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quinta-feira, 28 de março de 2019

quarta-feira, 27 de março de 2019

Ouvir e amar-Helena Serpa





29 de Março
REFLEXÃO
“ouvir e amar”
Neste Evangelho Jesus apela para nossa inteligência desejando conectar em nós definitivamente a arte de saber ouvir, assim como também nos fazer atentar, encarnar e assumir como sendo parte do nosso ser, o mandamento do AMOR. Assim sendo, diante da pergunta do escriba, Ele proclama: “Ouve, Israel“O Senhor nosso Deus é o único SenhorAmarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força!” Amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos é a direção segura que Jesus nos dá para que alcancemos o reino de Deus aqui na terra.  Como homem Jesus conheceu a nossa realidade de seres sensíveis e frágeis em vista das nossas próprias limitações.  Ao mesmo tempo, também como ser humano Jesus nos deu o testemunho de que quando nos apossamos da graça e do poder de Deus, quando O escutamos nós nos tornamos aptos a vencer todas as barreiras que são próprias da nossa fragilidade humana. Ter a Deus como nosso único Senhor faz toda a diferença, pois nos apossamos do Seu poderio e conseguimos assim viver de acordo com o que nos é proposto por Ele. Partindo dessa premissa todos nós poderemos cumprir o primeiro de todos os mandamentos e ainda mais, também cumprir com o segundo mandado que Jesus nos aponta: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Corpo, alma e espírito; físico e mente; intuição, consciente, subconsciente, inconsciente…  É o homem total tomado pelo amor de Deus vivenciando a Palavra que gera santidade e realização pessoal, de dentro para fora, a partir do mais profundo do seu ser. No Catecismo da Igreja nós aprendemos que fomos criados para amar, louvar e servir a Deus acolhendo o Seu amor e assumindo compromisso com o próximo. Portanto, amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos (as), é algo muito natural à essência da nossa alma e se nos abandonarmos conseguiremos ser fiéis à proposta de Jesus. O amor a Deus, a nós próprios (as) e aos nossos irmãos e irmãs é uma resposta ao amor que já foi gravado em nós desde a eternidade e para sempre. Para demonstrá-lo, o nosso primeiro passo deverá ser ouvi-Lo. Aí então, o amor de Deus se expressa de forma concreta no nosso dia a dia e assim, conscientemente  nós sentiremos as suas manifestações a cada minuto.   – Para você o que é amar a Deus? – Você dá ouvidos à Palavra de Deus? – Você sabe qual  é a diferença entre gostar e amar? – Você ama a você mesmo (a)? O que você deseja ao seu vizinho (a) é o mesmo que você deseja para você?  – Você tem dificuldade em aceitar-se a si mesmo (a)? E aos outros?

(Helena Colares Serpa – Comunidade Católica Missionária UM NOVO CAMINHO – www.umnovocaminho.com)




o Bem é de Deus, mas o Mal é do Maligno-Helena Serpa


28 de março

REFLEXÃO
“ o Bem é de Deus, mas o Mal é do Maligno”

Apesar dos milagres que Jesus operava no meio do Seu povo, os homens daquela época não O reconheciam como enviado do Pai e duvidavam do Seu poder.  Eles viam, mas não “enxergavam”, por isso, diante dos prodígios de Jesus se confundiam e atribuíam tudo ao “dedo de Belzebu”, que é o príncipe dos demônios. A descrença encobria os seus olhos, assim, pois, eles tentavam a Jesus e pediam-lhe sinais do céu. Entretanto, Jesus não lhes satisfazia a curiosidade, mas os alertava mostrando-lhes que a falta de unidade é um sinal muito claro de que os acontecimentos não são do céu, mas do maligno. Jesus fazia o Bem que é de Deus, mas o Mal é do Maligno. Às vezes, nos admiramos da maneira como que eles reagiam às maravilhas que Jesus operava e os criticamos por causa da sua “falta de fé”. No entanto, precisamos ter consciência de que também temos dificuldades em admitir o poder de Deus na nossa vida porque olhamos as coisas pelas aparências e com os olhos da “carne”. Somos, como eles, pessoas questionadoras, intrigantes e não percebemos que os sinais do céu estão presentes nos pequenos e grandes milagres que Deus realiza dentro de nós e na nossa vida, dia a dia. Se parássemos para refletir também conseguiríamos “ver o dedo de Deus” agindo em nós a partir do bem que praticamos e vivenciamos.   Como podemos em nome do mal expulsar o mal? Se agirmos em Nome de Jesus, as consequências naturalmente serão do bem e não do mal. O Bem vem de Deus, o mal é decorrência do pecado. Reconhecer o dedo de Deus nos milagres da nossa vida é também distinguir a chegada do Seu reino e tê-Lo como nosso guardião e defensor. Precisamos estar atentos às nossas ações para saber a quem estamos servindo. Tudo o que fizermos para o bem do próximo, de coração e por amor a Deus, com certeza será a nossa contribuição na construção do reino aqui na terra. Só Deus é poderoso! Ele é a armadura que nos reveste e nos protege das investidas do demônio. Jesus é o Filho de Deus que veio ao mundo nos ensinar a acolher o amor do Pai a fim de que tenhamos também relacionamentos saudáveis. O reino de Deus chega para quem está com Jesus e segue os Seus ensinamentos. Aquele que está em paz com os seus irmãos está em paz com Deus e consigo mesmo.  – Você tem percebido os milagres de Deus na sua vida ou ainda está esperando um “sinal do céu”?  – Em nome de quem você tenta fazer as coisas? – Você não tem se equivocado nos seus projetos pensando que é pelo dedo de Deus que você quer conseguir as coisas?  – Existe dentro de você algo que possa estar dividindo o seu modo de pensar com Deus ou com o inimigo de Deus? – Você se sente interiormente preenchido (a) pelo poder do Espírito Santo? – Com que você tem alimentado o seu espírito?

