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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

-8º DOMINGO DO TEMPO COMUM-c-José Salviano


8º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 03 de março de 2019
Evangelho Lc 6, 39-45
PODE UM SEGO GUIAR OUTRO SEGO?-José Salviano

É impossível  um cego guiar outro cego! Não tem condições.
Do mesmo modo, é impossível um professor ensinar uma matéria que ele não sabe. Não é possível pilotar um avião se não somos pilotos, ou se não sabemos nada sobre pilotagem.
Jamais poderíamos ser o guia turístico de um grupo de pessoas por lugares onde  jamais estivemos.

Do mesmo modo, ninguém pode dar aquilo que não possui. Assim, mesmo que conhecemos a palavra, não podemos evangelizar se estivermos em pecado grave.  Jesus fez referência a isso, dizendo: Tire primeiro a trave do teu olho...  Por que assim como um cisco no olho nos impediria de enxergar e dirigir um carro pelas estradas com muitas curvas, o pecado nos impediria de ver  e receber a inspiração, a luz do Espírito Santo, e transmiti-la aos irmãos.

Deste modo, estaríamos cometendo mais um pecado. O pecado da HIPOCRISIA, pelo fato de nos apresentarmos como santos diante de pessoas santas ou não, com a intenção de convertê-las, de iluminá-las com a luz que não temos. 

Jesus chamou os fariseus de hipócritas, e mandou que eles primeiro tirassem a trave do olho, para em seguida poder ensinar, catequizar.
Não estamos afirmando aqui que Jesus quer que as pessoas pecadoras parem de orientar os outros, ou mesmo de catequizar. O que Jesus quer de nós é o seguinte: Ele quer que nos convertamos primeiro para depois promover a conversão dos nossos irmãos. 

É por isso que sempre dizemos que a catequese nem sempre é feita pela palavra em si, ou propriamente dita. Podemos e devemos também catequisar  através do nosso exemplo de vida. E em muitas ocasiões, o nosso testemunho fala mais alto do que as nossas palavras.
É importante lembrar que aquele ou aquela que não vive o Evangelho, jamais poderá ensiná-lo aos demais.

Assim como o pai que dá péssimo exemplo aos filhos e em seguida exigem que eles sejam justos não faz nenhum efeito, do mesmo modo o catequista que vive uma vida errada aos olhos de todos, jamais poderá catequisar, pois o seu trabalho não terá nenhum efeito. Pois ninguém botará fé no que ele diz.

Gostamos muito de analisar, avaliar, os outros, para não dizer, mesmo, julgar.
A correção fraterna deve ser feita com muito cuidado, com muita caridade, pois ninguém se julga errado. Ninguém admite seus erros. Só lá um ou outro faz isso. Na correção fraterna precisamos tomar cuidado para não dar uma de juiz, para  não julgar o interior do nosso irmão, ou irmã. Só Jesus pode nos julgar. Pois somente Ele conhece o nosso interior, conhece até os nossos pensamentos.

Podemos comparar a trave no nosso olho com a nossa arrogância, a qual nos faz pensar que somos melhores que os outros. E assim, temos a tendência de aproveitar para humilhar o nosso próximo, mostrando, ou revelando os seus defeitos, sob a desculpa de que estamos fazendo correção fraterna.

Jesus disse para que não julguemos nem condenemos, senão seremos julgados com a mesma medida.
A nossa mania de grandeza nos  deixa assim como cegos, e portanto incapazes de avaliar ajudar, e guiar outros cegos como nós.

