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domingo, 1 de novembro de 2015

Arranjai amigos com o dinheiro desonesto-Dehonianos

07/11/2015

Tempo Comum - Anos Ímpares - XXXI Semana – Sábado

SÁBADO
31ª Semana do Tempo comum
Lectio
Primeira leitura: Romanos 16, 3-9.16.22-27
Irmãos: saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, 4pessoas que, pela minha vida, expuseram a sua cabeça. Não sou apenas eu a estar-lhes agradecido, mas todas as igrejas dos gentios. 5Saudai também a igreja que se reúne em casa deles. Saudai o meu querido Epéneto, o primeiro fruto da Ásia para Cristo. 6Saudai Maria, que tanto se afadigou por vós. 7Saudai Andrónico e Júnia, meus concidadãos e meus companheiros de prisão, que tão notáveis são entre os apóstolos e que, inclusivamente, se tornaram cristãos antes de mim. 8Saudai Ampliato, que me é tão querido no Senhor. 9Saudai Urbano, nosso colaborador em Cristo, e o meu querido Estáquio. 16Saudai-vos uns aos outros com um beijo santo. Saúdam-vos todas as igrejas de Cristo. 22Saúdo-vos eu, Tércio, que escrevi esta carta, no Senhor. 23Saúda-vos Gaio, que me recebe como hóspede, assim como a toda a igreja. Saúda-vos Erasto, o tesoureiro da cidade, e o irmão Quarto. 24A graça do Senhor nosso Jesus Cristo esteja com todos vós! Ámen. 25Àquele que tem o poder para vos tornar firmes, de acordo com o Evangelho que anuncio pregando Jesus Cristo, segundo a revelação de um mistério que foi mantido em silêncio por tempos eternos, 26mas agora foi manifestado e, por meio dos escritos proféticos, de acordo com a determinação do Deus eterno, levado ao conhecimento de todos os gentios, para os levar à obediência da fé, 27ao único Deus sábio, por Jesus Cristo, a Ele a glória pelos séculos! Ámen.
Como é seu costume, Paulo termina a carta aos Romanos com saudações a pessoas a que está ligado por amizade e pela colaboração que lhe prestam. É o caso de Áquila e Priscila, um casal que hospedou Paulo em Corinto e em Éfeso (cf. 1 Cor 16, 19 e Actos 18, 2-3.26). Seguem-se os nomes de outras pessoas. Mas a principal referência, na trama das relações de Paulo, é sempre Cristo: em Cristo e por Cristo é a nota dominante nas saudações e nas recordações. Notemos também o «beijo santo» (v. 16), talvez um gesto litúrgico, símbolo da solidariedade, que os fiéis são convidados trocar entre si.
O texto encerra com uma doxologia centrada no mistério do projecto divino de salvação, «mantido em silêncio por tempos eternos, mas agora manifestado, por meio dos escritos proféticos… llevado ao conhecimento de todos os gentios, para os levar à obediência da fé, ao único Deus sábio, por Jesus Cristo, a Ele a glória pelos séculos! Ámen.» (vv. 25-27).

Evangelho: Lucas 16, 9-15
Naquele tempo: disse Jesus aos seus discípulos: 9«Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. 10Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco também é infiel no muito. 11Se, pois, não fostes fiéis no que toca ao dinheiro desonesto, quem vos há-de confiar o verdadeiro bem? 12E, se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? 13Nenhum servo pode servir a dois senhores; ou há-de aborrecer a um e amar o outro, ou dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» 14Os fariseus, como eram avarentos, ouviam as suas palavras e troçavam dele. 15Jesus disse-lhes: «Vós pretendeis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. Porque o que os homens têm por muito elevado é abominável aos olhos de Deus.
Depois de contar a parábola do administrador desonesto, Jesus toma a palavra para explicitar a doutrina. Primeiro, refere-se à morte, momento no qual o dinheiro perderá todo o seu interesse, pois nos será tirada a administração de qualquer bem (v. 9). Depois, vem o convite à fidelidade, frente ao perigo da infidelidade (vv. 10s.). Trata-se de um discurso sapiencial, com que Jesus procura a nossa adesão livre e alegre ao ideal da pobreza evangélica. Se a caridade não se ligar à pobreza, dificilmente terá as características de um ideal evangélico.
Jesus também enuncia uma verdade apodíctica: «Servo algum pode servir a dois senhores… Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (v. 13). O discípulo de Cristo não tem alternativa. O amor por um implica o ódio pelo outro. O amor por um implica o serviço, porque o amor que não se torna serviço não é verdadeiro. Foi o que Jesus mostrou com a sua vida, antes de o dizer com palavras. 
Por fim, Jesus convida à humildade, diante dos fariseus que se têm por «por justos aos olhos dos homens» (v. 15). Caridade, serviço e humildade não pode separar-se, sob pena de perderem todo o valor diante de Deus.

Meditatio

As saudações de Paulo aos seus amigos, que estão longe, revelam-nos a viva e afectuosa recordação que tem deles, a sua caridade. Mais do que as solenes declarações, são os pequenos gestos do dia a dia que tornam o mundo melhor. Dizer que se ama a todos, pode significar que não se ama a ninguém! O amor de Deus, infundido nos nossos corações, ganha forma nas relações humanas que sabemos estabelecer e cultivar. O mandamento novo incarna nas relações concretas que estabelecemos todos os dias com as mais diversas pessoas. Se não incarnar aí, permanece nas nuvens, é estéril!
O “pouco” que temos entre mãos no dia a dia é o espaço precioso onde se revela a glória do Senhor, e em que actuamos a obediência de fé n´Ele. Deus não saltou a humanidade: assumiu-a. Somos nós que distinguimos matéria e espírito e os obriga-nos a estar em oposição. Mas podemos experimentar a unificação interior no “pouco” que nos é confiado. Viver assim, é a verdadeira riqueza de servir com todas as forças e a alcançar a tudo o custo.
Maria de Nazaré foi um coração fiel no “pouco” e no “muito”, nas pequenas e nas grandes coisas de que foi tecida a sua vida. Ela viveu na fidelidade aos deveres quotidianos, tantas vezes escondidos, tantas vezes vistos com óbvios, mas que podem tornar-se pesados por serem repetitivos. Foi fiel nos grandes eventos da sua vida, ainda que escondidos: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Depois destas palavras «o anjo retirou-se de junto dela». Que se saiba, não houve mais anjos na vida de Maria. Os mensageiros de Deus serão, a partir desse momento, Isabel, os pastores, o velho Simeão. Mas a sua fidelidade não irá terminar ou diminuir, nem no Calvário, onde oferecerá ao Pai o dom mais precioso, a vida do Filho. Tendo sido fiel nos pequenos e gestos de amor de cada dia, foi fiel no gesto supremo. Que nos alcance de Deus idêntica fidelidade!
Oratio
Senhor, infunde no meu coração a atenção, o respeito, a amizade com que tratavas todos quantos Te buscavam ao longo dos caminhos da Palestina. Ensina-me e ajuda-me a estabelecer relações, laços de amizade, com a intensidade única da tua humanidade. Que a beleza do teu amor, concretizada de modo simples e natural, em todas as circunstâncias, me seduza e leve a imitar-Te nas minhas relações com os outros. Amen.

Contemplatio
Jesus é fiel na sua amizade, morreu por nós. Não foi fiel também na sua amizade por nós? Pôde provocar-nos a uma luta de amizade e pretender ao primeiro lugar: «Ninguém ama mais, diz, do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos» (Jo 15). Foi o primeiro a dar a vida por nós. Esta fidelidade tocou profundamente S. João, quando escreve, narrando a Ceia: «Jesus amou os seus até ao fim» (Jo 13). Tinha-nos dado o seu Coração, não o retomou. Nosso Senhor pode dizer-nos: «A minha fidelidade para convosco custou-me todo o meu sangue. Constitui a minha glória, é para mim um título de honra, como o exprimi no Apocalipse: Aquele que estava a cavalo chamava-se o Fiel e o Verdadeiro (Ap 19). – Sede orgulhosos também da vossa fidelidade. Fazei dela um título de glória. Os vossos mais caros interesses dependem dela e a minha amizade é o seu preço». Sejamos fiéis, se quisermos escutar um dia esta sentença: «Vinde, servo bom e fiel, a vossa fidelidade será recompensada, entrai na alegria do Senhor» (Mt 25). Nosso Senhor não faria por nós o que Deus pedia aos justos da Antiga Lei: «Se tiverdes um servo fiel, que ele seja como do vosso sangue; tratai-o como irmão» (Eccli 34). Mas nós, nós já não somos servos, mas amigos (cf. Jo 15). Isto aplica-se particularmente aos padres. É deles sobretudo que Jesus espera a fidelidade que convém aos amigos. Se formos fiéis, o olhar amável de Jesus não nos deixará (cf. Sl 100). Seremos a sua consolação e a sua alegria: «Nada é comparável a um amigo fiel, um amigo fiel é o remédio para as penas da vida» (Eccli 6, 15). Depois de tudo o que Jesus fez por nós, depois das provas de amizade que o seu divino Coração nos deu, especialmente na sua paixão, na santa Eucaristia, na nossa vocação privilegiada, não tem o direito de contar que seremos para Ele amigos fiéis? Que faremos na prática? Devemos examinar-nos primeiro e arrepender-nos. Fomos tão pouco fiéis até ao presente! Infiéis à graça e às divinas inspirações que negligenciámos; infiéis aos nossos deveres de estado; infiéis às nossas promessas mais sagradas, que muitas vezes violámos. Peçamos esta fidelidade que nos falta. Peçamo-la por Maria, a Virgem fiel entre todas. Digamos com Santo Agostinho: «Senhor, fazei-me perseverar nas obras que a vossa vontade pede de mim» (Med 12). A fidelidade é a garantia das consolações divinas e da glória celeste. «Sede fiéis e perseverantes, diz a Imitação, sede firmes e corajosos, e a consolação vos chegará no seu tempo» (Liv 3, c. 31). (Leão Dehon, OSP 4, p. 499s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Ao único Deus sábio, por Jesus Cristo, 
a glória pelos séculos! Ámen.» (Rm 16, 26).


