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domingo, 8 de janeiro de 2017

Jesus curou um paralítico-Dhonianos

Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Sexta-feira
13 Janeiro 2017
Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Sexta-feira
Primeira leitura: Hebreus 4, 1-5.11
Irmãos, 1embora permanecendo a promessa de entrar no seu repouso, temamos que algum de vós seja considerado excluído. 2Porque, a nós como a eles, foi anunciada a Boa-Nova; porém, a eles, a palavra escutada não valeu de nada, pois não permaneceram unidos na fé aos que a tinham escutado. 3Quanto a nós, os que acreditámos, entraremos no descanso, como Ele disse: Tal como jurei na minha ira, não entrarão no meu repouso.No entanto, as suas obras estavam realizadas desde a fundação do mundo, 4pois diz-se em qualquer parte, a propósito do sétimo dia: Deus repousou no sétimo dia, de todas as suas obras; 5e ainda, neste passo: Não entrarão no meu repouso. 11Apressemo-nos, então, a entrar nesse repouso para que ninguém caia no mesmo tipo de desobediência.
O nosso texto continua a tratar o tema da fidelidade. Enquanto dura o «hoje», há que não deixar endurecer o coração, afastando-se de Deus pela incredulidade. Este afastamento era uma tentação permanente, não só para os cristãos que tinham vindo do judaísmo, mas para todos os que tinham recebido a revelação final e a luz em Cristo e através de Cristo. Voltar à incredulidade equivalia a quebrar relações com Deus, a pecar contra a luz (cf. 6, 4-6), a recusar percorrer o único caminho que pode levar à luz e à vida, ao «repouso» de Deus (v. 5). A promessa feita a Israel continua válida para os crentes em Cristo, mas a «boa nova» anunciada por Deus deve ser acolhida na fé. Este acolhimento é uma opção dinâmica que exige compromisso perseverante, a nível pessoal, uma vez que a fé na Palavra é sempre inovada e traduzida na vivência pessoal (v. 3), mas também a nível eclesial, porque é na comunidade dos crentes que a Palavra é transmitida. Se assim for, o povo de Deus pode caminhar na unidade rumo à meta indicada pelo Senhor.


Evangelho: Marcos 2, 1-12
Dias depois, tendo Jesus voltado a Cafarnaúm, ouviu-se dizer que estava em casa. 2Juntou-se tanta gente que nem mesmo à volta da porta havia lugar, e anunciava-lhes a Palavra. 3Vieram, então, trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. 4Como não podiam aproximar-se por causa da multidão, descobriram o tecto no sítio onde Ele estava, fizeram uma abertura e desceram o catre em que jazia o paralítico. 5Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados.» 6Ora estavam lá sentados alguns doutores da Lei que discorriam em seus corações: 7«Porque fala este assim? Blasfema! Quem pode perdoar pecados senão Deus?» 8Jesus percebeu logo, em seu íntimo, que eles assim discorriam; e disse-lhes: «Porque discorreis assim em vossos corações? 9Que é mais fácil? Dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega no teu catre e anda’? 10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, 11Eu te ordeno – disse ao paralítico: levanta-te, pega no teu catre e vai para tua casa.» 12Ele levantou-se e, pegando logo no catre, saiu à vista de todos, de modo que todos se maravilhavam e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim!»
A «palavra», em Jesus, consiste em «falar» e em «fazer». As curas que realiza são «palavra». Marcos, depois de nos dizer que Jesus «anunciava a palavra» (v. 2), oferece-nos um exemplo concreto da sua «palavra actuante».
Quatro homens conduzem a Jesus um paralítico. Esta iniciativa contrasta com o imobilismo dos escribas «sentados», a tentarem surpreender Jesus em alguma palavra ou gesto contra a Lei. O foco da narrativa que ouvimos está nas palavras: «para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados…». O milagre confirma a palavra de Jesus, o seu poder de reconciliação dos homens com Deus. A atenção é deslocada de um mal físico para um mal mais profundo, o pecado, que paralisa o homem, impedindo-o de avançar segundo o projecto de Deus. Os escribas compreendem o alcance das palavras de Jesus. Mas não estão dispostos a aceitar uma tal «blasfémia», porque só Deus pode perdoar os pecados. Jesus reage reforçando a sua afirmação: «Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, Eu te ordeno: levanta-te» (vv. 10-11). O milagre é sinal do poder de Jesus.
A cura do paralítico é uma síntese da palavra pregada por Jesus. O reino de Deus está próximo, porque Deus decidiu oferecer o seu perdão aos homens, em Jesus. Esse perdão introduz o homem todo, corpo e espírito, na salvação. Mas, como pode aproximar-se de Jesus quem está amarrado por «laços de morte» (Sl 114, 3)? Só com a ajuda de outros que, salvos pela misericórdia de Deus, se dispõem a ajudar os irmãos.
Meditatio
A fé é um caminho para o repouso de Deus. É talvez um caminho difícil. Percorremo-lo no deserto. Mas a Terra Prometida está diante de nós. Há que enfrentar o cansaço e o sofrimento, sem desanimar. Espera-nos o Coração de Deus, onde encontrará repouso o nosso próprio coração.
Mas tudo isto não é só futuro. Os que acreditamos, podemos entrar, desde já, no repouso de Deus (cf. v. 3): «Nessa esperança temos como que uma âncora segura e firme da alma, que penetra até ao interior do véu», diz ainda o autor da Carta aos Hebreus (6, 19). A «âncora segura» é a fé. Temos a esperança de que havemos de ser recompensados pelos nossos esforços de fidelidade, mas, na fé, vemos, já agora, os dons de Deus. O cristão sabe que, no meio das dificuldades, das preocupações, dos sofrimentos da vida, Deus nos convida a «entrar no seu repouso», a estar com Ele em paz, tranquilos e alegres.
O evangelho mostra-nos a eficácia imediata da fé: «Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados» (v. 5). O Senhor não disse: «serão perdoados», mas «estão perdoados», por causa da fé daqueles homens. A fé alcança o dom de Deus, mesmo que as circunstâncias pareçam contrárias. A fé é posse antecipada das coisas que se esperam.
Também nós, tantas vezes, paralíticos do espírito, inertes aos estímulos da graça ou amarrados por compromissos stressantes, talvez assumidos para encher, pelo activismo, o nosso vazio interior, nos sentimos incapazes de dar um passo em frente. Mas a Palavra de Deus encoraja-nos a permanecer unidos às testemunhas da fé, e a deixar-nos conduzir na obediência. A confiança na comunhão eclesial é já um passo, muito importante, no caminho da fé. Ainda que nos sintamos impotentes, amarrados pelos laços do pecado, a Palavra de Deus mostra-nos como é decisivo de
ixar-nos conduzir a Cristo pela fé dos irmãos. A experiência do perdão vai repor-nos em marcha.
Quando celebramos a Eucaristia, escutamos as palavras: «Felizes os convidados para a ceia do Senhor». A ceia do Senhor, em certo sentido, está no futuro, é o banquete celeste. Mas noutro sentido, em cada eucaristia, já participamos na fé nesse banquete celeste, no amor de Deus, na paz de Deus. Em cada momento e em cada situação do nosso dia, podemos escutar o convite do Senhor: «Entra no meu repouso». E é sempre possível entrar nesse repouso. No episódio dos três jovens lançados à fornalha ardente (Dn 3, 1ss), diz-se que, por entre as chamas, soprava «uma brisa matinal» (Dn 3, 50) e que, no martírio, estavam como que no céu. Por isso, cantavam: «Bendito e louvado sejas, Senhor, Deus dos nossos pais! Que o teu nome seja glorificado pelos séculos!» (Dn 3, 28).
Oratio
Senhor Jesus, obrigado por teres sido solidário com a minha miséria. Obrigado pelo olhar misericordioso que lançaste sobre mim, paralisado no meu pecado. Obrigado pela palavra que eu não procurava, mas me quiseste dirigir para me reconduzires à vida: «Filho, os teus pecados estão perdoados» (v. 5). Obrigado pela liberdade nova, que desfez as cadeias que mantinham inerte o meu coração e me deu um impulso antes desconhecido. Obrigado pela alegria da fé que suscitaste em mim. Obrigado pela solidariedade dos irmãos que me conduziram até junto de Ti. Ensina-me a ser também solidário com todos os pecadores, para que Te cheguem a Ti e encontrem a misericórdia, o amor, a vida em abundância e em paz. Amen.
Contemplatio
«Se alguém me ama e guarda a minha palavra, diz ainda Nosso Senhor, meu Pai amá-lo-á e faremos nele a nossa morada… Aquele que me ama e que o prova observando os meus mandamentos, será amado por meu Pai, e eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei a ele… E então compreendereis que estou em meu Pai, e sentireis que estou em vós e vós em mim». Ó admirável união! «Estareis unidos a mim, diz Nosso Senhor, pela vida da graça, pelos sentimentos do coração e pelo acordo das vontades… Estarei unido a vós pela influência das minhas luzes e das minhas direcções, pela consolação da minha presença sensível e do meu amor». Posso, portanto, viver no Coração de Jesus e Jesus quer viver no meu coração: «Vós em mim e eu em vós», diz-nos. Ó divino Coração de Jesus, sede daqui em diante a minha morada. Em vós rezarei eficazmente, em vós pedirei conselho sem medo de me enganar, em vós contemplarei o modelo de todas as virtudes. Sei o meio de habitar em vós, é conformar-me à minha regra e a todas as vossas vontades. Agora, posso dizer com David: «Como são amáveis os vossos tabernáculos, ó meu Deus!… Um dia de repouso e de vida sobrenatural na vossa casa, isto é, no vosso Coração, vale mais que mil anos passados entre os pecadores». (Leão Dehon, OSP 3, p. 452).
Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Os que acreditámos, entraremos no descanso» (Heb 4, 3).

