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sexta-feira, 3 de maio de 2019

“SENHOR, TU SABES TUDO; TU SABES QUE EU TE AMO.” – Olivia Coutinho.


3º DOMINGO DA PÁSCOA.

Dia 05 de Maio 2019

Evangelho de Jo21,1-19

Terceiro domingo da Páscoa!  Ainda  estamos vivendo a alegria de Celebrar a vitória da vida sobre a morte, a feliz conclusão do drama da Paixão e morte de Jesus que deu lugar a uma  imensa  alegria depois da dor.
A ressurreição de Jesus não deve vista como algo do passado, este acontecimento, deve ser  atualizada, no nosso dia, com as nossas atitudes.
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos coloca diante o mar de Tiberíades, local, onde se deu a terceira aparição de Jesus, segundo o evangelho de João.
Mesmo depois de dois encontros  com Jesus ressuscitado, de  terem recebido várias  instruções Dele, os discípulos ainda não conseguiam dar passos na evangelização. Sem a presença física de Jesus, o grupo   parecia que  perdido, não sabendo  por onde começar a missão que Jesus lhes confiara
 Por um momento de fraqueza, alguns discípulos retrocederam, seguindo a iniciativa de Pedro (" Eu vou Pescar") esses, abandonam  o barco de Jesus, isto é, abandonam a missão de pescadores de homens, e voltam à profissão de antes: pescadores de peixes.
O texto que nos fora apresentado é cheio de significados, dele, podemos tirar várias lições, mensagens que poderão nos ajudar muito na nossa caminhada de fé!
O mar de Tiberíades significa o mundo, ou seja, o campo de trabalho onde o discípulo de Jesus, é chamado a atuar. O numero grande de peixes (153) significa a grande quantidade de pessoas a serem “pescadas”, ou seja, pessoas a serem atraídas para o Reino de Deus! O insucesso da pesca vem nos alertar sobre o perigo da autossuficiência, de falarmos por nós mesmos, de não estarmos em sintonia com Jesus no exercício da nossa missão. E a pesca abundante, simboliza a nossa obediência a Deus! Os discípulos, só tiveram sucesso na pesca, porque foram obedientes a Jesus, ao que Ele disse: “Lançai a rede à direita da barca e achareis.” Eles lançaram a rede e  o milagre da pesca acontece...
A segunda parte do texto, nos mostra a compreensão de Jesus para com a  fragilidade humana. Jesus foi compreensivo para com os discípulos, que ainda encontravam muitas dificuldades em dar início a  missão que a eles  fora confiada. Para ajuda-los, Jesus convoca   Pedro para a liderança do grupo. Com Pedro à frente, o grupo ganharia força, dinamismo, pois Pedro, apesar de  ter falhado  algumas vezes, era o mais  forte, o mais  ousado, o mais corajoso.
Para esta liderança, Jesus exige de Pedro um único requisito: amar, amar, amar! Com esta convocação, além de garantir a continuidade do anuncio do Reino,  Jesus faz um passeio amoroso no coração de Pedro, um coração duramente castigado pelo remorso de tê-Lo negado por  três vezes no momento derradeiro a sua morte.
Entregando a Pedro a responsabilidade de conduzir o seu rebanho, Jesus deu-lhe a entender, que Ele já o havia perdoado, que Ele conhecia a grandiosidade do seu coração, razão pela a qual, Ele o escolheu como o Pastor das ovelhas do Pai!
Ao perguntar três vezes à  Pedro e ele  o amava, Jesus quis chamar a sua atenção e hoje a nossa, sobre a responsabilidade de quem professa o seu amor por Ele!  
Antes de entregar a Pedro, a responsabilidade de conduzir a sua Igreja, Jesus não questionou  o seu  passado, não lhe fez nenhuma exigência a não ser, o seu compromisso em transformar o seu amor por Ele, em cuidado para  com o que é de mais precioso para Deus: a vida humana!
Olhando para a escolha de Pedro, podemos perceber que Jesus edificou  a sua Igreja sobre a fragilidade humana, sua igreja não fora edificada sobre homens considerados  grandes aos olhos do mundo, mas sobre Pedro, um homem frágil, de origem simples, que representa os homens de toda história da Igreja: homens santos e pecadores.
A partir das margens do mar de Tiberíades a igreja missionária, fundamentada no amor de Jesus, conduzida pelo Espírito Santo, sobre a liderança de Pedro, deu o seu primeiro passo rumo a uma nova Jerusalém.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olivia Coutinho
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"EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA."- Olivia Coutinho



Dia 03 de Maio de 2019

Evangelho de Jo14,6-14

Olhando para o nosso futuro com os olhos da fé, já podemos visualizar o nosso encontro com o Pai! Por Jesus, este encontro já está garantido, já que pela a cruz, Jesus se fez o caminho para nos levar ao Pai. O que nós não podemos nunca, é nos iludir com as coisas do mundo e com isso, desviar deste caminho. 
Por meio de Jesus, Deus entrou na nossa vida e pela Cruz, Jesus quebrou as muralhas  que separava a criação do seu  criador. 
O Evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, deixa clara a paciência de Jesus para com os seus discípulos, que tinham muitas dificuldades em entender o seu messianismo. Jesus estava sempre orientando os seus discípulos, Ele queria que eles tivessem ideias claras sobre sua pessoa, a sua missão e o sentido da sua presença no mundo!  Era preciso preparar bem, aqueles que dariam continuidade a sua missão aqui na terra, os encarregados de levar adiante os seus ensinamentos através da palavra e do testemunho!
Hoje, podemos afirmar que é graças a este cuidado de Jesus para com os seus primeiros colaboradores, que nós desfrutamos das riquezas de seus ensinamentos.
Ver o Pai era o grande desejo dos discípulos, e bastaria que eles dessem um passo a mais na fé, para que eles pudessem visualizar a face humana do Pai na pessoa de Jesus! 
Conhecer Jesus  é a única forma de conhecer o Pai, não, por meio de conhecimentos teóricos, e sim, pela a fé e o testemunho dos apóstolos. Através do testemunho, dos primeiros cristãos, nós conhecemos Jesus. As obras realizadas por Jesus são obras do Pai, obras, que Ele continua realizando através de seus seguidores.
Jesus não veio ao mundo para falar de si mesmo, Ele veio falar das coisas do Pai e não há nada no Pai, que não encontramos no Filho! 
As primeiras palavras do texto, mostra-nos a resposta de Jesus,  a uma pergunta do apóstolo Tomé (Jo14,5): “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.” Esta é a resposta de Jesus, são  palavras que nos apontam horizontes  que nos faz enxergar  e a seguir a vereda segura  que nos levará a felicidade Plena.
A Luz verdadeira é aquela que nos conduz ao Pai, Jesus é esta Luz, Ele é a Luz do mundo, segui-lo, é caminhar em direção ao Reino de Deus, um Reino de paz de amor e de alegria.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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quinta-feira, 2 de maio de 2019

