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domingo, 3 de março de 2013

PERDOAR 70 X 7 VEZES- Cecília



 
Este evangelho é anunciado logo após Jesus ter tratado do pecador incorrigível, caso extremo que leva a excomunhão. Neste contexto, Ele passa a situação contraria e bem mais comum do perdão e da reconciliação dentro da comunidade. A situação é a mesma: "Se teu irmão tiver pecado..." Mas neste caso, o pecador escuta a parte ofendida, ou algumas testemunhas, ou toda a comunidade. Mas, outra questão surge.. Quantas vezes essa pessoa deve ser perdoada? Pedro, novamente como porta voz do grupo, responde a si mesmo, com o que imagina ser uma resposta generosa: "Até sete vezes?" Porem Jesus o corrige e surpreende quando responde: setenta vezes sete. Não se deve entender literalmente este número, mas sim com o simbolismo que ele traz em si. Na Bíblia, o 7 tem significado de totalidade, plenitude, completação. Assim é vingado Caim (Gn 4,24a).
Quando aparece multiplicado por ele mesmo, como no caso de Lamec, vingado por setenta vezes sete (Gn 4,24b), não significa excesso, mas sim a retirada do limite implicado na totalidade. Essa mesma idéia de totalidade, plenitude, do numero sete, é usada no Novo Testamento. São sete os pães multiplicados e sete os cestos de pedaços que sobraram (Mt 15,34.37). O que deve ser apreendido deste trecho é que ao cristão não cabe colocar limites ao perdão.
Para melhor esclarecer o perdão sem limites, Jesus usa como exemplo, a parábola do devedor implacável. Esta parábola é uma outra forma narrativa para o segundo pedido que fazemos ao rezar o Pai Nosso: "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nos perdoamos aos que nos ofenderam" (Mt 6,12). Desta maneira, Ele evidencia que a disposição de Deus para nos perdoar depende da nossa disposição de perdoar os que nos ofendem. Devemos identificar o rei, da parábola, com Deus. Notemos que esse rei é tratado como senhor, exige uma prestação de contas, e demonstra sua misericórdia ao perdoar a dívida enorme. Entretanto, o servo implacável nada aprende com o exemplo de seu rei e age de forma cruel com outro servo, que lhe é devedor, fato que resulta na revogação do seu perdão.
Este trecho do evangelho nos adverte de que o perdão de Deus, e inesgotável, mas está condicionado a nossa disposição de perdoar os outros. Mostra-nos também que até o perdão concedido por Deus pode ser revogado, se não soubermos, como Ele, perdoar. Cuidem-se! Os implacáveis São excluídos da misericórdia divina, e aqueles que desejam receber essa misericórdia, precisam ser misericordiosos com os outros.
O evangelista termina sua narrativa dizendo que Jesus, tendo terminado esses discursos, deixou a Galileia, entrando no território da Judéia. Para melhor compreender esta focalização, e preciso esclarecer que, para Mateus, a Galileia é lugar de revelação (cf.4,12-17) e a Judéia é o lugar de rejeição e morte. Sabendo disso, fica claro que este texto de Mateus tem a intenção de orientar as comunidades cristãs sobre como lidar com problemas de busca de posição, escândalo, deslizes, reconciliação e perdão.
Maria Cecília

Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria - Padre Queiroz.



Ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres. Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.
Este Evangelho narra a visita de Jesus à sua terra natal, Nazaré, e a rejeição do povo a ele.
Era o começo da vida pública de Jesus, e ele apresenta o seu programa, a sua missão. Veio para “anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista, para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.
Vemos que Jesus privilegia os excluídos: os pobres, os cativos, os cegos, os oprimidos... Isto significa andar na contra mão da sociedade do seu País, que privilegiava os “incluídos”. Nós somos continuadores deste jeito de Jesus agir.
O ano da graça é o ano jubilar, que acontecia a cada cinqüenta anos, no qual as dívidas eram perdoadas, os escravos e os presos eram libertados, os animais presos eram soltos, não se plantava para a terra descansar, e as terras voltavam ao uso comum, conforme a distribuição inicial entre as tribos, feita por Josué. Na prática, o ano da graça acabava com os privilégios e estabelecia a igualdade entre as pessoas. Agora, com Jesus, esse ano da graça será permanente, e não apenas um ano a cada cinqüenta anos.
No dia do nosso Batismo, nós assumimos esse programa como nosso. Os primeiros cristãos procuraram pô-lo em prática à risca.
Foi o cumprimento desse programa que custou a morte para Jesus, e para milhares de mártires da História de Igreja. Apesar disso, a Igreja não desiste de lutar pela sua implantação, inclusive dentro dela mesma.
“Todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade.” A rejeição a Jesus começou cedo, e na sua própria terra. Ainda mais que ele citou dois casos – a cura do leproso Naamã e o socorro à viúva de Sarepta – em que Deus privilegiou estrangeiros, deixando os israelitas de lado. Jesus citou os dois casos a fim de mostrar que para Deus não existe povo privilegiado, todos são iguais diante dele.
Ser profeta é isso. É anunciar o Reino de Deus e denunciar o que é contrário a ele. E o profeta faz isso com palavras e com obras, isto é, com o seu próprio modo de agir. Ele é corajoso, e fala a palavra certa, na hora certa, para a pessoa certa e do jeito certo. Por isso geralmente o profeta não é bem visto pela sociedade pecadora.
O profeta tira as nossas seguranças, os nossos corrimões, deixando-nos como Pedro andando sobre as águas ao encontro de Jesus. Ele derruba as pontes e retira os apoios, para que a pessoa se humilhe e se apóie em Deus. “Senhor, salva-me!” (Mt 14,30).
“Passando pelo meio deles, Jesus continuou o seu caminho.” Não conseguiram jogar Jesus no precipício. Deus protege os seus profetas. Tudo concorre para o bem daqueles que estão com Deus.
Nós recebemos no batismo, e principalmente na crisma, a missão de profetas. A sociedade está precisando urgentemente de profetas, pois vive “tapando o sol com a peneira” em muitos pontos e ninguém denuncia.
Certa vez, um pai chamou o seu filho e lhe disse: “Filho, eu já estou velho, daqui a um tempo vou lhe entregar todas as nossas propriedades para você administrar”. O moço respondeu: “Pai, mas eu não tenho experiência, não sei como administrar!” O pai respondeu: “Vá procurar o sábio tal, que fica lá do outro lado da montanha, e peça a ele que lhe ensine a sabedoria”.
O rapaz atendeu o conselho e foi. Fez o pedido ao sábio e este lhe perguntou: “O que você viu no caminho?” “Eu vi árvores” – respondeu o moço. “Pode voltar” – disse o sábio – Amanhã retorne aqui”. O moço voltou para casa meio decepcionado. No outro dia estava lá novamente. O sábio fez a mesma pergunta: “O que você viu no caminho?” “Árvores” – respondeu ele novamente. O sábio disse a mesma coisa: “Pode voltar para casa e retorne amanhã”.
Em casa, o rapaz contou para o pai e este o encorajou: “Amanhã volte lá e diga a ele mais coisas que você viu”. No outro dia, o moço já foi olhando atentamente as coisas do caminho. Observou tanto que anoiteceu e ele teve de dormir na estrada. Quando chegou à casa do sábio, este lhe fez a mesma pergunta. O rapaz respondeu: “Eu vi flores, rios, borboletas, passarinhos, animais... Fiquei com fome e comi frutas gostosas. Anoiteceu e dormi na beira da estrada...” Ele ficou duas explicando o que viu e ainda não havia falado tudo. Então o sábio lhe disse: “Agora sim, você adquiriu a sabedoria.
O profeta vive no mundo como este sábio explicou. Ele não olha as coisas superficialmente, mas pára, observa e reflete sobre cada realidade em seus detalhes, à luz da Palavra de Deus. A partir daí, ele orienta as pessoas. O mundo coloca diante de nós inúmeras alternativas e uma riqueza imensa de variedades. O Espírito Santo, com o dom do discernimento, nos ensina a separar o joio do trigo e ficar com o que é bom.
Maria Santíssima é a Rainha dos Profetas. Peçamos a ela que nos ajude a cumprir bem a nossa missão profética e a realizar o programa que Jesus começou a realizar e deixou para nós continuarmos.
Ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres. Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.
Padre Queiroz

