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segunda-feira, 31 de maio de 2021

Somos propriedade de Deus Pai-Helena Serpa

 

2 DE JUNHO DE 2021

4ª. FEIRA DA NONA SEMANA DO

TEMPO COMUM

 

Cor  Verde

 

1ª. Leitura – Tob 3,1-11a.16-17a

 

Leitura do Livro de Tobias 3,1-11a.16-17a

Naqueles dias: 1Tomado de grande tristeza, pus-me a suspirar e a chorar. E, depois, comecei a rezar, entre gemidos: 2'Senhor, tu és justo, e justas são todas as tuas obras. Todos os teus caminhos são misericórdia e verdade e és tu quem julga o mundo. 3Agora, Senhor, lembra-te de mim, olha para mim, e não me castigues por causa de meus pecados, de minhas transgressões ou de meus pais,
que pecaram diante de ti. 4Porque não obedecemos aos teus preceitos, entregaste-nos à pilhagem, ao cativeiro e à morte, e fizeste de nós assunto de provérbios, alvo de zombaria e de injúria em todas as nações, entre as quais nos dispersaste. 5Agora, porém, vejo que são verdadeiros os teus numerosos julgamentos,
quando me tratas segundo os meus pecados e os pecados de meus pais, pois não cumprimos teus mandamentos nem caminhamos na verdade diante de ti. 6Trata-me, pois, como te aprouver. Ordena que seja retomado de mim o meu espírito, para que eu desapareça da face da terra e me transforme em terra. Para mim é melhor morrer do que viver, pois tenho ouvido injúrias caluniosas e sinto em mim profunda tristeza. Senhor, ordena que eu seja libertado desta angústia. Deixa-me ir para a morada eterna e não afastes, Senhor, de mim a tua face. Para mim é preferível morrer
a ver tão grande angústia em minha vida, ouvindo ainda tais injúrias'. 7Naquele mesmo dia, Sara, filha de Ragüel, que morava em Ecbátana, na Média, teve também que ouvir injúrias de uma das escravas de seu pai. 8Ela fora dada em casamento a sete homens, mas o perverso demônio Asmodeu havia-os matado,
antes de estarem com ela, como esposa. A escrava disse-lhe:
'És tu que sufocas teus maridos! Já foste dada a sete homens
e de nenhum até agora tiveste proveito 9Por que nos espancas
por terem morrido os teus maridos? Vai-te embora com eles
e jamais vejamos filho ou filha nascidos de ti!' 10Naquele dia, Sara ficou com a alma cheia de tristeza e pôs-se a chorar. E subiu ao aposento de seu pai, no andar superior, com a intenção de se enforcar. Mas, pensando melhor, disse consigo mesma: 'Não quero que venham injuriar a meu pai e dizer-lhe: 'Tinhas uma filha muito querida e ela enforcou-se por causa de suas desgraças'. Assim, eu faria baixar à sepultura a velhice amargurada de meu pai. É melhor para mim, em vez de me enforcar, pedir ao Senhor que me faça morrer, para não mais ouvir injúrias em minha vida'. 11aNo mesmo instante, estendendo as mãos em direção à janela, fez esta oração: 'Tu és bendito, Deus de misericórdia, e é bendito eternamente o teu nome! 16Na mesma hora, a prece dos dois foi ouvida perante a glória de Deus. 17ae Rafael foi enviado para curar a ambos. Palavra do Senhor.

 

Reflexão “a oração para o tempo atual”

“Na mesma hora a prece dos dois foi ouvida perante a glória de Deus. E Rafael foi enviado para curar a ambos.” Nesta leitura nós percebemos que o homem e a mulher justos têm sabedoria para apreender a grandeza e a misericórdia de Deus, assim como também a sua própria limitação e impotência. De tal modo, Tobias e Sara nos dão exemplo de alguém que reconhece que a misericórdia é a justiça de Deus e que só Ele poderá salvar-nos. Ao mesmo tempo em que Tobias, cego, chorava com tristeza o sofrimento pelo qual estava passando, longe dali, Sara chorava a fatalidade de, por sete vezes, assistir a morte dos maridos e, por isso, ser amaldiçoada e injuriada. Apesar de toda a amargura, ambos reconheceram que Deus é justo e que os seus caminhos são misericórdia e verdade e a Ele recorreram, em oração. A oração do justo agrada ao Senhor. No momento atual em que estamos vivendo as maiores dificuldades, que, talvez já tenhamos atravessado, todos nós também podemos nos apossar da oração de Tobias e Sara e pedir ao Senhor a Sua Misericórdia para as nossas dores e tribulações. Então, nós, mesmo sofrendo, gemendo de dor e lamentando a sorte, seremos salvos, pois o Senhor nos mandará o Anjo que nos ajudará a vencer todos os desafios e nos mostrará a solução. -  Faça hoje a oração de Tobias e Sara, reconhecendo a sua necessidade da ajuda de Deus para todas as enfermidades, do coração, do corpo e do espírito e receba a visita do Anjo que vem para curá-lo (a).

 

Salmo - Sl 24, 2-4a. 4b-5ab. 6-7bc. 8-9 (R. 1b)

 

R. A vós, Senhor, eu elevo a minha alma.

2Senhor meu Deus em vós confio:+
que eu não seja envergonhado *
nem triunfem sobre mim os inimigos!
3Não se envergonha quem em vós põe a esperança, *
mas sim, quem nega por um nada a sua fé.
4aMostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos.R.


4bFazei-me conhecer a vossa estrada!
5aVossa verdade me oriente e me conduza,
5bporque sois o Deus da minha salvação.R.


6Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura *
e a vossa compaixão que são eternas!
7bDe mim lembrai-vos, porque sois misericórdia *
7ce sois bondade sem limites, ó Senhor!R.


8O Senhor é piedade e retidão, *
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
9Ele dirige os humildes na justiça, *
e aos pobres ele ensina o seu caminho.R.

 

Reflexão - O salmista expõe diante do Senhor as suas necessidades e pede orientação para seguir o caminho da verdade. Muitas vezes nós não sabemos como prosseguir diante das mil e uma perspectivas que se abrem à nossa frente e precisamos também rezar como o salmo nos ensina: “Mostrai-me ó Senhor, vossos caminhos, fazei-me conhecer a vossa estrada e que a vossa verdade me oriente.”

 

Evangelho – Mc 12, 18-27

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 12,18-27

Naquele tempo: 18Vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição e lhe propuseram este caso:
19'Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: 'Se morrer o irmão de alguém, e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão.' 20Ora, havia sete irmãos: o mais velho casou-se, e morreu sem deixar descendência. 21O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Por que os sete se casaram com ela!' 24Jesus respondeu: 'Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? 25Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu.
26Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou:
'Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó'?
27Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados.' Palavra da Salvação.