JESUS DÁ FUNÇÕES PARA AQUELES QUE MUITO AMAM – Maria de Lourdes Cury Macedo.



Domingo 5 de maio de 2019.
Evangelho de Jo 21, 1-19.

Este belíssimo trecho acontece depois da ressurreição de Jesus. Podemos perceber dois momentos: o 1º é a cena da pesca milagrosa que revela a presença e o poder de Jesus. O 2º é uma refeição simples que o Senhor toma à beira do mar com seus discípulos pescadores.
Neste evangelho, interessante notar, que aparecem primeiro os nomes de Pedro, Tomé e Natanael. Pedro negara Jesus por três vezes, Tomé duvidara da ressurreição de Jesus e Natanael num primeiro momento quando Filipe o chamou para ver o Messias, ele rejeitou a proposta dizendo que de Nazaré poderia vir algo bom? Duvidou da origem e da autoridade de Jesus.
Pois bem, Pedro, Tomé, Natanael, Tiago, João e mais outros discípulos de Jesus foram pescar, apesar de desanimados pela morte de Jesus, por tudo que ocorreu naquela sexta-feira, enfim resolveram ir pescar, foi uma noite infrutífera. Assim estavam voltando as suas atividades antigas... Passaram a noite trabalhando, jogando suas redes no mar, mas tudo em vão, não pegaram nada. A noite tinha sido um fracasso, uma noite vã.
Quando amanheceu o dia Jesus estava lá na praia. Mas os discípulos não o reconheceram. Jesus conversa com eles perguntando se eles tinham alguma coisa para comer. Eles dizem que não. Jesus manda que joguem as redes para o lado direito.
Aqueles pescadores conheciam bem o lago e as condições para uma boa pesca. Mesmo assim, depois de uma noite cansativa de trabalho sem resultado, escutaram a Jesus e lançaram suas redes onde Ele ordenara. Eles não sabiam que era o Senhor e poderiam ter considerado absurda a sugestão, mas obedeceram e colheram o fruto de sua obediência, isto é, tiveram sucesso, pois, fizeram uma pesca abundante, apanharam muitos peixes grandes.
Poderíamos pensar um pouquinho no significado de: ao amanhecer ou chegada da manhã. A noite é escura, mas o dia é claro, é cheio de luz. Jesus é esse amanhecer e essa luz que clareia o caminho daqueles que estão com ele. Para quem está com Cristo não existem trevas, não existe noite. Com Cristo, tudo é dia. Sempre há luz. Portanto a expressão “ao amanhecer” ou “pela manhã” quer dizer, ao surgir a luz, que significa estar com Cristo que é a luz. ...“a tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria!”( Salmo 29).
Isto nos faz entender que quando vamos para uma missão, para um trabalho, mas nos falta a força de Cristo, o nosso esforço será inútil, como os discípulos que jogaram a rede a noite toda e nada pegaram. Mas, bastou Jesus ordenar e as redes se encheram de peixes. Também nós quando nos empenhamos em alguma obra de evangelização é preciso estar repleto do Espírito Santo, ter confiança em Jesus para que Ele agindo em nós, possamos ter resultados positivos naquilo que vamos fazer. Quando colocamos confiança em nós mesmos, podemos nos esforçar ao máximo que será inútil, não haverá resultado algum.
Lemos no v.7 que o discípulo que Jesus amava, falou para Pedro “É o Senhor”. O discípulo que Jesus amava é São João, o autor deste evangelho. O discípulo amado reconhece o Senhor, diante do milagre. Ele foi o primeiro a reconhecer o Senhor, quer seja pela pesca milagrosa, ou pelo som da voz tão conhecida, ou pela recordação da primeira pesca milagrosa. Mas, o importante é que o apóstolo João tinha um coração cheio de amor. E o amor é fonte de luz. Ele tinha um coração puro, e aqueles que possuem corações puros reconhecem logo o Senhor.
         Depois Jesus faz outro milagre, faz aparecer ali na praia as brasas, o peixe e o pão. Dando-lhes de comer Cristo mostra aos discípulos sua caridade, seu amor por eles. Também Cristo quer demonstrar que realmente ele ressuscitou. Essa comida dada por suas próprias mãos, faz com eles reconheçam o seu corpo, que havia multiplicado, em outras ocasiões, os pães e os peixes.
        