O administrador esperto-Dehonianos

06/11/2015

Tempo Comum - Anos Ímpares - XXXI Semana - Sexta-feira

SEXTA-FEIRA

31ª Semana do Tempo comum
Lectio
Primeira leitura: Romanos 15, 14-21
Irmãos: no que vos toca, estou pessoalmente convencido de que vós próprios estais cheios de boa vontade, repletos de toda a espécie de conhecimento e com capacidade para vos aconselhardes uns aos outros. 15Apesar disso, escrevi-vos, em parte, com um certo atrevimento, como alguém que vos reaviva a memória. Faço-o em virtude da graça que me foi dada: 16ser para os gentios um ministro de Cristo Jesus, que administra o Evangelho de Deus como um sacerdote, a fim de que a oferenda dos gentios, santificada pelo Espírito Santo, lhe seja agradável. 17É, pois, em Cristo Jesus que me posso gloriar de coisas que a Deus dizem respeito. 18Eu não me atreveria a falar de coisas que Cristo não tivesse realizado por meu intermédio, em palavras e acções, a fim de levar os gentios à obediência, 19pela força de sinais e prodígios, pela força do Espírito de Deus.Foi assim que, desde Jerusalém e, irradiando até à Ilíria, dei plenamente a conhecer o Evangelho de Cristo. 20Mas, ao fazê-lo, tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio. 21Pelo contrário, fiz conforme está escrito: Aqueles a quem ele não fora anunciado é que hão-de ver e aqueles que dele não ouviram falar é que hão-de compreender.

Paulo justifica delicadamente o «certo atrevimento» com que se dirigiu aos Romanos (v. 15). Reconhece que estão «cheios de boa vontade, repletos de toda a espécie de conhecimento», que têm capacidade para se aconselharem uns aos outros, segundo o pensamento do Senhor (v. 14). O Apóstolo limita-se a reavivar-lhes a memória sobre o que já sabem (cf. v. 15). Fala da sua missão de pregador como de um serviço litúrgico (v. 16). Paulo é o liturgo de Cristo, encarregado de um «ofício sagrado» que consiste na «oblação» a Deus daqueles a quem pregou o Evangelho. É assim que presta culto a Deus, tal como tinha lhes tinha recomendado (Rm 12, 1). Este culto é paga da «dívida» (cf. 1, 14) a Cristo, de que Paulo tem plena consciência, pela graça d´Ele recebida. Assim, com a «fraqueza» que lhe é própria, o Apóstolo corresponde à força do Evangelho. O seu apostolado, por «palavras e acções», é confirmado com a «força de sinais e prodígios, com a força do Espírito de Deus» (v. 19).

Evangelho: Lucas 16, 1-8
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:«Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este foi acusado perante ele de lhe dissipar os bens. 2Mandou-o chamar e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar.’ 3O administrador disse, então, para consigo: ‘Que farei, pois o meu senhor vai tirar-me a administração? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. 4Já sei o que hei-de fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando for despedido da minha administração.’ 5E, chamando cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’ Ele respondeu: 6‘Cem talhas de azeite.’ Retorquiu-lhe: ‘Toma o teu recibo, senta-te depressa e escreve cinquenta.’ 7Perguntou, depois, ao outro: ‘E tu quanto deves?’ Este respondeu: ‘Cem medidas de trigo.’ Retorquiu-lhe também: ‘Toma o teu recibo e escreve oitenta.’ 8O senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes.»

Só tendo presente o contexto de todo o capítulo, que tem o seu centro no v. 14, «Os fariseus, como eram avarentos, ouviam as suas pala¬vras e troçavam dele», podemos compreender o pensamento de Jesus nesta parábola. A primeira parábola (vv. 1-8) ensina o modo correcto de usar os bens; a segunda parábola (vv. 19-31) ensina como não devem ser usados. Em ambas, a lição recai sobre o amor ao dinheiro.
Na primeira parábola, o louvor do administrador infiel pode causar espanto ou mesmo escândalo; mais adiante Lucas compara Deus a um juiz injusto (Lc 18, 1-8); em Mt 10, 16, os discípulos são convidados a ser espertos como as serpentes. Mas não havemos de nos escandalizar: Jesus não nos dá por modelo um qualquer vigarista ou fulano astuto. Pelo contrário, lembra-nos que somos responsáveis pelos bens que não são exclusivamente nossos, mas que devemos considerar dons de Deus e, portanto, tratar com prudência e com audácia dignas de filhos de Deus.
Ao fim e ao cabo, Jesus quer que os filhos da luz, na sua caminhada terrena, sejam mais sagazes do que os filhos deste mundo (v. 8b). A sagacidade de que fala Jesus é directamente funcional ao desejo e à consecução do verdadeiro bem.

Meditatio
Esta parábola de Jesus pode deixar-nos bastante desorientados. Parece insinuar que o fim justifica os meios, que saber desenrascar-se é preferível à honestidade. São palavras provocantes que havemos de escutar em profundidade. Para isso, será bom darmos atenção às palavras com que o Senhor conclui a parábola: «os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes» (v. 8). Há o modo engenhoso de quem, para praticar desonestidades, recorre a análises, a iniciativas, à entrega pessoal. Talvez os discípulos do Senhor nem sempre recorram aos mesmos meios para obter fins honestos, cedendo facilmente diante dos imprevistos, das dificuldades. Jesus não louva a desonestidade do administrador, mas a esperteza com que soube encontrar, numa situação difícil, uma solução que lhe permitiu continuar uma vida cómoda, egoísta. 
Deixemo-nos interpelar e verifiquemos a qualidade do nosso discipulado. Quantas vezes baixamos os braços dizendo: «Não é possível… com este povo! Não há nada a fazer nesta sociedade em que vivemos!». Os santos não reagem assim. As dificuldades levam-nos a procurar soluções e a encontrá-las, porque só estão preocupados com o projecto de Deus, e o seu amor é desinteressado, generoso, criativo: «Águas caudalosas não podem apagar o amor, nem os rios o podem submergir» (Cant 8, 7).
É o que verificamos em Paulo, com a sua apaixonada e extenuante corrida evangelizadora. Ser discípulos de Cristo significa ser homens e mulheres criativos, generosos, corajosos. Essa criatividade, generosidade e coragem vêm-lhes da relação íntima com o Senhor, renovada cada dia. É preciso que Ele viva em nós. É preciso que estejamos activamente com Ele e com os irmãos n´Ele. Então, todas as peças do puzzl da nossa existência se integram harmoniosamente, de modo que a nossa vida se torne louvor do Senhor.
A actividade missionária constitui, para o Pe. Dehon e para nós, uma forma privilegiada de serviço apostólico. Nela, como nas outras actividades apostólicas, a sua preocupação constante, tal como para Paulo, é que a comunidade humana, santificada pelo Espírito Santo, se torne uma oblação agradável a Deus (cf. Rm 15,16).

Oratio
Vem Espírito Santo, força criadora de Deus! Ensina-me a fantasia e a criatividade do amor no seguimento de Jesus, na generosidade para com Ele e para com os irmãos. Ilumina-me, Espírito divino, para que saiba discernir o bem e realizá-lo com criatividade, generosidade, coragem. Que a minha vida seja uma oblação, que Te dê glória e alegria. Que a humanidade e a criação inteira, também com a minha humilde cooperação, se torne para Ti oblação viva, santa e agradável. Amen.

