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domingo, 25 de novembro de 2012

DOAR-SE - Fr. José Luís Queimado, CSsR.




  
DOAR-SE POR INTEIRO PARA DESTRUIR A EXPLORAÇÃO!

Esta passagem do Evangelho, ainda que não pareça, é muito complicada de ser entendida. Como vocês todos já sabem, caros leitores, os Evangelhos foram escritos muitos anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Muitas falas de Jesus foram guardadas na memória do povo, que ainda recitava as palavras do Mestre. Porém, quando os redatores dos Evangelhos começaram a escrever, muitas palavras do Mestre foram adaptadas. Mesmo que não concordemos com essa afirmação, essa é a realidade. Basta olhar na diversidade que existe entre os quatro Evangelhos, escritos em tempos diferentes.
Depois dessa introdução, podemos analisar esse texto. Jesus admira a doação da viúva, que deposita tudo o que tem no cofre do templo. Entretanto, sabemos que havia muita exploração por parte daqueles que cuidavam das oferendas do templo. Além de pagar pesados tributos ao Império Romano (tanto quanto pagamos de imposto hoje), os pobres de Israel tinham de dar uma contribuição ao templo. A oferta ou o dízimo deveriam ser pagos sem falta; essa não é a ideia que temos de dízimo nos dias de hoje. Pelo menos não era para ser essa a ideia! E a situação de uma viúva era ainda pior, é isso que veremos adiante.
A viúva (em grego: χήρα - chéra) era um dos seres mais frágeis da sociedade israelita. Numa realidade machista, a mulher era dependente do homem, pois esse provia a casa dos bens necessários. A mulher deveria ser uma boa e obediente esposa. Quando o marido falecia, a mulher ficava totalmente desamparada, pois perdia todos os direitos que a vida matrimonial lhe oferecia. Assim também eram os órfãos e os estrangeiros. Por isso, a exploração da viúva seria um grande pecado.
Talvez o evangelista quisesse mostrar o quanto Jesus se preocupava com a doação total de seus discípulos, que não deveriam imitar aqueles ricos. O sonho do Mestre era que os seus seguidores pudessem levar a sua mensagem de amor a todos os cantos da Terra, e isso exigia grande abnegação, – assim como fez a viúva. Mas é certo que Jesus reprovava a exploração dos pobres que os dirigentes do templo faziam. E é claro que Jesus muitas vezes questionou e foi contra as irregularidades que aconteciam na casa de Deus.
Que nós, cristãos apaixonados por Jesus, possamos dar aquilo que nos é essencial. Entregar a Deus a nossa própria vida. E isso se faz de várias formas: lutando pelas causas sociais; resgatando os sofredores de suas mordaças; vivendo com alegria o presente de Deus, que é a nossa vida; e amando os seres humanos que fazem parte de nossa história. Ainda que a viúva não seja o exemplo a ser seguido pelos pobres, que já são suficientemente explorados, temos de beber de um significado alternativo da leitura de hoje: o missão de Jesus exige de nós muita abnegação! Doação total de nossos dons para a construção do Reino de Deus.

DOAR-SE POR INTEIRO PARA DESTRUIR A EXPLORAÇÃO!





