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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Chamou os que ele quis- Reflexão do falecido Padre Queiroz

20 de Janeiro- Sexta - Evangelho - Mc 3,13-19

Chamou os que ele quis, para que ficassem com ele e para enviá-los.

Este Evangelho narra o chamado dos doze Apóstolos, palavra de origem grega que significa “enviados”. O número doze evoca as doze tribos de Israel.
O texto começa dizendo que Jesus “subiu ao monte”. É uma expressão com reminiscências bíblicas muito marcantes. Os montes da Bíblia, mais que acidente topográfico, são lugares de teofania, isto é, de presença, revelação e ação de Deus. Por exemplo, o monte Sinai, o monte Horeb, o monte das bem-aventuranças, o da transfiguração... Este citado no Evangelho de hoje se tornou o monte da investidura apostólica.
A intenção de Jesus não foi criar um grupo separado do povo, mas guias para a Igreja, o novo Povo de Deus, que ele começava a fundar.
“Chamou os que ele quis.” A vocação é de iniciativa divina. Por que Deus chama a este e não aquele ou aquela, é mistério que não entendemos. O certo é que, para uma missão ou outra, todos somos chamados. E a gente só é feliz, vivendo na vocação que Deus nos deu.
“Chamou-os para que ficassem com ele e para enviá-los.” Primeiro, nós ficamos junto de Jesus, a fim de aprender dele a Boa Nova do Reino de Deus. Aprender e viver. Depois é que somos enviados. Foi o que aconteceu com esses Apóstolos. Só mais tarde é que foram enviados a pregar. E mesmo depois de enviados, Jesus sempre os chamava para um descanso, confraternização e oração juntos. Se não fazemos isso, nós nos esvaziamos; ninguém dá o que não tem. “Como é bom, como é agradável os irmãos viverem juntos!” (Sl 133,1).
“Deu-lhes autoridade para expulsar demônios.” Ao enviá-los, Jesus os capacitou para a missão, dando-lhes todos os recursos e condições necessárias para cumprirem bem a tarefa.
Na lista dos Apóstolos, aparece em primeiro lugar Pedro, que é o chefe, o centro de unidade do grupo e de toda a Igreja. Judas Iscariotes aparece em último lugar porque foi o traidor. É importante pensar bem, antes de assumir uma vocação, porque precisamos perseverar até a morte, como fizeram os onze Apóstolos.
No grupo dos Apóstolos havia grande diversidade de caracteres, de temperamentos, de culturas, de mentalidades, de origem... São as diferenças que fazem a riqueza de um grupo. A convivência se torna, às vezes, difícil, mas é preferível.
Consta-nos que quatro deles eram pescadores: Pedro e André, Tiago e João. Mateus era funcionário público. Simão, o zelota, foi membro da resistência aos romanos. Filipe era um judeu aberto. Tiago era, ao contrário, muito conservador. E os outros eram gente simples e desconhecida do povo. Nenhum foi influente na sociedade nem intelectual. Como se vê, para realizar a sua obra, Jesus preferiu gente que não tinha peso social, para que se manifestasse melhor a ação e a força salvadora de Deus.
O Pe. Pedro Donders viveu no Séc. XIX no Suriname. Ele era diretor espiritual de um leprosário chamado Batávia, uma vila que abrigava quatrocentos doentes. Donders conhecia a todos e era amigo deles.
Um dia, o governo mandou que fossem retiradas da vila todas as crianças, para que não fossem contaminadas.
Os pais protestaram. Em toda parte, só se ouvia gritos e choro, e impediam a saída dos seus filhos. Nem a polícia deu conta de retirá-los.
Pediram a ajuda do Padre Donders. Ele reuniu os pais rebeldes e mostrou-lhes que se tratava da saúde dos seus filhos. Depois, com bondade e acolhimento, procurou ouvir cada um, resolvendo as dúvidas e esclarecendo. Resultado: o povo caiu em si, acalmou-se e permitiu a saída das crianças.
Sobrou apenas um senhor que havia fugido para o mato, prometendo se matar, se levassem o seu filho. Donders foi atrás dele e o convenceu. O homem voltou e entregou-lhe seu filho.
Donders é redentorista e foi beatificado. É o bem-aventurado Pedro Donders.
Quando Deus chama uma pessoa para determinada missão, capacita-a e dá-lhe todas as condições para exercer bem a sua vocação.
Quando Jesus subiu para o céu, os Apóstolos se sentiram muito confusos e até meio perdidos. Maria Santíssima foi ficar com eles, aguardando a vinda do Espírito Santo (Cf At 1,14). Que Maria nos ajude também a vivermos a nossa vocação, especialmente nas horas difíceis.
Chamou os que ele quis, para que ficassem com ele e para enviá-los.