Contemplatio
O zelo não é mais do que o florescer da caridade. Amando ardentemente a Nosso Senhor, cultivamos o zelo pela sua casa, pelo seu culto e serviço, o zelo pelas almas. O zelo assume formas diversas consoante o espírito e a finalidade de cada Instituto. O objecto do nosso zelo é o reino do Coração de Jesus. Este reino é muito vasto; é universal. Mas tem naturalmente exigências especiais e mais urgentes. Nosso Senhor quer santuários dedicados à reparação, Betânias onde possa repousar e encontrar amor e consolação, no meio da indiferença geral e da tibieza até de uma parte do povo eleito. Devemos desejar tais santuários, como David desejava o templo do Senhor: Não deixarei dormir os meus olhos..., enquanto não encontrar um lugar para o Senhor, um santuário para o Deus de Jacob (Si 132, 4-5). A mínima esperança de ter estes santuários deve encher-nos de alegria: ouvimos dizer que (a arca) estava em Éfrata (Si 132, 6). Nas obras de apostolado, devemos preferir as que podem ser mais queridas ao Coração de Jesus: o serviço dos sacerdotes, a sua formação e santificação, a educação das crianças e a dedicação aos operários e aos pobres. Servimos mais directamente o Senhor, sempre que nos dedicamos àqueles a respeito dos quais Jesus afirmou: Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes estas coisas a um só destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes (Mt 25, 40). (Leão Dehon, DIRECTÓRIO ESPIRITUAL, edição portuguesa, n. 199)

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Águas caudalosas não podem apagar o amor» (Cant 8, 7).


Jesus como com os pecadores-Dehonianos

05/11/2015


Tempo Comum - Anos Ímpares - XXXI Semana - Quinta-feira

QUINTA-FEIRA
31ª Semana do Tempo comum
Lectio
Primeira leitura: Romanos 14, 7-12
Irmãos: de facto, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum morre para si mesmo. 8Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos. Ou seja, quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos. 9Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos. 10Mas tu, porque julgas o teu irmão? E tu, porque desprezas o teu irmão? De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus, 11pois está escrito:Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor, todo o joelho se dobrará diante de mim e toda a língua dará a Deus glória e louvor. 12Portanto, cada um de nós terá de dar contas de si mesmo a Deus.
«Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos» (v. 8). O baptizado tornou-se pertença do Senhor, colocou-se do lado de Jesus, que Se tornou o Senhor da sua vida. O seu modo de viver há-de inspirar-se nessa realidade, nesse sentido de pertença ao Senhor. E «cada um de nós terá de dar contas de si mesmo a Deus» (v. 12). Por isso, o cristão há-de viver pelo Senhor e para o Senhor, ultrapassando preconceitos no modo de acolher a diversidade e a fraqueza. A melhor hospitalidade é acolher o outro, o próximo, o irmão. Ninguem deve fechar-se na sua concha. Pelo contrário, respeitando os caminhos pessoais, somos todos chamdos a abrir-nos a relações de caridade, de que Cristo é, ao fim e ao cabo, a fonte.

Evangelho: Lucas 15, 1-10

Naquele tempo, aproximavam-se de Jesus todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem. 2Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.» 3Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
4«Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? 5Ao encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros 6e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.’ 7Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.» 8«Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? 9E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.’ 10Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.»

Estamos no coração do evangelho de Lucas. É no capítulo 15 que o segundo evangelista concentra a mensagem principal da sua obra: o evangelho da misericórdia. Ao mesmo tempo, Lucas aproxima-se o mais possível do Jesus histórico, que veio anunciar e incarnar, no meio de nós, o amor misericordioso do Pai.
Lucas começa por apresentar o contexto histórico (vv. 1-3) em que Jesus contou as três parábolas. Os publicanos e pecadores vinham «para o ouvirem» (v. 1). Os fariseus e os escribas «murmuravam» contra ele. As parábolas da ovelha perdida e da dracma perdida – com a do pai misericordioso, que Jesus apresenta como ícone de Deus-Pai – devem ser interpretadas à luz desse contexto histórico, pois iluminam a situação daquilo ou de quem estava perdido e a alegria de quem pôde encontrar o que estava perdido.
A alegria do homem serve para falar da alegria de Deus. Lucas sublinha três vezes essa alegria do Pai, que tanto amou o mundo que lhe deu o seu Filho, tirando desse dom a máxima alegria para Si.

Meditatio
Quantas vezes, andamos angustiados com a nossa vida e com a perspectiva da morte. Mas, se estamos em Cristo, se somos de Cristo, não há que temer. «Como todos morrem em Adão, assim em Cristo todos voltarão a receber a vida. Mas cada um na sua própria ordem: primeiro, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.» (1 Cor 15, 22-23). Mais do que viver ou morrer, importar “pertencer a Cristo”, ser de Cristo, praticar a caridade para com o irmão. O resto, que é muitíssimo, porque é “voltar a receber a vida”, vem em consequência.
A parábola do “bom pastor” quer ensinar-nos a paixão de Deus pela vida de cada homem. Ele não sossega enquanto não encontrar aquele que se afastou d´Ele, que se perdeu. Ao encontrá-lo, transborda de alegria e convida à festa. Talvez seja esta a mensagem que espero: Alguém interessa-Se por mim. O meu Criador não deseja mais nada senão saber se estou vivo e em segurança.
Tenho que estar disponível para me deixar encontrar, para “ver” a alegria de Deus por minha causa. Então posso compreender algo sobre a beleza da vida, que não é terreno a explorar o mais possível, mas dom a celebrar. Deus deu-me a vida e faz tudo para que a viva em plenitude, e faz tudo para que continue a vivê-la para além da morte. É a sua misericórdia! Vivendo n´Ele e por Ele, a vida terá sentido e sabor. Com Ele aprendo a não obstaculizar a vida dos outros e a “dar” a minha própria vida, imitando a sua misericórdia. 
As riquezas espirituais foram comparadas à chama. Uma chama nada perde ao comunicar-se. Pelo contrário, cresce e irradia luz e calor. Quem a quiser esconder, corre o risco de a apagar, por falta de oxigénio. O mesmo sucede com as riquezas espirituais. Recordemos que, na primitiva Igreja de Jerusalém, a comunhão de bens, além de unir os corações, provocava «favor de todo o povo» (Act 2, 47). Para nós, filhos do Pe. Dehon, trata-se de pôr o que somos e temos ao serviço da construção de um mundo mais justo e mais humano, em solidariedade especialmente com os mais pobres, os oprimidos, os explorados, o mais desprotegidos e marginalizados. O nosso carisma profético exige de nós uma presença religiosa no mundo, nas necessidades humanas e espirituais dos homens, sobretudo dos mais pobres material e espiritualmente.

Oratio
Senhor, faz-me compreender profundamente aquela atitude de espírito, que me impede de ser orgulhoso, de me apoiar em mim mesmo, e me faz abandonar nas tuas mãos, com tudo o que sou e faço, sabendo que tudo me vem de Ti e que, na partilha com os outros, multiplico os bens que me deste. Ajuda-me a não julgar os outros. Ajuda-me a repartir com todos o bem precioso da misericórdia, que usas para comigo, certo de que nada perderei, mas muito mais hei-de receber, porque é dando que se recebe. Amen.

Contemplatio
O bom Pastor tem um coração cheio de afecto e de dedicação pelas suas ovelhas (Jo 10). Conhece-as pelo seu nome e elas seguem-no. Dá a vida para as salvar: «Dou a minha vida pela glória de meu Pai, diz o Salvador, porque o amo e ele ama-me porque dou a minha vida pela sua glória (Jo 10, 17). Ora bem, dou também a minha vida pelas minhas ovelhas, pela sua salvação eterna. Assim, as minhas verdadeiras ovelhas conhecem-me e amam-me». Sou do número destas verdadeiras ovelhas, que amam ardentemente o Bom Pastor do tabernáculo? Infelizmente não, sou uma pobre ovelha imprudente, que erra pelos bosques expostos aos animais ferozes. E o Bom Pastor quer procurar-me, chama-me, quer pegar-me nos seus ombros, perto do seu coração. Será uma grande alegria para ele encontrar-me, comunicará aos seus amigos, convidá-los-á a alegrarem-se com ele (Lc 15). Posso ler esta parábola do Salvador e ficar indiferente? Ele chama-me, espera-me, está triste pela minha ausência, pela minha frieza, pela minha indiferença. Oh! Como o Salvador tem um Coração amoroso e como eu tenho um coração duro! Senhor, fazei violência ao meu coração. (Leão Dehon, OSP 3, 18s.).
Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Se vivemos, é para o Senhor que vivemos
se morremos, é para o Senhor que morremos» (Rm 14, 8


Condições para seguir Jesus-Dehonianos

04/11/2015

Tempo Comum - Anos Ímpares - XXXI Semana - Quarta-feira

QUARTA-FEIRA
31ª Semana do Tempo comum
Lectio
Primeira leitura: Romanos 13, 8-10
Caríssimos, não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei. 9De facto: Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, bem como qualquer outro mandamento, estão resumidos numa só frase: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 10O amor não faz mal ao próximo. Assim, é no amor que está o pleno cumprimento da lei.
Há uma dívida que jamais havemos de nos cansar de pagar: o amor recíproco. O amor resume os mandamentos e é o pleno cumprimento da lei (cf. v. 9). Paulo dedica um largo espaço a avaliar criticamente a função da lei. Mas, para que a justiça da lei se cumpra, há um só caminho, o amor gratuito de Cristo, que veio exactamente para cumprir e não para abolir. Este amor não fecha os olhos diante das «rivalidades e contendas» (1 Cor 3, 3), mas não paga o mal com o mal, nem se deixa vencer por ele, mas vence-o com o bem. Cristo deu-nos exemplo desse amor. Devemos conformar-lhe a nossa vida, para podermos participar na plenitude de Deus. Uma vez que Cristo resume e cumpre a lei, é também Ele que resume e cumpre a nossa humanidade.

