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domingo, 3 de maio de 2020

5º Domingo da Páscoa-Dehonianos



10 Maio 2020
ANO A
5º Domingo da Páscoa
Tema do 5º Domingo da Páscoa
A liturgia deste domingo convida-nos a reflectir sobre a Igreja - a comunidade que nasce de Jesus e cujos membros continuam o "caminho" de Jesus, dando testemunho do projecto de Deus no mundo, na entrega a Deus e no amor aos homens.
O Evangelho define a Igreja: é a comunidade dos discípulos que seguem o "caminho" de Jesus - "caminho" de obediência ao Pai e de dom da vida aos irmãos. Os que acolhem esta proposta e aceitam viver nesta dinâmica tornam-se Homens Novos, que possuem a vida em plenitude e que integram a família de Deus - a família do Pai, do Filho e do Espírito.
A primeira leitura apresenta-nos alguns traços que caracterizam a "família de Deus" (Igreja): é uma comunidade santa, embora formada por homens pecadores; é uma comunidade estruturada hierarquicamente, mas onde o serviço da autoridade é exercido no diálogo com os irmãos; é uma comunidade de servidores, que recebem dons de Deus e que põem esses dons ao serviço dos irmãos; e é uma comunidade animada pelo Espírito, que vive do Espírito e que recebe do Espírito a força de ser testemunha de Jesus na história.
A segunda leitura também se refere à Igreja: chama-lhe "templo espiritual", do qual Cristo é a "pedra angular" e os cristãos "pedras vivas". Essa Igreja é formada por um "povo sacerdotal", cuja missão é oferecer a Deus o verdadeiro culto: uma vida vivida na obediência aos planos do Pai e no amor incondicional aos irmãos.
LEITURA I - Actos 6,1-7
Leitura dos Actos dos Apóstolos
Naqueles dias,
aumentando o número dos discípulos,
os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus,
porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas.
Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos
e disseram:
«Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus
para servirmos às mesas.
Escolhei entre vós, irmãos,
sete homens de boa reputação,
cheios do Espírito Santo e de sabedoria
para lhes confiarmos esse cargo.
Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente
à oração e ao ministério da palavra».
A proposta agradou a toda a assembleia;
e escolheram Estêvão,
homem cheio de fé e do Espírito Santo,
Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão,
Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
Apresentaram-nos aos Apóstolos
e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles.
A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais;
o número dos discípulos
aumentava consideravelmente em Jerusalém
e submetia-se à fé também grande número de sacerdotes.
AMBIENTE
A primeira leitura deste domingo pertence, ainda, à secção que apresenta o testemunho da Igreja de Jerusalém. No entanto, vão aparecer-nos pela primeira vez esses "helenistas" que irão ter um papel fundamental na ulterior expansão do cristianismo.
O nosso texto dá conta de um clima de alguma tensão entre os "hebreus" e os "helenistas". Quem são estes grupos?
Trata-se, sempre, de membros da comunidade cristã de Jerusalém. Os "hebreus" são cristãos de origem judaica, originários da Palestina, que falam o aramaico, que lêem a Escritura em hebraico e que teriam sido convertidos pela pregação de Jesus e dos apóstolos. Continuam, no entanto, muito apegados às suas tradições e têm, normalmente, um alto apreço pela Lei e pelas interpretações dos rabis.
Os "helenistas" são cristãos de origem judaica, também, mas originários da "diáspora" israelita - isto é, das comunidades judaicas espalhadas por todo o império romano e, até, por fora dele. Falam o grego e lêem as Escrituras em grego. Residem em Jerusalém temporariamente. O seu contacto com outras realidades culturais torna-os, ordinariamente, mais tolerantes e abertos à novidade.
Com dois grupos tão diversos - quer do ponto de vista cultural, quer do ponto de vista religioso, quer do ponto de vista social - a integrar a mesma comunidade, era natural que, mais tarde ou mais cedo, surgissem tensões e conflitos. Aparentemente, aquilo que provoca a questão evocada no nosso texto é um problema de ordem material: na distribuição dos alimentos aos membros necessitados da comunidade, as viúvas helenistas sentiam-se prejudicadas. O facto provocou queixas, levando à intervenção dos líderes da comunidade. De qualquer forma, Lucas não entra em demasiados pormenores sobre a questão.
MENSAGEM
Na realidade, Lucas não está interessado em fornecer-nos pormenores de ordem histórica, mas antes em fornecer-nos um quadro teológico que nos permita conhecer o rosto da Igreja e entender a forma como ela se apresenta ao mundo. Nesta perspectiva, há quatro ideias fundamentais que o nosso texto nos propõe.
A primeira resulta do próprio facto relatado... A Igreja aparece, nesta história, não como um quadro ideal de perfeição, mas como uma comunidade bem real e bem normal, formada por homens e mulheres, onde as tensões, os preconceitos, as rivalidades, as invejas e os ciúmes marcam a experiência diária de caminhada. Isto não deve assustar-nos ou decepcionar-nos: resulta das limitações e finitude que também fazem parte da nossa existência histórica. A Igreja não é uma comunidade de homens e mulheres perfeitos; mas é uma comunidade que está - ou tem de estar - em contínuo processo de conversão, ao longo de cada passo da sua caminhada na história.
A segunda diz respeito à estrutura hierárquica e ao modo de exercer (na Igreja) o serviço da autoridade. Não há dúvida que Lucas conhecia, já, uma estrutura hierárquica em que os Doze desempenhavam o serviço da orientação e da direcção da comunidade. Por isso, eles aparecem na nossa história como as referências fundamentais, a quem os membros da comunidade recorrem, a fim de resolver a questão das diferenças entre os vários grupos. De qualquer forma, fica a impressão, pelo desenrolar da acção, que os Doze não estão interessados em esquemas de poder absoluto; antes, procuram envolver a comunidade no processo, fazendo com que todos participem na procura de soluções para os problemas comuns.
A terceira revela a Igreja como uma comunidade de serviço. Fala-se na escolha de sete homens "cheios do Espírito Santo", cuja missão é o serviço das mesas. Na verdade, estes "sete" aparecem, noutros episódios, mais ligados ao serviço da Palavra do que ao serviço das mesas (é possível que estes "sete" - todos com nomes gregos - sejam os dirigentes da comunidade cristã judeo-helenística e que Lucas tenha fundido duas tradições diversas: a dos pregadores e dirigentes do grupo helenista, com a dos escolhidos para uma função propriamente diaconal, de serviço e ministério assistencial). De qualquer forma, nada invalida esta verdade fundamental: a comunidade cristã é uma realidade que tem no centro da sua dinâmica o serviço - seja o serviço da Palavra, seja o serviço de assistência aos irmãos mais pobres. É impensável uma comunidade cristã onde não esteja bem viva esta dimensão diaconal.
A quarta tem a ver com o papel relevante que o Espírito desempenha nas "crises" de crescimento que fazem parte da caminhada comunitária. O Espírito aparece ligado, seja à vocação (dos que são chamados a exercer a diaconia - cf. Act 6,3), seja à missão (o gesto de impor as mãos pode significar, quer a escolha para um serviço comunitário, quer a invocação do Espírito para que eles possam concretizar a missão que lhes foi confiada). De qualquer forma, a Igreja é a comunidade do Espírito, criada, animada e dinamizada pelo Espírito.
O nosso texto termina com um pequeno sumário (cf. Act 6,7) cujo objectivo é assinalar o avanço irresistível da Boa Nova, por acção dos discípulos de Jesus, animados pelo Espírito.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode considerar os seguintes pontos:
• É difícil encontrarmos, no nosso tempo, uma realidade que suscite tantas paixões e ódios como a Igreja: uns defendem-na intransigentemente, justificando até as falhas mais injustificáveis, outros atacam-na cegamente, culpando-a de todos os males do mundo. Uns e outros deviam ter presente que se trata de uma comunidade que vem de Jesus e é animada pelo Espírito, mas formada por homens; que ela é a testemunha no mundo do plano de salvação de Deus, mas é também (dada a sua faceta humana) uma realidade "a fazer-se", em contínuo processo de conversão. Os homens do nosso tempo devem exigir que a Igreja seja fiel à sua missão no mundo; mas devem também compreender as suas falhas, dificuldades e infidelidades.
• A comunidade cristã referida no nosso texto leva-nos a uma época muito recuada, em que as estruturas não estavam ainda definidas e organizadas; mas, no quadro que Lucas nos propõe, há já irmãos investidos do serviço da autoridade (os Doze), que são ponto de referência quando surgem questões e problemas. Os Doze, no entanto, não reservam para si toda a autoridade, nem aceitam ser os únicos protagonistas no processo de condução da comunidade... De acordo com o quadro que nos é apresentado, eles convocam a comunidade, convidam-na a escolher as pessoas a quem devem ser confiados certos serviços, envolvem-na na busca do caminho. Infelizmente, ao longo dos séculos esquecemos, muitas vezes, esta dinâmica: a Igreja foi muitas vezes apresentada como uma sociedade de desiguais, onde uns mandam e outros obedecem em silêncio. É preciso redescobrir o valor do diálogo e da participação, na Igreja. Não se trata de discutir se a Igreja deve ou não ser uma sociedade democrática; trata-se de termos consciência de que somos uma família onde todos temos voz, porque em todos habita o mesmo Espírito; trata-se de potenciar mecanismos de escuta, de diálogo e de participação, a fim de que a Igreja seja uma família, onde todos participam na descoberta dos caminhos do Espírito.