A palavra viva-Alexandre Soledade

19 de Janeiro- Quinta - Evangelho - Mc 3,7-12


Alexandre Soledade


Bom dia!
Nessa semana, quem teve a oportunidade de acompanhar os evangelhos viu o empenho do Senhor em realizar o projeto do Pai (curas, milagres, a boa nova aos pobres) e o também “empenho” dos fariseus e diversos homens da lei em encontrar meios de por Jesus em ciladas. Jesus se desvencilha delas uma a uma, no entanto como no tempo em que o Senhor viveu, somos também colocados a prova.
Então qual é a postura que deve ser adotada por aqueles que, como os apóstolos, seguem o Senhor e por seu projeto são perseguidos? O que por ventura nos torna especial para o Senhor ao ponto de presenciarmos seus milagres enquanto projeta e apresenta novos planos que nunca imaginávamos ter? O que ele espera de nós?
“(…) Então eu disse: Quem és, Senhor? O Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem persegues. Mas levanta-te e põe-te em pé, pois eu te apareci para te fazer ministro e testemunha das coisas que viste e de outras para as quais hei de manifestar-me a ti. Escolhi-te do meio do povo e dos pagãos, aos quais agora te envio para abrir-lhes os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em mim, recebam perdão dos pecados e herança entre os que foram santificados”. (Atos 26, 15-18)
São Paulo deixa bem claro esse sentimento que temos. Mudamos de lado, opinião, de jeito, forma de se vestir e falar; abandonamos velhos hábitos, às vezes rapidamente outras vezes ao longo do tempo; notam nossa mudança, reparam as diferenças e por fim passam ver Jesus no nosso olhar.
Essa mudança não pode nos sufocar, pois a missão deve ser prazerosa e bem planejada. Jesus quando pede para que se encontre um barco para não ser acotovelado pela multidão demonstra também preocupação consigo e o Seu projeto. Como poderia ajudar a outros tantos se fosse sufocado por poucos? “(…) Jesus pediu aos discípulos que arranjassem um barco para ele a fim de não ser esmagado pela multidão”.
Todos que estão imbuídos de algum trabalho em prol de outros, sejam eles catequistas, voluntários, ministros, sacerdotes, pais, mães, (…) devem ter uma coisa em mente: TODOS PRECISAM PLANEJAR SUAS VIDAS. É PRECISO ORGANIZAR SEU TEMPO PARA NÃO SEREM ESMAGADOS PELO EXCESSO DE OFICIO.
Conheço pessoas que estão engajados e três a quatro frentes de trabalho, que não é novidade alguma, mas que horas param para rezar? Semeiam a palavra, catequizam, dão formação, mas em que momento pára para tomar conta da semente que foi semeada em si mesmo? Quantas lideranças conhecemos que após uma dura batalha ou período de trabalho se afastam da igreja e por vezes não mais retornam?
A obra de Deus vai acontecer conforme a vontade Dele, pois é Sua vontade continuar. Uma igreja sem músicos, o povo cantará; um padre bom que vai embora, outro tão ungido virá e assumirá a comunidade. Somos aqueles que se preocupam em encontrar uma barca para o Senhor e não quem senta nela!
Nossa comunidade tinha cerca de onze pastorais e movimentos e hoje são apenas seis ou sete. Dentre tantos motivos do esfriamento esta na falta de novos que “arrumem os barcos”, alimentando em algumas pastorais e movimentos a herança perpétua de algumas pessoas que pelo tempo, já se sentem no direito de sentar no barco (risos)
Nosso empenho deve estar focado em manter a palavra viva na praia. Jesus não deve parar de falar por nossa falta de empenho. Se fizermos nossa parte conseguiremos entender Santa Catarina de Sena quando disse: “Se fores aquilo que Deus quer, colocareis fogo no mundo.“
E “por fogo” no mundo não quer dizer que sairemos com tochas na mão, mas com um fogo abrasador que arde no peito de cada cristão chamado Espírito Santo. Façamos o melhor para manter esse fogo ardendo no mundo. Sejamos verdadeiros cristãos.

Um Imenso abraço fraterno!

Todos somos filhos de Deus-Alexandre Soledade

18 de Janeiro- Quarta - Evangelho - Mc 3,1-6


Alexandre Soledade


Bom dia!
Será que devemos nos abater e deixar de ir em frente?
A incoerência… Esse era um dos grandes dilemas enfrentados na missão de Jesus – vencer a idéia que os fariseus tinham sobre a verdadeira vontade de Deus. Tinham, talvez por medo, a concepção de um Deus confinado num tabernáculo entre quatro paredes, mas Jesus deixava claro, desde aquela época, que O Espírito Santo anda por onde Ele quer.
“(…) A vivência legalista e proibitiva da religião é uma das maiores manifestações da dureza de coração que pode acontecer na vida das pessoas. Quando isso acontece, as pessoas não são capazes de descobrir os valores que devem marcar o nosso relacionamento entre nós mesmos e entre nós e o próprio Deus, e a religião acaba por se tornar um mero cumprimento de obrigações e de ritos, numa verdadeira bruxaria. Esta forma de religião acaba por ter como um dos seus principais fundamentos a relação de poder, o autoritarismo e a estratificação social a partir da fé das pessoas. É por isso que as autoridades do tempo de Jesus procuram descobrir a maneira como haveriam de matá-lo”. (Reflexão proposta pela CNBB)
Que chance teria esse homem do evangelho de hoje se não tivesse sido visto por Jesus? Será que teria acesso ao templo? Mas voltando a concepção que o Espírito anda por onde quer, quem por acaso encaminhou aquele homem até lá se não o próprio Espírito?
“(…) Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido”. (Lucas 15, 4-6)
É sempre um desafio tentar elucidar a vontade desse Espírito que nos move. Deus se revela nos empurrando, no entanto, de vontade própria, empacamos. Reflitamos que esse homem de hoje, não teme o chamado e lhe dá a mão.
O Espírito Santo não permite que aqueles a quem impulsiona desistam a não ser que queiramos assim. Nenhum de nós foi chamado a desistir de seus sonhos ou dos planos de Deus, tão pouco a sermos coadjuvantes nas nossas vidas. Deus nos chama a protagonizar cada dia com todo empenho que ele merece.
Preciso, a exemplo de tantos outros santos, compreender que nossa luta diária tem um propósito maior sobre tudo o que acontece. Mas quem age ainda assim? Quem sem medo ergue a mão ao que parece ilógico? Os filhos de Deus estendem a mão!
“(…) Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados. Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada”. (Romanos 8, 14-18)
É preciso continuar mesmo em meio às adversidades, pois aqueles que se destacam, aos olhos do Pai, são os mesmos que não se rendem facilmente. Se o que pretendemos construir é um mundo novo, uma cidade ou um bairro melhor, precisa começar com uma atitude corajosa que é acreditar.
Quanto às críticas e perseguições, não nos abalemos com elas O grande mérito dos céticos e críticos é falar, pois não possuem nada além disso. Infelizmente, boa parte deles nem outra opinião têm. “(…) O que é permitido fazer nesse dia: o bem ou o mal? Salvar alguém da morte ou deixar morrer? NINGUÉM RESPONDEU NADA. Então Jesus olhou zangado e triste para eles porque não queriam entender”.
Estenda sua mão aos projetos de Deus e continue!
Um Imenso abraço fraterno!


Faça o bem!-Alexandre Soledade

17 de Janeiro- Terça - Evangelho - Mc 2,23-28


Bom dia!
Uma das maiores dificuldades em se trazer alguém de volta esta no fato dela não perdoar o seu próprio erro por ter tomado uma decisão contraria ao que sugeriam e “quebrado a cara”. É tão duro levantar a cabeça novamente carregando sobre os ombros os sinais do erro.
Antes, porém torna-se importante explicar novamente um mecanismo de defesa chamado RACIONALIZAÇÃO que à grosso modo, é tentar dar argumentos “corretos” para justificar o incorreto. Um exemplo: ao sermos questionados sobre ter avançado o sinal vermelho respondemos que o fizemos porque todo mundo faz; que vendo CD e DVD pirata porque não consigo emprego… Podem parecer corretos, mas não justificam.
A racionalização só tem um problema: DEUS CONHECE A VERDADEIRA RAZÃO DOS NOSSOS ATOS. Aquele que por ventura errou por infantilidade ou por imaturidade é bem diferente de nós quando o fazemos de total e plena consciência e Deus sabe bem a diferença. Uma boa parcela daqueles que habitam os presídios esta lá por um ato infantil, um relapso, um descuido (…). Muita gente, mesmo não estando presa, sofre calados pelos erros que cometeram e já não conseguem mais levantar a cabeça!
“(…) caso nossa consciência nos censure, pois Deus é maior do que nossa consciência e conhece todas as coisas”. (I João 3, 20)
O erro não deve ser mais importante que o acerto que se consegue no final.
Lembro de um final de um capítulo da novela das oito, um rapaz dar um depoimento que muito me comoveu. Dizia ele que tinha de tudo, mas perdeu em virtude das drogas. Parecia impenetrável a qualquer conselho até que foi preso… Nenhuma recomendação dada por sua mãe o convenceu a mudar até que um dia ao ser visitado por ela no presídio. Lá, soube que ela precisou passar por uma revista íntima dos policiais para vê-lo. Tamanho constrangimento o fez prometer que nunca mais usaria drogas.
Pergunte a mãe desse rapaz se ela se importa com o tempo que foi perdido tendo hoje o filho de volta em seus braços?
Fariseus, descrentes, preconceituosos, críticos, céticos, invejosos, (…), sempre estarão preocupados com o milho colhido no sábado; fazem questão de não esquecer nossos erros; observam cuidadosamente o sucesso dos outros e esquecem de ver que viver a vida, é muito mais que isso.
Se um filho de Deus erra, peca, se perde ou se desvirtua a quem ele poderia mais magoar além dele mesmo e aos seus próximos? Por que um erro de outro chama tanta a nossa atenção ao ponto de vermos os nossos próprios?
“(…) Se alguém causou tristeza, não me contristou a mim, mas de certo modo – para não exagerar – a todos vós. Basta a esse homem o castigo que a maioria dentre vós lhe infligiu. Assim deveis agora perdoar-lhe e consolá-lo para que não sucumba por demasiada tristeza. Peço-vos que tenhais caridade para com ele, Quando vos escrevi, a minha intenção era submeter-vos à prova para ver se éreis totalmente obedientes”. (II Coríntios 2, 5-9)
Precisamos abrir mais nossos braços a quem deseja voltar. Não é por menos que o Senhor cita Davi no evangelho de hoje como exemplo, pois foi aquele que muito errou, no entanto foi também por Ele muito amado. Davi muito errou, mas seu saldo foi muito positivo.
Existem em nossas comunidades casais que já vivem outras uniões conjugais, que infelizmente não deram certo. A igreja abre as portas para todos, mas eles temem os nossos olhos; existem também pessoas que desconhecem as maravilhas da nossa igreja porque não encontraram ninguém que lhes apresentassem; existem jovens e adultos talentosos que poderiam fazer crescer nossas catequeses, pastorais e movimentos, mas não tem chances para isso.
Portanto, estenda a mão! Mude esse paradigma! Faça o bem!

Um Imenso abraço fraterno!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O CORDEIRO JESUS TIRA O PECADO DO MUNDO – Maria de Lourdes Cury Macedo.


Domingo, 15 de janeiro de 2017.
Evangelho de São João 1, 29-34.

João Batista, o precursor do Messias, dá testemunho de Jesus: reconhece-o como o Cordeiro de Deus; fala que é sobre Jesus, que o Espírito Santo desce e permanece; e afirma que Jesus é o verdadeiro Filho de Deus.
Jesus saiu da Galileia e foi ao Rio Jordão encontrar-se com João, a fim de ser batizado por ele. João ao vê-lo se aproximar, se surpreende e o aponta dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
João ao falar “Cordeiro de Deus” se referia à profecia de Isaías que dizia do Messias ser o “servo sofredor”, mas completa, aquele que tira “o pecado do mundo”. Tirar o pecado é levar embora, extinguir o mal. Jesus oferece o perdão dos pecados e tira o pecado do mundo. Esse “pecado do mundo” se refere a todos os pecados. Jesus deu sua vida como um cordeiro manso para reparar nossas faltas, pois “o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” (Mt 18,11),“lavou os nossos pecados no seu sangue” (Ap1,5). Tirar o pecado é levar embora a incredulidade dos homens em relação a Jesus. Jesus não só perdoa o pecado, mas tira o mal que nos domina como a injustiça, o desamor, a falta de fé, de compromisso.
Crer em Jesus implica em seguir seus passos, em trabalhar para que o mundo se liberte do pecado que desfigura a pessoa humana criada por Deus a sua imagem e semelhança. O pecado desumaniza o ser humano. O pecado faz a pessoa virar as costas para Deus, dizer não para Deus e para os irmãos. O pecado faz a pessoa fechar-se em si mesmo e recusar a comunhão com Deus e com o irmão.
João era pleno do Espírito Santo desde o ventre materno. João escuta a voz de Deus, ele tem experiência de comunhão com Deus. Ele afirma que não conhecia Jesus, mas professa sua fé nele, identifica-o quando Jesus vem para ser batizado, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, ele afirma “eu vi o Espírito Santo descer, como pomba, e permanecer sobre ele”, e “ele é o Filho de Deus”.
João Batista escuta a Palavra de Deus e ela é promessa que se realiza. Se ouvirmos a Palavra de Deus veremos sua promessa se realizar. No nosso batismo recebemos o dom da fé e ela nos convida a ouvir a Palavra e constatar as maravilhas que Deus opera na vida de cada um de nós e na comunidade. Vivemos a fé, vivemos o nosso batismo quando estamos a serviço do Reino de Deus, quando usamos o avental do serviço aos irmãos, levando-os ao conhecimento da beleza, bondade, misericórdia de Deus. Não basta dizer que tem fé, ela tem que ser viva, forte, atuante e cheia de obras de amor, de justiça, de misericórdia, de generosidade. Assim podemos nos considerar precursores de Jesus como foi João Batista.
A fé de João faz com que ele se coloque no seu lugar, “eu não sou o Messias”, eu batizo com água, porém aquele que é maior do que eu batizará com água e no Espírito Santo.  O batismo de João era um mergulho purificador nas águas do Jordão, uma proposta de mudança de vida para melhor, uma mudança cheia de esperança. O batismo de Jesus é um mergulho no Espírito Santo, é um encharcar-se no Espírito Santo vivificador, que nos leva a amar a Deus e aos irmãos. Que nos leva a seguir a Palavra de Deus e anunciar Jesus a todos. Que nos leva a batalhar pela situação de vida e combater a situação de morte.
O Espírito Santo é o Espírito da Verdade que nos leva a conhecer, a amar a Jesus e a testemunhar a todos que Jesus é Deus, junto com o Pai e o Espírito Santo. Se amamos e seguimos Jesus é porque o Espírito Santo nos conduziu para isso. Quem nos santifica é Cristo, porque nos mergulha no Espírito Santo, e esse nos leva a buscarmos a santidade, assim vamos realizar o que Jesus nos pede, “Sede santos como o vosso Pai do céu é Santo”! O Filho de Deus, Jesus, pelo seu Espírito, santifica todos os que creem e seguem a sua Palavra.
Podemos nos perguntar, eu caminho na santidade? Como vivo a experiência do perdão? Toda vez que perdoo e peço perdão com o coração sincero e contrito, estou caminhando para a santidade. Eu percebo o Espírito da vida, da Verdade, do Amor, da Santidade agindo em mim e na minha comunidade?
O nosso batismo deriva do batismo de Cristo. Ser batizado é ser enxertado em Cristo, é receber o Espírito Santo, é aceitar os desafios provenientes do anúncio do Evangelho. Ser testemunha de Cristo como João Batista é reconhecer que ele é o Filho de Deus. Ser imerso na água do batismo é aceitar morrer ao pecado. Aquele que recebe a água do batismo nasce para a ressurreição e para a vida eterna (Rm 6, 4-5).
Vamos olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vamos viver a nossa vida cristã coerente com os nossos compromissos de contínua conversão e de testemunho de nossa fé.

Abraços em Cristo!!!
Maria de Lourdes





“FILHO, OS TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS”. Olivia Coutinho

 
Dia 13 de Janeiro de 2017
 
Evangelho de Mc2,1-12
 
Ao nos criar, Deus nos moldou na fôrma do seu amor deixando centelhas Dele em nós! Fomos criados por amor e para o amor, por tanto, carregamos dentro de nós a essência divina! 
Era sonho de Deus que todos nós vivêssemos felizes numa só família, amando-nos mutuamente, mas o mal encontrou brecha no coração humano e ameaçou destruir o sonho do Criador! O pecado nos desfigurou, descaracterizou a imagem e semelhança de Deus presente em nós, mas não conseguiu tirar a nossa essência, os sinais de Deus permanecem vivos em nós! 
Na sua infinita misericórdia, Deus enviou o seu Filho para eliminar as trevas da nossa vida,  Jesus veio nos resgatar, pagando com a vida o preço da nossa liberdade!
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos fala da cura de um paralítico, um homem excluído do convívio social, que chegou até Jesus carregado numa cama por alguns homens que se fizeram caminho de libertação para ele, dando assim, um belíssimo exemplo de solidariedade, de amor ao próximo, um exemplo, que deve ser seguido por todos nós.
Preso numa cama, na dependência do outro, aquele paralítico vê em Jesus a sua única possibilidade de cura. Provavelmente, nenhuma palavra tenha saído de sua boca diante Jesus, mas certamente, Jesus percebeu a sua fé estampada no seu olhar e no esforço daqueles homens que o fizeram chegar até Ele!
Ao enfrentar todos os obstáculos para chegar até Jesus, tanto o paralítico, quanto os homens que o carregaram, demonstraram uma confiança imensa no poder  de Jesus! A fé, expressa no olhar daquele, que era incapaz de mover-se e o gesto de amor ao próximo daqueles que o carregaram, tocaram Jesus, levando-o a libertar por completo aquele paralítico!
Diante deste episódio, todos glorificaram a Deus, enquanto que os mestres da lei, mais  uma vez, criticaram Jesus e o criticaram por Ele ter feito o bem. Estes, se negavam a enxergar a manifestação de Deus na pessoa de Jesus.
Ainda hoje é assim, são muitos, os que não querem enxergar a verdade que liberta, que recusam a acreditar no poder de Jesus! 
Aquele homem que se encontrava impossibilitado de andar, pôde experimentar no corpo e na alma, a ação vivificante de Jesus,  a partir daquele momento, ele recobrou para além da sua vida física, a sua vida social e religiosa, revestindo-se totalmente da graça de Deus!
O texto nos convida a revermos as nossas atitudes, a deixarmos de nos esconder atrás de pequenas paralisias para justificar o nosso comodismo, a nossa impassibilidade diante a necessidade do nosso irmão. 
Pela fé vencemos  todos os obstáculos que  nos impedem  de aproximarmos de Jesus e de o levarmos ao outro. 
 
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olivia Coutinho
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“SE QUERES TENS O PODER DE CURAR- ME.”- Olivia Coutinho

 
Dia 12 de Janeiro de 2017
 
Evangelho de Mc1,40-45 
 
O ponto fundamental  dos ensinamentos de Jesus era o amor! Jesus era movido pelo o amor, por onde Ele passava a sua presença exalava amor, todas as suas ações se convergiam para o bem das pessoas, principalmente para o bem daqueles que o mundo desprezava!
Como continuadores da sua missão aqui na terra, não podemos ficar indiferentes ao sofrimento dos nossos irmãos e nem deixar que eles desconheçam a verdade que liberta!
Podemos até ter fé, mas se não aplicarmos na nossa vida, os ditos e feitos de Jesus, não daremos testemunho Dele no mundo, portanto, o reino de Deus não acontecerá através de nós! O Reino de Deus, só acontece através de nós, quando nos tornamos fonte de libertação para o outro, quando reabilitamos os marginalizados, eliminando as trevas de sua vida!
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, continua narrando as ações vivificantes de Jesus, nos mostrando a sua compaixão para com os sofredores! Desta vez, o  beneficiado da ação libertadora de Jesus, é um homem acometido por uma doença que não somente lhe causava feridas no corpo, como também feridas profundas na alma: a lepra.
A lepra, hoje conhecida com hanseníase, era uma doença incurável, quem contraia esta doença, era considerado impuro, condenado ao isolamento, a viver fora do convívio social, religioso e familiar e quando alguém se livrava deste mal, a sua cura era considerada como obra exclusiva de Deus. E para que a pessoa curada,  pudesse voltar ao convívio social, religioso e familiar, era preciso que essa cura fosse comprovada pelos sacerdotes.  
Aquele leproso, enxergou em Jesus, a sua única possibilidade de cura, por isso ele não hesitou em infringir as leis para chegar até a Ele. Prostrado a seus pés, o leproso, movido pela fé, disse a Jesus: “Se queres, tens o poder de curar-me.” E Contrariando as leis que proibia qualquer contato com os leprosos, Jesus, não somente permite que aquele leproso se  aproxime Dele, como também toca nele dizendo: “Eu quero: fica curado!”
Ao ser curado, aquele homem, antes excluído, sente abraçado por Deus, experimentando  no corpo e na alma a ação libertadora de Jesus! A partir de então, ele recobra para além da sua vida física, a sua vida social, familiar  e religiosa.
Superada toda marginalização, e completamente revestido da graça de Deus, aquele homem vê surgir diante de si, novas perspectivas! E mesmo sendo recomendado por Jesus para não espalhar o acontecido, ele não consegue guardar para si, tamanha alegria! Ao se ver livre da lepra, ele proclama com veemência o nome de Jesus, dando testemunho da sua cura.
Esta narrativa nos mostra, que pela fé, é possível vencer todos os obstáculos que nos impede de aproximarmos de Jesus, de sermos tocados por Ele! A fé abre caminhos, nos coloca diante de Jesus, como colocou aquele leproso.
Para absorvermos melhor a mensagem que este evangelho quer nos passar, é importante nos colocarmos dentro do contexto, sentir a mesma alegria de quem é libertado por Jesus, é esta alegria que vai nos motivar a sermos continuadores e multiplicadores das ações libertadores de Jesus.
 
FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olivia Coutinho
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JESUS ENXERGA O “HOMEM “ E NÃO O MAL QUE ESTÁ NELE! - Olívia Coutinho

 

Dia 10 de Janeiro de 2017

 
Evangelho de Mc1, 21b-28
 
Deus nos deu a vida e todas as condições para sermos felizes! Porém, Ele respeita a nossa liberdade, nos deixa livres para fazermos as nossas escolhas.
Somos nós que "tecemos" a nossa vida, se quisermos ser um belo “tecido” temos que ter o cuidado de não nos deixar enganar pelas “linhas” falsas que nos são oferecidas pelas as esquinas da vida, são essas “linhas” falsas, que comprometem a beleza e a resistência do nosso  “tecido.” Jesus é o único fio que nos garantirá um belo e resistente tecido, Ele deve ser o fio condutor de todo o nosso ser!
O evangelho que a liturgia de hoje coloca diante de nós, vem nos falar de um Deus comprometido com a vida em toda a sua dimensão, um Deus libertador que se revelou plenamente na pessoa de Jesus!
O texto nos diz, que Jesus, num dia de sábado, entrou numa sinagoga em Cafarnaum junto com seus discípulos e começou a ensinar. O povo ficou encantado com o seu jeito diferente de ensinar, pois Jesus falava com autoridade, isto é, falava do que Ele conhecia e vivia, o que Ele ouvia do Pai,  diferente dos outros líderes religiosos que não viviam o que falavam!
A narrativa nos diz ainda, que na sinagoga, havia um homem possuído por um espírito mau cuja simples presença de Jesus o atormentava. Diante da presença de Jesus, ele gritou: “Que queres de nós Jesus Nazareno? Viestes para nos destruir? Eu sei que tu és o santo de Deus!” E Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!”. A partir de então, aquele homem sente-se completamente livre das correntes do mal, de uma escravidão que o impedia de ser ele mesmo!
Nesta sua ação libertadora, Jesus, desmascara a mentalidade daqueles dirigentes religiosos, diferente deles, o  olhar de Jesus, vai além dos limites impostos por eles, pois Jesus enxerga o homem e não o mal que está nele, o mal, Ele retira e o ser humano Ele trás de volta à vida!
Aquele homem, possuído pelo espírito mau, representa todas as pessoas que estão na escuridão, aqueles que são impedidas de falar e de agir como sujeitos da sua própria história!
As palavras do Santo evangelho,  nos convida a conhecermos a verdade que liberta e a vivermos esta verdade no nosso dia a dia, só assim, poderemos também, falar com autoridade e nos tornar caminho de libertação para o outro!
Não podemos negar a existência e a força do mal, o mal existe e está sempre a nos rondar, mas ele só ganha força em nós, quando nos distanciamos de Deus!
O mal, não sobrepõe o bem, por isto, é importante estarmos sempre embebidos no amor do Pai, na força do Filho, sob a luz do Espírito Santo! 
Saber que Jesus é o Filho de Deus, todos sabem, até o inimigo, o que faz a diferença mesmo, é saber quem é o Filho de Deus, quais são as suas propostas!
Conhecer Jesus, saber quais são as suas propostas, deve ser o primeiro passo de quem quer fazer a melhor escolha para sua vida: seguir Jesus!
FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia Coutinho
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