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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

-A GANÂNCIA É PERIGOSA- Lc 12,13-21-José Salviano


21 de Outubro de 2019

Evangelho-Lc 12,13-21

 

 

A ganância tem causado muitas intrigas, muitas brigas e mesmo mortes. E o pior é que tudo disso tem sua permanência principalmente entre os próprios irmãos, pela disputa da herança.

Cada um que ficar com a melhor parte do bolo, com as melhores terras, onde a água é abundante, onde há recursos minerais, fertilidade, ou cada um quer ficar com os melhores imóveis. E não adianta o choro desesperado da mãe, as brigas parecem intermináveis.

Está faltando Deus entre eles. Aliás, a presença divina nunca esteve muito forte em uma família que sempre viveu para acumular riquezas, para satisfazer a GANÂNCIA!

Foi por tudo isso que Jesus hoje nos advertiu para que tomemos muito cuidado com todo tipo de ganância. Precisamos lembrar que desta vida não se leva nada. Absolutamente nada.

A  vida de um homem não consiste em abundância de bens materiais. Ser poderoso, ser rico, é o que a maioria almeja.  É o que quase todos pensam, desejam e buscam. Porque entendem que viver se resume em ser rico e poderoso.

Quando Jesus falou em ter vida em abundância, Ele quis dizer uma vida na qual  temos o suficiente para a nossa sobrevivência, e de preferência com saúde, harmonia com todos os familiares e amigos.

E principalmente, uma vida cheia de graças. Uma vida na paz com Deus e com o irmão. Não só o irmão de sangue, mas com todos os nossos irmãos e irmãs.

Viver em paz com Deus e consigo mesmo. É não estar com a consciência pesada pelo dinheiro que tiramos dos que mais necessitam, dos que sofrem...

Do que adianta um homem ganhar fortunas, e não desfrutar a vida com esta paz tão desejada! A paz de espírito, a consciência tranquila, morrer sem remorso e alcançar a vida eterna.

Sabemos de muitos poderosos que buscaram a sua vida toda o acúmulo de bens com tanta ganância que conquistou muitos inimigos, inclusive na própria família. Por isso morreram na solidão, desprezados pelos próprios filhos, completamente abandoados na companhia de enfermeiros contratados. Suspirando, desejosos da presença dos filhos, mas esses os odiaram por causa da sua usura! Da sua prepotência, da sua falta total de caridade!

Pensando bem, a ganância é uma atitude infantil. Uma atitude muito egoísta que na verdade não leva a nada. Pois muitos gananciosos se comprazem em si mesmos. Pois só pensam em ACUMULAR POR ACUMULAR, sem partilhar nada, sem dar nada, sem pensar naqueles que sofrem, por não terem um pedaço de pão para enganar a fome.

Vivamos em paz! Em paz com a nossa consciência, em paz com os nossos familiares, com os nossos amigos, e principalmente em PAZ COM DEUS!

 

 

Fica com Deus. José Salviano



terça-feira, 30 de julho de 2019

-Jesus multiplicou os pães e os peixes- Evangelho - Mt 14,13-21-José Salviano.


05 de Agosto de 2019

Evangelho Evangelho - Mt 14,13-21

Naquele tempo:
13Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu
e foi de barco para um lugar deserto e afastado.
Mas quando as multidões souberam disso,
saíram das cidades e o seguiram a pé.
14Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão.
Encheu-se de compaixão por eles
e curou os que estavam doentes.
15Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus
e disseram: 'Este lugar é deserto
e a hora já está adiantada.
Despede as multidões,
para que possam ir aos povoados comprar comida!'
16Jesus porém lhes disse:
'Eles não precisam ir embora.
Dai-lhes vós mesmos de comer!'
17Os discípulos responderam:
'Só temos aqui cinco pães e dois peixes.'
18Jesus disse: 'Trazei-os aqui.'
19Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama.
Então pegou os cinco pães e os dois peixes,
ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção.
Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos.
Os discípulos os distribuiram às multidões.
20Todos comeram e ficaram satisfeitos,
e dos pedaços que sobraram,
recolheram ainda doze cestos cheios.
21E os que haviam comido
eram mais ou menos cinco mil homens,
sem contar mulheres e crianças.
Palavra da Salvação.