Com a expressão de Jesus “Venham comer”, significa que Jesus convida todos os povos a participar da Eucaristia. Essa Eucaristia na praia devolve aos corações agitados pela pesca frustrada, a alegria do encontro com Jesus. Puderam testemunhar uma presença simples, singela, marcada pela palavra e pelo pão. Eucaristia é Jesus presente no pão, parece pão, tem gosto de pão, mas é o alimento do corpo, Eucaristia é alimento da alma que fortalece o corpo, a mente, a vontade, enfim, fortalece o homem totalmente.
         A partir deste gesto de dar pão a todos, nenhum discípulo mais perguntou a Jesus “Quem és tu”, porque sabiam agora que ele era o Senhor.
         Essa pesca milagrosa simboliza o trabalho apostólico dos discípulos, pois, Jesus já os haviam chamado para serem pescadores de homens.
         Os peixes apanhados simbolizam as almas convertidas. O peixe e o pão que Jesus lhes dá indicam que eles precisam do auxílio de Deus, precisam da graça de Deus, para obterem fruto na pesca. Pesca que simboliza a pesca de almas para o Senhor.
Depois que comeram Jesus perguntou três vezes a Pedro: “Pedro tu me amas?” Pedro respondeu “Sim, Senhor, tu sabes que te amo” Jesus falou: “Apascenta os meus cordeiros”. Jesus perguntou três vezes a mesma coisa a Pedro, porque Pedro também o traiu três vezes na hora difícil da sua paixão.
Apesar da traição de Pedro, apesar de seus defeitos, apesar da sua impulsividade, Pedro tinha um coração generoso, apaixonado e Jesus confiava em Pedro e lhe confirmava a missão de ser o chefe, o representante dele aqui na terra. Foi a Pedro que Jesus confiou a chefia da sua Igreja, porque ele sabia das suas qualidades e de seu entusiasmo. Jesus sabia que Pedro tinha condições de chefiar a todos. Jesus na sua infinita misericórdia sabe ter compaixão das nossas fraquezas, dos nossos erros, Ele compreende a nossa fragilidade humana.
O que Jesus pede é o amor. E Pedro demonstra concretamente a Jesus o seu amor com a vida que levou sendo a continuação de Cristo, apascentando as ovelhas sendo pastor como Cristo foi. Ele foi fiel ao pedido de Jesus. Foi grande testemunha de Jesus ressuscitado, apesar dos acoites, das perseguições, dos sofrimentos... A origem da fidelidade de Pedro a Jesus está na força do Espírito Santo, concedida por Deus a todos que se submetem a sua vontade.
Apesar dos sofrimentos, das torturas e até da morte, Pedro e os demais apóstolos de Cristo não abriram mão de sua fidelidade ao Senhor. Pedro como pastor, também deu a própria vida como fez Jesus. Pedro morreu crucificado no serviço ao Senhor, isto é, apascentando suas ovelhas, também suas ovelhas de Roma, lugar de perdição, muito difícil de levar o Evangelho.
Ao longo dos anos, dos tempos, as comunidades cristãs, têm sido submetidas à prova de fidelidade ao Senhor. Principalmente agora no nosso tempo, época de muito materialismo e esquecimento de Deus, nós comunidade cristã temos que nos espelhar nos primeiros cristãos e ser de fato fiéis ao Senhor.
A liturgia de hoje nos oferece a oportunidade de meditar e louvar o testemunho dos cristãos que viveram antes de nós, assim podemos ser sensíveis a nossa realidade atual. A nossa fé se fundamenta na palavra dos Apóstolos e no sangue de muitos mártires.
Meus irmãos e irmãs, o papa Francisco nos ensina que não há santo sem passado, nem pecador sem futuro. Na comunidade de Jesus, chamada Igreja, que somos nós, as funções são atribuídas à quem muito ama. Deus dá função e missão aos que amam. Sejamos nós, cristãos que amam verdadeiramente!!!
Abraços em Cristo!
Maria de Lourdes

quarta-feira, 1 de maio de 2019

"AQUELE QUE VEM DO ALTO ESTÁ ACIMA DE TUDO!" – Olivia Coutinho


Dia 02 de Maio de 2019

Evangelho de Jo3,31-36

           Em Deus, encontramos  tudo o que necessitamos  para sermos felizes, mas por estarmos voltados para as coisas do mundo, não   absorvemos o que vem do alto, as  graças de  Deus derramadas sobre nós!
Quantos de nós, temos um belo jardim em casa, mas não percebemos a beleza das flores!
Desperdiçamos tempo correndo atrás de uma felicidade que jamais alcançaremos, pois não existe felicidade fora do plano de Deus!
O Evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos convida a revermos  a nossa caminhada de fé: o que estamos colocando como prioridade  na nossa vida, o que vem do alto, ou o que vem do mundo? 
É no cotidiano da nossa vida que vamos respondendo a esta indagação; se os nossos  passos, estão  nos levando ao encontro do outro, é sinal de que a prioridade na nossa vida é o seguimento a Jesus! Do contrário,  se estivermos voltados somente para os nossos interesses pessoais, a nossa prioridade está voltada para os bens materiais.
Jesus foi enviado ao mundo para nos falar das coisas do alto, coisas do alto, que devemos viver aqui, na relação humano com humano! Jesus veio nos ensinar o caminho da vida, o caminho que nos leva ao Pai, Ele é o único que desceu do céu, o único mediador entre o homem e Deus, aquele que faz a ligação entre o céu e a terra!
Nós somos da terra, mas se ligados a Jesus, como o ramo é ligado ao tronco, somos também do céu, os filhos da Luz! 
Quem vive na terra, ligado naquele que veio do alto, vive no mundo, mas não pertence ao mundo!
Quem crê naquele que o Pai enviou, descobriu o verdadeiro sentido da  sua vida, portanto, encontrou a  felicidade verdadeira, vive em Deus e Deus vive Nele!
O mundo tenta nos enganar, nos distanciar dos bens  eternos, colocando diante de nós, uma avalanche de ofertas sedutoras.  E este mesmo mundo que hoje nos suga amanhã nos desprezará, ou seja, quando não tivermos mais o que oferecer, quando deixamos de produzir, não seremos mais interessantes para o mundo. Enquanto que Deus, sem levar em conta as nossas ingratidões,  jamais nos abandonará.
Quando as nossas forças se esgotam, Deus vem ao nosso encontro, nos carrega no colo, quando o nosso caminhar parecer impossível!
O auge da manifestação do Pai nos é revelado pelo o Filho, é pelo o Filho que Deus  traz  a vida eterna como premio a todo aquele que crê e vive de acordo com os seus ensinamentos!
Somos chamados a uma intimidade profunda com o Pai através do Filho, a transformar a nossa vida num evangelho vivo, certos de que a palavra de Deus, revelada por Jesus, são palavras de vida eterna, e se já fomos regenerados e renascidos na água e no fogo do Espírito Santo que recebemos no nosso Batismo, devemos aspirar sempre  o que vem do alto.
A distância entre o céu e a terra, tornar-se pequena quando colocamos o seguimento a Jesus como prioridade da nossa vida.
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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Viram Jesus caminhar sobre as águas-Dehonianos