 

Reflexão – “somos propriedade de Deus Pai”

Todos nós temos a tendência de confundir os projetos de eternidade que Deus nos reserva porque somos muito ligados à nossa dimensão material. Deixamos de enxergar as coisas espirituais, nivelando a nossa vida depois da morte com a que experimentamos aqui na terra. Neste Evangelho Jesus esclarece esse mistério dizendo: “quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu.”  Se nos aprofundarmos nestas palavras de Jesus, chegaremos à conclusão de que para o nosso crescimento espiritual será muito importante que procuremos nos libertar do apego demasiado às pessoas, porque, realmente, somos propriedade de Deus Pai e, segundo a Sua misericórdia, é Ele quem nos reserva o lugar no qual habitaremos eternamente. Jesus conquistou para nós a ressurreição e, sabemos em quem colocamos a nossa fé. Todo o fundamento do cristão está baseado na ressurreição de Jesus e Nele esperamos também ressuscitar. Por isso, somos mais que vencedores do mundo e anunciadores do Evangelho. Ele mesmo nos esclarece:  Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”.  Hoje, somos matéria e espírito, um dia seremos como os anjos do céu, não teremos mais apego a ninguém, pois, seremos só de Cristo e viveremos em perfeita harmonia com o Pai e com todos os nossos queridos.  – O que as palavras de Jesus causam em você: preocupação ou esperança? – Você é uma pessoa muito dependente das pessoas que o (a) cercam? - Você acredita que um dia ressuscitará e viverá no céu com os anjos e os santos?   

O que é de Deus é o Amor-Helena Serpa

 

1 DE JUNHO DE 2021

3ª. FEIRA DA NONA SEMANA DO

TEMPO COMUM

 

Cor  Verde

1ª. Leitura – Tb 1, 9-14

 

Leitura do Livro de Tobias 2,9-14

Eu, Tobias, na noite de Pentecostes, depois de ter sepultado um morto, 9tomei banho, entrei no pátio de minha casa e deitei-me, junto à parede do pátio, deixando o rosto descoberto por causa do calor. 10Não sabia que, na parede, por cima de mim, havia pardais aninhados. Seu excremento quente caiu nos meus olhos
e provocou manchas brancas. Fui procurar os médicos para me tratarem. Quanto mais remédios me aplicavam, mais meus olhos se obscureciam com as manchas, até que fiquei completamente cego. Durante quatro anos estive privado da vista. Todos os meus irmãos se afligiram por minha causa. Aicar cuidou do meu sustento, durante dois anos, até que partiu para Elimaida. 11Naquela ocasião, Ana, minha mulher, dedicou-se a trabalhos femininos, tecendo ló. 12Entregava o produto aos patrões
e estes lhe pagavam o salário. No sétimo dia do mês de Distros,
ela separou a peça de tecido que estava pronta, e mandou-a aos patrões. Estes pagaram-lhe todo o salário e ainda lhe deram um cabrito para a mesa. 13Quando entrou em minha casa, o cabrito começou a balar. Chamei minha mulher e perguntei-lhe:
'De onde vem este cabrito? Não terá sido roubado? Devolve-o a seus donos, pois não temos o direito de comer coisa alguma roubada'. 14Ela respondeu-me: 'É um presente que me foi dado além do salário'. Mas não acreditei nela e insisti que o devolvesse aos patrões, ficando bastante contrariado por causa disso. Ela então replicou: 'Onde estão as tuas esmolas? Onde estão as tuas obras de justiça? Vê-se bem em ti o que elas são!'

Palavra do Senhor.

 

Reflexão – “o homem justo também é provado”

A Bíblia nos fala que Tobias, homem piedoso e fiel, “andava nos caminhos da verdade e praticava boas obras todos os dias” (Tb 1,3), dava de comer a quem tinha fome, vestia os nus e sepultava os mortos em tempo de perseguições. Era ele, então, o modelo de uma pessoa justa, no entanto, ficou completamente cego quando um excremento de pardal lhe caiu sobre os olhos.  Esta leitura vem nos mostrar que mesmo que pratiquemos “obras de justiça”, estamos expostos (as) às provações! A história desse homem de Deus, analisada a partir das boas obras do dia a dia, é um testemunho para o mundo de hoje, pois, ser justo não é uma exceção nem privilégio para alguns, mas algo necessário para todos.  Podemos então, refletir sobre a nossa vulnerabilidade diante dos acontecimentos do nosso dia a dia e chegar à conclusão de que o homem justo também é provado. Um incidente que pode acontecer com qualquer pessoa comum. Há dois anos tentando curar a cegueira, mesmo assim ele se manteve firme e temente a Deus recusando qualquer espécie de favorecimento que não estivesse em conformidade com a lei do Senhor. Ana mulher de Tobias, no entanto, se questionava se valeria a pena ser fiel a Deus levando uma vida honesta dentro do sentido da caridade. Às vezes, nós também só admitimos praticar a justiça e ajudar às outras pessoas quando tudo está correndo maravilhosamente bem na nossa vida. Esperamos ser recompensados (as) imediatamente pelas nossas boas obras e não percebemos que elas são um meio para que alcancemos a santidade e não nos isentam de passar por dificuldades e tribulações. Deus tem um plano para a nossa santidade e nossa felicidade. O caminho para a realização deste plano passa também, pelo sofrimento, pela dificuldade e pelo exercício das nossas virtudes. Se não fossem as nossas provações nós não teríamos a dimensão do nosso grau de fé e de confiança nos planos de Deus. O tempo em que passamos enfermos (as) é precioso para podermos treinar a nossa paciência, aceitação, humildade e, fazer com que outras pessoas nos possam ajudar e progredir na caridade.  Pensando, assim, com certeza conseguiremos ultrapassar os momentos de enfermidade e penúria da nossa vida confiando no livramento do Senhor. – Você já passou por alguma dificuldade desse tipo? – Você se considera isento (a) de provação por ser uma pessoa justa e temente a Deus? – Você sabe se deixar cuidar pelos outros quando está enfermo (a)? – Você admite passar pelo sofrimento sem reclamar?

 

Salmo - Sl 111, 1-2. 7bc-8. 9 (R. Cf. 7c)

 

R. O coração do justo é firme e confiante no Senhor.
 
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia


1
Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! 2Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos! R.


7bEle não teme receber notícias más: 7cconfiando em Deus, seu coração está seguro. 8Seu coração está tranquilo e nada te me, e confusos há de ver seus inimigos. R.
9Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder. R.

 

Reflexão - Orando com este salmo nós exercitamos a nossa confiança em Deus mantendo o coração tranquilo mesmo quando passamos pelas provações da nossa vida. O homem que respeita o Senhor e ama a sua lei não tem medo de receber notícias más, pois sabe que o seu destino está entregue nas mãos do Todo Poderoso. Também, ele reparte os seus bens com os pobres e por isso, permanece para sempre o bem que faz. A sua descendência será forte sobre a terra. Será que nós fazemos parte do povo que respeita o Senhor e ama a sua lei?

 

Evangelho – Mc 12, 13-17

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 12,13-17

Naquele tempo: 13As autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes, para apanharem Jesus em alguma palavra. 14Quando chegaram, disseram a Jesus: 'Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?' 15Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: 'Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja.' 16Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: 'De quem é a figura e a inscrição que está nessa moeda?' Eles responderam: 'É de César.' 17Então Jesus disse:
'Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.'
E eles ficaram admirados com Jesus. Palavra da Salvação.

