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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Hoje, nasceu para vós um Salvador. Pe. Queiroz

TERÇA- 24 de Dezembro de 2013 -Evangelho - Lc 1,67-79

O sol que nasce do alto nos visitará.
Temos neste Evangelho o belíssimo cântico de Zacarias, chamado Benedictus, que ele cantou após o nascimento do filho João Batista. É um hino à fidelidade de Deus às suas promessas. Este cântico, assim como o magnificat, a Igreja repete todos os dias, nas Laudes e Vésperas respectivamente.
A primeira parte é um hino de ação de graças a Deus pela redenção iniciada. E a segunda parte é uma visão esperançosa do futuro, graças à intervenção do precursor, que abre caminho para o Messias.
O Benedictus começa dizendo: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo”. A redenção foi o maior presente que a humanidade recebeu. Hoje, tantos séculos depois, podemos repetir essa mesma explosão de alegria que teve Zacarias, pois a redenção é uma fonte inesgotável. Cristo veio para ficar conosco.
“Fez aparecer para nós a força da salvação.” Deus é maior que as forças do mal que querem nos levar à perdição.
“Como tinha prometido”. Deus cumpre as promessas que faz. Ele não tem pressa porque quem tem todo o poder na mão não tem pressa. A pressa é ligada à insegurança de quem não tem todo o poder.
“Para salvar-nos dos nossos inimigos.” Todos temos inimigos. São os que nos prejudicam ou querem levar-nos para o mal. Até nós, sem querer, podemos ser inimigos de alguma pessoa. Mas nenhum inimigo, da terra ou do outro mundo, isto é, o demônio, tem poder sobre nós, graças ao batismo que recebemos, pelo qual Deus nos visitou e libertou. Jesus nos deu todos os meios para nos libertarmos dos inimigos, sejam eles quais forem. Cabe a nós usar esses meios. Um deles é a Santa Igreja, que é a vida em Comunidade.
“Para que, sem temor e libertos das mãos dos nossos inimigos, nós o sirvamos, com santidade e justiça.” Santidade é viver bem com Deus. Justiça é viver bem com o próximo. E isso “sem temor”. Precisamos libertar-nos do medo, pois ele é o primeiro obstáculo que entrava na caminhada.
“Nós o sirvamos... em sua presença todos os dias da nossa vida.” Mesmo que a nossa vida dure noventa, cem ou mais anos, vamos servir a Deus todos os dias sem cansaço nem desânimo. A Bíblia está cheia de exemplos de idosos que serviram a Deus até o fim. Por exemplo, os profetas Simeão e Ana (Lc 2,25-38).
Em seguida, Zacarias se volta para seu filho: “E tu, menino, serás profeta do Altíssimo, pois irás adiante do Senhor para preparar-lhe os caminhos”. Também nós somos chamados a preparar os caminhos do Senhor.
Mas Zacarias volta a falar do Verbo encarnado: “Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos visitará”. Jesus é como o sol que vence as trevas da noite e ilumina toda a terra. Que bom se saíssemos da sombra e nos deixássemos iluminar e aquecer por esse sol!
“Para iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte.” Ao vermos as luzes do Natal brilhando em toda parte, lembremo-nos de que somos portadores da luz de Cristo, especialmente para iluminar os que jazem nas trevas e sombras da morte.
Nós devíamos ser como aquelas tomadas fosforescentes. Elas recebem a luz durante o dia e a guardam. À noite, elas brilham para que as pessoas possam vê-las mesmo no escuro.
Natal é a festa da esperança. O nascimento de Jesus foi e é uma nova esperança: a nossa vida e o mundo têm conserto, porque Deus veio visitar o seu povo.
“E dirigir nossos passos no caminho da paz.” Nós queremos ter paz e ser instrumentos de paz.
Vamos olhar o nascimento de Jesus assim, com os olhos de Zacarias. Mas sem cair na fraqueza dele, tendo dúvidas a respeito da ação divina.
Certa vez, um rapaz estava caindo num barranco e se agarrou às raízes de uma árvore. Em cima do barranco havia um leão querendo devorá-lo.O leão rosnava e mostrava os dentes. Embaixo, prontas para engoli-lo quando caísse, estavam nada menos que seis onças.
Ele erguia a cabeça, via o leão; abaixava a cabeça, via as onças miando e de olhos fitos nele. Em determinado momento, ele olhou para o lado e viu um morango vermelho, madurinho e cheiroso. Com grande esforço, conseguiu apanhar o morango, levou-o à boca e se deliciou com o seu sabor doce e suculento. Foi um grande prazer comer aquele morango tão gostoso.
Agora você me pergunta: E o leão? Dane-se! Esqueça o leão e as onças e coma os morangos, pois Deus visitou e redimiu o seu povo. Deus veio nos visitar, vamos soltar-nos em suas mãos!
Que Maria Santíssima, Zacarias, Isabel e João Batista intercedam por nós, para que celebremos bem o nascimento de Jesus.
O sol que nasce do alto nos visitará.

