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domingo, 4 de dezembro de 2016

Tocamos flauta e não dançastes-Dehonianos

02ª semana do Advento – Sexta-feira - Anos Pares
9 Dezembro 2016
02ª semana do Advento – Sexta-feira
Tempo do Advento Segunda Semana – Sexta-feira
Lectio
Primeira leitura: Isaías 48, 17-19
17 Eis o que diz o Senhor, teu redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te dou lições para teu bem, que te guio pelo caminho que deves seguir. 18 Ah! Se tivesses atendido ao que Eu mandava! O teu bem-estar seria como um rio, a tua felicidade como as ondas do mar. 19 A tua posteridade seria como a areia, como os seus grãos, os frutos do teu ventre. O teu nome não seria aniquilado, nem destruído diante de mim.
o Deutero-Isaías concentra-se na revelação do Senhor como Deus de Israel e oferece-nos uma espécie de "rosário" dos nomes de Deus: Redentor, Santo de Israel (título repetido 7 vezes: 41, 14; 43, 3.14; 47,4; 48, 17; 49, 7; 54,5). A salvação, que manifesta a santidade de Deus, também se realiza por meio do ensino do coração do povo, possibilitando-lhe viver a Aliança e conhecer o plano de amor salvífico gratuito, que Deus tem para toda a humanidade, e que é razão última da criação do mundo (v. 17).
O profeta faz também uma espécie de balanço da história passada da Aliança: a palavra de Deus não foi escutada; a Lei não foi observada; por isso é que Israel está tão longe da prosperidade que a Aliança comportava. Mas, agora, Deus volta a dar-lhe a sua Palavra eficaz, de modo que a obediência a ela possa ter efeitos profundos e duradoiros e conduza Israel a uma vida na justiça oferecida por Deus (v. 18), garantindo o cumprimento da promessa feita aos Pais (v. 19; cf. Gn 12, 2-3; 22, 17).

Evangelho: Mateus 11,16-19
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 16«Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17 dizendo: ‘Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!’ 18 Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’ 19*Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ~í está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras.»
Jesus acentua a incapacidade dos seus contemporâneos para compreenderem a bondade do tempo presente, uma vez que não estão abertos ao novo. Por isso, são como crianças que não sabem lamentar-se nem divertir-se. A parábola apresenta-nos dois grupos de miúdos que contrastam entre si: o segundo grupo perdeu interesse pelo jogo, e amuou, ainda antes de o iniciar (vv. 16-17). Os contemporâneos de João Baptista e de Jesus comportaram-se do modo idêntico, devido à má vontade.
Em Mateus, a sentença final dá resposta a esta reacção oposta de estilos de devoção: o estilo sábio de Deus foi reconhecido por aqueles que tomaram seriamente em consideração o seu modo de agir. O que Jesus pretende é agitar as consciências dos seus ouvintes e convidá-los a acolher a "desconhecida hora de Deus". As palavras sobre o Baptista terminam com um apelo a uma compreensão de fé que leve a optar pelo projecto salvífico de Deus, sintonizando com o seu modo de agir e de se revelar na história.
Meditatio
O Advento ensina-nos a desejar e a acolher o Senhor. Mas é preciso estar disposto a acolhê-lo como Ele se apresentar, e não segundo os nossos sonhos e critérios. Caso contrário, jamais O acolheremos, porque Ele gosta de nos surpreender sempre. Se não Se apresenta como sonhávamos, melhor, porque os nossos sonhos fecham-nos em nós mesmos, enquanto que a Sua presença real e concreta nos faz sair de nós e nos põe em relação com o Pai.
Há que estar pronto para reconhecer a hora de Deus. Isso significa, em primeiro lugar, renunciar a entrincheirar-nos em desculpas que apenas mascaram o nosso desinteresse e a nossa resistência ao convite à conversão, que incessantemente nos é dirigido pela Palavra de Deus. As recorrentes advertências dos profetas exortam¬nos a caminhar na justiça e numa fé operante e sincera.
Mas a hora de Deus não é só a da penitência e da mudança de vida. É também a da alegria trazida pelo Evangelho de Jesus. A alegria evangélica nascerá em nós se soubermos reconhecer que Ele não se envergonhou de ser chamado «amigo dos publicanos e dos pecadores- O perdão que nos anuncia não é uma palavra vazia ou uma notícia genérica sobre a boa disposição de Deus em relação a nós. É o evento perturbante da sua vinda, o seu querer fazer festa connosco, pecadores. E não é uma festa que podemos adiar para amanhã, como gostariam de fazer os miúdos caprichosos da parábola evangélica, porque é para nós, hoje!
Que o Senhor que nos livre do espírito de crítica que tudo recusa, que sempre encontra razões para não aceitar, para não acolher a vida como ela se apresenta, as pessoas como são. Que o Senhor nos dê verdadeiro espírito de acolhimento, espírito de benevolência para acolhermos a todos, espírito que nos faça ver em tudo o que é bom, o que podemos aproveitar para o serviço do Senhor, o que nos faz progredir no amor.
Para os cristãos, e particularmente para os religiosos, é um perigo grave encerrar-nos no egoísmo pessoal e comunitário, fechando-nos a Deus e aos irmãos. Essa atitude seria negação do amor e da disponibilidade para acolher a Cristo, onde quer que se manifeste. Muitas vezes manifesta-se nos irmãos, particularmente nos carenciados e oprimidos.
Por isso as Constituições afirmam correctamente: "A comunidade deixa-se interpelar pelos homens no meio dos quais vive" Cst. 61); "A nossa vida religiosa … é constantemente interpelada. Somos obrigados a repensar e a reformular a sua missão e as suas formas de presença e de testemunho … exige o encontro frequente com o Senhor na oração, a conversão permanente ao Evangelho e a disponibilidade de coração e de atitudes, para acolher o Hoje de Deus" (Cst. 144).
Oratio
Senhor, hoje, sinto-me interpelado a pensar e a reflectir sobre mim mesmo. Sei que há tempo para chorar e tempo para dançar. Mas descubro que, muitas vezes, sou pouco sábio, e sou muito distraído e incapaz de reconhecer a tua hora na minha vida. Queria ser eu a marcar o tempo e o modo como Te apresentas na minha vida. Por isso, comporto-me como os miúdos caprichosos de que falas no evangelho. Por isso, temo tornar-me vítima da obstinação, e não conseguir julgar correctamente os sinais da tua presença na minha vida, na vida da minha comunidade, na vida da Igreja, na vida do mundo.
Não desistas de dirigir a tua Palavra ao meu coração obstinado e endurecido, para que saiba compreender o teu plano sobre mim e atinja a verdadeira sabedoria. Repreende-me, ainda que duramente, quando quiseres que eu escute os apelos de João Baptista à penitência e à conversão. Ajuda-me a reconhecer que é este o tempo da graça, o tempo em que me ensinas para meu bem e me guias pelo caminho que devo percorrer. Amen.
Contemplatio
Jesus sofreu também a calúnia. Foi rejeitado pelos homens, que escondiam a cara afastando-se d’ Ele como se corassem ao reconhecê-lo. Foi falsamente acusado como jamais alguém depois d’ Ele o foi. Chamaram-n’O Samaritano e fizeram correr o boato de que estava possuído pelo demónio. Era, dizia-se, «um bom comedor e bebedor de vinho, um amigo dos publicanos e dos pecadores». Era um impostor, um sedutor, um sedicioso. Ser suspeito e acusado de pecado foi para o Salvador uma indizível humilhação.
O padre falsamente acusado sofre também horrivelmente.
Os que acusavam Jesus e queriam precipitá-lo da rocha abaixo e matá-lo, tinham sido cumulados dos seus benefícios. Todo o padre deve estar pronto a sofrer a mesma ingratidão.
Quantos bons padres, cuja conduta é criticada, censurada, acusada, condenada abertamente ou em segredo! Mesmo os seus amigos se afastam deles. Mesmo os seus irmãos no sacerdócio, mesmo os seus superiores talvez dêem crédito à calúnia. São nisto, como na sua dignidade e no seu ministério, a imagem viva do Salvador.
Enfim, o divino Mestre morreu debaixo de uma verdadeira tempestade de falsas acusações. Tinha sido abandonado mesmo pelos seus amigos.
«Meus amados, diz S. Pedro, não vos surpreendais com o fogo ardente que serve para vos provar, mas participando assim nos sofrimentos de Cristo, alegrai-vos e no momento da revelação da sua glória participareis também na sua alegria … » (lPd 4, 12). (Leão Dehon, OSP 2, p. 601s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
(«Eu sou o Senhor teu Deus, que te guio pelo caminho que deves segui!») (Is 48, 17).