(Helena Colares Serpa – Comunidade Católica Missionária UM NOVO CAMINHO – www.umnovocaminho.com)


à beira da piscina-Helena Serpa


2 DE ABRIL DE 2019

TERÇA-FEIRA DA QUARTA SEMANA

DA QUARESMA

Cor: Roxo

1ª Leitura - Ez 47,1-9.12

Leitura da Profecia de Ezequiel 47,1-9.12
Naqueles dias: 1O anjo fez-me voltar até a entrada do Templo
e eis que saia água da sua parte subterrânea na direção leste,
porque o Templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do Templo, a sul do altar. 2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até à porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito.
3Quando o homem saiu na direção leste, tendo uma corda de medir na mão, mediu quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos tornozelos. 4Mediu outros quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos joelhos.
5Mediu mais quinhentos metros e me fez atravessar a água:
ela chegava-me à cintura. Mediu mais quinhentos metros,
e era um rio que eu não podia atravessar. Porque as águas haviam crescido tanto, que se tornaram um rio impossível de atravessar,
a não ser a nado. 6Ele me disse: 'Viste, filho do homem?'
Depois fez-me caminhar de volta pela margem do rio. 7Voltando, eu vi junto à margem muitas árvores, de um e de outro lado do rio. 8Então ele me disse: 'Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9Onde o rio chegar,
todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde;
e haverá vida onde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio,
de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas;
suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão:
cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio'. Palavra do Senhor.

Reflexão – “as águas que trazem saúde”
Diante da visão de Ezequiel, hoje podemos refletir que as águas correntes do rio que traziam saúde e vida, são as bênçãos que emanam do rio do Espírito Santo nos trazendo vida nova e santidade. Aonde este rio chegar, vida e saúde em abundância nos serão concedidos e, na medida em que mergulharmos nele grandes coisas poderão acontecer na nossa vida. Quando aceitamos viver a vida nova no Espírito Santo e nos aprofundamos no conhecimento de Deus não podemos ficar apenas submergindo, há um momento em que teremos de nadar, isto é, sair de nós mesmos e nos abandonarmos literalmente às Suas sugestões. Quando estamos repletos do Espírito Santo somos como uma árvore plantada à margem das águas e, por isso, sempre dá bons frutos. Os frutos que produzimos são as nossas ações, reações e sentimentos que nos levam a agir em conformidade com a vontade de Deus numa vida de conversão levando saúde e paz por onde passamos.  As nossas atitudes concretas de amor são frutos que jamais se acabarão e sempre servirão de alimento e as nossas folhas serão remédio para todos os que necessitarem. Do lado direito do peito de Jesus Crucificado brotaram sangue e água!  Assim, pois, podemos também refletir que as águas jorradas do lado direito do templo, se referem à água e ao sangue que emanaram do lado direito de Jesus na Cruz, na hora da Sua Morte, quando Ele entregou ao Pai o Seu Espírito, para que fosse derramado sobre a humanidade. São as águas do nosso Batismo e o Sangue de Jesus que nos redimiu dos pecados e que, hoje, recebemos na Eucaristia. – Você já se deixou lavar pelas águas do Espírito Santo? – O que mudou na sua vida? – Você tem procurado se aprofundar no conhecimento de Deus? – Você já consegue distinguir o que é de Deus e o que pertence ao mundo? – Você tem dados bons frutos? – Quais?

Salmo - Sl 45, 2-3. 5-6. 8-9 (R. 8)
R. Conosco está o Senhor do Universo!
O nosso refúgio é o Deus de Jacó.

2O Senhor para nós é refúgio e vigor, *
sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia;
3assim não tememos, se a terra estremece, *
se os montes desabam, caindo nos mares.R.

5Os braços de um rio vêm trazer alegria *
à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo.
6Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! *
Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.R.

8Conosco está o Senhor do universo! *
O nosso refúgio é o Deus de Jacó!
9Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus *
e a obra estupenda que fez no universo.R.

Reflexão - Quem poderá nos abalar? O Senhor está no meio de nós, por isso pode a terra estremecer e os montes desabarem nos mares, conosco está o Senhor do universo. Nós somos a morada do Deus Altíssimo e Ele é o nosso refúgio e vigor! Portanto, contemplemos os Seus prodígios e a obra que Ele faz em cada um de nós.

Evangelho - Jo 5,1-16

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 5,1-16
1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma pscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados -cegos, coxos e paralíticos -, esperando que a água se movesse. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. 6Jesus viu o homem deitado
e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: 'Queres ficar curado?' 7O doente respondeu: 'Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente'. 8Jesus disse: 'Levanta-te,
pega na tua cama e anda.' 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou na sua cama e começou a andar. Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: 'É sábado! Não te é permitido carregar tua cama.'
11Ele respondeu-lhes: 'Aquele que me curou disse: 'Pega tua cama e anda'.' 12Então lhe perguntaram: 'Quem é que te disse:
'Pega tua cama e anda?' 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão
que se encontrava naquele lugar. 14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: 'Eis que estás curado.
Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior'.
15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.
Palavra da Salvação.