Evangelho: Lucas 14, 25-33

Naquele tempo, seguiam com Jesus grandes multidões; ele, voltando-se para elas, disse-lhes: 26«Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo. 28Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? 29Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, 30dizendo: ‘Este homem começou a construir e não pôde acabar.’ 31Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? 32Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz. 33Assim, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.»

Depois de deixar a casa do fariseu, Jesus encontra-se com a multidão. E o seu discurso torna-se mais íntimo e radical. No texto de hoje, temos duas parábolas (vv. 28-32), precedidas (vv. 25-27) e seguidas por dois convites à renúncia (v. 33). Ambas as parábolas convidam à reflexão antes de empreender qualquer iniciativa, para nos darmos conta se temos capacidade para as terminar. Há que evitar a ligeireza e a temeridade. Uma vez que se decidiu, também é preciso avançar com fidelidade: um fracasso devido à indecisão ou à saudade seria imperdoável. Também o seguimento de Jesus, no caminho que o leva decididamente para Jerusalém e para o Calvário, é uma empresa muito exigente pela qual é preciso jogar toda a vida. É sobre esta realidade que se fundamenta o convite inicial e final desta página evangélica, onde lemos uma das mais radicais exigências de Jesus.
“Odiar” o pai e a mãe, carregar a cruz e seguir Jesus, renunciar a todos os bens (vv. 26s., e 33), são algumas das exigências que não deixam margem para dúvidas. Pelo contrário, o seu carácter paradoxal fere a nossa sensibilidade e leva-nos a gritar de escândalo. Mas isso seria um modo, mais ou menos elegante, de nos subtrairmos ao convite de Jesus, para continuarmos a fazer o que nos é mais fácil.

Meditatio
«Quem ama o próximo cumpre plenamente a lei… qualquer outro mandamento, está resumido numa só frase: Amarás o teu próximo como a ti mesmo..» (v. 10). Caminhar para esta meta e atingi-la, enche-nos de alegria e de gratidão para com Deus. O evangelho, que hoje escutamos, insiste na lei do amor: «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo» (v. 26). Esta exigência de Jesus, em algumas traduções, está expressa com o verbo “odiar”: «Se alguém vem ter comigo e não odeia o seu pai… não pode ser meu discípulo». Ficamos confusos: será que, para amar, é preciso odiar. A actual tradução parece melhor: Não se trata de odiar alguém, mas de amar mais a Jesus, de amá-lo acima de tudo e todos. Só assim se pode ser seu discípulo. Posta a questão em termos de amor, muitos terão ficado entusiasmados, julgando que se tratava de coisa fácil, ao alcance de todos. Mas Jesus tira-nos todas as ilusões. Voltando-se para as multidões O seguiam, Jesus disse-lhes «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai… não pode ser meu discípulo» (v. 26). Para ser discípulo, não basta um amor qualquer. Jesus exige um amor muito forte, um amor decidido, disposto a opções nem sempre fáceis. Por isso, há que calcular bem as nossas capacidades, antes de tomar a decisão de se tornar discípulo do Senhor. Jesus ilustra essa necessidade com duas comparações: a de alguém quer pretende construir uma torre, e se põe a calcular se tem com que a concluir, e a de alguém que se prepara para a guerra e calcula se tem homens e armas suficientes para alcançar a vitória. E conclui: «Assim, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo» (v. 33). Encontramo-nos perante um dilema entre o amor e o desapego. Se pensarmos bem, Jesus, ao dar-nos a lei do desapego, dá-nos as condições para o verdadeiro amor. Não se trata de renunciar a todo o amor, mas ao amor possessivo. De facto, Jesus pede-nos para O amarmos mais que ao pai e restante família, e mais do que à nossa própria vida (cf. v. 26). Jesus percorreu, antes de nós, esse caminho do desapego, e deu-nos exemplo do verdadeiro amor, capaz de todos os sacrifícios, um amor que leva ao dom da própria vida e aceita a humilhação para realizar os desígnios de Deus. Viver um tal amor está para além das nossas forças humanas. Mas Jesus convida-nos a procurar esse amor, e a força para o viver, no seu próprio coração. Com o Coração de Jesus, podemos amar como Ele amou.


Oratio
Senhor, só a tua graça me pode permitir experimentar um amor semelhante àquele que demonstras por mim. O amor que me propões é maior que o oceano, cujos limites desconheço, e que me parece impossível de sulcar. As tuas propostas são claras, e sem qualquer engano. Também não queres que me engane a mim mesmo, com os meus entusiasmos fáceis. Ajuda-me a reflectir antes de Te dizer: «Eis-me aqui!». Apoia-me com a tua graça. Tu queres-me protagonista responsável da minha própria história. Só o teu amor me torna pessoa humana. Só o teu amor me dá a plenitude que tanto procuro, o amor que aprendo de Ti, ao seguir-te como discípulo, o amor com que procuro amar os meus irmãos. Obrigado, Senhor! Amen.

Contemplatio
«Em verdade vos digo, responde Nosso Senhor, para vós que deixastes tudo e que me seguistes, quando no dia da regeneração o filho do homem estiver sentado sobre o trono da sua glória, também vós estareis sentados sobre doze tronos para julgardes as doze tribos de Israel; e ninguém terá deixado casa, irmãos, irmãs, ou pai, mãe, mulher ou filhos, ou terras por minha causa, que não receba cem vezes e muito mais neste mundo, com perseguições, e no século que há-de vir, a vida eterna». Desde esta vida, as almas desapegadas encontram o cêntuplo. Deus faz-se o seu pai e Maria a sua Mãe. Encontram irmãos e irmãs naqueles que fizeram como eles. Estas almas são felizes mesmo nas perseguições e nas tribulações: felizes por tudo darem, por tudo sofrerem, por se assemelharem mais completamente ao Bom Mestre; felizes por suportarem como Ele o ódio e a perseguição. Mas será no céu sobretudo que a sua recompensa será grande. O sacrifício que fizeram dá-lhes o direito de entrarem. É uma segurança para a eternidade; e lá em cima julgarão com Nosso Senhor aqueles que ficaram agarrados aos bens do mundo, aqueles que conservaram uma alma partilhada e toda manchada de concupiscências. Ambicionemos a via estreita. Bem poucos têm a coragem de nela se empenharem, diz Nosso Senhor; peçamos-lhe o favor de sermos desses. (Leão Dehon, OSP 4, p. 106s.).

Actio
Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
«Se alguém não me tem mais amor que ao seu pai e família,
não pode ser meu discípulo"

Deus é amor gratuito-Dehonianos

03/11/2015
Tempo Comum - Anos Ímpares - XXXI Semana - Terça-feira
TERÇA-FEIRA

31ª Semana do Tempo comum
Lectio
Primeira leitura: Romanos 12, 5-16a
Irmãos: os muitos que somos formamos um só corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros que pertencem uns aos outros. 6Temos dons que, consoante a graça que nos foi dada, são diferentes: se é o da profecia, que seja usado em sintonia com a fé; 7se é o do serviço, que seja usado a servir; se um tem o de ensinar, que o use no ensino; 8se outro tem o de exortar, que o use na exortação; quem reparte, faça-o com generosidade; quem preside, faça-o com dedicação; quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria. 9Que o vosso amor seja sincero. Detestai o mal e apegai-vos ao bem. 10Sede afectuosos uns para com os outros no amor fraterno; adiantai-vos uns aos outros na estima mútua. 11Não sejais preguiçosos na vossa dedicação; deixai-vos inflamar pelo Espírito; entregai-vos ao serviço do Senhor. 12Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração. 13Partilhai com os santos que passam necessidade; aproveitai todas as ocasiões para serdes hospitaleiros. 14Bendizei os que vos perseguem; bendizei, não amaldiçoeis. 15Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. 16Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros

Anunciado o Evangelho da salvação (cf. Rm 1, 18 a 11, 36), Paulo passa a exortar a comunidade de Roma a viver de acordo com esse mesmo Evangelho (Rm 12, 1 a 15, 13). Se Deus é amor gratuito, devemos conceber a vida como dom. Da graça à gratuidade. Da “cháris” à “charísmata”. Os cristãos são os membros de um só corpo, o corpo de Cristo. Cada membro recebe uma manifestação da graça, um dom, e um modo específico de viver a gratuidade. O importante é que todos entendam o dom como dom, para o bem comum (cf. 1 Cor 12, 7), em vista da edificação da comunidade, e não como posse de algo em proveito próprio. Assim, uns com os outros, caminhamos juntos para a plena humanidade de Cristo (cf. Ef 4, 11-16). Sendo assim, é preciso cultivar a humildade e a caridade. A humildade consiste na justa avaliação de si mesmo (cf. Rm 12, 3), para servir o Senhor na comunidade, cumprindo cada um a sua parte com interesse e simplicidade. A caridade é o modo e o fim do serviço: a atitude de bendizer cada pessoa, uma compaixão que partilha os sentimentos do outro, fazendo próprias as suas alegrias e sofrimentos, confiando-se de modo sereno e perseverante à oração que atravessa os períodos de tribulação e de esperança. Para animar o mais íntimo da nossa existência, a caridade deve ser sem hipocrisia (v. 9).
Evangelho: Lucas 14, 15-24
Naquele tempo, disse a Jesus um dos que estavam com ele à mesa: 15«Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!» 16Ele respondeu-lhe:«Certo homem ia dar um grande banquete e fez muitos convites. 17À hora do banquete, mandou o seu servo dizer aos convidados: ‘Vinde, já está tudo pronto.’ 18Mas todos, unanimemente, começaram a esquivar-se. O primeiro disse: ‘Comprei um terreno e preciso de ir vê-lo; peço-te que me dispenses.’ 19Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e tenho de ir experimentá-las; peço-te que me dispenses.’ 20E outro disse: ‘Casei-me e, por isso, não posso ir.’ 21O servo regressou e comunicou isto ao seu senhor. Então, o dono da casa, irritado, disse ao servo: ‘Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos.’ 22O servo voltou e disse-lhe: ‘Senhor, está feito o que determinaste, e ainda há lugar.’ 23E o senhor disse ao servo: ‘Sai pelos caminhos e azinhagas e obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia.’ 24Pois digo-vos que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete.»

