há momentos na nossa vida em que não nos cabem jejuar nem fazer sacrifícios, mas sim aproveitar a ocasião que nos é oferecida. Os discípulos de Jesus partilhavam com Ele de todos os eventos com alegria e submissão à Sua vontade e aos Seus ensinamentos. Nós já estamos vivendo na hora da festa de casamento, isto é, da nova e alegre relação entre Deus e o homem. Estar perto de Jesus faz com que nós aprendamos com Ele sobre as coisas do alto e as revelações do Pai. A novidade de Jesus rompe com as estruturas antigas que são simbolizadas pela roupa e barril velhos.    O remendo novo em pano velho, assim como o vinho novo em odres velho, significa a mentalidade com que nós apreendemos os ensinamentos de Jesus. Jesus veio nos trazer o novo mandamento do amor que só é acolhido por um coração renovado, que tenha experimentado de uma forma diferente o amor misericordioso do Pai. As pessoas que têm Deus na conta de um juiz castigador e exigente nunca poderão entender o Seu Amor Eterno, que ama sem explicações e sem motivos. O Espírito Santo é quem renova os nossos corações, Ele traz o vinho novo do qual nós precisamos, o vinho do Amor de Deus. - Qual é a sua intenção quando você pratica o jejum ou faz algum sacrifício?- O seu coração se alegra ou se entristece? - Você já tem um coração renovado capaz de compreender as consequências do amor? - Você é uma pessoa que sabe curtir o momento presente como um presente de Deus? 

Fidelidade é consequência da fé-Helena Serpa

03/07/2015 – 6ª.feira - São Tomé Apóstolo – Efésios 2, 19-22 - “ somos parte da família de Deus

Mesmo ainda vivendo aqui na terra já podemos nos sentir participantes do reino dos céus e concidadãos dos santos. Santidade é a nossa vocação espiritual e ser santo há de ser o objetivo da nossa vida. Integrados na construção da morada de Deus entre os homens nós fazemos parte da Igreja, edifício espiritual que tem Jesus Cristo como pedra principal e os apóstolos como fundamento, isto é, como alicerce. Fazer parte da família de Deus é um privilégio dos que têm Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Ser da família de Deus é estar inserido no mistério de Cristo e assim formar um templo santo no Senhor. Por isso, somos morada de Deus pelo Espírito! O Espírito Santo de Deus que está em nós faz esta obra de inserção, nos edificando para sermos morada espiritual de Deus.  Todo o nosso ser está envolvido neste edifício espiritual, por isso, unidos aos santos, em Cristo, formamos uma família e assim podemos viver uma unidade espiritual onde o que Deus pensa, os santos pensam e nós também podemos refletir.   Somos filhos e filhas do Pai, adotados (as) por Jesus Cristo e quando se vive como filho nascido de Deus, desenvolve-se o amor recebido do Pai, pois a vida divina é amor. Dessa forma estamos vivendo, desde já, a eternidade, pois a eternidade consiste em que o amor de Deus viva sempre em nós.  Permanecer nesse amor que é a origem de todos os amores, nele permanecer cada vez mais solidamente e mais profundamente é o ideal da vida cristã. - Você se sente parte da família de Deus?- Você acha que já participa da pátria dos santos?- Você acha que já aqui na terra alguém pode ser chamado de santo? Como é o seu relacionamento com os santos aqui da terra?
Salmo 116 – “Ide por todo o mundo, a todos pregai o evangelho!”
O mandato do Senhor para todos nós que somos convocados à santidade é ir por todo o mundo dando testemunho do Evangelho.  Por onde nós andarmos e enquanto vivermos essa será a nossa missão. Quando anunciamos o Evangelho nós estamos publicando a Boa Nova da salvação para toda a humanidade, por isso, todos os povos podem já festejar e cantar louvores ao Senhor, pois o Seu amor é grandioso e abrangente, envolve todas as pessoas.

Evangelho – João 20, 24-29 – “fidelidade é consequência da fé”

Mesmo depois de tê-Lo seguido e visto os milagres que realizara quando ainda estava entre eles e, apesar do testemunho dos seus amigos, Tomé ainda não acreditara na ressurreição de Jesus  e continuava renitente. Por isso, Jesus apresentou-se diante dele para que O reconhecesse e, aí, diante da presença real de Jesus, vivo e ressuscitado, Tomé tirou do trono a sua incredulidade e rendeu-se à Sua ordem: “E não sejas incrédulo, mas fiel!”  Hoje, também, mesmo diante das evidências e dos testemunhos de outras pessoas, nós às vezes, como Tomé  duvidamos de que Jesus esteja vivo e possa fazer prodígios na nossa vida. Nós também como Tomé, continuamos intransigentes e recalcitrantes no trato com os mistérios de Deus e queremos “ver para crer”. De alguma forma Jesus também olha para cada um de nós que assim procede e diz: “E não sejas incrédulo, mas fiel!”  Daí podemos deduzir que a fidelidade é uma derivação da nossa fé, ou seja, somos fiéis a Deus na medida em que acreditamos, confiamos e dependemos Dele, sem necessidade de provas ou de sinais. A nossa fidelidade a Deus é do tamanho da nossa fé. Mesmo sendo perseverantes e dedicados a Deus podemos ser infiéis quando nos obstinamos em recusar alguma coisa que nos é proposto, porque ainda não compreendemos. Um dos grandes sinais de que Jesus está perto de nós, vivo e ressuscitado, é a paz que vivenciamos dentro do nosso coração, por isso, o próprio Jesus desejou-a aos seus discípulos quando os encontrou reunidos em casa. A paz de Jesus é a comprovação da Sua ação na nossa vida. Tomé precisou tocar nas feridas do Senhor e colocar a mão no seu lado, nós só precisaremos nos render à Sua presença amorosa e repetir como Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”!   Aí então, nunca mais seremos incrédulos e cabeçudos, mas sim, bem aventurados. Porque de nós Jesus poderá também afirmar:  “Bem aventurados os que creram sem terem visto!” Somos os  mais “bem aventurados”, quando, não podendo tocá-Lo fisicamente, nem tampouco vê-Lo, como foi concedido aos discípulos, nós O experimentamos pelo dom da Fé que recebemos no nosso Batismo. O conhecimento de Deus supera toda a inteligência e racionalidade, portanto, deixemo-nos ser íntimos do Senhor.  Ele se oferece a nós como confidente de nossos pensamentos e interlocutor de nossas conversas secretas. - Você se considera “incrédulo ou fiel”?- Você já teve uma experiência  íntima com Jesus Cristo? – O que mudou em você depois disso - Você costuma abrir o seu coração a Deus, falar das suas dificuldades, enfim, conversar com Ele?- Ore hoje pedindo a Jesus que lhe concede também a Sua paz e experimente levá-la a todos os lugares por onde você for.  Depois, mais tarde, antes de dormir pense se o seu dia foi diferente dos outros.

Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa-Helena Serpa

02/07/2015 -  5a. Feira XIII semana comum – Gênesis 22, 1-19 – “Deus providenciará”
A história de Abraão ao entregar o seu filho Isaac para ser sacrificado em holocausto nos leva a meditar como Deus é fiel aos Seus planos para nós. Deus pôs Abraão à prova e este, cheio de confiança fez como o Senhor lhe ordenara indo até as últimas consequências, chegando mesmo a empunhar a faca a fim de sacrificar Isaac. No diálogo entre o pai e do filho, nós percebemos como era grande a fé e a confiança que Abraão depositava em Deus e nos Seus planos para a sua vida quando falava pra Isaac: “Deus providenciará a vítima para o holocausto, meu filho”.  Na nossa vida também, algumas vezes, o Senhor nos pede para sacrificar algo que nos é muito importante com o fim de que avaliemos a qualidade  da nossa fé e da nossa confiança nas Suas ordens. Quando obedecemos às Suas ordens, mesmo que não entendamos nada e apenas confiemos na Sua Misericórdia e na Sua Providência, Ele aprovisiona tudo de que precisamos para que a Sua obra se concretize em nós.  Isaac pode ser para nós algo a que nós nos apegamos porque achamos que não poderemos viver sem ela e o Senhor nos pede como oferta.   Se fizermos a experiência e confiarmos na providência divina, nós também conseguiremos pegar a faca para cortar da nossa vida aquilo que o Senhor nos pede. Assim sendo, comprovaremos que a nossa história não é diferente da história dos homens e das mulheres da Bíblia. Nós também nunca poderemos nos esquecer de que Deus também já providenciou a vítima para ser sacrificada em expiação dos nossos pecados. Jesus Cristo é o Cordeiro imolado, vítima perfeita que se ofereceu pela nossa salvação. Deus precisa do nosso testemunho de confiança nos Seus planos e nos testa para que nós mesmos (as)  possamos ter ideia de como anda a nossa fé nos Seus desígnios.   - Você teria coragem de levar o seu “filho único” para ser sacrificado a pedido do Senhor?- Existe alguma coisa muito especial para você comparável a um filho único e que você não quer perder?- Você já experimentou a providencia de Deus na sua vida?- Você tem consciência de que Jesus se ofereceu como vítima só para que você tivesse  uma vida nova?

Salmo 114 – “Andarei na presença de Deus, junto a ele, na terra dos vivos”!
O salmista relata o sentimento de alguém que está à beira do perigo e da morte e mesmo assim confia no Senhor. “Salvai, ó Senhor, a minha vida.” A justiça de Deus para nós é a salvação, portanto todo aquele que grita o Seu Nome e pede ajuda, terá a sua vida libertada. Ele é justiça, bondade, amor-compaixão para os humildes, os que se sentem oprimidos e necessitados. Não devemos esperar pela outra vida para contemplar a bondade do Senhor, porque é também  na terra dos vivos que nós  andamos na sua presença.

Evangelho – Mateus 9, 1-8 – “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”. 

Neste Evangelho Jesus nos revela que o pecado nos paralisa e nos aprisiona tirando a nossa liberdade interior. Quando curou o paralítico Jesus foi direto à raiz da sua paralisia humana ao argumentar com os mestres da lei sobre os seus vãos pensamentos, dizendo: “O que é mais fácil dizer: “os teus pecados estão perdoados”, ou dizer: “Levanta-te e anda”.  Da mesma forma o pecado também entorpece o nosso ser e nos impede de caminhar com nossas próprias forças, debilitados sem ânimo para sair do lugar. Quantas vezes nós nos sentimos presos (as), acorrentados (as) aos sentimentos de ódio,  de medo, revolta,  ressentimento,  ideia de vingança e  precisamos de  alguém que nos liberte do jugo que pesa sobre nós! O pecado é tudo que nos afasta da fonte do Amor de Deus. O pecado é o desamor, é a falta da graça de Deus e, somente quando em nós esta graça é restituída, nós nos sentiremos verdadeiramente livres. A cura do paralítico também nos traz como exemplo a solidariedade dos amigos que o apresentaram a Jesus.   O Senhor quer tirar de nós a mentalidade de sempre querer receber e nada oferecer. “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”.   Jesus nos cura e nos manda também levantar e tomar a nossa cama , isto é a nossa vida que às vezes é pesada como uma Cruz. Ele nos envia à  nossa casa para dar testemunho da cura que Ele fez  e nos coloca à disposição da edificação do Seu reino dentro da nossa família. Ele não nos quer acomodados na mesmice, mas ousados e cheios de fé. - Você alguma vez se sentiu também paralisado (a) pelo pecado?- Você já recebeu ajuda de alguém que levou você para receber o perdão de Deus?- Você tem ajudado às pessoas que estão doentes, paralisados (as) pela vida?- Você é uma pessoa acomodada nos mesmo vícios, nos mesmos pecados? – Você tem dado testemunho de Jesus na sua casa? 

Vida de escravos-Helena Serpa

01/07/2015 - 4a. feira XIII semana comum – Gênesis 21, 5.8-20 – “um poço no deserto”
Os descendentes diretos de Abraão, Isaac e Ismael foram reconhecidos por Deus apesar de que, apenas o filho de Sara, sua mulher, seja o filho da promessa do Senhor. Ismael, filho de Agar, sua escrava, é o filho da precipitação de Sara que não acreditando no juramento do Senhor de conceder a Abraão uma descendência numerosa, entregou a ele a sua escrava para que esta lhe desse um filho. Como o Senhor havia dito, Isaac nasceu de Sara e era o filho privilegiado. Como narra a leitura, a aflição de Agar vagueando pelo deserto, chegou aos ouvidos do Senhor e Ele não a abandonou e mandou um anjo segui-la pelo caminho prometendo a Ismael a recompensa de um povo numeroso.   A Palavra de Deus se cumpre fielmente na nossa vida e, por mais que tentemos mudar os Seus projetos nós não o conseguiremos. Assim também acontece conosco quando nos sentimos abandonados (as), rejeitados (as) pela vida, sofrendo a consequência dos nossos erros ou mesmo do erro de outras pessoas que nos aconselham mal e influenciam as nossas más escolhas. O mesmo Deus que ouviu o clamor da escrava, na Sua infinita Misericórdia vem também em nosso socorro e não nos despreza quando nós gritamos a Ele e pedimos a Sua ajuda. Ele está sempre pronto para nos atender e abre os nossos olhos para enxergar o “poço de água” no deserto da nossa vida para que não morramos de sede nem permaneçamos no erro. Jesus nos enviou o Seu Espírito Santo. Ele é o rio de água viva que precisamos para nos saciar e lavar as nossas impurezas e satisfazer a sede da nossa alma.   – Alguma vez na sua vida você se sentiu abandonado (a) por Deus e pelas pessoas? – qual é a sua reação diante do sofrimento: você se revolta ou clama por Deus? – Você espera alguma promessa de Deus para a sua vida? – Você confia que realmente vai acontecer como Ele prometeu? – Você tem clamado pelo Espírito de Deus?
Salmo 33 – “Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido”
A infelicidade significa para nós a ausência da graça de Deus, o nosso afastamento da Sua presença. O Senhor deseja sempre estar perto de nós e todas as vezes que O chamamos Ele se aproxima. O anjo do Senhor nos acompanha para nos salvar do precipício que muitas vezes nos atrai. O homem infeliz é temeroso e angustiado, mas a presença do Senhor liberta-o dos seus temores. Aos que buscam o Senhor não lhes falta nada, aqueles que não o temem, mesmo sendo ricos, passam fome. Todo homem ama a sua vida e procura a felicidade e ela consiste na vontade de Deus se realizando na sua vida todos os dias.