Reflexão – “à beira da piscina”
Neste Evangelho, Jesus nos motiva a dar passos concretos de fé quando estivermos necessitados de cura e libertação. No contexto, nós encontramos um homem que há trinta e oito anos esperava por ajuda, e continuava inerte, sem perspectivas. Jesus veio sacudi-lo e questionar a sua inoperância, motivando-o a sair da sua inércia e frustração para assumir a cura da sua enfermidade. Muitos de nós, também, na maior parte do tempo vivemos “deitados (as)” nos nossos problemas e dificuldades, acomodados (as) e imóveis, somente contemplando os benefícios que outras pessoas recebem e apontando culpados para os nossos males. Não percebemos os sinais de Deus, não notamos a hora da graça e perdemos muitas oportunidades, pois, desejamos que as coisas aconteçam do jeito que esperamos. Vivemos na “cama existencial”, algo que nos prende, paralisa, acomoda e nos impede de sair em busca de tudo quanto Deus já preparou para o nosso bem. A “cama” aqui, tem um sentido de apatia e inércia, atitudes que nos levam a esperar pelos outros, mesmo que o imprescindível para nós esteja bem perto de nós, ao nosso alcance. Precisamos ter consciência de que Jesus está sempre se aproximando de nós e, como fez com o paralítico, Ele ordena: “Levanta-te, pega na tua cama e anda!”  Esta exortação é para cada um de nós, que hoje toma a Palavra de Deus e a medita com Fé! Esta Palavra tem poder e acontece, agora! Esta é a hora da graça, não podemos desperdiça-la! Quando paramos para orar e meditamos com a Sua Palavra, devemos ter consciência de que é o próprio Jesus quem se aproxima de nós. É nestes momentos que Ele nos aponta a direção da piscina do Espírito Santo e nos impulsiona a dar o passo decisivo para que possamos mergulhar nas suas águas. A piscina do Espírito Santo, sempre está bem pertinho de nós, no entanto, o nosso orgulho nos impede de sair de nós mesmos (as) para pedir a ajuda de alguém que nos possa levar até lá e ficamos esperando que venham ao nosso encontro. – Você tem algum problema crônico que o (a) deixa inerte e sem iniciativa? -   Por quem você está esperando para sair de situações de sofrimento na sua vida? – A Palavra que você medita tem lhe dado forças para vencer os desafios?  - Você tem conseguido mergulhar na piscina do Espírito Santo?

Jesus está esperando de nós o sinal da FÉ-Helena Serpa


1 DE ABRIL DE 2019

2ª FEIRA DA QUARTA SEMANA DA

QUARESMA

Cor: Roxo


1ª Leitura - Is 65,17-21

Leitura do Livro do Profeta Isaías 65,17-21
Assim fala o Senhor: 17Eis que eu criarei novos céus e nova terra,
coisas passadas serão esquecidas, não voltarão mais à memória.
18Ao contrário, haverá alegria e exultação sem fim em razão das coisas que eu vou criar; farei de Jerusalém a cidade da exultação
e um povo cheio de alegria. 19Eu também exulto com Jerusalém
e alegro-me com o meu povo; ali nunca mais se ouvirá
a voz do pranto e o grito de dor. 20Ali não haverá crianças condenadas a poucos dias de vida nem anciãos que não completem seus dias. Será considerado jovem quem morrer aos cem anos;
e quem não alcançar cem anos, passará por maldito. 21Construirão casas para nelas morar, plantarão vinhas para comer seus frutos.
Palavra do Senhor.

Reflexão – “para assumir uma vida nova na graça”
O profeta Isaias nos revela a promessa do Senhor para nós, hoje:Coisas passadas serão esquecidas, não voltarão mais à memória”.    Esta mensagem é dirigida a todos nós que, hoje, voltamos para Deus o nosso coração cheio de expectativa e esperança de receber o perdão pelas nossas faltas e, assim, assumir uma vida nova na graça de Deus. Estamos vivendo o tempo de espera e de otimismo para que uma nova realidade, uma nova maneira de encarar a vida, seja edificada e possamos assumir a missão de filhos e filhas de Deus. Para que isto aconteça precisamos estar comprometidos com a Sua Palavra que nos acena com novos céus e uma nova terra. Para nós, novos céus e uma nova terra são o estágio de alegria e exultação que vivenciamos quando somos perdoados dos nossos pecados e nos apossamos da misericórdia do Senhor, acolhendo a salvação que Ele nos preparou desde toda a eternidade.  O Senhor promete fazer de nós um povo cheio de alegria e garante que nunca mais se ouvirá a voz do nosso pranto e o nosso grito de dor.  Portanto, é neste “clima” que Ele deseja que nós, seus filhos, vivamos: sem pranto nem dor e é essa a Pátria que o Senhor preparou para nela construirmos nossas casas, plantar as nossas vinhas e colher os seus frutos. Podemos, desde já ir contemplando todo este cenário na nossa vida interior quando decidimos nos deixar converter pelo Senhor recebendo Dele bênçãos e graças. Para nós não existe o peso da idade porque dentro de nós o amor de Deus nos motiva e nos leva a caminhar sem cansaço com os olhos voltados para o céu. Como consequência, a harmonia e a compreensão começarão a gerir os nossos relacionamentos e viveremos dias felizes. Que o Senhor nos ajude a confiar nas Suas promessas e propagar o Seu amor por meio do nosso testemunho de fé. – Esta palavra faz o seu coração arder? -    Você confia que o Senhor lhe preparou novos céus e nova terra?  No que depende de você? – Na sua vida o que poderia significar “novos céus e nova terra”?

Salmo - Sl 29, 2.4. 5-6. 11.12a.13b (R.2a)

R. Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes!

2Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,*
e não deixastes rir de mim meus inimigos!
4Vós tirastes minha alma dos abismos*
e me salvastes, quando estava já morrendo!R.

5Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,*
dai-lhe graças e invocai seu santo nome!
6Pois sua ira dura apenas um momento,*
mas sua bondade permanece a vida inteira;
se à tarde vem o pranto visitar-nos,*
de manhã vem saudar-nos a alegria.R.

11Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!*
Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!
12aTransformastes o meu pranto em uma festa,*
13bSenhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!R.