 

Reflexão – “O que é de Deus é o Amor”

Precisamos estar atentos porque a duração da nossa vida é momentânea, no entanto, enquanto estivermos aqui teremos que cumprir as obrigações e não estamos isentos dos tributos do mundo, como nos fala Jesus no Evangelho de hoje: “Daí, pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.  O que é de Deus é o Amor! Por isso, para sermos justos na terra precisamos estar quites com os encargos que o mundo nos cobra. Deus não olha as aparências, mas vê o nosso coração e sabe dos nossos propósitos quando pagamos os impostos aqui na terra. Seremos cobrados (as) também pelo que ficarmos devendo no mundo, pois, vivemos aqui na terra sob o olhar misericordioso e providente do Senhor. Cumprindo com a nossa obrigação aqui neste século teremos, no outro, a recompensa pela nossa fidelidade. Entretanto, uma coisa não nos tira da outra. Assim como cumprimos com os encargos que o mundo nos cobra para que sejamos justos diante de Deus, precisamos ter o Amor como moeda para cumprir com a nossa dívida no céu. Por isso, precisamos saldar a nossa dívida com os nossos irmãos e irmãs, segundo o mandamento do Senhor: “Amai-vos uns aos outros”.  O mandamento de Deus é o Amor. Pagar imposto é um dever social, temporal, mas para Deus o nosso dever é amar e este é o nosso compromisso com o reino. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (as).  Somente assim seremos filhos e filhas justos (as), isto é, ajustados (as) ao Seu plano.    - Como você tem encarado as obrigações sociais que o mundo impõe? – Você é uma pessoa justa neste aspecto? – Você tem vivido o mandamento do amor? – Você sabe que diante de Deus nós seremos também cobrados (as) pelos nossos deveres sociais aqui na terra?

 

 

10o Domingo da Páscoa-Jorge Lorente

 

Evangelhos Dominicais Comentados

06/junho/2021  --  10o Domingo da Páscoa

 Evangelho: (Mc 3, 20-35)

 Jesus entrou em casa, e se reuniu tal multidão que não podiam sequer comer. Quando os seus parentes souberam disso, saíram para agarrá-lo, pois diziam: “Ele está louco”. Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: “Ele está possuído de Belzebu. É pelo poder do chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”. Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode manter-se de pé. E se uma família estiver dividida contra si mesma, não pode manter-se de pé. Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode continuar de pé, mas está próximo do fim. (...) Chegaram então, sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. A multidão estava sentada em volta dele, quando lhe disseram: “Tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora e te procuram”. Ele perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” E passando os olhos pelos que estavam sentados à sua volta, Jesus disse: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

 COMENTÁRIO

Este Evangelho nos leva a vivenciar a vida agitada de Jesus e de seus discípulos. Como sempre, Jesus está sempre pronto a atender todos os que o procuravam. É tão grande sua preocupação em ouvir os menos favorecidos, que não lhe sobrava tempo, nem mesmo para comer.

Jesus não se limitava a falar. Seu testemunho, sua abnegação é um exemplo que deve ser imitado por nós que frequentemente relutamos em abrir as nossas portas e nossos ouvidos àqueles que nos procuram; não paramos para ouvir seus lamentos, nem lutamos por mudanças.

Observe que os apóstolos, os auxiliares de Jesus, também não têm tempo para cuidar de si próprios, e nem podem! Jesus não aceita o comodismo e exige que o atendimento seja carregado de amor e dedicação. Exige prontidão total ao próximo. Quem não se doa totalmente, não consegue permanecer ao lado de Jesus. É impossível trabalhar ao lado do Mestre sem renúncia, sem sacrifícios.     

O seguidor de Jesus deve estar disposto a renunciar, abdicar aos seus momentos de lazer e, até mesmo, sacrificar seus horários de refeições para se colocar a serviço do Reino. Certamente é preciso muita coragem para seguir Jesus. Nem sempre estamos dispostos a permitir mudanças em nossa rotina e em nossos hábitos diários.

Com Jesus é assim: não pode haver intervalo, nem mesmo para um lanche, enquanto houver uma só pessoa para ser atendida. Nem pensar em parar enquanto um único irmão estiver necessitando de uma palavra. Precisamos imitar esse Mestre exigente e amoroso, sempre pronto a ouvir, sempre disposto a perdoar. Jesus deixa tudo de lado por amor.

No entanto, esse seu empenho, essa sua dedicação faz com que, até mesmo seus parentes e amigos o considerem como um louco ou fora de si. Por isso, você discípulo, discípula de Jesus, não estranhe que pessoas de seu convívio venham a criticá-lo por se empenhar na árdua tarefa de fazer a vontade do Pai. Eles irão chamá-lo de louco, vão chamá-la de doida, mas não se entregue. Lute sempre!

 

Jesus não se intimida, assume a postura de um leão e esclarece que fazer a vontade de Deus é algo concreto e definido. É algo espontâneo que deve expressar a nossa livre escolha e a nossa liberdade. A vontade de Deus é fazer-nos entender que o que nos identifica, e nos une como irmãos, é muito mais do que o parentesco e a amizade, é muito mais do que laços de sangue.

 

O que nos une como família e como filhos do mesmo pai é o amor. Não basta morar na mesma casa, não basta viver sob o mesmo teto, é preciso fazer a vontade do Pai para ser chamado de irmão, de irmã e de mãe. Deus é Pai, é Amor e quer ver-nos transformados.

 

Vamos então transformar o nosso modo de agir e de pensar. Em nome da justiça e da paz vamos assumir a postura de um leão e, em nome da unidade, assumir a mansidão do cordeiro. Vamos viver o amor, essa é a vontade do Pai.  

 

Finalizando, convém lembrar que a Bíblia Sagrada foi escrita originalmente em hebraico e aramaico, portanto, a palavra hebraica “ah” ou a palavra aramaica “aha”, são palavras genéricas que traduzidas para o grego, significam “irmão, parente”...

 

São palavras muito abrangentes e têm diversos significados que vão do irmão de sangue aos primos, parentes próximos, distantes e até mesmo compatriotas, membros da mesma tribo ou descendência.

 

Jesus não renegou sua mãe nem seus parentes ou discípulos, muito pelo contrário, Ele sempre deu provas do seu grande amor por todos eles, porém, deixou bem claro que só será chamado de mãe, irmã ou irmão, aquele que realmente viver a Palavra de Deus. E, aí? Quer ser irmão ou irmã de Jesus?

 

            Jorge.lorente@miliciadaimaculada.org.br - 06/junho/2021



(08694) - Palavras de Vida      [365]

 

Décimo Domingo do Tempo Comum – 06/junho/2021

 

Op-  (08695) –  “Tua Palavra é assim”  –  Sobe 10” e cai mantendo BG

 

Loc – Bom dia para você que nos acompanha através das emissoras interligadas à Rede Imaculada de Comunicação!

 

Loc – A partir de agora apresentamos: Palavras de Vida!

 

Loc – Vamos juntos refletir e nos alimentar da Palavra de Deus deste domingo, dia do Senhor.