• Desde o início, a Igreja aparece como uma comunidade de serviço: os membros da comunidade cristã são convidados a seguir Jesus, que fez da sua vida uma entrega total ao serviço de Deus, ao serviço do Reino e ao serviço dos homens. Quando Deus concede determinados dons e confia determinadas missões, não se trata de privilégios que conferem à pessoa mais dignidade ou mais importância: trata-se de dons que devem ser postos ao serviço da comunidade, em ordem à construção da comunidade. As missões que nos são confiadas no âmbito comunitário não podem ser utilizados para promoção pessoal ou para concretizar sonhos egoístas; mas devem ser missões que desempenhamos com verdadeiro espírito de serviço, em benefício dos irmãos.
SALMO RESPONSORIAL - Salmo 32 (33)
Refrão 1: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.
Refrão 2: Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.
Justos, aclamai o Senhor,
os corações rectos devem louvá 1'O.
Louvai o Senhor com a cítara,
cantai Lhe salmos ao som da harpa.
A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.
Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.
LEITURA II - 1 Pedro 2,4-9
Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
Caríssimos:
Aproximai vos do Senhor, que é a pedra viva,
rejeitada pelos homens,
mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus.
E vós mesmos, como pedras vivas,
entrai na construção deste templo espiritual,
para constituirdes um sacerdócio santo,
destinado a oferecer sacrifícios espirituais,
agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Por isso se lê na Escritura:
«Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa;
e quem nela puser a sua confiança não será confundido».
Honra, portanto, a vós que acreditais.
Para os incrédulos, porém,
«a pedra que os construtores rejeitaram
tornou se pedra angular»,
«pedra de tropeço e pedra de escândalo».
Tropeçaram por não acreditarem na palavra,
à qual foram destinados.
Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real,
nação santa, povo adquirido por Deus,
para anunciar os louvores»
d'Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.
AMBIENTE
Há já algumas semanas que a Primeira Carta de Pedro acompanha a nossa caminhada litúrgica. Já sabemos, portanto, que ela se destina a comunidades cristãs de certas zonas rurais da Ásia Menor; essas comunidades são maioritariamente formadas por cristãos de classes sociais baixas, vulneráveis à hostilidade do mundo que os rodeia, para quem se aproximam tempos muito difíceis (por causa das perseguições que se adivinham). Estamos no final do século I (talvez no final da década de 80).
O autor recorda aos destinatários da carta o exemplo de Cristo, que passou pela cruz, antes de chegar à ressurreição. Toda a carta é um convite à esperança: apesar dos sofrimentos do tempo presente, os crentes não devem desanimar, pois estão destinados a triunfar com Cristo. Pede-se-lhes que enfrentem corajosamente as adversidades e que viam com fidelidade o seu compromisso baptismal.
O texto que nos é proposto faz parte de uma secção parenético-doutrinal (cf. 1 Pe 2,1-10), que tem como finalidade exortar os cristãos a crescer na fé, de forma a chegarem à salvação.
MENSAGEM
A imagem determinante deste texto é a da "pedra" (vers. 4.5.6.7.8), que é usada, sobretudo, referida a Cristo.
A imagem leva-nos a Is 28,16, onde se refere ao novo Templo que o próprio Jahwéh, no futuro, vai construir e que será um sinal da intervenção de Deus em favor do seu Povo. Isaías anuncia que Deus vai colocar em Sião uma pedra, provada, angular, de alicerce, que terá uma inscrição: "quem nela se apoia, não vacila". A imagem (retomada pelo Sal 118,22) adquire, no judaísmo tardio, uma conotação messiânica: o "Messias" será essa pedra, sobre a qual Deus vai construir a sua intervenção salvadora na história, em favor do seu Povo.
O autor da Primeira Carta de Pedro aplica esta imagem a Cristo. Cristo é essa pedra escolhida, preciosa, viva (alusão à ressurreição, significa, também, que é dela que brota vida para o Povo de Deus), sobre a qual Deus fundamenta a sua intervenção salvadora em favor dos homens.
Os cristãos são convidados a aproximar-se de Cristo (isto é, a aderir à sua proposta, a segui-l'O no caminho do dom da vida, a cimentarem a sua comunhão com Ele) e a entrar na construção do edifício de Cristo - um edifício espiritual, cujo fim é "oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus" (vers. 5). No antigo Templo de Jerusalém - construído com pedras materiais - ofereciam-se sacrifícios de animais para expressar a comunhão do Povo com Jahwéh; mas, no novo Templo (que tem Cristo como pedra angular e os cristãos como pedras vivas, ligadas a Cristo), oferecer-se-ão sacrifícios espirituais: uma vida santa, vivida na entrega a Deus e no dom aos irmãos. Os membros desta "construção" serão um povo de sacerdotes, que diariamente oferecerão a Deus aquilo que têm de mais precioso: a sua vida e o seu amor.
Esta "construção" será rejeitada pelos homens (alude-se, aqui, à paixão e morte de Jesus; alude-se, também, às dificuldades que os crentes em geral e os destinatários da carta em particular encontram na vivência e no testemunho da sua fé); mas, para Deus, esta comunidade/Templo será uma "geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus para anunciar os louvores" (vers. 9). A citação leva-nos a Ex 19,5-6, onde se refere à comunidade da "aliança": o seu uso neste contexto significa que, agora, apesar da rejeição do mundo, os cristãos são a comunidade da "nova aliança", o povo que Deus libertou, que Deus conduziu da escravidão para a liberdade e a quem Deus encarregou de testemunhar diante do mundo o seu projecto de salvação.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar as seguintes questões:
• Depois de dois mil anos de cristianismo, parece que nem sempre se nota a presença efectiva de Cristo nesses caminhos em que se constrói a história do mundo e dos homens. O verniz cristão de que revestimos a nossa civilização ocidental não tem impedido a corrida aos armamentos, os genocídios, os actos bárbaros de terrorismo, as guerras religiosas, o capitalismo selvagem... Os critérios que presidem à construção do mundo estão, demasiadas vezes, longe dos valores do Evangelho. Porque é que isto acontece? Podemos dizer que Cristo é, para os cristãos, a referência fundamental? Nós cristãos fizemos d'Ele, efectivamente, a "pedra angular" sobre a qual construímos a nossa vida e a história do nosso tempo?
• Os cristãos são "pedras vivas" de um "templo espiritual" do qual Cristo é a "pedra angular". A imagem traduz a realidade de uma comunidade que se junta à volta de Cristo, que vive em união com Ele, que comunga do seu destino, que assume totalmente o seu projecto. A esta comunidade chama-se Igreja... Sinto-me pedra integrante deste "edifício"? Procuro, todos os dias, limar as arestas que me impedem de aderir - de forma mais plena - a Cristo? Procuro, todos os dias, revitalizar o "cimento" que me une às outras pedras do edifício - os meus irmãos?
• As "pedras vivas" do Templo do Senhor formam um Povo de sacerdotes, cuja missão é viver uma vida coerente com os compromissos assumidos no dia do Baptismo - isto é, viver (como Cristo) na entrega a Deus e no amor aos irmãos. Quais são os "sacrifícios" que eu procuro entregar a Deus, todos os dias? A minha "oferta" a Deus é um conjunto de ritos desligados da vida (por mais sagrados que sejam) ou é a vivência do amor, nos gestos simples do dia a dia?
• Neste texto há ainda um convite a não ter medo da incompreensão do mundo. O próprio Cristo foi rejeitado pelos homens; mas a sua fidelidade aos projectos do Pai fizeram d'Ele a "pedra angular" da construção de Deus. É esse exemplo que devemos ter diante dos olhos, quando doer mais a incompreensão do mundo.
ALELUIA - Jo 14,6
Aleluia. Aleluia.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;
ninguém vai ao Pai senão por mim.
EVANGELHO - Jo 14,1-12
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Não se perturbe o vosso coração.
Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim.
Em casa de meu Pai há muitas moradas;
se assim não fosse, Eu vo lo teria dito.
Vou preparar vos um lugar
e virei novamente para vos levar comigo,
para que, onde Eu estou, estejais vós também.
Para onde Eu vou, conheceis o caminho».
Disse Lhe Tomé:
«Senhor, não sabemos para onde vais:
como podemos conhecer o caminho?»
Respondeu lhe Jesus:
«Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vai ao Pai senão por Mim.
Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.
Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».
Disse Lhe Filipe:
«Senhor, mostra nos o Pai e isto nos basta».
Respondeu lhe Jesus:
«Há tanto tempo que estou convosco
e não Me conheces, Filipe?
Quem Me vê, vê o Pai.
Como podes tu dizer: 'Mostra nos o Pai'?
Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?
As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio;
mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.
Acreditai Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim;
acreditai ao menos pelas minhas obras.
Em verdade, em verdade vos digo:
quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço
e fará ainda maiores que estas,
porque Eu vou para o Pai».
AMBIENTE
Estamos na fase final da caminhada histórica do "Messias". Até este momento, Jesus cumpriu a sua missão em confronto aberto com os dirigentes judeus. Precisamente o último e mais importante dos seus "sinais" - a ressurreição de Lázaro - levou o Sinédrio a decidir matá-l'O (cf. Jo 11,45-54). Jesus está consciente de que a morte está no seu horizonte próximo.
O ambiente em que este trecho nos coloca é o de uma ceia de despedida. Nessa ceia (realizada na quinta-feira à noite, pouco tempo antes da prisão, na véspera da morte), estão Jesus e os discípulos. No decurso da ceia, Jesus despede-Se dos discípulos e faz-lhes as suas últimas recomendações. As palavras de Jesus soam a "testamento" final: Ele sabe que vai partir para o Pai e que os discípulos vão continuar no mundo.