Reflexão - Quando nós realmente suplicamos ao Senhor que nos perdoe e nos salve, Ele transforma o nosso pranto em uma festa.  O perdão do Senhor, então, se torna para nós como uma fonte de amor que nos faz louvá-Lo com alegria e cantar salmos de louvores. O Senhor retira a nossa alma dos abismos em que caímos e nos salva quando estamos já morrendo. A Sua providência vem na hora em que estamos precisando e, se à tarde vem o pranto nos visitar, de manhã a alegria vem nos saudar.

Evangelho - Jo 4,43-54

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 4,43-54
Naquele tempo: 43Jesus partiu da Samaria para a Galiléia. 44O próprio Jesus tinha declarado, que um profeta não é honrado na sua própria terra. 45Quando então chegou à Galiléia, os galileus receberam-no bem, porque tinham visto tudo o que Jesus havia feito em Jerusalém, durante a festa. Pois também eles tinham ido à festa. 46Assim, Jesus voltou para Caná da Galiléia, onde havia transformado a água em vinho. Havia em Cafarnaum um funcionário do rei que tinha um filho doente. 47Ouviu dizer que Jesus tinha vindo da Judéia para a Galiléia. Ele saiu ao seu encontro e pediu-lhe que fosse a Cafarnaum curar seu filho, que estava morrendo. 8Jesus disse-lhe: 'Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais.' 49O funcionário do rei disse:
'Senhor, desce, antes que meu filho morra!' 50Jesus lhe disse:
'Podes ir, teu filho está vivo.' O homem acreditou na palavra de Jesus e foi embora. 51Enquanto descia para Cafarnaum, seus empregados foram ao seu encontro, dizendo que o seu filho estava vivo. 52O funcionário perguntou a que horas o menino tinha melhorado. Eles responderam: 'A febre desapareceu, ontem, pela uma da tarde'. 53O pai verificou que tinha sido exatamente na mesma hora em que Jesus lhe havia dito: 'Teu filho está vivo'.
Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família.
54Esse foi o segundo sinal de Jesus. Realizou-o quando voltou da Judeía para a Galiléia. Palavra da Salvação.

Reflexão - “Jesus está esperando de nós o sinal da FÉ
Mesmo tendo declarado “que um profeta não é honrado na sua própria terra” foi na Galiléia, precisamente em Cafarnaum, que Jesus realizou o Seu segundo milagre. Os galileus precisavam de sinais e de testes para poder acreditar em Jesus, no entanto, neste episódio, nós percebemos que aquele funcionário do rei acreditou na Sua palavra e voltou confiante para casa certo de que seu filho seria curado. A fé daquele homem baseou-se na promessa de Jesus pela palavra empenhada: “Podes ir teu filho está vivo”.  A Palavra de Deus foi a motivação para que aquele homem tivesse a sua e a vida da sua família transformadas.   Jesus está esperando de nós o sinal da FÉ para poder realizar os prodígios e os milagres de que necessitamos na nossa vida. Nós também precisamos que nossos filhos sejam curados, que a nossa vida seja transformada, que a nossa família viva em harmonia. O filho, hoje, poderá ser algo muito precioso pelo qual estamos esperando, a decisão que precisamos tomar, o passo que precisa ser dado e que não acontece porque nos acomodamos à situação, esperando a “morte chegar”. Precisamos dar o passo para Jesus que nos instrui e nos alenta com a Sua Palavra. Aquele homem acreditou e abraçou a fé juntamente com toda a sua família. Enquanto permanecermos incrédulos, enquanto estivermos esperando por sinais, os milagres também não acontecerão na nossa vida e tampouco na vida da nossa família! E estaremos perdendo tempo precioso sem perceber que Jesus vive no meio de nós e que assim como curou o filho do funcionário do rei tem poder também para nos curar hoje e alcançar para nós os milagres de que tanto precisamos! – Você acredita nas promessas de Deus? -  Quando medita com a Palavra de Deus você se apossa das Suas promessas ou entende que Ele falou somente para aquele tempo? -  Você tem fé que Deus pode transformar a sua vida? – Em que você precisa ser curado (a)?


