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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

--Os teus discípulos não jejuam?-José Salviano

16 de Janeiro de 2017


Evangelho - Mc 2,18-22




Os discípulos de João  perguntaram a Jesus: "Por que jejuamos nós e os fariseus, e os teus discípulos não?"
        Para entender a resposta de Jesus a esta pergunta, vamos dar uma olhada na legislação referente ao jejum. 
        Na Lei verdadeira, isto é, a Lei antes de ser alterada pelos doutores, o jejum era prescrito apenas para o dia Da Expiação dos pecados. Você pode conferir isto em Levítico 16,30. Porém, os fariseus, que gostavam de aparecer, de se mostrar ao povo que eles eram puros e santos,  jejuavam duas vezes por semana, a saber: na segunda e na quinta-feira. 
        Acontece que a festa de casamento na Palestina durava uma semana. Então, como eles eram muito espertos,  para poder aproveitar das festas comendo tudo que tinham direito,  os doutores da Lei, fizeram uma espécie de emenda na famosa Lei, de modo  que nas semanas em que houvesse festa de casamento, o jejum poderia ser suspenso,  para que se pudessem comer e beber sem miséria e se divertirem a vontade.  Repare que eles eram os típicos políticos disfarçados de religiosos e santos.
        Observe que os doutores que elaboravam a Lei, legislavam em causa própria. Isto é, faziam o que bem entendiam da Lei, adaptando-a aos seus interesses. 
        Agora eu pergunto a você. Será que nós já não vimos este filme? 
        Bem. Agora vamos à resposta de Jesus.
        Jesus respondeu: Podem os amigos do esposo afligir-se enquanto o esposo está com eles? Dias virão em que lhes será tirado o esposo. Então eles jejuarão.
        Em outros evangelistas, Jesus responde: pode os amigos jejuar enquanto o noivo está com ele? Isto equivale a dizer: por acaso pode-se jejuar em uma festa?  É claro, que não! Em uma festa tem mais é que comer. Foi por isso que o doutores ajeitaram a Lei.
        Jesus tinha resposta para tudo. Ele era semelhante a um bom goleiro que pega todas as bolas: Rasteiras, altas, de canto, etc. Jesus rebatia a toda pergunta maliciosa que lhe faziam para colocá-lo em desacordo com a Lei.  Porque antes mesmo que os seus oponentes abrissem a boca para perguntar, Jesus já sabia da maldade que rolava em suas mentes. 
        No Evangelho de hoje, Jesus derrota os seus oponentes, com o seu próprio veneno.  Semelhante a um atleta lutador  de Aikido, que usa a própria força do adversário para derrotá-lo, ( estamos nos referindo ao esporte, e não incentivando a violência)  Jesus aproveita  a própria  escala de valores dos fariseus e doutores, para rebatê-los. Se bem que hoje não foram os fariseus que diretamente pressionaram o Mestre, e sim os discípulos de João, porém a mando dos fariseus.
        Meu amigo, minha amiga. Repararam que o personagem noivo nos dias atuais é uma classe em extinção?  Isto está acontecendo porque os meios de comunicações incentivam os jovens a se acasalarem em vez de se casarem.  E esse acasalamento tem pouca duração.  Assim que nasce o primeiro rebento, o macho "sarta de banda", deixando para a fêmea a tarefa de criar o fruto daquela relação de prazer, sem o verdadeiro amor. E na verdade, quem vai ser a mãe daquela infeliz criança, será a avó.
        Maria, mãe da sagrada família. Rogai a Jesus pelos noivos e noivas de hoje. Para que eles assumam com responsabilidade cristã, o compromisso sagrado da construção da família. Para que não coloquem filhos no mundo sem a menor responsabilidade! Mãe poderosa. Rogai a Jesus pelos jovens. Para que acordem para a realidade de que estão sendo usados, por aqueles que pretendem destruir a família.  Ave Maria cheia de graça...

