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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Toda enfermidade é uma desordem presente no organismo-Diac. José da Cruz

QUARTA FEIRA DA 22ª SEMANA DO TC 06/09/2017
1ª Leitura Colossenses 1, 1-8
Salmo 51/52, 10 b “Confio na misericórdia de Deus para sempre”
Evangelho Lucas 4, 38 -44
Toda enfermidade é uma desordem presente no organismo, os sintomas de uma doença significa que algo está errado com o nosso corpo. A Febre, que alguns confundem com enfermidade, é na verdade um eficiente sinalizador, a temperatura sobe e o organismo parece gritar "Tem algo errado aqui, é melhor verificar". O Deus que se revela em Jesus é aquele que tem poder sobre o caos, as forças da natureza, e também sobre a existência humana, a missão de Jesus não é o de tomar o lugar da Medicina, mas ele é o Médico da Alma, curou muitos enfermos no seu tempo, justamente para manifestar isso.
Acontece que as pessoas o viam assim, como alguém que curava as enfermidades e por isso o seguiam. Nesse evangelho, depois de curar a sogra de Simão Pedro, e de estender as mãos sobre mais enfermos que lhe foram apresentados, curando a todos, bem cedinho Jesus retirou-se para um lugar afastado. As pessoas foram até lá e queriam detê-lo de partir, desejosas que permanecessem com elas.
Então Jesus mostra-lhes que a sua missão é evangelizar, ele não é um Milagreiro que quer acomodar-se em uma "Tenda dos Milagres" para que as multidões o procurem, ao contrário, é um missionário peregrino que percorre todas as cidades da Galileia, para anunciar a Palavra que liberta, cura e revivifica. Temos uma tentação muito grande de ficar na comunidade, quem sabe fazendo algum trabalho pastoral que atraia as pessoas para a igreja, Jesus lembra-nos que a Igreja é antes de tudo missionária, para sair de si mesma e ir ao encontro das pessoas lá onde elas moram, estudam ou trabalham....
Também é notória a atitude da sogra de Pedro que após ter sido curada, fica em pé e começa a servi-los. Levantar-se significa a ressurreição. De fato é preciso ressuscitar para uma Vida Nova, para se descobrir a dimensão do serviço Naquele que se fez servo de todos. Nesse sentido, a cura que Jesus realiza é completa, ela não só atinge o organismo do homem, mas principalmente o seu coração, transformando-o com a sua graça santificante e operante, para que o Amor que cura e liberta, possa em um testemunho autêntico de vida, colocar-se em serviço, como a sogra de Pedro.
As palavras de Jesus, que cura e liberta os homens, continua ecoando firme e forte, no anúncio da Igreja, e  no testemunho dos Batizados. (Diácono José da Cruz – E-mail jotacruz3051@gmail.com)


...uma pessoa possessa do demônio?-Diac. José da Cruz

TERÇA FEIRA DA 22ª SEMANA DO TC 05/09/2017
1ª Leitura 1 Tessalonicenses 5, 1-6.9-11
Salmo 26/27, 13 “Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos”
Evangelho  Lucas 4, 31-37
                                                                                   