“O profeta não é bem recebido em sua terra” – Claudinei Oliveira





              O evangelista faz referencia de uma  passagem de Jesus na sinagoga de  Nazaré. No meio da multidão afirmou categoricamente que nenhum profeta é bem recebido em sua cidade ou na sua Região. Sem sombra de dúvidas que sentia muito por isso, afinal, Nazaré era sua pátria, sua terra natal, local de muito agrado; ali morava sua "família" empobrecida. Sentir-se rejeitado naquele espaço, era  talvez grande decepção. Mas,  fez esta afirmação para provar o que sentia perante seus co-cidadãos: Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. Será que Jesus estava cobrando maior apoio nas suas pregações?  Ou será que Jesus estava dando uma puxada de orelhas em seus amigos? O que queria dizer então Jesus com a frase: o profeta não é bem recebido em sua pátria.

          Os exemplos expressados por Jesus é bem convincente, pois , nenhuma viúva foi enviada à Elias em seu tempo de miséria  e nenhuma leproso foi curado por Eliseu em Israel, mas foi enviada a primeira a uma  viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia  e o segundo foi curado em Naamã. A confiança estava bem distante  do espaço vivido. Deixou por terras os "missionários" locais para procurar e encontrar aconchego numa outra região. Jesus, na sua simplicidade, afirmam: bem perto de vocês estão as pessoas que podem lhes ajudar, basta confiar e entregar a confiança.

             Assim o projeto de Jesus não é construir uma sociedade fechada, lacrada dos vícios, mas uma sociedade aberta capaz de entender as pessoas e suas aflições. Jesus não se sentiu rejeitado pelo seu povo, até fortaleceu sua caminhada. Ou seja, nada abala o propósito do Criador revelado na sua criatura salvifica: Jesus, o Libertador.

            Quantas vezes rejeitamos nossos irmãos de igreja. Até chacoteamos  com palavras depreciativas ou com apelidos nada legais. Até, afirmamos: pobre coitado, pensa que sabe alguma coisa; nem vou à celebração, pois lá está um pecador como eu dando testemunho; testemunho!   Que testemunho pode falar! Não irei perder tempo em ouvir baboseiras!

            A fé deve transpor estes obstáculos. Somente a fé pode crescer no cristão o desejo ardente de conhecer Jesus. Aquele que não sentiu rejeitado, não sentiu humilhado, não foi bem ouvido pelos seus amigos; mas prosperou saídas vitoriosas de construção de vida plena para todos. O pensamento estava voltado para Deus e em cumprir sua missão. Os ouvidos não estavam voltados para as críticas, mas para ouvir o clamor do povo pobre e desvalido, viúvas e doentes, ou seja, seus ouvidos eram para medir a euforia calorosa do povo sedento por justiça e amor.

             Portanto, a missão não tem fronteiras. O caminho é longo e a palavra de Deus nos assegura a tranqüilidade para sermos profeta em nossa pátria, mesmo muito não aceitando. Quem sabe uma hora alguém pare para nos ouvir acintosamente. Amém.
  