Jesus escolheu os discípulos sem levar em conta os seus pecados. Por que nós não fazemos o mesmo? É muito triste notar a exclusão no nosso próprio meio, na nossa própria comunidade, ou ainda, na nossa paróquia. Muitas vezes trata-se de uma exclusão velada, sob a forma de “GELO”, mas infelizmente ela, a exclusão em certos casos existe mesmo! Isso não pode acontecer principalmente em nosso meio. Pois somos seguidores de Jesus que acolhia a todos.
Você já reparou como nós somos especialistas em corrigir as pessoas? Em apontar os seus erros como se nós fôssemos perfeitos?  Já reparou na cara e na postura do gerente,  do diretor, do comandante, e até mesmo do professor?  Todos fazem uma cara de quem sabe tudo, de quem é perfeito, de quem nunca cometeu nenhum errinho...
Nem sempre nos preocupamos em corrigir nossos próprios defeitos, e apresentamos como modelo de perfeição que deve ser seguido pelos demais.
No evangelho de hoje Jesus está denunciando essa nossa pretensão inconsequente. A pretensão de querer guiar os outros, sem estar apto para isto. E esta pretensão é igualzinho a uma sena de teatro, na qual um cego fala para o outro cego. Não esquenta. Deixa que eu vou te guiar. Vem comigo que eu te levo até lá. Vão é cair no próximo buraco!...
Não sejamos assim. Primeiro vamos tirar o cisco do nosso olho, para depois ajudar ao irmão com seu cisco.
Outro grande defeito nosso é a grande capacidade de perceber as limitações e os pecados das outras pessoas. Reparou que nas brincadeiras entre nós constantemente estamos mostrando os defeitos dos colegas? Principalmente se temos inveja de alguém.  Na rodinha da conversa durante o almoço, durante o intervalo, a tônica é apontar brincando, é claro, os defeitos e as coisas erradas que os companheiros fazem.
Se por um lado isso é bom, porque nós não enxergamos os nossos defeitos, e assim vamos procurar melhorar quando alguém nos aponta as nossas falhas, isso magoa muito principalmente quando temos uma grande falha. Suponhamos que um dos funcionários seja gago. Na hora do lanche, um engraçadinho começa a imitá-lo. Ele pode até levar na brincadeira, mais por dentro aquilo está lhe cortando, lhe magoando muito, porque ele não é assim porque o quer.

José Salviano


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

-7º DOMINGO DO TEMPO COMUM-C-José Salviano




7º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Evangelho Lc 6,27-38



"Falou Jesus aos seus discípulos: digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,  abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam."
Para o mundo de hoje parece que Jesus está nos pedindo uma coisa impossível. Se toda hora que ligo a televisão eu vejo sempre alguém matando alguém. De facada, de paulada de socos ou de balas, será que dá para acatar a ordem do Filho de Deus?  E é por isso que o mundo chegou ao ponto em que está. A causa de toda violência do mundo atual é da televisão e do cinema.
E é aí que satanás entra em ação. Ele move muita gente a resolver seus conflitos de acordo com a regra milenar : "olho por olho, dente por dente", sem recorrer a ajuda de Jesus. Ou seja, o maior problema do mundo atual é que todos, ou quase todos, preferem resolver seus problemas existenciais com seus próprios recursos, sem pedir a ajuda de Deus. Muita tragédia seria evitada se antes de investir contra o irmão ou irmã injusta, a pessoa primeiro recorresse à ajuda e proteção de do Pai celeste. 
Se todos seguissem a orientação de Mestre que nos aconselha a jogar um balde de água na fogueira, em vez de jogar gasolina." ...abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam."    O mundo seria outro bem diferente desse mundo em que estamos tentando viver. Jesus nos aconselha a agir assim porque Ele conhece a natureza humana.  Ninguém melhor que Ele para saber como funciona o nosso psiquismo, o nosso esquema mental. "O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles."     Mais parece que esta regra só é usada pelos candidatos  e pelos vendedores. Os cristãos acham difícil demais. Acham que estão se rebaixando, se humilhando se fizer o bem a quem lhes faz o mal como Jesus nos ensina no evangelho de hoje.
Prezados irmãos e irmãs. Vamos perdoar, vamos rezar por aqueles que nos ameaçam, nos causam prejuízos, nos perturbam, nos maltratam, nos caluniam etc. Porque fazendo isso estaremos seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, e com toda certeza seremos atendidos pelo Pai.
Pense neste instante naquela pessoa que o fez de bobo(a), que lhe ofendeu, lhe passou para traz, ou algo desse tipo.  Reze por essa pessoa. Mais não peça a Deus para matá-la, ou para enviar-lhe um raio ou coisa parecida. Simplesmente a entregue a Deus. Peça a Deus para fazer com que aquela pessoa que lhe causou aquele prejuízo, físico ou moral se arrependa, e se converta, e não faça isso a mais ninguém. Peça a Deus pela conversão dessa pessoa. Principalmente para que ela pare de agir desse jeito. Do jeito que agiu com você.
Vivemos em um mundo que nos ensina através da mídia, que o certo é lançar mão da vingança.