4 Maio 2019
2ª Semana - Sábado
Lectio
Primeira leitura: Actos 6, 1-7
Naqueles dias, como o número de discípulos ia aumentando, houve queixas dos helenistas contra os hebreus, porque as suas viúvas eram esquecidas no serviço diário. 2Os Doze convocaram, então, a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém deixarmos a palavra de Deus, para servirmos às mesas. 3Irmãos, é melhor procurardes entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria; confiar-lhes-emos essa tarefa. 4Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra.» 5A proposta agradou a toda a assembleia e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócuro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. 6Foram apresentados aos Apóstolos que, depois de orarem, lhes impuseram as mãos. 7A palavra de Deus ia-se espalhando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém, e grande número de sacerdotes obedeciam à Fé.
A realidade da primitiva Igreja era mais complexa do que, à primeira vista, deixam perceber os resumos idealizados de Lucas. A primeira comunidade integrava grupos de crentes de diferentes culturas, com mentalidades e posições sociais diferentes. As queixas dos helenistas contra os hebreus (v. 1) são um claro exemplo das dificuldades e tensões que havia. Os apóstolos reflectem e tomam decisões. Trata-se, em primeiro lugar, de um problema económico. As viúvas de homens da diáspora, que tinham vindo passar a Jerusalém os seus últimos dias, estavam sem apoio familiar. Para prestar este apoio, surge um novo ministério na Igreja, o dos diáconos. A eleição dos sete «homens de boa reputação» é feita pela comunidade. Os apóstolos confiam-lhes o ministério pela imposição das mãos, gesto que simboliza a comunicação do Espírito, e a associação e participação dos sete eleitos no seu próprio ofício apostólico. De facto, os diáconos não só cuidarão do serviço das mesas, mas também se vão dedicar à pregação. Serão os casos de Estêvão e de Filipe (cf. Act 6, 8dd; 8, 26ss.)
Evangelho: João 6, 16-21
Ao cair da tarde, os seus discípulos desceram até ao lago 17e, subindo para um barco, foram atravessando o lago em direcção a Cafarnaúm. 18Já tinha escurecido e Jesus ainda não fora ter com eles. Soprando uma forte ventania, o lago começou a agitar-se. 19Depois de terem remado mais ou menos uma légua, avistaram Jesus que se aproximava do barco, caminhando sobre o lago, e tiveram medo. 20Mas Ele disse-lhes:
«Sou Eu, não tenhais medo!» 21Quiseram recebê-lo logo no barco, e o barco chegou imediatamente à terra para onde iam.
A cena evangélica que hoje escutamos é narrada pelos Sinópticos e por João. Mas, enquanto em Mateus, Marcos e Lucas nos aparece estreitamente relacionada com a multiplicação dos pães, no quarto evangelho está apenas justaposta à narrativa desse milagre do Senhor.
Os discípulos estão na barca, ao cair da noite. Tinham remado com esforço e lutado contra as dificuldades do momento, quando viram Jesus caminhar sobre as águas, e se encheram de medo. O encontro com o Mestre fá-los ultrapassar a angústia. As suas palavras «Sou Eu, não tenhais medo» dão-lhes confiança e serenidade, porque reconhecem em Jesus a presença poderosa e salvífica de Deus. O seu Mestre não é apenas o Messias que lhes mata a fome, mas é uma pessoa divina que vai ao seu encontro com amor. Ao reconhecerem a identidade de Jesus, os discípulos chegam «à terra para onde iam». Jesus é o lugar da presença de Deus no meio dos homens. O seu rosto humano esconde o seu mistério e a sua identidade. Mas quem sabe ler na pessoa de Jesus a manifestação de um Deus que ama, torna-se seu discípulo e permanece unido a Ele, apesar da aura inacessível que envolve a sua pessoa. As cenas da multiplicação dos pães e da caminhada sobre as águas tornam-se epifania de Cristo para os seus discípulos.
Meditatio
O texto da primeira leitura parece ofuscar os quadros idílicos da primitiva comunidade, que encontramos em vários resumos dos Actos. Mas, Lucas é realista: mesmo nas comunidades mais perfeitas, não faltam problemas e tensões. O que é preciso é enfrentá-los comunitariamente, para que não bloqueiem a comunidade e não atrapalhem a difusão do Evangelho. É o que fazem os Apóstolos, dando exemplo de flexibilidade e de sábia orientação da comunidade. Oxalá sempre se tivesse actuado assim ao longo da história da Igreja, e se possa actuar do mesmo modo no presente e no futuro!
O episódio evangélico descrito por João é mais um dos que preparavam os discípulos para o mistério da morte e da ressurreição de Jesus. Ao caminhar sobre o mar, Jesus prefigura a sua travessia vitoriosa através da morte, muitas vezes comparada, na Sagrada Escritura, ao mar: «Cercavam-me as ondas da morte, assustavam-me as torrentes destruidoras, os laços do abismo me comprimiam (2 Sm 22, 5); «Cercaram- me as ondas da morte e as vagas destruidoras encheram-me de terror; envolveram- me os laços do Abismo» (Sl 18, 5). «Soprando uma forte ventania, o lago começou a agitar-se» (v. 18). Estas palavras prefiguram a paixão, a terrível tempestade que dispersará os discípulos. Mas Jesus, caminhando serenamente sobre o mar, dirige-se para a barca. Os discípulos assustam-se, como na paixão e mesmo no momento da ressurreição. Mas Jesus apresenta-se e diz-lhe: «Sou Eu, não tenhais medo!» (v. 20). Depois da paixão, Jesus ressuscitado também se apresenta aos discípulos dizendo:
«Sou eu!... A paz esteja convosco; não temais».
João diz-nos que, tendo reconhecido Jesus, «Quiseram recebê-lo logo no barco, e o barco chegou imediatamente à terra para onde iam» (v. 20). Quando se aceita Jesus no seu mistério de morte e de ressurreição, chegamos à outra margem: encontramos a luz e a paz de Deus.
Como "Oblatos-Sacerdotes do Coração de Jesus" (Cst. 6) somos chamados a ser "profetas do amor e... servidores da reconciliação" (Cst. 7); "Na comunhão, mesmo para além dos conflitos, e no perdão recíproco quereríamos mostrar que a fraternidade por que os homens anseiam é possível em Jesus Cristo, e dela quereríamos ser fiéis servidores" (Cst. 65). Não devemos, por isso, deixar-nos bloquear pelas dificuldades do diálogo comunitário. É preciso ter coragem para começar, força e humildade para
perseverar, como pobres, como pequenos segundo o Evangelho: "Sede alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração" (Rom 12, 12; cf. 1 Jo 4, 16).
Oratio
Senhor, quero hoje falar-te da minha comunidade, das tensões que por vezes surgem e da dificuldade em compô-las. Quando me sinto menos bem tratado por quem detém a autoridade, facilmente me impaciento e revolto; mas quando me pertence mandar, também facilmente considero como insatisfeitos e rebeldes aqueles que me criticam.
Dá-me, Senhor, a sabedoria dos Doze, que escutam e sabem envolver toda a comunidade na solução das dificuldades e tensões. Dá às nossas comunidades capacidade de escuta e de participação. Dá-nos a todos criatividade suficiente para enfrentar e resolver com serenidade as normais dificuldades da vida comum. Que, no meio das tempestades, jamais esqueçamos que Tu estás presente junto daqueles que estão reunidos em teu nome. Amen.
Contemplatio
(O Coração de Jesus) é, primeiro, um lugar de refúgio e de segurança contra os inimigos da salvação. «É preciso retirar-nos, diz Margarida Maria, para a chaga do Sagrado Coração, como um pobre viajante que procura um porto seguro onde se colocar ao abrigo dos escolhos e das tempestades do mar agitado do mundo, onde estamos expostos a um contínuo naufrágio. - O Coração adorável é um adorável retiro onde vivemos ao abrigo de todas as tormentas. - É como um forte inexpugnável contra os assaltos do inimigo. - É a fonte das graças divinas. A graça do divino amor, qual é fonte de donde brota? Qual é o canal que a faz chegar até nós? Rezai ao Coração adorável do Salvador, que depois de ter sido um sol divino sempre brilhante e a aquecer, fazendo crescer todas as virtudes, e dissipando as trevas os nevoeiros, seja para vós uma fonte de água viva. - Considerai este Sagrado Coração no meio do vosso coração, como a fonte das águas vivas, para regar o jardim da vossa alma, onde as flores das virtudes estão todas murchas. Restituir-lhes-á a sua beleza natural, a fim de que a vossa alma se torne o jardim das suas delícias. - É uma fonte que tem prazer em derramar-se com abundância em favor dos seus amigos. - É a fonte inesgotável de tudo aquilo de que temos necessidade; fonte donde quanto mais se toma mais há a tomar, mais é abundante. Vamos buscar a esta fonte virtudes para a contemplação do Coração de Jesus em todos os mistérios da sua vida (Leão Dehon, OSP 4, p. 334s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Sou Eu, não tenhais medo!» (Jo 6, 20).