 

Op-  (08695) –  “Tua Palavra é assim”  –  Sobe 10” e cai mantendo BG

 

Loc – Hoje, como sempre, a Palavra de Deus nos leva a meditar sobre a nossa resposta de vida ao projeto de Deus; um Deus que ama e que liberta ao ponto de deixar-nos livres para optar pelo bem ou pelo mal.

 

Vejamos as leituras de hoje:

 

 

Primeira leitura  Gn 3, 9-15

 

A primeira leitura, retirada do livro do Gênesis, através da história de Adão e Eva, nos mostra o que acontece quando rejeitamos as propostas de Deus e preferimos os caminhos da auto-suficiência, do egoísmo e do orgulho. Viver à margem de Deus, inevitavelmente, leva a trilhar caminhos de sofrimento, de destruição, de infelicidade e de morte. Não podemos procurar encontrar neste texto uma reportagem jornalística de acontecimentos passados no início da humanidade. A finalidade do autor do livro do Gênesis, não é científica ou histórica, mas teológica: muito mais do que ensinar a origem do mundo e do homem, ele quer nos dizer que na origem da vida e do homem está Deus e que na origem do mal e do pecado estão as opções erradas do homem e da mulher. Trata-se, portanto, de uma página de catequese onde o autor descreve a criação do paraíso e do homem; apresenta a criação de Deus como um espaço ideal de felicidade, onde tudo é bom e o homem vive em comunhão total com o criador e com as outras criaturas. Na segunda parte, o autor descreve o pecado do homem e da mulher; mostra como as opções erradas das criaturas introduziram fatores de desequilíbrio e de morte, na comunhão do homem com Deus e com o resto da criação. Na terceira parte, o autor apresenta o homem e a mulher confrontados com o resultado das suas opções erradas e as consequências que resultaram para toda a humanidade, com a vinda do pecado e da morte.

 

Op - (11078) –  “Catequese a serviço da Palavra”  – 5’ 13”

 

Salmo 129 (130)

 

“No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. A minha alma espera no Senhor mais do que o vigia espera pela aurora”.

Este é um trecho do salmo 129, aparentemente, trata-se de uma oração de súplica durante uma doença grave. Uma das coisas inexplicáveis na condição humana é a doença. Os israelitas pensavam que ela era consequência do pecado e que somente o perdão podia trazer a cura. A noite é a hora da súplica; a resposta de Deus vem pela manhã. Da condição particular de uma pessoa, passa-se para a condição do povo. O salmista ressalta que é Deus quem vai resgatar o povo de todo o seu pecado.

 Op - (02529) –  “Voz de Deus”  – 3’ 24”

 

 

Segunda leitura 2Cor 4, 11-18.5,1

 

A segunda leitura, tirada da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios, realça que, para o cristão, viver só tem sentido porque acredita, na ressurreição, tem certeza na caminhada da vida interior que se renova dia a dia na esperança da eternidade. Esta Carta de Paulo aos Coríntios apareceu num momento particularmente tenso da relação entre o apóstolo e essa comunidade cristã da Grécia. Algumas duras críticas de Paulo, em sua primeira carta, a certos membros dessa comunidade que viviam de forma pouco coerente com a fé cristã, provocaram um certo desconforto na comunidade. Os opositores de Paulo se aproveitaram disso e criaram um clima de hostilidade contra o apóstolo. Paulo foi acusado de estar cuidando apenas dos seus próprios interesses e de pregar uma doutrina que não estava em consonância com o Evangelho anunciado pelos outros apóstolos. Na opinião dessas pessoas, o fato de Paulo não ter apresentado qualquer carta de recomendação que comprovasse a sua autoridade para anunciar o Evangelho significava que a doutrina por ele pregada não era digna de fé. Ao saber disso, Paulo foi a Corinto; mas sua presença não resolveu o problema e ainda criou novo conflito. Paulo foi gravemente ofendido por um membro da comunidade. Algum tempo depois, Tito, amigo e colaborador de Paulo, partiu para Corinto com a missão de acalmar os ânimos e de tentar a reconciliação. Quando voltou, Tito trazia notícias animadoras: o incidente fora ultrapassado e os Coríntios estavam, outra vez, em comunhão com Paulo. Foi então que Paulo escreveu esta segunda Carta aos Coríntios. Nela, o apóstolo explica tranquilamente aos Coríntios os princípios que sempre orientaram o seu trabalho apostólico e superou todos os argumentos dos seus adversários. O texto de hoje nos coloca na opção pelo sentido da nossa vida em Cristo. Paulo apresenta suas fortes convicções de fé, ao dizer: “com este mesmo espírito de fé, também acreditamos, e falamos que Deus há de nos ressuscitar com Jesus e vai levar-nos para ficarmos eternamente em comunhão com Ele; o homem interior renova-se em cada dia na medida em que intensifica o seu olhar nas coisas invisíveis que são eternas”.

 

Op - (01729) –  “Santos ou nada”  – 3’ 31”

 

 

Evangelho Mc 3, 20-35

 

O Evangelho segundo Marcos capítulo 3, versículos de 20 ao 35, centra o nosso olhar na pessoa de Jesus, a quem os seus conterrâneos, entre eles tantos familiares, não o aceitaram como enviado de Deus. Na caminhada da fé, cada um é livre para optar entre ficar ligado nos dispersos sentidos de vida, ou então fazer a vontade do Pai e fazer parte da grande família de Jesus. No Evangelho de hoje nos deparamos com Jesus percorrendo a Galileia, cumprindo sua missão de anunciar o Reino. No entanto, começa a crescer uma onda de contestações à sua pregação. Usando como pretexto alguns insignificantes casos particulares, os líderes judaicos manifestam a sua firme oposição à novidade do Reino. As polêmicas e controvérsias marcam esta fase da caminhada de Jesus. No texto que estamos analisando, alguém se aproxima de Jesus e lhe diz: “tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Marcos diz que seus familiares, mãe e irmãos vão a Cafarnaum para tirar Jesus da casa onde está para levá-lo à sua casa em Nazaré. Muitas são as razões para agirem assim: Jesus está já há muito tempo distante de seus familiares, são muitas as notícias contraditórias sobre as suas atividades. Seus ensinamentos são contrários à doutrina oficial dos escribas e dos fariseus, além de sua proximidade e convivência com os considerados pecadores; outro fato marcante é o não seguimento da tradição judaica e nem o respeito pelo sábado. Por tudo isso, Jesus é considerado louco ou fora de si. A intenção principal de seus familiares é reconduzi-lo ao caminho reto de um autêntico judeu. Diante disso, Jesus respondeu com uma pergunta: “Quem é minha Mãe e meus irmãos?” E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: “Eis minha Mãe e meus irmãos; quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe”.

Esta é a mensagem de Jesus para o dia de hoje: na caminhada da fé, cada um é livre de optar pela família que quiser; pode ficar com as famílias que caminham sem rumo nem direção, ou permanecer na família de Jesus, na família comprometida em fazer a vontade de Deus Pai.