Tenha um bom dia. José Salviano


--Segue-me!-José Salviano

14 de Janeiro de 2017


Evangelho - Mc 2,13-17



        Almoçar com os publicanos era uma afronta aos costume e à Lei. Isto porque os publicanos eram odiados por colaborarem com o poder romano arrecadando, ou melhor, arrancando o dinheiro do povo. Por isso eram considerados impuros e pecadores.
        O sistema de cobrança de impostos era o que chamamos hoje de terceirização. A máquina do Estado do Império romano que dominava grande parte da Europa incluindo a Palestina não se dispunha de funcionários o suficiente para realizar a cobrança de tanto imposto. Então o Estado romano contratava empresários para fazer a cobrança dos impostos, sob o sistema de arrendamento. Estes arrendatários terceirizados eram muito ricos oriundos da elite sendo muitos deles anciãos membros do Sinédrio e Senadores. Assim, notamos que a classe dominante comia junto com os dominadores romanos, em troca da preservação de seus privilégios.
        O povo sofria com esta exploração, pois era 3 vezes explorados. Do imposto arrecadado, uma parte ia para o Império Romano, outra parte era a taxa de serviço do arrendatário, e a terceira parte era o que o empresário arrendatário dono da Agência de Arrecadação, pegava para si, isto é, roubava. Por isso eram muito ricos.
        Os publicanos eram os empregados desta agência, que fazia o serviço sujo vigiados pelos soldados romanos, por isso não podiam pegar nem uma moedinha. E qualquer deslize ou tentativa, eram mandados embora do emprego. Eram geralmente pobres e a falta de emprego os obrigava a fazer esse serviço odioso.
        O povo não escapava da exploração romana. O imposto sob forte apoio dos guardas era feito em vários lugares: Além de pagar direitos de Alfândega, o povo era obrigado a pagar imposto de pedágio nas entradas dos povoados, nas pontes, nos vaus, e nas encruzilhadas dos caminhos. Não tinha para onde correr ou escapar. Pelo contrário. Tinha cidadão que pagava até três impostos por dia, pois precisava se deslocar de vários lugares para outros. Era uma situação insustentável de tamanha injustiça, e pensar que tudo isso tinha o apoio da classe dominante local.
        É por isso que os publicanos eram odiados por explorar o povo para os romanos e considerados: pecadores, impuros e por isso eram desprezados.
        Jesus fez questão de convidar um desses cobradores de impostos discriminado pela sociedade, para fazer parte do seu grupo.
        "Jesus Cristo, viu sentado ao balcão um coletor de impostos, por nome Levi, e disse-lhe: Segue-me. Deixando ele tudo, levantou-se e o seguiu." 
        Depois desse convite, Jesus foi jantar na casa de Levi. Os fariseus que andavam sempre no encalço de Jesus, também estavam presentes no local, e criticou a atitude de Jesus por estar jantando na companhia de um impuro publicano. Engraçadinhos! Eles podiam roubar o povo juntamente com os romanos. Mais naquele momento fingiam que eram contra a exploração dos dominadores através dos publicanos. 
        Eles conversaram com os discípulos um tanto afastados do Mestre. Mas Jesus não precisava ouvir com os ouvidos humanos. Ele sabia o que se passava dentro das mentes das pessoas principalmente dos fariseus. Então Jesus respondeu:
        Não são os homens de boa saúde que necessitam de médico, mas sim os enfermos. Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores.
        E a cobrança de impostos na sua cidade. Vai bem? O retorno desse dinheiro para a população é muito eficiente. Certo? O povo tem escolas, estradas, água encanada, saneamento básico e o Serviço de Assistência Médica-hospitalar é tão eficiente que ninguém precisa pagar Plano de Saúde. Que maravilha!
        Roguemos a Deus Pai para que toda justiça seja feita, e ninguém seja desprezado, excluído e discriminado dos demais. Amém.