Lucas passa espontaneamente de um banquete humano ao banquete escatológico. Por isso, liga a parábola ouvida ontem à de hoje, introduzindo a expressão: «Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!» (v. 15). Trata-se da participação na comunhão com Deus, quando da «ressurreição dos justos»: a dimensão escatológica da nossa fé e da nossa experiência é mais do que evidente.
A parábola refere vários convites e várias recusas daqueles que não compreenderam a novidade da presença de Jesus, nem sentiram necessidade da salvação. É interessante sublinhar como nesta parábola está delineada a história da salvação: a cada convite e a cada recusa pode-se quase pensar que correspondam outras tantas fases de uma história visitada por Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
O momento culminante da parábola parece ser a palavra do dono da casa: «Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos» (v. 21). Equivale a dizer que, no banquete messiânico, irão tomar parte os excluídos e serão excluídos os que a ele teriam direito. Confirma-se mais uma vez a lei da Nova Aliança, a bondade de Deus, o objectivo central da mensagem e da presença de Jesus no meio de nós.

Meditatio
Deus criou-nos à sua imagem e semelhança. Somos “uno”, não como indivíduos, mas na comunhão, no dom recíproco. Cada um de nós é único. Se não escutarmos o apelo ao dom de nós mesmos, os outros ficam empobrecidos. Dar e dar-se, não é um gesto de magnanimidade, mas a modalidade própria de ser pessoas humanas verdadeiras. Somos puro dom de Deus, com a colaboração dos nossos pais, educadores, catequistas e tantos outros. Só nos realizamos tornando-nos dom para Deus e para os outros. Deus chama-nos a redescobrir e a viver esta fundamental vocação humana. Descobri-la é tanto mais urgente quanto mais sentimos em nós, e à nossa volta, vazios de humanidade.
O evangelho esclarece estas afirmações, que recolhemos em Paulo. Jesus faz-nos compreender a mesquinhez do nosso coração, quando não está disponível para acolher os seus dons. O que o «dono da casa» mostra não é exigência mas generosidade. O dono da casa é imagem de Deus que quer encher-nos com os dons da sua munificência. Mas nós preferimos as nossas pequenas e perecíveis coisas.
O grande banquete é a ceia da caridade divina oferecida a quem tem um coração grande, e não para quem se agarra aos bens terrenos com um amor possessivo, sufocante. 
«Comprei um terreno… Comprei cinco juntas de bois…Casei-me». São os nossos afectos limitados, vividos de modo possessivo, com todas as preocupações que daí derivam. Deus, pelo contrário, convida-nos ao banquete da caridade universal. É o banquete que vivemos em cada eucaristia, se nela participamos de coração aberto, apenas atentos às preocupações divinas e prontos a receber com alegria e gratidão os seus dons.
Se assim vivermos as nossas eucaristias, elas não serão um dever pesado, mas uma necessidade de amor, para pormos ao serviço dos outros as graças que recebemos, conforme a exortação de Paulo: «se um tem o dom da profecia, que seja usado em sintonia com a fé; se é o do serviço, que seja usado a servir; se um tem o de ensinar, que o use no ensino; se outro tem o de exortar, que o use na exortação; quem reparte, faça-o com generosidade; quem preside, faça-o com dedicação; quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria» (vv. 7-8). «Testamento do amor de Cristo que se entrega para que a Igreja se realize na unidade e assim anuncie a esperança ao mundo, a Eucaristia reflecte-se em tudo o que somos e vivemos.» (Cst 81). A Eucaristia leva-nos a dar-nos com generosidade e gratuidade, até porque fomos criados de tal modo que ninguém se basta a si mesmo, e todos precisamos uns dos outros. Somos “uno” na comunhão, no dom recíproco, à maneira de Deus, que é uno e trino, Unidade na Trindade. A Eucaristia é um excelente meio para vivemos a unidade na comunhão.

Oratio
Senhor, meu Deus, purifica-me do individualismo, que tantas vezes me fecha em mim mesmo, e não me deixa disponível para acolher os teus dons, nem reparti-los com os irmãos. Tu és Amor, Tu és Comunhão. Por isso, és Alegria, és Festa. Dá-me disponibilidade para acolher o teu convite, entrar na tua casa, e viver como membro do corpo do teu Filho Jesus Cristo. Apoia o meu compromisso em viver na caridade, amando a todos com um amor verdadeiramente fraterno. Manda-me sobre mim o teu Espírito, que me ponha em sintonia com a tua vontade e com o coração dos outros. Amen.
Contemplatio
Ó prodígio inaudito! O Senhor supremo faz-se alimento da sua pobre e miserável criatura! Enquanto comiam, nesta noite da última Ceia, Jesus estava sentado com os seus discípulos. - Ergue os olhos para o seu Pai e recolhe-se numa ardente oração. Está como que transfigurado. - Consideremos o céu aberto acima da sua cabeça: os Anjos admirados tremem de alegria e de temor... de alegria: a Eucaristia inflamará e santificará tantos corações! Acenderá no seio da Igreja uma tal fogueira de dedicação e de amor!... Escutemos as palavras de Jesus: «Tomai e comei, isto é o meu corpo; bebei, isto é o meu sangue...». - Eu vos saúdo, ó verdadeiro corpo, nascido da Virgem Maria! Verei os apóstolos aproximarem-se, tomarem o seu lugar nesta primeira comunhão... Maria, a Mãe bem-amada de Jesus! Quem poderia dizer o ardor da sua caridade! É o seu Filho que ela recebe! É a carne, é o sangue que ela lhe deu! Correntes de amor sobem para o céu nos transportes desta casta união, destes santos arrebatamentos. «Fazei isto em minha memória», acrescenta Jesus, e os seus apóstolos são feitos sacerdotes para a eternidade. Unamo-nos ao seu acto de fé e de amor. (Leão Dehon, OSP 3, p. 481s.).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!» (Lc 14, 15).


Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos-Dehonianos

02/11/2015
Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos
Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos
TERCEIRA MISSA

Tema da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

A liturgia da Comemoração dos Fiéis Defuntos convida-nos a descobrir que o projecto de Deus para o homem é um projecto de vida. No horizonte final do homem não está a morte, o fracasso, o nada, mas está a comunhão com Deus, a realização plena do homem, a felicidade definitiva, a vida eterna. 
No Evangelho, Jesus deixa claro que o objectivo final da sua missão é dar aos homens o “pão” que conduz à vida eterna. Para aceder a essa vida, os discípulos são convidados a “comer a carne” e a “beber o sangue” de Jesus – isto é, a aderir à sua pessoa, a assimilar o seu projecto, a interiorizar a sua proposta. A Eucaristia cristã (o “comer a carne” e beber o sangue” de Jesus) é, ao longo da nossa caminhada pela terra, um momento privilegiado de encontro e de compromisso com essa vida nova e definitiva que Jesus veio oferecer.
Na segunda leitura, Paulo garante aos cristãos de Tessalónica que Cristo virá de novo, um dia, para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo; todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre.
Na primeira leitura, Isaías anuncia e descreve o “banquete” que Deus, um dia, vai oferecer a todos os Povos. Com imagens muito sugestivas, o profeta sugere que o fim último da caminhada do homem é o “sentar-se à mesa” de Deus, o partilhar a vida de Deus, o fazer parte da família de Deus. Dessa comunhão com Deus resultará, para o homem, a felicidade total, a vida definitiva.


LEITURA I – Is 25,6a.7-9

Leitura do Livro de Isaías

Sobre este monte,
o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos
um banquete de manjares suculentos.
Sobre este monte,
há-de tirar o véu que cobria todos os povos,
o pano que envolvia todas as nações;
Ele destruirá a morte para sempre.
O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces
e fará desaparecer da terra inteira
o opróbrio que pesa sobre o seu povo.
Porque o Senhor falou.
Dir-se-á naquele dia:
«Eis o nosso Deus,
de quem esperávamos a salvação;
é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança.
Alegremo-nos e rejubilemos,
porque nos salvou.