O meu jugo é suave-Dehonianos

02ª semana do Advento – Quarta-feira - Anos Pares
7 Dezembro 2016
02ª semana do Advento – Quarta-feira
Tempo do Advento Segunda Semana – Quarta-feira
Lectio
Primeira leitura: Isaías 40,25-31
25«A quem, pois, me comparareis, que seja igual a mim?» -pergunta o Deus Santo. 26 Levantai os olhos ao céu e olhai! Quem criou todos estes astros? Aquele que os conta e os faz marchar como um exército. A todos Ele chama pelos seus nomes. É tão grande o seu poder e tão robusta a sua força, que nem um só falta à chamada.27*Porque andas falando, Jacob, e murmurando, Israel: «O Senhor não compreende o meu destino, o meu Deus ignora a minha causa!» 28 Porventura não sabes? Será que não ouviste? O Senhor é um Deus eterno, que criou os confins da terra. Não se cansa nem perde as forças. É insondável a sua sabedoria. 29 Ele dá forças ao cansado e enche de vigor o fraco. 30 Até os adolescentes se cansam e se fatigam e os jovens tropeçam e vacilam. 31 Mas aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer.
A meditação da história da salvação, e da experiência de fé de Israel, leva o Deutero-Isaías à primeira afirmação de um monoteísmo prático e teórico. Essa afirmação é feita por meio de perguntas retóricas que sublinham a incontestável unicidade do poder salvador do Senhor e a sua criatividade para encontrar caminhos não andados para socorrer o seu povo (cf. v. 25). O Deutero-Isaías quer convencer os seus ouvintes de que Deus pode e quer salvá-los, quer consolá-los, mostrando que cuida eficazmente dos seus fiéis.
Se esse é o Deus de Israel, não há razão para que o povo se sinta abandonado pelo Senhor, apesar da situação difícil em que se encontra, o cativeiro de Babilónia. O importante é que verifique a incapacidade de se salvar por si próprio, simbolizada no cansaço dos adolescentes e dos jovens que «tropeçam e veaten» (v. 30), e reconheça a sua fragilidade diante de Deus. Então poderá experimentar a força que vem de Deus (v. 31) e reviver a experiência do êxodo.