Tenha um bom dia. José Salviano


--Levanta-te, pega a tua cama e anda-José Salviano

13 de Janeiro de 2017

Evangelho - Mc 2,1-12




O poder do Senhor estava com Jesus para que ele curasse os doentes.
        Não só para curar os doentes, mais para nos libertar das injustiças, tentações, e principalmente dos pecados.  O poder de Jesus é ilimitado, assim como o poder do Pai. Porque a Ele foi dado todo o poder no Céu e na Terra. 
        Assim, o evangelho de hoje nos traz mais uma grande demonstração de poder de Jesus Cristo. E os fariseus que sempre estavam  na  "cola" de Jesus para apanhá-lo em algum deslize, questionam o seu poder.
        No tempo de Jesus, a doença era um castigo associada aos  pecados da pessoa e representava uma impureza. É por isso que Jesus primeiro perdoa os pecados daquele homem, para depois então curá-lo. Ele fica admirado  pela fé tanto do paralítico como do grupo que o carregava, e diz-lhe que os seus pecados estão perdoados. Primeiro Ele faz uma purificação, para que, segundo a Lei, o paralítico mereça ser curado. Porque Jesus respeitava a Lei e os costumes ou a cultura daquele povo.  Os fariseus e mestres da Lei acusam-nO de  blasfêmia, pois acreditavam que  só Deus tinha o poder de perdoar os pecados segundo a Lei vigente . Por isso eles pretendiam condená-lo.  A cura do paralítico é sinal do poder de Jesus, do  perdão dos pecados, que é fruto do seu amor misericordioso.
        Reparem que os líderes judaicos não pronunciaram nenhuma palavra.  Eles somente pensaram. Mais como Jesus é Deus, Ele viu ou ouviu os seus pensamentos. 
" Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, perguntou-lhes: "Por que pensais mal...?"
"Para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: Levanta-te - disse ele ao paralítico - toma a tua maca e volta para tua casa."
        Vamos aqui nos deter em três pontos de reflexão deste evangelho: Jesus demonstra o seu poder de cura, o poder de estar vendo os nossos pensamentos, e a repreensão aos fariseus por terem feito um julgamento. "Quem ele pensa que é, para perdoar pecados?"  Essa é uma atitude típica de quem está com ciúmes, com inveja de outra pessoa de igual categoria, ou do seu nível, por ela estar fazendo uma coisa que nós gostaríamos de estar fazendo em seu lugar, como às vezes acontece na própria paróquia. Eu entro na igreja e lá no altar está um colega fazendo a celebração. Qual é a minha atitude? Ei! Por que eu não estou lá? Porque eu não posso fazer celebração também? Quem ele pensa que é para fazer celebração?  Infelizmente existe ciúmes e inveja até nos lugares mais santos, porque somos pessoas pecadoras. E isso às vezes atrapalha, emperra o bom andamento das pastorais, e da evangelização. 
        Quanto a Jesus ver ou ouvir os nossos pensamentos, precisamos tomar mais cuidado, pois estamos pecando direto por pensamentos. E até consideramos serem santos pensamentos, como, naquele dia em que pensamos ser mais santos que aquela pessoa. Isso não é o cúmulo do absurdo? Pois acontece.  Um exemplo:  Uma pessoa santa, talentosa, de muita fé, e conhecimento da doutrina da Igreja, enfrenta muitas dificuldades para se engajar em uma determinada comunidade, simplesmente por inveja ou ciúmes dos que fazem parte do centro de decisões, ou da coordenação. Sinto que estou me repetindo em algo que já escrevi em reflexões anteriores. Mais acredito que certas coisas muito importantes da nossa vida devem ser repetidas, refletidas para serem eliminadas ou corrigidas.