 

Op - (02513) –  “Mãe fiel”  – 4’ 39”

 

Loc – Com os trabalhos técnicos de ..................... e apresentação de Jorge Lorente, nós encerramos a nossa meditação da Palavra de Deus. Obrigado por seu carinho e audiência. Palavras de Vida volta no próximo domingo neste mesmo horário. Continue conosco, em instantes estaremos rezando com você através das canções que falam de fé, amor e fraternidade. Deus abençoe seu lar e sua semana. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e salve Maria Imaculada!

 

 

BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES-Olivia Coutinho

 REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA - 31/05/21 - Lc1,39-56 


VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA.

"BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES..." 

Reflexão de Olivia Coutinho

Caros irmãos e irmãs em Cristo!


Com a festa da visitação de Nossa Senhora, encerra-se o mês de maio, o mês dedicado a Maria!
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos apresenta Maria como modelo de vida cristã, um modelo que deve ser seguido por todos nós, que queremos seguir o seu filho Jesus! 
Nossa vida, se pautada no exemplo desta grande mulher, com certeza, será uma vida fecunda!
Assim que recebera o anuncio, de que ela seria a mãe de Jesus, Maria ficou sabendo da gravidez de Isabel. Movida pelo o amor ao próximo, ela não pensa em si, pensa em Isabel que era uma mulher de idade avançada e que certamente precisaria de maiores cuidados na sua gravidez devido a fragilidade dos seus muitos anos! Sem hesitar, ela, que se fez serva de Deus, põe-se à caminho, indo ao auxílio de Isabel! Com este gesto, Maria nos dá um grande exemplo de solidariedade, mostrando-nos que o amor é mais do que sentimento, mais do que palavras bonitas, o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades para poder ajudá-lo.
Subindo montanhas, carregando Jesus em seu ventre, Maria se fez a primeira discípula de Jesus, a primeira missionária do Pai a levar seu Filho ao outro!
A narrativa nos fala ainda, de dois encontros que ficou marcada em toda história, o encontro de duas mães que pela a graça de Deus, se fizeram mãe fora da normalidade: Maria uma virgem sem ter unido em matrimonio a um homem e Isabel uma anciã. No encontro destas duas mulheres, acontece também o encontro invisível de duas crianças, que estavam sendo geradas no ventre destas duas mulheres distintas; no ventre da jovenzinha de Nazaré, estava sendo gerado Jesus, e no ventre antes estéril, da anciã Isabel, João Batista! 
"Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre. (Lc1, 41." "Bem aventurada àquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor prometeu, ”Ao ouvir estas palavras de Isabel, Maria, diz: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva..." Este, é o canto do MAGNIFICAT, neste canto, Maria expressa de modo transbordante a sua gratidão pela a imensidão de maravilhas que Deus realizou em sua vida! Realizações, que Ela reconhecia não serem somente em seu favor, mas em favor de todos, uma vez que, pelo o Filho que ela carregava no seu ventre, a salvação chegaria à humanidade! 
O canto do MAGNIFICAT é um canto de gratidão e de humildade, nele, Maria reconhece o poder, a majestade do Senhor, e se submete humildemente à sua vontade, proclamando-se bem aventurada!
Com Maria, aprendemos que a humildade nos aproxima da perfeição e que ao dizermos "sim" a Deus, Ele nos transforma em “grandes” mesmo dentro da nossa pequenez!
Podemos também, assim como Maria, louvar a Deus dizendo: A minha alma engrandece o Senhor, porque olhou para a humildade de seu servo ( a) “ O Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor...”Ao se entregar inteiramente a serviço de Deus, Maria teve participação fundamental na história da salvação, enfrentando todos os desafios, desde a concepção de Jesus, até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, ela manteve-se de pé aos pés da cruz. 
O papel desempenhado por Maria na encarnação e na morte de Jesus, nos deixa um grande exemplo, exemplo, de mulher forte, de alguém que ama que não se deixa abater pelo o sofrimento, porque confia no poder e na misericórdia de Deus! Com o testemunho da mãe de Jesus, aprendemos a sermos inteiros no amor, a dar passos ao encontro do seu filho indo ao encontro do outro!
Que nossos corações, sejam iluminados pela a luz da bondade, a mesma luz que iluminou o coração de Maria, a grande defensora dos pobres e sofredores!
"Deus cativou Maria e ela se deixou cativar por Ele!"
O "sim" de Maria possibilitou a entrado do Filho de Deus, no meu e no seu coração...

QUE DEUS ABENÇOE A TODOS!

FIQUE NA PAZ DE JESUS!

Reflexão de Olivia Coutinho

domingo, 30 de maio de 2021

10.º DOMINGO DO TEMPO COMUM-Ano B -Dehonianos

 10º Domingo do Tempo Comum - Ano B

6 Junho 2021

Ano B - 10.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 10.º Domingo do Tempo Comum

O tema deste 10.º Domingo do Tempo Comum gravita à volta da identidade de Jesus e da comunhão que Ele deseja estabelecer com aqueles que se colocam na disposição de o seguir: fica claro que Jesus não tem qualquer aliança com o Demónio e com o poder do mal e que se quer definir pela sua relação de obediência com Deus Pai, à qual convida todos aqueles que se querem sentir parte da sua família.
No Evangelho, Jesus demonstra que, na sua atividade de libertação do poder do mal, não pode estar a pactuar com o Demónio, mas vem para libertar os homens e as mulheres de todos os tempos. Também nisso está a fazer a vontade de Deus e convida todos a fazer comunidade centrada na sua pessoa e decidida a construir um mundo que se baseie neste desejo de fazer a vontade de Deus.
A primeira leitura traz-nos o diálogo de Deus com as figuras poéticas do primeiro homem e da primeira mulher, depois da queda. Este texto procura chamar-nos ao sentido da existência, deixando claro que todos somos chamados a não pactuar com o mal e a estar de sobreaviso diante das tentações do Maligno.
Na segunda leitura, São Paulo mostra como as tribulações que sofre não abrandam o seu ardor missionário, que se caracteriza pela grande confiança em Deus e na vida eterna que há de conceder; duas grandes atitudes qualificam o ministério de Paulo: a esperança de estar unido com Jesus na ressurreição tal como o está na tribulação terrena e o desejo íntimo de estar em comunhão com os cristãos a quem anuncia o Evangelho de Jesus Cristo.

LEITURA I - Gn 3,9-15

Leitura do Livro do Génesis

Depois de Adão ter comido da árvore,
o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe:
«Onde estás?»
Ele respondeu:
«Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim
e, como estava nu, tive medo e escondi-me».
Disse Deus:
«Quem te deu a conhecer que estavas nu?
Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?»
Adão respondeu:
«A mulher que me destes por companheira
deu-me do fruto da árvore e eu comi».
O Senhor Deus perguntou à mulher:
«Que fizeste?»
E a mulher respondeu:
«A serpente enganou-me e eu comi».
Disse então o Senhor Deus à serpente:
«Por teres feito semelhante coisa,
maldita sejas entre todos os animais domésticos
e todos os animais selvagens.
Hás de rastejar e comer do pó da terra
todos os dias da tua vida.
Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher,
entre a tua descendência e a descendência dela.
Ela há de atingir-te na cabeça
e tu a atingirás no calcanhar».