Evangelho – Mateus 8, 28-34 – “vida de escravos”
Assim como os dois homens da história narrada por Mateus, na nossa vida também, há ocasiões em que até inadvertidamente nos deixamos apossar pelas obras do maligno e ficamos vagando acomodados no nosso modo de viver cercando os túmulos do mundo. Reconhecemos que Jesus é o Filho de Deus, sabemos que só Ele tem poder para nos libertar do pecado, todavia nos rebelamos contra Ele e entendemos que ainda não é tempo de sair da vida de escravidão. Por isso, vemos nesta narrativa que os próprios endemoniados reconheceram Jesus como Filho de Deus, mas replicaram: “o que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?  Sabemos que o inimigo de Deus persegue os Seus filhos, e tenta de todas as maneiras fazer com que a criatura rejeite o Seu Criador.   No entanto, nós sabemos também que Jesus já derrotou o demônio quando venceu a morte que é  consequência do pecado e ele tem conhecimento de que já foi vencido por Jesus. Mesmo assim, continua explorando e perseguindo o ser humano conduzindo-os para a infelicidade. Jesus, no entanto, sabe para onde deverão ir os “espíritos maus” que tentam nos acorrentar para nos fazer pessoas infelizes. Os espíritos maus que podem nos atormentar ainda hoje, fazem de nós pessoas iradas, rebeldes, idólatras, materialistas, impacientes, murmuradoras, intolerantes, medrosas, arrogantes e às vezes, tão violentas que podemos ser comparados com verdadeiras “feras” . Se, porém,  tivermos consciência de que Jesus já venceu a morte e que já nos deu a vida eterna, com certeza não cairemos nas malhas dos inimigos. E se tivermos inteligência deixaremos que Jesus se aproxime de nós e não O impediremos de entrar na nossa vida.  -  Você é uma pessoa fácil de ser influenciada e atraída para as coisas mundanas? – O inimigo também costuma  cerca-lo (a)? – Você está acomodado (a) em alguma situação que o (a) escraviza? – Você quer ser libertado (a)? – O que precisa mudar em você? - Você se sente em paz diante das suas ações com as pessoas?



A barca é a Igreja-Helena Serpa

30/06/2015 - 3ª. Feira XIII semana comum – Gênesis 19, 15-29 – “O nosso refúgio é a casa do Senhor”
Ló foi o único homem justo que Deus encontrou em Sodoma! Por isso, conforme a Sua promessa, os mesmos anjos que estiveram com Abraão se apresentaram a ele e o instruíram para que ele e a sua família fugissem daquela cidade que fora amaldiçoada por  causa da iniquidade dos seus habitantes. E assim recomendou: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas e sai, para não morreres também por causa das iniquidades da cidade”.   “Trata de salvar a tua vida. Não olhes para trás nem te detenhas em parte alguma desta região.”   A mulher de Ló, no entanto,  transgredindo as ordens dos anjos, olhou para trás e transformou-se numa estátua de sal. O Senhor hoje também está atento e se empenha para  nos salvar das catástrofes, humanas e espirituais que abalam o mundo de hoje. Vivemos no meio das maiores aberrações e convivemos com os mais diversos contra testemunhos da fé que professamos. Nós e nossa família estamos sempre correndo o risco de sermos exterminados pelas consequências que o pecado nos inflige quando seguimos a mentalidade do mundo.  Assim, Ele também providencia um refúgio para nós, na Igreja, na Comunidade, nos lugares de oração, mas também nos adverte: “não olhes para trás nem te detenhas”. E muitas vezes nós não acreditamos, duvidamos ou temos saudade da vida passada, somos apegados às pessoas e aos bens que possuíamos antes, por isso transgredimos as orientações de Deus. Queremos olhar para trás e ainda nos deliciar com as “coisas boas” da vida velha. Por isso, nos tornamos pessoas paralisadas, sem vontade própria, perdemos o referencial da nossa família e nos afastamos do lugar que Deus reservou para nós. O Senhor deseja salvar a nós e a nossa família. Ele quer mudar radicalmente a nossa mentalidade e quer nos tirar da mesmice. Ele quer nos retirar do meio da perversidade que por si só, tenta nos destruir, por isso, também nos fala: “Refugia-te lá depressa, pois nada posso fazer enquanto não tiveres entrado na cidade”.  O nosso refúgio é na casa do Senhor, na convivência dos que O temem no meio do Seu povo, cantando louvores a Ele.  Só assim seremos salvos da destruição e teremos vida nova. – Você compreende isso? – Você já percebeu que Deus tenta salvar a você a sua família, por isso envia os Seus mensageiros? – Aonde você tem ido se refugiar das intempéries do pecado? – Você tem querido voltar para a vida velha? – O que isto tem lhe proporcionado?  
                                                                                                                                                                                                                                  

Salmo 25 – “Tenho sempre vosso amor ante meus olhos”
A oração deste salmo é um cântico que deveria estar sempre nos nossos lábios. Nele nós suplicamos ao Senhor um refúgio bem seguro contra as investidas do maligno e colocamos à Sua  disposição, o mais íntimo do nosso ser, onde se encontra o Seu amor. “Vossa verdade, Senhor escolhi por meu caminho”, diz o salmista. “Vou caminhando na inocência, libertai-me, tende piedade”. Repita hoje este salmo como uma intercessão por você e pela sua família.


Evangelho – Mateus 8, 23-27 – “A barca é a Igreja”


Entrar na barca com Jesus é estar inserido na Igreja, é participar da Comunidade, é conviver com os irmãos e se deixar submergir nos mistérios divinos.  Existe uma grande diferença nas horas de dificuldades da nossa vida quando nós estamos na barca com Jesus na Igreja em comunidade, lugar de refúgio e segurança. Quando estamos em comunidade nós percebemos a presença de Jesus, ainda que, às vezes, aparentemente Ele possa estar  dormindo, nós sabemos a quem recorrer nas horas de aflição e provação. Quantas pessoas vivem no mundo, entregues, somente, aos seus recursos materiais e não têm para quem apelar e pedir socorro nos momentos de agonia! Há fatos e acontecimentos que nos tiram completamente a segurança e o equilíbrio e, se não tivermos um porto seguro, nós sucumbiremos. As situações críticas são sempre um termômetro que mede o grau de consciência da maturidade ou infantilidade da nossa fé.  Se, apesar do pavor dos discípulos, Jesus ameaçou os ventos e o mar e estes O obedeceram, quanto mais  poderá fazer por nós, se nos mantivermos firmes na fé e conscientes de que Ele está pertinho de nós para nos defender! As tempestades da nossa vida serão vivenciadas por nós com muito mais serenidade se tivermos confiança na presença de Jesus. É promessa Dele para nós: “no mundo haveis de ter aflições. Coragem eu venci o mundo”. (Jo 16, 33b) – Você já entrou na barca de Jesus? – Você confia que Ele o (a) ajudará na hora da tempestade? – Você já passou por alguma aflição? – A quem você recorreu? 