Os discípulos, da sua parte, já perceberam que o ambiente é de despedida e que, daí a poucas horas, o seu "mestre" lhes vai ser tirado. Estão inquietos e preocupados. A aventura que eles começaram com Jesus, na Galileia, terá chegado ao fim? Essa relação que eles construíram com o "mestre" irá morrer? Os discípulos não sabem o que vai acontecer nem que caminho vão, a partir daí, percorrer. Sobretudo, não sabem como é que manterão, após a partida de Jesus, a sua relação com Ele e com o Pai.
É neste contexto que podemos situar as palavras de Jesus que o Evangelho de hoje nos apresenta.
MENSAGEM
A catequese desenvolvida pelo autor do Quarto Evangelho, neste diálogo de Jesus com os discípulos, é de uma impressionante densidade teológica. Fundamentalmente, trata-se de uma catequese sobre "o caminho": o "caminho" que Jesus percorreu e que é o mesmo "caminho" que os discípulos são convidados a percorrer. Vamos tentar esmiuçar o conteúdo e pôr em relevo os pontos fundamentais.
O plano de salvação de Deus passa por estabelecer com os homens uma relação de comunhão, de familiaridade, de amor. Por isso, Jesus veio ao mundo: para tornar os homens "filhos de Deus" ("aos que O receberam, aos que crêem n'Ele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus" - Jo 1,12).
Como é que Jesus concretizou esse projecto? Ele "montou a sua tenda no meio dos homens" (Jo 1,14) e ofereceu aos homens um "caminho" de vida em plenitude: mostrou aos homens, na sua própria pessoa, como é que eles podem ser Homens Novos - isto é, homens que vivem na obediência total aos planos do Pai e no amor aos irmãos. Viver desse jeito é viver numa dinâmica divina, entrar na intimidade do Pai, tornar-se "filho de Deus".
Na ceia de despedida a que o nosso texto se refere, Jesus sente que está a começar o último acto da missão que o Pai lhe confiou (criar o Homem Novo). Falta oferecer aos discípulos a última lição - a lição do amor que se dá até à morte; falta também o dom do Espírito, que capacitará os homens para viverem como Jesus, na obediência a Deus e na entrega aos homens. Para que esse último acto se cumpra, Jesus tem de passar pela morte: tem de "ir para o Pai". Ao dizer "vou preparar-vos um lugar" (vers. 2b), Jesus sugere que tem de ir ao encontro do Pai, para que os homens possam (pela lição do amor e pelo dom do Espírito) fazer parte da família de Deus.
Nessa família, há lugar para todos os homens ("na casa de meu Pai há muitas moradas" - vers. 2a): basta que sigam "o caminho" de Jesus - isto é, que escutem as suas propostas e que aceitem viver como Homens Novos, no amor e no dom da vida. A "casa do Pai" é a comunidade dos seguidores de Jesus (a Igreja).
Qual é o "caminho" para chegar a fazer parte dessa família de Deus? - perguntam os discípulos (eles foram testemunhas da vida que Jesus levou e, portanto, conhecem de cor o "mapa" desse "caminho"; mas continuam a recusar-se a acreditar que o dom da vida seja um caminho obrigatório para fazer parte da família de Deus - vers. 4-5).
A resposta é simples... O "caminho" é Jesus (vers. 6): é a sua vida, os seus gestos de amor e de bondade, a sua morte (dom da vida por amor) que mostram aos homens o itinerário que eles devem percorrer. Ao aceitarem percorrer esse "caminho" de identificação com Jesus, os homens estão a ir ao encontro da verdade e da vida em plenitude. Quem aceita percorrer esse "caminho" de amor, de entrega, de dom da vida, chega até ao Pai e torna-se - como Jesus - "filho de Deus".
Mais: ao identificarem-se com Jesus, os discípulos estabelecem uma relação íntima e familiar com o Pai, porque o Pai e Jesus são um só (vers. 7-12). O Pai está presente em Jesus. Quem adere a Jesus e estabelece com Ele laços de amor, já faz parte da família do Pai, porque Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens: as obras de Jesus são as obras do Pai; o seu amor é o amor do Pai; a vida que Ele oferece é a vida que o Pai dá aos homens.
Em conclusão: os discípulos de Jesus têm de percorrer um "caminho", até chegarem a ser família de Deus. Esse "caminho" foi traçado por Jesus, na obediência a Deus e no amor aos homens. É no final desse "caminho" que os discípulos - tornados Homens Novos - encontrarão o Pai e serão integrados na família de Deus.
No entanto, Jesus não é somente o modelo do "caminho"; ao mesmo tempo, Ele oferece como dom a força, a energia (o Espírito) para que o homem possa percorrer "o caminho". É o Espírito do Senhor ressuscitado que renova e transforma o homem, no sentido de o levar, cada dia, a tornar-se Homem Novo, que vive na obediência a Deus e no amor aos irmãos. Desta dinâmica, nasce a comunidade de Homens Novos, a família de Deus, a Igreja.
ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão, considerar os seguintes dados:
• A Igreja é essa comunidade de Homens Novos, que se identifica com Jesus que, animada pelo Espírito, segue "o caminho" de Jesus (caminho de obediência aos planos do Pai e de dom da vida aos irmãos), que procura dar testemunho de Jesus no meio dos homens e que é a "família de Deus". No dia do nosso baptismo, fomos integrados nesta família... A nossa vida tem sido coerente com os compromissos que, então, assumimos? Sentimo-nos "família de Deus", ou deixamos que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência falem mais alto e escolhemos caminhar à margem desta família? É verdade que esta família tem falhas, e é verdade que nem sempre encontramos nela humanidade e amor. Que fazemos, então: afastamo-nos, ou esforçamo-nos para que ela viva de forma mais coerente e verdadeira?
• Falar do "caminho" de Jesus é falar de uma vida dada a Deus e gasta em favor dos irmãos, numa doação total e radical, até à morte. Os discípulos são convidados a percorrer, com Jesus, esse mesmo "caminho". Paradoxalmente, dessa entrega (dessa morte para si mesmo) nasce o Homem Novo, o homem na plenitude das suas possibilidades, o homem que desenvolveu até ao extremo todas as suas potencialidades. É esse "caminho" que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido uma entrega a Deus e doação aos meus irmãos? Tenho procurado despir-me do egoísmo e do orgulho que impedem o Homem Novo de aparecer?
• A comunhão do crente com o Pai e com Jesus não resulta de momentos mágicos nos quais, através da recitação de certas fórmulas ou do cumprimento de certos ritos, a vida de Deus bombardeia e inunda incondicionalmente o crente; mas a intimidade e a comunhão com Jesus e com o Pai estabelecem-se percorrendo o caminho do amor e da entrega, em doação total a Deus e aos irmãos. Quem quiser encontrar-se com Jesus e com o Pai, tem de sair do egoísmo e a fazer da sua vida um dom a Deus e aos homens.
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 5º DOMINGO DA PÁSCOA
(adaptadas de "Signes d'aujourd'hui")
1. A LITURGIA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 5º Domingo da Páscoa, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo... Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa...
2. VALORIZAR O ALTAR.
A segunda leitura é extraída da Primeira Carta de Pedro: Jesus é a pedra viva... a pedra angular... a pedra rejeitada pelos construtores... Através de iluminação ou de flores, poder-se-á pôr em destaque o altar, símbolo de Cristo, pedra sobre a qual repousa a Igreja, templo espiritual. Liturgicamente, é o altar (e não o sacrário) que está no centro do espaço de celebração das nossas igrejas. Seria bom igualmente pôr em evidência a ligação entre o altar e a cruz: "a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular".
3. BILHETE DE EVANGELHO.
Dar um passo... Alguém dizia, durante uma homilia: "a fé começa pelos pés!" De facto, a fé é uma resposta e uma caminhada. Foi a aventura destes onze homens reunidos numa sala, em Jerusalém. Estavam cheios de medo, mas lançaram-se, algum tempo mais tarde, pelas ruas da Palestina e para além disso. Sentiram-se possuídos pelo Espírito recebido no Pentecostes. É a aventura das crianças que, nestes dias, vão começar a comungar: são convidadas ao Banquete do Senhor, vão responder a este convite. É a aventura dos jovens que, por ocasião da sua profissão de fé, decidiram dar um passo para Deus, ousando dizer: "Creio!". É a aventura dos jovens que, em certo período do ano, vão ser confirmados, um passo que lhes faz pedir a ajuda do Espírito. Somos todos convidados a dar um passo, para o Senhor e para os nossos irmãos. Sim, sejamos cristãos a caminho.
4. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Pai, nós Te damos graças pelo teu Espírito Santo, que suscita em todo o tempo, nas nossas comunidades, iniciativas para o acolhimento do teu Reino.
Nós Te pedimos por todos os ministérios e serviços na Igreja, pelos diáconos, leitores, catequistas, pelos cristãos empenhados nas pastorais especializadas, a saúde, a informação, etc.
No final da segunda leitura:
Nós Te damos graças por Jesus Ressuscitado: Ele é a pedra viva e a pedra angular, que a morte não conseguiu eliminar. Ele é a rocha sobre a qual repousa a nossa fé. Por Ele e n'Ele nós Te apresentamos as nossas oferendas espirituais.
Nós Te pedimos pelo teu povo, templo espiritual, nação santa, sacerdócio real, para que ele testemunhe em todo o lugar a tua admirável luz.
No final do Evangelho:
Pai, nós Te bendizemos por Jesus, teu Filho, porque Ele é para nós o Caminho, a Verdade e a Vida. N'Ele descobrimos o teu rosto.
Nós Te pedimos: pelo teu Espírito Santo, faz-nos reconhecer e habitar na tua presença. Que Jesus, a tua Palavra viva, habite em nós e suscite obras de salvação. Que Ele nos conduza para Ti.
5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística I, dizendo o nome dos Apóstolos, em particular os citados no Evangelho.
6. PALAVRA PARA O CAMINHO.
"Sede as pedras vivas..." Que espécie de pedras somos nós na construção da nossa Igreja em 2005? Pedras que procuram ajustar-se umas às outras, em harmonia com a "Pedra angular"? Ou pedras que se opõem umas às outras e se eliminam mutuamente? Que "Templo espiritual" estamos nós a construir?
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
Proposta para
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 - 1800-129 LISBOA - Portugal
Tel. 218540900 - Fax: 218540909
portugal@dehonianos.org - www.dehonianos.org