A gente pode se perguntar como é possível na comunidade ter uma pessoa possessa do demônio, mas o texto desse evangelho está justamente mostrando que comunidade não é lugar de gente alienada mais de pessoas que livremente fizeram a opção de viver o seu discipulado. Há em Jesus e consequentemente na comunidade cristã, uma força libertadora que supera as Forças do Mal, aqui personificada em um demônio, que havia se apossado de um dos membros. Os ensinamentos de Jesus, suas palavras enchiam de admiração as multidões, que ficavam maravilhadas porque Jesus ensinava como quem tem autoridade.
Claro que Jesus tinha uma oratória eloquente, mas não é da forma de ensinar, que as pessoas se admiram, mas sim do conteúdo, suas palavras geram algo novo em quem as ouve, de modo que as liberta de qualquer Força alienadora.
Ouvir a palavra de Deus marca o início de um processo onde, ter fé será o próximo passo, mas é claro que não poderá ficar só nisso. Até o demônio conhecia Jesus e sabia muito bem quem ele era: o Santo de Deus, olha que bela profissão de Fé ! Entretanto, saber quem é Jesus e dizer isso com palavras, não é suficiente para experimentaro processo de libertação, é necessário fazer uma firme e corajosa opção por ele, não dando assim nenhuma chance para o mal, que insiste em nos dominar, como esse demônio.
As palavras de Jesus são rigorosas e firmes "Cala-te e sai dele", e o Espírito maligno abandonou aquele homem, indo embora sem fazer-lhe mal algum. Que ninguém se iluda achando que na comunidade estará protegido da Força do Mal, pois ela age de maneira insistente, na vida dos que aderiram a Jesus, seu evangelho e sua igreja, sem dar trela, é preciso ter a mesma firmeza de Jesus, fazendo com que nossas pastorais e movimentos, possam ser lugar de encontro com Jesus Libertador, e nas celebrações o momento oportuno em que se realiza esse encontro, com a sua palavra, e com a Eucaristia, onde o Cristo presente em nossa vida, continua expulsando as forças do mal. No coração do cristão só pode haver lugar para uma Força, a graça e o poder, o Bem supremo que é Jesus. (Diácono José das Cruz –  E-mail jotacruz3051@gmail.com)




A PALAVRA ENCARNADA-Diac. José da Cruz



SEGUNDA FEIRA DA 22ª SEMANA DO TC 04/09/2074
1ª Leitura 1 Tessalonicenses 4, 3-18
Salmo 95/95, 13 b “Pois ele vem para governar a terra”
Evangelho Lucas 4, 16-30
                                            “A PALAVRA ENCARNADA”
Ao visitar Nazaré, cidade onde havia se criado, Jesus foi participar de uma celebração na sua comunidade, onde sempre fazia uma leitura e depois ajudava o povo a refletir, como fazem hoje nossos ministros leigos, que celebram a Palavra.
Podemos até imaginar a alegria do chefe da sinagoga quando viu Jesus chegar, ele era muito querido na comunidade, não só por ser uma pessoa simples, mas porque falava muito bem e demonstrava uma sabedoria superior aos sacerdotes, escribas e fariseus, sua catequese era bem prática e logo cativava. Por isso, ao vê-lo entrar na comunidade, o chefe da sinagoga foi logo pedindo para que ele fizesse uma leitura, porque parece que, como acontece me nossas comunidades, naquele dia o leitor escalado não apareceu. Jesus escolheu o livro do profeta Isaias que era o seu preferido, porque já o havia lido várias vezes e tinha a nítida impressão de que o texto falava dele.
