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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

“... QUEM SE HUMILHA SERÁ EXALTADO.” – Olívia Coutinho

 


XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 01 De Setembro de 2013-08-28
Evangelho de Lc 14,1.7-14

 Numa sociedade onde impera o individualismo, a competitividade, o povo vai se distanciando cada vez mais do projeto de Deus, deixando de lado os valores do evangelho, da ética e da moral. O que não está longe de nós, que muitas vezes, escondemos no manto da bondade,  para nos aparentar pessoas corretas, cumpridoras das normas religiosas, seguidores de Jesus,  quando  na prática, agimos de forma contrária a Dele, deixando-nos levar pela vaidade, pela auto-suficiência. 
Precisamos ter a  humildade de reconhecer as nossas imperfeições  para que possamos  nos alto – corrigir e nos colocar no nosso devido lugar, e não, no lugar do outro!
Jesus, enquanto caminhou aqui neste chão, nos ensinou com a própria vida, que a grandeza do homem, não está em ser o primeiro, e sim, em estar no lugar que Deus o colocou, é Deus  que escolhe o nosso lugar, e não nós.
Como único mestre de toda história, Jesus serviu-se de meios humanos bem simples,  para nos ensinar que é na gratuidade e  na humildade, que  seremos classificados por Deus, como  primeiros no Reino dos céus.
O evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, nos convida a pautar a nossa vida no exemplo de Jesus, que mesmo sendo Deus, se pôs a serviço de todos, curvando-se para lavar os pés dos apóstolos, numa atitude de humildade e de  serviço.
“Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo” (Fl 2, 6-7).
Mesmo sendo o próprio Deus, Jesus se fez pequeno, para Ele, a sua Nobreza, estava em ser “FILHO”, um Filho completamente dependente do Pai!
Pela lógica dos homens, ser grande, é possuir bens, é ter poder, fama, enquanto que pela  lógica  de Deus,  grande, é  todo aquele que serve que vive na simplicidade e na humildade, este sim,  tem uma vida fecunda e plenamente realizada.
Com o seu testemunho, Jesus  nos ensina que o caminho que nos leva a salvação é o caminho da humildade, caminho que Ele mesmo  percorreu,  ora se misturando com os pobres  e marginalizados, ora sentando à mesa da refeição com os seus adversários.
A nossa vida cristã, deve ser  marcada pela vida de comunhão e acima de tudo, de humildade.
A humildade é a virtude que mais nos aproxima de Deus, que nos torna parecidos com Jesus! A humildade  é o reflexo da alma!  Quem é   humilde, não presume que o é, pois  dentre todas as virtudes, somente a humildade se ignora a si mesma. 
 Uma pessoa não é humilde de nascença, ela vai tornando humilde à medida em que ela vai reconhecendo a sua fragilidade, a sua pequenês diante do Senhor. O que acontece, quando nos esvaziamos de nós mesmo, para nos encher do amor de  Deus!  É a força deste amor, que nos  torna humildes!
Jesus disse: “felizes os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus”. Podemos concluir: a humildade é  a característica marcante de um  verdadeiro seguidor de Jesus!  
O texto nos  diz, que Jesus estava almoçando com o chefes  dos fariseus, e ao  notar que os convidados ocupavam  os primeiros lugares, Ele os adverte,  contando  uma parábola que chega até a nós, como uma alerta, quanto ao  risco que corremos quando passamos por cima do outro, para  nos auto-promover.
Jesus insiste em mudar a mentalidade interesseira daqueles que pensam que ocupando os primeiros lugares serão notados, o que vai ao contrario à uma sua  afirmativa: “O primeiro no reino dos Céus é aquele que serve.”  Esta advertência  de Jesus, nos  leva  a um questionamento: O que é mais importante: destacar diante dos homens aqui na terra ocupando os primeiros lugares,  ou assumir  a cruz com Jesus e receber um lugar de honra no céu?
No final do evangelho, Jesus nos orienta: “... quando deres um banquete convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos! Então serás feliz, pois eles não te podem  retribuir!”
Façamos o que Jesus nos pede,  mas não fiquemos somente no Banquete lá  da nossa casa,  podemos ir mais além, se  misturados, dentro do espírito da  igualdade, no  banquete  da partilha, do viver em comunhão com Deus e com os irmãos.
  

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia

AS CONDIÇÕES PARA SER DISCÍPULO DE CRISTO - José Salviano

23º DOMINGO TEMPO COMUM

8 de Setembro de 2013 - Ano C

JESUS EXIGE A NOSSA RENÚNCIA!



