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domingo, 3 de janeiro de 2021

A Conversão de S. Paulo-Dehonianos

 

Conversão de S. Paulo

25 Janeiro 2021

Saulo, cidadão romano por privilégio da sua cidade natal, Tarso, era um judeu convicto, formado na escola de Gamaliel, em Jerusalém. Opôs-se decididamente à nova fé que começava a propagar-se na Palestina e arredores. Clamou pela morte de Estêvão, e tomou parte nela, guardando as capas dos que apedrejavam o protomártir. Perseguiu violentamente os crentes em Jesus Cristo. O seu nome causava terror nas comunidades cristãs. Ao dirigir-se para Damasco para prender os cristãos que lá encontrasse e conduzi-los a Jerusalém, encontrou Jesus ressuscitado. Esse encontro mudou-lhe para sempre a vida, com a sua forma de crer e de pensar. Jesus ressuscitado, que ele perseguia, tornou-se o centro da sua espiritualidade e da sua teologia. Em Antioquia, Saulo faz a sua primeira experiência de vida cristã. Tornado apóstolo do Evangelho, com o nome de Paulo, Antioquia será também o ponto de partida para as suas viagens missionárias. Funda diversas comunidades na Ásia e na Europa. Escreve-lhes cartas que testemunham o seu amor a Jesus Cristo e à Igreja, e nos dão elementos importantes da sua teologia. Como apóstolo verdadeiro e autêntico, Paulo tem sempre o cuidado de voltar a Jerusalém para se confrontar com os outros apóstolos e não correr em vão.

Há muitos séculos que a festa da conversão de S. Paulo foi fixada no dia 25 de Janeiro, talvez por causa da data da transladação do seu corpo, que atualmente repousa na Basílica de S. Paulo Fora dos Muros, em Roma.
Lectio

Primeira Leitura: Act 22, 3-16

Naqueles dias, Paulo disse ao povo: "Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui educado nesta cidade, instruído aos pés de Gamaliel, em todo o rigor da Lei dos nossos pais e cheio de zelo pelas coisas de Deus, como todos vós sois agora. 4Persegui de morte esta «Via», algemando e entregando à prisão homens e mulheres, 5como o podem testemunhar o Sumo Sacerdote e todos os anciãos. Recebi até, da parte deles, cartas para os irmãos de Damasco, onde ia para prender os que lá se encontrassem e trazê-los agrilhoados a Jerusalém, a fim de serem castigados. 6Ia a caminho, e já próximo de Damasco, quando, por volta do meio dia, uma intensa luz, vinda do Céu, me rodeou com a sua claridade. 7Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: 'Saulo, Saulo, porque me persegues?' 8Respondi: 'Quem és Tu, Senhor?' Ele disse-me, então: 'Eu sou Jesus de Nazaré, a quem tu persegues.' 9Os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz de quem me falava. 10E prossegui: 'Que hei-de fazer, Senhor?' O Senhor respondeu-me: 'Ergue-te, vai a Damasco, e lá te dirão o que se determinou que fizesses.' 11Mas, como eu não via, devido ao brilho daquela luz, fui levado pela mão dos meus companheiros e cheguei a Damasco. 12Ora um certo Ananias, homem piedoso e cumpridor da Lei, muito respeitado por todos os judeus da cidade, 13foi procurar-me e disse: 'Saulo, meu irmão, recupera a vista.' E, no mesmo instante, comecei a vê-lo. 14Ele prosseguiu: 'O Deus dos nossos pais predestinou-te para conheceres a sua vontade, para veres o Justo e para ouvires as palavras da sua boca, 15porque serás testemunha diante de todos os homens, acerca do que viste e ouviste. 16E agora, porque esperas? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome.

Este é um dos três relatos com que Lucas enriquece a história da primitiva comunidade cristã. Sem se preocupar com o rigor histórico, - alguns pormenores são mesmo improváveis -, o autor do livros dos Atos pretende personificar em Paulo a justificação do cristianismo e a falta de razão do judaísmo.
O evento de Damasco articula-se em três momentos: um diálogo de reconhecimento mútuo entre Jesus Ressuscitado e Saulo de Tarso; a conversão de Saulo revelada na pergunta: "Que hei de fazer, Senhor?"; a missão: quem conheceu a vontade de Deus e viu o Justo recebendo a palavra da sua boca, torna-se testemunha do que viu e ouviu. Doravante, para Paulo, a única forma de vida é ser missionário.
Evangelho: Marcos 16, 15-18

Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. 16Quem acreditar e for batizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado. 17Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: em meu nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, 18apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados.»

Paulo não pertenceu ao grupo dos Doze. Mas a Liturgia aplica-lhe também as palavras de Jesus aos Doze, no momento em que subia ao céu: "Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura" (v. 15). Paulo, depois da sua experiência de fé e de comunidade, torna-se verdadeiro apóstolo de Jesus. Desde sempre a Igreja entendeu que o mandato missionário do Ressuscitado se dirigia também a ele. Paulo submete-se e obedece.
Deus quer salvar a humanidade com a colaboração da própria humanidade. Jesus precisa de missionários-testemunhas. A salvação é fruto da pregação e realiza-se pelo ato de fé de quem a escuta: "Quem acreditar e for batizado será salvo" (v. 16). Deus, que nos criou sem nós, não nos salva sem a nossa colaboração.
Os sinais e prodígios que acompanham a pregação dos apóstolos manifestam a presença consoladora de Deus no meio de nós.
Meditatio

