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I N T E R N A U T A S-M I S S I O N Á R I O S

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O sinal do Espírito Santo-Helena Serpa


15/01/2017 - II Domingo do Tempo comum – 1ª. Leitura – Isaías 49, 3.5-6 – “com nossas boas ações podemos ser luz das nações ”
Todos nós, homens e mulheres, que temos a Bíblia como farol que ilumina nossos passos na caminhada para Deus, podemos nos amparar nesta Palavra. Apesar de Isaías profetizar a respeito de Jesus Cristo, todos nós podemos assumir a mensagem desta profecia, porque ao se fazer homem como nós, Jesus Cristo, o próprio Deus se fez servo para a Sua glória e para a nossa salvação e nos deu também dignidade e capacidade para realizar aqui na terra as mesmas obras que Ele. Portanto, nós também somos chamados a ser servos e servas fiéis ao projeto de Salvação que Cristo veio instaurar para a humanidade. Fomos também preparados (as), desde o nosso nascimento, para concretizar a missão à qual fomos destinados (as).     A Palavra de Deus é o próprio Jesus que nos ilumina e nos faz irradiar Sua Luz no mundo.  É através das nossas ações que podemos ser luz das nações, visto que no percurso da nossa vida temos inúmeras oportunidades de irradiar a mesma luz que recebemos de Jesus, no intuito de propagar a salvação até os confins da terra. Os confins da terra significam os lugares aos quais temos acesso, onde podemos levar a paz, a harmonia, o consolo a quem precisa, por meio da pregação da Sua Palavra e da vivência do Seu Amor. Ser luz das nações também é o chamado que recebemos no nosso Batismo, pois fomos mergulhados no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Temos em nós todos os atributos de Cristo, não podemos nos esquecer desta verdade. Às vezes, nós nos omitimos, deixamos passar as ocasiões favoráveis, dessa forma estamos submergindo a luz que mora em nós e nos esquecemos de manifestar ao mundo, a glória de Deus.  – Você tem consciência de que Jesus quer ser Luz através das suas ações? – Você tem manifestado ao mundo a glória de Deus? – Você tem propagado a Palavra de Jesus no meio em que vive? – Você tem revelado ao mundo a sua fé em Cristo? – Como?  

Salmo 39 – “Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!”
A esperança é o alimento da nossa fé! Por isso, o salmista nos ensina que a maneira mais eficaz para ver atendidos os nossos pedidos é esperar no Senhor com paciência. Enquanto esperamos, o próprio Senhor nos ensina a cantar louvores e poemas e coloca nos nossos lábios as palavras certas. E acrescenta como a nos orientar: “sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor meus ouvidos”. É isso o que devemos fazer, então: escutar a Palavra de Deus, cantar louvores e oferecer a Ele, não as coisas nem penitências, mas o nosso serviço e a nossa disposição de fazer a Sua vontade. . 

2ª. Leitura – 1 Coríntios 1, 1-3 – “A graça e a paz da parte de Deus”
Esta mensagem de São Paulo se destina a todos os que, no mundo inteiro atendem ao chamado de Deus para serem santo, quer dizer, separado, consagrado a Ele. A esses, São Paulo acena com a graça e a paz da parte de Deus e de Jesus Cristo. Quando verdadeiramente nos apossamos da Palavra de Deus que nos foi revelada por meio dos Seus profetas, dos Seus apóstolos e discípulos esta palavra se torna vida na nossa vida. Desta forma, hoje, todos nós que nos apoderamos desta Palavra, precisamos também acolher a graça e a paz que Deus  derrama sobre nós. Somos nós, hoje, os que foram santificados em Cristo Jesus e, por conseguinte, também chamados a ser santos e santas. Somos também o povo que invoca o nome de nosso Senhor Jesus Cristo em qualquer circunstância e lugar que estivermos. Consequentemente, se todos os dias nós acolhermos as bênçãos do céu que se derramam através da reflexão da Palavra, seremos pessoas abençoadas e felizes, apesar das tribulações e surpresas da vida. Quando no nosso dia a dia somos fiéis à nossa oração pessoal e à meditação da liturgia diária ou quando com perseverança participamos da Eucaristia, nós constatamos na nossa vida a grande graça de ser de Deus. Comprovamos e percebemos assim, que, aquilo que antes nos deixava “desesperados e confusos”, hoje nós enfrentamos com serenidade.  Em Jesus Cristo, somos mais que vencedores, esta é uma verdade da qual nunca deveremos esquecer, pelo contrário, devemos propagar aos quatro cantos da terra. – Você tem se apossado das graças de Deus por meio da Sua Palavra? – Você tem confiança de que a Palavra de Jesus se confirma na sua vida? – Você tem passado para as outras pessoas essa certeza? – Você se considera santificado (a) em Jesus Cristo? – O seu comportamento condiz com o de um (a) santo (a)?


Evangelho – João 1, 29-34 -  “o sinal do Espírito Santo”
João Batista veio abrir o caminho para Jesus!   E o sinal dado por Deus Pai a ele, a fim de que reconhecesse Jesus, foi o Espírito Santo, em forma de uma pomba descida do céu. Dessa forma, João Batista apontava com segurança para Jesus e dizia: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Depois do Batismo de Jesus, João Batista encerrou a sua missão, porque agora, Jesus, cheio do Espírito Santo, com poder iniciaria a Sua Missão. Às vezes não conseguimos entender muito os segredos de Deus, no entanto, precisamos nos firmar no que é essencial para que a mensagem evangélica se transforme em vida para a nossa caminhada. A todo o momento o Senhor nos sinaliza com o Seu Espírito Santo a fim de que possamos alcançar com segurança o que Ele pretende de nós. Depois de batizado, Jesus cheio do Espírito Santo iniciou sua vida pública tendo como maior objetivo nos fazer apossar do poder do Seu Espírito. Ao mencionarmos o Batismo de Jesus, não podemos esquecer-nos do nosso Batismo e tomar consciência de que também nós temos a força do Espírito dentro de nós e o Seu sinal se faz notar através das nossas ações, reações, atitudes, gestos, etc... Precisamos averiguar se o testemunho que estamos dando ao mundo é realmente o de alguém que vive pleno do Espírito Santo ou de quem já o guardou e não se importa com Ele! O Espírito Santo cheio de poder é o doce hóspede da nossa alma, no entanto Ele é educado e não quer se intrometer nas nossas ações, sem o nosso conhecimento. Deus Pai deu testemunho do Seu Filho Jesus, com o sinal do Espírito Santo. Assim também Ele só poderá dar testemunho ao mundo de que somos Seus filhos e filhas, se deixarmos que o Espírito Santo manifeste em nós o Seu poder e a Sua força. Seremos as pessoas mais insensatas se recusarmos essa grande ajuda do céu. – Você tem deixado transparecer ao mundo que está cheio (a) do Espírito Santo de Deus? – As pessoas reconhecem em você a luz que vem do céu? – Você tem feito as mesmas coisas, do mesmo jeito que as pessoas comuns do mundo fazem? – Em que você tem agido diferente das pessoas das “novelas” da TV? – Há alguma diferença?