Eu vim ao mundo como luz-Dehonianos


6 Maio 2020
4ª Semana - Quarta-feira
Lectio
Primeira leitura: Actos 12, 24 - 13, 5a
Naqueles dias, 24a palavra de Deus crescia e multiplicava-se. 25Barnabé e Saulo, depois de terem cumprido a sua missão, regressaram de Jerusalém, levando consigo João, de sobrenome Marcos.
1Havia na igreja, estabelecida em Antioquia, profetas e doutores: Barnabé, Simeão, chamado 'Níger', Lúcio de Cirene, Manaen, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. 2Estando eles a celebrar o culto em honra do Senhor e a jejuar, disse-lhes o Espírito Santo: «Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a que Eu os chamei.» 3Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir. 4Enviados, pois, pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e ali meteram-se num barco, rumo à ilha de Chipre. 5Chegados que foram a Salamina, começaram a anunciar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham também João como auxiliar.
Com esta pequena secção, começa mais um dos resumos característicos de Lucas. Este trata do avanço do Evangelho. E vem uma notícia surpreendente: Barnabé e Saulo foram a Jerusalém, onde a comunidade dos discípulos passava por grave crise económica, para levarem ajuda da igreja de Antioquia. É o começo da partilha de bens entre as igrejas. Nessa mesma altura, Herodes desencadeou a perseguição que levou Tiago à morte. Pedro também foi preso, mas acabou por ser libertado. Segundo Lucas, Barnabé e Saulo, parecem ter escapado ilesos, o que não parece verosímil, pelo menos no caso de Saulo, cordialmente odiado pelos judeus. Mas o autor do Actos não está interessado em contar a sucessão exacta e cronológica dos acontecimentos. Interessa- lhe particularmente referir Antioquia como a igreja da qual vai partir a grande missão cujos protagonistas serão precisamente Barnabé e Saulo, acompanhados por João Marcos, uma excelente conquista feita em Jerusalém.
A comunidade de Antioquia, viva e cheia de dinamismo, estava empenhada na evangelização da enorme cidade. Distinguiam-se, nessa tarefa, Saulo, Barnabé e João Marcos. Mas o Espírito tinha outros projectos. Um dia, enquanto jejuavam e rezavam manifestou a sua vontade por meio de um profeta: «Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a que Eu os chamei» (v. 2). Esse trabalho era a evangelização do mundo mediterrânico, particularmente da Grécia e de Roma.
Evangelho: João 12, 44-50
Naquele tempo, 44Jesus levantou a voz e disse: «Quem crê em mim não é em mim que crê, mas sim naquele que me enviou; 45e quem me vê a mim vê aquele que me enviou. 46Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em mim não fique nas trevas. 47Se alguém ouve as minhas palavras e não as cumpre, não sou Eu que o julgo, pois não vim para condenar o mundo, mas sim para o salvar. 48Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que Eu anunciei, essa é que o há-de julgar no último dia; 49porque Eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me encarregou do que devo dizer e anunciar. 50E Eu bem sei que este seu mandato traz consigo a vida eterna; por isso, as coisas que Eu anuncio, anuncio-as tal como o Pai as disse a mim.»
Esta perícopa encerra o «livro dos sinais», no evangelho de João. Jesus lança um clamor, um grito, que introduz uma declaração sobre a sua identidade. Já o fizera na festa dos Tabernáculos (Jo 7, 28) e no dia mais solene da mesma (Jo 7, 37). Aqui fá-lo, pela última vez, numa espécie de resumo dos temas tratados na primeira parte do evangelho de João: 1º - acreditar em Jesus, vê-lo, significa acreditar e ver Aquele que O enviou; é o tema da unidade: o Pai e Jesus são uma só coisa; Jesus é o resplendor do Pai, aproxima-O do homem, dá-lho a conhecer, comunica-O; 2º - Jesus é a luz; a missão de Jesus é portadora de salvação; 3º - o destino do homem joga-se no dilema fé-incredulidade, o acolhimento ou recusa de Jesus, na escuta ou não escuta da sua palavra. A fé, o acolhimento, a escuta de Jesus salvam o homem; a incredulidade, a recusa, a não escuta de Jesus, condenam o homem. Jesus não veio para julgar, mas para salvar. Será a Lei, em que os judeus põem toda a confiança, que os há-de julgar no último dia (cf. v. 48). 4º - a vinda de Jesus, a sua acção e a sua palavra, tinham um único objectivo: comunicar a vida. Foi esse o mandamento recebido do Pai (v. 50).
Meditatio
A igreja da Antioquia era viva e dinâmica. Tinha profetas e doutores, entre os quais se distinguiam Barnabé e Saulo, e estava empenhada na evangelização da grande cidade. Era uma igreja fervorosa e atenta à voz do Espírito. Assim: «estando eles a celebrar o culto em honra do Senhor e a jejuar, disse-lhes o Espírito Santo:
«Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a que Eu os chamei.» Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir». Assim começou a grande missão: «Enviados, pois, pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e ali meteram-se num barco, rumo à ilha de Chipre. Chegados que foram a Salamina, começaram a anunciar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham também João como auxiliar». A igreja de Antioquia, que tinha ainda tanto para fazer na sua cidade, organiza uma missão pelas regiões vizinhas, confiando-a a dos seus mais destacados membros. Um exemplo que continua actual para todas as igrejas, mas também para as ordens e congregações, que fazem parte da vida e santidade da Igreja!
Jesus não veio «para condenar o mundo» (v. 47). Mas a sua palavra e a sua missão realizam automaticamente um juízo e tornam-se critério último de verdade e de acção. A minha atitude diante de Jesus, e da sua palavra, realiza o juízo em relação a mim mesmo, agora e no futuro. Na pessoa de Jesus está presente a realidade definitiva. E eu devo confrontar-me, aqui e agora, com essa realidade, porque é o definitivo que avalia o transitório. É hoje que eu decido o meu destino eterno. É hoje que a minha vida está suspensa entre a vida e a morte, entre a luz e as trevas, entre o tudo e nada, porque é hoje que me confronto com Jesus e com a sua palavra, e é hoje que tenho de optar.
O momento presente é sumamente importante, porque é o hoje de Deus, que podemos acolher ou rejeitar. Desse acolhimento ou rejeição derivam consequências eternas. O Hoje de Deus salvador está personificado em Jesus: "Hoje nasceu para vós na cidade de David um Salvador" (Lc 2, 11); "Hoje - diz Jesus na sinagoga de Nazaré – cumpriu-se esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir" (Lc 4, 21); "Hoje tenho de ficar em tua casa" - diz Jesus a Zaqueu (Lc 19, 5); e ai nda "Hoje a salvação entrou nesta casa" (Lc 19, 9); "Hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23, 43), promete Jesus ao bom ladrão. Hoje é Jesus, é a salvação: "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre" (Heb 13, 8).
A este Hoje de Deus, que é Jesus, deve responder cada homem com um "sim" de amor, que é «sim» à salvação, à verdade, à vida, ao bem, à santidade.
Oratio
Pai santo, que enviaste o teu Filho ao mundo, não para o condenar, mas para o salvar, faz com que eu, carregado de misérias, jamais perca a confiança, e me afaste de Ti, triste e desanimado. Infunde o teu Espírito no mais íntimo de mim mesmo para que, iluminado pela tua luz, ganhe força e coragem para retomar o caminho. As tuas palavras, por vezes, são duras. Mas sei que, com elas, apenas queres recuperar-me e salvar-me, dar-me ajuda para que não perca a vida eterna que me preparaste. Sei que és benevolente, mesmo quando te mostras severo. Por isso, imprime no meu coração as palavras do teu Filho para que possa saborear hoje, amanhã e sempre, a tua salvação. Amen.
Contemplatio
Santa Gertrudes faz comparecer a alma com o amor seu poderoso advogado diante da verdade e da justiça divina.
– Ó verdade! Ó justiça divina! Como comparecer na vossa presença, eu que estou esmagado sob o peso da minha iniquidade, sob o fardo da minha vida que perdi, sob a carga de todas as minhas negligências? Não soube fazer valer, infelizmente, o tesouro da fé cristã e da vida espiritual.
Sei o que vou fazer: tomarei o cálice da salvação, o cálice de Jesus. Colocá-lo- ei sobre o prato vazio da verdade e da justiça. Por este meio, acorrerei a tudo o que me falta, cobrirei todos os meus pecados. Este cálice levantará as minhas ruínas, por ele suprirei e muito além à minha indignidade.
– Ó amor divino, emprestai-me o meu Jesus, vosso real cativo, Ele que foi levado por mim de tribunal em tribunal, Ele que foi condenado por me ter amado, e entregado à morte por minha causa.
Ó Jesus, amável penhor da minha redenção, vinde portanto comigo ao juízo. Julgai-me, tendes esse direito, mas vós sois também o meu advogado. Para que eu seja justificado, não tereis senão que relatar o que fizestes por mim e o preço pelo qual me adquiristes. Tomastes a minha natureza a fim de que eu não pereça; levastes o fardo dos meus pecados, morrestes por mim para que eu não morra da morte eterna; querendo enriquecer-me de méritos, destes-me tudo. Julgai-me, portanto, na hora da minha morte de acordo com esta inocência e esta pureza que me conferistes pagando toda a minha dívida e deixando-vos condenar em meu lugar (Leão Dehon, OSP 4, p. 486s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Eu não vim condenar o mundo, mas salvá-lo» (Jo 12, 47).