PRIMEIRA LEITURA
            A primeira leitura nos mostra que nenhum ser mortal consegue desvendar os desígnios de Deus, isso porque a sua lógica não é igual à lógica humana.  Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos, ou seja, nosso modo de pensar, de avaliar, não confere com o Plano de Deus. Nós tentamos, porém,  nossas reflexões, nossa conclusões são sempre incertas.  Vemos sempre um Deus segundo a nossa ótica. Queremos um Deus que defenda os nossos interesses, que nos proteja dos perigos, que nos livre de todos os sofrimentos, etc. Enquanto Deus, em seu plano de salvação, em seu  amor exigente, nos propõe, (mas não nos obriga), uma vida de negação de nós mesmo, uma vida de sacrifícios, e de purificação.  Porém, o nosso corpo corruptível arrasta a nossa alma sempre para baixo, para o pecado, para longe de Deus!  A nossa alma está acampada em uma  tenda de argila, que é o nosso corpo perecível  que oprime a nossa mente, de modo que mal podemos com muito custo conhecer o que há na terra, nesta vida passageira, na qual, mal entendemos o que está ao alcance de nossas mãos.     A nossa mente não consegue  investigar o que há nos céus, como será a Vida Eterna, a qual continua para nós uma incógnita, pois o próprio Jesus pouco nos falou dela. Apenas disse que ninguém seria capaz de imaginar o quão maravilhosos o Pai preparou para aqueles que o amam, aqueles que vivem esta vida corretamente, aqueles que acreditam em Deus, aqueles que merecerão a salvação eterna.
            Para uma minoria, essa explicação de Jesus é o suficiente para levar uma vida reta, se preparando para a Vida Eterna. E muitos dos que já se foram, aprenderam o que agrada ao Pai e a por em  prática a sua vontade, e por isso  foram salvos.
            Já para muitos esta informação a respeito da outra vida não basta. E assim, ficam apreensivos, preocupados, e com medo de partir para a segunda fase da sua existência. E é por isso nos agarramos a esta vida perene de unhas dentes, por causa da incerteza do futuro desconhecido.
            Isso é fraqueza de fé, são deslizes na confiança em Deus e nas palavras de Seu Filho.
            SEGUNDA LEITURA.
            Paulo escreve da prisão dizendo que é um prisioneiro de Jesus. Na prisão, que lhe aconteceu por causa de pregar o Evangelho.
            O sofrimento que por vezes nos acontece também pode ser uma prisão por causa do nosso testemunho, da nossa vida dedicada ao anúncio da Boa Nova. É o sofrer para nos fortalecer na fé, é o sofrer por que denunciamos os poderosos injustos, é o sofrer para nos purificar e nos santificar mais ainda, e assim podermos entender e executar a vontade do Pai.
            Nosso corpo? Ah! o que mais importa é a nossa alma! O que mais conta é a salvação do mundo e a felicidade de um dia merecermos  estar na glória Eterna! Todo o resto, é passageiro.  
EVANGELHO -  Jesus exige a nossa renúncia!
 “Se alguém vem a mim, mas não se desapega e seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”.