Mais uma vez, Jesus nos aconselha, nos adverte, nos orienta com palavras duras! Amar os nossos inimigos! Porém, o que Jesus nos fala é para o nosso próprio bem. Pois responder a um enfrentamento a bala, usando armas iguais, por exemplo, é arriscar a própria vida.
            
O amor ao próximo já era um preceito no Antigo Testamento.  Com Jesus, Este preceito foi melhorado, com o acréscimo dos seguintes itens:
1-Que devemos também amar os nossos inimigos;
2-Amar o próximo como a nós mesmo;
3-Amar o irmão como Jesus nos amou.  
           
Repare na tríplice importância dada por Jesus a este importante mandamento, do qual depende a nossa salvação.  Precisamos seguir estes três itens, senão não seremos santos como o Pai é santo.  Nós precisamos levar muito a sério estes três itens sobre o amor ao próximo, se quisermos ser imitadores de Cristo, sempre lembrando que fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, e se quisermos alcançar um dia a vida eterna.      
           
Em princípio, parece que estamos diante de três cruéis exigências de um Deus muito severo e por demais exigente.  Alguém poderia perguntar. Como posso amar o meu inimigo?  Esse mandamento significa que além de rezar pelos nossos inimigos, não devemos lançar mão da vingança para punir os nossos opressores. Para isso, a sociedade deve estar bem aparelhada para bancar a execução da justiça social de forma pronta, eficiente e imediata.  Isso para não acontecer que o ser humano regrida, ou volte aos tempos antigos, como acontecia no Oeste Distante, como foi longamente mostrado nos filmes, no qual quem podia mais chorava menos, e só os fortes sobreviveriam.
OLHO POR OLHO
Diz a conhecida «Lei de talião» – do latim talio, talis  tal, igual ou ius talionis, lei do corte ou contusão , assim formulada no Livro do Êxodo: «vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão» (Êxodo 21,24-25).
           
Segundo essa lei, deve-se pagar com a mesma moeda, podendo fazer justiça com as próprias mãos, e tudo isso se resume numa vingança pessoal por parte da vítima ou de seus familiares, em relação ao agressor ou injusto.
           
A prática da justiça baseada no "Olho por olho", acontece  quando a justiça dos homens é falha, é incapaz de punir os culpados como realmente eles merecem.  Por causa disso, a tendência é de se fazer justiça com as próprias mãos, lançando mão da VINGANÇA pessoal, gerada pela revolta de ver que ninguém está fazenda nada, ou quase nada para reprimir eficientemente a criminalidade que aumenta a cada dia.  Exemplo: Aquela mulher contratou um pistoleiro para eliminar o seu marido que abusou de sua filha... Os moradores daquela rua fizeram um linchamento espancando o pedófilo que assaltou uma casa, matou os homens  e abusou das mulheres... Aquele chefe de família hoje está preso porque pegou um revolver e VINGOU a morte do seu filho... Parece que estamos mesmo vivendo em pleno Velho Oeste dos filmes.
           
Notamos aqui no desenrolar dos acontecimentos, que estamos nos dirigindo para um verdadeiro caos social, para uma sociedade sem lei, para um salve-se quem puder.
           
Porém, a solução apresentada por Jesus, é: "  Não enfrenteis quem é malvado! ".
E mais. Não reaja diante de um assalto,   "Se alguém quiser  tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto!" .  Muitos estão sendo baleados em assaltos, por que olham no rosto do assaltante. Então, para não ser identificado, o bandido "apaga"  a vítima, mesmo que ela não tenha reagido, e entregue todos os seus pertences.  Nunca tente medir forças em uma situação dessa. Pois o agressor está disposto a tudo, não tem limites, não tem Deus consigo, ele não tem nada mais a perder, não tem nenhuma compaixão, pois  está sob o domínio total de satanás.  Muito cuidado! Muita oração para que Deus Pai nos livre de todo o mal. Amém.
           