As minhas ovelhas escutam a minha voz-Dehonianos


5 Maio 2020
4ª Semana - Terça-feira
Lectio
Primeira leitura: Actos 11, 19-26
19Naqueles dias, os irmãos que se tinham dispersado, devido à perseguição desencadeada por causa de Estêvão, adiantaram-se até à Fenícia, Chipre e Antioquia, mas não anunciavam a palavra senão aos judeus. 20Houve, porém, alguns deles, homens de Chipre e Cirene que, chegando a Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando-lhes a Boa-Nova do Senhor Jesus. 21A mão do Senhor estava com eles e grande foi o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor. 22A notícia chegou aos ouvidos da igreja de Jerusalém, e mandaram Barnabé a Antioquia. 23Assim que ele chegou e viu a graça concedida por Deus, regozijou-se com isso e exortou-os a todos a que se conservassem unidos ao Senhor, de coração firme; 24ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. Assim, uma grande multidão aderiu ao Senhor. 25Então, Barnabé foi a Tarso procurar Saulo.
26Encontrou-o e levou-o para Antioquia. Durante um ano inteiro, mantiveram-se
juntos nesta igreja e ensinaram muita gente. Foi em Antioquia que, pela primeira vez, os discípulos começaram a ser tratados pelo nome de «cristãos.»
A perseguição que levou à morte de Estêvão, e provocou a dispersão dos
«helenistas», foi providencial para a vida da Igreja. Os discípulos dispersos tornaram-se missionários entre os pagãos. Pregaram na Samaria, na Fenícia, em Chipre e Antioquia, dirigindo-se, não só às comunidades judaicas, mas também aos gregos, que eram pagãos. Antioquia, na Síria, torna-se uma comunidade cristã importante, pólo de difusão da fé entre os gregos. Os habitantes de Antioquia dão-se conta da diferença entre a comunidade dos discípulos de Jesus e a comunidade dos judeus. Por isso, começam a chamar cristãos aos discípulos de Cristo. O nome novo afirma eloquentemente que se trata de uma realidade nova.
A comunidade de Jerusalém está atenta ao que se passa em Antioquia e manda dois emissários para que verificassem o que estava a acontecer. Felizmente envia Barnabé «homem bom, cheio do Espírito Santo», que é capaz de fazer um bom discernimento e acaba por compreender e estimular a acção da comunidade. Para ajudar, vai chamar Paulo a Tarso e introdu-lo na comunidade de Antioquia.
Evangelho: João 10, 22-30
Naquele Tempo, 22celebrava-se em Jerusalém a festa da Dedicação do templo. Era Inverno. 23Jesus passeava pelo templo, debaixo do pórtico de Salomão.
24Rodearam-no, então, os judeus e começaram a perguntar-lhe: «Até quando nos deixarás na incerteza? Se és o Messias, di-lo claramente.» 25Jesus respondeu-lhes: «Já vo-lo disse, mas não credes. As obras que Eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho a meu favor; 26mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
27As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me. 28Dou-
lhes a vida eterna, e nem elas hão-de perecer jamais, nem ninguém as arrancará da minha mão. 29O que o meu Pai me deu vale mais que tudo e ninguém o pode arrancar da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos Um.»
Jesus vai ao Templo, na festa da Dedicação, e passeia debaixo do pórtico de
Salomão. Os judeus ansiosos rodeiam-no e disparam a pergunta que os atormentava:
«Até quando nos deixarás na incerteza? Se és o Messias, di-lo claramente» (v. 24). As palavras de Jesus deixavam entender que ele é o Messias. Mas podiam ser mal entendidas. Daí o chamado «segredo messiânico» no evangelho de Marcos. Jesus impõe silêncio a todos aqueles que, a ver as obras de Jesus, podiam directa ou indirectamente afirmar que Ele era o Messias. Desta vez, Jesus responde que a pergunta já está suficientemente respondida. Basta ouvir as suas palavras e, mais ainda, observar as suas obras. O problema é que eles não estão dispostos a acreditar. E não querem acreditar, isto é, aderir a Jesus, porque não lhe pertencem, não são seus, não são suas ovelhas. Não são atraídos pelo Pai (cf. Jo 6, 4). Pelo contrário, quem O escuta, dá prova de que pertence ao novo povo de Deus, é ovelha Jesus, escuta a sua voz, segue-O, não perecerá jamais (cf. vv. 27-28).
Os discípulos de Jesus terão de sofrer como Ele sofreu. Mas, tal como Ele venceu a morte, também os seus discípulos, que vivem unidos a Ele, a hão-de vencer. Estão protegidos pelo Pai (cf. vv. 28-30).
Meditatio
Os pioneiros da igreja de Antioquia foram missionários anónimos, tal como aconteceu em Éfeso (18, 1), em Alexandria (18, 24) e em Roma (28, 14) e em tantas outras comunidades cristãs ao longo dos séculos. Essas igrejas são monumentos a tantos missionários desconhecidos que, mesmo sem missão oficial, sem organização e sem propaganda, assumiram a sua condição de baptizados e, animados pelo Espírito Santo, levaram por diante o trabalho da evangelização. Um exemplo e um estímulo para todos nós, hoje.
No evangelho reencontramos a relação com Deus como condição de adesão a
Cristo. Para acreditarmos, é preciso que o Pai nos atraia para Jesus. Por outras palavras, para que alguém se torne ovelha do rebanho de Jesus, e O escute, é preciso que o Pai lho dê. «Vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas» (v.
26), isto é: não credes porque o Pai ainda não vos deu a mim. Por isso, não sois minhas ovelhas, não acreditais e não me reconheceis. Quando Jesus se apresenta a uma alma que lhe foi dada pelo Pai, acontece algo de semelhante ao que se passa quando duas pessoas se encontram pela primeira vez e se descobrem apaixonadas. Há um reconhecimento mútuo, há a descoberta de que se pertencem um ao outro. E a vida torna-se mais bela. Quando o Pai apresenta uma alma a Jesus, ela reconhece o seu Mestre e o Mestre reconhece a ovelha que o Pai lhe dá.
«As minhas ovelhas escutam a minha voz» (v. 27). Há ainda muitas ovelhas que não estão no rebanho, na Igreja, porque ainda não ouviram a voz do Pastor. Quando a ouvirem, vão reconhecê-la, porque o Pai lhas deu, e vão aderir a Jesus em amor recíproco.
Nós, que pertencemos ao rebanho, temos a responsabilidade de fazer ouvir a voz do Senhor, de modo perceptível, àqueles que ainda não a ouviram. Para isso, havemos de dar um testemunho coerente e puro.
O Pe. Dehon sentiu pessoalmente a vocação missionária desde a primeira
infância. Escreve no último caderno do seu Diário: " O ideal da minha vida, o voto que formulava entre lágrimas
na minha adolescência era o de ser missionário e mártir. Parece-me que este voto se realizou por meio dos mais de cem missionários que tenho em todas as partes do mundo".
Numa carta escrita aos seus missionários, o Pe. Dehon mostra-se orgulhoso por
esses seus filhos, porque vão para terras longínquas alargar o Reino do Coração de Jesus, para viver a vida de reparação e de imolação, que a sua vocação exige. Devem desejar morrer na missão, para que o sacrifício seja mais completo e sem reservas,
para fazer conhecer e amar a Deus, e para fazer conhecer o amor do Coração de
Jesus.
Oratio
Ó Jesus, Bom Pastor, ilumina o meu coração e abre a minha inteligência para compreender a tua palavra. Na complexidade do mundo em que vivo, batido por tantas propostas religiosas, diante do pulular de tantas divindades, velhas e novas, sinto-me, às vezes, abalado, e compreendo a incerteza, o desencanto e o cepticismo de tantos irmãos. São muitas as vozes que lhes dificultam ouvir e discernir a tua voz.
Tem compaixão de mim. Confirma no mais íntimo do meu coração a tua
palavra, com aquela certeza que só o Espírito Santo pode dar. Tem compaixão dos meus irmãos, perdidos e confusos, como ovelhas sem pastor. Fala-lhes ao coração. Faz que Te escutem, não como um dos tantos mestres que por aí andam, mas como o Mestre, porque Tu e o Pai são Um. Amen.
Contemplatio
Como Nosso Senhor é amável sob o título de Bom Pastor, um título que resume tão bem todas as bondades do seu Coração para connosco! Foi ele que deu a si mesmo este título e que nos recordou todas as solicitudes, todas as ternuras, todas as dedicações de um bom pastor. O bom pastor conhece todas as suas ovelhas. Chama-as uma a uma. Caminha diante delas. Condu-las às melhores pastagens.
Espiritualmente, temos por alimento da nossa alma a palavra viva de Nosso Senhor, e para o nosso coração o alimento celeste da Eucaristia. O bom Pastor dá os seus cuidados mais diligentes a todas as suas ovelhas. Se vê algumas que sofrem, feridas, cansadas, toma-as sobre os seus ombros, leva-as para o redil e cuida delas amorosamente. Nosso Senhor faz isto por nós pela confissão, pela direcção (espiritual) e pela sua Providência, tão assídua e tão delicada.
O bom Pastor não perde de vista as suas ovelhas, a sua solicitude é extrema.
Vela pela sua segurança, preserva-as da malícia dos maus e defende-os contra os embustes do demónio. Para as salvar, dá até à última gota do seu sangue. Não é verdadeiramente o Salvador com o seu Coração cheio de uma bondade inesgotável? (Leão Dehon, OSP 3, p. 472)
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«As minhas ovelhas escutam a minha voz» (Jo 10, 27).

Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas-Dehonianos


4 Maio 2020
4ª Semana - Segunda-feira
Lectio
Primeira leitura: Actos 11, 1-18
Naqueles dias, 1os Apóstolos e os irmãos da Judeia ouviram, entretanto, dizer que também os pagãos tinham recebido a palavra de Deus. 2E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os circuncisos começaram a censurá-lo, 3dizendo-lhe: «Tu entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles.» 4Pedro expôs-lhes, então, o caso, do princípio ao fim, dizendo: 5«Estava eu em oração na cidade de Jope quando, em êxtase, tive uma visão: um objecto semelhante a uma grande toalha, descia do céu, preso pelas quatro pontas, e chegou até junto de mim. 6Fitando os olhos nele, pus-me a observar e vi os quadrúpedes da terra, os animais ferozes, os répteis e as aves do céu. 7Ouvi também uma voz que me dizia: 'Vamos, Pedro, mata e come.' 8Mas eu respondi: 'De modo algum, Senhor! Nunca entrou na minha boca nada de profano ou impuro!' 9A voz fez-se ouvir do Céu, pela segunda vez: 'O que Deus purificou não o consideres tu impuro.' 10Isto repetiu-se três vezes; depois, tudo foi novamente elevado ao Céu. 11Nesse instante, apresentaram-se três homens na casa em que estávamos, enviados de Cesareia à minha presença. 12O Espírito disse-me que os acompanhasse, sem hesitar. Vieram também comigo os seis irmãos, aqui presentes, e entrámos em casa do homem. 13Ele contou-nos que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa, dizendo-lhe: 'Envia alguém a Jope e manda chamar Simão, cujo sobrenome é Pedro; 14ele dir-te-á palavras que te hão-de trazer a salvação, a ti e a toda a tua casa.' 15Ora, quando principiei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, como sobre nós, ao princípio. 16Recordei-me, então, da palavra do Senhor, quando Ele dizia: 'João baptizou em água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo.' 17Se Deus, portanto, lhes concedeu o mesmo dom que a nós, por terem acreditado no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para me opor a Deus?»
18Estas palavras apaziguaram-nos, e eles deram glória a Deus, dizendo: «Deus também concedeu aos pagãos o arrependimento que conduz à Vida!»
O baptismo de Cornélio e da sua família, passo decisivo na abertura do evangelho aos pagãos, foi oficialmente comunicado às autoridades da Igreja de Jerusalém. Mas os ambientes judeo-cristãos levantaram problemas e, quando Pedro chegou a Jerusalém, pediram-lhe explicações. Embora sendo a máxima autoridade na Igreja, o Apóstolo não queria agir de modo independente e caprichoso. Por isso, explica o passo dado e as motivações do mesmo. Não conta todo o episódio, mas apenas os pormenores que julga necessários para a sua compreensão. Além do seu próprio testemunho, acrescenta o dos seis irmãos que o acompanham, e lembra as palavras de Jesus, antes da ascensão: «vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo». A efusão do Espírito incluía os pagãos.
Os argumentos de Pedro acalmam os seus opositores. Estes reconhecem a acção de Deus e verificam que a penitência em ordem à vida também é concedida aos gentios, que não precisam de se tornar previamente judeus, nem de ser circuncidados e observar a Lei. A missão entre os pagãos ficava oficialmente autorizada. A acção de Pedro, que inicia a missão entre os gentios, uma vez aprovada pela Igreja, torna-se acção da própria Igreja. Mais ainda: sendo Cornélio romano, Lucas também insinua a boa relação entre os primeiros cristãos e as autoridades romanas, a tolerância do Estado frente à Igreja, decisiva na história do cristianismo.
Evangelho: João 10, 1-10
Naquele tempo, disse Jesus: 1«Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador. 2Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre-a e as ovelhas escutam a sua voz. E ele chama as suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes e fá-las sair. 4Depois de tirar todas as que são suas, vai à frente delas, e as ovelhas seguem-no, porque reconhecem a sua voz. 5Mas, a um estranho, jamais o seguiriam; pelo contrário, fugiriam dele, porque não reconhecem a voz dos estranhos.» 6Jesus propôs-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia.
7Então, Jesus retomou a palavra: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não lhes prestaram atenção. 9Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
Esta parábola é dirigida por Jesus, não aos judeus, mas aos fariseus com quem mantinha controvérsias por causa da sua dignidade divina, da fé exigida aos homens e da atitude de recusa que, em relação a Ele, mantinham os dirigentes de Israel. Os fariseus são os pastores que não entraram pela porta. São, pois, ladrões e salteadores. Jesus é o único pastor, que entra pela porta, que é a própria porta do redil.
As diversas analogias, que aparecem na alegoria, têm por fim realçar a autoridade de Jesus, cuja finalidade é apenas o bem-estar das suas ovelhas, a quem se entrega sem reserva. Dá a vida por elas. A autoridade dos fariseus não é legítima, porque se baseava numa interpretação da Lei que esmagava o povo em vez de o libertar. Os fariseus buscavam o seu próprio interesse e não o do povo (cf. Mt 23; Mc
12, 38ss.). Jesus é pastor legítimo, porque está preocupado com as ovelhas. Veio para servi-las, e não para ser servido por elas. Conhece-as e elas conhecem-no; conhecem a sua voz. Têm dele um conhecimento amoroso. Jesus, o Bom Pastor, não procura dominar, não exige renúncia a nossa dignidade. Apenas pede que tenhamos confiança n´Ele para chegarmos à meta, às pastagens eternas.
Meditatio
O Evangelho, de vez em quando, fala de mortificação. Podemos até cair na tentação de pensar que o Senhor veio para nos complicar a vida, para nos fazer sofrer e morrer, e que a vida cristã é mutilação. Hoje, o Senhor, tira-nos todas as dúvidas: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10). Se nos pede algum sacrifício, se nos convida a carregar a cruz, é por razões positivas, é para termos uma vida de maior plenitude. É o que nos diz na alegoria da videira: «Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele... poda o ramo que dá fruto, para que dê mais fruto ainda» (Jo 15, 1-2).
«Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10). No evangelho de hoje, Jesus apresenta-se como Bom Pastor. Não é um pastor à maneira dos dirigentes de Israel que «dispersam e extraviam o rebanho» (Jr 23, 1) e «que se apascentam a si mesmos» (Ez 34, 2). É um pastor plenamente solidário com as suas ovelhas, a ponto de dar a vida por elas. É um pastor que conhece as pastagens eternas e o caminho para lá chegar. É um pastor diferente! Podemos deixar-nos guiar por Ele, porque não pretende dominar, não quer fazer-nos seus súbditos, não pede renúncia à nossa própria dignidade. Apenas pede que nos fiemos dele, que confiemos nele, para chegarmos à meta. É um pastor desapegado do poder e completamente entregue à orientação mansa e segura das ovelhas, pelas quais dá a sua vida.