AMBIENTE

É extremamente difícil situar, no tempo e no momento histórico, o texto que a primeira leitura deste domingo nos apresenta.
Para uns, o oráculo pertence à fase final da vida do profeta Isaías (no final do séc. VIII a.C.) quando, desiludido com a política e com os reis de Judá, o profeta começou a sonhar com um tempo novo de felicidade e de paz sem fim para o Povo de Deus.
Para outros, contudo, este texto não pertenceria ao primeiro Isaías (o autor dos capítulos 1-39 do Livro de Isaías), apesar de aparecer integrado no seu livro. Seria um texto de uma época posterior ao profeta… A referência à superação da morte, das lágrimas e da vergonha, poderia sugerir que a composição deste texto se situaria num momento histórico posterior ao Exílio na Babilónia, quando Judá já teria reconquistado a liberdade.
Em qualquer caso, o texto constrói-se à volta da imagem do “banquete”. O “banquete” é, no ambiente sócio-cultural do mundo bíblico, o momento da partilha, da comunhão, da constituição de uma comunidade de mesa, do estabelecimento de laços familiares entre os convivas.
Para além de acontecimento social, o “banquete” tem também, frequentemente, uma dimensão religiosa. Os “banquetes sagrados” celebram e potenciam a comunhão do crente com Deus, o estabelecimento de laços familiares entre Deus e os fiéis. É por isso que, na perspectiva dos catequistas que redigiram as tradições sobre a Aliança do Sinai, o compromisso entre Jahwéh e Israel tinha de ser selado com uma refeição entre Deus e os representantes do Povo (cf. Ex 24,1-2. 9-11). 
Neste campo são, também, particularmente significativos os “sacrifícios de comunhão” (“zebâh shelamim”) celebrados no Templo de Jerusalém. Neste tipo de celebração religiosa, o crente trazia ao Templo um animal destinado a Deus. Depois de imolado o animal, a sua gordura era queimada sobre o altar, ao passo que a carne era repartida pelo oferente e pelos sacerdotes. O oferente e a sua família deviam comer a sua parte no espaço sagrado do santuário. Dessa forma, sentavam-se à mesa com Deus, celebravam a sua pertença ao círculo familiar de Deus e renovavam com Deus os laços de paz, de harmonia, de comunhão (cf. Lv 3).
É este ambiente que o nosso texto supõe.

MENSAGEM

O profeta anuncia que Deus, num futuro sem data marcada, vai oferecer “um banquete”; e, para esse “banquete”, Jahwéh vai convidar “todos os povos”. Trata-se, portanto, de uma iniciativa de Deus no sentido de estabelecer laços “de família” com a humanidade inteira.
O cenário do “banquete” é “este monte” (vers. 6) – evidentemente, o monte do Templo, em Jerusalém, a “casa de Jahwéh”, o lugar onde Deus reside no meio do seu Povo, o lugar onde Israel presta culto a Jahwéh e celebra os sacrifícios de comunhão. Aceitar o convite de Deus para o “banquete” significará, portanto, participar no culto a Jahwéh, ser acolhido na casa de Jahwéh, entrar no “espaço íntimo” e familiar de Deus e sentar-se com ele à mesa. 
Nesse “banquete” serão servidos “manjares suculentos”, “comida de boa gordura”, “vinhos deliciosos” e “puríssimos” (vers. 6). As expressões sublinham a abundância de vida – e de vida com qualidade – com que Deus vai cumular os seus convidados. 
Para os que aceitarem o convite para o “banquete”, iniciar-se-á uma nova era, de comunhão íntima com Deus e de vida sem fim. O profeta sugere a comunhão total entre Deus e os homens que então se iniciará, com a indicação de que será removido “o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações” (vers. 7) e que impedia o contacto total com o mundo de Deus. Por outro lado, o profeta sugere o início da nova era de paz e de felicidade sem fim, dizendo que Deus vai destruir a morte para sempre, vai enxugar “as lágrimas de todas as faces” e vai eliminar “o opróbrio que pesa sobre o seu Povo” (vers.8).
O “banquete” termina com um cântico de acção de graças que evoca, provavelmente, uma fórmula usada na aclamação de um novo rei (vers. 9). Significa que, com o “banquete” que o Messias vai oferecer, se iniciará o reinado de Deus sobre toda a terra.
O profeta está, sem dúvida, a descrever os tempos messiânicos. Na perspectiva do profeta, serão tempos de comunhão total de Deus com o homem e do homem com Deus. Dessa intimidade entre Deus e o homem resultará, para o homem, a felicidade total, a vida verdadeira e plena. 
A partir daqui, a ideia de um “banquete messiânico” tornou-se corrente no judaísmo.

ACTUALIZAÇÃO

• A imagem do “banquete” para o qual Deus convida “todos os povos” aponta para essa realidade de comunhão, de festa, de amor, de felicidade que Deus insistentemente nos oferece. Nunca será de mais recordar isto: Deus tem um projecto de vida, que quer oferecer a todos os homens, sem excepção. Não somos “filhos de um deus menor”, pobre humanidade abandonada à sua sorte, perdida num universo hostil e condenada ao nada; somos pessoas a quem Deus ama, a quem Ele convida para integrar a sua família e a quem Ele oferece a vida plena e definitiva. A consciência desta realidade deve iluminar a nossa existência e encher de serenidade, de esperança e de confiança a nossa caminhada nesta terra. A nossa finitude, as nossas limitações, os nossos medos e misérias não são a última palavra da nossa existência; mas caminhamos todos ao encontro da festa definitiva que Deus prepara para todos os que aceitam o seu dom.

• Ao homem basta-lhe aceitar o convite de Deus para ter acesso a essa festa de vida eterna. Aceitar o convite de Deus significa renunciar ao egoísmo, ao orgulho e à auto-suficiência e conduzir a existência de acordo com os valores de Deus; aceitar o convite de Deus implica dar prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, já aqui, uma nova terra de justiça, de solidariedade, de partilha, de amor. No dia do nosso baptismo, aceitamos o convite de Deus e comprometemo-nos com Ele… A nossa vida tem sido coerente com essa opção? 


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 22 (23)

Refrão 1: O Senhor é meu pastor:
nada me faltará.

Refrão 2: Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
nada temo, porque Vós estais comigo.

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.


LEITURA II – 1 Tes 4,13-18

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses

Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância
a respeito dos defuntos,
para não vos contristardes como os outros,
que não têm esperança.
Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou,
do mesmo modo, Deus levará com Jesus
os que em Jesus tiverem morrido.
Eis o que temos para vos dizer,
segundo a palavra do Senhor:
Nós, os vivos,
os que ficarmos para a vinda do Senhor,
não precederemos os que tiverem morrido.
Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina,
o próprio Senhor descerá do Céu
e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.
Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado,
seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens,
para irmos ao encontro do Senhor nos ares,
e assim estaremos sempre com o Senhor.
Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

AMBIENTE

De acordo com os “Actos dos Apóstolos”, Paulo não teve muito tempo para evangelizar os tessalonicenses. Depois de poucas semanas de pregação, um motim habilmente preparado pelos judeus da cidade obrigou-o a partir precipitadamente de Tessalónica, deixando atrás de si uma comunidade cristã fervorosa e entusiasta, mas insuficientemente preparada do ponto de vista catequético (cf. Act 17,1-10). Paulo foi para Bereia, depois para Atenas e Corinto. De Corinto, Paulo enviou Timóteo ao encontro dos tessalonicenses, para verificar como é que a comunidade se estava a aguentar face à hostilidade dos judeus. No regresso a Corinto, Timóteo deu conta a Paulo da situação da comunidade: os tessalonicenses continuavam a viver com entusiasmo o seu compromisso cristão, embora sentissem algumas dúvidas em questões de fé e de doutrina.
Um dos problemas teológicos que mais preocupava os tessalonicenses era a questão da parusia (regresso de Jesus, no final dos tempos)… Paulo e as primeiras gerações cristãs acreditavam que esse dia surgiria num espaço de tempo muito curto e que assistiriam ao triunfo final de Jesus. A este propósito os tessalonicenses punham, no entanto, um problema muito prático: qual será a sorte dos cristãos que morrerem antes da segunda vinda de Cristo? Como poderão sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com Ele no Reino de Deus se já estão mortos?
É então que Paulo escreve aos tessalonicenses, encorajando-os na fé e respondendo às suas dúvidas. Estamos no ano 50 ou 51. O texto que nos é proposto é parte desse esclarecimento sobre a parusia que Paulo incluiu na carta.