AMBIENTE

Como indica a palavra Génesis (quer dizer «origem»), que intitula o primeiro livro da Sagrada Escritura, este é o livro das origens, não apenas porque narra as origens da criação e do mundo (cf. Gn 1,1: «No princípio, Deus criou...»), mas porque vem de encontro às perguntas existenciais de todos os homens e mulheres: «Quem sou eu? Donde venho? Para onde vou?». Assim, mesmo na divisão clássica em duas partes, o primeiro livro da Bíblia responde à pergunta sobre as origens: primeiro, as origens da criação e do ser humano (cf. Gn 1,1–11,26); depois, as origens de Israel, com os chamados ciclos dos patriarcas (cf. Gn 11,27–50,26).
Sobretudo no que diz respeito à primeira parte, não se deve procurar uma história factual (cada vez mais, as traduções da Bíblia traduzem «'adam» como «homem», em vez de «Adão», mostrando como, naquele primeiro homem, está presente o drama de cada ser humano); deve ler-se aí uma história poético-simbólica, em que a poesia e o símbolo abraçam a realidade, mas ultrapassam-na. O autor sagrado condensa, com certeza, várias tradições que foram sendo transmitidas oralmente e que respondem à pergunta sobre as origens da criação, do ser humano na sua diferenciação e complementaridade homem-mulher, do mal, das várias línguas, etc.
Esta primeira leitura faz parte do segundo relato da criação (cf. Gn 2,4b–3,24), o único a narrar a transgressão, não como um facto histórico, mas como um modo de perceber as origens do mal - que, como veremos, não se encontra em Deus nem no ser humano, mas é externa - e da luta intrínseca dos homens e mulheres contra o autor do mal. Leva-nos até ao relato do encontro de Deus com o homem e a mulher, depois de estes terem comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (cf. Gn 3,1-7), transgredindo a ordem que lhes tinha sido expressamente dada de não comer de duas árvores, da árvore do conhecimento do bem e do mal e da árvore da vida (cf. Gn 2,16-17).

MENSAGEM

Para compreender a mensagem do nosso texto, é necessário ter presente o seu contexto, que descrevemos no ambiente. O facto de o homem e a mulher terem comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, contrariando uma ordem do Senhor Deus em Gn 2,16-17, quebra a harmonia existente entre o ser humano e Deus, e mesmo com a criação. Mesmo assim, isto não quebra a relação de Deus com o homem e a mulher, uma vez que todo o texto se desenrola num diálogo, feito de perguntas de Deus e de respostas do homem e da mulher.
A primeira pergunta do Senhor Deus é fundamental: «Onde estás?» (v. 9). Esta questão não se limita a indagar sobre o lugar onde se situa o homem; assume, por isso, uma dimensão claramente existencial. Através da desobediência, homem e mulher tinham perdido a sua colocação espacial original, perdendo-se na inconsistência de pretender ser como Deus (cf. Gn 2,5.22). Ao interrogá-los, o Senhor Deus conhece bem a dimensão da transgressão como o denota a terceira pergunta (v. 11: «Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?»). As perguntas do Senhor Deus servem muito mais ao homem e à mulher que são interrogados, para se encontrarem consigo mesmos depois de se terem perdido e para refazerem o caminho que os levou a transgredir a ordem estabelecida pelo Senhor Deus. As respostas do homem e da mulher (vv. 12-13) refletem a tendência humana de se desculpabilizar, desresponsabilizar e autojustificar, de encontrar a culpa fora de si; por outro lado, e numa leitura teológica, pode ser a forma encontrada pelo autor sagrado para mostrar que o mal não tem origem em Deus, que criou tudo bem e bom, nem no ser humano, ou seja, que o mal tem origem fora do ser humano; o homem e a mulher fizeram mal, mas foram a isso levados pela serpente que é, de facto, a única a receber a condenação mais dura (vv. 14-15), se tivermos em conta que Gn 2,16-19 é uma explicação da situação atual e real da mulher e do homem.
Ficamo-nos, por último, na sentença divina em relação à serpente. É verdade que esta sentença dura contra a serpente pode espelhar a situação atual deste animal, considerado maldito: os humanos em luta contra as serpentes; a declaração de impureza da serpente, o que a faz ser rejeitada nas prescrições alimentares de Israel (cf. Lv 11,41-44; 20,25). No entanto, já no judaísmo tardio, a serpente começa a ser lida como um símbolo do diabo, que será derrotado pelo Rei-Messias (esta interpretação ganhará força no Novo Testamento, concretamente na releitura de Rm 16,20 ou de Ap 12,9; 20,2). Numa releitura cristã, portanto, esta sentença divina em relação à serpente apresenta-se como profecia da luta de Jesus Cristo, descendente da mulher, contra o mal e contra o seu autor, descendente da antiga serpente simbólica deste relato.

ATUALIZAÇÃO

• O estilo do texto da primeira leitura, de diálogo entre Deus e os personagens deste relato, ajuda a colocar-se na narrativa, escutando as perguntas de Deus ao homem: «Onde estás?» (v. 9), «Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?» (v. 11), e à mulher: «Que fizeste?» (v. 13). Uma vez que todas estas questões têm um sentido existencial, poderá ser bom voltar às origens, poder localizar-nos no espaço de Deus, responder pelas nossas ações e verificar se as nossas respostas diferem das dos personagens deste relato.

• Diz-se que é comum a tendência para desculpabilizar, desresponsabilizar e autojustificar-se; também neste relato se vê um contínuo passar da culpa para os outros personagens. Retomando as questões anteriores, poderá ser hora de assumir as nossas responsabilidades diante de Deus, sabendo que, como dirá o Salmo 129 (130), «no Senhor está a misericórdia e a abundante redenção». A autojustificação não é caminho; o caminho passa pela justificação trazida por Cristo na sua morte de cruz, para nos reconciliar com o Pai.

• A origem última de toda a complicação remonta ao facto de se ter dado ouvidos à serpente: «A serpente enganou-me e eu comi» (v. 13). Se vemos na serpente uma imagem do diabo e do poder do mal, é importante estar de sobreaviso diante da tentação do maligno. Como várias vezes tem ensinado o Papa Francisco: «Não se dialoga com o demónio». Ainda o Papa Francisco: «A vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demónio e anunciar o Evangelho. [...] Não pensemos que é um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia. Este engano leva-nos a diminuir a vigilância, a descuidar-nos e a ficar mais expostos. O demónio não precisa de nos possuir. Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios. E assim, enquanto abrandamos a vigilância, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas famílias e as nossas comunidades, porque, "como um leão a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar" (1Pd 5,8)» (Gaudete et Exsultate 158.161).

SALMO RESPONSORIAL - Sl 129 (130)

Refrão: No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

Ou: No Senhor está a misericórdia,
no Senhor está a plenitude da redenção.

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,
Senhor, escutai a minha voz.
Estejam os vossos ouvidos atentos
à voz da minha súplica.

Se tiverdes em conta os nossos pecados,
Senhor, quem poderá salvar-se?
Mas em Vós está o perdão
para Vos servirmos com reverência.

Eu confio no Senhor,
a minha alma confia na sua palavra.
A minha alma espera pelo Senhor
mais do que as sentinelas pela aurora.