Para o rebanho de Jesus são convidados todos os povos da terra. É o que nos mostra a conversão de Cornélio, um pagão romano. Como afirma Pedro, «Deus não faz acepção de pessoas» (Act 10, 34). Para Ele não há discriminação por razões sociais, raciais ou de qualquer outro tipo. Pedro, como judeu, sabia que era ilegal entrar na casa de um pagão, do modo como o fez. Mas a visão que teve em Jope fez- lhe dar-se conta de que essa ilegalidade tinha desaparecido com a morte e a ressurreição do Senhor. A salvação realizada por Jesus é para todos. Ninguém é excluído. Jesus ressuscitado é o Senhor de todos e, a todo o que n´Ele crê, são perdoados os pecados (cf. Act 10, 34-36). Pedro tem uma prova clara de tudo isso quando, ao discursar em casa de Cornélio, vê realizar-se um novo Pentecostes:
«quando principiei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, como sobre nós, ao princípio» (11, 15). É o Pentecostes «pagão» (em comparação com Pentecostes judeu). Trata-se de um acontecimento decisivo para a missão entre os pagãos. Como poderiam negar-se as águas do baptismo àqueles a quem Deus concedera o Espírito? Será o argumento de Pedro diante da igreja de Jerusalém.
Se a vocação à fé e ao baptismo é para todos, então também todos os que já têm fé e são baptizados têm o dever da missão, particularmente os consagrados. Como lembrava o nosso Superior Geral, no encerramento da VII Conferência Geral, compreendemos que a abertura universal do coração à missão não pode ser apenas de alguns, mas deve ser vocação de todo o dehoniano. Ainda que nem todos sejam chamados a trabalhar concretamente fora do seu país, a todos se pede que não reduzam a missão à realização de "serviços religiosos" para aqueles que já frequentam as nossas igrejas, mas façam da sua consagração um testemunho e um anúncio de Cristo à nossa sociedade.
Oratio
Ó Jesus, Bom pastor, quando vezes, também eu, tenho medo de me deixar guiar por Ti, preferindo outros pastores. Querendo fugir ao teu rebanho, deixo-me envolver pelo rebanho dos que caminham sem rumo e sem esperança. Quanto sou condicionado pelo pensamento do ambiente que me rodeia! Como é difícil escapar da manada dos que vivem tranquilamente o dia a dia, sem se preocuparem com o que virá depois!
Dá-me a tua luz, para que compreenda que Tu és a luz, o guia, o caminho. Ilumina-me também para compreenda que fazer parte do teu rebanho não significa renunciar à minha inteligência, mas fazê-la penetrar pelos caminhos da vida, que só Tu conheces, porque só Tu desceste do Céu. Amen.
Contemplatio
O verdadeiro pastor não tem senão uma preocupação, sustentar e desenvolver a vida do seu rebanho. O seu coração é absorvido por esta preocupação. A sua vida desenvolve-se na oração, no zelo, nas obras de pregação e de caridade. É um exemplo vivo das virtudes que ensina. É assim que dá a sua vida pelas suas ovelhas. Não se preocupa com os lucros em dinheiro, com as comodidades que o seu lugar pode proporcionar. Basta-lhe viver dia a dia, de receber o pão que sustenta as forças do corpo. Não conhece os cuidados da avareza, do luxo ou da ambição. Os que vivem assim amam verdadeiramente a Nosso Senhor; e o amor que lhe dedicaram é o segredo do seu zelo e do seu desinteresse.
O zelo pelas almas é inseparável do amor de Nosso Senhor, Jesus é devorado pelo zelo pela glória de seu Pai e pela salvação dos homens seus irmãos. Estes dois zelos não fazem senão um só. O bom padre deve como ele estar animado desde duplo zelo, e por isso basta-lhe amar Nosso Senhor e tudo reportar ao seu amor. O amor que testemunhamos a Nosso Senhor toca-o no coração e inclina-se a comunicar-se àquele que o ama. É assim que os padres que dão como móbil de todas as suas acções o amor do Sagrado Coração produzem os maiores frutos. Obrigam-no por uma doce coacção a substituir-se a eles, a viver neles e tornar-se pastor por seu intermédio.
Mas, para que penetre assim numa alma sacerdotal, é preciso que não encontre nela nenhuma resistência. É preciso que se agrade nela e que nela se encontre em casa: Já não sou eu que vive; é Cristo que vive em mim. Que os seus padres o amem portanto! Pede-lhes o seu coração em troca do dele. Quando eles estiverem bem na frente do seu coração, fará brilhar à sua volta a sua divina influência; espalhará por eles ondas de graças. O seu ministério será abençoado (Leão Dehon, OSP 3, p. 469s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Eu vim para que tenham vida... em abundância» (Jo 10, 10).

"O BOM PASTOR DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS.” Olivia Coutinho

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA - 04/05/20 - Jo10,11-18

Fazemos a experiência do amor de Deus, quando deixamos nos conduzir pelo o Bom Pastor que é Jesus!
Deus Pai, no seu infinito amor, nos entregou aos cuidados do Filho, o Bom Pastor, que nos acolheu com o mesmo amor do Pai, colocando-nos acima de sua própria vida!
Quando ouvimos falar do Bom Pastor, logo nos vem a imagem de um protetor, de alguém que cuida nós, que nos carrega no colo, enquanto atravessamos os desertos de nossa vida!
A figura do Bom Pastor, é uma das imagens mais bela e conhecida das pregações de Jesus!
Como o Bom Pastor, Jesus se apresenta como a única porta que nos conduz ao Pai!
O amor do Bom Pastor pelo o seu rebanho, é um amor incondicional, um amor tão grande que o levou ao extremo: a dar a vida pelo o resgate das ovelhas que caíram nas armadilhas dos mercenários!
”Dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão” Jo 10,28. Eis aí, a comunicação do amor de Deus, por meio de Jesus, é o seu amor que nos devolve a vida!
No evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, Jesus revela a sua intimidade com o Pai, a sua disposição em levar em frente o projeto de Deus a ser implantado por Ele, aqui na terra.
Ao se colocar como o Bom Pastor, Jesus deixa claro, que Ele é um Pastor zeloso, um pastor totalmente diferente dos que se dizem pastores, mas não cuidam de suas ovelhas. Ao contrário destes falsos pastores, Jesus cuida carinhosamente de suas ovelhas, Ele não quer perder nenhuma delas, e se alguma ovelha, se perder no caminho, Ele não desiste dela, não cansa de esperar pelo o seu retorno!
Ao entregar a vida, pelas as ovelhas do rebanho que o Pai lhe confiara, que somos nós, Jesus nos deu uma grande prova de amor, deu a sua vida por nós! Que resposta temos dado a este amor sem limites? O que temos feito da nossa vida que custou a vida de Jesus?
Escutar e colocar em prática os ensinamentos de Jesus, é realizar a vontade de Deus, é dar continuidade a presença amorosa do Bom Pastor aqui na terra, cuidando do outro, como Jesus nos ensinou a cuidar.
A todos nós, que confiamos em Jesus, fica um alerta: Tenhamos cuidado para não cairmos nas ciladas do inimigo, os falsos pastores estão por aí infiltrados no meio do povo, como lobos vorazes na espreita, prontos para tomar posse das ovelhas que se dispersarem do rebanho.
Saber que temos um protetor, alguém que cuida de nós, que nos conhece pelo o nome, que é nosso refúgio nos momentos de desolações, é a certeza de nunca estarmos sós!
Sob o olhar do Bom Pastor, estaremos sempre em segurança...
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Refletindo o Evangelho

sexta-feira, 1 de maio de 2020

EU SOU A PORTA. QUEM ENTRAR POR MIM SERÁ SALVO.” – Olivia Coutinho

REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA - 03/05/20- Jo10, 1-10

4º DOMINGO DA PÁSCOA.