O segundo item, AMAR O PRÓXIMO COMO A NÓS MESMO, significa uma renúncia completa do nosso egoísmo, no qual nós queremos o melhor para nós. A melhor ferramenta, o melhor computador, a melhor roupa...
E  por isso, quando vamos dar algo para alguém, nunca abrimos mão do melhor que temos, mas sim do pior. Nós damos ao irmão, ou à irmã carente, aquela roupa que não usamos mais por estar surrada, um aparelho se som ultrapassado,  uma cadeira com defeito, umas moedinhas... e assim por diante.
           
Amar o próximo como a nós mesmo, é presenteá-lo com algo igual ao que usamos. É dar ao amigo, um relógio igual ao nosso, por exemplo. É desejar para ele tudo o que desejamos para nós.  Parece que só os pais agem assim. Eles dão aos filhos o melhor que podem. Melhor até do que eles próprios tiveram na vida. Até mais do que eles um dia alcançaram ou conseguiram. Exemplo. O pai que não cursou uma faculdade, pagou duas para o seu filho.
           
Amar o próximo como a nós mesmo é um grande desafio lançado por Jesus Cristo. Pois isso é muito difícil. O mundo nos ensina a sermos espertos e defender o nosso lado. O mundo nos ensina a não ser bobos e passar a perna no irmão e na irmã. O mundo nos ensina a levar sempre  vantagem.  O MUNDO NOS ENSINA A MATAR UNS AOS OUTROS, EM VEZ DE AMAR UNS AOS OUTROS.
O mundo nos ensina a não perdoar, mas sim, a vingar o mal que nos fazem. Isso é mostrado nos filmes, nas novelas, no teatro, até nos desenhos para as crianças.  Desse modo, cada criança, vendo os exemplos dos pais, dos familiares, e dos desenhos, crescem  com a cabecinha feita em relação as suas atitudes e reações diante das injustiças do próximo. Eles aprendem que perdoar é coisa de bobo. Quem é forte e esperto, tem mais é que se vingar, nunca se rebaixar diante do concorrente ou adversário.  Isso tudo somado com a ausência de Deus, pela falta de bons exemplos por parte dos pais e da sociedade em geral, levou os jovens a sumirem da Igreja, e assumiram os ensinamentos contrários a uma vida fraterna e harmoniosa, onde o amor e o perdão fala mais alto que o ódio e a vingança.
 AMAR O IRMÃO COMO JESUS NOS AMOU.  Este é o terceiro item da nossa reflexão de hoje. Fazer e agir como Jesus fez, como Ele nos mostrou pelas palavras e pela prática.
               
Amar como Jesus nos amou, na prática, na verdade e na sua vida diária, é segui-lo e imitá-lo.  Ele nos amou tanto que chegou a deixar que o matassem, por causa das denúncias que Ele fez sobre as injustiças praticadas por aqueles que se apresentavam como líderes religiosos. 
               
Amar como Jesus nos amou é imitá-lo.  É fazer tudo o que Ele fez. É nos perguntar  a todo momento diante de  cada situação de nossa vida: Como Jesus faria para resolver essa parada? Como Ele reagiria diante dessa situação?
               
Amar como Jesus nos amou é perdoar como Ele perdoou, é ser caridoso como Ele o foi.

Jesus não teve receio de tocar o leproso, Jesus teve pena daquela viúva que acabara de perder o filho depois que ficou sem o marido.  Disse Ele a viúva: "Não chore!";  Jesus perdoou aquela mulher que estava sendo acusada e condenada por adultério, dizendo: "...eles não te condenaram? Eu também não te condeno.  Vai e não peques mais".  Jesus teve pena daquela multidão, e disse que eram ovelhas sem pastores...

Jesus  nos deixou muitos conselhos encorajadores: Não vos preocupeis com o  dia de amanhã,  Por que temeis?  Coragem, sou eu... Aquele que crer em mim, mesmo morto viverá; Não tenhais medo. Apenas acredite;  Aquele que crer e for batizado, será salvo;  Ninguém jamais imaginou o qual maravilhoso o Pai preparou para aqueles que o amam... ; Vocês terão cem vezes mais nesta vida e mais a vida eterna; Eis que estarei convosco até o fim dos tempos...  Estes  conselhos do Filho de Deus não deve sair do nosso pensamento dominante, um só dia!
    