PERSEVERANTES NA FÉ NO AMOR E NA ESPERANÇA NADA HAVEREMOS DE TEMER! Olívia Coutinho



Dia 27 de novembro de 2012

Evangelho  Lc 21,5-11

 
Temos a tendência de querer tudo fácil, nem sempre temos paciência de esperar e numa busca incessante de algo que nos satisfaça de imediato, procuramos a felicidade fora de nós, sem nos voltar para o nosso interior, onde estão escondidos  os valores que devem nortear a nossa vida.
Ainda não vivenciamos a intensidade do amor, pois ainda não experimentamos o aconchego do colo de Deus, a alegria do perdão, a ternura de um olhar, o calor de um abraço, o afago de uma mão, os entrelaces dos corações, o poder da fé e da partilha!
Passamos o tempo todo Iludidos com o superficial, com o externo, deixando-nos seduzir pelo visual que mundo coloca diante dos nossos olhos. Não adentramos pela porta que se abre a todo instante para nos mostrar os verdadeiros  valores.  Longe destes valores, com certeza, o nosso destino será cair no vazio,  tornando alvos dos oportunistas, que tentam nos enganar com propostas que nos distancia cada vez mais da felicidade tão almejada!
No evangelho de hoje, Jesus, ao fazer um comentário sobre a destruição do templo de Jerusalém, deixa seus ouvintes apreensivos, pois eles associavam a destruição do templo, com o final do mundo. As pessoas que admiravam a beleza do templo, estavam atraídas somente pelo superficial e o que Jesus quis mostrar, era  que o material que enfeitava o templo,  poderiam ser facilmente destruído, enquanto que, o amor e a fé daquele que o segue, jamais seria destruído.  
“A constatação de Jesus a respeito da destruição do templo, expressa o destino das realidades humanas”: “não ficará pedra sobre pedra”.  O fim do homem não é o fim da sua vida física e sim, a sua ruína.  E Jesus não quer isso, Ele não quer que nenhum daqueles que o Pai lhe confiara se perca e caia em ruína.
No texto, Jesus também nos fala de guerras, revoluções, não, com o intuito de nos amedrontar e sim, de nos deixar uma grande mensagem de esperança.
Precisamos nos conscientizar, de que todos os bens terrenos são passageiros e o que vai valer mesmo, são os bens fundamentados no amor!
Jesus nos adverte  sobre o perigo de nos apegar as coisas que perecem e nos esquecer do principal: o cuidar bem do templo que é o nosso coração, os templos de pedras, serão facilmente destruídos, mas este templo, quando habitado por Ele, jamais será destruído!
Cuidando bem do nosso interior, disponibilizando a nossa vida na construção de um reino de amor e de justiça, jamais cairemos em ruínas, pois estaremos sempre em sintonia com o nosso Deus de amor!
 Que a nossa preocupação maior não seja em buscar sinais dos fins dos tempos e sim, em cuidar bem do nosso interior: o templo sagrado onde Jesus  quer fazer morada!
Perseverantes na fé, no amor e na esperança, nada haveremos de temer, mesmo em meio às turbulências do mundo.
 
FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força. Padre Queiroz


01 de Dezembro
Evangelho - Lc 21,34-36

Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força.
Neste Evangelho, o último do ano litúrgico, Jesus volta a nos falar do fim do mundo. Mas num sentido amplo, que inclui também o fim da vida terrena de cada um de nós. Essa força que devemos ter é para escapar a tudo o que deve acontecer e para ficarmos de pé diante de Jesus, o Juiz, com quem nos encontraremos.
Ninguém consegue prever o dia da própria morte. Ela vem de forma inesperada. “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha”. Quantas pessoas vivem como se não fossem morrer nunca!
Recordando o catecismo, após a morte nós iremos para um destes três lugares: para o céu, para o purgatório ou para o inferno. O purgatório é um sofrimento passageiro, apenas um tempo de purificação. Mas o inferno... Deus nos livre!
Na prática, a escolha do nosso lugar é feita por nós mesmos. Jesus, o Juiz, vai apenas confirmar. E ele o fará com tristeza, se morrermos longe do seu Evangelho e dos mandamentos de Deus, pois a mesma direção que tivermos dado à nossa vida aqui na terra, o Juiz deverá confirmar depois, em respeito à nossa liberdade. Portanto, somos nós que escolhemos o lugar onde viveremos eternamente.
Daí a importância de levarmos a sério os mandamentos de Deus. Jesus veio para nos salvar, e quer nos ver todos no Céu; por isso que nos deixou palavras claras como as do Evangelho de hoje.