Porque no Senhor está a misericórdia
e com Ele abundante redenção.
Ele há de libertar Israel
de todas as suas faltas.

LEITURA II - 2Cor 4,13–5,1

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Diz a Escritura: «Acreditei, por isso falei».
Com este mesmo espírito de fé,
também nós acreditamos, e por isso falamos,
sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus
também nos há de ressuscitar com Jesus
e nos levará convosco para junto d'Ele.
Tudo isto é por vossa causa,
para que uma graça mais abundante
multiplique as ações de graças de um maior número de cristãos
para glória de Deus.
Por isso, não desanimamos.
Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando,
o homem interior vai-se renovando de dia para dia.
Porque a ligeira aflição dum momento
prepara-nos, para além de toda e qualquer medida,
um peso eterno de glória.
Não olhamos para as coisas visíveis,
olhamos para as invisíveis:
as coisas visíveis são passageiras,
ao passo que as invisíveis são eternas.
Bem sabemos que,
se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita,
recebemos nos Céus uma habitação eterna,
que é obra de Deus
e não é feita pela mão dos homens.

AMBIENTE

A Segunda Carta aos Coríntios é, em grande parte, uma apologia do Apóstolo Paulo em favor do seu ministério apostólico, diante de quem não o reconhece. Numa primeira apologia, em 2Cor 2,14–4,6, Paulo tinha-se baseado muito na autoridade do Antigo Testamento, para provar a verdade da sua atividade apostólica, tão gloriosa a ponto de ofuscar o ministério de Moisés. O nosso texto situa-se na segunda apologia de Paulo (2Cor 4,7–5,10), desta feita baseada não tanto sobre os textos sagrados do Antigo Testamento, mas sobre uma antropologia em perspetiva escatológica, que será bem visível no nosso texto. Esta segunda apologia responde a algumas questões que os seus adversários poderiam colocar-se; uma delas é perceber como é que o ministério apostólico, por ele defendido na primeira apologia, pode ser tão provado e atribulado (cf. 2Cor 4,8-9.17). A resposta apologética de Paulo pautar-se-á por uma estratégia muito particular de ler toda a situação presente, claramente marcada pelas tribulações, à luz do futuro, do mundo que há de vir, das coisas últimas (escatologia). Nesta releitura, Paulo acentuará a comunhão: a comunhão que o une a Jesus Ressuscitado e a comunhão com os crentes, incluídos muito provavelmente também os destinatários desta Carta.

MENSAGEM

Este trecho da Segunda Carta aos Coríntios, sendo parte da apologia de Paulo, mostra a disposição com que Paulo encara o seu ministério que fica marcado, basicamente, por duas grandes atitudes: a fé-confiança que lhe dá força apesar das tribulações; a comunhão a dois níveis, ou seja, com Cristo e com os destinatários da sua pregação apostólica, entre os quais os destinatários desta carta.
A referência de Paulo à atitude de fé (v. 13: «o mesmo espírito de fé») baseia-se na citação da tradução grega do Sl 115: «Acreditei, por isso falei». Isto permite que Paulo faça depender o conteúdo da sua pregação não das suas ideias, mas do conteúdo da fé na ressurreição de Jesus Cristo; além disso, trata-se da fé como atitude de confiança de quem sabe que não está só, mas está unido à morte de Cristo e de quem espera a Ele estar unido também na ressurreição (cf. v. 14). Esta apologia é de conteúdo mais antropológico e, por isso, Paulo dá nota de como se deixa mover pela fé, ao estabelecer um contraste muito nítido entre a realidade presente, que para ele é aparente, e a realidade definitiva que é a vida do mundo que há de vir: a progressiva ruína do «homem exterior» em contraste com a progressiva renovação do «homem interior» (4,16); «a ligeira aflição dum momento» em contraste com «um peso eterno de glória» que se está a preparar (4,17); «as coisas visíveis» e «passageiras» em contraste com «as invisíveis» que são «eternas» (4,18); «esta tenda, que é a nossa morada terrestre», passível de ser destruída, a contrastar com «uma habitação eterna, que é obra de Deus» (5,1). É tudo isto a motivar a ação apostólica de Paulo, acentuando claramente que a tribulação do momento presente não é a palavra definitiva. Nas cartas de Paulo encontramos várias vezes este desprezo em relação à realidade presente e a total confiança e esperança na eternidade em comunhão com Deus (cf. Rm 8,31-39; Fl 3,7-14).
A segunda atitude que enunciámos é de comunhão, a dois níveis: do espírito de união com Cristo e da comunhão com os cristãos a quem dirige a sua pregação. Antes, Paulo já tinha deixado claro que as suas tribulações no desempenho do ministério apostólico eram sinal de estar visivelmente unido à morte de Jesus (cf. 2Cor 4,8-12); manifesta agora a esperança de se unir a ele também na glória da ressurreição (v. 14: «sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d'Ele»). A união existencial a Jesus é, portanto, essencial na vida do apóstolo. No entanto, essa comunhão visível com Jesus abre-se à comunhão com os que creem em Cristo: de facto, Paulo espera estar unido a Jesus com os destinatários da carta (v. 14: «convosco»); se Paulo sofre tribulações, fá-lo em favor dos cristãos, para suscitar «as ações de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus» (v. 15).

ATUALIZAÇÃO

• A atitude de Paulo diante das tribulações serve de modelo para os cristãos de todos os tempos, como atitude a conservar diante das provas e tribulações, quer derivem do exercício dos diversos ministérios na comunidade eclesial, quer se refiram a tantas outras situações que derivam do próprio "ser cristãos" no mundo contemporâneo. É antes de mais uma atitude de fé e de confiança que tem a eternidade como fim bem visível. A ressurreição de Cristo abriu caminho, para mostrar que a vida humana não se confina à vida terrena, mas é chamada à vida de comunhão com Jesus ressuscitado, sentado à direita do Pai. A fé na vida eterna deve continuar a iluminar o momento presente dos cristãos.

• A comunhão eclesial é certamente uma das marcas distintivas do que significa ser cristãos. Jesus chama a essa comunhão o mandamento novo do amor e reza para que a comunhão eclesial se mantenha e seja imagem da sua comunhão com o Pai. Paulo dá mostras de a viver, porque espera continuar unido aos cristãos, a quem se dirige, também na vida eterna. Além disso, todo o seu ministério apostólico se destina a gerar novos cristãos. Paulo é exemplo do desempenho do ministério como serviço à Igreja, não para a sua glória pessoal, não para se servir, mas verdadeiramente para servir.

ALELUIA - Jo 12,31b-32

Aleluia. Aleluia.

Chegou a hora em que vai ser expulso
o príncipe deste mundo, diz o Senhor;
e quando Eu for levantado da terra,
atrairei todos a Mim.