Tenha um bom dia. José Salviano





--A lepra desapareceu e o homem ficou curado-José Salviano

12 de Janeiro de 2017

Evangelho - Mc 1,40-45



 E apareceu um leproso. Vendo Jesus ele suplicou: Senhor, se queres pode curar-me"
         Muito grande a fé daquele homem humilde, mas Jesus não tem nenhum receio e o purifica dos seus pecados e da lepra. 
        Há quem diga que Jesus apostava no efeito contrário da sua ordem de não contar a ninguém. Porque quanto mais Ele ordenava para que os curados não contassem a ninguém, mais eles espalhavam a notícia do seu imenso poder. 
        Mostrar-se ao sacerdote era o cumprimento da ordem do Poder Central. Todos aqueles que por acaso ficassem purificados do mal da lepra, tinham de se mostrar ao sacerdote para que este o após o examinar, autorizava-o a viver no meio dos outros na sociedade. 
        No tempo de Jesus a medicina era muito precária. Não havia saneamento básico, medicina preventiva, hospitais, ambulatórios etc. Quando muito havia remédios que a natureza oferecia e que a experiência comprovava como benéficos. A saúde era um problema muito sério principalmente para os pobres, e geralmente finalizava com a morte; mortes prematuras, vida curta, cegueira, paralisia, doenças da pele que se arrastavam pela vida inteira. Além disso, a enfermidade era vista como castigo de Deus pelos pecados. Por essa razão os enfermos eram considerados "impuros",discriminados também pela religião judaica. 
        O leproso chegou perto de Jesus e pediu de joelhos: 'Se queres, tens o poder de me purificar'. Jesus ficou cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: 'Eu quero, fique purificado'. No mesmo instante a lepra desapareceu e o homem ficou purificado". Os leprosos, isolados pela família, pela sociedade civil, pela religião, eram os mais desprezados e discriminados naquela sociedade. Ninguém podia tocar o leproso. Ele não podia entrar em lugar habitado e estava excluído da comunidade, do Templo, do culto. A lepra era considerada o merecido castigo de Deus por pecados públicos ou ocultos. O leproso era "impuro", bem como quem o tocasse. 
        Aí vem o Carnaval. Muitos já estão se preparando para a grande folia! Quantos irmãos vão se tornar também impuros pelos pecados que vão cometer! Existem vários formas de divertimentos: Festas, bailes, cinema, carnaval, viagem, etc. Infelizmente, a melhor diversão, a viagem que é a mudança de ambiente, está se tornando uma coisa altamente perigosa, por causa da violência disseminada no mundo inteiro. 
        A folia do carnaval é um tipo de divertimento questionável. E por quê? Porque naquela festa onde praticamente vale tudo, a espiritualidade do cristão acaba por sofrer vários tropeços. Quanta gente santa estará com a consciência pesada na quarta-feira de cinzas? A tentação andou solta, satanás se aproveitou de todos os momentos de fragilidade, para sugerir as frases: aproveita que ninguém é de ferro, curta que a vida é curta, vai fundo, afinal ninguém está te vendo! E assim por diante... 
        E o jovem, a jovem, em plena força da juventude, depois de tomar um gole de bebida ou quem sabe outra substância, não vai resistir tanta sugestão externa e interna para pecar. 
        Prezados irmãos, e irmãs. Só nos resta rezar muito por estes jovens, que estarão expostos a muita tentação na fólica do reinado do tal de "REI MOMO". Vamos começar? 
Pai Nosso...