Um leproso foi curado-Dehonianos

Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Quinta-feira
12 Janeiro 2017
Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Quinta-feira
Primeira leitura: Hebreus 3, 7-14
Irmãos, 7como diz o Espírito Santo: Hoje, se escutardes a sua voz, 8não endureçais os vossos corações, como no tempo da revolta, no dia da tentação no deserto, 9quando os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, depois de verem as minhas obras, 10durante quarenta anos. Por isso me indignei contra esta geração e disse: ‘Erram sempre no seu coração; não conheceram os meus caminhos.’ 11Assim, jurei na minha ira: ‘Não entrarão no meu repouso.’ 12Tende cuidado, irmãos, que não haja em nenhum de vós um coração mau, a ponto de a incredulidade o afastar do Deus vivo. 13Exortai-vos, antes, uns aos outros, cada dia, enquanto dura a proclamação do «hoje», a fim de que não se endureça nenhum de vós, enganado pelo pecado. 14De facto, tornamo-nos companheiros de Cristo, desde que mantenhamos firme até ao fim a confiança inicial.
No texto que hoje escutamos, o autor da Carta aos Hebreus, aborda o tema da fidelidade. Cristo é fiel, é a personificação da fidelidade de Deus. Os cristãos, discípulos de Cristo, devem ser fiéis. Efectivamente, o Espírito Santo continua a falar «hoje» para nos ajudar a viver de acordo com a vontade de Deus. Mas, tal como o antigo povo de Deus, no deserto, podemos «endurecer os corações» (v. 8) e seguir caminhos errados, excluindo-nos da comunhão com Deus, isto é, do seu «repouso» (v. 11). O autor previne os destinatários da sua carta contra uma tal atitude interior. Efectivamente, «os pais» do antigo Israel, caíram na obstinação e na incredulidade, mesmo depois de terem visto as obras de Deus (cf. v. 9). Se Deus ficou desgostoso com o povo, que recebera a Lei das mãos de Moisés, quanto mais o ficará com aqueles que endurecem o coração depois de terem encontrado a Cristo, muito superior a Moisés, uma vez que é Filho de Deus. Nos últimos dias, que começaram com a vinda de Cristo, notavam-se sinais de desobediência e de incredulidade, que podiam levar à privação dos bens últimos vinculados à pessoa de Cristo. Daí a frequência do tema na catequese dos primeiros cristãos (cf. 1 Cor 10, 1s.). Os cristãos devem renovar, cada dia, a sua fidelidade, e ajudar-se uns aos outros nessa renovação.