Em S. Paulo revela-se verdadeiramente o poder de Deus. Inimigo acérrimo do nome de Cristo, Saulo encontra-se com o Senhor no caminho de Damasco, acolhe-o na fé e torna-se seu Apóstolo entusiasta, com uma fecundidade extraordinária, que ainda não terminou. O seu itinerário de fé é símbolo do nosso.
Acreditar implica, antes de mais, encontrar pessoalmente Jesus de Nazaré, Deus feito homem. O cristão não se acredita numa doutrina, num sistema, mas numa pessoa, a pessoa humano-divina de Jesus. Ter fé é aderir vitalmente a Jesus, de tal modo que já não se pode viver sem Ele.
Realizado o encontro, passa-se ao diálogo, uma vez que a fé é encontro e adesão entre pessoas inteligentes e livres. A quem se dispõe ao diálogo, Deus revela a Si mesmo, revela a sua vontade e os seus projetos. Este diálogo vital leva aqueles que o realizam a uma forma de vida cada vez mais elevada.
Mas a fé cristã também é obediência, submissão, abandono total da criatura ao Criador. Obedecer não significa abdicar da própria liberdade ou dos próprios direitos. Significa, sim, perceber a imensa distância que existe entre si o interlocutor e, ao mesmo tempo, intuir que a adesão à vontade divina leva à total satisfação e realização de si mesmo.
Finalmente, a fé cristã é também missão. Não se pode privatizar um bem que, por sua natureza, é comunitário. Quem recebeu de Cristo o dom da salvação em Cristo, sente-se intimamente obrigado a fazer dele um dom para os outros.
O Apóstolo Paulo é nosso guia em tempos de aprofundamento espiritual e de renovação apostólica. Como ele, o apóstolo dos tempos novos deve procurar, em primeiro lugar, a inteligência do Mistério de Cristo num apego inquebrantável ao seu Amor (cf. Ef 3, 4; Rm 8, 35; Fl 3, 8-10). É apóstolo, em primeiro lugar, pelo testemunho da visão de Cristo (At 26, 1) e tornando-se no Espírito imagem viva do Salvador morto e ressuscitado. É a caridade do Senhor que vive nele e que o impele em direção aos homens para lhes anunciar o Evangelho de Deus, o Evangelho que todos podem ler na sua vida e nos seus escritos. Ensina-nos o serviço ardente e inteligente em favor do Reino. Vivendo de Cristo, a ponto de ser identificado com Ele pela graça (Gl 2, 20), lembra-nos que o serviço apostólico enraíza numa verdadeira consagração a Deus e dá à nossa oblação capacidade para se manifestar e aprofundar no trabalho generoso para que a humanidade se torne «uma oblação agradável santificada pelo Espírito Santo (XV Capítulo Geral, DOC VII, n. 167).
Oratio

Apóstolo S. Paulo, na tua juventude, deixaste-te levar por um zelo ardente mas errado em favor da unidade do povo de Deus. Por isso, perseguiste duramente os cristãos. Deus converteu-te e introduziu-te na Igreja, Corpo de Cristo, onde deve integrar-se quem quiser viver na verdadeira fé. Mas a tua adesão a Cristo e a tua integração na Igreja não te fizerem esquecer o teu povo, pelo qual sentias uma dor profunda e permanente. Que a minha alegria de estar em Cristo não me faça esquecer a situação do antigo Povo de Deus, nem a dos cristãos divididos, que tardam em chegar à unidade que Deus quer. Ámen.
Contemplatio

S. Paulo recolhe-se alguns dias, depois começa a pregar a divindade de Jesus Cristo. Será um dos mais poderosos apóstolos pela palavra e pelo sofrimento. «Escolhi-o, dizia Nosso Senhor, para levar o meu nome diante das nações e dos reis e dos filhos de Israel, e hei de mostrar-lhe quanto terá de sofrer pelo meu nome». A sua conversão e a sua vocação são devidas à misericórdia do Coração de Jesus. O Coração de Jesus ama as almas ardentes, zelosas, dedicadas. Mas a oração de Santo Estêvão contribuiu para estas grandes graças. Santo Estêvão rezava pelos seus perseguidores, entre os quais S. Paulo era o mais ardente. Se soubermos rezar e sofrer pelas almas, obteremos grandes graças, ilustres conversões, vocações poderosas. Ofereçamos as nossas orações, as nossas cruzes, os nossos sofrimentos ao Coração de Jesus para que envie à sua Igreja, nestes tempos difíceis, apóstolos poderosos em palavras e em obras (L. Dehon, OSP 3, p. 90s.).
Actio

Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
"Que hei de fazer, Senhor?" (At 22, 10).

Viram Jesus andar sobre o mar-Dehonianos

 

6 Janeiro 2021

Tempo do Natal – Quarta-feira depois da Epifania

Lectio

Primeira leitura: 1 João 4, 11-18

11*Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros. 12*A Deus nunca ninguém o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós. 13Damos conta de que permanecemos nele, e Ele em nós, por nos ter feito participar do seu Espírito. 14*Nós

o contemplámos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15*Quem confessar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. 16*Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.17*É nisto que em nós o amor se mostra perfeito: se somos no mundo como Ele foi e se esperamos confiantes o dia do juízo. 18No amor não há temor; pelo contrário, o perfeito amor lança fora o temor; de facto, o temor pressupõe castigo, e quem teme não é perfeito no amor.

Se «Deus é amor», isso tem consequências na vida cristã. É o que João afirma no texto que escutamos hoje. Primeiro, para possuir a Deus, o amor recíproco é o caminho mais excelente. Este amor é o meio mais eficaz para que o amor de Deus permaneça nos crentes como presença experimencial e seja perfeito à imitação do amor vivido por Cristo (cf. v. 12). Segundo, a posse do Espírito é dom que nos guia no nosso caminho interior de vida espiritual (cf. v. 13). Terceiro, a fé em Jesus Salvador do mundo: «Quem confessar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus» (v. 15). Só quem acredita no Filho de Deus feito homem, conhece e ama a Deus.

Para que o amor a Deus cresça em nós, é preciso ultrapassar o temor (vv. 17-18). Quando chegar a hora do juízo final, o discípulo de Jesus terá uma certa familiaridade com Ele que lhe dará confiança (cf. v. 17), porque terá amado os irmãos com o mesmo amor com que foi amado por Jesus. Nisto consiste a perfeição do amor: confiar em Deusno dia do juízo, porque tratará os crentes como filhos muito amados. É uma confiança que se torna certeza de vitória.

Evangelho: Marcos 6, 45-52

Depois de ter matado a fome a cinco mil homens, 45*Jesus obrigou logo os seus discípulos a subirem para a barca e a irem à frente, para o outro lado, rumo a Betsaida, enquanto Ele próprio despedia a multidão. 46Depois de os haver despedido, foi orar para

o monte. 47*Era já noite, a barca estava no meio do mar e Ele sozinho em terra. 48*Vendo-os cansados de remar, porque o vento lhes era contrário, foi ter com eles de madrugada, andando sobre o mar; e fez menção de passar adiante. 49Mas, vendo-o andar sobre o mar, julgaram que fosse um fantasma e começaram a gritar, 50pois todos
o viram e se assustaram. Mas Ele logo lhes falou: «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais!» 51*A seguir, subiu para a barca, para junto deles, e o vento amainou. E sentiram um enorme espanto, 52*pois ainda não tinham entendido o que se dera com os pães: tinham o coração endurecido. Depois da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus ordenou aos discípulos que passassem à outra margem, enquanto Ele ia rezar (cf. v. 46). Era frequente em Jesus esta oração a sós com o Pai, na solidão e no silêncio, mas que não deixava de ser solidária com os discípulos. Estes encontravam-se em dificuldades na travessia do mar da vida: surpreendera-os a noite e o vento contrário. Então Jesus vai ao encontro deles caminhando sobre o mar. Faz menção de passar adiante para não se impor com um milagre (cf. 48). Mas, diante da perturbação deles, ao ouvir o grito que lançaram, acalma o vento e diz-lhes: «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais!» (v. 50).