Estamos no  4º Domingo da Páscoa, chamado de  Domingo do Bom Pastor! Dentro desta temática, somos convidados a fazer uma avaliação da nossa caminhada missionária. É confrontando o nosso modo de viver com o que nos diz o evangelho, que vamos ajustando os nossos passos, nos passos de Jesus!     
A palavra de Deus que nos é apresentada no evangelho deste Domingo, nos desperta sobre a importância da escuta, da escuta atenta da voz do nosso Pastor!
Como Bom Pastor, Jesus se apresenta como a única porta de entrada para o coração do Pai! Porta esta, que significa acesso, caminho, quem recusa a passar por esta porta que é Jesus, não compactua com as suas propostas. Estes, ficarão de fora, como ovelhas sem pastor, não participarão do Banquete preparado pelo o Pai!

O Pai, no seu infinito amor, nos entregou aos cuidados do Filho, o Bom Pastor, este, por sua vez, nos acolheu com o mesmo amor do Pai, nos colocando acima de sua própria vida!
Ao se colocar como o Bom Pastor, Jesus deixa claro que Ele é um Pastor, totalmente diferente dos que se dizem pastor, mas não tem compromisso com o seu rebanho, não se importam com a vida de suas ovelhas! Ao contrário destes “pastores,” Jesus não quer que nenhuma de suas ovelhas se perca, e, se por ventura, alguma delas desviar do caminho, seduzida por estes falsos pastores, Ele vai à sua procura, não desiste de esperar pelo seu retorno, estará sempre de braços abertos para acolhê-la de volta, pois para Jesus, não existe caminho sem volta e nem ponto final para uma história de amor!
Escutar e colocar em prática os ensinamentos de Jesus é ser uma ovelha fiel ao Bom Pastor! Fiéis ao Bom Pastor, estaremos amparados, protegidos, contra as ciladas preparadas pelo o inimigo, contra os falsos pastores, aqueles que tentam nos seduzir com proposta enganosas, portas largas que a princípio podem nos parecer atrativas, mas que nos levam a morte e não a vida.
A todos nós, que confiamos em Jesus, fica o grande desafio: sermos perseverantes na fé em meio as inverdades do mundo, não deixar que a voz dos falsos pastores, sobreponha a voz do verdadeiro Pastor que é Jesus.
Jesus é a fonte de água viva que sacia nossa sede, a Luz que nos ilumina, o Pão que nos sustenta, o Pastor que nos conduz, mediante a esta oferta de amor, do que mais precisamos para sermos felizes?
Ao doar a vida pelas ovelhas que o Pai lhe confiara, Jesus deu a maior prova de amor pela a humanidade, diante de tão grande prova de amor, perguntemo-nos: O que temos feito da nossa vida que custou a vida de Jesus?

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia Coutinho
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O BOM PASTOR É AQUELE QUE DOA A SUA VIDA – Maria de Lourdes Cury Macedo.


Domingo, 3 de Maio  de 2020.
EVANGELHO DE Jo 10,1-10.

Já estamos no 4º Domingo da Páscoa, também chamado de Domingo do Bom Pastor. Nessa liturgia, rezemos pelas vocações sacerdotais, religiosas e por todas as que se põem a serviço do Reino de Deus.
A figura do pastor aparece muito no Antigo Testamento, nos Profetas e nos Salmos para destacar o cuidado especial de Deus pelo povo. No tempo de Jesus as lideranças religiosas e políticas não cuidavam do povo, esse até “parecia como ovelhas sem pastor”.
O Pai de bondade e misericórdia confiou as ovelhas ao cuidado de seu Filho Jesus, que ofereceu a vida para defender e salvar o rebanho. Jesus se apresenta “como o Bom Pastor”, Ele chama as ovelhas pelo nome, caminha à frente delas. Ele carrega as ovelhas no colo, cura suas feridas, defende-as do ladrão e assaltante. Recebem dele o carinho, amor e todo cuidado.
Era costume da época de Jesus, recolher à noite, num único curral todas as ovelhas de todos os pastores. Esse curral era cercado de pedras, tinha uma só porta, e nessa porta um vigia, um guarda noturno. De manhã, cada pastor se apresentava ao guarda, só assim podia entrar pela porta. As ovelhas ouviam a voz do seu pastor que chamava cada uma pelo nome. As ovelhas reconheciam o pastor pelos seus passos, pela sua voz e tendo reconhecido o pastor logo se levantavam, para segui-lo, que as tirava do curral e caminhava à sua frente, conduzindo-as para verdes pastagens e para beber em águas tranquilas.
Jesus, portanto, usa desse acontecimento para ensinar ao povo que ele é o Bom Pastor e nós somos suas ovelhas. Que ele é aquele que conhece todas pelo nome, cuida, alimenta, mata a sede, protege, ama, carrega no colo se preciso for, vai em busca daquela que se perdeu, e dá sua vida por elas. Essas ovelhas somos nós. Ele nos conhece desde a eternidade. Ele sabe quem somos, conhece o nosso ser, nossas qualidades, defeitos, erros, pecados, egoísmo, fraternidade, sentimentos, atitudes, tristezas, alegrias, angústias, esperanças, enfim conhece o nosso coração, sabe tudo de cada um de nós. Ele nos vê por dentro.
As ovelhas conhecem o seu pastor, escutam a sua voz. Será que nós também escutamos a voz de Jesus? Escutamos sua voz, seus ensinamentos como: a humildade, a mansidão, o amor, a solidariedade, a sinceridade, o perdão, a misericórdia, a justiça, a partilha, a verdade? Escutamos, estudamos e vivemos a sua Palavra?  Enfim, ouvimos a sua voz? Ouvir é acolher, obedecer, praticar, agir.
O bom pastor protege suas ovelhas do mal, dos bandidos que querem roubá-las, maltratá-las, ou levá-las para o mau caminho. Ele cuida para que nada de mal aconteça a elas. Jesus, além de ser dócil, cuidadoso, amoroso Ele é valente, forte, na hora do perigo ele não abandona suas ovelhas, mas protege-as. Age assim por intenso amor por elas, e se preciso for sacrifica sua própria vida.
É assim que Jesus age conosco. Quantas vezes nas horas de angústias Jesus nos carregou no colo, dando-nos coragem, paciência, esperança, entusiasmo, ânimo, fortalecendo nossa fé, dando-nos paz, indicando caminhos... E quando nos afastamos de Jesus, dos seus ensinamentos ele nos busca por meio de um irmão que nos chama, que nos ouve, que escuta nossas queixas, que nos aconselha e aponta caminho, soluções. Basta enxergarmos as mãos de Deus agindo em nossa vida, nos conduzindo sempre.
O bom pastor alimenta suas ovelhas com boas pastagens. E Jesus, o Bom Pastor nos alimenta com a sua Palavra e com a Eucaristia, que é o seu próprio corpo, seu próprio ser.
Vimos que aquele curral que Jesus falou só tinha uma porta para entrar e para sair. E Jesus se compara com a porta dizendo: “Eu sou a porta”.  Ele quer nos ensinar que ninguém vai ao Pai senão por Ele. Só pela porta Jesus, entraremos no Reino do Céu. E este Reino começa aqui na terra quando vivemos a paz, a fraternidade, a justiça, o amor, o perdão, quando somos verdadeiros.
Entrar pela porta Jesus é salvar-se, é aderir, é aceitar Jesus e sua mensagem. É ser acolhido, protegido, amado. Sair pela porta Jesus é caminhar para a liberdade, ao encontro da vida, não ter mais fome ou sede, porque Jesus basta, é tudo, preenche nosso ser.
Os discípulos tiveram de abrir as portas para continuar a missão de Cristo, para anunciar a Boa Notícia de sua ressurreição. Os pastores verdadeiros passam sempre pela porta do Bom Pastor, para conduzir as ovelhas até Ele. O Papa Francisco enfatiza que “O povo de Deus precisa ser guiado por pastores que gastam a sua vida ao serviço do Evangelho,” e nos exorta a rezar para “que o Senhor nos mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho”.
Somente nos amando, ajudando, acolhendo, perdoando, evangelizando, cuidando das nossas ovelhinhas, que é o próximo é que nós vamos provar que somos discípulos do verdadeiro Pastor Jesus, que deu a sua vida para que todos tivessem vida em plenitude. Jesus dando sua vida na cruz, com seu sangue divino, conquistou a vida eterna para todos nós.
Quem nunca sentiu os cuidados e o carinho do Bom Pastor em sua vida? Se você ainda não sentiu esse carinho, peça agora a graça de perceber quantos carinhos você já recebeu em sua vida do Bom Pastor Jesus.  Peça agora ao Espírito Santo essa graça.
Queridos irmãos e irmãs, escolha Jesus, decida por Jesus porque Ele é a única porta que lhe mostrará o caminho para a vitória, para a salvação, para o Reino do céu, para a felicidade e paz.   
        
Abraços em Cristo!
Maria de Lourdes