Conforme Lucas que escreveu este evangelho de maneira ordenada e após muito estudo, por este tempo Jesus estava iniciando o seu ministério, já havia sido batizado e enfrentara com muita coragem o diabo, que no deserto tentou desviá-lo da sua missão.
A verdade é que Jesus tinha uma grande vontade de sair pelo mundo, ajudando as pessoas e falando de uma coisa que sentia em seu coração, foi com certeza por isso que naquele dia voltou à comunidade, e quando já no ambão, começou a ler o profeta Isaias, na passagem onde diz “O Espírito do senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para levar a Boa notícia aos pobres, anunciar a libertação aos cativos e aos cegos e anunciar um ano de graças do Senhor”, seu coração começou a bater mais forte, percebeu que o Pai não apenas falava para ele, mas falava dele, da sua vida, da sua história e da sua missão. Ele já havia sentido muito forte a presença desse Espírito de Deus no dia do seu batismo, e no confronto com o diabo no deserto, sentiu toda a força que o espírito lhe dava.
Nessa celebração as coisas ficaram muitas claras para ele: a libertação com que tanto sonhava junto com seu povo, ia muito além de uma libertação política, a palavra tinha a força de libertar o homem também e principalmente do mal que havia no coração, e que impedia de amar a Deus e aos irmãos. A opressão e a escravidão do seu povo era conseqüência de todo esse mal que havia dentro de cada homem, não só dos opressores. Precisava dizer isso aos pobres, aos cegos e oprimidos, que um tempo novo estava começando, com essa verdade que o Pai revelara através do profeta.
Todos olhavam fixamente para ele à espera da homilia, o mesmo espírito que o havia ungido acabara de transformá-lo na palavra Viva de Deus e por isso, sentando-se como faziam os grandes Mestres, disse: “Hoje se cumpriu essa passagem que acabastes de ouvir”
Também nós cristãos frequentamos a celebração da palavra em nossas comunidades onde as leituras, mais do que falar para nós falam de nós, pois a história de Jesus é a nossa história, também nós recebemos a graça de Deus em nosso batismo, também nós recebemos a unção do Espírito Santo, não para termos ataques de histeria e entrarmos em transe, mas para termos a mesma coragem de Jesus para cumprir a nossa missão, anunciar a boa notícia aos pobres, oferecer a palavra libertadora a quem está cego e cativo, e falar de um tempo novo onde Deus manifesta todo o seu amor ao homem que o busca.
Para que haja essa interação entre nós e a palavra, é necessário que nossas celebrações sejam bem participadas e preparadas, de maneira bem organizada pensando em todos os detalhes e aí podemos apreender com o escriba Esdras que na primeira leitura nos oferece um ótimo roteiro para celebração da palavra de Deus, onde a assembleia, tocada pela palavra, corresponde com gestos que manifestam o que está no coração, diferente da liturgia do “oba-oba”, muito usada para se atrair multidões, e que ás vezes, com tantos gestos e movimentos, acaba ficando vazia justamente por não ser uma manifestação espontânea do que se tem no coração tocado pela palavra de Deus.(Diácono José da Cruz  - E-mail jotacruz3051@gmail.com)