Evangelho: Marcos 1, 40-45
Naquele tempo, 40um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.» 41Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.» 42Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. 43E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: 44«Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.» 45Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.
Marcos ajuda-nos a perceber, cada vez melhor, a personalidade de Jesus. Depois de O apresentar como Aquele que anuncia e inaugura o Reino da Vida (v. 39), oferece-nos o episódio do leproso, considerado um «morto vivo», segundo a Lei, por causa do apodrecimento antecipado da sua carne. Como o contacto com os mortos tornava o homem impuro, os leprosos deviam ser afastados das povoações, excluídos da comunhão com o povo de Deus: «Impuro! Impuro!» gritava o leproso, à distância, para que ninguém dele se aproximasse (cf. Lev 13, 45).
Mas o nosso leproso sabe que existe algo de mais sagrado que a própria Lei, e que pode confiar. Por isso, atreve-se a aproximar-se de Jesus. E Jesus, indo mais além do que a Lei, acolhe-o e toca-o com a mão (v. 41), restituindo-o à sua dignidade. As leis só obrigam na medida em que concorrem para o bem do homem. É um tema que irá repetir-se ao longo do segundo evangelho e em Paulo.
Operada a cura, Jesus manda ao leproso que não faça publicidade dela, mas se apresente aos sacerdotes para que o reintegrem na comunidade. O objectivo da cura não era fazer publicidade apologética, mas reintegrar o marginalizado. A salvação já não se encontra na separação e na marginalização, mas na reintegração porque, com Jesus, entrou no mundo o próprio poder salvífico de Deus, que se põe do lado dos pobres e dos últimos da sociedade dos homens. A nova sociedade inaugurada por Jesus não marginaliza ninguém, não separa, não exclui, porque Jesus aboliu o sistema que separava o puro do impuro tal como o entendia o mundo judaico. O cristão é um homem livre para Deus e para os outros. A Igreja deve estar na linha da frente para que a liberdade se torne real para todos os homens.
Meditatio
«Hoje, se escutardes a sua voz, não endureçais os vossos corações» (v. 7-8). Tal como Israel, tal como os primeiros judeo-cristãos, também nós contemplámos as maravilhas de Deus, e também nós corremos o risco de «endurecer» os nossos corações, preferindo escutar outras vozes, que não a voz de Deus. A voz do Senhor não é, em primeiro lugar, uma voz que ordena, mas uma voz que promete. Não podemos fechar o coração às promessas de Deus, como fizeram os Israelitas quando estavam às portas de Terra prometida. Os exploradores trazem notícias sobre a prosperidade da Terra, sobre os seus habitantes e as suas cidades. Deus diz-lhe «É vossa, Eu vo-la dou!» Mas os Israelitas não quiseram escutar a voz de Deus, preferindo a voz da incredulidade: «É demasiadamente belo para ser verdade; Deus não no-la dá; não conseguiremos tomar posse dela», pensavam. Os exploradores, depois de terem descrito as maravilhas da terra, ajudaram à incredulidade do povo, afirmando: «Não podemos atacar esse povo, porque é mais forte do que nós… a terra que atravessámos para a explorar é terra que devora os seus habitantes e todo o povo que nela vimos é gente de grande estatura. Até lá vimos os gigantes, filhos de Anac, da raça dos gigantes; parecíamos gafanhotos diante deles e eles assim nos consideravam.»(Nm 13, 31ss.). O povo fiou-se mais nos exploradores do que em Deus e revoltou-se: «Antes tivéssemos morrido na terra do Egipto ou mesmo neste deserto. Porque nos fez sair o Senhor para esta terra a fim de nos matar à espada? As nossas mulheres e as nossas crianças serão humilhadas. Não nos seria melhor voltar para o Egipto?» (Nm 14, 2ss.). Deste modo, os Israelitas tentaram a Deus, irritaram-n´O com a sua incredulidade, afastaram-se d´Ele, não acreditaram na promessa.
O autor da Carta aos Hebreus evoca estes acontecimento para nos exortar: «Tende cuidado, irmãos, que não haja em nenhum de vós um coração mau, a ponto de a incredulidade o afastar do Deus vivo. Exortai-vos, antes, uns aos outros, cada dia, enquanto dura a proclamação do «hoje», a fim de que não se endure
ça nenhum de vós, enganado pelo pecado»(v. 12-13), isto é, por esta outra voz que sempre insinua em nós que não é possível acreditar na promessa de Deus, que é uma promessa irreal, demasiadamente difícil de realizar, que Deus não está realmente disposto a dar-nos o que está escrito no Evangelho. Efectivamente, nós somos «participantes da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho» (Ef 3, 6). Já não é Moisés que vai à nossa frente, mas Cristo. Com Ele realizamos o nosso êxodo, atravessamos o deserto e avistamos a Terra Prometida. Há que permanecer firmes na fé, para não incorrermos na ira divina e ouvirmos o terrível juramento: «Não entrarão no meu repouso» (v. 11). Esta ameaça divina é, afinal, um gesto de amor com que pretende libertar-nos de tudo aquilo que em nós é medo. As reais dificuldades da vida não devem induzir-nos à incredulidade. Pelo contrário, permaneçamos cheios de alegria e, nas dificuldades, façamos como o leproso do evangelho: aproximemo-nos do Senhor e digamos-Lhe: «Se queres, podes curar-me!» (v. 40).
A esperança de sermos firmes na fé e na fidelidade ao Senhor e às suas promessas, baseia-se na própria fidelidade do Senhor para connosco. Toda a história da salvação está centrada na fidelidade de Deus ao Seu amor pelos homens. Em Jesus, nós contemplamos esta fidelidade encarnada, que se dá a nós até à morte de cruz (cf. Fl 2, 6-8), que se faz nosso alimento e nossa bebida na Eucaristia (cf. 1 Cor 11, 23-29) e pede a resposta da nossa fidelidade. Devemos converter-nos continuamente a esta fidelidade de amor. Deste modo, testemunhamos que Jesus é para nós «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6), é a «Pedra angular» (1 Pe 2, 6) da nossa fé, é a razão de ser da nossa existência: «Para mim viver é Cristo» (Fl 1, 21), especialmente para nós Oblatos-Sacerdotes do Coração de Jesus, «porque, com um só sacrifício (oblação), (Cristo) tornou perfeitos (como sacerdotes e vítimas) para sempre os que foram santificados» (Heb 10, 14).
Oratio
Senhor Jesus, venho a Ti, leproso como tantos leprosos, que, antes de mais nada, precisam de reencontrar a vontade de ser curados, a vontade de redescobrir a beleza da vida, ainda que marcada por tantos sofrimentos e provações. Vem, Salvador do mundo, suprir, com a tua firme vontade de salvação, a minha crónica indecisão. Se quiseres, podes curar-me. Toca-me apenas com a tua mão, com a tua santíssima humanidade, pronuncia a tua palavra: Quero! Sê curado! Suscita no meu coração, e em todo o meu ser, a gratidão, a alegria, o cântico da vida nova, o hino da salvação. Amen.
Contemplatio
O bom Salvador quis aceitar este suplício dos escravos. É a humilhação suprema. Isaías tem razão ao dizer: Já não tem beleza, é desprezado e o último dos homens; semelhante a um leproso, a um homem maldito por Deus e ferido pela Providência (Is 53,2). Como Job, está coberto de chagas dos pés à cabeça. Que mais podia fazer para se humilhar, para reparar a glória ultrajada de seu Pai? No meio de tão cruéis tormentos, que paciência! Não abre a boca, a não ser para emitir alguns gemidos queixosos. É como um carneiro que se leva ao matadouro, diz Isaías, ou como um cordeiro que se tosquia. É a paciência mesma. Muito mais, aceita o seu suplício com alegria, por causa dos efeitos que deles espera. É a glória do seu Pai que será restaurada, é a salvação dos homens, que todos pecaram pela sensualidade e pela idolatria dos seus corpos. Este suplício tinha nos desígnios de Deus uma importância particular. Era a cena da sua Paixão que deveria ser voluntariamente reproduzida pelas almas fervorosas ao longo dos séculos. Nosso Senhor entregava-se à flagelação, para que mais tarde, a seu exemplo, os fiéis se impusessem a flagelação em espírito de penitência. Não somente sofria a flagelação pela nossa salvação, mas santificava-a, fazia dela como que um acumulador de graças, que agiria até ao fim do mundo. O seu divino Coração amava este suplício reparador. Tomava a maior parte dos sofrimentos para si e merecia-nos a graça de o imitarmos um pouco. Não deixemos perder estas graças, ofereçamos a Nosso Senhor algumas penitências voluntárias em união com a sua flagelação. (Leão Dehon, OSP 3, p. 337s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Senhor, se quiseres, podes purificar-me» (Mc 1, 40).