5º DOMINGO DA QUARESMA-Dehonianos



7 Abril 2019
ANO C
5º DOMINGO DA QUARESMA
Tema do 5º Domingo da Quaresma
A liturgia de hoje fala-nos (outra vez) de um Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravidões para chegar à vida nova, à ressurreição.
A primeira leitura apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. Esse “caminho” é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova.
A segunda leitura é um desafio a libertar-nos do “lixo” que impede a descoberta do fundamental: a comunhão com Cristo, a identificação com Cristo, princípio da nossa ressurreição.
O Evangelho diz-nos que, na perspectiva de Deus, não são o castigo e a intolerância que resolvem o problema do mal e do pecado; só o amor e a misericórdia geram activamente vida e fazem nascer o homem novo. É esta lógica – a lógica de Deus – que somos convidados a assumir na nossa relação com os irmãos.
LEITURA I – Is 43,16-21
Leitura do livro de Isaías
O Senhor abriu outrora caminhos através do mar,
veredas por entre as torrentes das águas.
Pôs em campanha carros e cavalos,
um exército de valentes guerreiros;
e todos caíram para não mais se levantarem,
extinguiram-se como um pavio que se apaga.
Eis o que diz o Senhor:
«Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados,
não presteis atenção às coisas antigas.
Olhai: vou realizar uma coisa nova,
que já começa a aparecer; não a vedes?
Vou abrir um caminho no deserto,
fazer brotar rios na terra árida.
Os animais selvagens – chacais e avestruzes –
proclamarão a minha glória,
porque farei brotar água no deserto,
rios na terra árida,
para matar a sede ao meu povo escolhido,
o povo que formei para Mim
e que proclamará os meus louvores».
AMBIENTE
O Deutero-Isaías (autor deste texto) é um profeta anónimo, da escola de Isaías, que cumpriu a sua missão profética entre os exilados. Estamos no séc. VI a.C., na Babilónia. Os judeus exilados estão frustrados e desorientados, pois a libertação tarda e Deus parece ter-Se esquecido do seu Povo. Sonham com um novo êxodo, no qual Jahwéh Se manifeste, outra vez, como o Deus libertador.
Na primeira parte do “livro da consolação” (Is 40-48), o profeta anuncia a iminência da libertação e compara a saída da Babilónia e a volta à Terra Prometida com o êxodo do Egipto. É neste contexto que deve ser enquadrada a primeira leitura de hoje.
MENSAGEM
Este oráculo de salvação começa por recordar a “mãe de todas as libertações” (a libertação da escravidão do Egipto). Mas evocar essa realidade não pode ser uma fuga nostálgica para o passado, um repousar inerte na saudade, um refúgio contra o medo do presente (se assim for, esse passado vai obscurecer a perspectiva do Povo, impedindo-o de reconhecer os sinais que já se manifestam e que anunciam um futuro de liberdade e de vida nova)… A lembrança do passado é válida quando alimenta a esperança e prepara para um futuro novo. Na acção libertadora de Deus em favor do Povo oprimido pelo faraó, o judeu crente descobre um padrão: o Deus que assim agiu é o Deus que não tolera a opressão e que está do lado dos oprimidos; por isso, não deixará de Se manifestar em circunstâncias análogas, operando a salvação do Povo escravizado.
De facto – diz o profeta – o Deus libertador em quem acreditamos e em quem esperamos não demorará a actuar. Aproxima-se o dia de um novo êxodo, de uma nova libertação. No entanto, esse novo êxodo será algo de grandioso, que eclipsará o antigo êxodo: o Povo libertado percorrerá um caminho fácil no regresso à sua Terra e não conhecerá o desespero da sede e da falta de comida porque Jahwéh vai fazer brotar rios na paisagem desolada do deserto. A actuação de Deus manifestará, de forma clara, o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. Diante da acção de Jahwéh, o Povo tomará consciência de que é o Povo eleito e dará a resposta adequada: louvará o seu Deus pelos dons recebidos.
ACTUALIZAÇÃO
Reflectir a partir das seguintes linhas:
• O nosso Deus é o Deus libertador, que não Se conforma com qualquer escravidão que roube a vida e a dignidade do homem e que está, permanentemente, a pedir-nos que lutemos contra todas as formas de sujeição. Quais são as grandes formas de escravidão que impedem, hoje, a liberdade e a vida? Neste tempo de transformação e de mudança, o que posso eu fazer para que a escravidão e a injustiça não mais destruam a vida dos homens meus irmãos?
• A vida cristã é uma caminhada permanente, rumo à Páscoa, rumo à ressurreição. Neste tempo de Quaresma, somos convidados a deixar definitivamente para trás o passado e a aderir à vida nova que Deus nos propõe. Cada Quaresma é um abalo que nos desinstala, que põe em causa o nosso comodismo, que nos convida a olhar para o futuro e a ir além de nós mesmos, na busca do Homem Novo. O que é que, na minha vida, necessita de ser transformado? O que é que ainda me mantém alienado, prisioneiro e escravo? O que é que me impede de imprimir à minha vida um novo dinamismo, de forma que o Homem Novo se manifeste em mim?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 125 (126)
Refrão 1: Grandes maravilhas fez por nós o Senhor.
Refrão 2: O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.
Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e de nossos lábios cânticos de júbilo.
Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.
Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.
À ida, vão a chorar,
levando as sementes;
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.
LEITURA II – Filip 3,8-14
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
Irmãos:
Considero todas as coisas como prejuízo,
comparando-as com o bem supremo,
que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor.
Por Ele renunciei a todas as coisas
e considerei tudo como lixo,
para ganhar a Cristo
e n’Ele me encontrar,
não com a minha justiça que vem da Lei,
mas com a que se recebe pela fé em Cristo,
a justiça que vem de Deus e se funda na fé.
Assim poderei conhecer Cristo,
o poder da sua ressurreição
e a participação nos seus sofrimentos,
configurando-me à sua morte,
para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos.
Não que eu tenha já chegado à meta,
ou já tenha atingido a perfeição.
Mas continuo a correr, para ver se a alcanço,
uma vez que também fui alcançado por Cristo Jesus.
Não penso, irmãos, que já o tenha conseguido.
Só penso numa coisa:
esquecendo o que fica para trás,
lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta,
em vista do prémio a que Deus, lá do alto,
me chama em Cristo Jesus.
AMBIENTE
A Carta aos Filipenses é uma carta “afectuosa e terna” que Paulo escreve da prisão aos seus amigos de Filipos. Os cristãos desta cidade, preocupados com a situação de Paulo, enviaram-lhe dinheiro e um membro da comunidade (Epafrodito), que cuidou de Paulo e o acompanhou na solidão do cárcere. Com o coração cheio de afecto, Paulo agradece aos seus queridos filhos de Filipos; e, por outro lado, avisa-os para que não se deixem levar pelos “cães”, pelos “maus obreiros” (Flp 3,2) que, em Filipos como em todo o lado, semeiam a dúvida e a confusão. Quem são estes? São ainda esses “judaizantes”, “os da mutilação” (Flp 3,2), que proclamavam a obrigatoriedade da circuncisão e da obediência à Lei de Moisés.