LUCROS E PERDAS DA NOSSA FÉ-Diac. José da Cruz

SÁBADO DA 21ª SEMANA DO TC 02/09/20127
1ª Leitura 1 Tessalonicenses 4, 9-11
Salmo 97/98 9 “Diante do Senhor que chega, porque ele vem para governar a terra. Ele governará a terra com justiça, e os povos com equidade”
Evangelho Mateus 25, 14-30
                                   "LUCROS E PERDAS DA NOSSA FÉ"
Esse evangelho nos coloca a parábola dos talentos, que poderá ser mal compreendida, se não aprofundarmos a reflexão, pois não estamos diante de um simples acerto de conta entre um patrão e seus servos, mas diante de algo muito mais sério que é o sentido da nossa vida. A grande pergunta que estará em nosso coração e em nossa mente, quando esta vida estiver se esvaindo, é exatamente essa: Investimos a nossa existência em que? Terá valido a pena ?
Na contabilidade há um demonstrativo em cada final de exercício, que mostra aos investidores e acionistas, de que modo foi investido o capital por eles disponibilizado, esse balanço final mostra o Ativo e o Passivo, os ganhos e perdas da empresa, seus direitos e obrigações, seus valores a receber e suas contas a pagar, seu acréscimo patrimonial ou suas perdas, caso houver. Esta visão permite ao acionista decidir se continuará investindo ou se vai procurar outro negócio mais rentável.
Ora, Deus Pai investiu tudo em nós, o Filho pagou um alto preço, mais que todo o ouro, toda a prata e todas as fortunas que há no mundo, é um direito Dele portanto, querer saber no final de nossa vida, o que foi que fizemos com o nosso viver, com a sua graça, com a vida nova que tivemos acesso, com a obra da salvação, uma pessoa extremamente bondosa e amorosa para conosco, nunca nos cobra nada, pois o seu amor é incondicional e gratuito, mas a gente se sente na obrigação de dar um retorno, que pode ser uma grande alegria, como a dos dois primeiros servos, que duplicaram os talentos que lhes foram confiados, ou então será um momento de grande tensão e angústia, marcado pelo medo, por causa de uma relação distorcida com o Patrão. Podemos perceber que os outros dois não tiveram a preocupação de justificar o porquê aplicaram bem o talento recebido, pois independente do rigorismo e da exigência do Patrão, sentiram-se no dever de corresponder à confiança neles depositada.
Deus reconhece as nossas limitações, ele sabe muito bem que nem todos irão viver bem, descobrindo o sentido da vida e vivendo na essência do seu amor, e por isso, diante dele é válido todo e qualquer esforço de se viver segundo suas leis e sua santa palavra. Podemos até dizer, que o talento dado, é a própria existência, visível aos nossos olhos, e que os talentos adquiridos com um bom investimento, são as graças sobrenaturais que antecipam em nosso caminhar, esta vida nova que Jesus nos presenteou. Na hora certa, esta vida não nos será tirada, mas enriquecida com os demais talentos ,quando vivemos bem a nossa vida terrena, entendendo que ela é muito mais do que aquilo que se vê, São Paulo chama isso de caminhar na Fé.
Porém, aquele que se apegou a esta simples existência, limitando-se a viver apenas na visão, alimentando sua esperança apenas com aquilo que esta vida terrena pode dar, este é o servo Mau e preguiçoso, que investiu mal a sua vida, e que no balanço final da sua existência, já diante de Deus, irá constatar horrorizado, que não auferiu nenhum lucro, e que o que pensava ser um grande lucro, foi na verdade uma grande e terrível perda, e que terminou o seu exercício terreno com um saldo negativo, devendo algo para Deus.
Há uma música pastoral belíssima, cujo refrão diz “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena!” Eis o grande segredo que o homem precisa descobrir que o viver não se restringe aos limites do corpo, mas que o homem traz em si as sementes da eternidade, de uma Vida renovada pela qual vale a pena lutar para buscá-la e mantê-la a cada dia, porque os nossos horizontes são muito mais amplos do que nossos olhos podem vislumbrar, e esta descoberta prodigiosa que muda tudo em nossa vida, só ocorre na vida de quem vive na Fé.
Ainda tomando o exemplo da Contabilidade empresarial, mês a mês se faz o balancete, que como o próprio nome diz, trata-se de um Balanço menor, que mostra os valores movimentados e ajudam o empresário a redirecionar seus investimentos, caso o resultado do balancete não seja bom, por isso esse evangelho nos convida também a um bom exame de consciência diante de Deus no sentido de saber com clareza e sinceridade, o que é que estamos fazendo da nossa vida, que são os talentos que Deus nos confiou, sempre é tempo de nos converter, de acertar as contas negativas e fazer novos investimentos na caridade, no amor, na solidariedade, com os lucros auferidos da Palavra de Deus e da força da Eucaristia.
A grande diferença da nossa vida de fé e de um controle contábil, é que o nosso Deus não é avarento nem egoísta, e o pouco que conseguirmos lucrar com a prática do amor cristão, já será suficiente para ouvirmos dele a palavra que o nosso coração anseia: “Porque foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!” Alegria que já experimentamos ainda nesta vida, quando colocamos todos os nossos talentos para servir os nossos irmãos, ajuntando um tesouro no céu.