O espanto dos discípulos, unido à falta de fé em Jesus, invadiu-lhes o coração, porque não tinham compreendido o sinal dos pães e a própria identidade do seu Mestre, como Messias e Filho de Deus. As perspectivas de Jesus e dos discípulos são diferentes: eles têm «o coração endurecido» (v. 52), tal como Israel no deserto. Para reconhecer o rosto do Mestre, a comunidade precisa de acolhê-lo na sua barca e confiar nele, invocando-o na oração, pois não faltarão momentos de provação, de tempestade.

Meditatio

A multiplicação dos pães, em que os Apóstolos tinham participado activamente, deixou-os humanamente satisfeitos e eufóricos. Jesus teve de fazê-los aterrar. Para isso, mandou-os para o mar… As dificuldades encontradas, ao passarem para a outra margem, obrigam-nos a abandonar as suas demasiadamente humanas e enchem-nos de terror. É então que Jesus intervém: «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais». Retomada a confiança, compreendem que tem que avançar com Ele, como Salvador, mais para o alto: «pois ainda não tinham entendido o que se dera com os pães, pois tinham o coração endurecido». Jesus terá que falar-lhe várias vezes da sua paixão para os fazer avançar na fé e na disponibilidade ao seu chamamento.

A primeira leitura faz-nos tomar consciência do amor infinito do Pai, que é amor, que «mandou o seu Filho como Salvador do mundo», e quer viver em comunhão connosco, seus filhos muito amados. A união perfeita entre Deus e o crente realiza-se, em primeiro lugar, no contacto com a Palavra de D
eus e, depois, na participação na mesa eucarística. A nossa carne, o nosso sangue misturam-se, então, com a carne e o sangue de Deus. Somos transformados. Somos divinizados. «Não somos nós que transformamos Deus em nós», afirma Santo Agostinho, «somos nós que somos transformados em Deus». A Eucaristia é o lugar privilegiado para o encontro com Cristo vivo, fonte e cume da vida da Igreja, garantia de comunhão com o Corpo de Cristo e participação na solidariedade, como expressão do mandamento de Jesus: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34).

O amor para com os irmãos é consequência e sinal do amor a Deus (cf. 1 Jo 4, 12). Também este aspecto da caridade fraterna tem a sua realização plena na Eucaristia: «Participando realmente no Corpo do Senhor ao partilhar o pão eucarístico, somos elevados à comunhão com Ele e entre nós» (LG 11). Este amor torna-se em nós uma força transformadora e operativa, capaz de afastar o temor, porque quem ama não teme e quem come o corpo e o sangue de Cristo tem a vida em plenitude.

A “presença activa” (Cst. 2) do amor de Cristo na nossa vida, para o Pe. Dehon, como para nós, realiza-se, sobretudo, na escuta da Palavra e na Eucaristia celebrada, comungada e adorada, que realizam a nossa união a Cristo. Essa união permite-nos receber de Cristo, «videira verdadeira» (cfr. Jo 15, 1) a seiva divina, que é o Espírito Santo, que produz em nós os seus frutos, os doze frutos que nos indica o

Catecismos da Igreja e os frutos carismáticos que espera de nós, dehonianos. Pela força do Espírito, podemos ser, como Jesus e em Jesus, amor, reparação, imolação, isto é, Oblatos do Coração de Cristo, com os conteúdos atribuídos pelo Pe. Dehon a este nome original. São mistérios de amor que têm a sua origem no baptismo (água) e

o seu alimento na Eucaristia (sangue). O Espírito, tal como transforma o pão e o vinho em Cristo, assim também transforma os nossos corações. “Fazei isto em memória de Mim” não se refere apenas à liturgia do rito eucarístico, mas também à liturgia da nossa vida: ser oblação (amor e imolação) para Deus e para os irmãos, como Cristo é oblação do Seu Corpo, do Seu Sangue, de todo o Seu ser por nós. Fazer da nossa vida “uma missa permanente” (Cst. 5). Oratio

Obrigado, Jesus, por todos os teus dons, particularmente pelo da Eucaristia, que Te torna presente entre nós. Verdadeiramente, a Eucaristia realiza-se as palavras de João Evangelista: «fez-se carne e ergueu a sua tenda no meio das nossas» (cfr. Jo 1, 14).

Na Eucaristia dás-Te a cada um de nós como alimento que dá a vida. Verdadeiramente, quem Te come, vive de Ti, da vida que de Ti recebe.

Na Eucaristia, dás-nos como alimento o teu Corpo e Sangue, que nos enchem de força para caminharmos rumo ao encontro definitivo com o Pai.

Obrigado, Jesus! Mil vezes, obrigado!

Quanto gostaria de corresponder a esse imenso dom do teu amor, dando-me, contigo e como Tu, aos meus irmãos, especialmente aos mais carenciados! Enche-me do teu Espírito para que, como Tu, me torne Eucaristia, pão puro para glória do Pai, e pão bom que os irmãos possam comer. Amen.

Contemplatio

A confiança na bondade de Jesus menino deve tornar-se para nós a confiança no Coração de Jesus. Todos os mistérios permanecem no Coração de Jesus. Ele apresenta-nos o céu mesmo, e particularmente na santa Eucaristia, as amabilidades, a simplicidade e os sacrifícios do seu nascimento. Ele pede-nos a mesma confiança quepediu a Maria e a José. É sob esta condição que a nossa oblação lhe agradará.

Durante o tempo do ano litúrgico consagrado ao mistério da santa Infância, vamos com confiança ter com o Menino divino a Belém. Parece que ele nos estende os braços. Extendebat membra quaerens Matris favorem. A comunhão no mistério de Belém é uma união de confiança e de amor. O Coração de Jesus menino parece que nos grita para que vamos ter com ele com confiança. Que aqueles que têm particularmente necessidade desta confiança se detenham de preferência neste mistério. Será sempre fácil dar o seu coração com tanta simplicidade e tanto amor: Sic nasci voluit qui amari voluit, non timeri (S. Pedro Crisólogo). O Coração de Jesus menino não quer que nós tenhamos medo dele. Para nós ele só tem graças e bondades. Apparuit gratia Dei Salvatoris (Tit 2, 11). «Benignitas et humanitas apparuit Salvatoris (Tit 3, 4). O Salvador é muito amável e bom».