            O Evangelho nos mostra que para seguir Jesus é preciso sair do comodismo, do  egoísmo, e comprometer-se mais com a instalação do Reino de Deus aqui na Terra, com o próximo, e em fazer a vontade do Pai. É uma resposta ao afrouxamento de algumas comunidades cristãs daquela época, que julgavam que bastava pertencer à comunidade para estar comprometido com Jesus. Hoje também, muitos cristãos até engajados,  pensam: Que basta participar do coro da igreja, ou ajudar na liturgia aos domingos, que já é um discípulo de Jesus Cristo.
            Seguir Jesus exige estar preparado  para as provações: “O Filho do homem não tem uma pedra para pousar a cabeça” Seguir Jesus é despojar de si mesmo, de sua vaidade, evitando aparecer, para que Jesus apareça. É preciso estar disposto a deixar tudo o que impede ou dificulta a transmissão dos ensinamentos de Jesus, tanto pela vivência como pela palavra.
Não podemos ser um discípulo meia boca, isto é, pela metade:  Foi Jesus quem disse. Veja:
“Quem coloca a mão no arado e olha para trás não é apto para o reino de Deus” Quem se compromete a servir ao Senhor e ao Reino, não pode estar meio lá meio cá.  Ficar olhando para trás, significa que ainda está apegado às coisas que deixou lá atrás. Desse modo quem faz isso não se entregou totalmente sem reservas. Fazer uma opção por Deus é coisa séria. Não podemos nos dividir, uma metade com Deus e a outra metade com a riqueza, por exemplo: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”
            Para ser um discípulo completo, integral, é preciso romper os laços que nos ligam a certos interesses, por mais nobres que sejam, como é o caso da família. Em outras palavras, Jesus disse: Quem ama mais os seus filhos mais do que a Causa do Reino não é digno de Cristo...  Literalmente, Jesus deixou bem claro suas exigências para sermos  seus  discípulos: “Quem amar o pai, a mãe, o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim”. Em Lucas, encontramos que Jesus nos manda odiar os nossos familiares: "...quem não odiar “pai, mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e por fim a própria vida não pode ser meu discípulo”  Na verdade, Jesus não está incentivando o desamor aos nossos familiares, mais sim, que amemos mais a Ele do que a família. Ao dizer isso, Jesus não está abolindo o 4º mandamento (Honrar pai e mãe), mas sim, nos mostrando a força do primeiro mandamento ( amar a Deus sobre todas as coisas) inclusive as pessoas.
Nem tudo na Bíblia deve ser interpretado ao pé da letra, sem rever o contexto em que foi escrito. A  palavra ODIAR, no sentido semítico, significa amar menos. Agora ficamos  entendendo as palavras de Jesus.
            Para um seguimento maior a Jesus, como no caso do sacerdócio, é preciso planejar.  Pois para seguir Jesus é preciso pensar bem para ver se é isso mesmo que queremos. É preciso refletir, planejar, calcular. No caso de um futuro seminarista, ou seja, antes do jovem entrar para o seminário, é conveniente que seja acompanhado por sacerdotes que o oriente, e o ajude a decidir se realmente é aquilo que ele quer. Pois se trata de uma decisão, de uma entrega muito séria, a qual não se deve  voltar atrás.
Para tal, Jesus fala em “carregar a própria cruz”.  “Quem não toma sua cruz e não me segue não é digno de mim”. Lucas 14,27, ao invés, diz: “Quem não carrega sua própria cruz e me segue não pode ser meu discípulo”. Carregar a cruz implica um esforço, uma situação de total entrega, de negação de si mesmo, de  padecimento muito maior que tomar a cruz.
Para elucidar bem isso, Jesus nos explica usando duas  parábolas: a da torre a ser construída e a da guerra que pode terminar em derrota, tudo por falta de planejamento.
Assim, Jesus nos mostra o tamanho da seriedade do seguimento de do seu projeto de Salvação, como por exemplo, o ingresso no seminário. Ele nos mostra em outras palavras, que o segui-lo e o servi-lo como sacerdote, é fruto de uma decisão ponderada, madura, acompanhada e orientada pela experiência de outros padres, e muito coerente até o fim. Quem decide ser um padre,  deve ser realista como o arquiteto e prudente como o rei que Jesus explicou nas duas parábolas. Deve-se evitar o entusiasmo momentâneo próprio da euforia da idade, as ilusões fáceis, acreditando que basta ter uma  boa vontade, e tudo dará certo. Do mesmo modo, precisa ser prudente, cauteloso, ser uma pessoa  com a mente no céu e os pés no chão, na Terra, o suficientemente sábio e criativo para apostar tudo e enfrentar os riscos que o  compromisso do sacerdócio comporta.
 Mas infelizmente, por vezes pode acontecer que alguns cristãos, isto é, que nós, tenhamos a pretensão de ser discípulos sem procurar sinceramente renunciar a nós mesmos, mortificando nossas tendências desordenadas, educando nossos instintos desatinados e deixando que a luz do Evangelho ilumine nossa razão e nosso modo de pensar...
            E o que é ser discípulo de Jesus? O que é ser um sacerdote, por exemplo?  É simples. Tudo o que deve ser um verdadeiro discípulo, um seguidor de Jesus, está na ORAÇÃO DE SÃO FRANCISVO. A qual nos ensina a sermos cristãos discípulos na prática. Veja:

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. 
O discípulo de Jesus é aquele que transpira paz em todo os seus poros, desde o seu olhar, seu sorriso, até mesmo em sua cara fechada diante das coisas erradas, etc

Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Ele serve ao Reino levando aos lugares mais difíceis o amor  e o perdão de Jesus. É aquele que assim como Jesus fez no lago da Galiléia, acalma os ventos fazendo cessar as tempestades da vida das pessoas, as rixas, as desavenças, as brigas, conduzindo-as a reconciliação e a paz.
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão, 
O padre entrou naquela casa onde ninguém mais se entendia, a disputa pela herança deixada pelo pai que acabara de falecer, havia transformado aquela família...  Ao sair, dali um milagre acontecera. Todos entenderam descobriram  o quanto estavam errados...
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
O novo padre assumiu a paróquia onde havia muita discórdia e pouca evangelização. Cada um queria ser mais importante do que o outro e a vida daquela comunidade estava travada.   Algum tempo depois, com a ajuda do Espírito Santo, a harmonia e a fraternidade voltou a reinar no meio de todos.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Você pode resolver esta parada! Lá na sua firma, no seu ginásio de esportes, na sua academia, na sua escola...  existe muita dúvida rolando nas mentes das pessoas. Reze. Peça ajuda ao Espírito Santo que Ele vai lhe dar o modo, o jeito, o momento oportuno para aqui e ali, sempre mostrar com a palavra e com seu exemplo, que todos nascemos com o dom da fé, porém precisamos cultivá-lo. E que aquela ou aquele que crer, será salvo...
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
O erro pode ser representado com um tanque grande de água suja, difícil de ser entornado, mais que podemos ir despejando água limpa dentro dele, até que a sujeira seja insignificante, pelo menos isso, que é melhor que não fazermos nada.  Você freqüenta um certo ambiente onde o erro predomina. Só com o seu testemunho, você já começa a purificar o tanque de água suja. Depois é só aguardar um momento adequado, para ir colocando a verdade de forma agradável, nas mentes daquelas pessoas.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Quanto desespero no mundo de hoje! Quanta gente apavorada, ameaçada de morte, como naquela noite da tempestade onde os discípulos se apavoraram, e Jesus disse: por que temeis, homens de pouca fé? O que podemos fazer ou dizer para alguém que está desesperado? Não sei. Mais o Espírito de Deus com certeza sabe.  E você pode e deve recorrer a Ele para diga através da sua pessoa, palavras de conforto ao seu irmão, a sua irmã que está em pânico.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
A tristeza, assim como a solidão, são geradas pela falta de fé, pelo fato da pessoa não viver em união íntima com Cristo.  O que você tem de fazer em primeiro lugar, é deixar que o Cristo eucarístico que vive em sua pessoa, transborde para as demais pessoas triste. Em seguida procure ganhar a confiança para depois saber o motivo daquela tristeza, e mostrar que somente em Deus conseguimos a verdadeira felicidade. Mostrar que quem está com Cristo nunca se sentirá triste ou só...
Onde houver trevas, que eu leve a luz
Ambiente pesado! Murmúrios de forças estranhas, de rituais satânicos...  Não se abale. Você é um instrumento de Deus. Você está com Jesus e segue seus ensinamentos. Aumente sua orações, e aguarde a oportunidade para agir. Que fazer? Também não sei. Mas Jesus vai lhe dizer no momento e a hora certa! Acredite! Você consegue iluminar com a luz de Deus, aquele ambiente sombrio.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;

Á medida que nos esquecemos dos nossos problemas e nos preocupamos com os problemas do irmão, da irmã, à medida que nos empenhamos em ajudar os nossos irmãos a resolverem os seus problemas, os nossos serão resolvidos com grande facilidade. Primeiro vamos perceber que as nossas dificuldades, são gotas d'águas diante dos problemas dos outros. Segundo, pela graça de Deus em recompensa à nossa caridade, vamos perceber que a solução das nossas dificuldades estava o tempo todo bem na nossa frente e não a víamos.
compreender que ser compreendido,
Aqui despojamos do nosso egoísmo, para nos transportar até o irmão, irmã, absorvendo o seu desconforto espiritual, penetrando em cada detalhe daquilo que o perturba. E só ao fazer isso, OUVIR com toda atenção e boa vontade, já começa o alívio do sofrimento dele ou dela. Depois, Cristo vai lhe dizer o que falar para ajudar a pessoa que sofre.
amar, que ser amado.
Todos querem ser amados, mais poucos amam de verdade. Uns até matam porque descobrem que não estão sendo amados. Há outros ainda que fazem da pessoa amada, objeto de seus caprichos, sua propriedade particular.  Isso tudo  ocorre porque o egoísmo nos impede de ver que não podemos obrigar a ninguém a nos amar. Mas, pelo contrário, se amarmos, se distribuirmos amor fraterno às pessoas que nos cercam, com toda certeza esse amor voltará para a nossa pessoa.
Pois é dando que se recebe
Não pode colher aquele que não plantou. A vida é um dar e receber. Porém não será feliz aquele que der na expectativa de retorno.  Dê por caridade, e não por interesse. E assim você será feliz, pois estará construindo um tesouro nos Céus.
é perdoando que se é perdoado
Na oração do Pai Nosso Jesus já nos orientou a fazer isso. Também no Evangelho Ele nos explicou que será impossível alcançar o perdão de Deus, se nós não perdoamos os nossos irmãos que nos causaram algum tipo de prejuízo.
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...
Finalmente, aqui está o objetivo de tudo isso. Quando saio de mim, para ir até o outro, quando  deixo de satisfazer a minha vontade para socorrer alguém que está em apuros, quando morro para os meus instintos, meus desejos, minhas preferências para me dedicar ao Serviço do Reino, eu vou nascer para a vida eterna como Cristo assim o prometeu.

Vai e faça o mesmo!