            Abraço fraterno,
          
 Claudinei Oliveira

NENHUM PROFETA É BEM RECEBIDO EM SUA PÁTRIA - ELIAN






O evangelho de hoje nos recorda quando Jesus inicia seu ministério em Nazaré. Estando Ele ensinando na sinagoga disse ao povo: "Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria." E Jesus lembra o profeta Elias, em uma época de grande fome na região, e havia muitas viúvas, e nenhuma foi enviada a ele, senão uma de Serepta, na Sidônia. Lembra também o profeta Eliseu, que curou um leproso Sírio, mas nenhum de Israel. Os profetas e Jesus não foram enviados só para os judeus, mas para todos os povos. Assim como Elias e Eliseu, Jesus operou milagres, levou a Boa nova para os gentios, os estrangeiros, e foi bem recebido e acolhido.
A verdade é que os nazarenos não reconheciam em Jesus, o Filho de Deus. Ele era pobre, humilde, carpinteiro, um homem comum, filho de José e Maria. Como poderia Ele se apresentar como o Messias? Não pertencia ao grupo dos fariseus, dos mestres da lei. Porém, Jesus falava com grande sabedoria. Isso ninguém negava. Mas, todos ali estavam com os corações endurecidos, rejeitaram, ficaram ofendidos com o que Jesus acabara de falar. Então, o expulsaram da cidade e queriam matá-lo jogando-o no precipício. Não conseguiram deter Jesus,  o Filho de Deus, que caminha no meio deles e continua sua missão levando a todos a mensagem de libertação e salvação. Ali em Nazaré, Jesus não operou milagres.
Como membros de nossas comunidades, como lideranças devemos amadurecer nossa fé, não ter o coração endurecido e fechado para Boa nova, assim estaremos recusando o projeto de salvação do Pai. Devemos também acolher os serviços das nossas pastorais, acolher aquela pessoa humilde que se coloca serviço, não só criticar, e não fazer nada para melhorar, para mudar aquilo que acho que poderia ser melhorado ou feito de uma forma diferente. Antes de termos e, que tal participar de uma pastoral? Ser catequista? E caminharmos juntos, em busca de uma sociedade mais justa, solidária, e fraterna. Acolhendo os pobres, os excluídos. E como fez Jesus, com humildade e tranqüilidade passar pelas críticas, pela rejeição, e seguir a missão que nos foi confiada.
Oração:
Espírito de realismo, que eu saiba contar sempre com a possibilidade de ser desprezado e rejeitado, sem, por isso, fugir da missão a mim confiada. Que eu saiba acolher Jesus e reconhecê-lo como de Filho de Deus, de modo a tornar-me beneficiário de seu ministério messiânico. Espírito de docilidade, abre meu coração para aceitar o convite à conversão, que Jesus me dirige, em nome do Pai.
Um abraço a todos.
Mª Elian