Eu uno-me à piedosa e humilde adoração dos pastores de Belém. Eu dedico uma doce confiança ao Coração do divino Menino. A sua doçura e a sua amabilidade cativaram o meu coração (Leão Dehon, OSP 2, p. 213-214).

Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra: «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais» (Mc 6, 50).

Eram como ovelhas sem pastor-Dehonianos

 

5 Janeiro 2021

Tempo do Natal – Terça-feira depois da Epifania

Lectio

Primeira leitura: 1 João 4, 7-10

7*Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. 8*Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor. 9*E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida. 10*É nisto que está o amor: não em termos sido nós a amar a Deus, mas em ser Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.

João, que já falou sobre o amor, volta agora a falar dele numa perspectiva mais positiva (cf. 3, 11.15.22). O amor é necessário porque «o amor vem de Deus» (v. 7) e porque «Deus é amor» (v. 8). Porque a identidade de Deus é o amor, Deus ama, perdoa, dá-se em nós. Todo o autêntico amor humano encontra fundamento no amor de Deus. Quem ama é gerado por Deus e conhece-O (cf. v. 7).

Se o amor é a essência de Deus, só temos um caminho para chegar a Deus: amar. Mas não se trata de amar como pensavam os gnósticos ou os inimigos da comunidade joânica, que julgavam amar a Deus porque sentiam a necessidade de O conhecer. A natureza do amor, para João, consiste no facto de que Deus nos amou «por primeiro», por sua iniciativa gratuita. Este amor manifestou-se na Incarnação do Filho, sem a qual continuaríamos pobres e incapazes de conhecer o amor verdadeiro e de termos a vida (vv. 9-10; Rm 3, 25; 5, 8; 2 Cor 5, 21). O amor que Jesus mostrou por nós foi um amor concreto, desinteressado, dedicado e libertador. Chegou ao dom da própria vida. O nosso amor por Deus é sempre resposta a essa iniciativa do Pai. E, só conhece o Pai, aquele que percorre o caminho que leva ao amor do irmão (cf. Mc 12, 29-31): «Nisto reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35).

Evangelho: Marcos 6, 34-44

34Naqueke tempo: Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas. 35A hora já ia muito adiantada, quando os discípulos se aproximaram e disseram: «O lugar é deserto e a hora vai adiantada. 36Manda-os embora, para irem aos campos e aldeias comprar de comer.» 37* Jesus respondeu: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Eles disseram-lhe: «Vamos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?» 38Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes? Ide ver.» Depois de se informarem, responderam: «Cinco pães e dois peixes.» 39Ordenou-lhes que os fizessem sentar por grupos na erva verde. 40E sentaram-se, por grupos de cem e cinquenta. 41*Jesus tomou, então, os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e dava-os aos seus discípulos, para que eles os repartissem.

Dividiu também os dois peixes por todos. 42Comeram até ficar saciados. 43*E havia ainda doze cestos com os bocados de pão e os restos de peixe. 44*Ora os que tinham comido daqueles pães eram cinco mil homens.

Jesus é o Bom Pastor que se compadece da multidão, porque eram como ovelhas sem pastor (v. 34). Como novo Moisés, instrui aqueles que O rodeiam (a comunidade cristã) com a sua palavra (a Palavra de Deus) e alimenta-a multiplicando

o pão e os peixes (a Eucaristia). Em tudo isso envolve os discípulos (a Igreja): «Dailhes vós mesmos de comer» (v. 37). Toda esta cena descrita por Marcos tem como pano de fundo a assembleia dos filhos de Israel no deserto e a celebração eucarística dos primeiros discípulos de Jesus. Os vários pormenores da narrativa denunciam o tal pano de fundo teológico já referido: o lugar deserto, a erva verde, as pessoas sentadas em pequenos grupos (cf. Ex 18, 25); depois, o erguer dos olhos para o céu, a bênção, a fracção do pão, a distribuição do pão com a ajuda dos discípulos (cf. Jo 6, 1-13; 1 Cor 11, 23-34; Mt 26, 26-29; Mc 14, 22-25; Lc 22, 14-20). Os cinco mil homens comeram, ficaram saciados, e ainda sobejaram «doze cestos com os bocados de pão e os restos de peixe» (v. 43). Nada se deve perder da mesa de Cristo. O que mais espanta os discípulos não é tanto o poder de fazer milagres do Mestre, mas é, sobretudo, o poder de dar aos homens o necessário para viverem cada dia. As palavras e os actos de Jesus incidem no concreto da vida dos homens e na história, transformando-as e abrindo-as à comunhão com Deus.

Meditatio

O evangelho de hoje mostra-nos o amor, a ternura e a generosidade de Jesus. O Senhor comove-se diante da multidão que O seguiu, «porque eram como ovelhas sem pastor», e dá-lhes o pão: o pão da sua palavra («Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas»)e o pão material que é, acima de tudo, prefiguração da sua vontade em nos alimentar com o seu corpo e o seu sangue. O verdadeiro pão é Ele. Estamos perante um novo milagre do maná (cf. Ex 16), feito por Jesus, o novo Moisés, revelador escatológico e mediador dos sinais de Deus (cf. Ex 4, 1-9), num novo êxodo: é o símbolo da Eucaristia, verdadeiro alimento do povo de Deus. É preciso comer o pão vivo descido do céu para ter a vida e entrar em comunhão íntima com Jesus.

Estamos pera
nte a revelação do pão que é eficaz para comunicar a vida queperdura para além da morte. É Jesus, pão de vida, que dá a imortalidade a que se alimenta dele, a quem na fé interioriza a Palavra e assimila a sua vida. Escutar interiormente Jesus é alimentar-se do pão celeste e saciar a fome que há em nós. Como o Pai é fonte de vida para o Filho, também o Filho é fonte de vida para quem participa na Eucaristia. Jesus recebe a vida do Pai e dá-a ao crente, não só agora, mas para sempre. Dá-lhe a vida eterna que é amor, participação no mistério pascal de Cristo, no mistério de uma carne vivificada pelo Espírito, que permite um laço profundo com Deus, tal como o que existe entre o Pai e o Filho.

A primeira leitura fala-nos da ternura e da generosidade de Jesus como manifestação do amor do Pai. Deus, que é amor, enviou o seu Filho ao mundo para que tivéssemos a vida por Ele. Contemplemos esse amor do Pai e do Filho por nós. Correspondamos a esse amor com uma vida coerente com quanto Deus fez por nós. Partilhemo-lo com os irmãos. Amemos com Ele e como Ele. Isso é viver a nossa vocação oblativa.