EVANGELHO - Mc 3,20-35

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus chegou a casa com os seus discípulos.
E de novo acorreu tanta gente,
de modo que nem sequer podiam comer.
Ao saberem disto, os parentes de Jesus
puseram-se a caminho para O deter,
pois diziam: «está fora de Si».
Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam:
«Está possesso de Belzebu,
e ainda:
«É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios».
Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas:
«Como pode Satanás expulsar Satanás?»
Se um reino estiver dividido contra si mesmo,
tal reino não pode aguentar-se.
E se uma casa estiver dividida contra si mesma,
essa casa não pode aguentar-se.
Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide,
não pode subsistir: está perdido.
Ninguém pode entrar em casa de um homem forte
e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar:
só então poderá saquear a casa.
Em verdade vos digo:
Tudo será perdoado aos filhos dos homens:
os pecados e blasfémias que tiverem proferido;
mas quem blasfemar contra o Espírito Santo
nunca terá perdão: será réu de pecado eterno».
Referia-Se aos que diziam:
«Está possesso dum espírito impuro».
Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos,
que, ficando fora, mandaram-n'O chamar.
A multidão estava sentada em volta d'Ele,
quando Lhe disseram:
«Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura».
Mas Jesus respondeu-lhes:
«Quem é minha Mãe e meus irmãos?»
E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse:
«Eis minha Mãe e meus irmãos.
Quem fizer a vontade de Deus
esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».

AMBIENTE

Em Mc 3,6, tinha terminado a secção das várias controvérsias de Jesus com diversas instituições do mundo judaico. Não quer dizer que tenha terminado o confronto com essas instituições; o nosso texto será uma boa prova desse confronto. Dentro da grande secção de Mc 3,7–8,26, o texto de Mc 3,7–6,6 em que se encontra o nosso texto será dominado pelo contraste entre a rejeição e a aceitação de Jesus como mestre e agente de ações miraculosas: por um lado, o grupo dos doze apóstolos (cf. 3,13-19) e todos os que aceitam e fazem a vontade do Pai (3,33-35); por outro, a dificuldade da família de Jesus (cf. 3,21), dos escribas (cf. 3,22) e dos habitantes de Nazaré (cf. 6,1-6) em aceitar o ministério de Jesus.

MENSAGEM

Através da técnica literária da "narrativa em sanduiche", o Evangelho de Marcos encara a difícil temática da identidade e origem de Jesus. Apesar de ser apenas uma técnica literária, vale a pena explicar o que significa a "narrativa em sanduiche", para perceber o conteúdo da mensagem deste texto de Mc 3,20-35. O início e o fim do texto (v. 21) apresentam-nos a atitude da família de Jesus, de ir ao seu encontro por ter ouvido dizer que Ele «está fora de si»; a família volta à cena apenas no v. 31, com a sucessiva conclusão de Jesus a revelar quem é a sua família. Pelo meio (dentro da "sanduiche"), encontramos uma controvérsia com os escribas (vv. 22-30) sobre a origem do poder de Jesus para expulsar os demónios: se, por um lado, os escribas tentam fazer passar a ideia de uma familiaridade de Jesus com o príncipe dos demónios, Belzebu (v. 22), Jesus demonstrará, por meio da parábola do reino dividido (vv. 23-25), que não pode pertencer ao reino de Belzebu-Satanás, que não pode ter com ele qualquer familiaridade, porque um reino dividido não pode levar a melhor contra o inimigo (vv. 26-27).
A verdadeira questão deste texto é sobre a identidade de Jesus, a vários níveis, que passamos a explicitar. Antes de mais, a controvérsia com os escribas termina com uma afirmação solene dos vv. 28-29, contextualizada pelo v. 30. Diante de quem diz que Ele «está possesso de um espírito impuro» (v. 30), Jesus declara que todos «os pecados e blasfémias» serão perdoados (v. 28), mas «quem blasfemar contra o Espírito» não obterá perdão (v. 29); dá assim a entender que a blasfémia contra o Espírito Santo seria negar a verdadeira identidade divina de Jesus, ficando associada aos demónios. Isto está em linha com a pregação apostólica, por exemplo de Paulo, em 1Cor 12,3: «Pela ação do Espírito Santo, ninguém pode dizer: "Jesus é anátema"; ninguém pode dizer: "Jesus é Senhor", a não ser pela ação do Espírito Santo».
Além disso, o texto termina com a afirmação de Jesus a mostrar quem é a sua família, refundando os laços familiares. Jesus não está irmanado por laços de sangue, mas pela atitude diante da «vontade de Deus»: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe» (v. 35). A atitude fundamental de Jesus é a obediência à vontade de Deus, seu Pai; é isso que define a sua identidade. Para fazer parte da família de Jesus, é essencial ter a mesma atitude que Ele tem diante da vontade de Deus.
A mensagem do nosso texto revela, portanto, a identidade de Jesus a dois níveis: por um lado, Jesus define-se pela total ligação a Deus e à sua vontade, a ponto de considerar sua família quem estiver nessa mesma atitude; por outro lado, define-se ainda pela total separação e diferenciação do Demónio-Satanás. Aliás a sua missão é, nos termos da parábola (cf. v. 27), entrar em casa do «homem forte» que é o demónio, «amarrá-lo», impedindo-o de continuar a sua ação, e «roubar-lhe os bens», ou seja, retirar do seu poder todos os que eram sua propriedade.

ATUALIZAÇÃO

• O tema principal do texto do Evangelho deste domingo - sobre a identidade de Jesus - mostra que desde os inícios do cristianismo os cristãos sentiram necessidade de responder à pergunta: "Quem é Jesus?". Ainda hoje, na ação pastoral da Igreja, sobretudo nas catequeses, é importante que todos os cristãos conheçam a identidade de Jesus, até mesmo para poderem estabelecer com ele uma relação personalizada.

• Fazer parte da família de Jesus é a vocação fundamental dos cristãos de todos os tempos. Por isso, são chamados a formar comunidade, que está centrada na pessoa de Jesus e que tem como única missão fazer a vontade de Deus em todas as circunstâncias da vida. É a isso que chama o Evangelho quando Jesus apresenta a sua verdadeira família: é quem faz a vontade de Deus e toma lugar ao redor de Jesus.

• O método para estabelecer uma relação de familiaridade com Jesus passa necessariamente por seguir o seu exemplo: é Ele o primeiro a fazer a vontade de Deus, mesmo quando isso acarreta incompreensão e rejeição do seu ministério. O cristão continua no mundo a missão de Jesus e tem como único horizonte fazer a vontade de Deus; esta é uma das petições do Pai Nosso, a oração que Jesus ensina a rezar: «Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu».

• Quando o cristão se decide a seguir Jesus, isso implica necessariamente que renuncie ao mal e ao demónio. Tal como Jesus estabelece uma clara separação entre o seu serviço e o poder de Satanás, desde o primeiro momento da vida cristã, os cristãos são chamados a renunciar a Satanás e a fazer a sua profissão de fé em Deus. Na vida ordinária, isso implica que se tenha claro que algumas práticas de bruxaria, feitiçaria e cartomancia não são práticas próprias de um cristão, mas aprisionam; Jesus vem libertar-nos desse aprisionamento de Satanás e é necessário deixar-se libertar.

A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.

Ao longo dos dias da semana anterior ao 10.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo... Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa... Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Ricardo Freire, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 - 1800-129 LISBOA - Portugal
Tel. 218540900 - Fax: 218540909
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