José Salviano



Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados -Alexandre Soledade



Bom dia!
Sexta ou Sábado quando assistia a programação da TV Aparecida vi padre Zezinho fazer uma colocação muito pertinente a todos nós. Perguntava ele: O quanto usamos da Bíblia? Fazia ele este comentário baseado no fato que muitas vezes “sorteamos” versículos para enfatizar uma afirmação ou uma convicção, mas diversas vezes não observamos o contexto ou a exegese daquele texto bíblico.
Um exemplo para firmar essa idéia é a mensagem exortativa que nas ultimas duas semanas os evangelhos têm apresentado. Muitas vezes não conseguimos assimilar ou aceitar que eles, por mais duros que sejam, são para nós. Às vezes, ao invés de lê-los e refleti-los, preferimos a fuga ao confronto. Preferimos imaginar alguém (que não seja eu) que pudesse se “encaixar” esse trecho (um irmão, um parente, uma amigo,…) ou buscar em outro texto que “ai sim” seja pra mim.
Já presenciei pessoas que vem para reuniões armados de versículos bíblicos para se defender de possíveis ataques (risos). Tive uma chefe que ao sentir acuada, sacava o versículo “olho por olho dente por dente”. Esse gesto é repetido por muitas pessoas. O fato mais interessante é que Jesus citou esse versículo o substituindo por “ofereça a outra face”, mas na hora do aperto, só lembramo-nos do que nos convém.
“(…) Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão. Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados”.
-É perigoso sortear versículos – dizia padre Zezinho! Imaginem esse texto acima “usado” numa reunião de lideranças? Pois é! Eu já vi acontecer!
Quanto aos “copiar e colar” para incrementar e justificar a direção de um texto, um argumento, uma direção, (…) Padre Zezinho não se vê contrario, mas que precisamos enaltecer o cuidado com a exegese.
Reparemos esse trecho do novo livro do Padre Fábio e do Gabriel Chalita: “(…) Escuto absurdos sobre Deus, quando pessoas movidas por boas intenções resolvem explicar as fatalidades do mundo. Frases simplórias e descomprometidas com a verdade não resolvem; ao contrário, agravam ainda mais o sofrimento, porque geram orfandade, descrença e abandono. Justificam as tragédias humanas como “vontade divina”, retirando assim a responsabilidade humana dos acontecimentos, fruto das escolhas que fazemos. Respondem a tudo e a todos como se o desvelamento do mistério pudesse resolver as questões”. (Padre Fábio de Melo e Gabriel Chalita – Cartas entre amigos)
Temos às vezes intenções boas, mas precisamos aprofundar mais no grandioso mistério que é ver sob a ótica de Deus. Precisamos ler mais, refletir mais, partilhar mais antes de falarmos para as pessoas. Quando digo ler mais não estou falando de apostilas, livretos de auto-ajuda, (…) refiro-me a textos mais densos como as encíclicas, documentos da igreja, filosofia, teologia, (…). Nossa! Esses dias vi um colega pregador dizer: ”coloquemo-nos aos pés de Maria em adoração para que ela interceda por nós” . Conseguimos encontrar o problema na expressão usada por ele? Sou devoto de Maria, mas reparem que ADORAR somente a Deus!
Além do “investimento” em estudo, devemos investir no material humano, ou seja, em nós e nos irmãos. Que adianta conhecer ao pé-da-letra as escrituras se não procuro vive-las, seriamos hipócritas. A começar em mim!
“(…) Enquanto eu não chegar, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembléia dos anciãos te impôs as mãos. Põe nisto toda a diligência e empenho, de tal modo que se torne manifesto a todos o teu aproveitamento. Olha por ti e pela instrução dos outros. E persevera nestas coisas. Se isto fizeres, salvar-te-ás a ti mesmo e aos que te ouvirem”. (I Timóteo 4, 13-16)
Um imenso abraço fraterno.