Certa vez, um raio de uma bicicleta resolveu abandonar o seu trabalho. Ele pensou: são tantos raios ao meu lado, todos presos no eixo e segurando a roda, um a menos não vai fazer falta.
E foi-se embora, desligando-se da bicicleta. Mas ele estava enganado. O dono colocou a sua filha na garupa e foi levá-la à escola. A estrada era esburacada e cheia de pedras. No caminho, a roda se entortou, os dois caíram e se machucaram!
Todas as funções na sociedade são importantes.
“Quando Jesus passar, eu quero estar no meu lugar.” Que bom se, quando a nossa vida chegar ao fim, nós estivermos cada um no seu lugar, cumprindo com fidelidade aquela missão que Deus nos confiou!
Maria Santíssima, a nossa Mãe, está pronta a nos ajudar dia e noite. Peçamos a intercessão dela. “Maria, ó Mãe cheia de graça... nós queremos contigo estar no Céu!”
Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força. 

Padre Queiroz

Jesus não trabalha sozinho- Frei. Altair Fernandes Correa. O.M



30 de Novembro
Evangelho - Mt 4,18-22

Queridos irmãos e irmãs, o evangelho de hoje, nos apresenta que Jesus não trabalha sozinho. O ponto de partida da ação de Jesus ficava às margens do lago de Genesaré, também chamado mar da Galiléia. Hoje a Igreja comemora a festa de Santo André, apóstolo. Ele foi o primeiro a ser chamado, sendo irmão de Pedro.
O apóstolo Santo André, manteve sua fidelidade ao evangelho, conforme a tradição Cristã, ele foi martirizado por volta do ano 63.
No meio dos pescadores, pessoas simples e humildes, Jesus encontrou os seus primeiros seguidores e colaboradores: Simão chamado Pedro, e seu irmão André, Tiago e João. É interessante que encontra dois pares de irmão, um dos sinais de que o Reino é lugar de fraternidade. Jesus chama homens trabalhadores, porque ele não precisa de teoria, mas sim de ação.
O reino de Deus tem que ser ação, é interessante que os dois primeiros são chamados, e os outros dois nem precisam ser chamados para seguir o mestre. Jesus entra na vida de cada um, dando um novo sentido para o que cada um faz. É através das nossas habilidades e daquilo que desenvolvemos, da nossa profissão, é que podemos contribuir para a construção do Reino da justiça, paz, esperança e vida digna para todos os nossos irmãos. Temos que deixar de lado os nossos interesses estreitos e mesquinhos e egoístas, para pôr a serviço de Jesus, e colocar as nossas capacidades e o nosso dom para o bem comum.
Esse convite que Jesus fez para os seus primeiros discípulos, ele faz hoje para cada um de nós, venha somar, para construir o Reino de Deus aqui na terra, para que todos possam escutar a voz do bom Pastor e colocar-se ao caminho do mestre da vida.
A paz de Cristo.