Evangelho: Mateus 11,28-30
Naquele tempo Jesus exclamou: 28«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que eu hei-de aliviar-vos. 29*Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»
O conhecimento de Deus é possível porque Jesus introduz os seus discípulos nesse conhecimento (cf. Mt 11, 25-27). Mas, para acolherem a paternidade divina e a amizade do Filho, os discípulos hão-de fazer-se "pequenos".
o evangelho de hoje diz-nos que é "pequeno" quem acreditar que o estilo de Jesus «manso e humilde de coração. (v. 29) é o caminho para chegar aos segredos de Deus, e se dispuser a aproximar-se d‘ Ele e a tornar-se discípulo: «Vinde a mim» (v. 28). Jesus, tal como a Sabedoria do Antigo Testamento (cf. Sir 51, 26-27; 6, 24ss.), convida para a sua escola e promete «descanso, isto é, o saciar dos mais profundos anseios do coração humano.
É, pois, preciso tornar-se discípulos, aproximar-se de Jesus que fala do Pai aos seus amigos, e descobrir que a familiaridade com Jesus é uma escola exigente, mas capaz de oferecer repouso e paz. Jesus não dispensa os seus discípulos do cumprimento da lei de Deus, como sugerem os termos «juço. e «tordo», Mas será um peso adequado às forças de quem o deve carregar.
Meditatio
«O Senhor… não se cansa nem perde as forças; Ele dá forças ao cansado e enche de vigor o trea», afirma Isaías. «O Senhor é misericordioso e compassivo, é paciente e cheio de emot», afirma o Salmo 102.
Deus revelou-se a Moisés como um Deus rico de misericórdia e de fidelidade.
Ao longo da história, sempre usou de misericórdia para com o seu povo. Puniu-o, mas puniu-o com piedade, para o renovar e conduzir a maior intimidade com Ele.
Mas a misericórdia de Deus revelada no Antigo Testamento é bem pouca coisa, em comparação com a que se revela em Jesus. O Advento é tempo para tomarmos consciência da piedade de Deus, do seu amor misericordioso, manifestado em Jesus. Trata-se de um prodígio tal que jamais o poderíamos esperar ou sequer pensar. O Antigo Testamento fala de uma misericórdia exercida com poder e força. O Novo Testamento fala-nos de uma misericórdia manifestada na mansidão e na humildade de um Deus que se torna semelhante a nós. É a máxima expressão da misericórdia de Deus, que desce até nós para nos elevar à sua intimidade.
Ao ouvirmos o convite de Jesus para irmos a Ele, sentimo-nos exortados a regressar ao grande amor com que Deus nos amou, tornando-nos seus amigos e filhos. Só aproximando-nos do Coração de Jesus podemos compreender a grandeza desse amor, e a graça da filiação divina que o Pai nos concedeu.
Contemplando e escutando Jesus, «manso e humilde de coração-, somos libertados de uma religião feita só de méritos, de obras, de deveres, porque em Jesus se revela o rosto amável de Deus, capaz de saciar os nossos mais profundos anseios. A fé torna-se então experiência de sermos revestidos com a força do alto, de caminharmos sem descanso, porque apoiados sobre asas de águia, rumo a um amor que é anterior a nós, que nos precede, e nos ensina a desejar a sua promessa.
A nossa resposta a esse amor misericordioso de Deus concretiza-se na oblação do nosso humilde dia a dia, aceitando com serenidade as cruzes e canseiras; irradiando com espontaneidade simples os frutos do Espírito. E assim realizamos concretamente o convite de Jesus: Quem quiser ser Meu discípulo" tome a sua cruz, dia a dia, e siga-Me’ (Lc 9, 23). Assim O seguimos na mansidão e na humildade do coração: "Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração’ (Mt 11, 29). Encontraremos a força e a coragem para irradiar alegria, paz, bondade, para alívio, não só nosso, mas também dos nossos irmãos. Assim, podemos viver hoje no nosso Instituto, ou na forma de vida cristã que corresponde à nossa vocação, a herança espiritual recebida do Padre Dehon.
Oratio
Senhor Jesus, obrigado pelo teu convite: «Vinde a rrumt». Quero corresponder-lhe. Quero ir ao teu encontro para estar contigo, fruir da tua presença e da tua amizade, aprender de Ti. Ensina-me a conhecer o Pai, a tomar consciência da minha condição de filho, a reconhecer os outros como irmãos. Ensina-me a ser manso e humilde de coração, a fazer da cordialidade a minha atitude permanente na relação com todos aqueles com quem vivo, na relação com aqueles a quem sou enviado, com aqueles que me procuram ou procuram os meus serviços.
Ensina-me a ir ao teu encontro, a abrir-te o meu coração e a narrar-te as minhas preocupações e culpas. Que, em Ti, possa encontrar repouso e paz. Que, em Ti, encontre coragem e força para levar, dia após dia, o teu jugo suave e a tua carga leve. Amen.
Contemplatio
o Mestre é bom, é doce e fácil. «Vinde a mim, diz, vós todos que sofreis sob o jugo do demónio e da natureza, o meu jugo é leve e o meu serviço é fácil. E para este serviço, doce em si mesmo, e que poria as vossas almas na paz, prometo recompensas infinitas … » (Mt 11).
Mas, ó bom Mestre, até ao presente, não passei de um servo infiel. Preferi o jugo odioso das criaturas e das paixões à vossa mestria tão doce e amável. Disse o Non serviam que reprováveis a Israel. Tínheis-me tirado do Egipto pelo baptismo, pela conversão, pela vocação. Deixei-vos e servi Baal. Podeis chamar como testemunhas contra mim o céu e a terra. Acusar-me-ão e clamarão por vingança. Abandonei as fontes da vida e procurei cisternas vazias ou águas turvas. Já não ouso regressar para vós (Jeremias, 2).
E no entanto, procurais-me e chamais-me. Vindes para me ganhardes pelo vosso amor e me reconduzirdes ao vosso serviço que é mais doce que as realezas da terra. Vindes com os laços de Adão, os laços humanos que são os laços do coração: in funiculis Adam traham eos. Dais-me o vosso Coração: Conversum est in me Cor meum. Esqueceis a vossa severidade. Tendes um Coração divino, e o Coração de Deus não é como o dos homens: Quoniam Deus ego et non homo (Oseias, 11).
Ó! Sim, bom Mestre, na Eucaristia encontro o Coração de um Deus e dirijo-me com confiança à sua infinita bondade. (Leão Dehon, OSP 3, p. 655s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração. (Mt 11, 29)



A ovelha perdida-Dehonianos

02ª semana do Advento – Terça-feira - Anos Pares
6 Dezembro 2016
02ª semana do Advento – Terça-feira
Tempo do Advento Segunda Semana – Terça-feira
Lectio
Primeira leitura: Isaías 40, 1-10
1 Consolai, consolai o meu povo, é o vosso Deus quem o diz 2 Falai ao coração de Jerusalém e gritai-lhe: terminou a vossa servidão, estão perdoados os vossos crimes, pois já recebeu da mão do Senhor o dobro do castigo por todos os seus pecados. 3*Uma voz grita: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplanai na estepe uma estrada para o nosso Deus. 4 Todo o vale seja levantado, e todas as colinas e montanhas sejam abaixadas, todos os cumes sejam aplanados, e todos os terrenos escarpados sejam nivelados!» 5Então a glória do Senhor manifestar-se-á, e toda a gente a há-de ver ao mesmo tempo. É o Senhor quem o declara. 6 Diz uma voz: «Proclama!» Respondo: «Que hei-de proclamar?» «Proclama que toda a gente é como a erva e toda a sua beleza como a flor dos campos! 7A erva seca e a flor murcha, quando o sopro do Senhor passa sobre elas. Verdadeiramente o povo é semelhante à erva. 8 A erva seca e a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente.» 9 Sobe a um alto monte, arauto de Sião. Grita com voz forte, arauto de Jerusalém; levanta a voz sem receio, e diz às cidades de Judá: «Aí está o vosso Deus! 10 Olhai, o Senhor Deus vem com a força do seu braço dominador; olhai, vem com o preço da sua vitória, e com a recompensa antecipada. 11 É como um pastor que apascenta o rebanho, reúne-o com o cajado na mão, leva os cordeiros ao colo, e faz repousar as ovelhas que têm cries»
Os exilados em Babilónia experimentam um profundo desânimo e tristeza A sua fé corre perigo: ter-se-é Deus esquecido do seu povo, mantém-se a sua Palavra, tem Jerusalém uma esperança? Um profeta anónimo, cujos oráculos são acrescentados ao livro de Isaías, procura animar os exilados. Os oráculos desse profeta ocupam os capítulos 40-55 do livro de Isaías. Começamos a lê-los hoje. E aparece-nos imediatamente a motivação desses oráculos: «Consolai, consolai o meu povo», diz o Senhor (v. 1). A consolação vem da Aliança restaurada e de uma nova relação com o Senhor. O regresso à pátria é, para o Deutero-Isaías, um sinal dessa renovação e dessa nova relação. Trata-se de um regresso triunfal, a que se junta a própria criação. O Senhor, qual guerreiro triunfante e pastor cuidadoso, caminha com o seu povo.
O profeta tem a missão de preparar este regresso do Senhor (v. 3). A alma do povo, tornada semelhante à estepe do deserto, acidentada e seca por causa dos sofrimentos, desilusões e infidelidades, poderá acolher a glória de Deus com um entusiasmo ainda maior que o experimentado durante o Êxodo (v. 5). Se o homem é frágil, e as suas promessas efémeras, a palavra do Senhor é estável e o seu compromisso com a humanidade é eterno. É na estabilidade do Senhor que o povo desterrado em Babilónia há-de confiar.


Evangelho: Mateus 18, 12-14
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:12*Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove no monte, para ir à procura da tresmalhada? 13 E, se chegar a encontrá-Ia, em verdade vos digo: alegra-se mais com ela do que com as noventa e nove que não se tresmalharam. 14 Assim também é da vontade de vosso Pai que está no Céu que não se perca um só destes pequeninos.»
A parábola da ovelha perdida é uma exortação a partilhar a alegria do perdão que Deus concede aos pecadores que se convertem, e a tornar-nos também disponíveis para oferecer o perdão aos outros. Mateus insere a mesma parábola no discurso eclesial, no contexto das orientações sobre a vida da comunidade: tornar-se pequeno, estar disponível para acolher, cuidar dos que vacilam na fé … (cf. Mt 18).
Em coerência com esse contexto, Mateus não põe directamente Deus à procura da ovelha tresmalhada, mas a comunidade. É a solicitude pastoral da comunidade que torna visível o rosto de Deus que vai à procura do cristão perdido, do pecador.
Deixar as noventa e nove ovelhas, para procurar uma perdida, é verdadeira loucura. É a loucura do Deus de Jesus, que há-de tornar-se loucura da comunidade (v. 14). Esta, não deve guiar-se por critérios de eficiência, mas pelo cuidado para com os pequenos, os marginalizados, os perdidos. O resultado não está automaticamente garantido: «se chegar a encontrá-ts» (v. 13) … O importante é que a comunidade procure aquele que anda perdido e faça por encontrá-Ia …
Meditatio
São muitas as razões para andarmos tristes e desanimados. Mas a palavra do Senhor consola-nos e reanima em nós a esperança.: «Consolai, consolai o meu povo!… Aí está o vosso Deus!.. o Senhor Deus vem com a força do seu braço dommedt», A Boa Notícia ecoa pela terra: Deus vem com poder e com doçura semelhante à de um pastor que leva os cordeiros ao colo e conduz devagar as ovelhas que têm crias.
Jesus aplica a si esta imagem bíblica tão sugestiva. «Eu sou o Bom Pastor».
Esta expressão sugere a ternura com que olha por nós, e a força com que intervém para vencer os inimigos da nossa liberdade e da nossa dignidade, o cuidado com que nos guia pelos difíceis e atormentados caminhos da vida.
Quantas vezes na vida, individualmente ou em comunidade, experimentámos as consolações do nosso Deus, nos sentimos conduzidos nos seus braços amorosos. Esta experiência deve incitar-nos a procurar aqueles que andam perdidos, que andam afastados de Deus.
Como discípulos, e como comunidade, somos chamados a manifestar a todos o rosto do Pai misericordioso, indo à procura daqueles que, no caminho da vida, perderam a fé e a esperança. Somos consolados, chamados a ser consoladores, tornando-nos companheiros de viagem daqueles que têm o coração aflito e estão sobrecarregados pelo sofrimento ou pela culpa. Podemos fazê-lo com a consciência de que a consolação não vem de nós, mas vem da Palavra de Deus que permanece para sempre.
Cristo revela-nos o Seu amor nos modos mais diferentes, como Verbo de Deus feito carne, como sacerdote misterioso, como vítima pelos nossos pecados, como bom Pastor que dá a vida por nós suas ovelhas. Somos chamados a corresponder a esse amor, deixando-nos encontrar, deixando-nos tratar, deixando-nos conduzir à comunidade, à Igreja, tornando-nos profetas e apóstolos do amor.
Foi essa a resposta do Pe. Dehon, que o levou a unir-se e a unir toda a sua vida à oblação de Cristo, a viver o "amor puro" e a lançar-se no seu intenso apostolado social. Foi assim que, de modo muito concreto, realizou a sua vocação de oblato e reparador.
Quem salva o mundo não é o homem, mas Deus, em Jesus Cristo. Mas também é preciso o nosso trabalho, as nossas obras. Mas tudo isso vale para a salvação na medida em
que é cristificado, isto é, na medida em que comunica a morte e a vida de Cristo, Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Essa comunicação não há-de realizar-se só por meio de palavras, mas também pelo dom da nossa vida, à semelhança de Cristo: "Em nós actua a morte, em vó~ a vida" (2 Cor 4, 12).
Oratio
Sobe a um alto monte, arauto de Sião. Grita com voz forte, arauto de Jerusalém; levanta a V04 sem receio, e diz às cidades de Judá: «Aí está o vosso Deus! Olhai, o Senhor Deus vem com a força do seu braço dominador; olhai, vem com o preço da sua vitória, e com a recompensa antecipada.
Senhor, o teu Evangelho é Boa Notícia porque leva consolação aos fracos, aos perdidos e aos escravos de muitos senhores. Hoje, continuas a anunciá-lo ao teu povo aflito, porque és um Deus fiel. És o divino Amante que nos diriges o teu convite de amor e nos falas ao coração. És o Deus de todas as consolações.
Faz com que, também nós, possamos consolar os aflitos e oprimidos, com a mesma consolação que de Ti recebemos. Impele-nos a procurar o que anda perdido. Tu és o Bom Pastor que quer salvar a ovelha perdida, mas querida ao teu coração. E queres salvá-Ia também com a nossa solidariedade.
Eis-nos aqui, disponíveis a colaborar, para que a voz do teu Filho, manso e humilde de coração, seja escutada no mundo, e todos possam regressar ao redil, à vida verdadeira, só possível junto de Ti. Amen.
Contemplatio
Como Nosso Senhor é amável sob este título que resume tão bem todas as bondades do seu Coração para connosco! Foi ele mesmo que deu a si mesmo este título e que nos recordou todas as solicitudes, todas as ternuras, todas as dedicações de um bom pastor.
O bom pastor conhece todas as suas ovelhas. Chama-as uma a uma. Caminha diante delas. Condu-Ias às melhores pastagens.
Espiritualmente, temos por alimento da nossa alma a palavra viva de Nosso Senhor, e para o nosso coração o alimento celeste da Eucaristia.
O bom Pastor dá os seus cuidados mais diligentes a todas as suas ovelhas. Se vê algumas que sofrem, feridas, cansadas, toma-as sobre os seus ombros, leva-as para o redil e cuida delas amorosamente. Nosso Senhor faz isto por nós pela confissão, pela direcção e pela sua Providência, tão assídua e tão delicada.
O bom Pastor não perde de vista as suas ovelhas, a sua solicitude é extrema.
Vela pela sua segurança, preserva-as da malícia dos maus e defende-os contra os embustes do demónio.
Para as salvar, dá até à última gota do seu sangue.
Não é verdadeiramente o Salvador com o seu Coração cheio de uma bondade inesgotável? (Leão Dehon, OSP 3, p. 472).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«O Senhor Deus vem como um pastor que apascenta o rebanho. (cf Is 40, 10- 11)

Jesus curou um paralítico-Dehonianos

02ª semana do Advento – Segunda-feira - Anos Pares
5 Dezembro 2016
02ª semana do Advento – Segunda-feira
Tempo do Advento Segunda Semana – Segunda-feira
Lectio
Primeira leitura: Isaías 3S, 1-10
1 *0 deserto e a terra árida alegrar-se-ão, a estepe exultará e dará flores belas como narcisos. 2 Vai cobrir-se de flores e transbordar de júbilo e de alegria. Tem a glória do Líbano, a formosura do monte Carmelo e da planície de Saron. Verão a glória do Senhor, e o esplendor do nosso Deus. 3 Fortalecei as mãos débeis, robustecei os joelhos vacilantes. 4 Dizei aos que têm o coração pusilânime: «Tomai ânimo, não temeis» Eis o vosso Deus, que vem para vos vingar. Deus vem em pessoa retribuir¬vos e salvar-vos. 5 Então se abrirão os olhos do cego, os ouvidos do surdo ficarão a ouvir, 6*0 coxo saltará como um veado, e a língua do mudo dará gritos de alegria. Porque as águas jorraram no deserto e as torrentes na estepe. 7 A terra queimada mudar-se-e em lago, e as fontes brotarão da terra seca. No covil onde repousavam os chacais, crescerão canas e juncos. 8 Haverá ali uma estrada e um caminho que se chamará Via Sagrada. Nenhum impuro passará por ele; é para aqueles que por ele devem andar e os menos espertos não se perderão. 9 ali não haverá leões, e nenhum animal feroz por ali passará. Apenas passarão os remidos. 1 Dos que o Senhor libertar é que passarão por ela. Chegarão a Sião entre cânticos de júbilo com a alegria estampada nos seus rostos, transbordando de gozo e de alegria; nos seus corações, não haverá mais tristeza nem aflição.
Isaías oferece-nos hoje um verdadeiro "hino à alegria" pela renovação do cosmos e, sobretudo, do próprio homem. Essa renovação é obra de Deus criador e salvador. Não estamos, pois, diante de uma simples celebração motivada pelo regresso de Babilónia, mas diante de uma proclamação de fé que reconhece na intervenção de Deus a realização dos mais profundos anseios do coração humano.
A alegria contrasta com a aridez do deserto e da estepe. É o contraste entre uma alegria que vem de Deus, que atravessa e vivifica toda a existência, e o sofrimento e a aflição que pesaram sobre o povo durante o exílio. O júbilo fundamenta-se, pois, na intervenção do Senhor, que deu uma volta à história, e que agora guia o seu povo por um caminho seguro. Por isso, até o coxo pode percorrê-lo aos saltos e o mudo pode gritar de alegria.
A beleza poética do texto, à luz do Novo Testamento, torna-se profunda teologia. Deus fez-se nosso próximo e carregou sobre Si as nossas misérias, dando uma volta à história do homem, morrendo por nós, restituindo-nos a vida, a alegria.

Evangelho: Lucas 5, 17-26
17*Certo dia, enquanto Jesus ensinava, estavam ali sentados alguns fariseus e doutores da Lei, que tinham vindo de todas as localidades da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e o poder do Senhor levava-o a realizar curas. 18 Apareceram uns homens que traziam um paralítico num catre e procuravam fazê-lo entrar e colocá-lo diante dele. 19*Não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao tecto e, através das telhas, desceram-no com a enxerga, para o meio, em frente de Jesus. 20*Vendo a fé daqueles homens, disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados.» 21 0s doutores da Lei e os fariseus começaram a murmurar, dizendo: «Quem é este que profere blasfémias? Quem pode perdoar pecados, a não ser Deus?» 22 Mas Jesus, penetrando nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar em vossos corações? 23 Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados; ou dizer: ‘Levanta-te e anda? 24*Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, o poder de perdoar pecados, ordeno-te -disse ao paralítico: Levanta-te, pega na enxerga e vai para tua casa.» 25*No mesmo instante, ergueu-se à vista deles, pegou na enxerga em que jazia e foi para a sua casa, glorificando a Deus. 26 Todos ficaram estupefactos e glorificaram a Deus, dizendo cheios de temor: «Hoje vimos maravilhas!»
Jesus surpreendeu os que O rodeavam quando, em vez curar logo o doente que Lhe foi trazido de modo um tanto rocambolesco, lhe dirigiu palavras de perdão: «Homem, os teus pecados estão perdoados» (v. 20). Mas o próprio texto sugere a razão porque Jesus agiu desse modo: «Vendo a fé daqueles homens … » (v. 20). É a fé daqueles maqueiros que permite a Jesus falar como fala. Só quem tem fé é capaz de compreender que o maior problema do homem é o pecado, raiz de todos os males que o afligem.
O milagre que Jesus realiza é também uma tentativa de fazer compreender isso mesmo aos doutores da lei e aos fariseus. A sua objecção é teologicamente pertinente, mas também mascara a sua indiferença, a presunção de serem superiores aos outros. Jesus parece-lhes um blasfemo, por se arroga um poder que só a Deus pertence. Mas esse raciocínio interior, e o desafio a Jesus, impedem-nos de ver o verdadeiro mal que aflige aquele homem, e que Deus não é cioso do seu poder de perdoar. Com a chegada do Reino ao mundo, Deus quer instaurar uma praxe profunda e universal de perdão. O perdão que Jesus nos veio trazer (v. 24) é o modelo e a sua fonte dessa praxe, que suscita o espanto e a alegria entre o povo.
Meditatio
É no encontro com Deus que somos salvos. Deus vem salvar-nos, e nós havemos de ir ao seu encontro pelo caminho que Ele mesmo nos prepara: «Haverá ali uma estrada e um caminho que se chamará Via Sagrada … é para aqueles que por ele devem andar e os menos espertos não se perderão. Apenas passarão os remidos». Mas, para ir ao encontro de alguém, é preciso caminhar. Por isso, as leituras insistem na cura daqueles que não podem caminhar: «o coxo saltará como um veado-; «Levanta-te … e vai».
O Evangelho dá-nos uma lição de optimismo. São muitos os nossos males, as nossas carências. Mas são exactamente eles que nos levam a buscar o Senhor. Se aquele homem não fosse paralítico, talvez nunca tivesse encontrado a Cristo. Foi a sua limitação que o levou a procurar a Cristo. E Cristo correspondeu ao seu pedido, e ofereceu-lhe muito mais: «Homem, os teus pecados estão perdoados». Pode surpreender-nos que Jesus tenha, em primeiro lugar, oferecido o perdão dos pecados, àquele que lhe pedia a cura da paralisia. É que o divino Mestre não faz uma leitura superficial dos males da humanidade. Vai ao fundo dos problemas e faz-nos compreender que a mais urgente necessidade é o perdão, pois o pecado é o pior mal, e a raiz de males que afligem a humanidade. O Reino de Deus manifesta-se, em primeiro lugar, como reconciliação do pecador com Deus, como nova possibilidade, oferecida pela graça, para retomar o caminho, depois da paralisia da sua liberdade provocada pela culpa.
Quem não tem fé, continua a pensar que os mais graves problemas da humanidade são outros: a saúde, a economia, a gestão do poder, o subdesenvolvimento, os desequilíbrios ecológicos … A Palavra de Deus alerta-nos para outra dimensão mais profunda do mal do homem e, ao mesmo tempo, anuncia a salvação. É por isso que o deserto floresce e a estepe árida regurgita de nova vida.
As nossas Constituições (n. 4) sublinham a sensibilidade teologal do Pe. Dehon.
O seu conhecimento dos males da sociedade não é fruto de simples análise sociológica. Leão Dehon vai mais ao fundo da questão, e dá-se conta de que a causa dos males da sociedade, e da própria Igreja, está no pecado visto como "recusa do amor de Cristo", como "amor não é acolhido". Para o Pe. Dehon, se o pecado, recusa do amor de Deus, é "mal de Deus … mal do Coração de Jesus", é também "mal do homem". É a fonte dos "males da sociedade … , a causa profunda" da "miséria humana". Por essa razão é que o Fundador, ao falar aos noviços, chega a afirmar que "a reparação por meio do amor puro é a salvação da Igreja e dos povos, é a solução da actual questão social" (CFL III, 46; 25.07.1888). Esta afirmação, desligada da experiência de vida, e especialmente do intenso apostolado social do Pe. Dehon, pode parecer espiritualismo abstracto. Mas, para o Fundador, ela tinha um sentido muito concreto e real: é a fonte espiritual onde se vão beber os meios concretos, as iniciativas mais adequadas para promover as pessoas, as famílias, os trabalhadores, para realizar a reino da justiça e da caridade (cf. NHV IX, 90-92; OSP 2, 29-69; OSP 3, 197-215). A reparação, por meio do amor, leva-o a comprometer-se no apostolado para eliminar, ou, pelo menos reduzir, o poder do pecado, "mal do homem" e, desse modo, reduzir o "mal de Deus e do Coração de Jesus".
A "mística" ou "união íntima ao Coração de Cristo", que caracteriza a vida espiritual do Pe. Dehon, é a mesma "mística" que caracteriza o seu apostolado. A dimensão apostólica (oblação pelos homens) é essencial no carisma dehoniano bem entendido (cf. Cst. 5).
A sensibilidade do Pe. Dehon ao pecado como "causa … profunda" da "miséria humana", tem pouco a ver com a análise do mal-estar social feita por um sociólogo. O Pe. Dehon não se limita às causas próximas e superficiais; vai à "causa mais profunda", a "recusa do amor de Cristo". Por isso, é preciso instaurar o "Seu Reino nas almas e nas sociedades" (Cf. RCJ: OS I, 5).
Oratio
Senhor, Deus da liberdade e da paz, que no perdão dos pecados me dás o sinal da nova criação, faz com que toda a minha vida, reconciliada no teu amor, se torne louvor e anúncio da tua misericórdia.
Concede-me a graça de me juntar ao louvor e à acção de graças de todos aqueles e aquelas que, ao longo dos séculos, foram perdoados e curados como o paralítiCo de que fala o evangelho de hoje. Uma vez perdoado e curado, concede-me usar de compaixão e de solidariedade com todos os meus irmãos pecadores, para os conduzir a Ti, redentor da humanidade. Assim exercerei uma importante dimensão da minha vocação reparadora. O teu amor e a tua misericórdia farão florescer desertos, e estepes áridas serão irrigadas e tornadas fecundas … para glória e alegria do teu coração de Pai. Amen.
Contemplatio
o Coração de Jesus permanecerá sempre para nós o Coração de um amigo, de terno pai, de um esposo. Ele exercerá toda a sua comiseração para com aqueles que recorrerem a Ele com toda a confiança, sejam eles criminosos
como Judas; e Ele não punirá senão os infelizes que obstinadamente recusarem recorrer à sua misericórdia. Para fazer bem esta meditação, basta recordar-se das passagens magníficas nas quais Nosso Senhor proclama a sua misericórdia pelos pecadores: as parábolas tão tocantes do pastor que vai procurar a ovelha transviada no deserto e a traz de volta às costas, da dracma perdida, do filho pródigo e do bom samaritano. Consideremos também a bondade de Jesus em acção, para com os pecadores; Ele perdoa à mulher adúltera e à samaritana, a Madalena, ao ladrão, a S. Pedro.
Jesus e a bondade, são um todo. Jesus é todo coração mesmo pelos pecadores. Antes de proclamar esta misericórdia do seu Coração, Ele coloca-a perante os nossos olhos através de uma acção simbólica. Apresentam-lhe um paralítico. Ele não lhe diz: tu és um pecador, tu não mereces que eu te cure; começa por curá-lo da sua enfermidade espiritual e liberta-o em seguida da sua enfermidade corporal: «Vai, diz-lhe, os teus pecados estão perdoados», e acrescenta: «Toma a tua enxerga e volta para casa». Um momento depois, testemunha aos pobres pecadores, uma bondade, uma condescendência verdadeiramente espantosas. Vive familiarmente com eles, convida-os à sua mesa, e a sua indulgência vai até escandalizar os Fariseus. Estes interpelam os apóstolos e dizem-lhes: «Porque é que o vosso mestre come com os pecadores> Mas Jesus responde-lhes: «O médico não se inquieta com os que estão de saúde, mas sim com os doentes». Jesus tem por nós um coração de amigo e de médico, e não um coração de juiz (Leão Dehon, OSP 2, p. 272s.).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra: «Coragem: Deus vem salvar-nos» (cf. Is 35, 4)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

"A MESSE É GRANDE MAS OS TRABALHADORES SÃO POUCOS" – Olivia Coutinho

 
Dia 03 de Dezembro de 2016
 
Evangelho de Mt, 9,35-10,1.6-8
 
Mais importante do que ser Cristão, é ser discípulo de Jesus! Cristão, é todo aquele que é Batizado, que crê em Jesus, já o discípulo, é aquele cristão, que assume o seu Batismo, que  além de crer em Jesus, abraça a sua causa, torna-se seu aprendiz! 
O discípulo, não espera pelo o peixe, ele é o pescador!
A convivência com Jesus transforma o discípulo, o inquieta, é a partir desta inquietação que nasce o missionário, aquele que  assume o compromisso Batismal, que tem anseio de levar ao outro o que aprendeu do Mestre! 
O evangelho de hoje nos convida a refletir sobre a importância de se fazer discípulo missionário de Jesus! É através do discípulo missionário, que os ensinamentos de Jesus vão se espalhando pelo o mundo, suscitando outros discípulos!
O texto nos diz que Jesus compadeceu-se ao ver as multidões como ovelha sem pastor! De imediato, Ele constata a necessidade de líderes para conduzir aquele povo, pessoas comprometidas com o bem comum! Jesus não apenas constata esta necessidade, como age em favor do povo, enviando os seus discípulos para fazer a vez Dele junto ao povo.
Jesus sabia que os discípulos eram poucos para uma missão tão grande, que havia necessidade de mais operários para a sua messe, por isso Ele diz: “ Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a colheita.” 
Ao enviar os discípulos em missão, Jesus dá a eles poderes para fazer o mesmo que Ele fazia: curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios.
“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.” E continuam sendo poucos nos dias de hoje! Hoje, nós convivemos com realidades muito tristes, são muitos os  que vagueiam sem rumo, sem perspectivas, rostos humanos desfigurados pelas forças do mal, irmãos nossos, que são impedidos de falar, de clamar por justiça, pessoas que não se encontraram na vida, que se tornaram prisioneiros das correntes do mal, principalmente das correntes dos vícios.
Precisamos assumir o nosso compromisso Batismal: dar continuidade a missão de Jesus, não podemos fechar os olhos diante a esta triste realidade que aí está! O povo carece de lideranças que lhes inspire confiança, de líderes, que os conduza para o caminho da vida!
Deus quer salvar a humanidade convocando cada um de nós para uma missão, Ele quer contar com a nossa disposição, com o nosso serviço em favor  do seu Reino, ser indiferente a esta convocação, é ignorar o seu projeto em favor da vida.
Todos nós somos chamados a construir um mundo melhor, a obra do Senhor é gigantesca, o campo de trabalho é vasto, há  trabalho para todos! Sejamos pois, mais um trabalhador na messe do Senhor a se ajuntar a tantos outros!

 

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

“CONVERTEI-VOS PORQUE O REINO DOS CÉUS ESTÁ PRÓXIMO.” - Olívia Coutinho


II DOMINGO DO ADVENTO.

DIA 04 de Dezembro de 2016

Evangelho de Mt3,1-12

O evangelho deste  segundo domingo do Advento, nos convida a tomarmos consciência da importância de intensificarmos a nossa vigilância, de buscarmos   continuamente a nossa conversão. 
Este tempo reflexivo, nos sugere uma desaceleração da nossa rotina, para que possamos, a partir de uma revisão de vida, nos reorganizarmos interiormente, eliminando o que nos distancia de Deus  e reavendo os valores  que nos aproxima Dele, valores,  que fomos perdendo com a  nossa dispersão.
O Natal do Senhor Jesus está prestes a chegar! Esta festa, vem nos falar da  grandiosidade do amor de  Deus pela a humanidade! Deus não desiste do humano e é através do próprio humano que ele age em favor do humano! Podemos perceber isso claramente no evangelho de hoje, quando Deus coloca no meio do povo,  um mensageiro, um homem  simples, com uma missão tão grande: preparar o encontro do Divino com o humano!
O texto nos apresenta a figura  de João Batista,  o profeta que veio realimentar a esperança dos sofredores, daqueles que já haviam perdido a esperança no humano! 
João Batista aparece no deserto, isto é, na periferia, fora do palco do poder, sua forma de vestir e de se alimentar, mostrava a sua autonomia, a sua independência diante os poderes políticos e religiosos sob os quais o povo era submetido. 
João Batista foi o maior dos profetas, sua vida foi marcada por grandes contrastes:  vivendo o silencio do deserto e movendo multidões! O próprio Jesus o reconheceu como sendo ele, o maior dentre todos os nascidos de mulher, (Lc 7,28).  Em suas pregações, o Profeta João, convidava todos a mudar de vida, apesar de pregar no deserto, vinham pessoas de todos os lugares para ouvi-lo  e serem batizados por Ele, (batismo de conversão) inclusive os fariseu e saduceus, que se diziam filhos de Abrão, (o pai da fé,) mas João não se deixava enganar por estes, ele sabia muito bem da falsidade que transitava nos seus corações, por isto, ele  era duro com eles: ”Raça de cobras venenosas quem vos ensinou fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos  que provem a vossa conversão.” Com esta severa  advertência, o profeta critica a fé teórica, lembrando-nos, que,  o que vai nos identificar diante do Senhor, serão  as nossas atitudes, nossas atitudes de amor.  
Como sabemos, João Batista teve uma significante participação na história da Salvação, Ele é uma das figuras mais relevantes do advento, foi ele quem abriu o caminho para a entrada de Jesus no seio o da terra, quem preparou o povo para acolher a manifestação de Deus na pessoa de Jesus.  Ele é um dos protagonistas da mais bela  história de amor, uma história que jamais terá fim, suas palavras, continuam ecoando em todos os confins da terra, de geração em geração: “Convertei-vos e crede no evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus”...
Uma das grandes virtudes que marcou a vida de João Batista foi a humildade, ele sempre se colocou no lugar de mensageiro, não aproveitou de seu prestígio junto ao povo, para se alto-promover, reconheceu a sua pequenez diante a grandiosidade de Jesus: ”E eu não sou digno nem de tirar-lhe as sandálias. ”
João Batista, o profeta que aplainou o caminho do Senhor com a sua pregação e o seu testemunho de vida, foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus! Ele não se acomodou nas tradições do seu povo, pelo contrário, buscou algo novo, fazendo-se anunciador de um tempo novo! Imitemos este grande profeta, sendo a voz que grita no deserto contra todos os que insistem em manter os caminhos tortuosos como expressão de valores.
Neste advento, façamos como João Batista, abramos o caminho para a entrada de Jesus no coração daquele que ainda não experimentou a alegria de viver o verdadeiro sentido do Natal!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Reunião de emergência.-Diac. José da Cruz

SÁBADO DA 1ª  SEMANA DO ADVENTO 03/12/2016
1ª Leitura Isaías: 30, 19-21.23-26
Salmo: 146  
Evangelho: Mateus 9, 35-10.1,6-8
"Reunião de emergência..."

A situação é de emergência... Jesus vê a multidão enfraquecida e abatida, sem rumo ou direção e, provavelmente, sem esperança. Parece ovelhas sem pastor, sem saber que rumo tomar e à mercê dos lobos vorazes, sem um abrigo seguro e pastagens verdejantes. Jesus poderia, quem sabe, denunciar a situação aos governantes da época, acionar os responsáveis para cuidar do povo; melhor ainda, poderia convocar uma reunião com os Líderes religiosos para alertá-los sobre a situação triste do povo, chamando-os assim às suas responsabilidades...
Mas no Reino de Deus não há departamentos em separado para cada problema a ser resolvido, não há superestruturas para atender as demandas sociais, nem telefones de emergência ou campanhas de conscientização. O jeito é que tem que se virar com que se tem à mão. É proibido ficar esperando dos outros, das instituições responsáveis, das pastorais, das associações, como dizia aquele refrão de Geraldo Vandré "Quem sabe faz a hora não espera acontecer".
Jesus tem em mãos um grupo de doze homens que não foram treinados para situações de emergência, que não são peritos em nada e nem atuam na promoção humana. Jesus primeiro identifica o problema... "A messe é grande e os operários são poucos". Depois lhes ensina uma oração muito eficiente "Pedi ao Senhor da messe que envie operários...”, ou seja, "Olha, Senhor, se precisar a gente está aqui..." E em seguida convoca os doze para uma aula prática emergencial. Primeiro lhes transmite confiança. Conferir-lhes poder significa mostrar do que eles são capazes.  Jesus fez e eles também poderão fazê-lo, promover uma ampla ação libertadora e curar as enfermidades.
Deverão procurar os que se perderam, aqueles que estão no fundo do poço, mas o mais importante é o anúncio de que o Reino já chegou e se o reino está próximo, não mais poderá haver doenças, mortes ou qualquer tipo de alienação ou preconceito (Os leprosos eram considerados impuros). E por fim a mais importante de toda instrução, antes de partirem para esta missão de emergência, a fim de socorrerem a multidão perdida: dar de graça, sem nada querer em troca. Aproveitar do sofrimento do outro, para comprar sua consciência é o mais horroroso de todos os pecados diante de Deus, que pode ser praticado por um Discípulo Missionário. Tirar qualquer vantagem do irmão ou da irmã, que estou ajudando, é crime que merecerá sempre o repúdio do Céu!
Será que os miseráveis de hoje, os infelizes, tristes, deprimidos e desgraçados, os excluídos e marginalizados podem contar com a compaixão das nossas comunidades? A resposta tem que estar no coração de cada um de nós, que estamos hoje em lugar dos primeiros discípulos e que somos constantemente convocados pelo Senhor, que nos envia na direção da grande massa dos Sem Esperança...
Diácono José da Cruz - Paróquia Nossa Senhora Consolata-Votorantim SP
Revisor: Prof. JCBarbosa