domingo, 28 de junho de 2015

Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?-Padre Queiroz

01-        de julho- Quarta - Evangelho - Mt 8,28-34


Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?
Neste Evangelho narra que Jesus, ao entrar numa cidade, expulsou o demônio de dois homens. Os demônios foram para uma grande manada de porcos, os quais se atiraram no mar e morreram. Então os habitantes da cidade pediram a Jesus que se retirasse da região deles.
A criação de porcos era a principal economia daquele povo. A libertação do pecado, muitas vezes, tem como preço a diminuição da renda em dinheiro, especialmente quando essa renda provém ou está sendo fonte de pecado.
Deus só aceita quem o ama sobre todas as coisas. Não podemos servir a dois senhores: a Deus e ao dinheiro.
Os possessos saíram dos túmulos. Os mortos querem viver entre os mortos. Os pecadores querem viver entre os pecadores. Por outro lado, os santos querem viver entre os santos. “Diz-me com quem andas e te direi quem és”. O túmulo é um lugar escuro. “Todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas” (Jo 3,20).
“Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho.” Quem vive com Deus é pacífico, quem não vive, é violento. Existem ruas, e até bairro, em que o povo tem medo de passar. A violência moral às vezes é pior que a física.
“Que tens a ver conosco, Filho de Deus?” As estruturas do mal conhecem quem é mais forte que elas e tem poder de destruí-las. A Igreja de Jesus, una, santa, católica e apostólica, é a religião mais atacada do mundo. Todas as religiões se unem apenas em um ponto: para atacar os católicos. Quem está fora da Igreja católica sabe que ela é o Corpo Vivo de Jesus, o Filho de Deus, por isso a ataca.
“Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” É uma referência ao inferno, o tormento no tempo certo.
“Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos.” O porco era considerado um animal impuro, porque vive na lama e anda sempre sujo. Combina, portanto, com o “pai do pecado” que é o demônio.
“A cidade toda foi ao encontro de Jesus, e lhe pediram que se retirasse da região deles.” Preferiram o dinheiro (porcos) a Jesus. Na verdade, todos os habitantes da cidade eram possessos, ou possuídos pelo deus dinheiro. Quem não renuncia a tudo o que possui não pode entrar no Reino de Deus. “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13).
E assim, a recusa a Jesus ia crescendo dia-a-dia e o seu campo de trabalho diminuindo, até que, na ressurreição, explodiu para o mundo inteiro, e nunca mais será barrado.
Certa vez, um pastor estava no campo cuidando de um enorme rebanho de ovelhas. E estava ao lado de uma estrada. De repente um carro parou. Saiu do volante um rapaz, com jeito de distinto, e disse ao pastor: “Se eu lhe disser quantas ovelhas o senhor tem neste rebanho, o senhor me dá uma?” O pastor respondeu: “Tranqüilo!”. O rapaz pegou no carro o seu not-boock, conectou-o na internet via satélite, acessou um programa especial de contagem de animais pelo satélite e, em poucos segundos, apareceu na tela o número: Havia ali 1586 ovelhas. “É exatamente este número”, confirmou o pastor. Então o jovem pegou uma ovelha, pôs no carro, e já estava indo embora, quando o pastor o chamou e disse: “Moço, se eu lhe disser algo da sua vida particular, você me devolve a ovelha?” “Sim”, respondeu ele. O pastor falou: “Você leva uma vida bastante isolada, tanto das pessoas como dos animais”. “Acertou de cheio” – disse o jovem – “mas me diga uma coisa: Como que o senhor sabe disso?” O pastor respondeu: “Porque você teve um comportamento estranho: parou aqui sem necessidade, contou minhas ovelhas sem eu pedir, e me cobrou uma ovelha para dizer o que eu já sabia. E não entende nada de ovelha, porque o que você pegou não é ovelha, mas o meu cachorro!”
Rapaz tão inteligente em umas coisas, mas tão burro em outras. Quantos jovens de hoje estão na mesma situação! Há muitas maneiras de ser possuído pelo demônio; apegar-se demasiadamente à técnica e à ciência e se esquecer da caridade e do respeito ao próximo é uma delas.
Maria Santíssima acolhia sempre seu Filho com amor de mãe. Que ela nos ajude a recebê-lo bem e segui-lo, renunciando a tudo o que é contrário a ele.
Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?

Padre Queiroz


14º Domingo do Tempo Comum - Ano B-Dehonianos


ANO B
14º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 14º Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste domingo revela que Deus chama, continuamente, pessoas para serem testemunhas no mundo do seu projecto de salvação. Não interessa se essas pessoas são frágeis e limitadas; a força de Deus revela-se através da fraqueza e da fragilidade desses instrumentos humanos que Deus escolhe e envia.
A primeira leitura apresenta-nos um extracto do relato da vocação de Ezequiel. A vocação profética é aí apresentada como uma iniciativa de Jahwéh, que chama um “filho de homem” (isto é, um homem “normal”, com os seus limites e fragilidades) para ser, no meio do seu Povo, a voz de Deus.
Na segunda leitura, Paulo assegura aos cristãos de Corinto (recorrendo ao seu exemplo pessoal) que Deus actua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis, finitos e limitados. Na acção do apóstolo – ser humano, vivendo na condição de finitude, de vulnerabilidade, de debilidade – manifesta-se ao mundo e aos homens a força e a vida de Deus.
O Evangelho, ao mostrar como Jesus foi recebido pelos seus conterrâneos em Nazaré, reafirma uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Quando os homens se recusam a entender esta realidade, facilmente perdem a oportunidade de descobrir o Deus que vem ao seu encontro e de acolher os desafios que Deus lhes apresenta.