Tenha um bom dia. José Salviano



--Jesus curou a sogra de Pedro-José Salviano

11 de Janeiro de 2017

Evangelho - Mc 1,29-39




          E Jesus apenas segurou a mão da sogra de Simão e a febre desapareceu e ela começou a agir como se nada tivesse acontecido.  Espetacular! Maravilhoso o poder de Deus!
         Jesus desafiou os costumes dos judeus, que tratava a mulher com muita injustiça. Nenhum homem poderia tocar em uma mulher, muito menos uma doente. Pois o doente era considerado impuro, não pelas bactérias, fungos ou vírus. Mas por causa dos seus pecados que o fez ficar doente! Que absurdo!  Jesus, em vez de se afastar daquela mulher, aproximou-se, e deu-lhe a mão, levantando-a. 
         Jesus é aquele que nos dá a mão, e nos levanta do fundo do poço, nos tira de toda encrenca em que nos metemos.  Para isso basta que peçamos a sua ajuda, o seu socorro. Basta que nós decidimos mudar de vida. Basta que nos convertamos.
         Jesus libertou a sogra de Simão do seu quadro de mal estar, daquela febre que a impossibilitava de uma vida digna e com abundância, libertou-a daquele sofrimento. Porque Jesus nos liberta de todo mal. Principalmente do cativeiro do pecado, do vício, da maldade, do egoísmo e dos nossos inimigos. Jesus é o médico dos médicos. Busca Jesus em seus momentos de dor e de aflição, e terás a solução de todos os seus males.  Mas você precisa realmente acreditar. Porque aquele(a) que tem fé, mesmo no sofrimento, mesmo na dor, encontra a paz de Deus. Porque Deus nunca nos abandona a nossa própria sorte, por mais cruel que sejamos, somos filhos de um Pai que nos ama e quer a nossa salvação, mesmo para aqueles que se encontram em plenos caminhos do mal.   Algumas vezes Jesus disse ao fazer uma cura: "A tua fé te salvou". Se a nossa fé for pequena, não adianta rezar, e rezar. Por falar nisso, você já rezou hoje?  Boa pergunta para fazer aos seus melhores amigos mesmo em tom de brincadeira...
         A liturgia de hoje nos revela que através do sofrimento nós nos aproximamos de Deus. Por outro lado, esse mesmo Deus está sempre empenhado em nos libertar do desconforto, causado pela doença. E isso deve acontecer depois de nos ter purificado. Depois de ter aceito com paciência a dor, e de nos reconhecer pecadores, e aceitar a mão estendida do Pai para nos levantar não só do mal que nos aflige o corpo, mas principalmente do mal que sufoca a nossa alma, que é o pecado mortal.


Tenha um bom dia. José Salviano


Evangelhos Dominicais Comentados-Jorge Lorente


15/janeiro/2017 – 2o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Jo 1, 29-34)

No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se e disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É este de quem eu disse: depois de mim vem alguém que passou adiante de mim, porque existia antes de mim. Eu não o conhecia, mas se vim batizar com água, é para que ele se torne conhecido em Israel”. E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer do céu em forma de pomba e permanecer sobre ele. Eu não o conhecia, mas quem me enviou para batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires descer o Espírito e permanecer, esse é que batiza no Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus”.

COMENTÁRIO

No Evangelho de hoje João nos apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. De fato, Jesus muito se assemelha ao cordeiro.

O cordeiro é a própria imagem de candura e mansidão. No templo, os judeus sacrificavam um cordeiro e o ofereciam a Deus como forma de purificação de seus pecados.

No Egito, quando os israelitas foram libertos da escravidão, todas as famílias tinham sacrificado um cordeiro e, com seu sangue, marcaram suas portas. Os marcados com o sangue do cordeiro foram salvos do extermínio.

Jesus manso e humilde é o cordeiro imolado e sacrificado. Ao apresentar Jesus como Cordeiro, João confirma que Jesus veio para dar a sua vida. Como o cordeiro imolado no Egito, o Sangue de Jesus livra a humanidade do extermínio, liberta os homens do pecado e de todo mal que leva à morte.

Ao comparar Jesus ao cordeiro, João usou o comparativo que, muito antes, o Profeta Isaías já havia utilizado. Ao anunciar a vinda do Messias, Isaias o denominou de Cordeiro (Is 53,7). Isaías compara o Messias a um manso cordeiro que, ao ser levado para o matadouro, suporta tudo calado, sem abrir a boca, como a ovelha que não se rebela diante do tosquiador.


Os judeus acreditavam que o Messias seria um poderoso rei, com um grande exército de homens armados, capaz de destruir o inimigo e libertar seu povo do poder dos romanos. No entanto, ao proclamar Jesus como cordeiro, João afirma que Jesus é bem diferente daquilo que imaginavam.

Esse rei é poderoso sim, porém não impõe sua autoridade e tem no amor sua única arma. Em parte estavam certos aqueles que esperavam a vinda de um Messias destruidor, pois Jesus destruiu o maior inimigo da humanidade; Jesus destruiu, eliminou para sempre a morte. Após a vinda de Jesus, só morre quem se afasta do Cordeiro.

Jesus leva até o fim o Projeto de Salvação do Pai. Com seu sacrifício na cruz, torna-se o verdadeiro Cordeiro Pascal que entrega seu Corpo e sua própria vida. O Sangue do Cordeiro é a marca que preserva a vida, seu sacrifício traz luz, salvação e paz para a humanidade.