Frei. Altair Fernandes Correa. O.M

DE CABEÇA ERGUIDA-Alexandre Soledade



29 de Novembro
Evangelho - Lc 21,20-28

Alexandre Soledade


Bom dia!
Ontem enfatizávamos o LEVANTAR e CONTINUAR e hoje, após uma mensagem tão direta sobre o futuro do povo de Jerusalém, Ele diz para eles e para nós “(…) FIQUEM FIRMES E DE CABEÇA ERGUIDA, POIS LOGO VOCÊS SERÃO SALVOS”. Além de mim e de você quem hoje precisaria ouvir essa mensagem?
Sempre enfatizo a dificuldade que temos de  encarar o futuro sem medo, da nossa facilidade em conjugar na prática verbos no futuro e no gerúndio, pois sempre “serei” ou “tentando”, e do nosso empenho (ou falta dele) pessoal em fazer render as moedas. Hoje, às portas do Advento, momento propício para reconciliação, escuta e principalmente da auto-reflexão, o que penso em fazer?.
Talvez nessa auto-reflexão venha a nosso pensamento desastres naturais, situações difíceis ou até mesmo pessoas que nos prejudicaram, mas o que deve nortear a nossa auto-análise é o quanto me preocupei por coisas futuras e esqueci do presente. O futuro depende das atitudes que tomo hoje e não ao contrário. Muita gente espera o fim, pois parece que ele de fato chegou a vida delas.
Reparemos que por trás dessas últimas passagens tão apocalípticas, Jesus apresenta uma mensagem que denota sempre um recomeço. Esse novo START é dado a partir de uma atitude, uma fagulha, uma faísca dentro de cada um de nós. Nossa vida tende a INÉRCIA se não ficarmos monitorando-a. Repare que se fosse de nossa própria vontade, ao chegar cansados do trabalho, tomaríamos um banho e relaxaríamos (até dormiríamos) no sofá. Mas algo nos inquieta, nos move, que pode ser um coração que pulsa; um pensamento caridoso, um gesto fraterno… É essa fagulha gerada pelo Espírito Santo que nos lança ao desconhecido, longe da nossa zona de conforto, mas ainda mais próximo de Deus e daqueles que mais precisam.
O mundo não acabou, por que desistir? Como Fabio de Melo canta “há sempre motivos pra recomeçar”.
Como explicar o empenho de um casal no interior de Sergipe que tem cerca de 30 filhos adotivos? Como entender a olhos humanos o gesto de João Paulo II ao ir à prisão e perdoar aquele que desejou sua morte mesmo ainda sentindo as dores do tiro que levou? Como dizer não a alguém que procura nosso ombro pra chorar? Como negar um conselho?
“(…) Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos. Aquele que escuta a palavra sem a realizar assemelha-se a alguém que contempla num espelho a fisionomia que a natureza lhe deu: contempla-se e, mal sai dali, esquece-se de como era. Mas aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera – não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito -, este será feliz no seu proceder”. (Tiago 1, 22-25)
Irmãos! O advento que se aproxima, ele é um momento propício para oração. Através dela conseguimos remover ou transpor problemas do tamanho de montanhas. Por meio dela nos tornamos íntimos do projeto do Pai e só assim, não conseguiremos mais fechar os olhos e ouvidos… Passamos a captar a direção divina, pois nosso pensamento não se afasta tão facilmente. Talvez seja isso que deveríamos fazer, não somente durante os grandes problemas, mas sim, rotineiramente.
Um imenso abraço fraterno.

Todos vos odiarão por causa de mim. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. Padre Queiroz



28 de Novembro
Evangelho - Lc 21,12-19

Todos vos odiarão por causa de mim. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça.