LEITURA I – Ez 2,2-5
Leitura da Profecia de Ezequiel
Naqueles dias,
o Espírito entrou em mim e fez-me levantar.
Ouvi então Alguém que me dizia:
«Filho do homem,
Eu te envio aos filhos de Israel,
a um povo rebelde que se revoltou contra Mim.
Eles e seus pais ofenderam-Me até ao dia de hoje.
É a esses filhos de cabeça dura e coração obstinado
que te envio, para lhes dizeres:
‘Eis o que diz o Senhor’.
Podem escutar-te ou não
- porque são uma casa de rebeldes -,
mas saberão que há um profeta no meio deles».
AMBIENTE
Ezequiel, o “profeta da esperança”, exerceu o seu ministério na Babilónia no meio dos exilados judeus. O profeta fez parte dessa primeira leva de exilados que, em 597 a.C., Nabucodonosor deportou para a Babilónia.
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorreu entre 593 a.C. (data do seu chamamento à vocação profética) e 586 a.C. (data em que Jerusalém foi conquistada uma segunda vez pelos exércitos de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados foi encaminhada para a Babilónia). Nesta fase, o profeta preocupou-se em destruir as falsas esperanças dos exilados (convencidos de que o exílio terminaria em breve e que iam poder regressar rapidamente à sua terra) e em denunciar a multiplicação das infidelidades a Jahwéh por parte desses membros do Povo judeu que escaparam ao primeiro exílio e que ficaram em Jerusalém.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrolou-se a partir de 586 a.C. e prolongou-se até cerca de 570 a.C.. Instalados numa terra estrangeira, privados de Templo, de sacerdócio e de culto, os exilados estavam desiludidos e duvidavam de Jahwéh e do compromisso que Deus tinha assumido com o seu Povo. Nessa fase, Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador não tinha abandonado nem esquecido o seu Povo.
O texto que nos é proposto hoje como primeira leitura faz parte do relato da vocação de Ezequiel (cf. Ez 1,1-3,27). Depois de descrever a manifestação de Deus, num quadro que apresenta todas as características especiais das teofanias (cf. Ez 1,1-28), o profeta apresenta um discurso no qual Jahwéh define a missão que lhe vai confiar (cf. Ez 2,1-3,15). O episódio é situado “no quinto ano do cativeiro do rei Joaquin”, “na Caldeia, nas margens do rio Cabar” (Ez 1,2).
Seria um erro interpretar este relato como informação biográfica… Trata-se, antes, de mostrar – com a linguagem da época e utilizando os processos típicos da literatura da época – que o profeta recebeu uma missão de Deus e que fala e actua em nome de Deus.
MENSAGEM
O nosso texto apresenta alguns dos elementos típicos dos relatos de vocação e que fazem parte de qualquer história de vocação.
Sugere-se, em primeiro lugar, que a vocação profética é um desígnio divino. Não se nomeia Jahwéh directamente; mas aquele que chama Ezequiel não pode ser outro senão Deus… O nosso texto é antecedido (cf. Ez 1,1-28) de uma solene manifestação de Deus. Depois, o profeta ouve uma “voz” que o chama (vers. 2) e que revela a Ezequiel que deve dirigir-se a esse Povo rebelde que se insurgiu contra Deus. Há também uma referência ao “espírito” que se apossou do profeta e o fez “levantar”; de acordo com a reflexão judaica, era Deus que comunicava uma força divina – o seu “espírito” – àqueles que escolhia para enviar a salvar o seu Povo, como os juízes (cf. Jz 14,6.19; 15,14), os reis (cf. 1 Sam 10,6.10; 16,13) e os profetas (no caso de Ezequiel, esse “espírito” aparece como uma manifestação especialmente violenta de Deus, que se apossa do profeta e o destina para o seu serviço). A vocação é sempre uma iniciativa de Deus e não uma escolha do homem. Foi Deus que chamou Ezequiel e que o designou para o seu serviço.
Em segundo lugar, aparece a ideia de que o chamamento é dirigido a um homem. Ezequiel é chamado “filho de homem” (vers. 3) – expressão hebraica que significa simplesmente “homem ligado à terra, fraco e mortal. Deus chama homens frágeis e limitados, não seres extraordinários, etéreos, dotados de capacidades incomuns… O que é decisivo não são as qualidades extraordinárias do profeta, mas o chamamento de Deus e a missão que Deus lhe confia. A indignidade e a limitação, típicas do “filho do homem”, não são impeditivas para a missão: a eleição divina dá ao profeta autoridade, apesar dos seus limites bem humanos.
Em terceiro lugar, temos a definição da missão. Ezequiel, o profeta, é enviado a um Povo rebelde, que continuamente se afasta dos caminhos de Jahwéh. A sua missão é apresentar a esse Povo as propostas de Deus. O mais importante não é que as palavras do profeta sejam ou não escutadas; o que é importante é que o profeta seja, no meio do Povo, a voz que indica os caminhos de Deus (vers. 4-5).
A vida de Ezequiel realizou integralmente o projecto de Deus. Chamado por Jahwéh, ele foi, no meio do Povo exilado na Babilónia, uma voz humana através da qual Deus apresentou ao seu Povo o caminho para a vida plena e verdadeira. É essa a missão do profeta.
ACTUALIZAÇÃO
• Os “profetas” não são um grupo humano extinto há muitos séculos, mas são uma realidade com que Deus continua a contar para intervir no mundo e para recriar a história. Quem são, hoje, os profetas? Onde estão eles?
• No Baptismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo. Cada um de nós tem a sua história de vocação profética: de muitas formas Deus entra na nossa vida, desafia-nos para a missão, pede uma resposta positiva à sua proposta. Temos consciência de que Deus nos chama – às vezes de formas bem banais – à missão profética? Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e através dos quais Ele nos diz, dia a dia, o que quer de nós? Temos a noção de que somos a “boca” através da qual a Palavra de Deus se dirige aos homens?
• O profeta é o homem que vive de olhos postos em Deus e de olhos postos no mundo (numa mão a Bíblia, na outra o jornal diário). Vivendo em comunhão com Deus e intuindo o projecto que Ele tem para o mundo, e confrontando esse projecto com a realidade humana, o profeta percebe a distância que vai do sonho de Deus à realidade dos homens. É aí que ele intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir. Somos estas pessoas, simultaneamente em comunhão com Deus e atentas às realidades que desfeiam o nosso mundo? Em concreto, em que situações sou chamado, no dia a dia, a exercer a minha vocação profética?
• A denúncia profética implica, tantas vezes, a perseguição, o sofrimento, a marginalização e, em tantos casos, a própria morte (Óscar Romero, Luther King, Gandhi…). Como lidamos com a injustiça e com tudo aquilo que rouba a dignidade dos homens? O medo, o comodismo, a preguiça, alguma vez nos impediram de ser profetas?
• É preciso ter consciência, também, que as nossas limitações e indignidades muito humanas não podem servir de desculpa para realizar a missão que Deus quer confiar-nos: se Ele nos pede um serviço, dar-nos-á também a força para superar os nossos limites e para cumprir o que nos pede. As fragilidades que fazem parte da nossa humanidade não podem, em nenhuma circunstância, servir de desculpa para não cumprirmos a nossa missão profética no meio dos nossos irmãos.

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 122 (123)
Refrão: Os nossos olhos estão postos no Senhor,
 até que Se compadeça de nós.
Levanto os olhos para Vós,
para Vós que habitais no Céu,
como os olhos do servo
se fixam nas mãos do seu senhor.
Como os olhos da serva
se fixam nas mãos da sua senhora,
assim os nossos olhos se voltam para o Senhor nosso Deus,
até que tenha piedade de nós.
Piedade, Senhor, tende piedade de nós,
porque estamos saturados de desprezo.
A nossa alma está saturada do sarcasmo dos arrogantes
e do desprezo dos soberbos.