Amar o irmão como Jesus nos amou, é ser capaz de dar a nossa vida para salvar alguém.  Certo soldado que estava passeando um dia no zoológico em São Paulo, viu um a criança  sendo devorada por uma  ariranha. Ele pulou a cerca  e salvou a vida daquela criança, mas em seguida foi morto pelos dentes daquele feroz animal. Isso é amar como Jesus nos amor. Aquele soldado deu sua vida para salvar uma vida. 
           
Amar como Jesus, é ajudar aqueles que precisam da nossa ajuda, da nossa força. É defender os fracos das injustiças dos poderosos. É ensinar quem está com dificuldade de aprender, é matar a fome dos famintos, é aturar os chatos, ajudar os idosos, etc.
           
Na verdade, a chamada  REGRA DE OURO já existia antes de Jesus.  “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti!”. Esta foi a sentença dita por  um tal de Hillel, e apesar de ser de uma formulação negativa, recebeu a denominação de "regra de ouro".(Tobias 4,15).  É, todavia, fácil de verificar, que esta sentença é de fácil cumprimento. Dado que o seu teor é negativo, para a cumprir, basta a alguém cruzar os braços e nada fazer. E agindo assim, não fará mal a ninguém, cumprindo assim escrupulosamente a sentença formulada.
           
Nos Evangelhos encontramos esta máxima numa formulação positiva: «Faz aos outros o que queres que te façam ti!» (Mateus 7,12; Lucas 6,31). Depois esta regra recebe outra formulação positiva: "Ama o teu próximo como a ti mesmo!",( Levítico 19,18); (Mateus 22,39); (Romanos 13,9); (Gálatas 5,14); (Tiago 2,8). Porém, se analisarmos, veremos que esta formulação é perigosa: porque, se alguém não se ama a si mesmo, como poderá cumprir devidamente esta máxima? Sabemos através da psicologia, que é grande o número de doentes mentais, paranoicos ou não, que por motivos vários, ODEIAM A SI MESMOS, E AO MUNDO. Logo, tais pessoas também não amam seus iguais,  pelo contrário, matam para se divertirem.
JESUS A PERFEIÇÃO.
           
É em Jesus que a redação desta máxima é transformada em uma regra perfeita.  "AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI!" (João 13,34). Aqui, a medida não somos nós, mas sim, o próprio Jesus, o Filho de Deus altíssimo. Desse modo, a máxima toma uma cor de total perfeição. Agora, o  amor fraterno não é interesseiro. O amor é incondicional, puro, radical,  assimétrico, sem retorno. Será como Jesus nos amou!
Agora vai, e faça o mesmo.   Bom domingo.


José Salviano

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

-6º DOMINGO DO TEMPO COMUM-C-José Salviano


6º DOMINGO DO TEMPO COMUM

17 de Fevereiro de 2019

 

Evangelho Lc 6,17.20-26

 