Jesus se encheu de compaixão ao ver aquela multidão carente, sem médico, sem o que comer, sem futuro...
A palavra “Compaixão” significa sofrer com o irmão. É compartilhar  a sua paixão, o seu sofrimento, sentindo na pele o mesmo que ele sente.
Foi por isso que Jesus transformou 5 pães e 2 peixes em alimento suficiente  para saciar a fome daquela multidão, e ainda sobraram 12 cestos.
Neste episódio podemos tirar muitas lições, muita aprendizagem. Podemos enfocar, por exemplo,  a partilha daqueles pães e peixes entre todos,  podemos também  refletir que Jesus se fez alimento, ou seja, que Ele é o pão vivo descido do Céu para o alimento da nossa alma e da nossa fé, e também podemos parar para pensar  sobre aqueles 12 cestos que sobraram e que Jesus mandou que fossem recolhidos.  Quantas sobras de alimentos o mundo inteiro desperdiça! Poderia matar a fome de muitos desesperados na América Latina, na África e na Ásia!
Tomando como ponto de reflexão a partilha dos pães e dos peixes, podemos ver que no mundo há fome por que não há partilha. Quanta comida sobrando nas mesas dos ricos, e quanta carência na mesa dos pobres! Quantos estão saciados, até demais,  formando gordurinhas abdominais, por comer em excesso, e quanta fome entre os nossos irmãos pobres, os quais são como esqueletos vivos, pois suas costelas estão expostas, e seus braços e pernas mostram os ossos, pela falta da alimentação adequada!
O milagre da multiplicação dos pães, quando o Senhor proferiu a bênção, partiu e distribuiu os pães a seus discípulos para alimentar aquela  multidão faminta e sem esperança, prefigura a superabundância deste único pão de sua Eucaristia. O sinal da água transformada em vinho nas bodas de Caná  já anuncia a hora da glorificação de Jesus. Manifesta a realização da ceia das bodas no Reino do Pai, onde os fiéis beberão o vinho novo, transformado no Sangue de Cristo.
No Pai Nosso rezamos pedindo ao Pai  O pão nosso de cada dia nos dai hoje!  Dai-nos o emprego, a aposentadoria, a ausência de inflação que destrói, corrói os nossos magros salários. Dai-nos, também,  a confiança dos filhos que tudo esperam de seu Pai. Ele que faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair chuva sobre justos e injustos, e dá a todos os seres vivos o alimento a seu tempo" (Sl 104,27).
A partilha dos alimentos aos necessitados, é um modo de solidariedade entra nós, entre as pessoas, entre os povos.
É preciso que haja Justiça e solidariedade entre as nações No plano internacional, pois a desigualdade dos recursos e dos meios econômicos é tão grande que provoca entre as nações um verdadeiro "fosso". De um lado, estão os que detêm muito e desenvolvem os meios de crescimento e, de outro, os que têm muito pouco, eem vez de acumular riquezas,  o que acumulam são as dívidas.
Diversas causas, de natureza religiosa, política, econômica e financeira, conferem hoje a questão social uma dimensão mundial. A solidariedade é necessária entre as nações cujas políticas já são interdependentes. E ainda mais indispensável quando se toma preciso deter  a dominação dos fracos pelos poderosos da Terra,  deter os mecanismos perversos que impedem o desenvolvimento dos países menos avançados. Urge substituir os sistemas financeiros abusivos e mesmo usurários, as relações comerciais iníquas entre as nações e a corrida armamentista por um esforço comum no sentido de mobilizar os recursos e objetivos de desenvolvimento moral, cultural e econômico, "redefinindo as prioridades e as escalas de valores".
As nações ricas têm uma responsabilidade moral grave para com aquelas que não podem garantir sozinhas os próprios meios de seu desenvolvimento ou foram impedidas de fazê-lo por trágicos acontecimentos históricos. E um dever de solidariedade e caridade; é igualmente uma obrigação de justiça, se o bem-estar das nações ricas provém de recursos naturais não foram equitativamente pagos.
A ajuda direta representa uma resposta apropriada a necessidades imediatas, extraordinárias, causadas por catástrofes naturais, epidemias etc., mas não basta para reparar os graves prejuízos que resultam de situações de miséria nem para prover permanentemente às necessidades. É necessário também reformar as instituições econômicas e financeiras internacionais, para que elas promovam melhor as relações equitativas com os países menos desenvolvidos. E preciso apoiar o esforço dos países pobres trabalhando para seu desenvolvimento e libertação. Esta doutrina deve ser aplicada de maneira muito especial no âmbito do trabalho agrícola. Os camponeses, sobretudo dos países menos desenvolvidos, constituem a massa preponderante dos pobres.
Aumentar o verdadeiro senso de Deus e o conhecimento de si mesmo é a base de todo desenvolvimento completo da sociedade humana. Este desenvolvimento completo multiplica os bens materiais e os põe a serviço da pessoa e de sua liberdade. Diminui a miséria e a exploração econômicas. Faz crescer o respeito pelas  identidades culturais e a abertura para a transcendência.
A Igreja não deve se envolver na política. Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por própria iniciativa com seus concidadãos. A ação social pode implicar uma pluralidade de caminhos concretos. Terá sempre em vista o bem comum e se conformará com a mensagem evangélica e com a doutrina da Igreja. Cabe aos fiéis leigos "animar as realidades temporais com um zelo cristão e comportar-se como artesãos da paz e da justiça".

Fica com Deus, José Salviano