LEITURA II – 2Cor 12,7-10
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
Para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça,
foi-me deixado um espinho na carne,
- um anjo de Satanás que me esbofeteia -
para que não me orgulhe.
Por três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim.
Mas Ele disse-me: «Basta-te a minha graça,
porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder».
Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas,
para que habite em mim o poder de Cristo.
Alegro-me nas minhas fraquezas,
nas afrontas, nas adversidades,
nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo,
porque, quando sou fraco, então é que sou forte.
AMBIENTE
A Segunda Carta de Paulo aos Coríntios espelha uma época de relações conturbadas entre Paulo e os cristãos de Corinto. As críticas de Paulo a alguns membros da comunidade que levavam uma vida pouco consentânea com os valores cristãos (Primeira Carta aos Coríntios) provocaram uma reacção extremada e uma campanha organizada no sentido de desacreditar Paulo. Essa campanha foi instigada por certos missionários itinerantes procedentes das comunidades cristãs da Palestina, que se consideravam representantes dos Doze e que minimizavam o trabalho apostólico de Paulo. Entre outras coisas, esses missionários afirmavam que Paulo era inferior aos outros apóstolos, por não ter convivido com Jesus e que a catequese apresentada por Paulo não estava em consonância com a doutrina da Igreja. Paulo, informado de tudo, dirigiu-se apressadamente para Corinto e teve um violento confronto com os seus detractores. Depois, bastante magoado, retirou-se para Éfeso. Tito, amigo de Paulo, fino negociador e hábil diplomata, partiu para Corinto, a fim de tentar a reconciliação.
Paulo, entretanto, deixou Éfeso e foi para Tróade. Foi aí que reencontrou Tito, regressado de Corinto. As notícias trazidas por Tito eram animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os coríntios estavam, outra vez, em comunhão com Paulo.
Reconfortado, Paulo escreveu uma tranquila apologia do seu apostolado, à qual juntou um apelo em favor de uma colecta para os pobres da Igreja de Jerusalém. Esse texto é a nossa Segunda Carta de Paulo aos Coríntios. Estamos no ano 56 ou 57.
O texto que nos é proposto integra a terceira parte da carta (cf. 2 Cor 10,1-13,10). Aí Paulo, num estilo apaixonado, às vezes cáustico, mas sempre levado pela exigência da verdade e da fé, defende a autenticidade do seu ministério frente a esses “super-apóstolos” que o acusavam.
Como apóstolo, Paulo não se sente inferior a ninguém e muito menos aos seus detractores. Estes orgulhavam-se das suas credenciais e afirmavam por toda a parte os seus dons carismáticos… Paulo, se quisesse entrar no mesmo jogo, podia orgulhar-se de muitas coisas, nomeadamente das revelações que recebeu e das suas experiências místicas (cf. 2 Cor 12,1-4); mas ele quer apenas que o vejam como um homem frágil e vulnerável, a quem Deus chamou e a quem enviou para dar testemunho de Jesus Cristo no meio dos homens.
MENSAGEM
Assumindo essa condição de debilidade e de vulnerabilidade, Paulo fala aos Coríntios de uma limitação que transporta no seu corpo, um “anjo de Satanás” que lhe recorda continuamente a sua finitude e fragilidade (vers. 7). De que é que se trata, em concreto? Não o sabemos. Provavelmente, trata-se de uma doença física crónica (em Gal 4,13-14 Paulo fala de uma grave enfermidade física, que fez com que o corpo do apóstolo fosse, para os Gálatas, “uma provação”; mas nada garante que essa enfermidade física esteja relacionada com este “anjo de Satanás” de que ele fala aos Coríntios). O facto de Paulo chamar a essa limitação que o apoquenta um “anjo de Satanás” deve ter a ver com o facto de a mentalidade judaica ligar as enfermidades aos “espíritos maus”. De acordo com outra interpretação, esse “espinho na carne” que é um “anjo de Satanás” poderia referir-se também aos obstáculos que Satanás põe a Paulo no que diz respeito ao anúncio do Evangelho.
Em todo o caso, o problema pessoal de Paulo mostra como a finitude e a fragilidade não são determinantes para a missão; o que é determinante é a graça de Deus… Com a graça de Deus, Paulo tudo pode, apesar da sua debilidade. Deus não eliminou o problema, apesar dos insistentes pedidos de Paulo; mas é Ele que dá a Paulo a força para continuar a sua missão, apesar dos limites que esse “espinho na carne” lhe impõe. Na verdade, o problema pessoal de que Paulo sofre dá testemunho de que Deus actua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis, finitos e limitados. No apóstolo – ser humano, vivendo na condição de finitude, de vulnerabilidade, de debilidade – manifesta-se ao mundo e aos homens a força de Deus e de Cristo.
ACTUALIZAÇÃO
• O caso pessoal de Paulo diz-nos muito sobre os métodos de Deus… Para vir ao encontro dos homens e para lhes apresentar a sua proposta de salvação, Deus não utiliza métodos espectaculares, poderosos, majestosos, que se impõem de forma avassaladora e que deixam uma marca de estupefacção e de espanto na memória dos povos; mas, quase sempre, Deus utiliza a fraqueza, a debilidade, a fragilidade, a simplicidade para nos dar a conhecer os seus caminhos. Nós, homens e mulheres do séc. XXI, deixamo-nos, facilmente, impressionar pelos grandes gestos, pelos cenários magnificentes, pelas roupagens sumptuosas, por tudo o que aparece envolvido num halo cintilante de riqueza, de prestígio social, de poder, de beleza; e, por outro lado, temos mais dificuldade em reparar naquilo que se apresenta pobre, humilde, simples, frágil, débil… A Palavra de Deus que hoje nos é proposta garante-nos que é na fraqueza que se revela a força de Deus. Precisamos de aprender a ver o mundo, os homens e as coisas com os olhos de Deus e a descobrir esse Deus que, na debilidade, na simplicidade, na pobreza, na fragilidade, vem ao nosso encontro e nos indica os caminhos da vida.
• A consciência de que as suas qualidades e defeitos não são determinantes para o sucesso da missão, pois o que é importante é a graça de Deus, deve levar o “profeta” a despir-se de qualquer sentimento de orgulho ou de auto-suficiência. O “profeta” deve sentir-se, apenas, um instrumento humano, frágil, débil e limitado, através do qual a força e a graça de Deus agem no mundo. Quando o “profeta” tem consciência desta realidade, percebe como são despropositadas e sem sentido quaisquer atitudes de vedetismo ou de busca de protagonismo, no cumprimento da missão… A missão do “profeta” não é atrair sobre si próprio as luzes da ribalta, as câmaras da televisão ou o olhar das multidões; a missão do “profeta” é servir de veículo humano à proposta libertadora de Deus para os homens.
• Como pano de fundo do nosso texto, está a polémica de Paulo com alguns cristãos que não o aceitavam. Ao longo de todo o seu percurso missionário, Paulo teve de lidar frequentemente com a incompreensão; e, muitas vezes, essa incompreensão veio até dos próprios irmãos na fé e dos membros dessas comunidades a quem Paulo tinha levado, com muito esforço, o anúncio libertador de Jesus. No entanto, a incompreensão nunca abalou a decisão e o entusiasmo de Paulo no anúncio da Boa Nova de Jesus… Ele sentia que Deus o tinha chamado a uma missão e que era preciso levar essa missão até ao fim, doesse a quem doesse… Frequentemente, temos de lidar com realidades semelhantes. Todos experimentámos já momentos de incompreensão e de oposição (que, muitas vezes, vêm do interior da nossa própria comunidade e que, por isso, magoam mais). É nessas alturas que o exemplo de Paulo deve brilhar diante dos nossos olhos e ajudar-nos a vencer o desânimo e a tentação de desistir.
• Neste texto de Paulo (como, aliás, em quase todos os textos do apóstolo), transparece a atitude de vida de um cristão para quem Cristo é, verdadeiramente, o centro da própria existência e que só vive em função de Cristo… Nada mais lhe interessa senão anunciar as propostas de Cristo e dar testemunho da graça salvadora de Cristo. Que lugar ocupa Cristo na minha vida? Que lugar ocupa Cristo nos meus projectos, nas minhas decisões, nas minhas opções, nas minhas atitudes?