Jesus tomou-a pela mão e a febre logo passou-Dehonianos

Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Quarta-feira
11 Janeiro 2017
Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Quarta-feira
Lectio
Primeira leitura: Hebreus 2, 14-18
Uma vez que os filhos dos homens têm a mesma carne e o mesmo sangue, também Jesus partilhou a condição deles, a fim de destruir, pela sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo, 15e libertar aqueles que, por medo da morte, passavam toda a vida dominados pela escravidão. 16Ele, de facto, não veio em auxílio dos anjos, mas veio em auxílio da descendência de Abraão. 17Por isso, Ele teve de assemelhar-se em tudo aos seus irmãos, para se tornar um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel em relação a Deus, a fim de expiar os pecados do povo. 18É precisamente porque Ele mesmo sofreu e foi posto à prova, que pode socorrer os que são postos à prova.
O autor da Carta aos Hebreus aprofunda o significado da solidariedade de Cristo connosco, explorando o âmbito da misericórdia divina. Jesus assumiu plenamente a realidade humana, marcada pela fragilidade e pela morte, por causa do pecado. Embora não tenha conhecido pecado (cf. 4, 5), Jesus tomou sobre si as consequências dele. Assim libertou a humanidade – sujeita ao domínio do demónio, artífice do pecado e da morte – não a partir de fora dela, ou do alto, mas a partir de dentro dela: uma libertação “imposta” não seria verdadeira e eficaz. O Filho, pelo contrário, tornou-se participante da nossa condição, para que pudéssemos participar da sua! Bom samaritano, inclinou-se sobre quem precisava dos seus cuidados: não os anjos, mas a raça de Abraão (v. 16), isto é, todos quantos peregrinam na fé por este vale de lágrimas.
Uma vez que esta semelhança de Cristo connosco nos resgata do pecado, Ele cumpre perfeitamente a função sacerdotal: Ele é o verdadeiro sumo sacerdote, «misericordioso» para com os homens – de quem conhece por experiência pessoal o sofrimento – e «fiel» nas coisas que se referem a Deus, porque foi enviado pelo Pai para nossa salvação.