terça-feira, 27 de agosto de 2013

O Mártir da Fé-Padre Bantu

Quinta-feira

Evangelho - Mc 6,17-29


Hoje celebramos o martírio de João, o Batista, aquele de quem Cristo disse: dos nascidos de mulher não há outro maior do que João, o Batista. Mas o menor no reino do céu é maior do que ele. É uma reflexão sobre minoridade, João escolheu a via menor, se fez pobre, vestia-se pobremente, comia gafanhotos e mel. Essa é a expressão de quem Mateus usa para expressar a humildade de João. E Jesus ainda diz: o menor no reino do céu é maior do que ele. Aqui temos que o Senhor demonstra que a sabedoria e o serviço estão no despojamento, na simplicidade, no profetismo sem recompensas. O profeta do Deus não é rico, nem poderá ser, e Jesus também revela que o menor, o mais pobre, o mais abandonado, o mais oprimido, no reino de Deus, isto é, na Vontade de Deus, ainda é maior que o maior.
Falando da morte de João Baptista, o papa João Paulo II diz na Carta Encíclica Veritatis splendor (cf. n. 91) que o martírio constitui um sinal preclaro da santidade da Igreja. Efectivamente, ele “representa o ponto mais alto do testemunho a favor da verdade moral. Se são relativamente poucas as pessoas chamadas ao sacrifício supremo, há, porém, um testemunho coerente que todos os cristãos devem estar prontos a dar em cada dia, mesmo à custa de sofrimentos e de graves sacrifícios. Assim tu meu irmão, minha irmã, não podes e nem deves fugir. Gostaria que soubesses que desde o início do cristianismo percebemos que três elementos estão quase sempre unidos: testemunho, profecia e doação da própria vida. É verdadeiramente necessário um compromisso, com estas três vias, por vezes heróicas, para não ceder, até mesmo na vida quotidiana: em casa com o marido, com os filhos, colegas do trabalho, com os familiares de perto ou de longe. É necessário saber que às dificuldades nos levam ao compromisso para viver na totalidade o Evangelho.
O exemplo heróico de João Baptista nos deve fazer pensar nos mártires da fé que, ao longo dos séculos, seguiram corajosamente as suas pegadas. De modo especial, voltemos à mente aos numerosos cristãos que, no mundo inteiro, foram vítimas do ódio, e da perseguição religioso. Mesmo hoje, nalgumas partes do mundo, os fiéis continuam a ser submetidos a duras provações, em virtude da sua adesão a Cristo e à sua Igreja. Os impérios opressores que existiram na história continuaram deixando seus mártires. Seus projetos elitistas e imperialistas fizeram com que seus chefes continuassem a embriagar-se com o sangue dos mártires. Portanto, o martírio não deve ser buscado por ninguém. Em última palavra, o martírio é uma graça de Deus. Mas, dele não se deve fugir, se é necessário dar o testemunho e para defender a vida do povo. Jesus também nos ensina que não devemos ter medo daqueles que matam o corpo. Por isso, dar a vida é a melhor forma de amor, a exemplo de Jesus que nos amou até o extremo.
O máximo do amor é dar a vida pelos seus. Deste modo, a vida não é tirada, mas é dada livremente. Foi isso que fez São João Batista em meio à crueldade que ameaçava a fidelidade conjugal, lutou e sendo testemunha e testemunho fiel derramou o seu sangue, pagando com a própria vida. Ontem como hoje, o banquete dos criminosos continua sendo regado a sangue, como foi o de Herodes como nós ouvimos no Evangelho de hoje. Por isso, lembrar a morte de João Batista é não deixar morrer sua história, é recordar o seu testemunho, sua profecia e sua coragem; é lembrar que, se preciso for, todos devemos estar dispostos a lavar as nossas vestes e as branquear no sangue do Cordeiro (Ap 7,14).
Pai, que as contrariedades da vida jamais me intimidem e impeçam de seguir adiante, cumprindo minha missão de evangelizador.




Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! - Severino Alves

Mt 23,27-32



Texto bíblico diário comentado

irmãos e irmãs,

A Leitura e reflexão diária da Palavra de Deus nos iluminarão. Participemos. Só precisamos de alguns minutos.
Mateus 23,27-32 – Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão. Assim também vós: por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisias e de iniquidade. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que edificais os túmulos dos profetas e enfeitais os sepulcros dos justos e dizeis: 'Se estivéssemos vivos nos dias dos nossos pais, não teríamos sido cúmplices deles no derramar o sangue dos profetas'. Com isto testificai, contra vós, que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Completai, pois, a medida dos vossos pais! Palavra da Salvação!
Comentário: Jesus parece estar furioso no Evangelho de hoje. Certamente está farto das coisas que os fariseus andavam fazendo. No texto Jesus compara estas pessoas a sepulcros caiados: "que por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão". Os sepulcros nos tempos bíblicos em algumas situações eram erigidos como se fossem monumentos em homenagens aos mortos, com alguma sofisticação, ou mesmo pilhas de pedras bem arranjadas. Em ambos os casos eram caiados, de forma que os transeuntes enxergassem de longe e evitassem a contaminação ritual que acontecia se se entrasse em contato com alguma coisa morta. Jesus chamou os fariseus de sepulcros caiados por causa da vida de hipocrisia que levavam, mostrando uma imagem espiritual elevada sendo que no interior viviam em estado de sujeira e pecado. Poderíamos dizer que hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. Ou seja, o termo hipócrita designa alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência. A pessoa hipócrita pode ser considerada falsa, fingida, muitas vezes desleal, infiel, traiçoeira, incoerente, injusta que quer se passar por justa, ou outros sinônimos não atrativos. Certamente não gostaríamos de uma convivência aproximada com pessoas que tenham comportamentos assim. Isso deve nos alertar, já que pode ser que tenhamos atitudes que se assemelham às ações dos fariseus e nem percebamos. Sabemos que têm muitas pessoas que vivem uma vida de aparência. Falam a verdade, mas não vivem a verdade. Pessoas que vivem nas diversas áreas de trabalho e na convivência social mostrando uma face de amor e justiça, mas na convivência diária ocorre outra realidade. Pregadores, professores, líderes em geral que pregam, ensinam e sugerem costumes que eles mesmos não vivem. Ou seja, não há coerência entre o que pregam e o que vivem. Já na família, sabemos que muitos aparentam uma paz e um modo de vida que no dia-a-dia não vivem em seus lares. Mas precisamos ter muito cuidado, pois Jesus continua a nos interpelar, assim como fez com os Mestres da Lei e os fariseus a respeito da sinceridade de suas ações. Vejamos o que nos diz o Salmo 139: "Iahweh, tu me sondas e me conheces; Conheces meu sentar e meu levantar; de longe penetras o meu pensamento (...); A palavra ainda não me chegou à língua, e tu, Iahweh, já a conheces inteira (...); Para onde ir, longe do teu sopro? Para onde fugir, longe da tua presença?" Assim, saibamos que diante de Deus não podemos ser hipócritas, já que Ele conhece nossos corações, nossas intenções, nossos pensamentos, nossos sonhos, desejos, frustrações, alegrias e tristezas. A Carta aos Hebreus 4,13 nos diz: "E não há criatura oculta à Sua presença; tudo está nu e descoberto aos olhos daquele a quem devemos prestar contas". Assim, que a verdade, o amor, a bondade, a franqueza e a transparência sejam princípios básicos nas nossas vidas.
Que Deus nos abençoe e guarde.
Um forte abraço para todos.
Fraternalmente,

Severino Alves

Sepulcros caiado - Maria Cecília

Quarta-feira

Mt 23,27-32

É bom relembrar que este texto faz parte do capítulo 23 do Evangelho de Mateus, onde Jesus pronuncia sete "ais", contra escribas e fariseus. Ao pronunciar cada "ai" para um grupo ou para alguém, Ele expressa sua mágoa com as atitudes tomadas e faz uma advertência para as más conseqüências que essas atitudes acarretarão.
A reflexão de hoje é sobre o sexto e o sétimo "ai"de Jesus.
No sexto "ai" (v. 27), a indignação de Jesus contra mestres da Lei e fariseus é tão grande, que Ele os compara a "sepulcros caiados", pois têm a aparência exterior de um túmulo recém pintado de branco que tenta esconder uma realidade interior cheia de podridão. São eles aqueles que aparentando ser boas pessoas, escondem uma realidade de mentiras, pecados e nada comprometida com os preceitos morais.
No sétimo "ai" (vv. 29-36), Jesus fala das edificações (sepulcros e sacrários), que ficam ao redor de Jerusalém, para os profetas martirizados. Ele acusa escribas e fariseus de serem descendentes (física e espiritualmente) dos responsáveis por esses martírios.
É desta forma, expressando seus "ais", que Jesus mostra sua mágoa pela forma como escribas e fariseus fazem mau uso de sua liderança religiosa que deveria estar a serviço da comunidade e não servindo para exaltação e interesse próprio.
Este são os mesmos perigos que permeiam nossas comunidades, ainda hoje, e que prejudicam a vida espiritual de muitos. Certamente Jesus diria novamente um "ai", se participasse das comunidades de agora.