A multiplicação dos pães-Dehonianos


3 Maio 2019
2ª Semana - Sexta-feira
Lectio
Primeira leitura: Actos 5, 34-42
Naqueles dias, 34ergueu-se, então, um homem no Sinédrio, um fariseu chamado Gamaliel, doutor da Lei, respeitado por todo o povo. Mandou sair os acusados por alguns momentos 35e, tomando a palavra, disse: «Homens de Israel, tende cuidado com o que ides fazer a esses homens! 36Nos últimos tempos, apareceu Teudas, que se dizia alguém e ao qual seguiram cerca de quatrocentos homens. Ele foi liquidado e todos os seus partidários foram destroçados e reduzidos a nada. 37Depois dele, apareceu também Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo atrás dele. Morreu, igualmente, e todos os seus adeptos foram dispersos. 38E, agora, digo-vos: não vos metais com esses homens, deixai-os. Se o seu empreendimento é dos homens, esta obra acabará por si própria; 39mas, se vem de Deus, não conseguireis destruí-los, sem correrdes o risco de entrardes em guerra contra Deus.»
Concordaram, então, com as suas palavras. 40Trouxeram novamente os Apóstolos e, depois de os mandarem açoitar, proibiram-lhes de falar no nome de Jesus e libertaram-nos. 41Quanto a eles, saíram da sala do Sinédrio cheios de alegria, por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do Nome de Jesus. 42E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Boa-Nova de Jesus, o Messias.
A defesa de Pedro tornou-se uma gravíssima acusação contra os seus acusadores. Por isso, quiseram matar os apóstolos. Mas, graças à intervenção de Gamaliel, impôs-se a moderação. Como fariseu bom e douto, Gamaliel via com simpatia o movimento cristão, que pregava a ressurreição e se apresentava-se como cumprimento das Escrituras. Seria arbitrário excluí-lo sem mais. Por isso, o melhor era esperar.
Todo o falso movimento messiânico se desfaz por si mesmo: Gamaliel lembra Teudas e Judas. Judas, o galileu, é bem conhecido. Chefiou uma rebelião contra Roma, no ano 6-7 da nossa era. O seu movimento foi continuado pelos zelotas. Teudas era bem conhecido no tempo em que Lucas escreve. Mas a sua rebelião aconteceu trinta anos depois da intervenção de Gamaliel. Lucas prescinde dessa circunstância e usa-o como exemplo de movimentos messiânicos fracassados. Para Gamaliel, sucederá o mesmo ao movimento cristão, se for falso. Por isso, não é preciso opor-se a ele. O raciocínio de Gamaliel foi aceite pelo Sinédrio que, depois de açoitar os apóstolos, os pôs em liberdade, com a proibição de continuarem a falar daquele «nome».
Os apóstolos interpretaram os seus sofrimentos como honrarias concedidas por Deus. Tinham-se realizado neles as perseguições anunciadas por Jesus (cf. Mt 10, 17; 23, 34); tinham sido objecto de uma das bem-aventuranças de Jesus (cf. Mt 5, 11- 12); tinham sido equiparados a Jesus (cf. Mc 15, 15; Jo 19, 1). Por isso, puseram-se a pregar, com novo ânimo, a Jesus como Messias.
Evangelho: João 6, 1-15
Naquele tempo, Jesus partiu para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. 2Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos. 4Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus.
5Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?» 6Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer.
Filipe respondeu-lhe: 7«Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.» 8Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: 9«Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» 10Jesus disse: «Fazei sentar as pessoas.»
Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil. 11Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram.
12Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». 13Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer.
14Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» 15Por isso, Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte.
O milagre da multiplicação dos pães introduz simbolicamente o «Discurso sobre o pão da vida». Trata-se de um dos sinais realizados por Jesus para revelar a sua identidade. João apresenta Jesus como o novo Moisés, guia de um novo êxodo. A multiplicação dos pães também é sinal de um novo maná, a Eucaristia.
Ao narrar este milagre, João tem uma clara intenção cristológica. Mostra que Jesus possui um conhecimento sobre-humano. De facto, quando Jesus pergunta a Filipe, como resolver a situação, João acrescenta que «Ele bem sabia o que ia fazer» (v. 6). Depois Jesus distribui pessoalmente o pão e os peixes, à discrição, pelos que estavam sentados (v. 11), mostrando segurança na sua missão e no modo como realizá-la. Finalmente, recusa ser rei (v. 15).
Para João, Jesus é Aquele em quem se realiza o passado e se concretiza a esperança de Israel. O pão que está para dar ao povo aperfeiçoa e ultrapassa a páscoa hebraica e coloca o milagre sob o signo do banquete eucarístico cristão. Jesus fala ao povo de nova aliança com Deus e de vida eterna. Depois, alerta Filipe para as dificuldades do momento e, só depois, intervém para multiplicar o pão. Todos são saciados, e ainda sobejam doze cestos de pão.
Com este sinal, Jesus apresenta-se como o Messias esperado e que é preciso acolher.
Meditatio
As palavras de Gamaliel são muitas vezes usadas como exemplo de um conselho sábio. É verdade que podem ter outro tipo de interpretações: atitude de quem deixa correr as coisas, de quem não está para se inquietar desnecessariamente, quiçá de uma mentalidade fatalista... Mas, quando são ditadas pelo espírito de fé em Deus que actua na história, as palavras de Gamaliel são certamente positivas.
As palavras do doutor da Lei, lidas como um conselho sábio, podem ajudar-nos a recuperar o sentido de Deus, que está presente e actua nos pequenos e grandes acontecimentos da nossa vida e da nossa história comum. É Ele o verdadeiro
protagonista de tudo. Nós não passamos de pequenos e pobres colaboradores seus. J&aacute
; é muito quando, com nossas intervenções, não estragamos os projectos de Deus.
Os Evangelhos devem ser lidos à luz da Páscoa do Senhor. O que hoje escutamos contém uma profecia em acção daquilo que Jesus ressuscitado nos dá, o pão vivo, que é Ele mesmo. Quem acolhe a Cristo, quem acredita n´Ele, é saciado.
Para João, este milagre está relacionado com a Eucaristia. «Estava a aproximar-se a Páscoa» - escreve o evangelista, que certamente pensava na morte de Jesus. No versículo 15, João é ainda mais claro, quando escreve: «sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte». Jesus foi condenado porque recusou satisfazer os sonhos políticos do povo. Não querendo ser rei dos judeus, foi por eles recusado.
Jesus retirou-se «para o monte». Ao anotar este pormenor, o quarto evangelista pensa em Jesus elevado da terra para atrair a Si todos os homens. Esta elevação começa na cruz, mas continua na ressurreição e na ascensão, quando Jesus volta para o Pai. A multiplicação dos pães é figura realizada em Jesus, na sua paixão e ressurreição gloriosa.
A própria pergunta feita por Jesus a Filipe tem resposta na paixão e ressurreição, quando Jesus, entregando o seu corpo por nós, e derramando o seu sangue por nós, compra o pão que alimenta as nossas almas.
Tal como Jesus é o pão bom que Se oferece a nós para ser comido, também nós devemos ser pão bom para Ele e para os irmãos, devemos tornar-nos nós mesmos eucaristia do Senhor, para qualquer pessoa, em qualquer situação, praticando os frutos do Espírito (cf. Gal 5, 22), que são as próprias exigências da Eucaristia: amor, paz, alegria...
Deste modo, a nossa vida, tal como a do Pe. Dehon, torna-se "uma missa permanente" (Cst. 5).
Oratio
Obrigado, Senhor, porque, pelo sacrifício de Ti mesmo, te tornaste nosso alimento. Acolhemos, emocionados e agradecidos, o dom que nos fazes. Cremos em Ti, mas aumenta a nossa fé, para que possamos ser alimentados do pão que és Tu, e entrarmos na comunhão divina que faz de nós uma unidade com todos aqueles que comem do mesmo pão, o pão vivo que dá a vida. Com a fé, dá-me também sabedoria, que me permita discernir o que devo deixar fazer a Ti e o que devo eu próprio procurar fazer. Dá-me humildade para aceitar o que Tu queres e secundar os teus projectos misteriosos, mas infalíveis. Amen.
Contemplatio
Podemos aplicar à devoção ao Sagrado Coração (de Jesus), como as aplicamos à Eucaristia, estas palavras do livro da Sabedoria: «Panem de coelo praestitisti eis omne delectamentum in se habentem (Vós lhes destes o pão do céu que tem todos os sabores). É um pão do céu que tem todos os sabores. Como o maná do deserto, como o maná eucarístico, esta devoção é um alimento celeste que tem todos os gostos, todos os sabores espirituais e que se adapta maravilhosamente a todas as almas, quaisquer que sejam as suas necessidades, a sua condição, a sua atracção particular.
A devoção ao Sagrado Coração reporta-se a todos os mistérios e a todos os estados de Nosso Senhor. Ela dá a explicação de tudo apenas com esta palavra: Amor.
Como os fiéis encontram nesta devoção todos os motivos de confiança e todos os encorajamentos para a virtude, os sacerdotes hão-de nela encontrar o ideal da vida sacerdotal e o modelo do qual devem aproximar-se (Leão Dehon, OSP 2, p. 521).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» (Jo 6, 14).