XX DOMINGO DO TEMPO COMUM-Diac. José da Cruz

XX DOMINGO DO TEMPO COMUM 03/09/2017
1ª Leitura Jeremias 20, 7-9
Salmo 62/63, 2 b “Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anseia”
2ª Leitura Romanos 12, 1-2
Evangelho Mateus 16, 21-27
- "A LOUCURA DA CRUZ"
Domingo à tarde, um sol de lascar! Clima propício para uma praia ou piscina, ou deitar-se em uma rede na varanda e ficar de “papo pro ar” até o anoitecer. Tenho uma amiga que pode fazer isso e eu até a invejo, entretanto, em algumas tardes de domingo, ela se reúne com uma galera da faculdade, para visitar asilos e orfanatos, levam alimentos que arrecadam junto a comunidade, formaram um conjunto musical, ela mesma toca sanfona e dá até gosto quando vão ao asilo e fazem os velhinhos e velhinhas rodopiarem pelo salão no baile que vai até a tardezinha.
É um grupo que não pertence a nenhuma igreja em particular, e o irmão comenta que a irmã é maluca, pois após uma semana de exaustivo estudo e trabalho, nada mais justo do que relaxar no domingo, usufruindo das propriedades que tem: uma bela chácara e ainda uma casa na praia. Minha amiga talvez não sabe, mas ela está no caminho certo do discipulado. Carregar a cruz e renunciar-se a si mesmo – é ser capaz de ir além, em um amor sem medidas.
Qualquer cristão que trabalhe e estude a semana inteira, no domingo vai à missa, a tarde, com todo direito e razão, conforme a lógica humana, irá descansar, em alguma atividade de lazer ou esporte.
A renúncia proposta por Jesus vai nesse sentido: ultrapassar os limites da normalidade renunciando algo que é de direito. Nos evangelhos há muitas exortações de Jesus, que vão nesse sentido, “Se alguém lhe roubar a túnica, dá-lhe também a capa”, “Se alguém lhe obrigar a andar cinquenta passos, anda com ele outros cem” e o mais difícil de todos “Amai os vossos inimigos, rezai por eles e abençoai-os e não os amaldiçoeis”.
Poderíamos dizer que ser cristão, é estar acima da média na relação com o próximo, pois quem permanece na mediocridade do estritamente necessário não pode dizer que é discípulo. Talvez outro exemplo que poderá nos ajudar a compreender melhor o altruísmo da cruz, seja um atleta olímpico, que tem sempre como meta quebrar até o próprio recorde: qual atleta que vai deixar seu país, indo para as Olimpíadas pretendendo uma classificação bem modesta? Atleta que pensa dessa maneira, dificilmente irá algum dia ao pódio. Cristão que não se doa não se entrega, e que não é capaz de carregar as pequenas cruzes do dia a dia, não pode atribuir-se o título de discípulo.
O amor humano é limitado e finito, pode até se acabar um dia, mas o amor Cristão não tem limites e nem medidas, vai sempre além, São Francisco de Assis poderia até ser Santo, sem precisar fazer o que fez , despojar-se de tudo que tinha e era seu por direito, até mesmo a roupa do corpo. O próprio Deus, para salvar a humanidade não poupou nem o seu Filho querido, e diante disso, a mesquinhez humana questiona: será que precisava tanto?
A parábola do Bom Samaritano não deixa nenhuma dúvida a esse respeito, , o Samaritano não apenas parou, para ver o que estava acontecendo com o homem caído à beira da estrada, mas foi muito além, cuidando das suas feridas, colocou-o no próprio animal, transportou para a Hospedaria mais próxima e não contente, pediu ao Hospedeiro que cuidasse dele, que na volta pagaria todas as despesas.

Nesse sentido, o discípulo é como um atleta olímpico, que ao cumprir a lei do amor, quebra todos os recordes. Claro que a modernidade se opõe a esse modo de pensar, até se ensina em algumas culturas para que a pessoa pratique o bem, mas há um limite. Poderíamos dizer que aí está a grande diferença entre o pensamento dos homens, que coloca um limite para o amor, e o pensamento de Deus, que rompe todos os limites, vivendo o amor ágape.
O apóstolo Pedro se opõe a esse modo de pensar e agir de Jesus, para ele, a ação messiânica de Jesus não precisa passar por tão grande sacrifício, pois não é essa a vontade de Deus. É por causa dessa última afirmação que Pedro é chamado de Satanás por Jesus, que significa aquele que é contra o projeto de Deus, que criou o homem e o chamou para viver a vocação do amor em toda sua plenitude, Deus não é um masoquista que gosta de ficar vendo o homem sofrer, o sofrimento é consequência da rejeição, que no tempo de Jesus, e na modernidade, o homem manifesta, recusando-se a viver aquilo que é essencial para quem quiser ser discípulo e merecer o nome de Cristão.
A recusa e rejeição ocorrem porque uma vida assim, de entrega total pela causa do reino, implica em uma grande perda, exatamente como pensa o irmão da minha amiga, que aos olhos do mundo PERDE seu precioso tempo de lazer e descanso, nas tardes de domingo, só para ver um sorriso no rosto de tantos velhinhos e velhinhas,  que a amam de paixão, e até reclamam que ela deveria ir ao asilo mais vezes.

“Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem perder a sua vida, por causa de mim, vai ganhá-la” (Diácono José da Cruz – E-mail jotacruz@gmail.com)


LUCROS E PERDAS DA NOSSA FÉ-Diac. José da Cruz

SÁBADO DA 21ª SEMANA DO TC 02/09/20127
1ª Leitura 1 Tessalonicenses 4, 9-11
Salmo 97/98 9 “Diante do Senhor que chega, porque ele vem para governar a terra. Ele governará a terra com justiça, e os povos com equidade”
Evangelho Mateus 25, 14-30
                                   "LUCROS E PERDAS DA NOSSA FÉ"
Esse evangelho nos coloca a parábola dos talentos, que poderá ser mal compreendida, se não aprofundarmos a reflexão, pois não estamos diante de um simples acerto de conta entre um patrão e seus servos, mas diante de algo muito mais sério que é o sentido da nossa vida. A grande pergunta que estará em nosso coração e em nossa mente, quando esta vida estiver se esvaindo, é exatamente essa: Investimos a nossa existência em que? Terá valido a pena ?
Na contabilidade há um demonstrativo em cada final de exercício, que mostra aos investidores e acionistas, de que modo foi investido o capital por eles disponibilizado, esse balanço final mostra o Ativo e o Passivo, os ganhos e perdas da empresa, seus direitos e obrigações, seus valores a receber e suas contas a pagar, seu acréscimo patrimonial ou suas perdas, caso houver. Esta visão permite ao acionista decidir se continuará investindo ou se vai procurar outro negócio mais rentável.
Ora, Deus Pai investiu tudo em nós, o Filho pagou um alto preço, mais que todo o ouro, toda a prata e todas as fortunas que há no mundo, é um direito Dele portanto, querer saber no final de nossa vida, o que foi que fizemos com o nosso viver, com a sua graça, com a vida nova que tivemos acesso, com a obra da salvação, uma pessoa extremamente bondosa e amorosa para conosco, nunca nos cobra nada, pois o seu amor é incondicional e gratuito, mas a gente se sente na obrigação de dar um retorno, que pode ser uma grande alegria, como a dos dois primeiros servos, que duplicaram os talentos que lhes foram confiados, ou então será um momento de grande tensão e angústia, marcado pelo medo, por causa de uma relação distorcida com o Patrão. Podemos perceber que os outros dois não tiveram a preocupação de justificar o porquê aplicaram bem o talento recebido, pois independente do rigorismo e da exigência do Patrão, sentiram-se no dever de corresponder à confiança neles depositada.
Deus reconhece as nossas limitações, ele sabe muito bem que nem todos irão viver bem, descobrindo o sentido da vida e vivendo na essência do seu amor, e por isso, diante dele é válido todo e qualquer esforço de se viver segundo suas leis e sua santa palavra. Podemos até dizer, que o talento dado, é a própria existência, visível aos nossos olhos, e que os talentos adquiridos com um bom investimento, são as graças sobrenaturais que antecipam em nosso caminhar, esta vida nova que Jesus nos presenteou. Na hora certa, esta vida não nos será tirada, mas enriquecida com os demais talentos ,quando vivemos bem a nossa vida terrena, entendendo que ela é muito mais do que aquilo que se vê, São Paulo chama isso de caminhar na Fé.
Porém, aquele que se apegou a esta simples existência, limitando-se a viver apenas na visão, alimentando sua esperança apenas com aquilo que esta vida terrena pode dar, este é o servo Mau e preguiçoso, que investiu mal a sua vida, e que no balanço final da sua existência, já diante de Deus, irá constatar horrorizado, que não auferiu nenhum lucro, e que o que pensava ser um grande lucro, foi na verdade uma grande e terrível perda, e que terminou o seu exercício terreno com um saldo negativo, devendo algo para Deus.
Há uma música pastoral belíssima, cujo refrão diz “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena!” Eis o grande segredo que o homem precisa descobrir que o viver não se restringe aos limites do corpo, mas que o homem traz em si as sementes da eternidade, de uma Vida renovada pela qual vale a pena lutar para buscá-la e mantê-la a cada dia, porque os nossos horizontes são muito mais amplos do que nossos olhos podem vislumbrar, e esta descoberta prodigiosa que muda tudo em nossa vida, só ocorre na vida de quem vive na Fé.
Ainda tomando o exemplo da Contabilidade empresarial, mês a mês se faz o balancete, que como o próprio nome diz, trata-se de um Balanço menor, que mostra os valores movimentados e ajudam o empresário a redirecionar seus investimentos, caso o resultado do balancete não seja bom, por isso esse evangelho nos convida também a um bom exame de consciência diante de Deus no sentido de saber com clareza e sinceridade, o que é que estamos fazendo da nossa vida, que são os talentos que Deus nos confiou, sempre é tempo de nos converter, de acertar as contas negativas e fazer novos investimentos na caridade, no amor, na solidariedade, com os lucros auferidos da Palavra de Deus e da força da Eucaristia.
A grande diferença da nossa vida de fé e de um controle contábil, é que o nosso Deus não é avarento nem egoísta, e o pouco que conseguirmos lucrar com a prática do amor cristão, já será suficiente para ouvirmos dele a palavra que o nosso coração anseia: “Porque foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!” Alegria que já experimentamos ainda nesta vida, quando colocamos todos os nossos talentos para servir os nossos irmãos, ajuntando um tesouro no céu.