Neste Evangelho, Jesus nos previne sobre as perseguições que seus discípulos sofrerão, até dentro de casa e pelos parentes mais próximos. A orquestração do ódio crescerá tanto que todos e todas em nossa volta posicionar-se-ão contra nós. Mesmo assim, garante Jesus, não nos atingirão, porque Deus está do nosso lado.
Nessas horas, devemos evitar duas coisas: 1ª) Praticar a violência, a vingança, ou qualquer outro desvio do Evangelho. Pelo contrário, serão ocasiões de testemunharmos a nossa fé. “Sede cordeiros no meio de lobos”. “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” 2ª) Esta é a mais comum: desistir ou diminuir o fervor e a dedicação, fazendo uma espécie de negociação com os perseguidores. As duas posições são sinais de falta de fé, ou de fé fraca.
“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto” (Jo 12,24). “Quem não pega a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem busca salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará” (Mt 10,38-39).
Se pegamos um ferro quente e o mergulhamos na água fria, acontece o choque térmico, espirrando água para todo lado. Assim é o cristão, vivendo no meio do mundo pecador. Ele não provoca; é a própria vida dele ou dela que gera o choque, resultando na perseguição.
Podemos ampliar o sentido da palavra perseguição e incluir todas as dificuldades, confrontos de idéias e dificuldades que encontramos: atritos, oposições veladas e silenciosas, antipatias...
“Os Apóstolos saíram do tribunal muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus” (At 5,41). A perseguição e o desprezo nos identificam com Cristo e assim nós nos tornamos colaboradores no seu sacrifício pela redenção. Isso nos causa alegria, evidentemente.
“Naqueles dias, começou uma grande perseguição contra a Igreja que estava em Jerusalém. Todos, com exceção dos apóstolos, se dispersaram pelas regiões da Judéia e da Samaria. Entretanto, aqueles que se tinham dispersado iam por toda a parte levando a palavra da Boa Nova” (At 8,1.4). Está aí um exemplo do que Jesus falou no Evangelho de hoje: “Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé”.
“Todos os que querem levar uma vida fervorosa em Cristo serão perseguidos” (2Tm 3,12). 87“Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultar, porque é grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5,10-11).
O mundo pecador segue, não a Deus, mas a outro chefe. E faz parte do ser humano se opor a quem vive ao lado e tem outra cabeça, outros princípios, outros valores, outra vida. O primeiro esforço é de cooptação; se não consegue, surge a perseguição aos cristãos.
Entretanto, numa sociedade de maioria católica como a nossa, geralmente não atacam abertamente a Igreja Católica. A tática é atacar cada cristão ou cristã individualmente, e de forma disfarçada: ridicularizações, apelidos...
Jesus pede: “Não planejeis antecipadamente a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas que nenhum inimigo vos poderá resistir ou rebater.” Como é bom sentir esse apoio numa hora de aperto! “Vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça”. Isto é: nada vos sucederá sem que o Pai, em cujas mãos estais, o disponha para o vosso bem.
“É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” Está aí o objetivo de todo o discurso de Jesus: levar-nos à firmeza.
Muitos querem um cristianismo “soft”, sem cruz, e que apresenta o céu com portas largas. Até religiões são fundadas nessa linha. Mas a religião de Jesus, aquela que tem as chaves do céu, é um caminho estreito.
Havia, certa vez, um pequeno povoado de pescadores, na beira da praia. De repente ele começou a diminuir a passos largos. Todo final de tarde, um monstro aparecia no mar e fazia vítimas! O povo vivia em pânico! Ia diminuindo de dia para dia. Aquele mostro oprimia e destruía o povoado, paralisando de medo as pessoas.
Um dia, chegou um sábio àquele povoado e logo ficou sabendo das histórias do mostro que aparecia na praia e atacava a aldeia. O povo pediu ajuda ao sábio. Este convocou todo o povo da aldeia para se juntar na beira da praia, no final da tarde, pela hora em que o monstro costumava aparecer. Naquele final de tarde, todo o povo se juntou na beira da praia, à volta do sábio. Ele falou:
“Eu sou meio cego... já não enxergo as coisas direito. Por isso, quero que vocês falem, que vocês vão dizendo como é o monstro, quando ele aparecer!”
Todo o povo ficou em silêncio, na expectativa! De repente, alguém gritou: “É ele! Está aparecendo!” Imediatamente o povo se atropelou, correndo, fugindo, gritando de medo... Mas o sábio logo gritou interrompendo a correria: “Não! Ninguém foge! Continuem todos aqui! Continuem olhando o mostro e falando o que vai acontecendo com ele!” E o povo, morrendo de medo, segurou a vontade de fugir e continuou relatando a evolução do monstro. “Aí vem ele! Está aumentando! Vem caminhando na direção da praia! Está ficando cada vez maior!”
Alguns não agüentavam o medo e saíam correndo. Mas o sábio logo interrompia a correria, pedindo que continuassem olhando o monstro e relatando o que estava acontecendo.
“Está... está diminuindo... está desaparecendo... desapareceu...”
O monstro são os inimigos de Cristo e dos cristãos. Se não nos unirmos, e tivermos medo, ele ficará cada vez maior e nos devorará. Mas se nos unirmos e formos corajosos na fé, ele desaparecerá. Às vezes, pequenos obstáculos da vida podem nos parecer monstros grandes e terríveis. Nessas horas, se tivermos medo e não nos unirmos, eles nos devorarão na certa.
Maria Santíssima não ficou livre das perseguições. Imagine o que ela sofreu ao pé da cruz, e em todas as suas dores. Que ela nos ajude.
Todos vos odiarão por causa de mim. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça.