AS BEM-AVENTURANÇAS- Lc 6,17.20-26-José Salviano

Jesus estava diante de uma multidão de famintos, desesperançados, doentes, pobres, pecadores, etc.  Porém, entre eles, haviam os curiosos que estavam ali somente para ouvir o que Jesus iria falar, com o intuito de pegar alguma palavra que pudesse ser usada para a sua própria incriminação, e futura condenação.
Por que Jesus, por onde andava, Ele atraía não somente os bons, como também os maus, os mal-intencionados, invejosos e assim por diante.
E então foi para aquela gente toda ali presente que Jesus proclamou as Bem-aventuranças. Que na verdade, formam um conjunto de inversões de valores. Uma inversão dos valores os quais pairavam nas cabeças dos judeus. Ou seja, eles acreditavam que Deus amava os ricos e poderosos, e os pobres eram os desprezados pelo Pai.
Assim como acontece nos dias de hoje. A mídia nos faz uma verdadeira lavagem cerebral, e semeia nas nossas mentes que o poder político, e  o poder financeiro são os o melhores que existem! E que o ser religioso é coisa do passado, sem nenhuma importância vital. E também vemos muitos supostos evangelizadores, que usam a Bíblia para ganhar poder político e muito dinheiro explorando os humildes e ingênuos, com promessas de curas e prosperidade imediata.
O Sermão em que Jesus proclama as bem-aventuranças, é dividido em oito partes, sendo que as quatro primeiras dirigem-se aos que sofrem opressão e exploração do sistema social, esperando a intervenção libertadora de Deus. São os pobres que choram e esperam por justiça. As quatro últimas apontam para aqueles que se empenham em uma prática transformadora do mundo. São os misericordiosos que se solidarizam com os sofredores; os que são desapegados das riquezas e bondosos para com os mais necessitados; os que promovem a vida e a paz, comprometendo-se com a luta pela implantação da justiça característica do   seguimento de Jesus.
Nas quatro primeiras bem-aventuranças Jesus fala para aqueles que sofrem por algum tipo de deficiência, física (aleijados), mental (pouca inteligência), ou social (injustiça).
Assim, os pobres de espírito são aqueles que sabem que não são do mesmo nível social e mental que aqueles com os quais convivem, e apesar disso não se revoltam, estão conformados consigo mesmos, sofrem com paciência e apego com Deus. Esses um dia terão o céu garantido pelo próprio Jesus Cristo. Mas porque essas pessoas existem se Deus é amor, poderoso e bom?  Elas existem para que possamos praticar a caridade. Sem elas como poderíamos ser caridosos partilhando um pouco do que temos através da esmola?
Os que choram humildemente  por algum tipo de sofrimento terreno tem os seus pecados perdoados e serão consolados na Vida Eterna.
Os humildes, aqueles que não se revoltam contra o Pai, aqueles que aceitam sem reclamar a sua posição em relação aos poderosos e até servem os ricos, limpando sua sujeira, preparando sua comida, cuidando dos seus bens, e que nem sempre recebem o que merecem em forma de pagamento. Jesus prometeu que Deus vai lhes recompensar por tanto prejuízo.
E os que são caluniados e injustiçados pelo fato de servirem a Deus e ao Reino, não se preocupem. Pelo contrário, fique feliz, porque na Vida Eterna, tudo será diferente. Tudo vai ser recompensado como Jesus prometeu. Tudo será transformado em alegrias infindas.
Os outros quatro tipos de pessoas são aqueles que se compadecem dos pobres, e dos deficientes de vários tipos. São aqueles que se compadecem de fato e não só de palavras. São misericordiosos e tratam os excluídos com justiça, bondade e às vezes com firmeza. Pois nem sempre  é bom dar comida na boca de quem pede. Nem sempre é bom dar o peixe, mais sim o anzol para ele ir pescar. Isso no caso dos preguiçosos, se bem que a preguiça também é um tipo de deficiência nata. Porém, quando a pessoa estiver mesmo caída, não tem jeito.  Assim, se tivermos misericórdia dessas pessoas, Deus também vai ter misericórdia de nós, segundo a  explicação de Jesus no Sermão da montanha.
Aqueles de corações puros, que não tramam  nenhum mal para os outros, que não desejam o mal do próximo, que não cobiçam a mulher do próximo, que não levantam falso testemunho, que não falsificam documento para lesar o parente com relação à herança, que não pensam mal das pessoas, etc, esses verão a Deus. Que maravilha!
E aqueles que evitam brigas, que separam os que estão brigando, que se esforçam para que haja paz, na família e na comunidade, na sociedade, e no mundo, serão tratados como filhos de Deus.
E os catequista, padres, freiras, ministros e todos aqueles que levam a mensagem de Cristo às pessoas, e por isso são caluniados, injustiçados, e perseguidos, não liguem para tudo isso! Não se preocupem!  Pelo contrário, fiquem alegres, porque grande será a nossa recompensa  no Céu! E é bom repetir aqui o que Jesus disse em outra ocasião, para aqueles que derem esmola. "Quem dá 1,0 na Terra, receberá 100 no Céu" Este, com certeza, é o melhor investimento, o melhor tesouro que podemos acumular.