Vou colocar adubo na figueira. Pode ser que ela dê fruto - Padre Antonio Queiroz




Vou colocar adubo na figueira. Pode ser que ela dê fruto.
Este Evangelho narra que contaram a Jesus um fato trágico: Houve dentro do Templo um motim de judeus vindos da Galiléia. A guarda romana entrou na área reservada somente aos judeus, e matou violentamente a todos.
Os que deram a notícia a Jesus esperavam dele uma solidariedade aos judeus mortos, e um repúdio à profanação do lugar sagrado.
Mas Jesus chama a atenção para algo mais importante: Esses judeus eram violentos, iguais aos soldados que os mataram. Neste momento de comoção nacional, Deus chama todos à conversão, pois é dessa que depende a vida mais importante, a eterna.
O povo judeu era pequeno e fraco; não havia nenhuma saída diante do poder opressor, a não ser a fé, que depende do perdão sem limites.
Muita gente interpreta as catástrofes – enchente, incêndio, acidente... – como castigos de Deus. E se é a própria pessoa que é vítima, ela se pergunta: Que pecado eu fiz para merecer isso?
Essa mentalidade descarta a vida futura, e pensa que Deus deve castigar os maus e premiar os justos aqui na terra. E nem nos lembramos que Jesus era justo e sofreu a vida inteira. Maria Santíssima e os demais santos também.
Deus Pai não é como nós; ele “faz brilhar o sol sobre maus e bons, e cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,45). Deus nos adverte através de sinais; mas nem sempre converte os pecadores, enviando-lhes desgraças.
Às vezes um favor de Deus é para nós motivo de conversão: como Deus é bom para mim, apesar de eu ser tão ingrato a ele! Foi isso que aconteceu com Zaqueu (Lc 19,1). Na verdade, só há um castigo de Deus: perdê-lo para sempre.
É comum encontrarmos no Antigo Testamento Deus castigando o povo com desgraças. Isso porque eles não tinham clareza sobre a vida futura, sua fé ainda era imperfeita. Temos, entretanto, o exemplo de Jô, um servo de Deus que sofreu a vida inteira.
“Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros? Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.” As catástrofes são sinais de Deus a nós, não para julgarmos as vítimas, mas para “por a nossa barba de molho”. Através delas Deus nos convida à conversão.
E Jesus cita outra catástrofe, que também era comentada pelo povo: O prédio (torre) que caiu em Jerusalém, matando dezoito pessoas. E repete o alerta: “Se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”.
Vamos aproveitar as notícias de catástrofes para a nossa conversão, pois nós também podemos ser vítimas e, de uma hora para outra, morrermos.
Na parábola da figueira, Jesus deixa claro que a nossa conversão se mostra pelos frutos, isto é, pelas nossas boas obras. Não adianta ser uma figueira bonita, se não dá fruto. O mundo está cheio de pessoas de ótima aparência, mas pouco fruto.
Boas obras, nós sabemos: é não falar mal dos outros, falar só a verdade, ser justo, perdoar, amar o próximo, ajudar os necessitados...
“O machado já está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada ao fogo” (Mt 3,10).
“Vou colocar adubo na figueira. Pode ser que ela dê fruto.” Foi o pedido do vinhateiro, quando o dono queria cortar a figueira. Que bom se nós fôssemos como este vinhateiro, fazendo alguma coisa pelas pessoas que estão no caminho errado, ou perdem tempo sem fazer boas obras! “Os que tiverem ensinado a muitos o caminho da virtude, brilharão como as estrelas, por toda a eternidade” (Dn 12,3).
Certa vez, um homem resolveu separar-se da esposa e disse a ela: “Vou separar-me de você. Você pode separar tudo o que é importante para você nesta casa, que eu fico com o resto”.
Ela respondeu: “Sim, mas antes vamos fazer uma festinha. Assim as crianças se divertem, dormem e depois nós faremos a divisão”.
Então prepararam um churrasco, e convidaram os amigos. Como ele estava tenso, acabou bebendo um pouco exagerado e, quando as visitas foram embora, ele dormiu.
Enquanto ele dormia profundamente, a esposa, com a ajuda dos amigos, tirou todas as coisas do quarto do casal, menos a cama dos dois, em que ele estava dormindo, colocou no quarto as crianças, e dormiu ao lado dele.
Quando, no outro dia cedo, ele acordou, perguntou assustado o que havia acontecido. Ela disse: “Você não me pediu para separar o que é mais importante para mim? Já separei. Para mim, o mais importante é o que está aqui: você e os nossos filhos”.
Como o vinhateiro da parábola, essa senhora ainda acreditava na sobrevivência da família; por isso quis ainda “colocar um pouco de adubo” na tentativa de salvá-la.
Maria Santíssima era uma boa árvore, que produziu para nós o melhor fruto do mundo: Jesus, nosso Salvador. Santa Mãe de Deus, rogai por nós!
Vou colocar adubo na figueira. Pode ser que ela dê fruto.


sábado, 2 de março de 2013

DEUS ESPERA QUE PRODUZAMOS BONS FRUTOS



Na Via-sacra da vida, Deus espera que produzamos bons frutos!
Reflexão para o III Dom. da Quaresma. Ano C