O texto que nos é proposto insere-se nesse discurso de polémica contra os adversários “judaizantes” (cf. Flp 3). Paulo pede aos Filipenses que não se deixem enganar por esses falsos pregadores, super-entusiastas, que se apresentam com títulos de glória e que parecem esquecer que só Cristo é importante.
MENSAGEM
Ao exemplo e à pregação desses “judaizantes”, que alardeiam os mais diversos títulos de glória, Paulo contrapõe o seu próprio exemplo. Ele tem mais razões do que os outros para apresentar títulos (ele que foi circuncidado com oito dias; que é hebreu genuíno, filho de hebreus, da tribo de Benjamim; que foi fariseu e que viveu irrepreensivelmente como filho da Lei – cf. Flp 3,5-6); mas a única coisa que lhe interessa – porque é a única coisa que tem eficácia salvadora – é conhecer Jesus Cristo. É claro que os termos conhecer e conhecimento devem ser aqui entendidos no mais genuíno sentido da tradição bíblica, quer dizer, no sentido de “entrar em comunhão de vida e de destino” com uma pessoa. Aquilo que ele procura agora e que é o fundamental é identificar-se com Cristo, a fim de com Ele ressuscitar para a vida nova.
Os Filipenses – e, claro, os crentes de todas as épocas – farão bem em imitar Paulo e esquecer tudo o resto (a circuncisão, os ritos da Lei, os títulos de glória são apenas “prejuízo” ou “lixo” – vers. 8). Só a identificação com Cristo, a comunhão de vida e de destino com Cristo é importante; só uma vida vivida na entrega, no dom, no amor que se faz serviço aos outros, ao jeito de Cristo, conduz à ressurreição, à vida nova.
Mais um dado importante: Paulo está consciente que partilhar a vida e o destino de Cristo implica um esforço diário, nunca terminado; é, até, possível o fracasso, pois o nosso orgulho e egoísmo estão sempre à espreita e o caminho da entrega e do dom da vida é exigente. Mas é o único caminho possível, o único que faz sentido, para quem descobre a novidade de Cristo se apaixona por ela. Quem quer chegar à vida nova, à ressurreição, tem de seguir esse caminho.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar, para reflexão, as seguintes linhas:
• Neste tempo favorável à conversão, é importante revermos aquilo que dá sentido à nossa vida. É possível que detectemos no centro dos nossos interesses algum desse “lixo” de que Paulo fala (interesses materiais e egoístas, preocupações com honras ou com títulos humanos, apostas incondicionais em pessoas ou ideologias…); mas Paulo convida a dar prioridade ao que é importante – a uma vida de comunhão com Cristo, que nos leve a uma identificação com o seu amor, o seu serviço, a sua entrega. Qual é o “lixo” que me impede de nascer, com Cristo, para a vida nova?
• É preciso, igualmente, ter consciência de que este caminho de conversão a Cristo é um caminho que está, permanentemente, a fazer-se. O cristão está consciente de que, enquanto caminha neste mundo, “ainda não chegou à meta”. A identificação com Cristo deve ser, pois, um desafio constante, que exige um empenho diário, até chegarmos à meta do Homem Novo.
ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – Joel 2,12-13
Refrão 1: Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo Senhor.
Refrão 2: Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.
Refrão 3: Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.
Refrão 4: Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.
Refrão 4: Louvor a Vós, Jesus Cristo, rei da eterna glória.
Refrão 6: Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.
Refrão 7: A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Convertei-vos a Mim de todo o coração, diz o Senhor;
porque sou benigno e misericordioso.
EVANGELHO – Jo 8,1-11
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
Jesus foi para o Monte das Oliveiras.
Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo,
e todo o povo se aproximou d’Ele.
Então sentou-Se e começou a ensinar.
Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus
uma mulher surpreendida em adultério,
colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus:
«Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério.
Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres.
Tu que dizes?».
Falavam assim para Lhe armarem uma cilada
e terem pretexto para O acusar.
Mas Jesus inclinou-Se
e começou a escrever com o dedo no chão.
Como persistiam em interrogá-l’O,
ergueu-Se e disse-lhes:
«Quem de entre vós estiver sem pecado
atire a primeira pedra».
Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão.
Eles, porém, quando ouviram tais palavras,
foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos,
e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio.
Jesus ergueu-Se e disse-lhe:
«Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?».
Ela respondeu:
«Ninguém, Senhor».
Disse então Jesus:
«Nem Eu te condeno.
Vai e não tornes a pecar».
AMBIENTE
Esta pequena unidad
e literária não pertencia, inicialmente, ao Evangelho de João: ela rompe o contexto de Jo 7-8, não possui as características do estilo joânico e o seu conteúdo não se encaixa neste Evangelho (que não se interessa por problemas deste género). Além disso, é omitida pela maior parte dos manuscritos antigos; e as referências dos Padres da Igreja a este episódio são muito escassas. Outros manuscritos colocam-no dentro do Evangelho, mas em sítios diversos, por exemplo, no final do mesmo – como fazem algumas versões modernas da Bíblia. Numa série de manuscritos, encontrámo-la no Evangelho de Lucas (após Lc 21,38), que seria um dos lugares mais adequados, dado o interesse de Lucas em destacar a misericórdia de Jesus. Trata-se de uma tradição independente que, no entanto, foi considerada pela Igreja como inspirada por Deus: não há dúvida que deve ser vista como “Palavra de Deus”.
Seja como for, o cenário de fundo coloca-nos frente a uma mulher apanhada a cometer adultério. De acordo com Lv 20,10 e Dt 22,22-24, a mulher devia ser morta. A Lei deve ser aplicada? É este problema que é apresentado a Jesus.
MENSAGEM
Temos, portanto, diante de Jesus uma mulher que, de acordo com a Lei, tinha cometido uma falta que merecia a morte. Para os escribas e fariseus, trata-se de uma oportunidade de ouro para testar a ortodoxia de Jesus e a sua fidelidade às exigências da Lei; para Jesus, trata-se de revelar a atitude de Deus frente ao pecado e ao pecador.
Apresentada a questão, Jesus não procura branquear o pecado ou desculpabilizar o comportamento da mulher. Ele sabe que o pecado não é um caminho aceitável, pois gera infelicidade e rouba a paz… No entanto, também não aceita pactuar com uma Lei que, em nome de Deus, gera morte. Porque os esquemas de Deus são diferentes dos esquemas da Lei, Jesus fica em silêncio durante uns momentos e escreve no chão, como se pretendesse dar tempo aos participantes da cena para perceber aquilo que estava em causa. Finalmente, convida os acusadores a tomar consciência de que o pecado é uma consequência dos nossos limites e fragilidades e que Deus entende isso: “quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. E continua a escrever no chão, à espera que os acusadores da mulher interiorizem a lógica de Deus – a lógica da tolerância e da compreensão. Quando os escribas e fariseus se retiram, Jesus nem sequer pergunta à mulher se ela está ou não arrependida: convida-a, apenas, a seguir um caminho novo, de liberdade e de paz (“vai e não tornes a pecar”).
A lógica de Deus não é uma lógica de morte, mas uma lógica de vida; a proposta que Deus faz aos homens através de Jesus não passa pela eliminação dos que erram, mas por um convite à vida nova, à conversão, à transformação, à libertação de tudo o que oprime e escraviza; e destruir ou matar em nome de Deus ou em nome de uma qualquer moral é uma ofensa inqualificável a esse Deus da vida e do amor, que apenas quer a realização plena do homem.
O episódio põe em relevo, por outro lado, a intransigência e a hipocrisia do homem, sempre disposto a julgar e a condenar… os outros. Jesus denuncia, aqui, a lógica daqueles que se sentem perfeitos e auto-suficientes, sem reconhecerem que estamos todos a caminho e que, enquanto caminhamos, somos imperfeitos e limitados. É preciso reconhecer, com humildade e simplicidade, que necessitamos todos da ajuda do amor e da misericórdia de Deus para chegar à vida plena do Homem Novo. A única atitude que faz sentido, neste esquema, é assumir para com os nossos irmãos a tolerância e a misericórdia que Deus tem para com todos os homens.
Na atitude de Jesus, torna-se particularmente evidente a misericórdia de Deus para com todos aqueles que a teologia oficial considerava marginais. Os pecadores públicos, os proscritos, os transgressores notórios da Lei e da moral encontram em Jesus um sinal do Deus que os ama e que lhes diz: “Eu não te condeno”. Sem excluir ninguém, Jesus promoveu os desclassificados, deu-lhes dignidade, tornou-os pessoas, libertou-os, apontou-lhes o caminho da vida nova, da vida plena. A dinâmica de Deus é uma dinâmica de misericórdia, pois só o amor transforma e permite a superação dos limites humanos. É essa a realidade do Reino de Deus.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode fazer-se a partir das seguintes indicações:
• O nosso Deus – di-lo de forma clara o Evangelho de hoje – funciona na lógica da misericórdia e não na lógica da Lei; Ele não quer a morte daquele que errou, mas a libertação plena do homem. Nesta lógica, só a misericórdia e o amor se encaixam: só eles são capazes de mostrar o sem sentido da escravidão e de soprar a esperança, a ânsia de superação, o desejo de uma vida nova. A força de Deus (essa força que nos projecta para a vida em plenitude) não está no castigo, mas está no amor.
• No nosso mundo, o fundamentalismo e a intransigência falam frequentemente mais alto do que o amor: mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus; desacredita-se, calunia-se, em razão de preconceitos; marginaliza-se em nome da moral e dos bons costumes… Esta lógica (bem longe da misericórdia e do amor de Deus) leva-nos a algum lado? A intolerância alguma vez gerou alguma coisa, além de violência, de morte, de lágrimas, de sofrimento?
• Quantas vezes nas nossas comunidades cristãs (ou religiosas) a absolutização da lei causa marginalização e sofrimento… Quantas vezes se atiram pedras aos outros, esquecendo os nossos próprios telhados de vidro… Quantas vezes marcamos os outros com o estigma da culpa e queimamos a pessoa em “julgamentos sumários” sem direito a defesa… Esta é a lógica de Deus? O que nos interessa: a libertação do nosso irmão, ou o seu afundamento?
• Neste caminho quaresmal, há duas coisas a considerar: Deus desafia-nos à superação de todas as realidades que nos escravizam e sublinha esse desafio com o seu amor e a sua misericórdia; e convida-nos a despir as roupagens da hipocrisia e da intolerância, para vestir as do amor.
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 5º DOMINGO DA QUARESMA
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 5º Domingo da Quaresma, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. O APELO A PORMO-NOS DE PÉ.
Depois do apelo à paciência (3º domingo) e o apelo à misericórdia (4º domingo), eis, neste 5º domingo da Quaresma, o apelo a pormo-nos de
pé e a viver de maneira diferente: “vai e não tornes a pecar”. O momento penitencial pode realçar este dinamismo de conversão.
3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Pai do teu Povo, nós Te damos graças pela tua obra criadora, renovada sem cessar, e pelos germes do mundo novo que o mistério da Páscoa nos revela.
Nós Te pedimos pelos candidatos ao baptismo, adultos, jovens e crianças, e pelas comunidades, os padrinhos/madrinhas e os pais que os preparam.
No final da segunda leitura:
Cristo Jesus, Tu que Te deste a conhecer ao apóstolo Paulo e o agarraste a ponto de ele Te preferir a todas as riquezas da terra e Te reconheceu como a única vantagem válida, nós Te bendizemos.
Nós Te pedimos pelos doentes e pelas vítimas de todas as espécies de sofrimentos. Que a revelação da tua Paixão os mantenha na esperança da ressurreição e da vida do mundo que há-de vir.
No final do Evangelho:
Pai, bendito sejas pela mensagem de perdão, a palavra de reconciliação e o apelo à esperança que nos fizeste ouvir enviando-nos o teu Filho.
Nós Te pedimos por todas as nossas comunidades que celebram a reconciliação nestes dias. Que o teu perdão nos renove e nos reconcilie entre nós.
4. BILHETE DE EVANGELHO.
Jesus é posto face à Lei e, ao mesmo tempo, face a uma mulher. A Lei é clara: esta mulher, apanhada em flagrante delito de adultério, deve ser delapidada. Jesus não rejeita a Lei, pede somente aos escribas e fariseus para a colocar em prática, com a condição de começarem a ter um olhar sobre a própria vida antes de olhar a mulher e de a condenar. Os detractores acabam por se condenar a si mesmos e retiram-se, reconhecendo-se pecadores, a começar pelos mais velhos… Quanto a Jesus, que não tem pecado, podia lançar a pedra. Não o faz. Ele veio para salvar, não para condenar. Pedindo à mulher para não voltar a pecar, dá-lhe nova oportunidade. Para Jesus, ela não é apenas uma mulher adúltera, ela é capaz de outra coisa. Oferecendo-lhe a sua graça, agraciou também os escribas e os fariseus, colocando-os num caminho de conversão, eles que tinham aberto os olhos não somente sobre a mulher, mas sobre si próprios.
5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Sugere-se a Oração Eucarística I das Missas da Reconciliação.
6. PALAVRA PARA O CAMINHO…
A mulher adúltera… “Esta mulher foi apanhada em flagrante delito de adultério…” “Aquela martirizou o seu filho…” “Aquela deixou-o morrer de fome…” “Aquela outra…” …e as nossas mãos já estão cheias de pedras para a lapidar. Esta semana, a convite de Jesus, comecemos por olhar onde se situa o nosso pecado… De seguida, em relação a todas estas mulheres de hoje condenadas sem apelo, abramos o nosso coração à compreensão… à misericórdia… e talvez ao apoio na sua angústia.
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
portugal@dehonianos.org – www.dehonianos.org



“QUEM NÃO ESTÁ COMIGO ESTÁ CONTRA MIM.”- Olivia Coutinho



Dia 28 de Março de 2019

Evangelho de Lc11,14-23

Estamos vivendo um tempo propício para fazermos um retiro interior e numa revisão de vida, confrontar o nosso comportamento com a palavra de Deus, para que possamos ajustar o nosso modo de viver, com o modo de viver de Jesus.
É confrontando o nosso comportamento com a palavra de Deus, que vamos aos pouco, nos conscientizando do quanto precisamos melhorar! É ajustando os nossos passos nos passos de Jesus, que vamos construindo os degraus que nos levarão a plenitude da vida!
Somos nós que tecemos a nossa vida e o segredo de nos tornarmos um belo e resistente tecido, está em sermos seletivos nas nossas escolhas. Não podemos nos enganar pelas linhas falsas que nos são oferecidas por aí, pois são essas “linhas” falsas, que comprometem a beleza e a resistência do nosso "tecido!"
Optar pelo fio da graça de Deus que é Jesus, é a única garantia  de construirmos um belo e resistente  tecido, isto é: construirmos uma vida frutuosa, condizente com a vontade de Deus. 
No evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, vemos, que enquanto as multidões admiravam uma ação libertadora de Jesus, algumas pessoas, que não o reconhecia como o Filho de Deus, chegaram ao absurdo de dizerem, que era pelo o poder do mal, que Jesus fazia o bem.
“É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios.” A insanidade dessas pessoas,  foi uma blasfêmia contra o Espírito Santo. E Jesus, que aproveitava toda oportunidade, para nos passar ensinamentos, aproveita este episódio, para nos advertir, quanto o perigo da divisão.
“Todo reino dividido contra si mesmo, será destruído; e cairá uma casa por cima da outra.” Certamente, essas palavras de Jesus, provocaram  naquelas pessoas e hoje  em muitos nós, uma reflexão: como pode, um reino dividido contra si mesmo? Como entender um absurdo desse: Jesus expulsar demônios pelo o poder do próprio demônio?
Não somente as pessoas  citados no  evangelho, como muitos de nós ainda hoje, não reconhecemos Jesus como o Senhor da nossa vida! É o Espírito Santo, que nos faz reconhecer Jesus como o nosso Salvador. Quem está fechado ao Espírito Santo, não reconhece Jesus como o Senhor de sua vida, não se sente necessitado  Dele, cometendo assim, um pecado contra o Espírito Santo, que é  o pecado da negação, da recusa à graça de Deus.
O texto nos adverte sobre o perigo da divisão, o que pode acontecer na nossa família, no grupo o qual fazemos parte...
Uma família, ou um grupo, significa um todo, é por isto que ele se torna forte, mas se essa família, ou esse grupo se divide, as duas partes enfraquecem e  ao invés de produzirem frutos juntas, elas passam a serem adversárias, dando assim, espaço para o mal.
O mal e o bem estão sempre se confrontando dentro de nós, somos nós que escolhemos qual dos dois queremos cultivar. Quando o mal encontra espaço dentro de nós, é sinal de que não estamos alimentando o bem que Deus plantou no  nosso coração! 
Assim como as plantas bem adubadas, conseguem se sobressaírem  em meio as ervas daninhas , nós também, quando enraizados em Jesus, conseguimos crescer em meio aos adversários do projeto de Deus.
Temos ao nosso alcance um “antídoto” poderosíssimo contra todo tipo de mal, que é JESUS! Configurados Nele, venceremos o inimigo, por mais traiçoeiro que ele seja.
O mal nunca sobreporá o bem, se estivemos embebidos no amor do Pai, na força do Filho, caminhando sob a Luz do Espírito Santo.
Tenhamos em mente: Tudo que divide,  separa corações, e o que separa corações  não é de Deus!
Façamos um exame de consciência: estamos sendo elo de união no grupo em que fazemos parte, na nossa família ou motivo de divisão? Estamos construindo pontes para unir, ou muros para dividir?


FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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