José Salviano.
SEGUNDA HOMILIA

Primeira Leitura: Jeremias 17,5-8
        Jeremias compara o homem que confia no Senhor a uma árvore localizada às margens de um rio a qual lança suas raízes até o lençol freático para obter água. Pode a seca ser longa que essa árvore permanecerá verde, ao contrário, das suas vizinhas que perdem as folhas e podem até morrer.
        Assim também é homem, ou a mulher que deposita sua confiança em Deus. Pode bater um vento forte, uma tempestade, ou qualquer tipo de problema que ele está sempre tranquilo, pois sabe que Deus vai protegê-lo ou providenciar uma solução. Em sua volta muitos sofrem. Com o desemprego, com a falta de dinheiro, separação e outros problemas. O homem de Deus ajuda na medida do possível seus amigos e parentes que sofrem, mais nada vai acabar por completo o sofrimento deles. Pois a solução de tudo aquilo se encontra em suas próprias mente, uma decisão, apenas. Acreditar em Deus, ou voltar-se para Deus, e deixá-lo governar as suas vidas.  

SEGUNDA LEITURA: 1º Coríntios 15, 12.16-20

        Prezados irmãos, e irmãs. Hoje na carta de Paulo aos Coríntios vamos refletir sobre ressurreição de Jesus Cristo. Ora, sabemos que o ato de Jesus voltar à vida é fato consumado, é fato histórico, comprovado pelas suas várias aparições. Aquele que não acreditar nisso tem uma fé pela metade, mutilada incompleta.
        Paulo, o inspirado pelo Espírito de Deus, também nos explica que: Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima.
        Isto porque tem pessoas que até acreditam em Deus. Porém, vivem como se tudo terminasse aqui. Como se não houvesse outra vida. Aqueles que podem, compram tudo que o dinheiro pode comprar, comem, bebem, se divertem, como se tudo não passasse dessa vida terrena. Para eles não existem a outra vida eterna, anunciada pelo próprio Jesus Cristo.
        Isso é lastimável como disse Paulo. Mas nós, vamos trabalhar para reduzir estes questionamentos de fé. Interpretando e explicando com a ajuda de Espírito Santo o significado da ressurreição e da Vida Eterna para os nossos irmãos.
  