A Quaresma é tempo Via-sacra, e, na Via-sacra de Cristo descobrimos a Via-sacra nossa de cada dia. Toda a nossa vida é uma intensa Via-sacra, pois é um constante peregrinar nas estradas deste mundo rumo a Cristo. Neste caminhar descobrimos que assim como Cristo, temos também a nossa cruz, por vezes até pesada demais para carregar!
A Quaresma é um grande retiro popular marcado por práticas penitenciais que têm por objetivo não simplesmente mortificar o corpo, mas nos aproximar dos irmãos através da caridade e de Deus, por isso a oração. É tempo de voltar os corações para Deus. Tempo de conversão.
Todos os exercícios de piedade e de oração deste tempo têm como objetivo livrar-nos do pecado. A quaresma é então, um tempo favorável para deixar o pecado e voltar para Deus. Nada é mais prejudicial ao homem que o pecado. O pecado escraviza, humilha, destrói e mata.
A PARÁBOLA DA FIGUEIRA (LC. 13,6-9) é um apelo à conversão. O grande pecado desta árvore não foi o de ter feito algo de ruim, mas o de não ter feito nada de bom. Alguns podem dizer: eu sou uma pessoa boa, não prejudico ninguém, de vez em quando até vou a uma celebração, uma missa, rezo em casa, etc. Deus espera mais de nós!
A figueira do evangelho levava esta vida, era até uma arvore bonita, mas não produzia figos-frutos. Era estéril. Muitas vezes nos tornamos estéreis dentro da própria comunidade. Deus procura em nós os frutos de nossa fé e não os encontra!
Somos todos figueiras na Vinha do Senhor, e assim como aquele que planta espera que sua plantação frutifique, Deus espera de nós frutos de bondade, de mansidão, de compromisso, de amor! Não estamos no mundo por acaso, todos temos uma missão.  Mas será que estamos cumprindo nossa missão neste mundo? Estamos produzindo os frutos que Deus espera que produzamos?
Como pai de família, dona de casa, jovem, padre, estou cumprindo minha missão? A parábola nos apresenta a conversão em uma perspectiva pouco conhecida. Converter-se não é simplesmente focar o pecado, converter-se é focar o bem que devemos realizar.
A Primeira Leitura (Ex 3,1-8.13-15) apresenta a cena de Moisés diante da Sarça Ardente. É uma imagem bonita para falar da vocação de Moisés no mundo. Ardia o coração de Deus diante do sofrimento do povo. Deus não fica de braços cruzados olhando o sofrimento de seus filhos, Ele se interessa por cada ser humano. Se interessa por ti, por teus filhos, por teus amigos, por tua família e vem libertar, mas para que isso aconteça, Ele precisa de pessoas de carne e osso para auxiliá-lo no projeto de libertação do ser humano.
Junto com o coração de Deus, ardia o coração de Moisés diante da escravidão a que estava submetido o povo hebreu. Esta narração mostra-nos o interior do coração de Moisés, Moisés possuía grande sensibilidade e senso de justiça. Ele se revoltou com a injustiça praticada pelo Faraó em relação ao povo judeu e deixou vir à tona uma grande compaixão em favor do oprimido.
É de homens como Moisés que Deus precisa para agir no mundo. Deus deu uma missão especial a Moisés e a tantos outros homens e mulheres ao longo da história. Olhemos nossos santos: São Francisco, João Batista, Irmã Dulce, Antonio Conselheiro, e tantos outros.
Em suas orações Moisés percebeu que Deus precisava dele. Deixou-se tocar pelo Senhor e descobriu que deveria deixar sua vidinha acomodada de pastorear rebanhos, de estar com a família e com os amigos, para se colocar a serviço de Deus e a serviço do povo. Sabia que Deus estaria sempre com ele e jamais o abandonaria nesta empreitada.
Deus contou com Moisés e CONTA CONOSCO! O mundo precisa de pessoas que lutem pelos mais fracos, que denunciem as injustiças, que sejam profetas, que dêem bons frutos.
A Parábola nos lembra que Deus é paciente para com aqueles que ainda não produzem. Antes de arrancar a figueira, ele cava, aduba, rega! Mas não podemos contar sempre com a paciência de Deus, um dia ele vai nos pedir contas não somente do mal que fizemos, mas também do bem que deixamos de fazer.
O grande apelo de conversão que Deus nos faz hoje é para sairmos do comodismo e a irmos em defesa dos milhões de crucificados do nosso tempo. Não sejamos estéreis, produzamos muitos e bons frutos. Deus está dando-nos um tempo, aproveitemos então esta quaresma para colocar a mão na massa!