Não emprestamos Fé, não insista-Diac. José da Cruz

SEXTA FEIRA DA 21ª SEMANA DO TC  01/09/2017
1ª Leitura Tessalonicenses 4, 1-8
Salmo 96/97 12 a “Alegrai-vos, ó justos, no Senhor”
Evangelho Mateus 25, 1-13
“”
A Fé é como esses cartões de créditos Bancários, pessoal e intransferível, não se dá, não se empresta e muito menos se barganha. Tem muita gente querendo salvar-se pegando carona na Fé dos avós ou dos pais, tem muito adulto que as vezes quer pegar carona na Fé de um filho mais jovem. Enfim, há muitos cristãos com a lamparina apagada porque o reservatório de combustível está totalmente seco. Se quiserem usar algo mais moderninho, tem muito cristão com a lanterna as escuras porque não trocou a bateria ou a pilha. E nesse caso, o que é que se perde? Simplesmente uma festança e tanto, daquelas que tem hora para começar e não tem hora para terminar. A parábola, um pouco fora do nosso contexto, retrata uma Boda onde o noivo ia a casa da noiva para levá-la á sua casa e iniciar as núpcias ou Lua de Mel. Tinha muita música, dança, comida, bebida e alegria.
Há também na parábola um caráter escatológico, o cristão está a espera da Festa celestial que acontecerá um dia, mas é preciso estar com as lâmpadas acesas em meio a tantos pontos obscuros dessa vida, na comunidade adquirimos esse azeite precioso da Palavra e da Eucaristia, que aumenta a nossa Fé, e assim, vamos mantendo a lâmpada sempre acesa e o reservatório de azeite, sempre cheio, nunca na Reserva. Mas se na comunidade encontramos esse azeite, é na comunidade também que temos uma antecipação da Festa das Núpcias que um dia virá. Em cada celebração renovamos a aliança selada com o sangue do Cordeiro imolado Jesus Cristo, que um dia também virá buscar a sua Igreja, para levá-la para sempre em sua casa. Nesse dia a Festa verdadeira irá começar e nunca mais terá um fim.
Mas quem estiver com a lâmpada vazia, porque não buscou o azeite que o próprio Senhor oferecia nas comunidades cristãs, vai ficar do lado de fora "chupando o dedo" porque o Dono da Festa não o reconhecerá. (Diácono José da Cruz – E-mail jotacruz3051@gmail.com)