ALELUIA – cf. Lc 4,18
Aleluia. Aleluia.
O Espírito do Senhor está sobre mim:
Ele me enviou a anunciar o Evangelho aos pobres.

EVANGELHO – Mc 6,1-6
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo,
Jesus dirigiu-Se à sua terra
e os discípulos acompanharam-n’O.
Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga.
Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam:
«De onde Lhe vem tudo isto?
Que sabedoria é esta que Lhe foi dada
e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?
Não é ele o carpinteiro, Filho de Maria,
e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?
E não estão as suas irmãs aqui entre nós?»
E ficavam perplexos a seu respeito.
Jesus disse-lhes:
«Um profeta só é desprezado na sua terra,
entre os seus parentes e em sua casa».
E não podia ali fazer qualquer milagre;
apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos.
Estava admirado com a falta de fé daquela gente.
E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.
AMBIENTE
O Evangelho de hoje fala-nos de uma visita à “terra” de Jesus. De acordo com Mc 1,9, a “terra” de Jesus era Nazaré, uma pequena vila da Galileia situada a 22 Km a oeste do Lago de Tiberíades. Esta povoação tipicamente agrícola nunca teve grande importância no universo na história do judaísmo… O Antigo Testamento ignora-a completamente; Flávio Josefo e os escritores rabínicos também não lhe fazem qualquer referência. Os contemporâneos de Jesus parecem conceder-lhe escassa consideração (cf. Jo 1,46). Nazaré é, no entanto, a cidade onde Jesus cresceu e onde reside a sua família.
A cena principal que nos é relatada por Marcos passa-se na sinagoga de Nazaré, num sábado. Jesus, como qualquer outro membro da comunidade judaica, foi à sinagoga para participar no ofício sinagogal; e, fazendo uso do direito que todo o israelita adulto tinha, leu e comentou as Escrituras.
O episódio que nos é proposto integra a primeira parte do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc 1,14-8,30). Aí, Jesus é apresentado como o Messias que proclama, por toda a Galileia, o Reino de Deus. Na secção que vai de 3,7 a 6,6, contudo, Marcos refere-se especialmente à reacção do Povo face à proclamação de Jesus… À medida que o “caminho do Reino” vai avançando, vão-se multiplicando as oposições e incompreensões face ao projecto que Jesus anuncia. O nosso texto deve ser entendido neste ambiente.
MENSAGEM
Os ensinamentos de Jesus na sinagoga, naquele sábado, deixam impressionados os habitantes de Nazaré, como já tinham deixado impressionados os fiéis da sinagoga de Cafarnaum (cf. Mc 1,21-28). No entanto, os de Cafarnaum, depois de ouvir Jesus, reconheceram a sua autoridade mais do que divina (e que, segundo eles, era diferente da autoridade dos doutores da Lei); os de Nazaré vão chegar a conclusões distintas.
Depois de escutarem Jesus, na sinagoga, os seus conterrâneos traduzem a sua perplexidade através de várias perguntas… Duas das questões postas dizem respeito à origem e à qualidade dos ensinamentos de Jesus (“de onde lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que lhe foi dada?” – vers. 2); uma outra questão refere-se à qualificação das acções de Jesus (“e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?” – vers. 2).
Numa espécie de contraponto à impressão que Jesus lhes deixou, eles recordam o seu ofício e a “normalidade” da sua família (vers. 3a)… Para eles, Jesus é “o carpinteiro”: não é um “rabbi”, nunca estudou as Escrituras com nenhum mestre conceituado e não tem qualificações para dizer as coisas que diz. Por outro lado, eles conhecem a identidade da família de Jesus e não descobrem nela nada de extraordinário: Ele é o “filho de Maria” e os seus irmãos e irmãs são gente “normal”, que toda a gente conhece em Nazaré e que nunca revelaram qualidades excepcionais. Portanto, parece claro que o papel assumido por Jesus e as acções que Ele realizou são humanamente inexplicáveis.
A questão seguinte (que, no entanto, não aparece explicitamente formulada) é esta: estas capacidades extraordinárias que Jesus revela (e que não vêm certamente dos conhecimentos adquiridos no contacto com famosos mestres, nem do ambiente familiar) vêm de Deus ou do diabo? Desde o primeiro momento, os comentários dos habitantes de Nazaré deixam transparecer uma atitude negativa e um tom depreciativo na análise de Jesus. Nem sequer se referem a Jesus pelo próprio nome, mas usam sempre um pronome para falar d’Ele (Jesus é “este” ou “ele” - vers. 2-3). Depois, chamam-Lhe depreciativamente “o filho de Maria” (o costume era o filho ser conhecido em referência ao pai e não à mãe). Como cenário de fundo do pensamento dos habitantes de Nazaré está provavelmente a acusação feita a Jesus algum tempo antes pelos “doutores da Lei que haviam descido de Jerusalém e que afirmavam: «Ele tem Belzebu! É pelo chefe dos demónios que ele expulsa os demónios»“ (Mc 3,22). Marcos conclui que os habitantes de Nazaré ficaram “escandalizados” (vers. 3b) com Jesus (o verbo grego “scandalidzô”, aqui utilizado, significa muito mais do que o “ficar perplexo” das nossas traduções: significa “ofender”, “magoar”, “ferir susceptibilidades”). Há na vila uma espécie de indignação porque Jesus, apesar de ter sido desautorizado pelos mestres reconhecidos do judaísmo, continua a desenvolver a sua actividade à margem da instituição judaica. Ele põe em causa a religião tradicional, quando ensina coisas diferentes e de forma diferente dos mestres reconhecidos. Conclusão: Ele está fora da instituição judaica; o seu ensinamento não pode, portanto, vir de Deus, mas do diabo. Os conterrâneos de Jesus não conseguem reconhecer a presença de Deus naquilo que Jesus diz e faz.
Jesus responde aos seus concidadãos (vers. 4) citando um conhecido provérbio, mas que Ele modifica, em parte (o original devia soar mais ou menos assim: “nenhum profeta é respeitado no seu lugar de origem, nenhum médico faz curas entre os seus conhecidos”). Nessa resposta, Jesus assume-Se como profeta – isto é, como um enviado de Deus, que actua em nome de Deus e que tem uma mensagem de Deus para oferecer aos homens. Os ensinamentos que Jesus propõe não vêm dos mestres judaicos, mas do próprio Deus; a vida que Ele oferece é a vida plena e verdadeira que Deus quer propor aos homens.
A recusa generalizada da proposta que Jesus traz coloca-o na linha dos grandes profetas de Israel. O Povo teve sempre dificuldade em reconhecer o Deus que vinha ao seu encontro na palavra e nos gestos proféticos. O facto de as propostas apresentadas por Jesus serem rejeitadas pelos líderes, pelo povo da sua terra, pelos seus “irmãos e irmãs” e até pelos da sua casa não invalida, portanto, a sua verdade e a sua procedência divina.
Porque é que Jesus “não podia ali fazer qualquer milagre” (vers. 5)? Deus oferece aos homens, através de Jesus, perspectivas de vida nova e eterna… No entanto, os homens são livres; se eles se mantêm fechados nos seus esquemas e preconceitos egoístas e rejeitam a vida que Deus lhes oferece, Jesus não pode fazer nada. Marcos observa, apesar de tudo, que Jesus “curou alguns doentes impondo-lhes as mãos”. Provavelmente, estes “doentes” são aqueles que manifestam uma certa abertura a Jesus mas que, de qualquer forma, não têm a coragem de cortar radicalmente com os mecanismos religiosos do judaísmo para descobrir a novidade radical do Reino que Jesus anuncia.
Marcos nota ainda a “surpresa” de Jesus pela falta de fé dos seus concidadãos (vers. 6a). Esperava-se que, confrontados com a proposta nova de liberdade e de vida plena que Jesus apresenta, os seus interlocutores renunciassem à escravidão para abraçar com entusiasmo a nova realidade… No entanto, eles estão de tal forma acomodados e instalados, que preferem a vida velha da escravidão à novidade libertadora de Jesus.
Este facto decepcionante não impede, contudo, que Jesus continue a propor a Boa Nova do Reino a todos os homens (vers. 6b). Deus oferece, sem interrupção, a sua vida; ao homem resta acolher ou não esse oferecimento.
ACTUALIZAÇÃO
• O texto do Evangelho repete uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Normalmente, Ele não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que o mundo acha brilhantes e que os homens admiram e endeusam; mas, muitas vezes, Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, na debilidade, na pobreza, nas situações mais simples e banais, nas pessoas mais humildes e despretensiosas… É preciso que interiorizemos a lógica de Deus, para que não percamos a oportunidade de O encontrar, de perceber os seus desafios, de acolher a proposta de vida que Ele nos faz…
• Um dos elementos questionantes no episódio que o Evangelho deste domingo nos propõe é a atitude de fechamento a Deus e aos seus desafios, assumida pelos habitantes de Nazaré. Comodamente instalados nas suas certezas e preconceitos, eles decidiram que sabiam tudo sobre Deus e que Deus não podia estar no humilde carpinteiro que eles conheciam bem… Esperavam um Deus forte e majestoso, que se havia de impor de forma estrondosa, e assombrar os inimigos com a sua força; e Jesus não se encaixava nesse perfil. Preferiram renunciar a Deus, do que à imagem que d’Ele tinham construído. Há aqui um convite a não nos fecharmos nos nossos preconceitos e esquemas mentais bem definidos e arrumados, e a purificarmos continuamente, em diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta da Palavra revelada e na oração, a nossa perspectiva acerca de Deus.
• Para os habitantes de Nazaré Jesus era apenas “o carpinteiro” da terra, que nunca tinha estudado com grandes mestres e que tinha uma família conhecida de todos, que não se distinguia em nada das outras famílias que habitavam na vila; por isso, não estavam dispostos a conceder que esse Jesus – perfeitamente conhecido, julgado e catalogado – lhes trouxesse qualquer coisa de novo e de diferente… Isto deve fazer-nos pensar nos preconceitos com que, por vezes, abordamos os nossos irmãos, os julgamos, os catalogamos e etiquetamos… Seremos sempre justos na forma como julgamos os outros? Por vezes, os nossos preconceitos não nos impedirão de acolher o irmão e a riqueza que Ele nos traz?
• Jesus assume-Se como um profeta, isto é, alguém a quem Deus confiou uma missão e que testemunha no meio dos seus irmãos as propostas de Deus. A nossa identificação com Jesus faz de nós continuadores da missão que o Pai Lhe confiou. Sentimo-nos, como Jesus, profetas a quem Deus chamou e a quem enviou ao mundo para testemunharem a proposta libertadora que Deus quer oferecer a todos os homens? Nas nossas palavras e gestos ecoa, em cada momento, a proposta de salvação que Deus quer fazer a todos os homens?
• Apesar da incompreensão dos seus concidadãos, Jesus continuou, em absoluta fidelidade aos planos do Pai, a dar testemunho no meio dos homens do Reino de Deus. Rejeitado em Nazaré, Ele foi, como diz o nosso texto, percorrer as aldeias dos arredores, ensinando a dinâmica do Reino. O testemunho que Deus nos chama a dar cumpre-se, muitas vezes, no meio das incompreensões e oposições… Frequentemente, os discípulos de Jesus sentem-se desanimados e frustrados porque o seu testemunho não é entendido nem acolhido (nunca aconteceu pensarmos, depois de um trabalho esgotante e exigente, que estivemos a perder tempo?)… A atitude de Jesus convida-nos a nunca desanimar nem desistir: Deus tem os seus projectos e sabe como transformar um fracasso num êxito.