Maria Cecília
 

Bem-aventurados vós, pobres. Mas, ai de vós, ricos. Padre Queiroz

11 de Setembro - QUARTA - Lc 6,20-26

Bem-aventurados vós, pobres. Mas, ai de vós, ricos.
Neste Evangelho, Jesus proclama as bem-aventuranças, na versão de Lucas. Primeiro ele “levantando os olhos para os seus discípulos”. Sinal que as bem-aventuranças acontecem especialmente com os discípulos.
As bem-aventuranças são Evangelho, alegre notícia dirigida aos pobres de Deus. Elas vêm confirmar a transformação social anunciada no magnificat.
De fato, os pobres são os preferidos de Deus em toda a revelação bíblica, e são os primeiros destinatários da Boa Nova trazida por Jesus (Cf Lc 4,18-19).
Mt 5,1-12 traz oito bem-aventuranças. Lucas traz apenas quatro, mas acrescenta quatro ameaças: “Ai de vós...” Essas ameaças esclarecem o sentido das bem-aventuranças, tanto de Mateus como de Lucas. Porque muitos, ao explicar esta passagem bíblica, dizem que a palavra “pobre”, para Jesus, significa “desapegado”; e “rico” significa “ganancioso”. Na prática, isso é torcer a Bíblia para que ela não me questione. Pobre aqui é pobre mesmo, e rico e rico mesmo.
A felicidade messiânica dos pobres, dos famintos, dos que choram e dos perseguidos por causa da fé cristã comprometida, contrapõe-se à situação perigosa dos ricos, dos que têm fartura, dos que riem e dos que são aplaudidos por todos.
As Bem-aventuranças são um caminho de felicidade diametralmente oposto ao apresentado pelo mundo pecador. Os cristãos são felizes exatamente naquelas situações que, segundo o mundo, trazem a infelicidade. Veja o contraste: para o cristão, felizes os pobres; para o mundo, felizes os ricos. Para o cristão, felizes os que agora choram; para o mundo, felizes os que agora riem... Por aí vemos que dois milênios se passaram e a humanidade ainda não entendeu nem vive o Evangelho de Jesus.
As Bem-aventuranças estão baseadas em duas grandes verdades: 1) A vida cristã autêntica, devido à oposição do mundo pecador, leva à pobreza, à aflição etc. 2) Deus assiste os seus filhos e filhas queridos, a ponto de inverter a situação, transformando em felicidade o que seria infelicidade, em alegria o que seria tristeza. Portanto, a felicidade dos cristãos não está nesses tropeços (pobreza, perseguição...), mas na intervenção de Deus em favor dos seus filhos queridos.
“Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos. Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai” (1Jo 3,1-3).
(Irmãos), os que tiram proveito deste mundo, (vivam) como se não aproveitassem. Pois a figura deste mundo passa” (1Cor 7,31).
Ao contrário dos dez mandamentos, as bem-aventuranças não são leis, nem mandamentos, nem sequer conselhos. São simplesmente a constatação e a descrição de um fato que acontece todos os dias em nossas Comunidades e em nossas famílias. A vida cristã no meio do mundo pecador gera tristezas, que Deus, em seu poder, transforma em alegrias.
Jesus não está também dizendo que ser pobre e ser odiado é bom. Nem que esses tropeços da nossa vida são valores. Também não quis dizer que a felicidade está em ser pobre, ser insultado etc. A felicidade está em ser filho de Deus.
Portanto, não devemos procurar esses infortúnios (pobreza, ser odiado, insultado...). O que devemos é ter paz em meio a todos esses contra tempos, vendo neles um sinal de predileção de Deus e um sinal de que estamos no caminho certo, no seguimento do Evangelho.
As Bem-aventuranças são uma realidade que vemos todos os dias estampada no rosto das Comunidades cristãs. Os cristãos enfrentam as maiores dificuldades, até o martírio e, em meio a tudo isso, trazem no rosto um sorriso que ninguém consegue imitar, e que é identificado até numa fotografia.
S. Francisco de Assis, no final de sua vida, vivia angustiado com a seguinte pergunta: “Será que Deus está contente comigo, com o que eu fiz?” Em suas orações ele pedia todos os dias a Deus: “Senhor, dê-me um sinal, mostrando se tudo o que eu fiz foi ou não do seu agrado!” De fato, o único desejo de Francisco era agradar a Deus.
Numa noite, quando ele acordou, percebeu que estava com as chagas. Parou a angústia, porque ele viu nas chagas um sinal de amor de Deus por ele, unindo-o com o seu Filho amado, Jesus Cristo. E daí para frente Francisco ria até às orelhas.
E foram cinco feridas dolorosas: uma em cada mão, uma em cada pé, e uma no peito. Elas deram trabalho para Francisco. Ele tinha de fazer curativos e um longo tratamento. Inclusive, elas limitaram um pouco as suas atividades.
Que paradoxo, não? Ver como presente de Deus e como sinal do seu amor, cinco dolorosas feridas! Encontrar a felicidade em chagas! E isso que Deus fez com Francisco, faz também conosco. Nós não procuramos a cruz, mas, quando ela vem, justamente pelo fato de estarmos seguindo a Jesus, nós a vemos como um presente de Deus. A festa de S. Francisco das Chagas é dia dezessete de setembro. “Bem-aventurados vós que agora chorais, porque havereis de rir!”
Existe uma Bem-aventurança que não está, nem neste texto de Lucas nem no capítulo quinto de Mateus. Ela está em Lc 1,45, foi dita por Isabel e se refere à Mãe de Jesus: “Bem-aventurada aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido”. Que Maria nos ensine a amar e viver as Bem-aventuranças.
Bem-aventurados vós, pobres. Mas, ai de vós, ricos.


Padre Queiroz