De facto, a oblação, entendida como amor e imolação, compreendida e vivida na união à oblação de Cristo, exprime toda a nossa vida, como consagrada, no tempo e no espaço.

A oblação, entendida como “presença activa” do amor de Cristo em nós (Cst. 2) torna-se o respiração da alma, o ritmo próprio do amor de Cristo, activamente presenteno tempo e no decurso da nossa vida. É “um tempo para Deus no mundo” (Urs Von

Balthasar), para todos os homens, para toda a criação (cf. Cst nn. 19-22). Nesta perspectiva, a nossa oblação é redentora e reparadora: alarga-se no espaço a todos os homens e a “toda a criação” (n. 22; Cf. Rom 8, 19-25).

Para isto é que “Deus enviou o Seu Filho unigénito ao mundo” (1 Jo 4, 9), a fim de que “tivéssemos a vida por Ele” (1 Jo 4, 9).

Oratio

Senhor, como são numerosas e magníficas as provas de amor que nos deste: criaste o universo grande e maravilhoso, e deste-nos a vida e a inteligência para admirarmos as suas belezas. Mas, mais do que tudo isso, mostraste-te nosso Pai, dando-nos a maior prova do teu imenso amor, quando nos enviaste o teu Filho como Salvador.

É, na verdade, um Deus de amor! Por tua iniciativa, generosa e gratuita, fizeste tudo para que não permanecêssemos longe de Ti, teus inimigos. Selaste uma aliança com o teu povo eleito, apesar das suas muitas traições. Finalmente, deste-nos, pelo teu Filho, a Igreja como mãe e lugar de salvação. O teu Coração é realmente magnânimo. E, como se não bastasse tudo o que já tinhas feito por nós, saciaste-nos com o novo maná: o pão da Palavra e da Eucaristia, os sacramentos do teu amor. Preocupaste-te em saciar o homem nas suas necessidades materiais e espirituais, manifestando especial predilecção pelos que sofrem e pelos pobres.

Obrigado, Senhor, por tudo quanto fizeste e continuas a fazer por nós, revelando-nos a tua verdadeira identidade que é seres Amor. Amen.

Contemplatio

Jesus preparou-se desde a sua incarnação. Considerava-se como o pão da vida. A sua carne e o seu sangue eram destinados ao sacrifício. Ele era o cordeiro de Deus, votado à imolação.

Quando ia ao templo, nos dias de festa legal, pesava-lhe ver durarem as figuras ineficazes do sacrifício redentor. O seu Coração ardia de desejo de ver suceder a realidade à figura. Exprimia no Cenáculo este desejo de toda a sua vida: «Desejei comer esta páscoa convosco».

Preludia o sacrifício eucarístico pela mudança da água em vinho e pela multiplicação dos pães.

Fala disso longamente no belo discurso que S. João nos reporta no seu capítulo sexto. «Eu sou o pão da vida, diz. O maná não era senão uma figura, não dava a graça, a vida sobrenatural. Vós comereis o meu corpo e o meu sangue, eles alimentarão em vós a vida do espírito e vos hão-de preparar para a ressurreição…»

A preparação remota não é tudo; quando chega o momento de celebrar o sacrifício eucarístico e de instituir a comunhão, Jesus multiplica os actos de preparação próxima.

Pregou durante vários dias a penitência e os juízos de Deus aos seus discípulos. Propôs às suas meditações as parábolas das virgens e dos talentos e anuncia a destruição de Jerusalém e do último juízo. Ofereceu-lhes o exemplo da humilde penitência de Maria Madalena na refeição em casa de Simão.

Na última hora, mostra-lhes pela surpreendente cerimónia do lava-pés que pureza exige
a celebração da missa e da comunhão.

E nós, como nos preparamos? Quais são as nossas disposições remotas e próximas? Talvez, ai! A indiferença, a frieza, a distracção! (Leão Dehon, OSP 2, p. 606).

Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra: «Todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus, pois Deus é amor» (1 Jo 4, 7).

O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz-Dehonianos

 

4 Janeiro 2021

Tempo do Natal – Segunda-feira depois da Epifania

Lectio

Primeira leitura: 1 João 3, 22-4, 6

Caríssimos, temos plena confiança diante de Deus, 22*e recebemos dele tudo

o que pedirmos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que lhe é agradável. 23*E este é o seu mandamento: que acreditemos no Nome de seu Filho, Jesus Cristo, e que nos amemos uns aos outros, conforme o mandamento que Ele nos deu. 24*Aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele; e é por isto que reconhecemos que Ele permanece em nós: graças ao Espírito que nos deu.

1*Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, pois muitos falsos profetas apareceram no mundo. 2Reconheceis que o espírito é de Deus por isto: todo o espírito que confessa Jesus Cristo como vindo em carne mortal é de Deus; 3*e todo o espírito que não faz esta confissão de fé acerca de Jesus não é de Deus. Esse é o espírito do Anticristo, do qual ouvistes dizer que tem de vir; pois bem, ele já está no mundo. 4*Meus filhinhos, vós sois de Deus, e venceste-los, porque é mais poderoso o espírito que está em vós do que aquele que está no mundo. 5*Eles são do mundo; por isso falam a linguagem do mundo, e o mundo ouve-os. 6*Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus ouve-nos; quem não é de Deus não nos ouve. É por isto que nós reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

Para conhecermos a vontade de Deus, precisamos de praticar o discernimento. João oferece-nos neste texto alguns critérios para reconhecermos o espírito de Deus e

o espírito do mundo: a fé em Cristo («que acreditemos no Nome de seu Filho, Jesus Cristo»); o amor fraterno («que nos amemos uns aos outros»); a fidelidade aos mandamentos de Deus (cf. v. 24). O Apóstolo também sugere algumas atitudes fundamentais para alcançar esse objectivo: a oração, como compromisso pessoal em realizar o que Ele manda (v. 22); a profissão de fé autêntica em Cristo Jesus; a caridade activa em favor dos irmãos. O primeiro critério para distinguir os verdadeiros dos falsos profetas é a confissão de fé em Cristo Senhor «vindo na carne» (v. 2). Quem exclui Jesus da sua vida tem o espírito do anticristo (cf. 2, 18). Os falsos profetas, que querem apresentar um cristianismo diferente, vêm do mundo e, por isso, são escutados por ele. Os crentes, pelo contrário, são de Deus e Deus está neles. A sua vitória é certa porque é dom da fé recebida de Cristo (Jo 16, 33), que é mais poderosa que o anticristo (v. 4; Jo 12,31). O segundo critério é eclesial: quem se mostra dócil à Igreja, vem de Deus

(v. 6). A fé do cristão é adesão à doutrina proposta pelos guias da comunidade eclesial, onde se encontra o Espírito de Deus, que é preciso escutar e testemunhar.