Padre Queiroz

Uma visão apocalíptica da vida-Alexandre Soledade



27 de Novembro
Evangelho - Lc 21,5-11



Bom dia!
Quantas pessoas que conhecemos vivem uma visão apocalíptica da vida? Quantos parecem ter desistido de lutar em vida e passado a esperar o fim como salvação. Sim! Parece que seja esse o grande motivo de se desejar tanto o fim do mundo – um fruto amargo chamado insatisfação pessoal.
Estranhamente, vemos nessas pessoas, irmãos e irmãos de longa caminhada, a descrença quanto ao futuro em vista do seu ATUAL presente. Sei que é duro de falar nisso, mas todo aquele que se apega ao apocalipse esquece-se de viver a Páscoa. Como pode alguém convencer outro sobre a vida, a cura, de um milagre se no fundo deseja fugir?
Pensar no fim pode ser sim uma fuga da realidade. É querer como os apóstolos no monte Tabor, esquecer de voltar à realidade e ali montar suas tendas. É tentar “apressar” a volta de Jesus para enfim morar no paraíso. Todos queremos um dia sermos dignos do paraíso, mas creio que não é fugindo que o alcança.
Jeremias vivia exilado na Babilônia, Deus se fez revelar assim:
“(…) Sei muito bem do projeto que tenho em relação a vós — oráculo do SENHOR! É um projeto de felicidade, não de sofrimento: dar-vos um futuro, uma esperança! Quando me invocardes, ireis em frente, quando orardes a mim, eu vos ouvirei. Quando me procurardes, vós me encontrareis, quando me seguirdes de todo coração, eu me deixarei encontrar por vós — oráculo do SENHOR. Mudarei vosso destino, vou reunir-vos de todos as terras e lugares por onde vos dispersei — oráculo do SENHOR —, e trazer de volta para este lugar do qual vos exilei”. (Jeremias 29, 11-14)
Esse pensamento apocalíptico é tão evidente em algumas pessoas que até se dão ao luxo de escolher datas como 2000, 2012, 2023, (…) ou quando vêem doenças novas surgir a anunciar o fim dos tempos. Lembro recentemente da gripe suína, conheço gente que não saia de casa esperando o fim do mundo (hunf). Isso não é brincadeira e sim fanatismo religioso baseado na imaturidade pessoal.
Não vejo Deus preocupado em destruir aquilo que pacientemente edificou. Jesus nesse evangelho profetisa o que realmente veio acontecer com Jerusalém e fatalmente aconteceria a todas as nações que assim se comportassem. Se cada um de nós não levantar a bandeira de defesa do meio ambiente, com certeza, um dia teremos problemas, pois isso é um fato; se não levantarmos a bandeira da defesa das famílias, do emprego, da dignidade humana, (…) também teremos problemas, mas as nossas dificuldades atuais não podem nos impor um regime de medo e tão pouco o direito de amedrontar as pessoas.
Deus anda conosco e sempre andará. Atitudes mudadas no presente podem nos garantir um futuro melhor. Não nos exilemos ou nos encarceremos pelo medo. “(…) Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de moderação”. (II Timóteo 1, 7)
Como nosso frei Alceu diz: “fuja desse povo que vê o fim do mundo toda hora”.
Um imenso abraço fraterno.