Lc 2,1-14 (Missa da noite, Solenidade do Natal)

Hoje, nasceu para vós um Salvador.
Com muita alegria, celebramos nesta noite o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Evangelho narra como foi o nascimento de Jesus. Chama a nossa atenção a situação de pobreza em que Maria deu à luz. Todos nós tivemos uma cama ou um berço onde fomos colocados quando nascemos. Jesus teve de ser colocado numa manjedoura, isto é, num coxo de animais. Admira-nos também a beleza com que os anjos deram a notícia aos pastores.
“Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados.” Essas palavras dos anjos expressam bem os nossos sentimentos nesta noite. Damos glória a Deus e pedimos a paz para a terra, especialmente para os homens e mulheres mais queridos de Deus.
Nós nunca conseguimos entender o tamanho do amor de Deus por nós, manifestado no Natal. Somos felizes, porque Deus nos abraçou e fez um eterno pacto de amor conosco. “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único” (Jo 3,16).
Com o pecado original, quem ofendeu a Deus e separou-se dele foi o homem. Entretanto, Deus não esperou que o homem o procurasse, mas ele mesmo o procurou, através de seu Filho. Deus deu o primeiro passo. Cabe a nós corresponder a esse gesto. “Nós amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19).
“O que é o homem, Senhor, para que o ames tanto assim? O que o ser humano tem em si, que conseguiu fascinar-te desse jeito?” (Sl 8,5). Por isso que a festa do Natal é tão bonita. É uma eterna explosão de alegria e de gratidão a Deus.
Antes, as pessoas se perguntavam: Por que a dor? Por que a humilhação? Qual é o sentido do sofrimento?... No Natal temos as respostas. Deus, tornando-se homem, humilhou-se, sentiu dor e passou pelos mais diversos sofrimentos, para dizer que o amor é maior que tudo isso. Ele veio dizer que não estamos sozinhos nas intempéries da vida. “Se conhecesses do Dom de Deus!” (Jo 4,10).
Pelo batismo, fomos inseridos em Cristo, participamos da sua missão e conseqüentemente dos seus sofrimentos, perseguições e humilhações, pela redenção do mundo. Infelizmente, o presente que é Jesus ainda não chegou a milhões de pessoas, simplesmente porque não há pessoas disponíveis em levá-lo!
“Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador...” Vamos atender ao apelo do anjo, vencer o medo e nos deixar contagiar por essa alegria do Natal.
O Verbo eterno, vindo à terra, não só recuperou tudo o que o ser humano tinha perdido pelo pecado, mas o enriqueceu muito mais. Agora temos em nós a natureza divina e somos filhos e filhas de Deus!
Entretanto, a recusa à Luz continua. A recusa de abrir o coração para Jesus vir e nascer, continua. Por isso que todos os anos repetimos a festa do Natal. Cada ano estamos numa situação diferente, e é nesta nova situação que Jesus quer nascer. Assim, a festa do Natal todos os anos se torna real e não algo repetitivo. Jesus bate de novo à nossa porta e pede entrada.
O advento teve a finalidade de nos preparar para este Natal vivo e atualizado. Precisamos nivelar os morros, tapar os buracos e endireitar as curvas, diz Isaías, um dos profetas do advento. As luzes que vemos brilhar em toda parte nesta noite vêm nos convidar a ser também luz de Deus no mundo. Assim, não somos meros espectadores da festa do Natal, mas nos inserimos nela para acolher novamente o Salvador.
Certa vez, uma família estava preparando a ceia de Natal, e a filhinha de nove anos pediu se podia convidar uma amiguinha. Os pais permitiram. Na hora da festa, a menina apareceu. Foi aquele espanto, porque era uma menina de rua, bem pobre e mal vestida. Todos ali vestidos com roupas de luxo, e a pobrezinha no meio deles. A filha foi uma verdadeira profetiza.
Que Maria Santíssima e S. José nos ajudem a corresponder a esse amor de Deus, tendo um coração novo, igual ao de Jesus. Que sejamos também envolvidos por aquela luz que veio aos pastores, e nos tornemos estrelas, como aquela que guiou os reis magos.
Hoje, nasceu para vós um Salvador.