Evangelho: Mateus 4, 12-17.23-25

12*Naquele tempo Jesus ouviu dizer que João fora preso, retirou-se para a Galileia. 13Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali, 14para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara: 15*Terra de Zabulão e Neftali ,caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios.16O povo que jazia nas trevasviu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz.17*A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»

23*Depois, começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades. 24A sua fama estendeu-se por toda a Síria e trouxeram-lhe todos os que sofriam de qualquer mal, os que padeciam doenças e tormentos, os possessos, os epilépticos e os paralíticos; e Ele curou-os. 25*E seguiram-no grandes multidões, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.

Depois da prisão de João Baptista por Herodes, Jesus deixa Nazaré e fixa residência em Cafarnaúm, na Galileia dos gentios, que outrora fora ocupada pelosassírios (733 a. C). É aí que começa a brilhar o Evangelho de Jesus e o exemplo da sua vida (v. 16; cf. Is 8, 23-9, 1-2). Segundo S. Mateus, Jesus começa a pregação do Reino de Deus na Galileia dos gentios porque tem em mente a missão universal da salvação. A palavra que dirige aos judeus e aos pagãos é a mesma: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu» (v. 17).

Depois, Jesus percorre as sinagogas, prega «o Evangelho do Reino» e realiza milagres «curando entre o povo todas as doenças e enfermidades» (v. 23). A sua pregação suscita grande entusiasmo, a sua fama espalha-se até à Síria e causa grande impressão em toda a região. Muitos acorriam ao seu encontro. Nas suas viagens missionárias, era acompanhado por muitos miraculados (curados de várias doenças, libertos dos demónios, etc.). Jesus é o verdadeiro Servo de Deus que carrega sobre si as enfermidades de toda a humanidade (cf. Is 53, 4). A sua pregação é exortação e súplica para que todos acolham na sua vida o dom divino da reconciliação e da salvação, que o Pai celeste oferece gratuitamente e generosamente a to
dos.

Meditatio

O tema de Cristo luz do mundo é o aspecto teológico mais arcaico e mais presente na liturgia de Natal, especialmente na celebração da meia-noite. A liturgia actual recorda Isaías: "Um povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz…" (9,2) e Lucas "a glória do Senhor envolveu-os de luz"(2,9). “Uma nova luz brilhou aos nossos olhos”, canta o Prefácio I.

O evangelho de hoje retoma o tema da luz. Lucas narra que Jesus, logo ao chegar à Galileia dos gentios, «começou a pregar», revelando-se verdadeiramente divino e humano: divino, porque fala em nome de Deus, anunciando o Reino de Deus; humano, porque se mostra cheio de compaixão para com todos os necessitados. Este aspecto divino e humano é fundamental na revelação de Jesus. João mantém-se fiel a essa revelação, como verificamos na primeira leitura. O Apóstolo não nos oferece pensamentos altíssimos para reconhecermos o espírito de Deus. Dá-nos um critério simples e concreto: «todo o espírito que confessa Jesus Cristo como vindo em carne

mortal é de Deus». Temos, assim, um sinal decisivo para avaliar as nossas inspirações. Se a nossa espiritualidade nos levar para fora da nossa condição quotidiana, para o mundo do sonho e da evasão, não estamos a ser fiéis a Cristo. Pelo contrário, se encontramos Jesus «na carne», isto é, na nossa vida quotidiana, no lugar concreto onde vivemos trabalhamos, nas nossas responsabilidades de cada dia, somos verdadeiros discípulos, estamos em comunhão com Ele.

A comunhão com Cristo, ou a união com Ele, é fundamental na nossa vida decristãos. É o centro da nossa fé. É condição essencial para nos salvarmos. Ele é, de verdade, «a chave, o centro, o fim do homem, e de toda a história humana» (GS 10). Estar em comunhão, estar unido a Cristo é acreditar n´Ele, fiar-se n´Ele, deixar-se transformar por Ele, aceitá-lo como modelo de comportamento: «Dei-vos o exemplo para que façais como Eu fiz» (Jo 13, 15). Esta fé-comunhão com Jesus torna-se uma força dinâmica e criadora, tendente ao testemunho e acção, para que Cristo e a sua mensagem são conhecidos e aceites pelos homens. Os encontros com Jesus encerram e manifestam uma força transformante extraordinária, porque desencadeiam um verdadeiro processo de conversão, de comunhão e de solidariedade humana.

O encontro com Cristo, especialmente na Palavra e na Eucaristia, realiza a nossa união com Ele, a comunhão com Ele, que nos dão confiança e ardor, lançando- nos “pelos caminhos do mundo ao serviço do Evangelho” (Cst. 82), para levarmos a sua luz a todos os que ainda jazem nas trevas e sombras da morte, e nos tornarmos bons samaritanos da humanidade.

Oratio

Senhor Jesus, ao nasceres em Belém, não só renovaste o género humano, mas também o esplendor do próprio sol, trazendo esperança e vida a todos aqueles que jazem nas trevas do erro. Tu és o fim da história humana porque, por meio de Ti, a salvação é dada a todos os homens. Nós Te agradecemos pela tua palavra, a Boa Nova do amor do Pai, com que vieste salvar-nos e pelo exemplo de vida concreto que nos deste, quando viveste no meio de nós.

Que o testemunho da nossa vida cristã se torne irradiação de amor para com os irmãos que ainda não Te conhecem ou vivem no erro. Nós Te agradecemos porque a tua Palavra, proclamada há tantos séculos, ainda hoje continua viva e penetrante, capaz de renovar os nossos corações, e a nossa relação contigo e com os nossos irmãos.

Aumenta a nossa fé na tua Palavra para que possamos tomá-la a sério, fazendo dela critério de discernimento dos factos e dos problemas da vida que tanto nos afligem. Que, iluminados pela tua Palavra, possamos tornar-nos luz para todos quantos Te buscam de coração sincero, e conforto para com todos os que sofrem. Amen.

Contemplatio

O Sagrado Coração quis uma vez exprimir toda a intensidade e toda a universalidade da sua misericórdia. Tinha diante de si os seus discípulos, mas a sua palavra dirigia-se para mais longe. Expunha a sua doutrina, falava da sua Igreja e dizia: «Vós todos que sofreis, vós todos que estais em aflição, vinde e Eu vos curarei, vinde e Eu vos aliviarei: Venite et ego reficiam vos». Vós todos, em todos os tempos, vinde, que Eu tenho sede de vos aliviar. Vinde sem medo,

Eu sou omnipotente, o meu Pai deu-me todo o seu poder: omnia mihi tradita sunt a Patre meo. Vinde todos, tenho sede de fazer misericórdia.