Padre Erivaldo Gomes de Almeida!

sexta-feira, 1 de março de 2013

SÓ QUEM VÊ O IRMÃO, COM O OLHAR DE JESUS, VIVE A ALEGRIA DO PERDÃO! - Olívia Coutinho



 
Dia 05 de Março de 2013
 
Evangelho– Mt 18, 21-35
 
 Nesta nossa caminhada  rumo a Páscoa do Senhor, somos convidados a fazer uma revisão de vida! E se queremos realmente seguir Jesus, vivendo como ele viveu, precisamos fazer uma mudança radical em nossa vida, fazer uma espécie de poda, retirando tudo que é velho para revestirmos de uma nova roupagem, uma roupagem que nos fará  produzir frutos de boa qualidade, os frutos que Deus espera de cada um de nós!   
 O pecado rompe o nosso relacionamento com Deus, mas Jesus, na sua infinita bondade, nos ensina uma forma simples de voltarmos  ao coração do Pai, uma forma, que está explícita na oração do Pai  Nosso! 
 Quantos de nós, fazemos questão de dizer que somos cristãos, que somos seguidores de Jesus, quando na prática, agimos de forma contrária a Dele. Até rezamos o Pai Nosso, pedindo perdão a Pai pelas nossas faltas, mas nem sempre cumprimos o que  prometemos a Ele, nesta oração: não perdoamos o irmão que nos ofendeu!   
  O evangelho de hoje, vem nos despertar sobre os frutos  de um amor sem limites!
Um amor tão grande, que  levou Jesus a sacrificar  a sua própria vida para nos salvar, sem levar em conta as nossas faltas!
Hoje, Ele  nos convida a fazer o mesmo, a viver este amor sem limites, nos perdoando mutuamente!
Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.
Para um entendimento melhor, Jesus conta a parábola do servo cruel, que mesmo perdoado pelo rei, não perdoou ao seu devedor e por isso foi duramente castigado. Com esta história, Jesus nos deixa um ensinamento muito claro: “É assim que meu Pai fará convosco, se cada um, não perdoar de coração ao seu irmão”.
Enquanto que a falta de perdão, fecha o nosso coração à graça de Deus, nos privando do banquete da vida, que é  a eucaristia, a alegria do perdão é infinita para ambos os lados, portanto,  é importante despirmos  de todo o nosso orgulho, para viver esta alegria que reconstrói a aliança de amor quebrada pelo pecado!
 Sabemos que não é fácil reconciliar com quem nos ofendeu, mas se recorrermos a Deus, com certeza, Ele nos ajudará a vencer este desafio! 
O perdão é uma questão de decisão, de humildade, o nosso primeiro passo é reconciliar com nós mesmos, reconhecendo que não somos perfeitos, que somos sujeitos a falhas e a partir daí, reconciliarmos com Deus, firmando o compromisso de nos reconciliar em seguida, com quem nos ofendeu: Mt 6,12
 É muito comum, sermos ofendidos, ou ofendermos o outro impensadamente, o que não significa que não amamos essa pessoa, geralmente somos ofendidos, ou ofendemos as pessoas mais próximas de nós, por tanto, não vale a pena guardar ressentimentos de pessoas que amamos!
Jesus nos deixou um grande exemplo de Perdão, quando estava pregado na cruz:“Pai perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo”! Lc 23,34. Quando sentirmos dificuldades para perdoar alguém, lembremo-nos deste grande exemplo de Jesus!
Muitas vezes nós queremos que Deus nos perdoe, mas não fazemos a nossa parte, não queremos perdoar a quem nos ofendeu!
Como  pedir  perdão a Deus, se não estamos dispostos a perdoar o nosso irmão?
Não podemos esquecer nunca: "É perdoando que seremos perdoados!"
Assim como Jesus acolhe o pecador arrependido e esquece todo o seu passado, nós também devemos perdoar e acolher aquele que nos  ofendeu.
Só quem vê o irmão, com o olhar de Jesus, vive a alegria do perdão!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! Olívia