DOAR-SE POR INTEIRO PARA DESTRUIR A EXPLORAÇÃO! Fr. José Luís Queimado, CSsR.



Segunda  26 de Novembro
Evangelho - Lc 21,1-4

DOAR-SE POR INTEIRO PARA DESTRUIR A EXPLORAÇÃO!

Esta passagem do Evangelho, ainda que não pareça, é muito complicada de ser entendida. Como vocês todos já sabem, caros leitores, os Evangelhos foram escritos muitos anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Muitas falas de Jesus foram guardadas na memória do povo, que ainda recitava as palavras do Mestre. Porém, quando os redatores dos Evangelhos começaram a escrever, muitas palavras do Mestre foram adaptadas. Mesmo que não concordemos com essa afirmação, essa é a realidade. Basta olhar na diversidade que existe entre os quatro Evangelhos, escritos em tempos diferentes.
Depois dessa introdução, podemos analisar esse texto. Jesus admira a doação da viúva, que deposita tudo o que tem no cofre do templo. Entretanto, sabemos que havia muita exploração por parte daqueles que cuidavam das oferendas do templo. Além de pagar pesados tributos ao Império Romano (tanto quanto pagamos de imposto hoje), os pobres de Israel tinham de dar uma contribuição ao templo. A oferta ou o dízimo deveriam ser pagos sem falta; essa não é a ideia que temos de dízimo nos dias de hoje. Pelo menos não era para ser essa a ideia! E a situação de uma viúva era ainda pior, é isso que veremos adiante.
A viúva (em grego: χήρα - chéra) era um dos seres mais frágeis da sociedade israelita. Numa realidade machista, a mulher era dependente do homem, pois esse provia a casa dos bens necessários. A mulher deveria ser uma boa e obediente esposa. Quando o marido falecia, a mulher ficava totalmente desamparada, pois perdia todos os direitos que a vida matrimonial lhe oferecia. Assim também eram os órfãos e os estrangeiros. Por isso, a exploração da viúva seria um grande pecado.
Talvez o evangelista quisesse mostrar o quanto Jesus se preocupava com a doação total de seus discípulos, que não deveriam imitar aqueles ricos. O sonho do Mestre era que os seus seguidores pudessem levar a sua mensagem de amor a todos os cantos da Terra, e isso exigia grande abnegação, – assim como fez a viúva. Mas é certo que Jesus reprovava a exploração dos pobres que os dirigentes do templo faziam. E é claro que Jesus muitas vezes questionou e foi contra as irregularidades que aconteciam na casa de Deus.
Que nós, cristãos apaixonados por Jesus, possamos dar aquilo que nos é essencial. Entregar a Deus a nossa própria vida. E isso se faz de várias formas: lutando pelas causas sociais; resgatando os sofredores de suas mordaças; vivendo com alegria o presente de Deus, que é a nossa vida; e amando os seres humanos que fazem parte de nossa história. Ainda que a viúva não seja o exemplo a ser seguido pelos pobres, que já são suficientemente explorados, temos de beber de um significado alternativo da leitura de hoje: o missão de Jesus exige de nós muita abnegação! Doação total de nossos dons para a construção do Reino de Deus.
Hoje, também, comemoramos o dia de santa Cecília, padroeira dos músicos. As datas de nascimento e de morte de Cecília são obscuras, mas a hipótese é que ela tenha sido martirizada no governo do imperador romano marco Aurélio, talvez em 180 d.C. Ela se tornou a padroeira dos músicos porque a tradição diz que, enquanto morria, Cecília cantava glorificando a Deus. Ela e seu marido, Valeriano, foram martirizados por abraçar a fé em Jesus Cristo. Que Santa Cecília seja o exemplo de coragem e perseverança para todos nós, cristãos!
DOAR-SE POR INTEIRO PARA DESTRUIR A EXPLORAÇÃO!


Fr. José Luís Queimado, CSsR.