Aquele que vem do Alto está acima de tudo-Dehonianos


2 Maio 2019
2ª Semana - Quinta-feira
Lectio
Primeira leitura: Actos 5, 27-33
Naqueles dias, os guardas trouxeram os apóstolos e levaram-nos à presença do Sinédrio. O Sumo-sacerdote, interrogando-os, 28disse: «Proibimo-vos formalmente de ensinardes nesse nome, mas vós enchestes Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem.» 29Mas Pedro e os Apóstolos responderam: «Importa mais obedecer a Deus do que aos homens. 30O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem matastes, suspendendo-o num madeiro. 31Foi a Ele que Deus elevou, com a sua direita, como Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. 32E nós somos testemunhas destas coisas, juntamente com o Espírito Santo, que Deus tem concedido àqueles que lhe obedecem.» 33Enraivecidos com tal linguagem, pensaram a sério em matá-los.
Os apóstolos estavam presos às ordens do Sumo-sacerdote, incitado pela aristocracia sacerdotal, onde se destacavam os saduceus. Competia ao Sinédrio julgá- los. O Sumo-sacerdote acusava os apóstolos de dois crimes: desobediência às ordens que lhes foram dadas, uma vez que continuavam a ensinar «em nome de Jesus», e difamação, uma vez que acusavam os chefes do povo de serem os responsáveis pela morte de Jesus.
Pedro responde com um breve discurso. Reafirma o dever de obedecer antes a Deus que aos homens, porque só quem se submete a Deus recebe o Espírito Santo. Depois, centra-se no essencial do Kerygma cristão: a morte e a ressurreição de Jesus. E fá-lo contrapondo o que fizeram os chefes dos judeus e o que fez Deus: «vós matastes» Jesus; «Deus ressuscitou» Jesus (cf. vv. 30-31). É um esquema habitual no livro dos Actos. Pela ressurreição, Deus constituiu «esse homem, Príncipe e Salvador» (v. 31). Jesus é «Príncipe» porque é o novo Moisés, que guia o povo para a libertação e salvação; é «Salvador» porque, pela sua morte, nos alcançou o arrependimento e a remissão dos pecados.
A defesa de Pedro, e dos outros apóstolos, termina apresentando-se, a si e a eles, como testemunhas oculares do Evangelho que pregam. E o seu testemunho é garantido pelo Espírito Santo. Isto deixa enraivecidos os judeus, que pensam matar os apóstolos, tal como tinham feito com Jesus.
Evangelho: João 3, 31-36
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 31Aquele que vem do Alto está acima de tudo. Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo 32e dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33Quem aceita o seu testemunho reconhece que Deus é verdadeiro;
34pois aquele que Deus enviou transmite as palavras de Deus, porque dá o Espírito sem
medida. 35O Pai ama o Filho e tudo põe na sua mão. 36Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.
Na conclusão do capítulo terceiro do seu evangelho, João recolhe sucessivas palavras de Jesus caras à comunidade joânica. O evangelista utiliza categorias espaciais como «do Alto», «da terra», para nos apresentar Jesus como único revelador do Pai e a sua importância para a vida do homem. A insistência em descobrir a origem e a natureza do Revelador tem uma intenção existencial clara. Nenhuma palavra que proceda «da terra», por autorizada que seja, pode comparar- se com as palavras do Revelador, que vem «do Alto», que está acima de todos. Por isso, todo o discípulo é chamado a verificar a sua relação com Jesus e o modo como escuta a sua palavra. Cristo vem «do Alto», pertence ao mundo divino e é superior a qualquer homem. O homem, ainda que seja um grande profeta, como João Baptista,
«vem da terra» e permanece um ser terreno e limitado. É verdade que alguns ainda se recusam a crer. Mas há um «resto», que vive de fé, e são os crentes que manifestam «que Deus é verdadeiro». A sua fé confirma que o agir de Cristo está em comunhão com o agir do Pai.
Finalmente, Cristo não é só o Revelador da Palavra de Deus, mas é a própria Palavra, é «espírito e vida» (Jo 6, 63). É, não só Aquele que tudo recebe do Pai, mas também Aquele que transmite tudo quanto possui, especialmente o seu Espírito Santo.
Meditatio
O texto evangélico que hoje escutamos revela-nos a plenitude de graça que recebemos do Ressuscitado. Ele é para nós revelação do imenso amor com que Deus nos ama. Esse imenso amor, com todos os dons que compreende, é derramado em nós no baptismo. A vida cristã consiste em viver, cada vez em maior plenitude, a riqueza que recebemos ao ser baptizados: a graça santificante e justificante, que nos torna capazes de crer em Deus, esperar n´Ele e de O amar, pelas virtudes teologais; o poder de vivermos e agirmos sob a moção do Espírito Santo e os seus dons; a capacidade de crescer no bem, pelas virtudes morais. O nosso primeiro esforço há-de ser tomar consciência de todos esses dons do amor de Deus, e não tentar conquistá- los. São-nos oferecidos gratuitamente no baptismo.