Pe. Queiroz

A mão do Senhor estava com ele. Pe. Queiroz

SEGUNDA- 23 de Dezembro de 2013  - Evangelho - Lc 1,57-66
A mão do Senhor estava com ele.
Este Evangelho narra o nascimento de João Batista.
A mão do Senhor estava com João Batista, para protegê-lo sempre e para que ele crescesse e se desenvolvesse na direção do plano de Deus para o qual foi criado. Sua missão era muito importante: preparar o caminho do Jesus, preparando o povo para recebê-lo. Ele devia ser “uma voz que clama no deserto” (Lc 3,4).
João colaborou com a graça de Deus: foi para o deserto, fez penitência, anunciou a justiça e denunciou a injustiça. Foi corajoso, e por isso morreu mártir.
Também nós temos uma missão na terra, que é só nossa, como João Batista. Ele é um exemplo para nós. Na crisma, nós nos tornamos profetas de Cristo e membros ativos da sua Igreja, na qual devemos cumprir uma função, isto é, uma pastoral, ministério ou serviço. A mão do Senhor está conosco, como esteve sempre com João Batista.
“A Boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus.” O primeiro gesto profético de João Batista foi, logo que nasceu, abrir a boca de seu pai Zacarias. O profeta abre os nossos ouvidos para ouvirmos os recados que Deus tem para o povo, abre os nossos olhos para vermos o mundo que nos rodeia, e abre a nossa boca para proclamar, apontando as situações evangélicas e denunciando as situações anti-evangélicas. Não é fácil fazer isso, mas a mão do Senhor está conosco.
O Novo Testamento começa com dois fatos humanamente impossíveis, e que por isso exigiram muita fé: uma senhora idosa dá à luz, e uma jovem fica grávida sem relação com um homem. O plano de Deus ultrapassa as realidades empíricas e naturais, por isso exigem fé.
Santo Tomás de Aquino era italiano e viveu no Séc. XIII. Entrou na Ordem dos Dominicanos e tornou-se um dos maiores teólogos da Igreja.
Era um homem muito simples, alegre e brincalhão. Era também, dizem, um pouco distraído, o que é próprio das pessoas de inteligência muito profunda.
Um dia, ele estava almoçando, chegou um Irmão e lhe disse: “Pe. Tomás, venha aqui fora ver um boi voando!”
Ele foi, coitado! Chegou lá fora, olhou para cima e não viu nada. Então o Irmão deu risada e disse: “Mas Pe. Tomás, onde já se viu um boi voar!” Ele respondeu: “Eu acho mais fácil um boi voar do que um religioso mentir”.
Pronto. Foi buscar lã e saiu tosquiado.
Os pecadores gostam de mentir. Mentem até por brincadeira. Mas os cristãos não estão acostumados com mentira; por isso às vezes acredita nas pessoas até “demais”. O profeta é fiel à verdade.
Que Maria Santíssima, a Rainha dos Profetas, e S. João Batista, nos ajudem a ser bons profetas e boas profetizas de Deus.
A mão do Senhor estava com ele.
Pe. Queiroz

Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José - Padre Queiroz

DOMINGO - 22 de Dezembro de 2013 - Evangelho - Mt 1,18-24


Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi.
Neste Evangelho, nós vemos que foi pela paternidade legal de José que Jesus entrou na linhagem davídica, cumprindo-se a profecia de Jeremias, que está na primeira Leitura da Missa de hoje: “Farei nascer um descendente de Davi; reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra. Naqueles dias, Judá será salvo e Israel viverá tranqüilo; este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa justiça’” (Jr 23,5-6).
Ontem começamos a nossa preparação próxima para o Natal. Agora a nossa atenção para o protagonista da festa, Jesus, que é o aniversariante. A preocupação é mostrar que Jesus veio do alto: “Ela conceberá pela ação do Espírito Santo”, disse o anjo a José.
Como conciliar “veio do alto” com “descendente de Davi”? O Evangelho de hoje responde a essa pergunta. Foi através da descendência legal de Davi.
José e Maria estavam já prometidos em matrimônio; e aconteceu que, antes de viverem juntos, ela esperava um filho. Os esponsais, que precediam o casamento tinham entre os judeus a categoria de um compromisso matrimonial firmado. Daí a linguagem do anjo: “Maria, tua esposa”.
Tudo indica que Maria tinha contado tudo a José. A dúvida dele não era a respeito de Maria, mas em relação a si mesmo: qual é o seu papel nesse mistério? Ele não queria atrapalhar, ficando com Maria e assim passando a idéia de que é o pai da criança. Por isso, decidiu abandonar Maria. Mas o anjo esclarece tudo: “Não tenhas medo de receber Maria como tua esposa... e tu lhe darás o nome de Jesus”. Pela lei judaica, quem dá o nome para a criança é o seu pai perante a Lei. A palavra Jesus significa “Deus salva”, ou “Salvador”.
Se José rompesse o matrimônio sem fugir em segredo, teria apenas duas saídas, perante as leis do país: 1) Dizer que ele era o pai da criança, o que seria uma mentira e atrapalharia o plano de Deus. 2) Dizer que não era o pai da criança, o que levaria Maria a ser condenado como adúltera. – O anjo veio mostrar-lhe uma terceira saída: perante a lei ele é o pai, mas só perante a lei, não de fato.
“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.” Esta é a revelação principal, e o dado de fé, que está no Evangelho de hoje.
É assim que S. José se liga com a dinastia messiânica: não só por razão de genealogia, mas, e sobretudo, pelo dinamismo da obediência da sua fé, que o impulsiona a aceitar uma missão obscura e sem brilho especial, mas muito importante nos planos de Deus sobre a salvação humana.
Sem ceder à tentação do abandono, o justo José entrou na radiante obscuridade do mistério de Deus. A sua estatura humana agiganta-se a partir da fé que o animou. No advento, ele sobressai como modelo bíblico de fé.
A vida de cada um de nós é vocação, projeto e prova de Deus. E deve ser também resposta incondicional a ele, mesmo na obscuridade da fé, confiando em Deus.
José e Maria tiveram um enorme respeito pela criança, mesmo antes de nascer, porque era Filho de Deus. Todos nós, pela Encarnação, somos também filhos e filhas de Deus. Tocar na pessoa humana é tocar no coração de Deus. Principalmente se ainda não nasceu e está dentro da mãe, pois está completamente indefesa.
A Antífona do Ó de hoje é: “Ó Adonai, guia da casa de Israel, que aparecestes a Moisés na sarça ardente e lhe destes vossa lei sobre o Sinai: vinde salvar-nos com o braço poderoso!”
Certa vez, no dia do Natal, um menino entrou na igreja e foi direto ao presépio. Lá, ele disse ao Menino Jesus: “Desculpe, Jesus, hoje é o seu aniversário e eu não trouxe nenhum presente!” Jesus, então, resolveu conversar com ele. Disse assim: “Mas eu gostaria que você me desse três presentes!” “Como, se eu não tenho?” respondeu o menino. “Tem sim” – disse Jesus – “O primeiro presente que eu quero é o último desenho que você fez na escola”. “Iii, Jesus! Bem aquele? Ninguém gostou dele, e a professora deu nota zero!” “Por isso mesmo” – disse Jesus – “Quero que você me dê tudo aquilo que os outros não gostaram, e também o que deixa você triste ou frustrado. Outro presente que eu quero é o seu prato”. “Eu o quebrei” – interrompeu o garoto. “Justamente por isso” – continuou Jesus – “Vou consertá-lo. Eu conserto tudo o que quebra em sua vida. E a última coisa que quero de presente é a resposta que você deu para sua mãe, quando lhe perguntou pelo prato”. Nessa hora, a criança pôs a mão do lado da boca e falou baixinho: “Eu menti para ela!” “Eu sei” – respondeu Jesus – “Mas eu quero que você traga sempre para mim o que em você está errado: maldades, mentiras, preguiça... Não quero que você carregue essas coisas. Quero libertar você, a partir de hoje, de tudo o que pesa em você. Combinado? O meu aniversário é um dia especial para fazermos um trato: quero que você tenha a minha alegria, a minha paz, a minha verdade, a minha vida plena, e o meu amor, para cada dia do ano que vai começar.” Nesta hora, o garoto sorriu e falou emocionado: “Obrigado, Jesus. Assim eu terei não só um ano novo, mas a vida toda muito feliz”.
Essa história descreve a pura verdade. O melhor presente que damos a Jesus são os nossos pecados, pois para isso que ele veio, para libertar-nos desses pesos. Você já se confessou no advento?
Que aprendamos de Maria e José, entre tantas outras virtudes: 1) O respeito ao plano de Deus. 2) Proteger a vida humana antes de nascer. 3) Não julgar ninguém. 4) Proteger as pessoas que vivem mais perto de Deus. 5) A dedicação ao trabalho. 6) Obedecer a Deus, mesmo não entendendo. Todos os personagens do advento – Jesus, Maria, João Batista e o profeta Isaías – obedeceram a Deus, mesmo sem entender direito. Não só eles, mas todos os que dão o passo da fé e querem ser continuadores de Cristo no meio da humanidade.
Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi.
 

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão - José Salviano.


29 de Novembro - Evangelho - Lc 21,29-33

        Antigamente as pessoas viviam muito preocupadas com o fim do mundo. Jesus, não especifica uma data para isso, da mesma forma que não nos dá uma data para o dia da nossa morte. Mais uma coisa Jesus insistiu. Que devemos estar preparados, justamente por não saber o dia nem a hora.
          Por outro lado, Jesus fala em sinais da aproximação do fim. E nós devemos prestar atenção para perceber os sinais da vinda do Filho de Deus. E segundo Jesus não será tão difícil. Assim como o agricultor percebe a proximidade do verão, quando as árvores começam a frutificar, também nós perceberemos a aproximação da chegada do Reino, observando os sinais que nos foram indicados por Jesus.
         Prezados irmãos. Na verdade, não se trata de ficarmos concentrados rezado um terço atrás do outro esperando o fim. Já imaginou um idoso, uma idosa se trancar no quarto e ficar rezando, rezando e nem tomar mais banho alegando que está esperando a sua hora?
         Devemos esperar a nossa hora em atividade de acordo com as nossas condições físicas. Continuar evangelizando até quando estiver lúcido(a). Nem o idoso pode se entregar, nem as comunidades cristãs devem se fechar em orações contínuas esperando o fim do mundo, e a vinda do Senhor. Esta seria uma atitude egoísta e Jesus não quer isso de nós. Ele quer uma espera na atividade, e não na ociosidade. Devemos estar em constante atividade à medida dos nossos limites físicos, mesmo porque temos a missão de transformar o mundo, de  preparar a humanidade para a espera do Senhor.
            Caríssimos. Assim como precisamos prestar atenção na presença de Deus em nossas vidas, quando Ele nos fala por  meio na nossa própria mente, pelos acontecimentos e através de pessoas que são verdadeiros anjos a nós enviados, precisamos também ficar atentos aos sinais dos tempos. De princípio isso parece uma coisa difícil, mas se analisamos os acontecimentos a partir da ótica da fé nós somos capazes de interpretar os fatos do dia a dia como a presença de Deus agindo na orientação da nossa vida pessoal e como sendo sinal dos tempos, a ação da graça divina agindo no controle do universo. Para que essa nossa percepção sejas eficiente, precisamos absorver diariamente a palavra de Deus. Pois a sua Palavra  é o critério fundamental para a interpretação dos acontecimentos.

Tenha um bom dia.
José Salviano.
    

Os sinais do reino de Deus - Helena Serpa




Daniel  7, 2-14 – “o Reino dos Céus  é Eterno  ”

Nesta leitura o profeta Daniel usando de alegorias anuncia a vinda do Filho do homem como Rei do Universo. Por meio de figuras de animais ele descreve o que se passará no céu e na terra. Os quatro animais representam os reinos da:Babilônia (leão) de 606 a 539 a.C.); Medo-Pérsia (urso) de 539 a 330 a.C.; Grécia (leopardo) de 330 a 65 a.C. eRoma a partir de 65 a.C.  Esses reinos terrenos serão desmoronados e o Reino Eterno dos Céus se estabelecerá definitivamente aqui na terra. No céu, e na terra Deus é adorado e assistido por milhões e milhões de santos. O próprio Jesus em figura de homem é conduzido à presença de Deus e recebe poder, glória e realeza. O Seu poder é eterno e a Sua glória para sempre. Tudo é narrado com muita simbologia, mas a mensagem que fica é que os reis da terra passam e UM só REI permanece pelos séculos dos séculos: JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS!- Você se acha preparado (a) para a vinda do Senhor? – Você tem feito mais reverência aos reis da terra ou ao REI dos céus? Como? - Você reconhece Jesus como Rei do céu e da terra?
Salmo – Daniel 3 – Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!
O canto de Daniel exalta o poder de Deus por meio das grandes coisas que existem na natureza: plantas, mares, rios, fontes, baleias, peixes, pássaros do céu, feras e rebanhos. Assim nós podemos imaginar que toda a criação louva o Senhor Deus do Universo e a Ele presta culto. Nós somos ápice da Criação do Senhor, por isso, devemos a Ele um louvor ainda mais intenso e perene. Fomos criados por amor e para o amor.


Evangelho – Lucas 21,29-33 – “os sinais do reino de Deus”.

Jesus no dá o exemplo da figueira para que não nos deixemos ficar alienados (as), mas alertas e atentos aos sinais do reino de Deus. O reino dos céus é construído sutilmente dentro de nós, no nosso dia a dia, na nossa caminhada com Jesus  apesar de quase não percebermos. Por isso, Jesus nos ensina a compreendermos os sinais do reino de Deus assim como compreendemos o aspecto das coisas que vivenciamos. Há certos sinais que são visíveis para nós aqui na terra: ventania, nuvens carregadas de chuvas, calor forte, o tempo propício para colher os frutos etc., etc. Assim também há os sinais de que o reino dos céus está próximo. Estes sinais se manifestam dentro de nós e cada um de nós pode perceber:coração grato, alegre, em paz, amor aos irmãos, desejo de santidade, misericórdia, perdão. Quando você percebê-los em si mesmo, saiba que o reino de Deus está próximo, isto é, Jesus está em você, agindo, atuando e o Espírito Santo se manifesta no seu coração. Um novo céu e uma nova terra começam a acontecer em nós, hoje, quando praticamos a Palavra do Senhor. Pela Sua Palavra Jesus vem nos dar nova direção para que possamos desde já, viver o Seu reino aqui na terra. O céu e a terra visíveis, um dia passarão. O mundo será renovado e o reino de Deus definitivamente será estabelecido quando Jesus voltar, porém, desde já, agora, nós podemos “ver” os seus sinais dentro do nosso coração.   - Você sabe diagnosticar o que se passa dentro do seu coração? – Quais os sentimentos que mais fazem vida em você?  – Onde está o reino de Deus? – Quais são os sinais de que o reino de Deus está perto de você? – Como o reino de Deus pode acontecer dentro do coração do homem?