«Se tivesse ficado no céu, não poderíeis vir a mim. Pensaríeis que eu estou demasiado distante, demasiado poderoso, que a minha glória vos assusta e que a minha grandeza vos intimida. Mas Eu fiz-me pequeno como vós. O Verbo fez-se carne. Veio na Judeia e permanece no Tabernáculo. Está muito perto de vós, vinde, só tendes de dar um passo.

«Vede, desde a Visitação Eu próprio vou levar as minhas graças a Zacarias, a Isabel, a João Baptista. Faço o mesmo visitando-vos na Eucaristia. Vinde a mim.

«Não ousareis apresentar-vos diante de meu Pai? Vinde, vou ao Templo apresentar-vos comigo nos braços de Maria.

«Estais doente, pobre, entristecido e necessitado, vinde, vinde todos. Traziam-me todos os doentes e Eu curava-os a todos, por pouca confiança que tivessem. Vinde todos e vinde com confiança». (Leão Dehon, OSP 2, p. 278).

Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu» (Mt 4, 17).

sábado, 2 de janeiro de 2021

ONDE ESTÁ O REI DOS JUDEUS QUE ACABA DE NASCER?-Olívia Coutinho

 REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA 03/01/21 - Mt2,1-12

SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR.

"ONDE ESTÁ O REI DOS JUDEUS QUE ACABA DE NASCER?”

Reflexão de Olívia Coutinho

Caros irmãos e irmãs em Cristo

Celebramos hoje, a solenidade da Epifania do Senhor, ainda dentro do ciclo do Natal, que terminará no próximo Domingo, com o Batismo do Senhor!

Epifania significa a manifestação do Senhor, é a festa do encontro, quando o Deus menino se deixa encontrar por aqueles que o procura!
Diz o profeta Isaías: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor.” (Is60,1) Os que deveriam acolher esta Luz, a rejeitaram, autoridades políticas e religiosas, não somente rejeitaram esta Luz, como quiseram também, apaga-la, o que não conseguiram. Ao contrário destes habitantes de Jerusalém, outros povos, representados pelos os Magos, vieram de outras Nações e se prostrarem diante do Menino. Estes, eram  pessoas pagãs que não tinham o conhecimento das Escrituras, como tinham os fariseus e mestres da lei, mas instintivamente, buscavam Deus à  maneira deles.
O evangelho que a liturgia desta solenidade nos convida a refletir, narra o encontro dos Magos com o Rei do Universo! Mateus é o único evangelista que narra este episódio. Diz a tradição, que os Magos eram Reis, o que a Bíblia não confirma. O que se diz, é que estes homens, eram sábios, pessoas ligadas a astrologia...
Se os Magos eram Reis ou não, isso não importa o importante, é a lição que eles nos passam: mesmo sendo pessoas importantes, se fizeram peregrinos, deixaram a “astrologia,” deixaram tudo, para irem ao encontro do astro Maior: o Menino Deus! 
Ao chegarem à  Jerusalém, o centro do poder político e religioso, os Magos depararam com o grande inimigo do Rei que acabara de Nascer: o rei Herodes, que tentou enganá-los, dizendo desejoso de conhecer o novo Rei dos Judeus.
Os Magos queriam encontrar o Rei dos Judeus para adorá-lo, Herodes, queria encontrá-lo, para eliminá-lo, o que ele tentou fazer posteriormente, mandando matar todas as criancinhas de dois anos para baixo.
No final deste episódio, é Herodes que acaba sendo enganado pelos os Magos, que ao voltarem para suas terras, tomaram um caminho diferente, deixando o inimigo de Jesus, furioso. 
Vindos de terras distantes, os Magos, certamente, enfrentaram muitas dificuldades pelo o caminho, até chegarem à Jesus, certamente, foi uma longa viagem, sem muitas informações, se orientando apenas por uma estrela.
Guiados por um sinal luminoso, os Magos tinham tanta certeza de que encontrariam o menino, o qual eles deveriam adorar, que até levaram presentes de grandes significados para oferta-lo: ouro para o Rei, Incenso para o Divino, Mirra para o humano.
Mesmo sem conhecerem as escrituras, eles sabiam que Jesus era Rei, que Ele era Deus e que era humano. Enquanto que muitos que conheciam a fundo as escrituras, o rejeitaram.
Muitos de nós, também rejeitamos Jesus, ao não acolher o nosso irmão, nem sempre,  estamos dispostos a fazermos a  difícil viagem de sairmos de nós mesmos, para irmos ao encontro de Jesus, na pessoa do irmão. 
Ao contrário dos Magos, que procuravam por Jesus sem muitas informações, nós temos muitas informações sobre  como chegar até Ele, onde e como encontrá-lo.
Podemos encontrar Jesus de várias formas, mas é na pessoa do irmão que sofre que Ele espera por nós, pois é nestes irmãos, que a sua presença se faz visível.
Os Magos do Oriente, fala-nos de perseverança, de unidade, de busca e de encontro, chamando a nossa atenção, sobre a importante de sermos perseverantes nas nossas buscas, respeitosos com as diferenças religiosas.
Como os Magos, que foram acolhidos pelo o Deus Menino, nós também, somos acolhidos por Deus. Deus não exige identificação de ninguém, Ele acolhe a todos que o busca em Jesus, independentemente de suas crenças, de suas religiões...
“Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe.” Naturalmente, Maria toda feliz, mostrou o Menino Jesus aos visitantes. Este foi o momento exato da Epifania do Senhor, o momento em que o Filho de Deus é apresentado ao mundo, na pessoa dos Magos.
Podemos redesenhar esta cena, nos colocando juntos dos Magos, numa postura de adoração ao Rei do Universo, não vamos entregar a Ele algum presente, mas nos entregar, como presença Dele, na vida do outro.

 DESEJO A TODOS OS MEUS IRMÃOS EM CRISTO: UM FELIZ 2021!

QUE DEUS OS ABENÇOE!

FIQUEM NA PAZ DE JESUS!

Reflexão de Olivia Coutinho

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

DEUS SE DÁ A CONHECER NA FRAGILIDADE DE UM RECÉM-NASCIDO! – Maria de Lourdes Cury Macedo.

 


 

Domingo, 3 de janeiro de 2021.

Evangelho segundo São Mateus 2, 1-12.