          

Sempre Alerta!-Diac. José da Cruz

QUINTA FEIRA DA 21ª SEMANA DO TC  31/08/2017
1ª Leitura:   Tessalonicenses 3, 7-13
Salmo: 89 “ SACIAI-NOS DE MANHÃ COM VOSSO AMOR”
Evangelho: Mateus 24, 42-51
“Sempre Alerta!”
Um dia perguntei a um escoteiro qual seria o significado deste lema tão importante no escotismo: "Devemos estar sempre alerta, para fazer o bem quando necessário”. E ele prontamente respondeu: “Um bom escoteiro todo dia descobre uma possibilidade de ajudar pessoas em suas necessidades”.
Pois bem, o "Sempre alerta" dos escoteiros, neste Evangelho é o ‘VIGIAI’ dos cristãos, porque muitas vezes a gente pode perguntar: “Vigiar o quê? Estar vigilante para que exatamente?
A esse respeito, o Pe. Zezinho tem uma música muito simples, mas também muito profunda.
"Quando Jesus passar, eu quero estar no meu lugar”. Existe gente que gosta de VIGIAR a Vida dos outros e outros gostam de participar de tudo que é Vigília de oração. Eu mesmo já flagrei gente dormindo na Capela do Santíssimo em uma noite de oração, sapato de um lado, bolsa de outra, confortavelmente acomodada no tapete macio. A distinta dormia que até roncava. Uma intercessora de araque!!!
Tem ainda os penitentes atletas, que  passam a vida correndo do pecado e, mal cometeram um deslize, vão voando ao confessionário, aterrorizados pela ideia de morrerem em pecado e irem para as profundezas do inferno. Não é esta vigilância que Jesus recomenda aos discípulos, e nem somos contra vigília de oração, até já participamos de algumas delas.
Retomamos o lema do escoteiro, Vigiar é exatamente isso: perceber a possibilidade de ajudar alguém, de servir uma pessoa, de ser solidário com alguém que sofre, de ajudar a pastoral ou o grupo em alguma tarefa difícil e cansativa, mesmo que não faça parte do seu trabalho. Visitar um enfermo, ajudar na compra de um medicamento, visitar quem está preso e levar uma palavra de esperança, visitar pessoas que perderam um ente querido. Olha só que leque diversificado de obras boas. Mas para isso é preciso ter sensibilidade e percepção e isso vem com a oração. Ela nos torna íntimos de Deus e nos leva a experimentar Jesus em tantas e tantas situações do quotidiano. Muita gente desavisada está à espera do Senhor que virá nas nuvens e nem percebe que Ele já chegou e chega em cada momento de nossa vida, naquelas situações que às vezes passam desapercebidas.
É claro que, se não estamos acostumados com estas repetidas vindas do Senhor em nossa vida, iremos entrar em pânico quando Ele vier definitivamente. O Evangelho exemplifica esta ação vigilante com o servo Fiel e Prudente que está à frente de sua Família e tem a missão de alimentá-la... As pessoas mais próximas de nós, na Vida Familiar ou na comunidade, têm fome e precisam ser alimentadas no momento oportuno. Quando faltar amor, daremos amor; quando faltar a esperança, daremos esperança; quando falar compreensão e misericórdia, daremos compreensão e misericórdia; enfim, quando faltar nessas pessoas coragem, ânimo, conforto e consolo, daremos tudo isso.
Mas é bom pensar com seriedade nessa missão e ter consciência de que em todas estas necessidades em que servimos as pessoas, o alimento é um só: JESUS CRISTO. Perto de todos nós, que nos dizemos cristãos, ninguém pode perecer por falta destas coisas. O vigilante está muito atento às necessidades dos outros... Não é um olhar para cima e nem para nós, mas SIM para o outro....(Diácono José da Cruz – E-mailjotacruz3051@gmail.com) Revisão: Prof. JCBarbosa