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 14º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 14º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. BILHETE DE EVANGELHO.
Os ouvintes estão admirados, chocados… Como poderia Jesus fazer milagres quando se punha em dúvida as suas palavras de profeta e os seus actos de salvador? Com efeito, os seus conterrâneos olham-n’O apenas com os olhos de carne, só vêem n’Ele o filho do carpinteiro com quem tinham jogado, trabalhado, escutado a lei na sinagoga… Não reconhecem n’Ele o enviado de Deus. Falta-lhes o olhar da fé para ler no seu ensino a mensagem de Deus e nos seus milagres sinais do Todo-Poderoso. E quanto a nós, como está o nosso olhar de fé, ao vermos Jesus e os seus sinais de salvação?
3. À ESCUTA DA PALAVRA.
Testemunho profético… Afinal, o que é um profeta? A ideia mais espalhada é que é alguém que prevê e anuncia o futuro. Esses profetas não faltam hoje… Ora, como Ezequiel, o verdadeiro profeta está habitado, em primeiro lugar, pelo Espírito Santo, para ser em seguida enviado aos seus irmãos em humanidade e lhes anunciar a Palavra de Deus. Mas não se trata de uma missão de descanso! A Palavra de Deus inquieta sempre, porque convida os homens a descentrarem-se de si mesmos. Ezequiel é enviado a um povo de rebeldes, que têm o rosto duro e o coração obstinado. Nestas circunstâncias, não é fácil fazer-se ouvir. A missão do profeta não é prazer. Jesus fez a experiência… Basta ver a atitude dos seus conterrâneos… A própria família tinha tentado impedi-lo de falar. Ora, pelo nosso baptismo e confirmação, todos somos chamados a ser profetas, a deixarmo-nos habitar pelo Espírito, pela Palavra de Deus, para nos tornarmos arautos e testemunhas onde vivemos. O Concílio Vaticano II, recuperando esta missão profética dos baptizados, declara que estes últimos recebem todos o sentido da fé e a graça da palavra, a fim de que brilhe na sua vida quotidiana a força do Evangelho. Os cristãos não devem esconder este testemunho e esta palavra no segredo do seu coração, mas devem exprimi-lo também através das estruturas da vida do mundo. Há que tomar a sério esta missão profética!
4. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
A cada um o seu chamamento… Cada um de nós pode reflectir qual é o chamamento pessoal do Senhor, à volta de três palavras: vocação – graça – dificuldades. Qual é a minha vocação, a que é que Deus me chama, aonde me envia? Como se manifesta em mim a sua graça? Quais as dificuldades que encontro, como as ultrapassar? Viveremos então, no recomeço do ano, um novo início de caminhada.

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
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