Evangelho: Marcos 1, 29-39
Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi para casa de Simão e André, com Tiago e João. 30A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram dela. 31Aproximando-se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. 32À noitinha, depois do sol-pôr, trouxeram-lhe todos os enfermos e possessos, 33e a cidade inteira estava reunida junto à porta. 34Curou muitos enfermos atormentados por toda a espécie de males e expulsou muitos demónios; mas não deixava falar os demónios, porque sabiam quem Ele era. 35De madrugada, ainda escuro, levantou-se e saiu; foi para um lugar solitário e ali se pôs em oração. 36Simão e os que estavam com Ele seguiram-no. 37E, tendo-o encontrado, disseram-lhe: «Todos te procuram.» 38Mas Ele respondeu-lhes: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim.» 39E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demónios.
A vida pública de Jesus é extremamente ocupada. Mas o Senhor não deixa de dar atenção às pessoas concretas que encontra. Para Ele, cada pessoa é única. É o que vemos no primeiro milagre, depois do primeiro exorcismo (vv. 30ss.). Rompendo com o estilo dos rabinos, na sua relação com as mulheres, o Senhor aproxima-se da sogra de Pedro, toma-a pela mão, cura-a e, maior novidade ainda, deixa-se servir por ela. A Misericórdia inverte todos os parâmetros das relações sociais. Ao aproximar-se da sogra de Pedro, «levanta-a», tomando-a pela mão. Com a ternura desse gesto, Jesus restitui-lhe a saúde, mas também a capacidade de servir, isto é, de amar com humildade. A notícia espalha-se e Jesus vê-se sobrecarregado de trabalho. Concluído o repouso sabático, rodeia-o uma multidão de carenciados. E a Misericórdia chega a todos como braço do rio de graça que Deus suscitou no mundo.
Depois de um dia cheio de trabalho e de êxitos apostólicos, Jesus não se deixa levar pelo entusiasmo do povo, mas refugia-se no deserto para se encontrar a sós com o Pai e orar, isto é, beber, também Ele, no rio da graça do Pai, para a poder derramar sobre todos. A sua oração, solitária e prolongada, é o segredo que anima o seu ministério, porque O mantém em relação com o Pai e na fidelidade ao seu projecto. Saiu do seio do Pai para manifestar o seu rosto aos homens. Por isso, continua a sua peregrinação no meio de nós, alargando os confins do Reino e vencendo as forças do mal.
Meditatio
A Carta aos Hebreus afirma que Jesus é «um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel em relação a Deus» (v. 17). É «fiel» pela relação única que existe entre Ele e Deus. É «misericordioso» para com os homens, particularmente para com os pecadores, porque veio tirar os pecados, veio dar aos homens a vitória nas provações, «porque Ele mesmo sofreu e foi posto à prova» e,por isso «pode socorrer os que são postos à prova» (v. 18). Segundo a carta aos Hebreus, o objectivo da vida de Jesus na terra é levar à perfeição, no seu coração, a abertura aos outros, a misericórdia, a união com Deus, que o torna «fiel».
A carta aos Hebreus apresenta-nos uma nova concepção do sacerdócio. Enquanto, no Antigo Testamento, se acentuava a separação – o sacerdote era separado dos homens para estar da parte de Deus -, Jesus, Sumo Sacerdote, pôs-Se ao nosso lado, assumindo a nossa carne e o nosso sangue, com os nossos sofrimentos, as nossas provações, a nossa morte, para nos poder ajudar como somos e estamos. Ele alcança misericórdia pela sua união com Deus. É a grande revelação da Encarnação.
O evangelho que escutamos evidencia estas duas dimensões da vida de Jesus na terra: a sua misericórdia e a sua união com Deus. Revela-se primeiro a sua misericórdia. O Senhor aproxima-se de todas as misérias, de todos os sofrimentos, para lhes levar remédio. Esse remédio começa por ser a compaixão e o interesse. Jesus deixa que os doentes lhe tomem todo o tempo: «À noitinha, depois do sol-pôr, trouxeram-lhe todos os enfermos e possessos, e a cidade inteira estava reunida junto à porta» (v. 32). Toma os doentes pela mão: é o seu corpo que comunica a cura de Deus.
Mas Jesus também se retira do meio das multidões. Logo de madrugada, vai para «um lugar solitário» (v. 35), a fim de rezar. É a outra dimensão da sua existência humana, a busca do Pai. Ele deve tratar das coisas do Pai, deve estar unido a Deus e, por isso, reza demoradamente. Todavia, o desejo da união com Deus não Lhe impede de Se entregar aos outros. Quando vêm procurá-l´O, não diz: «deixem-me em paz, porque devo rezar». Pelo contrário ordena: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim» (v. 38). A oração aumenta-Lhe a
misericórdia e a bondade, porque vai procurá-las no coração do Pai, fonte do amor que deve transmitir aos homens.
Tudo isto nos conforta: o Senhor está sempre perto de nós no sofrimento e nas dificuldades. Com Ele, estas situações não são obstáculo mas meios para nos unirmos cada vez mais a Ele e ao Pai, e para irmos ao encontro dos irmãos que sofrem.
A nossa comunidade-comunhão está reunida à volta do Sumo Sacerdote, que também é vítima, Cristo Jesus. Em força do Baptismo, participamos do sacerdócio de Cristo e do Seu estado de vítima (cf. Heb 10, 14). Nós, oblatos-Sacerdotes do Coração de Jesus, participamos de modo especial, como testemunhas do sacerdócio e do sacrifício de Cristo na Igreja e no mundo, pelo nosso carisma e pela nossa profissão religiosa (cf. Cst 22.24).
Cristo, sacerdote e vítima é o centro da nossa comunidade-comunhão, que nos faz sentir, segundo o desejo e a oração de Cristo uma só coisa: «que sejam uma só coisa» (Jo 17, 21), é o Espírito de amor, o Espírito Santo, que realiza a promessa de Jesus: «Ele há-de ensinar-vos todas as coisas e há-de recordar-vos tudo aquilo que eu vos disse» (Jo 14, 26); «Há-de guiar-vos para a verdade perfeita… Ele há-de glorificar-me, porque tomará do que é Meu e vo-lo anunciará» (Jo 16, 13-14).
Oratio
Ó Jesus, Sumo Sacerdote fiel e misericordioso, dá-me a graça de compreender que as dificuldades, que tantas vezes me fazem desanimar, são excelentes ocasiões para renovar a minha confiança, porque Tu as acompanhas com uma graça, que me permite unir-me à tua gloriosa Paixão, e me torna atento e sensível ao sofrimento dos irmãos. Faz-me compreender que, unindo-me à tua Paixão, posso ajudar os que sofrem, e ser solidário com quem está no sofrimento, e unir-me verdadeiramente a Ti, que quiseste sofrer com todos os que sofrem e com os pecadores. Amen.
Contemplatio
Observai também o tempo e o lugar da oração. Reza-se melhor de manhã, na calma e no silêncio. Ninguém reza com fruto senão fazendo valer os méritos de Nosso Senhor. Rezamos utilmente se nos dirigirmos ao Coração de Jesus. Apresentar o Coração de Jesus ao seu Pai, é fazer valer um talismã que é todo-poderoso. «Tudo o que pedirdes ao meu Pai em meu nome, disse Nosso Senhor, ser-vos-á concedido». Em meu nome, quer dizer «pelos meus méritos, pelo amor que meu Pai tem por mim, pela consideração que tem pelo meu Coração, pela minha oração, pelo meu amor, pelos meus sofrimentos…» Se as vossas orações concordarem com os desejos do Coração de Jesus serão vitoriosas. Marta dizia a Jesus: «Sei que tudo o que pedirdes a Deus Ele vo-lo concede». Vamos ter com Deus pelo Coração de Jesus e ao Coração de Jesus por Maria, ser-nos-ão todo-poderosos. (Leão Dehon, OSP 4, p. 70s.)
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Jesus pode socorrer os que são postos à prova» (cf. Heb 2, 18).



Ele ensinava como quem tem autoridade-Dehonianos

Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Terça-feira
10 Janeiro 2017
Tempo Comum – Anos Ímpares – I Semana – Terça-feira
Lectio
Primeira leitura: Hebreus 2, 5-12
Deus não submeteu aos anjos o mundo futuro de que falamos. 6Mas alguém, em certo lugar, atesta, dizendo: Que é o homem, para que te recordes dele, ou o filho do homem para que cuides dele? 7Fizeste-o por um pouco inferior aos anjos, coroaste-o de honra e de glória, 8submeteste tudo aos seus pés.Ora, ao submeter-lhe tudo, nada deixou que não lhe estivesse sujeito. Contudo, ainda não vemos que tudo lhe esteja sujeito. 9Vemos, porém, Jesus, que foi feito por um pouco inferior aos anjos, coroado de glória e de honra, por causa da morte que sofreu, a fim de que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em favor de todos. 10Convinha, com efeito, que aquele por quem e para quem existem todas as coisas, querendo levar muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio dos sofrimentos, o autor da sua salvação. 11De facto, tanto o que santifica, como os que são santificados, provêm todos de um só; razão pela qual não se envergonha de lhes chamar irmãos, 12dizendo: Anunciarei o teu nome aos meus irmãos, no meio da assembleia te louvarei.
O autor da Carta aos Hebreus, depois de mostrar a superioridade de Cristo relativamente aos anjos e a todos os poderes inferiores a Deus, realça, nesta perícopa, a sua condição humana. Cristo é o Filho de Deus, superior aos anjos, mas é também o Jesus da história, Aquele que sofreu e morreu. O autor contempla a união entre os dois aspectos à luz do Sl 8, 46, e aproveita para anunciar o desígnio redentor de Deus. Esse desígnio passa pelo esvaziamento do Filho, que por amor se torna participante da natureza humana – inferior à dos anjos, mas também objecto das bênçãos divinas (cf. vv. 5-8) – até às extremas consequências do sofrimento e da morte, em favor de todos.
Assim se revela a maravilhosa «justiça de Deus» (v. 10): o Criador e Fim de todas as coisas julgou tão importante o homem que o quis atrair à comunhão filial Consigo. Para isso, tornou-se solidário connosco no Filho Unigénito, enviado para nos levar à «glória», ao «mundo futuro» (vv. 5-10). Deus realiza a nossa santificação através do amor humilde de Jesus, que se entrega para nos poder chamar «irmãos» e anunciar-nos o Pai.