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

LOGO VOCÊS SERÃO SALVOS -Alexandre Soledade



Bom dia!
Ontem enfatizávamos o LEVANTAR e CONTINUAR e hoje, após uma mensagem tão direta sobre o futuro do povo de Jerusalém, Ele diz para eles e para nós “(…) FIQUEM FIRMES E DE CABEÇA ERGUIDA, POIS LOGO VOCÊS SERÃO SALVOS”. Além de mim e de você quem hoje precisaria ouvir essa mensagem?
Sempre enfatizo a dificuldade que temos de  encarar o futuro sem medo, da nossa facilidade em conjugar na prática verbos no futuro e no gerúndio, pois sempre “serei” ou “tentando”, e do nosso empenho (ou falta dele) pessoal em fazer render as moedas. Hoje, às portas do Advento, momento propício para reconciliação, escuta e principalmente da auto-reflexão, o que penso em fazer?.
Talvez nessa auto-reflexão venha a nosso pensamento desastres naturais, situações difíceis ou até mesmo pessoas que nos prejudicaram, mas o que deve nortear a nossa auto-análise é o quanto me preocupei por coisas futuras e esqueci do presente. O futuro depende das atitudes que tomo hoje e não ao contrário. Muita gente espera o fim, pois parece que ele de fato chegou a vida delas.
Reparemos que por trás dessas últimas passagens tão apocalípticas, Jesus apresenta uma mensagem que denota sempre um recomeço. Esse novo START é dado a partir de uma atitude, uma fagulha, uma faísca dentro de cada um de nós. Nossa vida tende a INÉRCIA se não ficarmos monitorando-a. Repare que se fosse de nossa própria vontade, ao chegar cansados do trabalho, tomaríamos um banho e relaxaríamos (até dormiríamos) no sofá. Mas algo nos inquieta, nos move, que pode ser um coração que pulsa; um pensamento caridoso, um gesto fraterno… É essa fagulha gerada pelo Espírito Santo que nos lança ao desconhecido, longe da nossa zona de conforto, mas ainda mais próximo de Deus e daqueles que mais precisam.
O mundo não acabou, por que desistir? Como Fabio de Melo canta “há sempre motivos pra recomeçar”.
Como explicar o empenho de um casal no interior de Sergipe que tem cerca de 30 filhos adotivos? Como entender a olhos humanos o gesto de João Paulo II ao ir à prisão e perdoar aquele que desejou sua morte mesmo ainda sentindo as dores do tiro que levou? Como dizer não a alguém que procura nosso ombro pra chorar? Como negar um conselho?
“(…) Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos. Aquele que escuta a palavra sem a realizar assemelha-se a alguém que contempla num espelho a fisionomia que a natureza lhe deu: contempla-se e, mal sai dali, esquece-se de como era. Mas aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera – não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito -, este será feliz no seu proceder”. (Tiago 1, 22-25)
Irmãos! O advento que se aproxima, ele é um momento propício para oração. Através dela conseguimos remover ou transpor problemas do tamanho de montanhas. Por meio dela nos tornamos íntimos do projeto do Pai e só assim, não conseguiremos mais fechar os olhos e ouvidos… Passamos a captar a direção divina, pois nosso pensamento não se afasta tão facilmente. Talvez seja isso que deveríamos fazer, não somente durante os grandes problemas, mas sim, rotineiramente.
Um imenso abraço fraterno.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José - Padre Queiroz