Evangelho: Lucas 6,17.20-26
        Os doutores da Lei que eram religiosos teóricos, pois eram eles quem faziam as leis, ou os preceitos. E os fariseus, que eram os especialistas no cumprimento da Lei e se vangloriavam disso, construíram uma escala de valores totalmente absurda e desumana. Eles acreditavam, e faziam o povo também acreditar, que a pobreza assim como a doença, eram castigos de Deus. E a riqueza, era um prêmio deste mesmo Deus, aos seus filhos muito amados e, portanto felizes.
        No Evangelho de hoje, Jesus vira a mesa e inverte esta escala de valores ao dizer que bem-aventurados ou felizes são os pobres, os que passam fome, os que choram e especialmente os puros de espírito. Repare que Jesus está enfrentando a elite dominante, sem nenhum medo. Ele está desmantelando toda a escala de valores vigente, e construindo outra totalmente nova.
        Parece uma ironia quando Jesus diz que os pobres e os famintos são felizes. Mas acontece que além de serem saciados na vida eterna, os pobres já são felizes nesta vida, porque a situação de miséria aproxima as pessoas de Deus. Aquele ou aquela que está carente sem ter para onde correr, sem ter para quem reclamar seus direitos por que na prática não têm direito a nada, recorrem a Deus. Entregam suas vidas ao Criador, e pedem diariamente um alívio para os seus sofrimentos. E ao se aproximarem de Deus impelidos pelo sofrimento, o pobre se purifica, se santifica e se torna merecedor da vida eterna. Porém, para que tudo isso aconteça, é preciso que sejam puros de coração. A pureza de coração é quase uma santidade. É ser um imitador de Cristo na sua caminhada para o calvário, onde sofreu o flagelo sem dizer uma única palavra de revolta. Na cruz Jesus ainda reza pedindo ao Pai que perdoasse aqueles que o estão matando, pois se soubessem ou acreditassem que Ele era o Filho de Deus, não estariam fazendo aquilo. Assim Jesus disse: "Pai. Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem".  Portanto, o puro de coração é aquele que não tem inveja daquele que tem, não reclama do seu sofrimento, não pensa mal dos outros, não planeja a derrota do seu semelhante, não "joga sujo" com ninguém, etc.
        Mas ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação. Ai de vós, que estais fartos, porque vireis a ter fome! Ai de vós, que agora rides, porque gemereis e chorareis! Ai de vós, quando vos louvarem os homens, porque assim faziam os pais deles aos falsos profetas!
         Estas são as palavras do Filho de Deus. Não são nossas. Nós aqui apenas fazemos comentários ou refletimos em cima do que Jesus disse. Repare que Jesus afirma que os ricos já têm nesta vida  a sua consolação, toda a alegria, que os pobres não têm. Portanto, não terão mais nada a receber na outra vida.
        Imaginemos uma cidade A e uma cidade B.  Na cidade A o agito era total. Havia muita ambição e muita riqueza, muita alegria, muito prazer, nada de religião, muito menos de Deus. A busca incansável pelas coisas materiais e pelo conforto gerava cada vez mais uma grande insatisfação, pois o ser humano é insaciável  em termos de aquisição. Quanto mais temos, mais queremos ter e nunca estamos satisfeitos com o que temos. Portanto, a vida na cidade A, não obstante toda riqueza, todo luxo, todo prazer sem limites, chegou a um ponto de saturação, de insatisfação, de sorrisos falsos, em fim, por incrível que pareça, aquele vazio no interior daquelas pessoas gerado pela ausência de Deus, as levou à infelicidade.
        O povo da cidade B não era rico, mais também não eram pobres. Possuíam apenas o suficiente para viver. Não tinham ambição nem grandes preocupações com o dia de amanhã. Acreditavam em Deus e em seus mistérios.  Vivam constantemente em comunhão dom esse Deus e em comunhão uns com os outros. A falta de ambição era portanto, a marca principal daquelas pessoas. Alguns já haviam vivido o delírio de uma experiência com Deus.  E apesar de não terem luxo, fartura, e conforto excessivo, aquelas pessoas pareciam muito tranquilas e felizes.
        Prezados irmãos. Não estamos crucificando os nossos irmãos ricos e santificando os pobres. Como sabemos, existem muitos pobres com mentalidade de ricos. A pobreza também pode afastar uma pessoa da amizade com Deus.  Depois de tanto fracasso, de tanta miséria, algumas pessoas podem se revoltar contra o próprio Criador, e as consequências deste fato não são nada agradáveis.
        Por outro lado, existem muitos ricos caridosos, de alma e coração bom. Jesus, diante da pergunta dos apóstolos: Afinal, quem poderá se salvar? Respondeu: "Para Deus, nada é impossível". Isso significa que toda regra tem exceção, significa que não podemos afirmar que todo rico está condenado, porque quem nos julgará é o próprio Jesus.
        Jesus ensinava através de parábolas. Então vamos tentar inventar aqui uma parábola?  É assim:  
        Era uma vez um homem muito rico, na verdade, era o mais rico do mundo. Ele ficou tão rico porque Deus lhe deu o dom de inventar um certo produto que revolucionou o destino da humanidade.  Esse homem riquíssimo era muito bom. Havia criado várias instituições de caridade para os pobres nas áreas mais carentes do Planeta.
        O seu maravilhoso produto passou a ser usado por milhões de pessoas no mundo inteiro, e nem sempre pagavam o seu verdadeiro preço. E ele sabia que estava sendo lesado. Mais não se importava, e até achava graça disso. Ele tinha ganhado tanto dinheiro, mais tanto dinheiro que deixava  o mundo inteiro se beneficiar com a sua invenção. Afinal, ele tinha a consciência que tudo aquilo foi Deus quem lhe deu. Esse milionário bondoso queria partilhar com a humanidade, a  sua imensa riqueza. Com certeza esse bom homem estará um dia na glória eterna. Você não acha?  Ah! Se você souber o nome desse milionário bondoso, conta para nós!   

José Salvivano