O chamado de Levi-Helena Serpa

14/01/2017  – Sábado I semana comum – Hebreus 4, 12-16 – “A Palavra é esclarecedora e reveladora”
A Palavra é o trono da graça de Deus e se concretiza em nós na mesma proporção em que nos dispomos a vivê-la.   Quando caminhamos sob a Sua guarda estamos seguindo a trilha que o próprio Deus já traçou para alcançarmos o reino do céu, aqui e a vida eterna, mais tarde. Sendo ela viva e eficaz, esclarecedora e reveladora, é também o referencial para o nosso julgamento.  Jesus Cristo é a Palavra do Pai que, cheio de Misericórdia, veio ao mundo para nos dar a graça de um auxílio no momento oportuno. Não precisamos ficar desnorteados (as) nos momentos de aflição, pois a própria Palavra nos revela os pensamentos do coração de Deus para nós em cada situação da nossa vida. A Palavra do Senhor nos desvenda os mistérios dos acontecimentos e é uma receita para que permaneçamos firmes na fé. Diante da Palavra de Deus somos purificados (as) e podemos nos manter fiéis seguidores de Cristo, pois é Ela quem nos revela o modelo do cristão verdadeiro. Jesus é o Sumo Sacerdote, e, embora, sejamos fracos (as), pecadores (as), nós O temos no céu para nos justificar. A Sua Palavra é o nosso Norte, nosso amparo, remédio e alimento. O que é da carne é carnal, o que é do espírito, é espiritual e somente a Palavra nos dá o entendimento fiel para o nosso discernimento. – Como é a sua vivência com a Palavra de Deus? – Você tem medo de encará-La em certos aspectos? – O que você ainda não conseguiu entender? – Ela tem lhe dado paz ou medo? Reflita!

Salmo 18 – “Vossas palavras são espírito, são vida, tendes palavras, ó Senhor, de vida eterna”.
Tudo o que está escrito na lei do Senhor é perfeito para o nosso crescimento e para a nossa felicidade. Os preceitos do Senhor nos levam a viver com o coração alegre. Não precisamos nos atemorizar quando nela encontramos palavras duras, porque os julgamentos de Deus são corretos e para o nosso bem. Precisamos apenas diante da Sua Palavra, abrir o coração e proclamar com os nossos lábios os benefícios que dela recebemos.

Evangelho – Marcos 2, 13-17 – “o chamado de Levi”

Parece até que Jesus procurou os piores para fundar a Sua Igreja. Mesmo sabendo que Levi, (Mateus) era um coletor de impostos, um homem pecador, portanto, injusto com os irmãos, Jesus o convocou para fazer parte do rol de Seus discípulos.  Isto tudo nos serve de exemplo quando também nos admiramos de que na Igreja de Deus e no serviço do reino haja tantas pessoas necessitadas de conversão.  Isto prova quanto que Jesus deseja a nossa salvação e conversão, por isso mesmo, nos convocou.   A certeza de que Jesus não veio para chamar justos, mas sim pecadores, dá a garantia de que o nosso chamado é para valer e Ele quer também entrar na nossa casa, cear com a nossa família e confraternizar-se com nossos amigos, todos, pecadores.    Jesus veio para chamar os pecadores a serem justos, esta é a verdade. Justo é aquele que se ajusta ao Plano do Pai. Ainda hoje Jesus, quer atrair para si os pecadores, fracos, defeituosos, infelizes a fim de que todos se tornem ajustados ao Plano do Pai que é a sua felicidade.  O grande segredo para que sejamos salvos é, primeiramente, reconhecermos que precisamos de salvação e acolhermos Jesus Cristo como nosso Salvador. Quando estamos fortalecidos na fé em Jesus Cristo nós também nos ajustamos ao plano de Deus, por isso, somos convocados a ser instrumentos de salvação para aqueles que não O conhecem e não O aceitam.   – Você se acha um homem ou uma mulher, justo (a )? – Qual é o critério para sermos justos (as)? – Você também, como Levi, já foi chamado (a) para seguir Jesus? – Para você o que significa seguir Jesus: ir atrás Dele ou obedecê-lo?

Fé e confiança absoluta em Deus-Helena Serpa

13/01/2017 – 6ª. Feira I semana comum – Hebreus 4, 1-5.11 – “ ter fé é imprescindível”
Este é um tempo precioso para acolher as graças de Deus e não podemos deixa-lo passar em vão. É o tempo enquanto estamos aqui na terra.  É a oportunidade que temos de entrar no repouso de Deus assumindo a vida eterna desde já, e vivendo a paz. Em  outras palavras, significa a viver o reino que Jesus veio inaugurar, aqui e agora. Por isso, ele nos aconselha a não perdermos esta chance, como aconteceu com o povo de Israel na travessia do deserto.   Ao atravessar o deserto o povo de Deus não acreditou e não obedeceu às orientações de Moisés, por isso não entraram no Seu repouso. Hoje, mais do que eles, nós temos motivos para confiar nas promessas do Senhor: temos a Palavra, temos a Eucaristia, temos o Espírito Santo. Se, mesmo assim, ainda não acreditamos e não obedecemos à Sua Voz, é tempo, então, de implorarmos o dom da fé para crescermos na graça e no conhecimento de Deus. A Bíblia nos fala que Deus criou todas as coisas! Criou o homem e a mulher, viu que tudo era bom, e no sétimo dia descansou. Que possamos, também, confiando no Senhor, apesar de toda a luta da nossa vida, entrarmos no Seu repouso e viver desde já, a paz e a justiça que é o reino dos céus acontecendo na nossa vida terrena. – O que você tem feito para entrar no repouso de Deus? – Você tem dúvidas de que o tempo para conquistar esse repouso é hoje? – O que você entende por repouso de Deus? – Você tem paz no coração?

Salmo 77 – “Não vos esqueçais das obras do Senhor!”
O salmista nos ensina a ter sempre presente na nossa mente e na nossa vida a memória das obras do Senhor! Para isso, é necessário que tudo quanto ouvirmos e aprendermos seja transmitido para as gerações que vêm depois de nós. Não podemos nos calar diante dos feitos do Senhor. Para que possamos construir uma família justa, é justo que apregoemos a todos os nossos filhos e filhas, as maravilhas de Deus na nossa vida, a fim de que eles (as) ponham também no Senhor a sua esperança.

Evangelho – Marcos 2, 1-12 – “fé e confiança absoluta em Deus”
A ação dos quatro homens que apresentaram o paralítico a Jesus é uma demonstração de perseverança, de persistência e, principalmente de fé e confiança absoluta em Deus. Eles não mediram esforços e fizeram até o impossível para que aquele homem conseguisse chegar até Jesus, pois tinham certeza de que ele seria curado. Na narrativa chama-nos a atenção o fato de Jesus notar “a fé daqueles homens” que levavam o paralítico até Ele! Daí, podemos também concluir que não foi propriamente a fé do paralítico que o salvou, mas sim a fé dos seus amigos. Esta é, portanto, a qualidade da fé que precisamos cultivar. Ir até o fim, sem desistir, diante das dificuldades, dos empecilhos, dos desencontros de horários. Por todos estes pequenos contratempos, muitas vezes, nós deixamos por menos e não acudimos alguém que está paralítico. Há muitos “paralíticos” esperando a nossa ação para serem apresentados a Jesus. Nada acontece diferente na vida deles, porque nós também estamos paralisados pela incredulidade e ainda não tomamos a iniciativa de conduzi-los até Ele! Precisamos refletir qual será o espírito que nos move a levá-los. Se dizemos que temos fé, porque será que duvidamos do poder de Jesus. Quais são as dificuldades e as barreiras que nos atrapalham e, por isso, não conseguimos.  A mensagem que nos é dada, hoje, é a de nunca desistir de ajudar   alguém que necessita da nossa ação. – Você também tem fé de que Jesus pode curar os seus amigos paralíticos? – O que você tem feito para demonstrar a sua fé? – O que você entende por “paralítico”? Para onde Jesus mandou ir o paralítico depois de curá-lo? – Na sua casa tem alguém paralítico (a)? 


Os gestos e as ações de Jesus-Helena Serpa


12/01/2017  – 5ª. feira  I semana comum -  Hebreus 3, 7-14 – “Hoje é todo dia!”
O autor da carta aos Hebreus nos leva a refletir sobre a nossa incredulidade e falta de confiança em relação ao plano que Deus tem para a nossa vida. O nosso coração, às vezes, pode ser transviado pela incredulidade fazendo com que nos afastemos do Deus vivo, impedindo que tenhamos uma experiência espiritual concreta com o Seu Amor. Por essa razão o escritor sagrado nos convida a abrir o coração e os ouvidos a fim de escutarmos a voz de Deus por meio do Espírito Santo que nos adverte: “ Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações!”  A voz do Espírito Santo é a Palavra de Deus que opera como uma bússola a nos orientar na caminhada em busca do repouso junto ao Senhor. A leitura exorta a que nos animemos uns aos outros, “dia após dia, enquanto se disser, hoje”!   Hoje é todo dia! A incredulidade e a dúvida são armas nocivas que o demônio teima em colocar em nossas mãos com o único fim de nos afastar da graça de Deus e rejeitar o Seu auxílio e orientação. Só conseguiremos nos ajudar mutuamente se também nos alimentarmos com a Palavra de Deus porque é ela quem aumenta em nós o dom da Fé. Na medida em que nos apossarmos do alimento espiritual da Palavra nós progrediremos na graça e no conhecimento do Senhor e nos tornaremos fiéis e convictos no seguimento de Jesus. Não podemos mais perder tempo, o dia de hoje é para nós o tempo propício à conversão, o momento em que assumimos o nosso ser cristão, consequentemente, não podemos deixar nada para amanhã. Hoje é o dia da graça, o dia em que o Senhor nos fala. – Você tem o coração aberto para acolher a voz de Deus? – Você é uma pessoa racional, questionadora, que só acredita se tiver provas? – Para você o que é ter fé? – Você tem confiança no projeto de Deus para a sua vida?

Salmo 94 – “ Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os vossos corações”
O salmo retrata a caminhada do povo no deserto que, embora visse os prodígios do Senhor, fechava o coração e não queria obedecer à Sua voz. Nós, somos hoje esse povo que caminha no deserto do mundo e que, apesar de dizer que acredita no Senhor, não abre o coração para Seus conselhos. O próprio Deus nos fala através deste salmo. Escute a Sua voz e reflita!

Evangelho – Marcos 1, 40-45 – os gestos e as ações de Jesus”.

Refletir sobre os gestos e as ações de Jesus, assim como sobre a Sua firmeza, far-nos-á também querer adotar as mesmas expressões e ações que Ele usava. Nesta passagem da cura do leproso, hoje, nos chama atenção o olhar de compaixão e ternura que Jesus manifestou quando encontrou aquele leproso, que era excluído pela sociedade. Embora a lepra fosse uma doença incurável e amaldiçoada, Ele não tinha para com os leprosos olhar de reprovação, nem tampouco, quando abordado por eles, mostrava-se superior.  É com este mesmo olhar que Jesus nos olha, acolhe a nossa fraqueza, o nosso pecado e a nossa limitação. Jesus, hoje, age também como agia no tempo em quem andava por aqui. Ele olha para cada um de nós, cheio de compaixão, apesar de também sermos como aquele leproso, indignos de chegarmos perto dele. No entanto, Jesus busca cada um que confia na Sua misericórdia e no Seu poder amoroso. Não obstante, como fez com aquele leproso, Jesus quer conhecer qual é o desejo do nosso coração, e precisa que imploremos com convicção pela cura que necessitamos. Quando acreditamos, pedimos, suplicamos, de coração, Ele realiza. Precisamos abrir a nossa boca e o nosso coração para manifestar a Ele os nossos desejos, mas, também ter consciência da vontade de Deus e nos submeter ao Seu julgamento.   O leproso submeteu o seu desejo à vontade do Senhor quando pediu de joelhos, “Se queres, tens o poder de curar-me! ”  Percebemos, então, que o leproso colocou como condição o querer de Jesus, por isso, Jesus disse: “Eu quero, fica curado!” Esta é a maneira certa para pedirmos as coisas a Deus. Deus sempre quer nos curar e na hora certa Ele age. Muitas vezes nós queremos impor a nossa vontade a Deus e não admitimos esperar pelo momento certo para receber a graça que pleiteamos. Precisamos, então, ter confiança, pois só Ele sabe o tempo e a hora. Todavia, quando alcançamos a graça, não poderemos mais esconder: precisamos sair apregoando, anunciando o Seu poder, porque assim fazendo estaremos dando ao mundo a oportunidade para que todos conheçam a salvação que vem de Deus.    - Você tem recebido graças de Deus. Isto fez com que você olhasse melhor para as outras pessoas? - Existe algum “leproso” que precisa do seu olhar de compaixão? Pergunte a Jesus o que você poderá fazer por ele!  – Você costuma contar pra todo mundo as maravilhas que Deus realiza em você? – Você pede a vontade de Deus ou se limita a pedir só o que você acha que lhe convém? 

Depois da oração, a ação-Helena Serpa

11/01/2017 - 4ª. Feira I semana comum – Hebreus 2, 14-18 - “Jesus, homem como nós”
O homem foi criado para viver num paraíso aqui na terra e ter comunhão perfeita com o seu Criador. No entanto, o diabo, aproveitando uma brecha introduziu o pecado no homem como um germe, uma bactéria que o levaria à morte. Somente um Deus feito homem poderia nos redimir, por essa razão o próprio Deus se encarnou e assumiu a nossa identidade, nossa fisiologia, nossa forma, nossa humanidade para se tornar um como nós e assim, lutar por nós e vencer, nos tirando da destruição. Se pararmos para refletir sobre o plano que Deus concebeu para nos salvar do poder do inimigo, perceberemos a sua perfeição.   Jesus Cristo, como homem, foi o sacerdote perfeito, que se ofereceu a si mesmo como vítima também perfeita. “Tendo ele próprio sofrido ao ser tentado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a tentação!” Jesus não veio ocupar-se com os anjos, nem veio como um anjo, mensageiro de Deus. Ele veio como Deus e como homem para salvar a descendência de Abraão, isto é, aqueles (as) que têm fé, pois creem, confiam e dependem Dele. Diante do exposto, precisamos fazer uma reflexão se, realmente, estamos deixando que Jesus se ocupe conosco, seja o Senhor da nossa vida, e renove a nossa mentalidade humana decaída.   – Você entende agora como foi o plano de Deus para libertar você da morte? – Você já assumiu a vida nova que Jesus Cristo veio lhe dar? – Você tem dúvidas sobre  a salvação?

Salmo 104 – “ O Senhor se lembra sempre da aliança!”
Somos descendentes de Abraão porque temos fé, portanto somos também participantes da aliança promulgada por Deus com todas as gerações que, pela Fé aderirem ao Seu Projeto de Salvação. Temos que alimentar em nós essa certeza e por isso, glorificar a Deus, procurá-Lo e buscar constantemente a Sua face.


Evangelho Marcos 1, 29-39 – “depois da oração, a ação”


Jesus aproveitava todas as oportunidades para evidenciar a Sua ação libertadora com zelo e carinho para com todos aqueles a quem encontrava, carentes e necessitados. Ele não se restringia somente em orar e pregar o Evangelho, mas punha em prática a misericórdia revelando ao mundo o Amor que do Pai que lhe enviara. Assim, Ele constantemente manifestava ao mundo a Sua Missão de Salvador com as suas atitudes de compaixão. Ao sair da Sinagoga Jesus poderia muito bem ter ido descansar.  No entanto, ele se aproximou de uma mulher velha, doente, acamada. Tocou-a e com grande amor a curou fazendo com que ela voltasse a ser útil. Jesus curava o homem total, por isso, ao tocar na sogra de Pedro, ela imediatamente levantou da cama e começou a servi-Lo e aos Seus discípulos.  Vemos, então, que Deus nos cura para que possamos libertos de todas as amarras, sair do nosso comodismo e ir a busca do nosso irmão que está carente. Dentro da nossa própria casa podem encontrar-se as pessoas que estão enfermas, paralisadas, precisando ser tocadas por Jesus para que sejam curadas saindo do seu mundinho de tristeza e de depressão. Somos, como Jesus, instrumentos do Amor de Deus em todos os lugares pelos quais passamos, mas não podemos ficar presos somente aos da nossa casa. Precisamos seguir adiante e, como Jesus, ter plena consciência de que precisamos seguir em frente, sem nos prender aos lugares tendo como único objetivo cumprir fielmente a Missão que o Pai nos confiou. Jesus não tinha tempo para descansar e também não se apegava a ninguém, nem mesmo àqueles (as) que O exaltavam. Todos tinham vez na sua trajetória. Cuidava de todos, escutava a todos e atendia a todos e tudo fazia com amor. Não menosprezava os velhos, nem as crianças e curava as pessoas para que elas fossem úteis e tivessem uma vida eficaz. Somos curados (as) para servir a Deus, por isso, Jesus nos deu o exemplo do que precisamos fazer ao “sair da sinagoga”. O louvar, o orar, o adorar a Deus é fundamental, porém não podemos ficar somente nisso: o Senhor nos envia a também tocar, curar, compreender, amar. Precisamos entender que a salvação começa agora no nosso dia a dia. – Tem alguém na sua casa que precisa ser visitado por Jesus, chame-O e Ele irá.  - Como você vê as pessoas que já estão idosas? O que você faz para que elas sejam úteis? - E você? Você acha que ainda tem jeito? -Qual tem sido o resultado prático e concreto da sua oração e adoração ao Senhor?

Jesus tinha autoridade porque não só ensinava, mas agia-Helena Serpa


10/01/2017 - 3ª. Feira I semana comum – Hebreus 2, 5-12 – “temos o domínio sobre todas as coisas”
Para nos salvar da escravidão do pecado e nos dar a dignidade de filhos e filhas de Deus, Jesus foi humilhado, despojado da Sua grandeza e Onipotência e se tornou um como nós, menor do que os anjos. No entanto, nós O vemos coroado de glória e honra por ter sofrido a morte em favor de todos nós e pela graça de Deus.  A leitura de hoje, então, nos faz refletir sobre a oportunidade que todos temos de também participarmos da glória de Deus por meio da Encarnação de Jesus Cristo e do Seu sofrimento.    Ao mesmo tempo também podemos perceber que Deus deu a cada um de nós, homens e mulheres, o domínio sobre todas as coisas que existem no universo a fim de que, assim como aconteceu com Jesus, depois do sofrimento, possamos conquistar a glória do céu. Nesta perspectiva, nós nos enchemos de esperança, pois temos consciência de que os sofrimentos da nossa vida presente são como um passaporte para a vida plena, em Cristo, no céu. Que tenhamos sempre em mente esta verdade, a fim de que na hora da tribulação e da incerteza estejamos de pé, olhando para o alto e percebendo que sobre as nuvens o sol brilha forte.  Jesus veio nos tirar a indignidade do pecado e nos fazer participantes do reino dos céus começando já aqui na terra. Portanto, se somos descendentes do mesmo ancestral, filhos e filhas de Deus, urgentemente, precisamos nos apossar da Sua herança. – Você sabia que Jesus Cristo lhe conquistou a glória de Deus? -  Você sabia que já é direito seu desfrutar da glória do céu, aqui na terra? – Você sabia que o sofrimento vivido com Cristo tem um significado de glória? – Você sabia que Deus deu a você o domínio de todas as coisas criadas?

Salmo 8 – “Destes domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes! ”
O homem foi criado por Deus para ter domínio sobre os animais, os vegetais, os minerais. Porém, o próprio homem duvida disso e se pergunta como é que ele tão fraco e pecador pôde ser considerado pelo Criador como alguém útil!  O pecado desarmonizou a nossa humanidade, mas Jesus veio nos restaurar e nos dar dignidade para colaborar com a criação. Por isso, nós podemos salmodiar ao Senhor e louvá-Lo pela Sua bondade e Seu carinho. Jesus Cristo é o Senhor das nossas vidas.

Evangelho – Marcos 1, 21-28 –  “Jesus tinha autoridade porque não só ensinava, mas agia”
Todos percebiam em Jesus alguém que agia diferentemente dos mestres da lei, por isso, as Suas palavras e ações provocavam admiração: “Ele manda até nos espíritos maus e eles obedecem”! Eles ainda não queriam admitir que Jesus fosse o Enviado de Deus, no entanto até os espíritos maus O reconheciam como o Santo de Deus. Infelizmente ainda hoje há muitas pessoas que não reconhecem a Santidade e o poder de Jesus para nos tirar das garras dos espíritos maus. Hoje, também o demônio teima em desafiar o homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus. A ignorância daqueles que ainda não aceitam Jesus como Salvador e Senhor faz com que o inimigo ganhe terreno e se aposse deles arruinando as suas vidas. Aquele homem possuído pelos espíritos maus reconhecia a santidade de Jesus, mas zombava Dele, talvez por não se achar digno de voltar ao seu estado original. Mesmo assim, Jesus o libertou, dando provas do Seu poder sobre o reino das trevas. Se hoje, também, aqueles que vivem sob a escuridão, admitissem que Jesus é o Santo de Deus, com certeza, seriam curados da sua cegueira espiritual. As obras que Jesus realizava naquele tempo, também hoje Ele as realiza. Nós, que cremos no Seu poder somos seus instrumentos para também expulsarmos os espíritos maus que se apossarem das pessoas ao nosso redor. Em Nome de Jesus nós também poderemos expulsar o mal e calar a boca dos impertinentes.  Jesus veio nos restituir a dignidade de filhos de Deus, irmãos Dele; Ele nos deu o Seu Espírito Santo que tem poder de fazer e desfazer, por isso nós também precisamos estar convencidos de que os ensinamentos que dermos a alguém têm credibilidade e serão acolhidos pelos que ainda vivem na ignorância. Resta-nos, então, perceber que Jesus tinha autoridade porque não só ensinava, mas agia. Por essa razão, para que os nossos ensinamentos sejam eficazes precisarão ser acompanhados da nossa ação e do nosso testemunho fiel ao que pregamos.   A nossa autoridade nos vem do nosso testemunho, da nossa firmeza e convicção.   – Qual a diferença entre falar e agir? – Você é uma pessoa que tem autoridade ao falar? – As pessoas lhe dão crédito? – Você tem agido da mesma forma como você ensina aos outros a agir? - Quais as obras que Jesus tem realizado em você e na sua família? - Você também espalha a fama de Jesus contando as coisas boas que Ele já lhe fez?



domingo, 8 de janeiro de 2017

02º Domingo do Tempo Comum – Ano A-Dehonianos


15 Janeiro 2017
ANO A
2º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 2º Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste domingo coloca a questão da vocação; e convida-nos a situá-la no contexto do projecto de Deus para os homens e para o mundo. Deus tem um projecto de vida plena para oferecer aos homens; e elege pessoas para serem testemunhas desse projecto na história e no tempo.
A primeira leitura apresenta-nos uma personagem misteriosa – Servo de Jahwéh – a quem Deus elegeu desde o seio materno, para que fosse um sinal no mundo e levasse aos povos de toda a terra a Boa Nova do projecto libertador de Deus.
A segunda leitura apresenta-nos um “chamado” (Paulo) a recordar aos cristãos da cidade grega de Corinto que todos eles são “chamados à santidade” – isto é, são chamados por Deus a viver realmente comprometidos com os valores do Reino.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele é o Deus que veio ao nosso encontro, investido de uma missão pelo Pai; e essa missão consiste em libertar os homens do “pecado” que oprime e não deixa ter acesso à vida plena.
LEITURA I – Is 49,3.5-6
Leitura do Livro de Isaías
Disse-me o Senhor:
«Tu és o meu servo, Israel,
por quem manifestarei a minha glória».
E agora o Senhor falou-me,
Ele que me formou desde o seio materno,
para fazer de mim o seu servo,
a fim de lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele.
Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor
e Deus é a minha força.
Ele disse-me então:
«Não basta que sejas meu servo,
para restaurares as tribos de Jacob
e reconduzires os sobreviventes de Israel.
Vou fazer de ti a luz das nações,
para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».
AMBIENTE
O Deutero-Isaías (o autor do texto que nos é hoje proposto e que mais uma vez nos aparece como veículo da Palavra de Deus) é um profeta da época do exílio, que desenvolveu o seu ministério na Babilónia, entre os exilados (como, aliás, já dissemos no passado domingo). A sua mensagem – de consolação e de esperança – aparece nos capítulos 40-55 do Livro de Isaías.
Contudo, há nesses capítulos quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que se distinguem – quer em termos literários, quer em termos temáticos – do resto da mensagem… São os quatro cânticos do Servo de Jahwéh. Apresentam um misterioso servo de Deus, a quem Jahwéh confiou uma missão. A missão do Servo cumpre-se no sofrimento e no meio das perseguições; mas do sofrimento do Servo resultará a redenção para o Povo. No fim, o Servo será recompensado por Jahwéh e será exaltado.
A primeira leitura de hoje propõe-nos parte do segundo cântico do Servo de Jahwéh. Aqui, esse Servo é explicitamente identificado com Israel (embora alguns autores suponham que a determinação “Israel” não é original no texto e que foi aqui acrescentada como uma interpretação): seria a figura do Povo de Deus, chamado a ser testemunha de Jahwéh no meio dos outros povos.
MENSAGEM
O nosso texto apresenta-se como uma declaração solene do Servo (Israel) “às ilhas” e “às cidades longínquas” (vers. 1).
Na sua declaração, o Servo manifesta, em primeiro lugar, a consciência da eleição: ele foi escolhido por Deus desde o seio materno (vers. 5a.b). A expressão põe em relevo a origem de toda a vocação profética: é Deus que escolhe, que chama, que envia. Referindo-se a Israel, a expressão faz alusão às origens do Povo, à eleição e à aliança: Israel existe porque Deus o escolheu entre todos os povos, revelou-lhe o seu rosto, constituiu-o como Povo, libertou-o da escravidão, conduziu-o através do deserto e estabeleceu com ele uma relação especial de comunhão e de aliança.
A eleição e a aliança pressupõem, contudo, a missão e o testemunho. A missão deste Servo a quem Deus chamou é, em primeiro lugar, “reconduzir Jacob e reunir Israel” a Jahwéh (vers. 5c.d). Aqui faz-se referência, provavelmente, ao regresso do Povo à órbita da aliança (considerada rompida pelo pecado do Povo), à reunião de todos os exilados e ao regresso à Terra Prometida.
A missão do Servo é, depois, ampliada “às nações” (vers. 6): Israel deve dar testemunho da salvação de Deus, de forma a que a proposta salvadora e libertadora chegue, por intermédio do Servo/Povo aos homens e mulheres de toda a terra. Não deixa de impressionar a grandiosidade da missão confiada, em contraste com a situação de opressão, de apagamento, de fragilidade em que vivem os exilados… Aqui afirma-se o jeito de Deus, que age no mundo, salva e liberta recorrendo a instrumentos frágeis e indignos.
ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão e partilha, podem ser considerados os seguintes elementos:
• A leitura propõe à nossa reflexão esse tema sempre pessoal, mas sempre enigmático que é a vocação. Somos convidados, na sequência, a tomar consciência da vocação a que somos chamados e das suas implicações. Não se trata de uma questão que apenas atinge e empenha algumas pessoas especiais, com um lugar à parte na comunidade eclesial (os padres, as freiras…); mas trata-se de um desafio que Deus faz a cada um dos seus filhos, que a todos implica e que a todos empenha.
• A figura do Servo de Jahwéh convida-nos, em primeiro lugar, a tomar consciência de que na origem da vocação está Deus: é Ele que elege, que chama e que confia a cada um uma missão. A nossa vocação é sempre algo que tem origem em Deus e que só se entende à luz de Deus. Temos consciência de que somos escolhidos por Deus desde o seio materno, isto é, desde o primeiro instante da nossa existência? Temos consciência de que é Deus que alimenta a nossa vocação e o nosso compromisso no mundo? Temos consciência de que só a partir de Deus a nossa vocação faz sentido e o nosso empenhamento se entende? Temos consciência de que a vocação implica uma relação de comunhão, de intimidade, de proximidade com Deus?
• A vocação não se esgota, contudo, na aproximação do homem a Deus, mas é sempre em ordem a um testemunho e a uma intervenção no mundo (mesmo que se trate de uma vocação contemplativa). O homem chamado por Deus é sempre um homem que testemunha e que é um sinal vivo de Deus, dos seus valores e das suas propostas diante dos outros homens. Sinto que a minha vocação se realiza no testemunho da salvação e da libertação de Deus aos meus irmãos? A vocação a q
ue Deus me chama leva-me a ser uma luz de esperança no mundo? A salvação de Deus atinge o mundo e torna-se uma realidade concreta no meu testemunho e no meu ministério?
• Ao reflectirmos na lógica da vocação, é preciso estarmos cientes de que toda a vocação tem origem em Deus, é alimentada por Deus, e de que Deus se serve, muitas vezes, da nossa fragilidade, caducidade e indignidade para actuar no mundo. Aquilo que fazemos de bom e de bonito não resulta, portanto, das nossas forças ou das nossas qualidades, mas de Deus. O coração do profeta não tem, portanto, qualquer razão para se encher de orgulho, de vaidade e de auto-suficiência: convém ter consciência de que por detrás de tudo está Deus, e que só Deus é capaz de transformar o mundo, a partir dos nossos pobres gestos e das nossas frágeis forças.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 39(40)
Refrão: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.
Esperei no senhor com toda a confiança
e Ele atendeu-me.
Pôs em meus lábios um cântico novo,
um hino de louvor ao nosso Deus.
Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
então clamei: «Aqui estou».
«De mim está escrito no livro da Lei
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,
a vossa lei está no meu coração».
Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.
Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,
proclamei a vossa fidelidade e salvação.
LEITURA II – 1 Cor 1,1-3
Início da primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
Paulo, por vontade de Deus
escolhido para Apóstolo de Cristo Jesus
e o irmão Sóstenes,
à Igreja de Deus que está em Corinto,
aos que foram santificados em Cristo Jesus,
chamados à santidade,
com todos os que invocam, em qualquer lugar,
o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo
estejam convosco.
AMBIENTE
Nos próximos seis domingos, a liturgia vai propor-nos a leitura da primeira carta de Paulo aos cristãos da comunidade de Corinto. Para entendermos cabalmente a mensagem, convém determo-nos um pouco sobre o ambiente em que o texto nos situa.
No decurso da sua segunda viagem missionária, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Grécia, e ficou por lá cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com Act 18,2-4, Paulo começou a trabalhar em casa de Priscila e Áquila, um casal de judeo-cristãos. No sábado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Timóteo (2 Cor 1,19; Act 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao anúncio do Evangelho. Mas não tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga.
Corinto era uma cidade nova e muito próspera. Servida por dois portos de mar, possuía as características típicas das cidades marítimas: população de todas as raças e de todas as religiões. Era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterrâneo, ávidos de prazer, após meses de navegação. Na época de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois terços eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a miséria da maioria.
Como resultado da pregação de Paulo, nasceu a comunidade cristã de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora em geral, de condição humilde (cf. 1 Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas também havia elementos de origem hebraica (cf. Act 18,8; 1 Cor 1,22-24; 10,32; 12,13).
De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1 Cor 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1 Cor 1,11-12), sedução da sabedoria filosófica de origem pagã que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz cristão (cf. 1 Cor 1,19-2,10).
Tratava-se de uma comunidade forte e vigorosa, mas que mergulhava as suas raízes em terreno adverso. Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da fé cristã em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pagã e por um conjunto de valores que estão em profunda contradição com a pureza da mensagem evangélica.
MENSAGEM
Paulo começa esta carta com a saudação e a acção de graças, típicas das cartas paulinas. Na saudação, carregada de conteúdo teológico, Paulo reivindica a sua condição de escolhido por Deus (de apóstolo), sugerindo que está revestido de autoridade para proclamar com plena garantia o Evangelho. Esta reivindicação sugere que, no contexto coríntio, havia quem punha em causa a sua autoridade apostólica e o seu testemunho. Os destinatários da carta são, evidentemente, os membros da comunidade cristã de Corinto; no entanto, a mensagem serve para os cristãos de todas as épocas e de todas as latitudes.
Neste parágrafo inicial, o vocábulo chamado assume um lugar especial: Paulo foi chamado por Deus a ser apóstolo e os coríntios são uma comunidade de chamados à santidade. Transparece aqui, como na primeira leitura, a convicção de que Deus tem um projecto para os homens e para o mundo e que todos – quer Paulo, quer os cristãos de Corinto, são chamados a um compromisso efectivo com esse projecto.
O que é que significa ser chamado à santidade? No contexto paulino, os santos são todos aqueles que acolheram a proposta libertadora de Jesus e aceitaram os valores do Evangelho. Os “santos” são os “separados”: os coríntios são “santos” porque, ao aceitar a proposta de Jesus, escolheram viver “separados” do mundo. “Separados” não significa “alheados”; mas significa viver de acordo com valores e esquemas diferentes dos valores e esquemas consagrados pelo mundo.
A palavra “klêtos” (“chamado”), aqui usada, supõe Deus como sujeito: foi Deus que chamou Paulo; é Deus que chama os coríntios. Mais uma vez fica claro que o chamamento provém da iniciativa divina e que só se compreende a partir de Deus e à luz da acção de Deus.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir dos seguintes dados:
• Deus chama os homens e as mulheres à santidade. Tenho consciência do apelo que Deus, nesta linha, me faz também a mim? Estou disponível e bem disposto para aceitar esse desafio?
• Realizar a vocação à santidade não implica seguir caminhos impossíveis de ascese, de privação, de sacrifício; mas significa, sobretudo, acolher a proposta libertadora que Deus oferece em Jesus e viver d
e acordo com os valores do Reino. É dessa forma que concretizo a minha vocação à santidade? Tenho a coragem de viver e de testemunhar, com radicalidade, os valores do Evangelho, mesmo quando a moda, o orgulho, a preguiça, os interesses financeiros, o “politicamente correcto”, a opinião dominante me impõem outras perspectivas?
• Convém ter sempre presente que a Igreja, a comunidade dos “chamados à santidade”, é constituída por “todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”. É importante termos consciência de que, para além da cor da pele, das diferenças sociais, das distâncias sociais ou culturais, das perspectivas diferentes sobre as questões secundárias da vivência da religião, o essencial é aquilo que nos une e nos faz irmãos: Jesus Cristo e o reconhecimento de que Ele é o Senhor que nos conduz pela história e nos oferece a salvação.
ALELUIA – Jo 1,14a.12a
Aleluia. Aleluia.
O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós.
Àqueles que O receberam
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
EVANGELHO – Jo 1,29-34
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro,
e exclamou:
«Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Era d’Ele que eu dizia:
“Depois de mim virá um homem,
que passou à minha frente, porque existia antes de mim”.
Eu não O conhecia,
mas para Ele Se manifestar a Israel
é que eu vim baptizar em água».
João deu mais este testemunho:
«Eu vi o Espírito Santo
descer do Céu como uma pomba e repousar sobre Ele.
Eu não O conhecia,
mas quem me enviou a baptizar em água é que me disse:
“Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e repousar
é que baptiza no Espírito Santo”.
Ora eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».
AMBIENTE
A perícopa que nos é proposta integra a secção introdutória do Quarto Evangelho (cf. Jo 1,19-3,36). Aí o autor, com consumada mestria, procura responder à questão: “quem é Jesus?”
João dispõe as peças num enquadramento cénico. As diversas personagens que vão entrando no palco procuram apresentar Jesus. Um a um, os actores chamados ao palco por João vão fazendo afirmações carregadas de significado teológico sobre Jesus. O quadro final que resulta destas diversas intervenções apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, que possui o Espírito e que veio ao encontro dos homens para fazer aparecer o Homem Novo, nascido da água e do Espírito.
João Baptista, o profeta/percursor do Messias, desempenha aqui um papel especial na apresentação de Jesus (o seu testemunho aparece no início e no fim da secção – cf. Jo 1,19-37; 3,22-36). Ele vai definir aquele que chega e apresentá-lo aos homens. Ao não assinalar-se o auditório, sugere-se que o testemunho de João é perene, dirigido aos homens de todos os tempos e com eco permanente na comunidade cristã.
MENSAGEM
João é, portanto, o apresentador oficial de Jesus. De que forma e em que termos o vai apresentar?
A catequese sobre Jesus que aqui é feita expressa-se através de duas afirmações com um profundo impacto teológico: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; e é o Filho de Deus que possui a plenitude do Espírito.
A primeira afirmação (“o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” – Jo 1,29) evoca, provavelmente, duas imagens tradicionais extremamente sugestivas. Por um lado, evoca a imagem do “servo sofredor”, o cordeiro levado para o matadouro, que assume os pecados do seu Povo e realiza a expiação (cf. Is 52,13-53,12); por outro lado, evoca a imagem do cordeiro pascal, símbolo da acção libertadora de Deus em favor de Israel (cf. Ex 12,1-28). Qualquer uma destas imagens sugere que a pessoa de Jesus está ligada à libertação dos homens.
A ideia é, aliás, explicitada pela definição da missão de Jesus: Ele veio para tirar (“eliminar”) “o pecado do mundo”. A palavra “pecado” aparece, aqui, no singular: não designa os “pecados” dos homens, mas um “pecado” único que oprime a humanidade inteira; esse “pecado” parece ter a ver, no contexto da catequese joânica, com a recusa da proposta de vida com que Deus, desde sempre, quis presentear a humanidade (é dessa recusa que resulta o pecado histórico, que desfeia o mundo e que oprime os homens). O “mundo” designa, neste contexto, a humanidade que resiste à salvação, reduzida à escravidão e que recusa a luz/vida que Jesus lhe pretende oferecer… Deus propôs-se tirar a humanidade da situação de escravidão em que esta se encontra; enviou ao mundo Jesus, com a missão de realizar um novo êxodo, que leve os homens da terra da escravidão para a terra da liberdade.
A segunda afirmação (o “Filho de Deus” que possui a plenitude do Espírito Santo e que baptiza no Espírito – cf. Jo 1,32-34) completa a anterior. Há aqui vários elementos bem sugestivos: o “cordeiro” é o Filho de Deus; Ele recebeu a plenitude do Espírito; e tem por missão baptizar os homens no Espírito.
Dizer que Jesus é o Filho de Deus é dizer que Ele é o Deus que se faz pessoa, que vem ao encontro dos homens, que monta a sua tenda no meio dos homens, a fim de lhes oferecer a plenitude da vida divina. A sua missão consiste em eliminar “o pecado” que torna o homem escravo e que o impede de abrir o coração a Deus.
Dizer que o Espírito desce sobre Jesus e permanece sobre Ele sugere que Jesus possui definitivamente a plenitude da vida de Deus, toda a sua riqueza, todo o seu amor. Por outro lado, a descida do Espírito sobre Jesus é a sua investidura messiânica, a sua unção (“messias” = “ungido”). O quadro leva-nos aos textos do Deutero-Isaías, onde o “Servo” aparece como o eleito de Jahwéh, sobre quem Deus derramou o seu Espírito (cf. Is 42,1), a quem ungiu e a quem enviou para “anunciar a Boa Nova aos pobres, para curar os corações destroçados, para proclamar a libertação aos cativos, para anunciar aos prisioneiros a liberdade” (Is 61,1-2).
Jesus é, finalmente, aquele que baptiza no Espírito Santo. O verbo “baptizar” aqui utilizado tem, em grego, duas traduções: “submergir” e “empapar (como a chuva empapa a terra)”; refere-se, em qualquer caso, a um contacto total entre a água e o sujeito. “Baptizar no Espírito” significa, portanto, um contacto total entre o Espírito e o homem, uma chuva de Espírito que cai sobre o homem e lhe empapa o coração. A missão de Jesus consiste, portanto, em derramar o Espírito sobre o
homem; e o homem que adere a Jesus, “empapado” do Espírito e transformado por essa fonte de vida que é o Espírito, abandona a experiência da escuridão (“o pecado”) e alcança o seu pleno desenvolvimento, a plenitude da vida.
A declaração de João convida os homens de todas as épocas a voltarem-se para Jesus e a acolherem a proposta libertadora que, em nome de Deus, Ele faz: só a partir do encontro com Jesus será possível chegar à vida plena, à meta final do Homem Novo.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pessoal e comunitária pode tocar os seguintes pontos:
• Em primeiro lugar, importa termos consciência de que Deus tem um projecto de salvação para o mundo e para os homens. A história humana não é, portanto, uma história de fracasso, de caminhada sem sentido para um beco sem saída; mas é uma história onde é preciso ver Deus a conduzir o homem pela mão e a apontar-lhe, em cada curva do caminho, a realidade feliz do novo céu e da nova terra. É verdade que, em certos momentos da história, parecem erguer-se muros intransponíveis que nos impedem de contemplar com esperança os horizontes finais da caminhada humana; mas a consciência da presença salvadora e amorosa de Deus na história deve animar-nos, dar-nos confiança e acender nos nossos olhos e no nosso coração a certeza da vida plena e da vitória final de Deus.
• Jesus não foi mais um “homem bom”, que coloriu a história com o sonho ingénuo de um mundo melhor e desapareceu do nosso horizonte (como os líderes do Maio de 68 ou os fazedores de revoluções políticas que a história absorveu e digeriu); mas Jesus é o Deus que Se fez pessoa, que assumiu a nossa humanidade, que trouxe até nós uma proposta objectiva e válida de salvação e que hoje continua presente e activo na nossa caminhada, concretizando o plano libertador do Pai e oferecendo-nos a vida plena e definitiva. Ele é, agora e sempre, a verdadeira fonte da vida e da liberdade. Onde é que eu mato a minha sede de liberdade e de vida plena: em Jesus e no projecto do Reino ou em pseudo-messias e miragens ilusórias de felicidade que só me afastam do essencial?
• O Pai investiu Jesus de uma missão: eliminar o pecado do mundo. No entanto, o “pecado” continua a enegrecer o nosso horizonte diário, traduzido em guerras, vinganças, terrorismo, exploração, egoísmo, corrupção, injustiça… Jesus falhou? É o nosso testemunho que está a falhar? Deus propõe ao homem o seu projecto de salvação, mas não impõe nada e respeita absolutamente a liberdade das nossas opções. Ora, muitas vezes, os homens pretendem descobrir a felicidade em caminhos onde ela não está. De resto, é preciso termos consciência de que a nossa humanidade implica um quadro de fragilidade e de limitação e que, portanto, o pecado vai fazer sempre parte da nossa experiência histórica. A libertação plena e definitiva do “pecado” acontecerá só nesse novo céu e nova terra que nos espera para além da nossa caminhada terrena.
• Isso não significa, no entanto, pactuar com o pecado, ou assumir uma atitude passiva diante do pecado. A nossa missão – na sequência da de Jesus – consiste em lutar objectivamente contra “o pecado” instalado no coração de cada um de nós e instalado em cada degrau da nossa vida colectiva. A missão dos seguidores de Jesus consiste em anunciar a vida plena e em lutar contra tudo aquilo que impede a sua concretização na história.
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 2º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…
2. DAR ATENÇÃO ÀS PROCISSÕES.
Ao longo dos domingos que precedem o tempo da Quaresma, pode-se dar uma atenção particular ao desenrolar das procissões na missa. Por exemplo, a procissão de entrada, que não é apenas para o presidente da assembleia acompanhado de um ou outro acólito… Podem entrar nesta procissão: um leigo com a cruz, os acólitos ou leigos que vão servir ao altar (podem levar cada um uma vela), os que vão fazer a primeira e a segunda leitura (um deles leva o leccionário), assim como o leitor da oração dos fiéis. Para acolher a procissão, enquanto se canta, a assembleia dirige o olhar para o fundo da igreja e acompanha com o olhar o movimento da procissão. Chegados ao altar, depois da inclinação ou genuflexão, colocam o livro e as velas, tomando os seus lugares. A celebração continua…
3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Deus, Pai do teu povo, nós Te bendizemos pelo envio de salvadores, os profetas, os juízes e os reis, mas sobretudo pelo envio do teu Filho, o teu eleito, em quem puseste toda a tua alegria, e que Se manifestou como a luz das nações.
Nós Te confiamos as vítimas das inumeráveis angústias da nossa terra, todos os infelizes que aspiram a reencontrar a luz, a liberdade e a paz.
No final da segunda leitura:
Cristo Jesus, Tu que és o Senhor de todos e que revestiste a nossa condição humana, Tu que o Pai revelou como o Messias e encheu com a sua força, nós Te damos graças pela tua obra de salvação.
Nós Te confiamos os nossos irmãos e irmãs que procuram a luz e a verdade, como fazia outrora o centurião Cornélio. Dá-nos a coragem de ir ao seu encontro, como outrora o apóstolo Pedro.
No final do Evangelho:
Pai de Jesus e nosso Pai, nós Te damos graças pelo baptismo de Jesus no Jordão, porque nele nos revelaste a nova humanidade, da qual Jesus é a cabeça. Faz de nós também teus filhos bem-amados e cumula-nos com o teu Espírito.
Nós Te pedimos pelos novos baptizados, pelos padrinhos e madrinhas, pelos pais e pelas equipas que asseguram a preparação para o baptismo.
4. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística II para as Missas da Reconciliação.
5. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Testemunho… A palavra “Servidor” regressa hoje em força, em Isaías, enquanto João nos convida a contemplar o Cordeiro de Deus investido da Força do Espírito, ao qual dá testemunho. E nós? O nosso testemunho ficará limitado a estas palavras do Credo proclamado ao domingo? Ou leva-nos a empenharmo-nos em acções concretas no seguimento do Servidor?
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
portugal@dehonianos.org – www.dehonianos.org


E Jesus disse a Levi: Segue-me-Dehonianos

Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Sábado
14 Janeiro 2017
Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Sábado
Lectio
Primeira leitura: Hebreus 4, 12-16
Irmãos, a palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes; penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração. 13Não há nenhuma criatura oculta diante dele, mas todas as coisas estão a nu e a descoberto aos olhos daquele a quem devemos prestar contas.14Uma vez que temos um grande Sumo Sacerdote que atravessou os céus, Jesus, o Filho de Deus, conservemos firme a fé que professamos. 15De facto, não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, pois Ele foi provado em tudo como nós, excepto no pecado. 16Aproximemo-nos, então, com grande confiança, do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e encontrar graça para uma ajuda oportuna.
O texto apresenta-nos duas considerações. Depois de ter prometido o «repouso», para os que forem fiéis, o autor apresenta-nos a garantia de que essa promessa irá realizar-se. Essa garantia é a Palavra de Deus, «viva e eficaz» (v. 12), porque o próprio Deus está operante nela. A presença e a acção de Deus na Palavra, torna-a penetrante, capaz de conhecer os mais recônditos segredos do coração humano. Mesmo quando pretendemos enganar-nos a nós mesmos, e aos outros, Deus não se deixa enganar. A Palavra de Deus tem poder para nos desmascarar e iluminar, para que, «vendo-nos» com o próprio olhar do Senhor, possamos «re-ver-nos», porque a Ele «devemos prestar contas» (v. 13).
Depois desta primeira consideração, o autor retoma o tema de Jesus «Sumo Sacerdote misericordioso» (v. 14), a que já acenou em 2, 17s. Até agora, o autor explicou o alcance do termo «misericordioso». Agora prepara novos desenvolvimentos sobre o sacerdócio de Cristo.
Estas duas considerações referem-se a uma só mensagem: somos chamados a caminhar com santo temor orientados pela Palavra de Deus, e, ao mesmo tempo, com total confiança, pois Cristo, constituído sacerdote em nosso favor, experimentou a nossa fragilidade e pode compadecer-se plenamente connosco. Por isso, conscientes da nossa fragilidade e do nosso pecado, podemos aproximar-nos com grande confiança do «trono da graça» (v. 16).


Evangelho: Marcos 2, 13-17
Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira-mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e Ele ensinava-os. 14Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me.» E, levantando-se, ele seguiu Jesus. 15Depois, quando se encontrava à mesa em casa dele, muitos cobradores de impostos e pecadores também se puseram à mesma mesa com Jesus e os seus discípulos, pois eram muitos os que o seguiam. 16Mas os doutores da Lei do partido dos fariseus, vendo-o comer com pecadores e cobradores de impostos, disseram aos discípulos: «Porque é que Ele come com cobradores de impostos e pecadores?» 17Jesus ouviu isto e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»
Jesus vem arrancar o homem do mal, do pecado, como vimos nos episódios precedentes. A perícopa de hoje mostra-nos a perfeita liberdade com que Jesus se conduz e age, e pode partilhar connosco. O mestre dá atenção à «gente» (´am há-rets, em hebraico), isto é, aqueles que não observavam a Lei segundo a interpretação rigorista, o que chocava os mestres de Israel. Estes chamavam «pecadores» a essa «gente» não só devido a eventuais culpas morais, mas também pelo facto de não observarem rigorosamente a Lei e os costumes dos fariseus. Nesse sentido, também Jesus era um «pecador»: não obrigava os discípulos aos rituais de purificação antes das refeições (7, 1-5) e recusava a casuística farisaica sobre o sábado (2, 23-28).
Levi, «sentado no posto de cobrança» (v. 14) a cumprir o seu odioso ofício, é considerado pecador, porque se contamina no contacto com os pagãos. Jesus, não tendo em conta a contaminação ritual, partilha com ele a refeição, símbolo de comunhão de vida. A sua «excessiva» liberdade choca os guardiães de Lei. Mas Jesus não pretende justificar a transgressão da Lei. Apenas quer partilhar a vida com quem ainda não se decidiu por romper com o pecado, para lhe dar a força e a graça de fazer essa opção. É por isso que vai ao encontro do homem onde ele se encontra, fazendo-se próximo, irmão, comensal com os pecadores. Aqueles que se sentem justos não compreendem que o médico divino se ponha ao serviço dos irmãos doentes e derrame misericórdia sobre os miseráveis. A maior doença do homem é, sem dúvida, o pecado. Por isso, é que Jesus vai ao encontro dos pecadores.
Meditatio
A mensagem da liturgia hodierna pode resumir-se em duas ou três palavras: verdade e misericórdia, que levam à liberdade. «A palavra de Deus é viva, eficaz», diz-nos o autor da Carta aos Hebreus. Essa palavra é Jesus, que conhece o mais íntimo do nosso coração, e nos convida: «Segue-me!». A sua palavra é «mais afiada que uma espada de dois gumes» porque, com a verdade, penetra a nossa mentira e com a misericórdia corta o nosso orgulho. Na verdade, Jesus faz-nos tomar consciência da nossa condição de pecadores, mas, logo de seguida, envolve-nos no manto da sua compaixão, reveste-nos de santidade. Quantas vezes nos sentimos amarrados por maus hábitos e por inclinações para o mal, que não queremos admitir ou travestimos de virtudes. Podemos mentir a nós mesmos, e aos outros, mas não mentimos ao Senhor, a quem deveremos «prestar contas» (v. 13). Todavia, o juiz verdadeiro vem sentar-se à mesa connosco. Se Lhe quisermos abrir o coração e a casa, a sua liberdade liberta-nos, a sua plenitude de vida fará de nós ressuscitados, a sua amizade tornar-se-à em nós fonte de alegria para muitos.
Aproximemo-nos, então, com grande confiança, do trono da graça»(v. 16), onde Cristo está sentado junto ao Pai e nos prepara um lugar, pois nos quer participantes no banquete eterno, na festa da misericórdia. O Médico encarregou-se das nossas enfermidades, e «pelas suas chagas fomos curados» (Is 52, 5). Para isso, aceita aproximar-se dos pecadores e comer com eles, enfrentado as duras críticas dos fariseus e dos escribas. A autoridade, que Lhe vem do facto de ser «um grande Sumo Sacerdote que atravessou os céus» (v. 14), é posta ao serviço dos pecadores. Os fariseus não recorriam à misericórdia de Jesus porque julgavam não precisar dela. Mas nós, cristãos, reconhecemos essa necessidade e, por isso, aproximamo-nos d´Ele para alcançarmos «misericórdia e encontrar graça para uma ajuda oportuna» (v. 16). O Pe. Dehon recebeu o dom e a graça de fazer esta experiência de mi
sericórdia e de graça, alcançada no Coração de Jesus. Dessa experiência nasceu um típico estilo de vida dehoniano. Devemos reflectir frequentemente sobre ele e converter-nos sempre a ele, para também nós experimentarmos essa misericórdia e essa graça, e as podermos partilhar com os irmãos pecadores.
Oratio
Senhor, ilumina o meu coração com a tua Palavra. Penetra as profundidades do meu ser. Põe à luz da minha consciência a minha realidade mais profunda de pecador, que tantas vezes procuro ignorar ou camuflar. Passa pela minha vida e olha-me sentado, amarrado aos meus interesses egoístas. Se não me despertares, se não me atraíres para Ti, não sairei desta situação. Arranca-me das insídias do Mal. Vem partilhar a mesa do meu dia a dia e dá-me confiança. Lembra-me que intercedes por mim diante do Pai e que, um dia, serei chamado a sentar-me Contigo no banquete eterno, festa dos pecadores perdoados, festa do Amor que salva. Amen.
Contemplatio
O que há nesta tropa que avança contra Jesus Cristo? Há, em primeiro lugar, soldados romanos, archeiros. Obedecem cega e brutalmente às ordens que lhes são dadas. Não compreendem todo o carácter odioso nem prevêem as consequências. Estão impressionados pelo carácter insólito desta prisão. Há lacaios dos fariseus, excitados pelos seus mestres e que vão por causa de um salário. Há também alguns bandidos para o que for preciso, recrutados pelos sectários. Por trás deles, caminham vergonhosamente alguns sacerdotes e fariseus, os mais rancorosos, os cabecilhas, que estão lá para encorajar e apoiar todo o bando. Jesus Cristo encontra sempre os mesmos inimigos: o ódio sectário, os inconscientes e a turba imoral. O Coração de Jesus é mesmo assim misericordioso para com todos. Quer deixar no seu coração uma semente de conversão. Derruba os soldados, mas levanta-os e impede-os de fazer violência aos apóstolos. Proíbe a estes servir-se das suas armas e cura Malco. Não é os soldados que ele repreende, mas os seus cabecilhas, os sacerdotes e os fariseus. Entrega-se nas mãos dos soldados e dos guardas, como um cordeiro sem defesa. A sua doçura deveria desarmá-los. Recordar-se-ão mais tarde e alguns sem dúvida estarão entre os convertidos, como o centurião do calvário. (Leão Dehon, OSP 3, p. 283s).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Aproximemo-nos confiantes do trono da graça» (Heb 4, 16).