É importante notar que neste evangelho João Batista, o Precursor, aquele que passou toda a sua vida jejuando, orando, batizando, preparando o povo e aplainando caminhos para a chegada do Messias, por duas vezes diz que não conhecia Jesus. Agora, porém, seus olhos se abrem e fala com convicção que ali está o Filho de Deus, aquele que batiza com o Espírito Santo.

A sinceridade de João deve servir para nossa reflexão de hoje. É impossível testemunhar Jesus sem conhecê-lo. O evangelizador que não conhece Jesus acha que Ele está preocupado com as aparências, com o tamanho da sala de catequese, com a qualidade da mesa de som, dos instrumentos musicais e com aquele mundo de supérfluos considerados “indispensáveis” para evangelizar.

Humildade e mansidão são as marcas do Cordeiro. Essa humildade tem que estar presente em todos os locais, principalmente na comunidade da Igreja. Quem quiser colaborar para tirar o pecado do mundo, deve abrir os olhos para reconhecer Jesus, renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo.

(1981)




-O BATISMO DE JESUS-José Salviano

O BATISMO DE JESUS

Domingo dia 15

SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ano A

Primeira leitura Is 49,3-56
Salmo 40
Segunda leitura 1 cor 1,1-3

Evangelho Jo 1,29-34






A maioria das pessoas foram batizadas. Porém, infelizmente, nem todos vivem o seu batismo. Porque muitos seguiram outros caminhos, se desviando dos caminhos de Deus.
Hoje, nós os cristãos, celebramos o dia em que Jesus foi batizado no rio Jordão por João Batista.

O batismo de Jesus marca o início da sua missão, o início da sua vida pública. Também na liturgia da Igreja hoje tem início o tempo comum de cor verde. Verde de esperança de que através da vivência do nosso batismo, mereceremos ser dignos das promessas de Cristo e assim alcançaremos a Vida Eterna.  O Batismo de Jesus marcou o início do seu projeto, e ao chegar o fim da sua missão, Ele envia os apóstolos para continuar o seu trabalho, iniciando-o também pelo batismo. E fez isso após a sua ressurreição. "Ide, pois, fazei que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei".
            
O nosso Batismo marcou  o nosso ingresso na vida da Igreja, marcou a nossa iniciação cristã, ou seja, pelo batismo passamos a fazer parte da Igreja Católica apostólica Romana. 
            
Hoje em dia, portanto, em todos os ritos latinos e orientais, a iniciação cristã dos adultos começa desde a entrada deles no catecumenato, para atingir seu ponto culminante em uma única celebração dos três sacramentos: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Nos ritos orientais a iniciação cristã das crianças começa no Batismo, seguido imediatamente pela Confirmação e pela Eucaristia, ao passo que no rito romano ela prossegue durante os anos de catequese, para terminar mais tarde com a Confirmação e a Eucaristia, ápice de sua iniciação cristã. (Catecismo)
           
E pensar que os políticos também foram batizados! Aqueles que estão presos por fazerem parte do escândalo do chamado "Mensalão"  também receberam a graça do batismo.  Mas será que aquilo é mesmo uma prisão? Dizem os noticiários que é uma prisão suave, muito light... 
           
Do mesmo modo, aqueles que hoje estão no mundo do crime, também foram batizados um dia em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Na verdade, todos ou quase todos foram batizados.  Os que optaram por ganhar dinheiro no mole, os que dão duro para ganhar o seu sustento, outros cujas preferências de vida íntima foge ao ritmo natural do instinto humano os impedindo de viver diante de Deus. 
           
Mas felizmente há aqueles que procuram viver o seu batismo da forma mais acertada possível, seguindo o Evangelho e sendo continuadores da missão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mais a maioria das pessoas desse mundo  ainda estão sendo batizadas.  Mesmo que tenha sido um batismo puramente social, com fotos e seguido de almoço com a família... 
           
Não somos contra tirar fotos para guardar de lembrança o dia do nosso batismo, nem de uma reunião familiar num almoço ... Porém, o que não deve ser esquecido ou deixado de lado, é o significado do nosso batismo, a responsabilidade dos nossos padrinhos, com a salvação dos afilhados, pois o que importa mesmo é viver o nosso batismo. 
           