Evangelho: Marcos 1, 21-28
Jesus e os discípulos entraram em Cafarnaúm. Chegado o sábado, Jesus veio à sinagoga e começou a ensinar. 22E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. 23Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: 24«Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» 25Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» 26Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. 27Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» 28E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.
A pessoa de Jesus causava impacto no meio do povo, que se dava conta de que Ele não se limitava a explicar os profetas anteriores, mas que se apresentava, também Ele, como profeta, investido de um poder que lhe vinha de Deus: ensinava com autoridade e curava os doentes. O ensino de Jesus era verdadeiramente eficaz.
Marcos gosta de apresentar Jesus como Mestre: desde o começo do seu evangelho, Jesus é Aquele que ensina. Depois vêm os encontros com o «espírito maligno» (v. 23). Qual é a postura de Jesus diante da crença popular nos demónios? Sabemos quanto horror causavam no homem primitivo as doenças mentais, e sobretudo a epilepsia. O comportamento desses doentes dava a entender que estavam «possessos», que tinha entrado neles outra pessoa, o «espírito maligno». Por isso, o doente mental ou epiléptico, era um ser execrável, que devia ser afastado a golpes e com torturas de toda a espécie.
Jesus tem o poder do Reino de Deus e usa-o desde o princípio para evangelizar e para libertar o homem a todos os níveis, também corporal, e de tudo quanto o «possui» e oprime, sem a preocupação de o interpretar.Com duas breves ordens liberta do demónio o possesso: é o seu primeiro milagre e tem um valor programático. Para Marcos, Jesus veio trazer o Reino de Deus, vencendo o poder de Satanás. A missão de Cristo é um confronto, até à morte e até à ressurreição, com o mal. Os exorcistas hebreus usavam longos ritos e complicadas fórmulas para expulsar os demónios. Jesus, com uma só palavra, cala o demónio e devolve ao homem a sua dignidade. Por isso, cresce o espanto das multidões, que se interrogam: «Que é isto?» v. 27)
Meditatio
Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, como nos ensinam as Escrituras. Nos primeiros tempos da Igreja, insistia-se em que era verdadeiro Deus. Depois da heresia de Ário, realçou-se que era verdadeiro homem. Mas a Igreja sempre insistiu sobre as duas naturezas, a divina e a humana, numa só pessoa, a do Filho único de Deus. A carta aos Hebreus sublinha os dois aspectos. O texto que escutamos hoje insiste no humano: «Que é o homem, para que te recordes dele, ou o filho do homem para que cuides dele? Fizeste-o por um pouco inferior aos anjos, coroaste-o de honra e de glória, submeteste tudo aos seus pés» (vv. 6-8).
Jesus é o homem ideal. N´Ele, a vocação do homem ao domínio do universo, realiza-se perfeitamente. O Génesis diz-nos que Deus constituiu o homem senhor de todas as criaturas. Mas, no estado actual das coisas, não é possível realizar perfeitamente essa vocação. Só Cristo, pela sua morte e ressurreição, alcançou uma humanidade renovada e pode ter autoridade sobre toda a criação. «Autoridade» significa capacidade de fazer «crescer» (do latim: augere) os outros. Essa autoridade vem-lhe, não por ser superior ao anjos, mas por ter aceitado o desígnio de Deus, obedecendo até à morte e morte de cruz: «Vemos Jesus, que foi feito por um pouco inferior aos anjos, coroado de glória e de honra, por causa da morte que sofreu» (v. 9), escreve o autor da Carta aos Hebreus. Jesus é amor que deu a vida para nos libertar e unir a Si. Assumiu a fragilidade da nossa natureza porque, só carregando sobre Si o peso esmagador do nosso mal, Deus podia salvar-nos. Jesus usou para connosco uma com-paixão sem reservas. Foi com uma luta de morte que venceu o autor do pecado, causa do sofrimento e da morte. A sua vitória apresenta-se como uma completa derrota. Mas foi assim que nos santificou e nos reconduziu à sua própria origem, ao Pai.
O aniquilamento de Jesus confunde-nos e interroga-nos. A indiferença não é possível. Jesus vem iluminar as nossas trevas, e introduzir-nos na verdade. Podemos rebelar-nos e tentar sufocar a sua voz com o ruído que levamos dentro de nós. Mas tamb&ea
cute;m podemos fazer silêncio, acolher a Palavra que tem autoridade para nos libertar da nossa maldade e da nossa preguiça, porque desceu a resgatar-nos pagando as respectivas consequências. Deus tornou-se companheiro do sofrimento e da morte do homem para o conduzir, livre, à salvação, à glória, ao abraço do amor.
A obediência ao Pai explica toda a vida de Jesus: «Pai…, Eu Te glorifiquei…, realizando a obra que Me confiaste… Consagro-Me (sacrifico-Me) por eles…» (Jo 17, 1.4.19). Faz tudo de modo tão completo e perfeito que a última palavra na cruz será: «Tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito» (Jo 19, 30).
Por isso é que Paulo pode elevar o seu hino a Cristo: «Ele que era de condição divina não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens. Tido pelo aspecto como homem, humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou…» (Fil 2, 6-9).
Na obediência de Jesus, observamos os seguintes aspectos fundamentais: reconhecimento de Deus-Pai como o Absoluto; comunhão profunda com o Pai de Quem tudo recebeu e a Quem tudo entrega, por amor; esta oferta, por amor, ao Pai, é também oferta por amor aos homens; é despojamento amoroso que O leva à máxima glorificação (cf. Fl 2, 9-11).
Assim, também nós, seguindo a Cristo, e permitindo ao Espírito despojar-nos, esvaziar-nos de tudo aquilo que não é Cristo, para o transformar n´Ele, tornamo-nos participantes da perfeição de Cristo e da Sua glorificação.
Oratio
Senhor Jesus, manifesta em nós a tua «autoridade» a tua capacidade de nos fazer crescer. Revela-nos a tua doutrina e abre-nos o coração às Escrituras, como fizeste com os discípulos de Emaús. Desmascara o mal que ainda existe em nós. É certo que o Baptismo nos libertou do demónio. Mas ainda há em nós muita coisa má: espírito de discórdia, espírito de vã complacência, espírito de egoísmo… Que a tua presença em nós desmascare estas situações e as expulse. Que saibamos seguir-te no caminho da obediência humilde e amorosa até à Cruz, e assim participarmos também da tua glória. Amen.
Contemplatio
A vocação ao apostolado é um acto do beneplácito divino (Heb 5, 4). É o Pai quem separa do mundo aqueles que destina ao sacerdócio e que os dá ao Filho (Jo 17, 6). Não é o padre que escolhe Jesus; mas é Jesus Cristo quem escolhe o padre e o coloca na sua Igreja, para que aí cresça em ciência, em santidade, em zelo, e que aí produza um fruto duradouro (Jo 15, 16). Nosso Senhor reza longamente antes de chamar os seus apóstolos. Rezemos a Deus como Ele, para que envie dignos operários para a sua vinha. A vocação impõe sacrifícios. É preciso deixar tudo e tomar a sua cruz para seguir Jesus. Acontece mesmo que a vocação encontra na família oposições que é preciso vencer (Lc 14, 26). Os apóstolos deixaram tudo imediatamente para seguirem Jesus. A sua generosidade é uma garantia de salvação e de glória (2Pd 1,10). Deve fortalecer-se a própria vocação pela oração, pelo estudo da boa doutrina e pelas obras santas (2Tes 2). Estejamos nas mãos de Deus para toda a boa obra segundo a sua vontade e o seu apelo. (Leão Dehon, OSP 4, p. 147).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Jesus foi coroado de glória e de honra,