 

A Liturgia de hoje nos fala da Epifania do Senhor. Epifania é a manifestação de Deus a todos os povo e nações, ao mundo todo, na pessoa do Filho Jesus. Ele se dá a conhecer. Ela nos conduz à adoração do Mistério de Deus feito homem, porque nos sentimos honrados diante de tamanho sinal a nós revelado. O Mistério da Encarnação torna possível a comunicação entre o humano e o divino para toda humanidade.

Deus amável e misericordioso manifesta seu plano de amor a toda à humanidade. Jesus, o rosto misericordioso do Pai, vem nos mostrar a face do Pai, quem é o Pai. Ninguém está excluído do plano de Deus, mas é preciso entender o modo como Deus se revela, como se manifesta a nós. “Deus é Salvador, mas se manifesta na fragilidade de um recém-nascido! Deus é luz, mas se apresenta no meio de nós na escuridão de uma manjedoura! Só podemos nos incluir no projeto do Pai se aprendermos a Amar. Somente assim a luz brilhará em nós. Nossas comunidades acenderão suas luzes de fraternidade e justiça quando acolherem a luz!”

O profeta Isaías já havia anunciado a luz em meio às trevas. “Levanta-te, sê radiosa, eis a tua luz! A glória do Senhor se levanta sobre ti. Vê, a noite cobre a terra e a escuridão, os povos, mas sobre ti levanta-se o Senhor, e sua glória te ilumina. As nações se encaminharão à tua luz, e os reis, ao brilho de tua aurora”. (Is 60,1-3)

Neste contexto as trevas, a noite, a escuridão é Herodes e suas ações, o violento, o assassino, o prepotente, o politiqueiro, o opressor. O menino Jesus pobre, simples, humilde, reclinado na manjedoura, esse sim, é a verdadeira luz que vindo ao mundo ilumina a todos. Podemos perceber que o evangelista Mateus quer mostrar com força que a salvação não vem de Jerusalém, onde está o tirano Herodes, mas de Belém, cidade do pastor Davi.

No tempo do rei Herodes era muito difícil, de profunda escuridão para o povo. Viver nessa época era enfrentar nuvens negras, vales profundos, abismos sem fim. Mas nada pode ofuscar a luz divina, a estrela do menino Jesus, ela brilhou no oriente e trouxe os reis magos para adorar o menino Deus, que nascera.

Os magos eram pagãos, conhecem as estrelas, mas não as Escrituras Sagradas. Eles seguem a estrela, em busca do menino Deus para adorá-Lo. Os magos, assim chamados, eram os sábios em todas as áreas do conhecimento como astrologia, medicina, ciências naturais, etc. Mas principalmente eram chamados magos as pessoas que se dedicavam à ciência dos astros. Tinham muita instrução e exerciam muita influência em seu país.

A estrela que eles viram já tinha sido anunciada pelo profeta e o povo a esperava como sinal do nascimento do novo rei. Os magos se guiam pela estrela brilhante. Ao chegar perto do palácio de Herodes, a estrela deixa de brilhar e eles perdem a direção a seguir. Deixa de brilhar porque em Jerusalém é o centro do poder, onde predominam as trevas como perseguição, morte, corrupção, toda espécie de desonestidade, porque para não perder o poder, o trono, tudo vale, tudo pode!

Podemos entender a estrela como símbolo da fé. Quando nos deixamos guiar pela fé, encontramos Jesus, pois ela sempre nos conduz a Ele. E quem se deixa iluminar por Jesus, se torna “luz na vida do próximo”, e isso se expressa com atitudes de tolerância, respeito às diferenças individuais e culturais, diálogo, acolhimento e sem preconceito com o outro.  

Os magos sem saber para onde ir, sem a estrela, buscam informações a respeito do nascimento do novo rei. Onde estaria o rei dos judeus que acabara de nascer? Essa notícia se espalha e chega aos ouvidos de Herodes que o deixa perturbado, notícia que pega de surpresa Herodes e o poder religioso. Quem estaria ameaçando o seu reinado? Outro rei? Quem?

Herodes reúne os sumos sacerdotes e os mestres da Lei para saber se a informação era verdadeira. Eles confirmam a profecia de Miqueias 5,1-3, que o rei nasceria em Belém. "E tu, Belém Éfrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti sairá o que será Senhor em Israel, cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade".

Belém não é tão insignificante quanto Herodes imaginava. Desse lugar, desconhecido, pequeno, os profetas diziam que nasceria um chefe que iria ser pastor de Israel, que iria governar o mundo.

Confirmada a profecia para Herodes, ele chama os magos e pede que eles confirmem o endereço onde está esse novo rei, porque ele, Herodes, quer também ir adorá-lo. Sabemos bem qual adoração ele queria fazer!

Tão logo os magos se afastam do palácio de Jerusalém a estrela voltou a brilhar, e os conduziu até o local onde se encontrava o menino. Reconheceram o menino e se prostraram diante dele, como diziam as profecias. Diante de Maria e do menino eles se ajoelharam, abriram seus cofres e retiraram três presentes: ouro, incenso e mirra, que simbolizavam o tipo de rei que ali estava. Um rei diferente de todos que já existiram. O ouro simbolizava a realeza de Jesus, um rei diferente. O incenso a divindade e a mirra (amarga) a humanidade do Messias, sua fragilidade como homem na paixão, e o reconhecimento de Jesus como Deus e homem. A mirra era usada para embalsamar os corpos na ocasião da morte. Oferecer mirra significou o reconhecimento da doação da vida de Jesus até as últimas consequências.

Depois que homenagearam o novo Rei, os magos retornaram para suas casas por outro caminho, que não passava por Herodes.

Amados irmãos, a lição que podemos aprender com os magos é que uma vez percebida a manifestação de Deus na nossa vida, não seremos mais os mesmos. Mudaremos o nosso caminho, queremos o caminho que nos leva a Jesus, e deixamos para traz os caminhos que não são de Deus. Vamos aprender com os magos a buscar a estrela de Belém, segui-la, mesmo que tenhamos de enfrentar os Herodes da vida.

Como os magos, vamos adorar Jesus e abrir o cofre do nosso coração, para oferecer belos presentes a Ele como: o amor, a justiça, a fraternidade, a solidariedade, a união. É isso que Deus quer de nós. Saibamos reconhecer as manifestações de Deus na nossa vida e que ela provoque em nós, mudanças significativas para melhor e à medida que acolhermos Jesus e seus ensinamentos, podemos nos tornar como Ele, “luz do mundo”.

 

Abraços em Cristo!

Maria de Lourdes