Mas afinal de contas, o que significa mesmo viver o nosso batismo?  Sabemos que através do Batismo nós passamos a fazer parte da Igreja de Jesus Cristo. No batismo recebemos o Espírito Santo, que faz morada em nós. Também os nossos pecados foram todos perdoados.  É importante ter em mente que depois voltamos a pecar. Pois diariamente pecamos, ofendendo a Deus e ao irmão, por mais santo que sejamos.  Mas Deus nos deixou a Igreja com os seus recursos de salvação para que não nos percamos pelos caminhos das trevas que nos levam ao fogo eterno. 
           
Portanto, viver o nosso batismo é nos empenhar para seguir a Cristo, os seus ensinamentos, ao mesmo tempo que nos dedicamos também a levar a salvação para os nossos irmãos.
           
Outro dia um amigo me perguntou se ele poderia ser batizado em outra religião.  É que tendo começado um namoro com uma moça de outra religião, ela o estava pressionando a ser batizado para poder participar com ela em sua igreja. 
           
Disse ao meu amigo. Meu caro, você já foi batizado!  Um dia você foi batizado na Igreja que é a única fundada por Jesus Cristo. E o seu batismo foi feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Portando, não precisa mais ser batizado.  Se você está sendo conduzido a uma mudança de religião, eu considero isso um fato lamentável, pois só há salvação por meio de Cristo... Pessoalmente eu respeito a todas as religiões, e entendo que a nossa salvação depende da graça de Deus. Porém eu sigo aquela religião que foi criada ou fundada por Jesus Cristo, repito. 
            
Jesus foi batizado por João Batista e ungido pelo Pai com o Espírito Santo como Messias de Israel: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu bem-querer!” (Mt. 3,17).  O entrar e sair da água significava o começo de uma vida nova. Na água eram sepultados os pecados do passado e o subir das águas do rio significava o começo de nova vida como discípulo do Batista.
             
Hoje, o significado do nosso batismo, é que somos sacramentalmente assimilados a Jesus, o qual antecipa em seu Batismo a sua Morte e a sua Ressurreição. Nós entramos neste mistério de rebaixamento humilde ao descer à água com Jesus para subir novamente com Ele. Assim no batismo renascemos da água e do Espírito para unirmos ao filho bem-amado do Pai e "viver uma vida nova". Sepultemo-nos com Cristo pelo Batismo, para ressuscitar com Ele; desçamos com Ele, para ser elevados com Ele; subamos novamente com Ele, para ser glorificados nele.
           
Porém, antes que isso aconteça, precisamos passar por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus.  É por isso que viver o nosso batismo não é brincadeira.  Pois precisamos passar diariamente pela porta estreita do sacrifício, da negação de nós mesmos, combatendo os nossos defeitos e suportando os defeitos do nosso irmão, e acima de tudo fazendo a vontade do Pai.  Só assim mereceremos um dia a glorificação prometida por Jesus.
           
No dia da transfiguração de Jesus, a qual foi uma pequena amostra da sua glória futura e também nossa, Pedro demonstrou que ainda não tinha compreendido nada disso,  quando falou a Jesus que seria muito bom armar tendas ali mesmo e ficar desfrutando daqueles momentos mágicos para sempre, vivendo com Cristo sobre a montanha.  Porém Jesus reservou essa maravilha a Pedro, para depois da sua morte. Mas enquanto a morte não chegava, Ele mesmo disse: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra. A Vida desce para fazer-se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas Sofrer?
           
Temos por hábito viver reclamando dos nossos sofrimentos. Se pararmos um minuto para pensar o quanto Jesus sofreu sem ter feito nada de errado, sofreu inocentemente sem nada reclamar, oferecendo-se ao Pai pelos nossos pecados, poderemos chegar ao bom senso de que o nosso sofrimento  é nada comparando com o sofrimento e Jesus.
           