A REJEIÇÃO A JESUS, NÃO INTERROMPEU O ANUNCIO DO REINO! – Olívia Coutinho




 
Dia 04 de Março de 2013
 
Evangelho de Lc  4,24-30
 
Neste tempo Quaresmal, somos convidados a percorrer o caminho que  Jesus percorreu, sem o temor da cruz! A nossa motivação, deve  ser  a certeza de que, com Ele,  a nossa cruz tornará mais leve e a nossa vitória será certa!
O  caminho do profeta,  é um caminho marcado pela perseguição, pela rejeição e até mesmo pela  incompreensão daqueles que fazem  parte do seu convívio!
Jesus, o profeta de ontem, de hoje e de sempre, passou por esta  experiência, além de rejeitado pelas autoridades políticas e religiosas,  também foi  rejeitado  pelos seus conterrâneos.
O evangelho que a liturgia de hoje  nos apresenta, nos trás uma amostra dos desafios que os  profetas de ontem enfrentaram e que os profetas  de hoje continuam enfrentando! Como podemos observar no relato, no caminho do profeta, está presente  a cruz, pois  são muitos  os que tentam  calar a sua voz, o que é impossível, pois nem a morte consegue calar a voz de um profeta,  é justamente  depois da sua morte,  que a sua  voz  passa a ressoar com mais intensidade no coração da humanidade! O profeta morre, mas as suas palavras ficam, assim como ficaram as palavras de Jesus!  
O texto que nos é apresentado no dia de hoje, nos fala do retorno de Jesus  a sua cidade de origem. Lá, Jesus experimentou no corpo e na alma, a dor da rejeição, que certamente doeu mais forte ainda, por esta rejeição  partir dos seus próprios conterrâneos, aqueles  que deveriam ser os primeiros a acolhê-Lo.   
A admiração pelas palavras de Jesus, manifestada a princípio por aquele  povo, cai  por terra quando a identidade do Messias lhes é  revelada numa  pessoa  simples, o "filho" de um humilde  carpinteiro! Em resumo, os conterrâneos de Jesus, que diziam conhecê-Lo, ficaram só  no superficial,  na condição social dele, o mais importante, estava longe de ser percebido por eles: o Rosto humano do  Pai, se revelando na pessoa de Jesus!
Certamente, os habitantes de Nazaré,  esperavam  por um  Messias, extraordinário, milagreiro, que realizasse as suas vontades, por isto não aceitaram um Messias de aparência  simples, que tinha um olhar voltado para os pequenos, os pobres, os marginalizados, os oprimidos.
Os compatriotas de Jesus tiveram  nas mãos a chave da felicidade, mas eles não se deram conta desta preciosidade, por isto desperdiçaram a graça de Deus e como conseqüência, não alcançaram as primícias da fé! Ali, Jesus não pode realizar  muitos milagres, fez apenas algumas curas, não por retaliação contra o povo, mas pela falta de fé deles.   
Será  que nós  também, não temos atitudes semelhantes ao do  povo de Nazaré? Será  que aceitamos o recado de  Deus, que sempre chega até a nós por meio das pessoas simples?  Dificilmente  reconhecemos a presença de Deus e a sabedoria presente nas  pessoas simples,  temos uma forte tendência a acreditar somente  nas palavras retóricas das pessoas  de alto "nível intelectual", com isso, deixamos escapar as mensagens que Deus quer nos passar através dos “pequenos”,  esquecendo  de que Jesus, o  Mestre de todos os mestres, o profeta Maior de todos os tempos, serviu-se de meios humanos bem simples, para anunciar o reino de Deus!
 Infelizmente a humanidade ainda continua divida, uns acolhe a voz do profeta e se dispõe a mudar de vida, outros, ignoram a sua  fala, preferindo continuar  no caminho  do pecado.
A rejeição à Jesus, narrada no evangelho, não interrompeu o anúncio do Reino, que continua através dos incansáveis profetas de hoje: homens e mulheres que se embrenham pelo caminho da cruz, dispostos a dar a vida se preciso for, pela causa do Reino.
 
FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia