.

I N T E R N A U T A S-M I S S I O N Á R I O S

SOMOS CATÓLICOS APOSTÓLICOS ROMANOS

e RESPEITAMOS TODAS AS RELIGIÕES.

LEIA, ESCUTE, PRATIQUE E ENSINE.

PARA PESQUISAR NESTE BLOG DIGITE UMA PALAVRA, OU UMA FRASE DO EVANGELHO E CLICA EM PESQUISAR.

domingo, 4 de novembro de 2018

Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo-Dehonianos


7 Novembro 2018
Tempo Comum – Anos Pares
XXXI Semana – Quarta-feira
Lectio
Primeira leitura: Filipenses 2, 12-18
12Caríssimos, 12na mesma medida em que sempre fostes obedientes – não só como aconteceu na minha presença, mas agora com muito mais razão na minha ausência – trabalhai com temor e tremor pela vossa salvação. 13Pois é Deus quem, segundo o seu desígnio, opera em vós o querer e o agir. 14Fazei tudo sem murmurações nem discussões, 15para serdes irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem mancha, no meio de uma geração perversa e corrompida; nela brilhais como astros no mundo. 16Conservai a palavra da vida. Para mim será um motivo de glória para o dia de Cristo, por não ter corrido em vão nem me ter esforçado em vão. 17Mas alegro-me até mesmo se o meu sangue tiver de ser derramado em sacrifício e oferta pela vossa fé; sim, com todos vós me alegro. 18Do mesmo modo, alegrai-vos também vós; sim, alegrai-vos comigo.
Paulo dirige algumas recomendações aos cristãos de Filipos. Cada uma tem a sua motivação e explicação.
Em primeiro lugar, os cristãos devem dedicar-se com temor e tremor à sua salvação (v. 12); ao mesmo tempo, devem lembrar-se de que só Deus pode suscitar neles a capacidade de viver de acordo com a sua vontade (v. 13).
Em segundo lugar, os cristãos devem resplandecer como astros no mundo (v. 15); não para se exibirem, mas para conservarem «a palavra da vida» (v. 16ª).
Em terceiro lugar, os cristãos hão-de contribuir para o crescimento da alegria do Apóstolo, na medida em que se dispuserem a oferecer a vida em sacrifício agradável a Deus, em oblação; isto, não por simples satisfação pessoal, mas para se assemelharem a Cristo Jesus e se disporem para a comunhão com o Pai (v. 16b-17).
Evangelho: Lucas 14, 25-33
Naquele tempo, 25Seguiam com ele grandes multidões; e Jesus, voltando-se para elas, disse-lhes: 26«Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo. 28Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? 29Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, 30dizendo: ‘Este homem começou a construir e não pôde acabar.’ 31Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? 32Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz. 33Assim, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.»
Depois de deixar a casa do fariseu, Jesus encontra-se com a multidão. E o seu discurso torna-se mais íntimo e radical. No texto de hoje, temos duas parábolas (vv. 28-32), precedidas (vv. 25-27) e seguidas por dois convites à renúncia (v. 33). Ambas as parábolas convidam à reflexão antes de empreender qualquer iniciativa, para nos darmos conta se temos capacidade para as terminar. Há que evitar a ligeireza e a temeridade. Uma vez que se decidiu, também é preciso avançar com fidelidade: um fracasso devido à indecisão ou à saudade seria imperdoável. Também o seguimento de Jesus, no caminho que o leva decididamente para Jerusalém e para o Calvário, é uma empresa muito exigente pela qual é preciso jogar toda a vida. É sobre esta realidade que se fundamenta o convite inicial e final desta página evangélica, onde lemos uma das mais radicais exigências de Jesus.
“Odiar” o pai e a mãe, carregar a cruz e seguir Jesus, renunciar a todos os bens (vv. 26s., e 33), são algumas das exigências que não deixam margem para dúvidas. Pelo contrário, o seu carácter paradoxal fere a nossa sensibilidade e leva-nos a gritar de escândalo. Mas isso seria um modo, mais ou menos elegante, de nos subtrairmos ao convite de Jesus, para continuarmos a fazer o que nos é mais fácil.
Meditatio
A acção e as palavras de Jesus nada a ver com uma campanha eleitoral, como as que nós conhecemos, onde o candidato promete mundos e fundos: tudo será melhor, não haverá problemas, a vida será mais fácil e feliz para todos… Jesus, pelo contrário, sendo seguido por «uma grande multidão» – e, portanto, tendo sucesso – não lhe alimenta ilusões, mas dirige-lhe algumas das palavras mais duras que Lhe saíram da boca. Apresenta claramente a exigência da radicalidade evangélica de que falámos na lectio. Essa radicalidade não é genérica nem irracional. O seu convite implica opções que deixam transparecer as grandes motivações da radicalidade que Jesus exige aos discípulos.
A primeira das opções recai sobre a própria pessoa de Jesus: «Se alguém vem ter comigo… Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo» (vv. 26-27). A renúncia aos bens e às pessoas não é fim em si mesma, mas tem em Jesus, mestre e salvador, a sua primeira e última motivação. Não se deixa a família e os bens só por deixar. Deixa-se para alcançar Aquele que nos alcançou. Poder tornar-se discípulo de Jesus é um ganho tão grande que vale a pena deixar tudo e todos por causa d´Ele. O amor a Jesus Cristo é a grande motivação de todas as nossas renúncias, incluindo, se tal for preciso, a renúncia à própria vida. A opção por Cristo implica renúncias que não apresentam uma racionalidade simplesmente humana, mas uma razão que acabará por trazer a definitiva satisfação à mente e ao coração do discípulo.
É especialmente Lucas que recolhe estes ensinamentos de Jesus. Escrevia para uma comunidade que precisava de ser incentivada a crescer na sua adesão ao essencial do Evangelho. Precisa de evitar distracções com coisas secundárias como preocupações terrenas e desculpas fúteis. Algo de muito actual também para nós.
«Na Igreja, fomos iniciados na Boa Nova de Jesus Cristo: "Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem" (1 Jo 4,16). Recebemos o dom da fé que dá fundamento à nossa esperança… orienta a nossa vida e nos inspira a deixar tudo para seguir a Cristo…» (Cst n. 9).
A nossa experiência de fé pode resumir-se em três pontos: é uma «adesão total e alegre à Pessoa de Jesus» (Cst n. 14); é uma «união com Cristo no seu amor pelo Pai e pelos homens» (Cst n. 17), por meio da oblação de amor, segundo as exigências de
uma vocação reparadora, que comporta a experiência da cruz (cf. Cst nn. 17-25); é uma participação na «missão da Igreja» no mundo de hoje (Cst nn. 26-39). Note-se o radicalismo desta fé: adesão de toda a nossa vida à vida de Cristo, isto é, uma fé que «orienta a nossa vida e nos inspira a deixar tudo para seguir a Cristo» (Cst 9; cf. Cst nn. 13-14). Cristo é a motivação fundamental das nossas opções pessoais e comunitárias. É, de verdade, a mais definitiva razão das nossas renúncias e o baricentro da nossa vida.
Oratio
Senhor, Tu és a Verdade. Não Te enganas, nem nos enganas. E indicas-nos claramente as condições da felicidade que nos prometes: queres-nos pobres, pobres nos afectos, pobres nas coisas materiais, pobres naquilo que pensaríamos dar-nos uma vida feliz.
As tuas palavras chocam-nos. Não nos mandaste amar-nos uns aos outros como Tu mesmo nos amas? Porque nos mandas, agora, odiar pai e mãe e a nossa própria vida? Queres com isso dizer-nos que havemos de renunciar a todo o amor possessivo para avançarmos no caminho do amor oblativo, apoiando-nos em Ti. Envia sobre nós o teu Santo Espírito que nos faça compreender que é bastante rico quem te possui a Ti e que só é pobre de afectos quem Te recusa. Infunde em nós o teu Santo Espírito, que faça crescer em nós a caridade verdadeira, e nos dê a força necessária para que, carregando a nossa cruz, sigamos os teus passos. Amen.
Contemplatio
Quem está no sacrário? É a pedra preciosa, junto da qual o ouro não é nada. O reino dos céus, diz Nosso Senhor (Mt 13), é semelhante a uma pedra preciosa que um negociante descobre. Vende tudo o que tem para a conseguir. Nós temos no tabernáculo o Rei dos reis.
Está à nossa disposição com o seu reino que é a sua graça sobre a terra aguardando a sua glória no céu. Não deveríamos deixar tudo e tudo sacrificar por este reino?
Infelizmente deixei muitas vezes a Eucaristia e o Coração de Jesus pelas criaturas, como o povo de Israel que sacrificava o serviço de Deus por um bocado de pão (Ez 13, 19).
Mas a pedra preciosa não está longe. Ainda é tempo. Posso encontrá-la e comprá-la, se faço os sacrifícios necessários. A Eucaristia está lá, o Coração de Jesus está lá no tabernáculo. Mas Nosso Senhor fixa-me um preço de resgate, é o tal sacrifício que é preciso fazer, é o tal apego que é preciso romper. Conheço este preço pelo meu exame particular, conheço-o pelas minhas confissões habituais. Sei o que é preciso sacrificar, mas a coragem falta-me.
Senhor, ajudai-me, peço-vos pela bondade do vosso coração e pela intercessão de Maria. (Leão Dehon, OSP 3, p. 632).
Actio
Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
«Brilhai como astros no mundo» (cfr. Filip 2, 15s.)
| Fernando Fonseca, scj |


O banquete do Rei-Dehonianos


6 Novembro 2018
Tempo Comum – Anos Pares
XXXI Semana – Terça-feira
Lectio
Primeira leitura: Filipenses 2, 5-11
Irmãos: 5Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus: 6Ele, que é de condição divina,não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; 7no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, 8rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. 9Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, 10para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; 11 e toda a língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor!", para glória de Deus Pai.
Escutamos, hoje, um dos mais belos e intensos textos de Novo Testamento. Trata-se de um hino cristológico de fundamental importância, provavelmente recolhido por Paulo de uma tradição anterior e que ele nos transmite. O Apóstolo introduz o texto com uma exortação: «Tende entre vós estes sentimentos, que estão em Cristo Jesus» (v. 5). Não estamos perante uma vaga recomendação, mas perante uma autorizada indicação a caminhar, vivendo como Jesus viveu. A exemplaridade de Jesus é fundamentada no «seu mistério» que, por sua vez, ilumina a vida dos cristãos.
O hino subdivide-se em duas partes: Os vv. 6-8 descrevem a katábasis, o esvaziamento de Jesus que, sendo Deus, se fez homem, «tomando a condição de servo» e humilhando-se «até à morte e morte de cruz». Os vv. 9-11 descrevem a anábasis, isto é, a exaltação de Jesus pelo Pai, ao ressuscitá-lo dos mortos e ao conceder-lhe «o nome que está acima de todo o nome», adorável no céu e na terra, e que deve ser proclamado a todo o mundo: «Jesus Cristo é o Senhor!» (v. 11). O mistério de Cristo é sintetizado de modo linear e completo: a fé do cristão encontra aqui o seu centro e a sua síntese, graças a Paulo que, não só se fez evangelizador dele, mas também – em primeiro lugar – foi discípulo e testemunha.
Evangelho: Lucas 14, 15-24
Naquele tempo, disse a Jesus um dos que estavam com ele à mesa: 15«Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!» 16Ele respondeu-lhe:«Certo homem ia dar um grande banquete e fez muitos convites. 17À hora do banquete, mandou o seu servo dizer aos convidados: ‘Vinde, já está tudo pronto.’ 18Mas todos, unanimemente, começaram a esquivar-se. O primeiro disse: ‘Comprei um terreno e preciso de ir vê-lo; peço-te que me dispenses.’ 19Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e tenho de ir experimentá-las; peço-te que me dispenses.’ 20E outro disse: ‘Casei-me e, por isso, não posso ir.’ 21O servo regressou e comunicou isto ao seu senhor. Então, o dono da casa, irritado, disse ao servo: ‘Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos.’ 22O servo voltou e disse-lhe: ‘Senhor, está feito o que determinaste, e ainda há lugar.’ 23E o senhor disse ao servo: ‘Sai pelos caminhos e azinhagas e obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia.’ 24Pois digo-vos que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete.»
Lucas passa espontaneamente de um banquete humano ao banquete escatológico. Por isso, liga a parábola ouvida ontem à de hoje, introduzindo a expressão: «Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!» (v. 15). Trata-se da participação na comunhão com Deus, quando da «ressurreição dos justos»: a dimensão escatológica da nossa fé e da nossa experiência é mais do que evidente.
A parábola refere vários convites e várias recusas daqueles que não compreenderam a novidade da presença de Jesus, nem sentiram necessidade da salvação. É interessante sublinhar como nesta parábola está delineada a história da salvação: a cada convite e a cada recusa pode-se quase pensar que correspondam outras tantas fases de uma história visitada por Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
O momento culminante da parábola parece ser a palavra do dono da casa: «Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos» (v. 21). Equivale a dizer que, no banquete messiânico, irão tomar parte os excluídos e serão excluídos os que a ele teriam direito. Confirma-se mais uma vez a lei da Nova Aliança, a bondade de Deus, o objectivo central da mensagem e da presença de Jesus no meio de nós.
Meditatio
O texto evangélico apresenta-nos, hoje, uma das chamadas “parábolas do convite divino”. Esta parábola, assim entendida, ajuda-nos a compreender toda a liturgia deste dia. Notamos, por um lado, a figura daquele que convida: o Pai que, em todo o tempo e lugar, por meio do Filho, manifesta a sua vontade de salvação universal. Aparece-nos também a figura daquele que, em nome de Deus-Pai, se fez por nós “evangelho”, no sentido em que não se contentou em falar em nome de Deus, mas se fez Palavra incarnada, viva no meio de nós. E, ao lado do Pai e do Filho, aparecem-nos os convidados, que somos nós e todos aqueles que, nos vários tempos e lugares, entram em contacto com a Boa Nova. E é aqui que nos damos conta da dramaticidade da narrativa, que já não é uma simples parábola, mas uma história viva, coerente e sempre actual. Nessa história, cada um de nós é chamado a “jogar” a si mesmo em total liberdade de decisão, mas também na responsabilidade das suas opções. É óptimo que a parábola torne claro para nós aquilo que é do agrado de Deus, aquilo que Jesus veio fazer ao mundo, o objecto da pregação apostólica: Deus ama, tem predilecção e tem como filhos muito amados aqueles que a sociedade marginaliza e considera insignificantes e inúteis. O convite que, portanto, nos é dirigido é que sejamos pobres em sentido evangélico, isto é, tenhamos consciência do nosso pecado, nos enchamos de dor e desejemos encontrar o Médico divino. Esse Médico é Jesus, que se humilhou a si mesmo para assumir a nossa pobreza, o nosso pecado, e morrer para nossa redenção. Nós somos chamados a esvaziar-nos do nosso pecado para nos enchermos da sua riqueza e participarmos da sua glória.
Na parábola (cf. Lc 14, 17-24), os convidados recusam-se a participar porque estão impedidos pelos bens terrenos: os campos, as cinco juntas de bois, a mulher… A profissão dos Conselhos Evangélicos, liberta-nos dos impedimentos que nos afastam do acolhimento do convite do Senhor para o banquete da salvação. Fazem-nos livres para acolher o dom de Deus. O esforço para alcançar essa liberdade em Jesus Cristo é, para o mundo, um testemunho e, para nós, uma tarefa
permanente (Cst n. 40) que realizamos pela profissão dos conselhos evangélicos, com os votos de celibato consagrado, de pobreza e de obediência (cf. LG 44; PC 1), que nos libertam para o amor autêntico, segundo o espírito das Bem-aventuranças (cf. LG 31) (Cst. 40).
Lembra a Lumen Gentium: «os religiosos, pelo seu estado, dão alto e exímio testemunho de que o mundo não pode transfigurar-se e oferecer-se a Deus sem o espírito das bem-aventuranças (LG 31b)». Mas todos os cristãos são chamados a praticar as bem-aventuranças em virtude da sua "profissão" baptismal: «Os cristãos, que tomam parte activa no desenvolvimento… mantenham, no meio das actividades terrestres, a justa hierarquia dos valores, fidelidade a Cristo e ao Seu Evangelho, de tal modo que toda a sua vida, individual e social, fique embebida do espírito das bem-aventuranças, particularmente do espírito de pobreza» (GS n. 72). O espírito de pobreza torna-nos disponíveis para acolher o dom de Deus. Nós, dehonianos, pela profissão religiosa e pela prática dos conselhos evangélicos, devemos ser as testemunhas por excelência, no meio do povo de Deus, desta exigência das bem-aventuranças na prática de uma autêntica vida cristã.
Oratio
Senhor, liberta-me dos obstáculos que me impedem de acolher cordialmente os teus dons e, sobretudo, o dom que és Tu mesmo. Liberta-me do meu passado, glorioso ou carregado de injustiças e de ressentimentos; liberta-me do meu presente mesquinho ou cativante. Liberta-me para Te aceitar na minha vida e Te seguir pelos caminhos do Evangelho, anunciando e levando a todos a verdadeira liberdade.
Que, no meio da multidão super ocupada na busca dos próprios interesses, ou no gozo dos prazeres mais ou menos legítimos, eu esteja atento e corresponda aos teus convites, sem recorrer a desculpas esfarrapadas.
Ajuda-me a seguir-te com honestidade e constância, realizando fielmente a minha missão, pequena ou grande, muitas vezes exigente e nem sempre popular. Só Tu és o meu caminho, que quero percorrer com alegria todos os dias da minha vida. Amen.
Contemplatio
Entre estes ultrajes, alguns devem ser assinalados; e em primeiro lugar a negligência com a qual vários sacerdotes celebram o santo Sacrifício da Missa e várias pessoas dedicadas, na aparência, à piedade recebem a santa Comunhão. Nesta categoria entram todos aqueles que, não honrados com o sacerdócio, mas pertencendo a uma sociedade religiosa, ou chamados à piedade, recebem a santa Comunhão com indiferença ou dela se afastam pela dureza do coração e pelo esquecimento. Nosso Senhor mesmo assinala no Evangelho como esta conduta lhe é sensível. – Um rei, diz, tinha mandado preparar um festim de núpcias, e quando chegou a hora, enviou os seus servos a chamar os convidados, mas todos recusavam sob um pretexto ou outro. Um quer ir ver uma casa que comprou, é a vã curiosidade; o outro comprou cinco juntas de bois que vai experimentar, é o apego aos bens deste mundo; o outro casou-se, é o amor dos prazeres. – Assim acontece com a Eucaristia. Aquele que está dominado pela curiosidade, pela avareza ou pela volúpia, mesmo quando não caísse em pecado mortal, ou se abstém realmente da santa Eucaristia, ou dela se afasta pelo coração; recebe-a por rotina, por hábito, sem preparação, sem desejo, sem esforço por se corrigir, sem acção de graças, sem o seu coração, numa palavra.
É assim que tratamos o amor no seu sacramento mesmo? E, todavia, se consultássemos o seu interesse espiritual bem entendido, que frutos retiraríamos de uma só Missa bem celebrada, de uma Comunhão bem feita?
Catarina Emmerich pinta-nos muito vivamente estas distracções perfeitamente voluntárias, e que vêm não da imaginação, mas do coração. – Viu, diz ela, um padre indo ao altar para celebrar; colocou sobre ele o cálice, depois revestido com os seus ornamentos sacerdotais, foi para uma casa do campo que possuía, a fim de vigiar os animais, ou a outros lugares análogos, sem pensar mais no santo Sacrifício.
É absolutamente a parábola dos convidados aplicada àqueles que assumem a aparência de celebrarem os santos mistérios, mas cujo coração está bem longe de lá, todo ocupado no objecto da sua paixão. Que dor para o Coração sacerdotal de Jesus! Onde está o meu sacerdote, diz? Onde está o meu amigo? Tenho o meu Coração e as minhas mãos cheios de graças para lhos dar. – Não está lá, Senhor, está onde ama, como diz Sto. Agostinho, e não vos ama muito. – O Coração Eucarístico de Jesus já não pode sofrer, mas que sofrimento experimentou desta ingratidão, durante a sua vida mortal, Ele tão terno, tão bom e tão delicado! (Leão Dehon, OSP 2, p. 481s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Jesus Cristo é o Senhor!»
| Fernando Fonseca, scj |

QUANDO DERES UMA FESTA CHAME OS POBRES-Adélio


REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 05/11/2018
- Lucas 14,12-14

 "QUANDO DERES UMA FESTA CHAME  OS POBRES, ALEJADOS, COXOS ...".

Tudo que se faz com amor é aceito por  Deus. Até um copo de água oferecido a quem nos pede não fica sem recompensa. 
    No Evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, vemos que Jesus  nos ensina a cumprir as obras de caridade, sem pensar numa retribuição imediata. 
    
No  contexto dito nessa parábola, Jesus evoca uma tendência de todos os tempos e culturas a convidar aqueles que podem corresponder com outros banquetes ou favores. Tudo se transforma num intercâmbio de favores. A proposta de Jesus é claramente subversiva: "Quando deres uma festa, não convida amigos, irmãos, parentes, vizinhos, ricos, mas os pobres, arejados, mancos, cegos"- essa deve ser a nossa atitude. É preciso convidar aqueles que foram proibidos de entrar no templo. 

  Essas palavras de Jesus nos mostram que coisas devem fazer parte de nossa vida. Jesus deseja contar-nos  que não podemos compreender essa dimensão de nossa vida e que também não sabemos como aceitá-las, sem uma visão de Deus justo e amoroso e sem a visão de nossa própria ressurreição e de um destino humano, que só encontra explicação cabal na eternidade de Deus. O amor ao próximo, identificando por Jesus Cristo com o amor a Deus, resume toda a Lei e os Profetas. O encontro com o outro é um verdadeiro encontro com o próprio Deus. 

  Meus irmãos e irmãs: como precisamos entender esta linguagem de Jesus! Sejamos sinceros: quem de nós já convidou para jantar um pobre da rua ou alguém que a sociedade receita? 

PERMANECEMOS NA SANTA PAZ DE DEUS 
- Adélio Francisco 

Venha fazer parte do meu grupo de reflexão do Facebook 


sábado, 3 de novembro de 2018

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS-Adélio Francisco


REFLEXÃO DO EVANGELHO DIA    -04/11/2018 
-Mt5,1-12a

DOMINGO- SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

Somos criaturas de Deus que retornam ao Criador. A certa altura, Jesus Cristo nos elevou à categoria de filhos de Deus. E é com olhos de filhos que contemplamos hoje a cidade santa do céu, habitada por milhões e milhões de homens e mulheres, de todas as raças, línguas e tempos, que glorificam a Santíssima Trindade e gozam da mais perfeita e íntima comunhão de amor e vida divina com o Senhor. É uma festa de louvor e de esperança. De louvor a Deus que, aceitando-nos como filhos e  filhas, nos tornou herdeiros do céu, da bem-aventurança eterna. De esperança,  porque, apesar das tentações, dificuldades e pecados da vida terrena, temos um destino eterno. 
     Celebramos os nossos santos, mas celebramos também seu caminho à santidade, que é o mesmo caminho que percorremos nós. Estamos  na mesma estrada e isso nos enche de confiança,  alegria e coragem. 
    O Evangelho da liturgia  deste domingo  nos propõe as bem-aventuranças proferida por Jesus ao abrir o Sermão da Montanha. Elas são, por um lado, o retrato de Jesus. Por outro, um ideal a nosso alcance. Um ideal que não se mede por critérios humanos, mas pelos novos critérios divinos com os quais se avaliam as coisas e os fatos do Reino de Deus. Por isso mesmo, por mais concretas e atuais que sejam as bem-aventuranças, só serão alcançáveis pelos que crêem na pessoa e na mensagem de Jesus. Os santos creram e foram capazes de medir sua vida por elas, ora se penitenciando para  alcançar outra.
   A felicidade proposta por Jesus é diferente da felicidade imaginada por muitos, que pensam ser felizes quando    têm muito, ou quando se livraram de contrariedades ou quando têm multidões a seus pés para servi-los. A felicidade que Jesus prega envolve o passado, porque se enraíza na doutrina  que ele deixou; o presente, porque é dinâmica e exigente; é o futuro, porque é base do Reino dos Céus, que começa  aqui e plenifica-se na eternidade. 
    As criaturas foram  criadas para a felicidade, não para a desgraça. Isso equivale a dizer que fomos criados para Deus e não para o inferno. O desejo de felicidade dá-nos de entender que, iniciou  antes do nascimento das criaturas humanas e sempre  continua. As bem-aventuranças proclamam a felicidade perfeita que, com toda a certeza, não se radica em bens materiais e glórias esfumadas. Felicidade que abarca em primeiro lugar a vida presente. A plenitude da felicidade depende da vivência feliz nesse mundo, porque o Reino dos Céus, começa e se constrói na vida presente. Jesus de Nazaré é o modelo de quem viveu na terra  a plenitude das Bem-aventuranças. Por isso é ele também o modelo da felicidade eterna. 
   O discurso das Bem-aventuranças apresenta as contradições da vida. De fato, encontramos e vivemos situações absurdas, mas reais: sucessos e fracassos, fartura e fome, tristeza a alegria.  
    As palavras de Jesus no Evangelho que nos é apresentado,  concentram-se em torno do "porquê" da vida. Para que vivemos? Qual é o fim do homem? Quais são as coisas essenciais de nossa vida? 
Todos nós necessitamos de uma meta na vida, de um valor supremo que possa dirigir a nossa visão e a nossa ação no mundo. Enfim, o homem não é Deus, e só se sente bem quando for ao seu encontro, buscando nele proteção confiança e solução para os seus inúmeros problemas.
   Para Jesus o acúmulo de riquezas não é o que importa, isso pode até contrariar o destino humano. E as riquezas não consistem apenas em dinheiro, mas também no poder, prestígio, fama, competições humanas, etc.
    Ao contrário, Jesus nos exorta a reunir "tesouros nos céus", tesouros que se identifiquem com os valores evangélicos, os quais ele proclama no sermão da montanha.
  "Bem-aventurados sereis quando os homens vos rejeitarem, insultarem vosso Nome como infame, por causa do Filho do Homem." Há nesse relato uma oposição entre pobres e ricos. De um lado temos os pobres, não só no sentido financeiro, mas os que estão abertos para a graça que vem de Deus e são capazes de partilhar o que possuem.
   Nem toda a pobreza é relativa. Existe pobreza absoluta: não ter o que comer, o que vestir, onde morar, não ter os meios mais elementares de subsistência, não podendo participar dos bens da cultura, da vida social e política.
   Do outro lado, há uma crítica muito forte aos ricos, porque muitas vezes se fecham no seu eu, no seu mundinho, o seu deus é o ter, o dinheiro, o poder e, às vezes, oprimem os outros.
   Na medida em que o Reino De Deus é graça, corresponde melhor à pobreza do homem do que à sua riqueza.
  Meus irmãos e irmãs. Jesus nos ensina a sermos cada vez mais simples, humildes, sinceros. Esta linguagem nos torna aptos a divulgar no dia a dia o comportamento de Jesus, no esforço de uma imitação concreta que reveste nossos anseios para a santidade. 

PERMANECEMOS NA SANTA PAZ DE DEUS
-Adélio Francisco.

Venha fazer parte do meu grupo de reflexão do Facebook 


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

“QUEM SE ELEVA SERÁ HUMILHADO, QUEM SE HUMILHA, SERÁ ELEVADO.” – Olivia Coutinho


Dia 03 de Novembro de 2018

Evangelho de Lc14,1.7-11

O evangelho que a liturgia de hoje coloca diante de nós, nos convida a pautar a nossa vida no exemplo de Jesus, que mesmo sendo Deus, não quis ocupar o primeiro lugar aqui na terra, cedendo-o para os pequenos. “Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo” (Fl 2, 6-7).
O texto começa dizendo, que Jesus, num dia de sábado, foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. Percebendo que os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus conta uma parábola, no sentido de chamar a atenção não somente daqueles que o cercava, como também a nossa, sobre a importância da humildade, não, da humildade de fachada, mas daquela   humildade que vem do coração. Com a parábola, Jesus tenta mudar a mentalidade de muitas pessoas, que ainda hoje, gostam de ser incensados pelo o povo, de serem notadas, admiradas, bajuladas... 
Quando nos colocamos diante Deus, vazios do nosso “eu,” Deus toma o nosso “nada” e o eleva, preenchendo o nosso coração da sua divindade! Divinizados, tornamos mais humanos e quanto mais humanos, mais próximos de Deus ficamos!
São muitos, os que escondem atrás do manto da bondade, se mostrando pessoas honradas, quando na verdade não o são. Estes, querem  ocupar os primeiros lugares, lugares denominados pelo mundo, como lugar de honra.
Para o mundo, ser humilde é ser bobo, para Deus é ser grande! “O primeiro no reino dos Céus é aquele que serve.” Estas palavras de Jesus, nos leva a um questionamento: o que é mais importante: sermos aplaudidos pelo o mundo, ou abraçados por Deus na eternidade?
Com o seu testemunho, Jesus nos ensina, que o caminho que nos leva a salvação, perpassa pela virtude da humildade. Jesus sempre foi humilde, ora se misturando com os pobres, os marginalizados, ora sentando à mesa da refeição com os seus adversários.
A nossa vida cristã, deve ser marcada sim, mas não por títulos, e sim, pela a vida de comunhão, e acima de tudo, de humildade! A humildade é a característica marcante de um verdadeiro seguidor de Jesus, é a virtude que mais nos aproxima da perfeição, que nos torna parecidos com Jesus! A pessoa, não é humilde de nascença, ela vai se tornando humilde à medida que ela vai reconhecendo suas imperfeições, a sua pequenez diante do Senhor.
No conceito dos homens, ser grande, é possuir bens, é ter poder, fama, enquanto que para Deus, grande, é  àquele que serve. 

FIQUE NA PAZ DE JESUS: Olivia Coutinho    

(Vídeo)DAR DE COMER A QUEM TEM FOME-Vera Lúcia

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

“ALEGRAI-VOS E EXULTAI, PORQUE SERÁ GRANDE A VOSSA RECOMPENSA NOS CÉUS.”- Olivia Coutinho


DOMINGO- SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS. 

Dia 04 de Novembro de 2018

Evangelho de Mt5,1-12ª

Neste Domingo, Solenidade de todos os santos, a Igreja nos convida a voltarmos o nosso olhar para o céu para contemplar uma multidão de santos e de santas, que deixaram marcas profundas do seu amor a Deus aqui na terra, e que agora, participam da glória do céu, permanecendo vivas dentro de nós, através do seu testemunho de vida!
Os Santos se santificaram aqui na terra, no cotidiano de suas vidas,  o que vem dizer, que todos nós, também podemos ser santos!
Jesus nos convida a fazermos  diferença no mundo, a darmos um sentido novo a nossa existência, uma única e fundamental direção, que é a santidade como meta para chegarmos ao Pai!
Optamos pelo o caminho da santidade, quando deixamos de projetar a nossa vida em nós mesmos, para nos envolver no projeto de Deus, que tem como referência, unicamente Jesus!
Fomos criados por Deus, e orientados por Jesus, a direcionar a nossa existência como uma flecha que busca o seu alvo, e o alvo de quem busca a santidade é o próprio Deus.
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos apresenta as Bem-Aventuranças!
As Bem-Aventuranças, não são mandamentos, afinal, Deus não exige sofrimento para cobrir seus  filhos de felicidade, podemos dizer, que as Bem-Aventuranças é  uma consolação de Deus, aos  desfavorecidos pelo o mundo, os que são perseguidos por amar e obedece-Lo! Jesus deixa claro, que só é feliz verdadeiramente, quem vive dentro do plano de Deus, quem vive de acordo com a vontade de Deus, não hesita em caminhar na contramão do mundo, pois ele está convicto, de que nada neste mundo, é mais importante do que a sua fidelidade a Deus.
Jesus Proclama: “Bem-aventurados (Felizes) os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça os misericordiosos, os puros de coração, os perseguidos e injuriados por causa do reino”! Estes, que são citados por Jesus, são felizes, porque se colocam inteiramente na dependência de Deus, confiantes de que Deus cuida deles!
Ser perseguido, odiado, injuriado por causa de Jesus, são situações que não agradam a Deus, mas quem suporta tudo isso, em nome da sua fidelidade a Ele, é feliz, porque tem em Deus, a sua consolação, o seu abraço de Pai, um abraço que não tem preço, que vale mais do que todas as benesses do mundo.
Quem sofre as consequências do seguimento a Jesus, e se mantem fiel a Ele, começa a receber a sua recompensa, já aqui na terra, pois Deus transforma todo o mal que lhe é causado, em benefícios para ele.
Quando esvaziamos de nós mesmos, fazendo da nossa vida, uma oferta de amor, Deus eleva o nosso nada, transforma o que nos é desfavorável, em bem para nós, as perseguições, as injustiças, ao invés de nos jogar no chão, nos eleva!
Alegremo-nos por confiar na realização das promessas de Deus, é o próprio Jesus quem nos garante: “Alegrai-vos e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu”. 
É desejo de Deus, que todos nós sejamos felizes, e ser feliz, é também, tudo o que mais desejamos, pena, que muitos de nós buscamos a felicidade, fora dos planos de Deus, onde  jamais iremos encontrá-la.
O conceito de felicidade, para o mundo, é completamente diferente da felicidade que Deus planejou para nós, para o mundo, felicidade, se baseia no ter, no poder, enquanto que para Deus,  felicidade está no ser e em ser, está  no ser que se  faz templo vivo onde habita Deus! Todo aquele, que se deixa preencher da graça de Deus, é feliz em toda e qualquer situação!
Precisamos nos conscientizar, de que a felicidade, não é algo comprável, não está nas coisas matérias, e nem significa ausência de dificuldades. Quando tomarmos consciência, de que a vida não nos pertence, de que não somos donos de nada, estaremos prontos para assumir o grande desafio: ser feliz até mesmo em meio às adversidades.
Assim como foram os Santos, sejamos também, fieis ao Evangelho, não hesitemos em nos entregar à Deus, não tenhamos medo de dar testemunho de Jesus, ainda que para isso, tenhamos que navegar contra a maré. 
Buscar a santidade, é o grande desafio de buscar a perfeição em meio às imperfeições do mundo, sem esquecer: o mais Santo de todos os Santos da terra, será sempre, um pecador perdoado.
Ninguém busca o sofrimento, mas ele é inevitável em nossas vidas, faz parte da natureza humana, saber aproveitá-lo como trampolim para a nossa ascensão, é trilhar os passos de Jesus, é estar no caminho da Santidade.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia 
Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook:

SEDE SANTOS, COMO MEU PAI DO CÉU É SANTO - Maria de Lourdes Cury Macedo



Domingo, 4 de novembro de 2018.
Evangelho de Mt 5, 1-12.

Nesse dia em que a Igreja celebra a solenidade de todos os Santos, deve crescer em nossos corações o desejo de alcançarmos tão grande graça, a Santidade. Deus é misericordioso, conhece a nossa fraqueza, mas está sempre pronto a nos perdoar, a fechar os seus olhos para as nossas fragilidades, nos conceder o perdão e nos ajudar a caminhar para a santidade.
Todos nós pelo Batismo fomos chamados a ser santos, portanto a Igreja ao celebrar “Todos os Santos e Santas”, nos leva a refletir como estamos vivendo essa vocação a que fomos chamados. Neste ano dedicado ao leigo, laicato, tem um significado muito importante celebrar a solenidade de Todos os Santos e Santas, porque o caminho da santidade está enraizado na graça do nosso Batismo, por ele somos introduzidos no mistério pascal de Cristo.  Pelo Batismo somos marcados com o sinal de Deus, somos de Deus, pertencemos a Ele. O Batismo nos consagra à missão de sermos santos como nosso Pai celeste é Santo.
O Evangelho de hoje fala das bem-aventuranças que é o caminho para a santidade e felicidade e como devemos fazer para atingi-las. Esse caminho que Jesus nos mostra é de acordo com o Reino de Deus, que é bem diferente das propostas do mundo.
 As bem-aventuranças faz parte do grande sermão da montanha. Certo dia, vendo a multidão, Jesus sobe a montanha, que simbolicamente é o lugar de Deus. O monte é o lugar da revelação e é o local onde Jesus ensina com autoridade. Ele recorda o Monte Sinai, onde Deus deu a Moisés os 10 mandamentos e onde foi selada a Aliança com o povo  hebreu que saiu da escravidão egípcia. Subindo ao monte, Jesus nos parece um novo Moisés, promulgador da nova lei, no novo Sinai. É a nova constituição do povo de Deus.  Jesus deixa bem claro que não veio modificar a lei, mas sim aperfeiçoá-la.
O Sermão da Montanha é um sermão revolucionário. É uma inversão dos valores tradicionais. Os hebreus cultivavam a convicção de que prosperidade material, o sucesso eram sinais de bênçãos de Deus; a pobreza, a doença, a esterilidade eram sinais de maldição.
Jesus constata a realidade do povo que o segue: pobres, aflitos, mansos, famintos, necessitados inclusive de santidade, Ele percebe os esforços que fazem para mudar a situação, conhece as dificuldades e as perseguições que enfrentam para criar a nova sociedade, e os proclama felizes, depositários do Projeto de Deus. É preciso um mundo melhor, e esse mundo só será melhor se as pessoas forem melhores.
A sociedade em que vivemos é baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. A presença de tantos pobres, aflitos e perseguidos nos mostra que a sociedade ainda não incorporou os valores do Reino de Deus. Nessa sociedade as palavras: honestidade, moral, verdade, respeito, justiça e amor, perderam o seu sentido original. O Ter tem mais valor, que o Ser. Tudo isso nos traz angústia, porque estamos lutando na contra mão. À vista disso, somos tentados a desanimar e, às vezes, até deixar tudo. Mas, vale a pena continuar. A sociedade é um grande desafio para nós, cristãos amantes da justiça e do amor. Devemos ler, reler e meditar as Bem-aventuranças para não deixar morrer em nós o desejo de sermos santos, de evangelizar e transformar a sociedade...
As Bem-aventuranças são propostas de santidade e é o melhor caminho. Jesus chama de bem-aventurados os pobres e humildes. Agora os bem-aventurados não são mais os ricos deste mundo, os saciados, os favorecidos, mas os que têm fome e choram, os pobres e perseguidos. As bem-aventuranças são caminhos que todos os santos e santas trilharam, os que conhecemos seus nomes e daqueles os quais não conhecemos, pois todos que estão no céu junto de Deus são santos. Santos não são só aqueles que foram canonizados pelo Papa, mas todos que morreram na graça de Deus. Dentre eles, podem estar nossos avós, pais, filhos, netos, parentes, conhecidos, amigos..., que amaram Cristo e viveram uma vida de muito amor, como nos ensina Jesus. Os santos são na realidade, irmãos nossos na fé, são exemplos de vida cristã e são nossos intercessores junto de Jesus a quem glorificam. É isso que a Igreja Católica nos ensina. Ela afirma que o único mediador entre os homens e Deus é Jesus.
Ser santo é deixar o Espírito Santo agir em nós, conduzir a nossa vida. Muitos se tornaram santos porque se abriram à ação do Espírito Santo e viveram para agradar a Deus e ao próximo. Experimentaram Jesus vivo em suas vidas, deixaram Jesus tocar nos seus corações e viveram intensamente o amor por Ele, praticaram a Palavra de Jesus. E para viver assim é preciso construir, lutar contra nossos próprios defeitos e comodismo. É preciso muita renúncia, amor, disponibilidade em servir de acordo com os dons que Deus nos dá. 
Ninguém é santo de braços cruzados, ou já nasce santo, a santidade é conquistada, é construída com a ajuda do Espírito Santo, na medida que nos abrimos a Ele e permitimos que Ele aja na nossa vida. E quando Deus vai à nossa frente caminhando conosco crescemos no amor, na perfeição, na santidade. Na medida que guardamos o Evangelho no coração e vivemos o Amor a todos sem distinção, sem interesse..., sem esperar nada em troca. Construir a nossa santidade é algo humano e divino. É divino porque Deus nos ajuda, nos guia, nos indica o caminho a seguir. Com a ajuda de Deus ficamos encharcados do seu amor e transformamos a nossa vida e das pessoas que estão ao nosso redor.
Quando nos enchemos de Deus vamos modificando nosso modo de pensar, de falar, de agir, de tratar os outros e, até mesmo de relacionarmos com a gente mesma. Passamos a ser outro Cristo para os nossos irmãos. Passamos a lutar contra nossos defeitos, imperfeições, contra nossos erros, pecados... Não mais queremos pecar. Queremos viver a vida da graça cada vez mais. Enfim, ser santo é lutar para ser melhor, para amar mais e sempre, é lutar para ser fiel ao Evangelho que é a Palavra de Jesus.
O papa Francisco fala da santidade na exortação apostólica: “Alegrai-vos e Exultai”. Ele diz que santidade é isto: “ser pobre no coração”; “reagir com humildade, mansidão”; “saber chorar com os outros”; “buscar a justiça com fome e sede”; “olhar e agir com misericórdia”; “manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor”; “semear a paz ao nosso redor”; “abraçar diariamente o caminho do evangelho, mesmo que nos acarrete problemas”.
Santidade consiste em fazermos, com a maior perfeição possível, as coisas comuns, todos os dias.  Tudo o que fazemos ou o que somos temos que fazer com amor, buscando o melhor, a perfeição. No trabalho, em casa, na educação dos filhos, como esposa (o), como filho (a), como pai ou como mãe, como genro, nora, como amiga (o), como patrão (ao), na comunidade, enfim na nossa vida comum do dia-a-dia fazer tudo com o AMOR que Cristo nos ensinou.
Pequenos gestos com amor são de grande valor. “Nada é pequeno onde o amor é grande”, dizia Santa Terezinha que é exemplo de amor, oração e humildade. Santa Terezinha passou a vida amando o próximo e rezando, oferecendo sacrifícios pela conversão dos pecadores.
Meus irmãos e irmãs, peçamos a intercessão de todas as pessoas que durante a sua vida viveram na graça, no amor, na solidariedade e na paz do Senhor e hoje estão no céu glorificando a Deus.
A proposta de Jesus é a santidade. Não é fácil, mas é possível com a graça de Deus, ela exige uma luta diária e uma perseverança na fé em Cristo. Resta nos esforçarmos para sermos santos, como nos pede Jesus: “Sede santos, como meu Pai do Céu é santo!”

Todos os santos e santas, intercedei por nós.

Abraços em Cristo!
Maria de Lourdes