Meu irmão, minha irmã. Faça hoje uma revisão da sua vida, avaliando o como você tem vivido o seu batismo.  Reflita, pense. Esta vida é curta. Esta vida um dia termina. Mude hoje a sua vida para que um dia você mereça alcançar a vida que dura para sempre na glória de Deus Pai! Amém.
Um bom domingo.

José Salviano.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma nova visão sobre a realidade da vida-Helena Serpa

16/01/2017 - 2ª. feira – II semana comum -  Hebreus 5, 1-10 – “Filho obediente  ”
A obediência de Jesus é o parâmetro para que também nos tornemos causa de salvação eterna para os nossos irmãos. Antes de Jesus, todo sumo sacerdote era tirado do meio dos homens para oferecer sacrifícios pelos pecados dos homens e também, pelos seus próprios pecados. Mesmo sem ter pecado Jesus Cristo foi estabelecido sumo sacerdote por chamado do próprio Pai que o constituiu pela palavra: “tu és Sacerdote para sempre”, para se oferecer pelo pecado dos homens. Apesar de ser distinguido pelo Pai, Jesus revelou a sua humildade e não atribuiu a si mesmo essa honra, mas foi humilde até às lágrimas dirigindo preces e súplicas ao Pai a fim de que O salvasse da morte. Pela sua humildade, obediência e entrega Jesus é o exemplo do sacerdote perfeito. O sacerdote é aquele que consome a sua vida pela causa da salvação dos seus irmãos.   Mesmo que soframos, mesmo que seja difícil, seremos também, depois, gratificados (as), a exemplo de Cristo. Muitas vezes, por causa das dificuldades que enfrentamos somos tentados (as) a desanimar ou nos rebelar e esquecermos de que, o seguimento de Cristo implica na anuência da vontade do Pai e na confiança na Sua proteção. – Você é uma pessoa obediente ou rebelde? – Você é daquelas pessoas que não admite passar por necessidades e sofrimentos? – O que você acha do exemplo de Jesus? – Você sabia que também é chamado (a) a ser sacerdote?    
Salmo 109 – “ tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedeque!”
O salmista já predizia a missão de Jesus Cristo como sacerdote. Jesus foi, depois do sofrimento, exaltado e está sentado à direita do Pai. O salmo refere-se justamente á realeza de Jesus, o Salvador que ainda viria, mas já o proclama príncipe desde o dia em que nasceu. Embora os inimigos ainda dominassem, ele sabia que a salvação viria breve.

Evangelho – Marcos 2, 18-22 – “uma nova visão sobre a realidade da vida”
Jesus nos ensina a considerar o tempo favorável em que vivemos para realizarmos ações que sejam agradáveis a Deus. Os fariseus seguiam os seus costumes e não entendiam o que Jesus explicava, pois eram presos na mentalidade do ter que fazer sacrifícios sem um motivo justo. Eles faziam tudo apenas para cumprir a obrigação e não observavam qual o espírito que os motivava. Se seguirmos os ensinamentos de Jesus iremos perceber que tudo o que fizermos forçados ou por obrigação não causará nenhum efeito, pelo contrário, contribuirá para que o espírito de rebeldia aja em nós.    O jejuar por jejuar, o fazer sacrifício só para cumprir um ritual não ajudará no nosso crescimento espiritual. Nada nos adiantará se o nosso coração não acompanhar a ação! Precisamos dar um sentido às nossas ações e sermos sinceros no que realizamos. O homem de mentalidade mundana, não entende as coisas do espírito, assim como o remendo novo rasga o pano velho e o vinho novo rompe o odre velho.   Para sabermos entender as coisas do alto precisamos nos renovar e nascer de novo com uma nova visão sobre a realidade da vida.   Para acolher o novo   precisamos de nova mentalidade e de abertura interior a fim de que aconteça em nós a purificação necessária e assim nos tornemos pessoas renovadas.  Qual o sentido que você dá ao jejum? Para que finalidade você jejua? Como você se sente? - As coisas que você tem feito para o reino de Deus, você o tem feito por amor ou por obrigação? - Você tem um coração novo ou continua com os mesmos sentimentos de outrora?