A nossa vida há-de ser permeada de gratidão para com Deus, tão generoso
para connosco. Ter a certeza desse amor é atitude fundamental na vida cristã. Se, na vida natural, quase tudo se alcança à custa de esforço e lentamente, na vida da graça tudo nos é dado. Há apenas que acolher e viver os dons que Deus gratuitamente nos oferece.
A primeira leitura fala-nos de um dom de que hoje se fala pouco e de que os cristãos nem sempre têm suficiente consciência: a remissão dos pecados. Mas, quem tem o sentido de Deus, quem adverte a importância decisiva de estar em comunhão com Ele, quem sente por experiência própria a tragédia de estar longe d´Ele, quem toma a sério que o definitivamente válido é a comunhão com Deus, sabe que a remissão dos pecados é algo decisivo na nossa vida. Todos somos pecadores. Todos precisamos de perdão. Jesus remiu-nos do pecado, isto é, restabeleceu a comunhão filial, amiga, pacificadora com Deus. É o princípio de todos os bens messiânicos. Sem esse fundamento, nada se pode construir. Longe de Deus, sentimo-nos afastados da nossa origem e do nosso fim. É por isso que S. Pedro anuncia o Senhor ressuscitado como Aquele que restabelece a amizade entre o angustiado coração humano e o ardente coração de Deus Pai.
O grande obstáculo ao acolhimento do amor gratuito de Deus é o pecado. "O Padre Dehon é muito sensível ao pecado... conhece os males da sociedade..." e "reconhece na recusa do amor de Cristo a
causa mais profunda desta miséria humana", afirmam as nossas Constituições (cf. n. 4). Também nós, Oblatos- Sacerdotes do Coração de Jesus, tal como o Pe. Dehon, devemos estar
"comprometidos... para reparar o pecado e a falta de amor na Igreja e no mundo (Cst 7; Cf. n. 79), isto é, o não acolhimento do amor de Deus e a falta de correspondência a esse amor, oferecendo-nos ao Pai "em solidariedade" com Cristo... como uma oblação viva, santa e agradável (cf. Rom 12, 1)... em sacrifício de suave odor (Ef 5, 2)" (n. 22).
Oratio
Obrigado, Senhor, por todos os teus dons. Obrigado pela remissão dos meus pecados. Facilmente esqueço que fui perdoado por ti, não só uma, mas muitas vezes. Facilmente esqueço a alegria que me traz o teu perdão, a alegria que me traz sentir- me reconciliado Contigo.
Ensina-me a falar da salvação como perdão dos pecados e comunhão Contigo.
Que jamais esqueça o teu amor benevolente e misericordioso quando, a tremer por causa das minhas culpas, me apresento diante de Ti. Mostra-me, então, o teu rosto benigno de salvador e infunde em mim o teu Espírito para remissão dos pecados. Unido a Ti, meu divino Salvador, quero ser arauto do teu amor diante de todos os meus irmãos e irmãs, para que também eles acolham o dom da remissão dos pecados, que a todos ofereces. Amen.
Contemplatio
Comentando a palavra do Salvador, S. Pedro diz-nos: «Sede submissos, por amor de Deus, a toda a instituição humana, seja ao rei como soberano; seja aos governadores, como enviados por ele, para punir os maus e para recompensar os bons... Porque tal é a vontade de Deus, que, fazendo o bem, fechais a boca dos insensatos e dos ignorantes. Sois livres, mas como servos de Deus, e não para vos cobrirdes da liberdade como de um véu que favorece a licenciosidade.
Honrai a todos: amai os vossos irmãos, temei a Deus, respeitai o rei. Servos,
sede submissos aos vossos senhores com todo o temor, não somente àqueles que são bons e doces, mas ainda àqueles que são impertinentes. Porque é uma glória suportar mágoas e sofrer injustamente por motivo de consciência para com Deus. Que glória há, de facto, em suportar os castigos que mereceis pelas vossas faltas?
Mas se tendes de sofrer quando fizestes o bem, e o suportastes com paciência, eis o que é grande diante de Deus» (1Pd 2, 13).
S. Paulo também diz a Tito: «Adverti os irmãos para que sejam submissos aos príncipes e aos poderosos, que obedeçam à sua palavra, que estejam prontos para todas as boas obras».
Mas assim como devemos deferência e submissão à autoridade legítima, quando actua dentro dos limites das suas atribuições, do mesmo modo devemos mostrar-nos firmes na nossa resistência, quando ela se vira contra Deus e pisa aos pés os direitos da consciência.
Aos seus juízes que lhes proibiam de falarem no futuro no nome de Jesus,
Pedro e João responderam: «Pronunciai vós mesmos, e dizei, perante Deus, se é justo obedecer-vos antes que a Deus. Não podemos calar o que vimos e escutámos».
– E chamados a juízo uma segunda vez, dizem ainda: «É a Deus que é preciso obedecer antes que aos homens» (Act 4-5). S. Paulo adverte-nos também para que conservemos a nossa dignidade de cidadãos e para fazermos respeitar os nossos direitos: «Sou cidadão romano, diz, e apelo a César» (Act 22) (Leão Dehon, OSP 4, p.
78s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Qj.Jem crê no Filho tem a vida eterna>> (Jo 3, 36 ).


(Vídeo) 3º DOMINGO DA PÁSCOA-Ano C-Vera Lúcia