DOMINGO - 22 de Dezembro de 2013 - Evangelho - Mt 1,18-24


Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi.
Neste Evangelho, nós vemos que foi pela paternidade legal de José que Jesus entrou na linhagem davídica, cumprindo-se a profecia de Jeremias, que está na primeira Leitura da Missa de hoje: “Farei nascer um descendente de Davi; reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra. Naqueles dias, Judá será salvo e Israel viverá tranqüilo; este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa justiça’” (Jr 23,5-6).
Ontem começamos a nossa preparação próxima para o Natal. Agora a nossa atenção para o protagonista da festa, Jesus, que é o aniversariante. A preocupação é mostrar que Jesus veio do alto: “Ela conceberá pela ação do Espírito Santo”, disse o anjo a José.
Como conciliar “veio do alto” com “descendente de Davi”? O Evangelho de hoje responde a essa pergunta. Foi através da descendência legal de Davi.
José e Maria estavam já prometidos em matrimônio; e aconteceu que, antes de viverem juntos, ela esperava um filho. Os esponsais, que precediam o casamento tinham entre os judeus a categoria de um compromisso matrimonial firmado. Daí a linguagem do anjo: “Maria, tua esposa”.
Tudo indica que Maria tinha contado tudo a José. A dúvida dele não era a respeito de Maria, mas em relação a si mesmo: qual é o seu papel nesse mistério? Ele não queria atrapalhar, ficando com Maria e assim passando a idéia de que é o pai da criança. Por isso, decidiu abandonar Maria. Mas o anjo esclarece tudo: “Não tenhas medo de receber Maria como tua esposa... e tu lhe darás o nome de Jesus”. Pela lei judaica, quem dá o nome para a criança é o seu pai perante a Lei. A palavra Jesus significa “Deus salva”, ou “Salvador”.
Se José rompesse o matrimônio sem fugir em segredo, teria apenas duas saídas, perante as leis do país: 1) Dizer que ele era o pai da criança, o que seria uma mentira e atrapalharia o plano de Deus. 2) Dizer que não era o pai da criança, o que levaria Maria a ser condenado como adúltera. – O anjo veio mostrar-lhe uma terceira saída: perante a lei ele é o pai, mas só perante a lei, não de fato.
“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.” Esta é a revelação principal, e o dado de fé, que está no Evangelho de hoje.
É assim que S. José se liga com a dinastia messiânica: não só por razão de genealogia, mas, e sobretudo, pelo dinamismo da obediência da sua fé, que o impulsiona a aceitar uma missão obscura e sem brilho especial, mas muito importante nos planos de Deus sobre a salvação humana.
Sem ceder à tentação do abandono, o justo José entrou na radiante obscuridade do mistério de Deus. A sua estatura humana agiganta-se a partir da fé que o animou. No advento, ele sobressai como modelo bíblico de fé.
A vida de cada um de nós é vocação, projeto e prova de Deus. E deve ser também resposta incondicional a ele, mesmo na obscuridade da fé, confiando em Deus.
José e Maria tiveram um enorme respeito pela criança, mesmo antes de nascer, porque era Filho de Deus. Todos nós, pela Encarnação, somos também filhos e filhas de Deus. Tocar na pessoa humana é tocar no coração de Deus. Principalmente se ainda não nasceu e está dentro da mãe, pois está completamente indefesa.
A Antífona do Ó de hoje é: “Ó Adonai, guia da casa de Israel, que aparecestes a Moisés na sarça ardente e lhe destes vossa lei sobre o Sinai: vinde salvar-nos com o braço poderoso!”
Certa vez, no dia do Natal, um menino entrou na igreja e foi direto ao presépio. Lá, ele disse ao Menino Jesus: “Desculpe, Jesus, hoje é o seu aniversário e eu não trouxe nenhum presente!” Jesus, então, resolveu conversar com ele. Disse assim: “Mas eu gostaria que você me desse três presentes!” “Como, se eu não tenho?” respondeu o menino. “Tem sim” – disse Jesus – “O primeiro presente que eu quero é o último desenho que você fez na escola”. “Iii, Jesus! Bem aquele? Ninguém gostou dele, e a professora deu nota zero!” “Por isso mesmo” – disse Jesus – “Quero que você me dê tudo aquilo que os outros não gostaram, e também o que deixa você triste ou frustrado. Outro presente que eu quero é o seu prato”. “Eu o quebrei” – interrompeu o garoto. “Justamente por isso” – continuou Jesus – “Vou consertá-lo. Eu conserto tudo o que quebra em sua vida. E a última coisa que quero de presente é a resposta que você deu para sua mãe, quando lhe perguntou pelo prato”. Nessa hora, a criança pôs a mão do lado da boca e falou baixinho: “Eu menti para ela!” “Eu sei” – respondeu Jesus – “Mas eu quero que você traga sempre para mim o que em você está errado: maldades, mentiras, preguiça... Não quero que você carregue essas coisas. Quero libertar você, a partir de hoje, de tudo o que pesa em você. Combinado? O meu aniversário é um dia especial para fazermos um trato: quero que você tenha a minha alegria, a minha paz, a minha verdade, a minha vida plena, e o meu amor, para cada dia do ano que vai começar.” Nesta hora, o garoto sorriu e falou emocionado: “Obrigado, Jesus. Assim eu terei não só um ano novo, mas a vida toda muito feliz”.
Essa história descreve a pura verdade. O melhor presente que damos a Jesus são os nossos pecados, pois para isso que ele veio, para libertar-nos desses pesos. Você já se confessou no advento?
Que aprendamos de Maria e José, entre tantas outras virtudes: 1) O respeito ao plano de Deus. 2) Proteger a vida humana antes de nascer. 3) Não julgar ninguém. 4) Proteger as pessoas que vivem mais perto de Deus. 5) A dedicação ao trabalho. 6) Obedecer a Deus, mesmo não entendendo. Todos os personagens do advento – Jesus, Maria, João Batista e o profeta Isaías – obedeceram a Deus, mesmo sem entender direito. Não só eles, mas todos os que dão o passo da fé e querem ser continuadores de Cristo no meio da humanidade.
Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi.


Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Padre Queiroz

SÁBADO - 21 de Dezembro de 2013  - Evangelho - Lc 1,39-45

Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
Este Evangelho, que relata a visita de Maria a Isabel e a saudação da prima, destaca a figura de Maria, a mãe do Messias. Cristo é sempre o centro da liturgia da Igreja. Mas este cristocentrismo vai adquirindo matizes diferentes ao longo do ano.
Maria fez uma viagem de 150 km, portanto, longa e penosa, pois teve de subir e descer montanhas. Mas o impulso da caridade é mais forte, e ela foi às pressas. A caridade é um precioso dom que Deus colocou em nossos corações no dia do batismo.
“Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” “Mãe do meu Senhor” é o mesmo que dizer “Mãe de Deus”. Foi devido a esse Deus, que Maria já carregava em seu ventre, que João Batista pulou de alegria, ainda no ventre da mãe. É a força da salvação que Cristo veio realizar, e começou mesmo antes de nascer. Esta visita de Maria foi, na verdade, a primeira procissão de Corpus Chisti.
Fascinada por Deus, Maria de Nazaré encarnou a esperança multissecular do seu povo. Ela se alegrou e se abriu de corpo e alma ao plano de Deus Pai: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
A aceitação de Maria é um eco da aceitação do próprio Jesus Cristo: “Eis me aqui, ó Deus, para fazer a vossa vontade” (1ª Leitura e Sl 39,8).
Ter fé é abrir-se à ação divina. É seguir um caminho novo, traçado não por nós, mas por Deus para nós. E Maria seguiu esse caminho com grande solicitude. Porque ela amava muito a Deus, e quem ama se entrega à pessoa amada.
A solidariedade em servir a Deus leva à solidariedade em servir o próximo. Quanto mais uma pessoa ama a Deus, mais ama o próximo, por amor a Deus. E o nosso amor ao próximo por amor a Deus é universal, como Deus que manda o sol e a chuva sobre todos, maus e bons (Mt 5,45). E é um amor preferencial a quem mais precisa de uma ajuda. Em Maria, esse amor extensivo aconteceu nesta visita, no Calvário, junto à Igreja nascente, e continua pelos séculos. E, como nós, Maria fez isso na claridade-escuridão da fé. A fé ultrapassa a clareza e a evidência.
A exemplo de Cristo e de Maria, quantos cristãos e cristãs, de ontem e de hoje, colaboram na redenção! Conviver com esses irmãos é uma grande alegria que temos, em meio às cruzes da vida.
Há quem idealiza tanto Maria que acaba por pensar que ela sabia tudo em relação ao plano de Deus. E se esquece que ela é uma pessoa humana como nós. Segundo os Evangelhos, ela não teve, logo de início, uma luz plena da revelação pascal e do mistério de Cristo. Nem uma visão direta de Deus. Sua fé ia crescendo e amadurecendo progressivamente, na medida em que ela respondia “sim”, como acontece conosco. Sabemos que o contrário também é certo: quando respondemos “não” a Deus, a nossa fé vai diminuindo, e pode chegar até a abandonar a fé legítima, na Igreja una, santa, católica e apostólica.
O advento de Cristo ainda não aconteceu plenamente. Por isso a nossa missão antes do Natal é agilizar a sua vinda hoje, através da dedicação ao Reino de Deus. Assim estaremos preparados para celebrar o seu nascimento histórico, isto é, o seu aniversário natalício. “Arrancastes do Egito esta videira, e expulsastes as nações para plantá-la... Vinde logo, Senhor, vinde depressa pra salvá-la!”
Antífona do Ó: “Ó Chave de Davi, Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre: vinde logo e libertai o homem prisioneiro, que, nas trevas e na sombra da morte, está sentado”.
Certa vez, um homem estava, com sua espingarda, dando tiros para cima. Veio um guarda e lhe perguntou: “O que você está fazendo aí, dando tiros para cima?” Ele respondeu: “Estou espantando elefantes”. O guarda olhou em volta e disse: “Mas eu não estou vendo nenhum elefante!”. “É sinal que eu já espantei todos”, disse o homem.
“Eu corro, não como às tontas. Eu luto, não como quem golpeia o ar” (1Cor 9,26). Cada vez que chega alguém que carrego Cristo, acontece uma explosão de alegria, como teve Isabel. Mas não podemos perder tempo, golpeando o ar ou dando tiros para espantar o que não existe na realidade. Precisamos ir para a ponta da linha, lá onde o problema está, e vencê-lo com a graça de Deus.
Que Maria Santíssima e Santa Isabel nos ajudem na abertura ao plano de Deus, que ainda hoje que usar de nós para que seu Filho possa nascer em plenitude no mundo.
Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?


Padre Queiroz