MENSAGEM

Antes de mais, Paulo confirma aquilo que, provavelmente, já antes havia ensinado aos tessalonicenses: que Cristo virá para concluir a história humana; e que todo aquele que tiver aderido a Cristo e se tiver identificado com Ele, esteja morto ou esteja vivo, encontrará a salvação (vers. 14). Se Cristo recebeu do Pai a vida que não acaba, quem se identifica com Cristo está destinado a uma vida semelhante; a morte não tem poder sobre ele… Isto deve encher de esperança o cristão, mantendo-o alegre, sereno e cheio de ânimo.
Como é que se concretizará isso? Como é que aqueles que já morreram assistirão ao triunfo final de Cristo?
Paulo não é demasiado explícito, pois está consciente de que se trata de uma realidade misteriosa, que foge à lógica e à linguagem humanas. De qualquer forma, para descrever a passagem do homem velho para a realidade do homem novo que vive para sempre junto de Deus, Paulo vai recorrer ao género literário “apocalipse”, um género literário que utiliza preferentemente a imagem e o símbolo (afinal, a linguagem mais adaptada para expressar uma realidade que nos ultrapassa e que não conseguimos definir e explicar nos seus detalhes). O quadro que Paulo traça é o seguinte: aqueles crentes que, entretanto, morreram ressuscitarão primeiro (“à voz do arcanjo”, “ao som da trombeta de Deus” – elementos típicos da escatologia judaica); depois, em companhia de “nós, os vivos”, irão ao encontro do Senhor que vem na sua glória, e permanecerão com Ele para sempre.
Em qualquer caso, o que está aqui em causa não é a definição do quadro fotográfico da última vinda do Senhor… O que Paulo aqui pretende é tranquilizar os tessalonicenses, assegurando-lhes que não haverá qualquer diferença ou discriminação entre os que morreram antes da segunda vinda de Jesus e aqueles que permanecerem vivos até esse instante: uns e outros encontrar-se-ão com o Senhor Jesus, partilharão o seu triunfo e entrarão com Ele na glória.

ACTUALIZAÇÃO

• A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projecto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projecto está a realizar-se continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus.

• A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direcção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.

• Isso não quer dizer que devamos ignorar as coisas boas deste mundo, vivendo apenas à espera da recompensa futura, no céu; quer dizer que a nossa existência deve ser – já neste mundo – uma busca da vida e da felicidade; isso implicará uma não conformação com tudo aquilo que nos rouba a vida e que nos impede de alcançar a felicidade plena, a perfeição última (a nós e a todos os homens nossos irmãos).

• Não é possível viver com medo, depois desta descoberta: podemos comprometer-nos na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça e a opressão não podem pôr fim à vida que nos anima; e é na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o construímos com gestos concretos, que estamos a anunciar a ressurreição plena do mundo, dos homens e das coisas.


ALELUIA – Jo 6,51

Aleluia. Aleluia.

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu;
Que comer deste pão viverá eternamente.


EVANGELHO – Jo 6,51-58

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo,
disse Jesus à multidão:
«Eu sou o pão vivo que desceu do Céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que Eu hei-de dar é minha carne,
que Eu darei pela vida do mundo».
Os judeus discutiam entre si:
«Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?»
Jesus disse-lhes:
«Em verdade, em verdade vos digo:
Se não comerdes a carne do Filho do homem
e não beberdes o seu sangue,
não tereis a vida em vós.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
tem a vida eterna;
e Eu o ressuscitarei no último dia.
A minha carne é verdadeira comida
e o meu sangue é verdadeira bebida.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em Mim e Eu nele.
Assim como o Pai, que vive, Me enviou
e Eu vivo pelo Pai,
também aquele que Me come viverá por Mim.
Este é o pão que desceu do Céu;
não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram:
Quem comer deste pão viverá eternamente».

AMBIENTE

O trecho que nos é proposto neste domingo como Evangelho situa-nos na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,59) e no contexto do discurso sobre o “pão da vida”. Ao longo desse discurso, Jesus afirmou repetidamente que era “o pão que desceu do céu para dar vida ao mundo”; aqui, no entanto, vai ainda mais além: convida os seus interlocutores a comer a sua carne e a beber o seu sangue.
As palavras de Jesus parecem conter uma referência clara à Eucaristia. Alguns biblistas pensam que esta parte do discurso é uma reflexão da primitiva comunidade cristã, que reintrepretou a primeira parte do discurso, explicitando-a a partir da celebração eucarística posterior; outros pensam que João reelaborou uma série de materiais que estariam, inicialmente, incluídos no relato da última ceia e que foram deslocados para aqui por conveniências teológicas (na sua versão da última ceia, João preferiu dar relevo à lavagem dos pés; contudo, não quis a omitir o discurso eucarístico de Jesus, um dado tão importante para a tradição cristã. Sendo assim, transladou-o para outro lugar; e o lugar mais indicado para o situar pareceu-lhe ser, precisamente, na continuação do discurso sobre o “pão descido do céu para dar vida ao mundo”). Em qualquer caso, esta parte do discurso (cf. Jo 6,51-58) não deve ter sido feita na sinagoga de Cafarnaum… Ela só faz sentido após a instituição da Eucaristia, na última ceia.
O discurso sobre o “pão da vida” (cf. Jo 6,22-58) ficou, portanto, no esquema de João, com o seguinte enquadramento lógico: os homens buscam o pão material; Jesus traz-lhes o “pão do céu que dá vida ao mundo”; e o pão eucarístico realiza, de forma plena, a missão de Jesus no sentido de dar vida ao homem.

MENSAGEM

Depois de se apresentar como “o pão vivo que desceu do céu” para dar aos homens a vida definitiva (vers. 51a), Jesus identifica esse “pão” com a sua “carne” (vers. 51b). A palavra “carne” (em grego: “sarx”) designa a realidade física do homem, na sua condição débil, transitória e caduca. Ora, foi precisamente na “carne” de Jesus – isto é, no seu corpo físico – que se manifestou, em gestos concretos, a sua doação e o seu amor até ao extremo. Na realidade física de Jesus, Deus tornou-Se presente e visível no meio dos homens, mostrou a sua vontade de comunicar com os homens e manifestou-lhes o seu amor. É esta “carne” (isto é, a sua vida física, o “lugar” onde Deus se manifesta aos homens e lhes mostra o seu amor) que Jesus vai dar a “comer” para que o mundo tenha vida.
Os judeus não entendem as palavras de Jesus (vers. 51). Quando Jesus Se apresentou como “pão vivo descido do céu para dar a vida ao mundo”, eles entenderam que Jesus pretendia ser uma espécie de “mestre de sabedoria” que trazia aos homens palavras de Deus (também isso, eles tinham dificuldade em aceitar; mas, pelo menos, entendiam aonde Ele queria chegar)… Mas agora Jesus fala em “comer” a sua carne. O que significam as suas palavras? São palavras difíceis de entender, se não nos colocarmos numa perspectiva eucarística; e, por isso, os judeus não as entendem… Para a comunidade de João, contudo, as palavras de Jesus são claras, pois são entendidas tendo em conta a celebração e o significado da Eucaristia.
Na sequência, Jesus reitera a sua afirmação, desta vez com mais desenvolvimentos: Ele não só vai dar a comer a sua carne, mas também a beber o seu sangue; e quem os aceitar, recebe vida definitiva (vers. 53-54). A referência ao sangue coloca-nos no contexto da paixão e da morte. Dizer que Jesus é carne significa que Ele Se tornou pessoa como nós, assumiu a nossa condição de debilidade, aceitando passar, até, pela experiência da morte. Dizer que o pão que Ele há-de dar é a sua “carne para a vida do mundo” significa que Jesus fez da sua vida um dom, uma “entrega” por amor aos homens; e que o momento mais alto dessa vida feita “dom” e “entrega” é a morte na cruz. Na cruz, manifestou-se, através da “carne” de Jesus – isto é, através da sua realidade física – o seu amor, o seu dom, a sua entrega… Ora, é essa realidade que se manifestou na cruz – realidade de amor, de doação, de entrega – que os discípulos são convidados a comer e a beber. Comer e beber significam, neste contexto, “aderir”, “acolher”, interiorizar”, “assimilar”.
A questão é, portanto, esta: Jesus não está a falar da sua carne física e do seu sangue físico… Está a pedir, simplesmente, que os seus discípulos acolham e assimilem essa vida de amor, de dom, de entrega, que Ele mostrou na sua pessoa (isto é, nos seus gestos, no seu amor, na sua doação aos homens) e que teve a sua expressão mais radical na cruz, quando Jesus, por amor, ofereceu totalmente a sua vida, até à última gota de sangue. Quem “acolher” e “assimilar” esta vida e aceitar viver da mesma forma – no amor e no dom total da vida, até à morte – terá vida plena e definitiva.
A Eucaristia actualiza esta realidade na comunidade cristã e na vida dos crentes. Esse mesmo Jesus que amou até às últimas consequências, que pôs a sua vida ao serviço dos homens, que Se deu na cruz, oferece-Se como alimento aos seus. O discípulo que participa da Eucaristia, isto é, que “come” e que “bebe” a “carne” e o “sangue” de Jesus, assimila esta proposta e compromete-se a viver e a dar a vida como Ele (vers. 55).
Um dos efeitos de comer a carne e beber o sangue de Jesus é ficar em união íntima, em comunhão de vida com Jesus. O discípulo que interioriza a proposta de Jesus identifica-se com Ele e torna-se um com Ele (vers. 56). O cristão é, antes de mais, alguém que recebe vida de Jesus e vive em união com Ele.
Outro efeito de comer a carne e beber o sangue de Jesus é comprometer-se com o mesmo projecto de Jesus. Jesus Cristo foi enviado pelo Pai ao mundo para dar vida ao mundo e o seu plano consiste em concretizar esse projecto; o cristão assimila esse mesmo projecto e dedica toda a sua existência a concretizá-lo no meio dos homens (vers. 57).
É neste caminho que se chega a essa vida plena e definitiva que Jesus veio propor aos homens. Do comer a carne e beber o sangue de Jesus nascerá uma nova humanidade de gente livre, que venceu a morte e que vive para sempre (vers. 58).
O discurso que João põe na boca de Jesus não se dirige aos judeus (pois os judeus não eram capazes de entender as palavras de Jesus), mas dirige-se aos discípulos. O seu objectivo é explicar o programa de Jesus, pedir aos discípulos que assimilem esse programa e o testemunhem no meio dos homens. A Eucaristia cristã (comer a carne e beber o sangue) é, assim, uma forma privilegiada de “actualizar” na vida dos crentes a vida e o amor de Jesus, de estar em comunhão com Jesus, de “assimilar” o projecto de Jesus e de o concretizar no mundo.

ACTUALIZAÇÃO

• A liturgia da comemoração dos Fiéis Defuntos assegura-nos que Deus tem um projecto de vida definitiva para oferecer aos homens: o caminho que percorremos nesta terra não termina no fracasso e na morte, mas no encontro com a vida verdadeira e eterna. Ora, o Evangelho que hoje nos é proposto confirma e garante esse ensinamento fundamental: cumprindo o seu projecto de salvação, Deus enviou Jesus ao mundo (Jesus apresenta-Se como “o pão que desceu do céu”) para que os homens pudessem chegar à vida eterna. A liturgia deste dia convida-nos, antes de mais, a contemplar o amor de Deus por nós, a constatar a sua incrível preocupação com a nossa felicidade e com a nossa realização plena, a descobrir que não estamos perdidos e abandonados face à nossa fragilidade, debilidade e finitude. Esta constatação deve levar-nos a encarar, com serenidade e confiança, a nossa caminhada pela terra, com a certeza de que nos espera, para lá do horizonte deste mundo imperfeito, a vida verdadeira e definitiva.

• Como é que chegamos a adquirir essa vida verdadeira e definitiva? O Evangelho deste domingo afirma, categoricamente, que quem aceita comer a carne e beber o sangue de Jesus viverá eternamente. Ora, comer a carne e beber o sangue de Jesus é, antes de mais, acolher, assimilar e interiorizar essa proposta de vida que Jesus nos fez (com a sua Palavra, com o seu exemplo, com os seus gestos, com o seu amor); é, como Jesus, colocar a própria vida ao serviço dos projectos de Deus e fazer da própria existência um dom de amor aos irmãos. Este programa de vida não é, como é notório para qualquer um de nós, demasiado apreciado numa cultura como a nossa, fortemente marcada pelo egoísmo, pelo individualismo e pela auto-suficiência. Que não restem, contudo, dúvidas: só encontraremos essa vida plena e eterna a que aspiramos, seguindo Jesus, assimilando os seus valores, fazendo da nossa vida um serviço a Deus e aos irmãos com quem nos cruzamos nos caminhos do mundo. Se aceitarmos conduzir a vida de acordo com esses parâmetros, o horizonte final da nossa caminhada por esta terra não é a morte, mas a vida eterna.

• A Eucaristia é um momento privilegiado de encontro com esse Cristo que Se faz “dom” e que vem ao nosso encontro para nos oferecer a vida plena e definitiva. Participar no encontro eucarístico, comer a carne e beber o sangue de Jesus é encontrar-se, hoje, com esse Cristo que veio ao encontro dos homens e que tornou presente na sua “carne” (na sua pessoa física) uma vida feita amor, partilha, entrega, até ao dom total de Si mesmo na cruz (“sangue”). Para nós, os crentes, a Eucaristia – mais do que um rito que cumprimos por obrigação ou por tradição – tem de ser um momento privilegiado de encontro e de compromisso com Jesus e com essa vida nova e eterna que Ele continuamente nos oferece.

• Sentar-se à mesa da Eucaristia é identificar-se com Jesus, aceitar viver em união com Ele. Na Eucaristia, o alimento servido é o próprio Cristo. Por isso, é a própria vida de Cristo que passa a circular nos crentes. Quem acolhe essa vida que Jesus oferece torna-se um com Ele. Comer cada domingo (ou cada dia) à mesa com Jesus desse alimento que Ele próprio dá e que é a sua pessoa, leva os crentes a uma comunhão total de vida com Jesus e a fazer parte da família do próprio Jesus. Convém termos consciência desta realidade: celebrar a Eucaristia é aprofundarmos os laços familiares que nos unem a Jesus, identificarmo-nos com Ele, deixarmos que a sua vida circule em nós. O crente, alimentado pela Eucaristia, identificado com Jesus, transformado num homem novo, transporta consigo dinamismos de vida eterna.

• Na concepção judaica, a partilha do mesmo alimento à volta da mesa gera entre os convivas familiaridade e comunhão. Assim, os crentes que participam da Eucaristia passam a ser irmãos: todos partilham a mesma vida, a vida do Cristo do amor total. Dessa forma, a participação na Eucaristia tem de resultar no reforço da comunhão dos irmãos. Uma comunidade que celebra a Eucaristia é uma comunidade que aceitou banir do seu próprio seio tudo o que é divisão, ciúme, conflito, orgulho, auto-suficiência, indiferença para com as dores e as necessidades dos irmãos… A comunidade que se alimenta da Eucaristia deve ser, portanto, um anúncio vivo desse mundo novo de fraternidade, de justiça e de paz que nos espera para além desta terra.

• Finalmente, o comer a carne e beber o sangue de Jesus implica um compromisso com esse mesmo projecto que Jesus procurou concretizar em toda a sua vida, em todos os seus gestos, em todas as suas palavras. O crente que celebra a Eucaristia tem de levar ao mundo e aos homens essa vida que aí recebe… Tem de lutar, como Jesus, contra a injustiça, o egoísmo, a opressão, o pecado; tem de esforçar-se, como Jesus, por eliminar tudo o que desfeia o mundo e causa sofrimento e morte; tem de construir, como Jesus, um mundo de liberdade, de amor e de paz; tem de testemunhar, como Jesus, que a vida verdadeira é aquela que se faz amor, serviço, partilha, doação até às últimas consequências. O crente que come a carne e que bebe o sangue de Jesus torna-se uma fonte de onde brota, para o mundo e para os homens, a vida eterna.

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
portugal@dehonianos.org  – www.dehonianos.org 

“VINDE,” POIS, TUDO ESTÁ PRONTO.”-Olívia Coutinho

 
Dia 03 de Novembro de 2015
 
Evangelho de Lc14,15-24

Deus tem um projeto de vida nova para todos! É Jesus quem nos apresenta este projeto inovador que Ele dá o nome de Reino de Deus!
O Reino de Deus é festivo, é alegre, Jesus o compara com um Banquete, porém, a entrada para este banquete não é livre, pois não se trata de direito, requer convite, e este convite é a graça de Deus! Quem acolhe a graça de Deus, tem o seu lugar garantido no Banquete preparado carinhosamente pelo Pai!
O Reino de Deus é uma oferta de amor, mas nem todos participarão deste banquete, não, porque sejam impedidos de participar e sim, pelo fato de recusarem à graça de Deus!
Pertencer ao Reino de Deus, é viver no mundo sem ser escravo das coisas do mundo, é caminhar com os pés firmes neste chão e com os olhos fixos nas coisas do alto!
Todos nós somos convidados a participar do Reino de Deus, é um engano pensar que este convite seja feito somente para alguns! O convite é para todos, Jesus não faz distinção de pessoas, tanto Ele chama os bons, como também, os não bons! O que vale para Jesus, é a resposta que se dá ao seu chamado, pois no coração de quem aceita o seu chamado já houve transformação, afinal, ninguém aceita um chamado de Jesus sem estar disposto a mudar de vida!
O evangelho de hoje, chama a nossa atenção para o valor supremo que devemos dar a salvação! A vida nova que Deus nos oferece, parte da nossa adesão a Jesus, é Ele quem nos diz que o banquete já está preparado!
Deus insiste conosco por meio de Jesus e muitos de nós, como filhos ingratos, recusamos o seu convite, perdendo assim,  a oportunidade de experimentar uma vida nova em Jesus! 
Deus não somente nos deu a vida, como quer também que todos nós participemos da sua gloria, afinal, não fomos criados para sermos meros viventes, fomos criados para relacionar com o nosso Pai celeste, e esta relação amorosa se faz por meio do Filho, Jesus é o único mediador entre o homem e Deus, só chegaremos ao Pai por meio Dele! 
O olhar de Jesus é um olhar de misericórdia, Ele não desiste de nós, para Jesus, o nosso passado não conta, o que vale, é o que nos propomos ser a partir de  de hoje.
A todo instante Jesus nos convida a mudar o rumo da nossa vida, a dar um sentido novo a nossa existência, não sejamos indiferentes este convite, não recusemos esta graça de Deus! 
Quem experimenta a grandiosidade do amor de Deus, vive as alegrias de fazer parte do banquete da vida que é o próprio Jesus!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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