O batismo de Jesus-Dehonianos

Festa do Baptismo do Senhor
9 Janeiro 2017
O Batismo de Jesus no rio Jordão assinala o termo da sua vida de silêncio e obscuridade e inaugura o seu ministério público, anunciando e preparando o seu Batismo “na morte” (Lc 12, 50; Mc 10, 38).
Lectio
Primeira leitura: Isaías 42,1-4.6-7
Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».
O texto que escutamos pertence ao “Livro da Consolação” do Deutero-Isaías (cf. Is 40-55) e consta de duas partes que falam da eleição do “Servo” e da sua missão. A “ordenação” do “Servo” realiza-se através do dom do Espírito. Animado por esse Espírito, o “Servo” irá levar “a justiça às nações”. A figura misteriosa e enigmática do “Servo” apresenta evidentes pontos de contacto com a figura de Jesus… Os primeiros cristãos irão utilizar os cânticos do “Servo” para justificar o sofrimento e o aparente fracasso humano de Jesus. Ele é esse “eleito de Deus”, que recebeu a plenitude do Espírito, que veio ao encontro dos homens com a missão de trazer a justiça e a paz definitivas, que sofreu e morreu para ser fiel a essa missão, que o Pai lhe confiou.
Segunda leitura: Atos dos Apóstolos 10, 34-46
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz aceção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele».
Os “Atos dos Apóstolos” são uma catequese sobre a “etapa da Igreja”, isto é, sobre a forma como os discípulos assumiram o continuaram o projeto salvador do Pai e o levaram – após a partida de Jesus deste mundo – a todos os homens. O nosso texto de hoje está integrado na primeira parte dos “Atos”, onde se apresenta a difusão do Evangelho dentro das fronteiras palestinianas, por ação de Pedro e dos Doze. Insere-se numa perícopa que descreve a atividade missionária de Pedro na planície junto da orla mediterrânica da Palestina. Em concreto, o texto propõe-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia, em casa do centurião romano Cornélio. Convocado pelo Espírito (cf. At 10,19-20), Pedro entra em casa de Cornélio, expõe-lhe o essencial da fé e batiza-o, bem como a toda a sua família (cf. At 10,23b-48). O episódio é importante porque Cornélio é o primeiro pagão a cem por cento a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze: significa que a vida nova, que nasce de Jesus, se destina a todos os homens. No seu discurso, Pedro começa por reconhecer que a proposta de salvação oferecida por Deus e trazida por Cristo é universal e se destina a todas as pessoas, sem distinção de qualquer tipo (vv. 34-36). Israel foi o primeiro recetor da Palavra de Deus; mas Cristo veio trazer a “boa nova da paz” (salvação) a todos os homens que aceitem a proposta e adiram a Jesus.


Evangelho: Marcos 1, 7-11
Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti, e Tu vens ter comigo?». Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi batizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».
A mensagem de João Baptista estava centrada na urgência da conversão e incluía um rito de purificação pela água. Na perspetival do Precursor, os homens deviam arrepender-se; e foi para os chamar ao arrependimento que ele batizou na água. Para João, recusar a conversão, significava ser destruído pela cólera de Deus. Que sentido faz Jesus apresentar-se a João para receber este “batismo” de purificação, de arrependimento e de perdão dos pecados? Para Mateus, o batismo é um momento privilegiado da manifestação de Jesus aos homens: antes de começar a sua atividade, Jesus define-Se e apresenta-Se… O diálogo entre João e Jesus (vv. 14-15) explica porque é que Jesus vem ao encontro de João para ser batizado… Pela resposta de Jesus, fica claro que o seu batismo é um passo necessário para que se cumpra o desígnio salvador de Deus, isto é, a sua vontade. Jesus apresenta-Se como “Filho”, que cumpre rigorosa e absolutamente a vontade do Pai. Ao receber este batismo de penitência e de perdão dos pecados, do qual não precisava, porque Ele não conheceu o pecado, Jesus solidarizou-Se com o homem pecador, assumiu a sua condição, para percorrer com eles o caminho da libertação. Era esse o projeto do Pai, que Jesus cumpriu integralmente.
Meditatio
A liturgia da Festa do Batismo de Jesus tem como cenário de fundo o projeto salvador de Deus. No batismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projeto do Pai, Ele fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado e empenhou-Se em promover-nos, para que pudéssemos chegar à vida em plenitude. A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Investido do Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses não são os esquemas de Deus. No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética: Jesus é o Filho/“Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-Se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude. A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.
No episódio do batismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar e para os inserir numa dinâmica de comunhão e de vida nova. Nessa cena revela-se, portanto, a preocupação de Deus e o imenso amor que Ele nos dedica… É bonita esta história de um Deus que envia o próprio Filho ao mundo, que pede a esse Filho que Se solidarize com as dores e limitações dos homens, e que, através da ação do Filho, reconcilia os homens consigo e fá-los chegar à vida em plenitude. O que nos é pedido é que correspondamos ao amor do Pai, acolhendo a sua oferta de salvação e seguindo Jesus no amor, na entrega, no dom da vida. Ora, no dia do nosso batismo, comprometemo-nos com esse projeto… Temos renovado diariamente o nosso compromisso e percorrido, com coerência, esse caminho que Jesus nos veio propor? A celebração do batismo do Senhor leva-nos até Jesus que assume plenamente a sua condição de “Filho” e que Se faz obediente ao Pai, cumprindo integralmente o projeto do Pai de dar vida ao homem. É esta mesma atitude de obediência radical, de entrega incondicional, de confiança absoluta que eu assumo na minha relação com Deus? O projeto de Deus é, para mim, mais importante de que os meus projetos pessoais ou do que os desafios que o mundo me faz? O episódio do batismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-Se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena. Eu, filho deste Deus, aceito ir ao encontro dos meus irmãos mais desfavorecidos e estender-lhes a mão? Partilho a sorte dos pobres, dos sofredores, dos injustiçados, sofro na alma as suas dores, aceito identificar-me com eles e participar dos seus sofrimentos, a fim de melhor os ajudar a conquistar a liberdade e a vida plena? Não tenho medo de me sujar ao lado dos pecadores, dos marginalizados, se isso contribuir para os promover e para lhes dar mais dignidade e mais esperança? No batismo, Jesus tomou consciência da sua missão (essa missão que o Pai lhe confiou), recebeu o Espírito e partiu em viagem pelos caminhos poeirentos da Palestina, a testemunhar o projeto libertador do Pai. Eu, que no batismo aderi a Jesus e recebi o Espírito que me capacitou para a missão, tenho sido uma testemunha séria e comprometida desse programa em que Jesus Se empenhou e pelo qual Ele deu a vida?
Oratio
Pai santo, “nas águas do Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Batismo: do céu fizestes ouvir uma voz para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres” Por isso, vos louvamos, bendizemos e damos graças e, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos a vossa glória. Ámen. (cf. Prefácio da festa)
Contemplatio
O batismo do Salvador é o último ato da sua longa preparação de trinta anos. Já é publicamente oferecido ao seu Pai na Circuncisão e na Apresentação no Templo, vem ainda oferecer-se nas margens do Jordão. João Baptista, como profeta autorizado de Deus, chama os Israelitas para o batismo de penitência, para os preparar para o reino do Messias. Jesus não tem necessidade do batismo, tal como não tinha necessidade da Circuncisão nem da Apresentação nem do resgate no Templo. Mas vem como vítima e como reparador. Assume sobre si a responsabilidade dos nossos pecados. Quer cumprir toda a lei antiga, que era uma lei de purificação e de preparação. Recebeu o batismo, não para si, mas pelos homens seus irmãos. É mergulhado na água como símbolo de morte e de ressurreição. O seu batismo simboliza e anuncia a sua morte real e a sua ressurreição, enquanto que o nosso exprime somente uma morte espiritual para o pecado e a ressurreição para a vida sobrenatural. S. João queria opor-se ao batismo de Jesus, que nada tem a purificar, mas Jesus responde-lhe que deve cumprir toda a justiça, e entende com isto a justa expiação das nossas faltas. Que viva impressão de sofrimento, mas também de amor pelo seu Pai e por nós o Coração de Jesus deve ter sentido nesta morte simbólica! Que lição de penitência, de caridade, de dedicação! (Leão Dehon, OSP 3, p. 219).
Actio
Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
“Este é o meu Filho bem-amado: escutai-O!” (Mc 9, 6).
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Festa do Baptismo do Senhor (1 Janeiro)


“ESTE É O MEU FILHO AMADO, NO QUAL EU PUS O MEU AGRADO.”- Olívia Coutinho.

 
Dia 09 de Janeiro de 2017
 
Evangelho de Mt3,13-17
 
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos coloca às margens do rio Jordão, precisamente, onde Jesus se misturou aos pecadores para também receber o Batismo de João, um batismo de conversão, o qual  Jesus não precisaria passar, afinal, sendo Deus, é óbvio que Ele não tinha pecado.  
Vendo Jesus aproximar-se dele para receber o Batismo, João se surpreende; a princípio, recusa a batizá-Lo dizendo: “Eu preciso ser Batizado por ti, e tu vens a mim?”( Mt3,13-14). Mas os argumentos de Jesus convence João, e o Batismo de conversão acontece, mesmo não sendo necessário.
Ao entrar na fila para receber o Batismo de João, Jesus assume publicamente a nossa humanidade, estabelecendo desde já, um vínculo de proximidade com os pecadores solidarizando-se com eles! Com este gesto de total humildade, Ele experimenta a fragilidade humana, deixando claro que Ele, na sua trajetória terrena, não faria uso de suas prerrogativas divinas!
No ato do seu Batismo, Jesus se revela totalmente humano, ao “descer” até a fragilidade humana, isto é: descer até a nossa fragilidade para nos elevar!
Já conosco, acontece o inverso: no nosso Batismo, nós subimos,  pois,  ao recebermos o  Batismo, a Divindade entra em nós, deixamos de ser criaturas para nos tornarmos filhos de Deus!
 No Batismo de Jesus, acontece a manifestação da Trindade Divina: O Pai faz uma declaração ao Filho e o Espírito se manifesta Nele de forma visível em forma de pomba, nos mostrando claramente a harmonia entre as três pessoas da Trindade Santa: Pai, Filho, Espírito Santo!
O ponto forte deste acontecimento,  é a declaração de amor e confiança que o Pai transmite ao Filho no momento decisivo de sua vida: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.
Ao sair das águas do rio Jordão, Jesus, ungido pelo Espírito do Senhor que pousou sobre Ele em forma de pomba, apresentando-o à humanidade, Jesus inicia  o seu Ministério, descortinando um mundo novo!
Assim como Jesus, que no momento do seu Batismo, recebeu do Pai uma declaração de amor e confiança que o encorajou para dar início a sua missão, nós também, abastecidos pela força do Espírito Santo que recebemos no nosso Batismo, adquirimos coragem para realizarmos a vontade do Pai, como fez Jesus!
O Batismo de Jesus, é ampliado na vida de cada um de nós, é um chamado a conversão,  a vivencia da fé, a assumirmos o compromisso de servidores e simultaneamente herdeiros do Reino!
É importante termos um entendimento melhor da dimensão do nosso Batismo, o Batismo não deve ser entendido como tradição, como bênção para que uma criança tenha mais saúde, ou para o perdão dos pecados, o Batismo, é compromisso, ele nos insere em Cristo, torna-nos participantes da sua vida!
Quando criança, nossos pais e padrinhos assumem este compromisso, nos orientando no campo da fé, quando crescemos, a responsabilidade passa a ser nossa.
Como Batizados, somos inseridos na família Trinitário convocados a darmos testemunho de Jesus em qualquer circunstancia.
Batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, haveremos de ver repetir no coração da Igreja a mesma manifestação de Deus como no Batismo de Jesus: “ Tu és o meu Filho (a) amado!” 
Participar da Festa do Batismo de Jesus, é fazer memória ao nosso Batismo!
Você guardou a data do seu Batismo? Se não guardou, não fique triste, viva o seu Batismo como se ele tivesse acontecido hoje.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia Coutinho
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