16- Segunda
- Evangelho - Lc 18,35-43
O
que queres que eu faça por ti? Senhor, eu quero enxergar de novo.
Este
Evangelho narra a cura do cego de Jericó. Jesus estava caminhando. Ele era
assim, sempre caminhava, não ficava parado, esperando que as pessoas viessem
até ele, pois queria levar vida a todos.
O
cego estava à beira do caminho. Os marginalizados, como o próprio nome diz,
ficam na margem dos caminhos. Para este, era a cegueira que o impedia de
caminhar e de vencer na vida.
Ao
ouvir dizer que era Jesus que passava, ele gritou: “Jesus, Filho de Davi, tem
piedade de mim!” Nós conhecemos aquela frase de Jesus: “Pedi e recebereis”.
“As
pessoas que iam na frente mandavam que ele ficasse calado.” Esses que iam na
frente, até de Jesus, pois não seguiam a ele, já que seguir é ir atrás, eram
cegas; cada uma só pensava em si e em receber graças de Jesus. Além de serem
insensíveis diante do sofrimento do próximo, queriam impedir que outros o
ajudassem. Que coisa triste!
Já
o cego físico não era cego espiritual. Ele conhecia o catecismo, pois chamou
Jesus de Filho de Davi. Não dando ouvidos aos egoístas, gritou mais ainda.
Lição para nós; não vamos nos deixar intimidar por pessoas que querem tapar a
nossa boca.
Jesus,
ao contrário da multidão, sentiu compaixão do cego. Jesus não era
“maria-vai-com-as-outras”, seguindo a miltidão. Ele fazia o que achava certo,
ainda que sozinho.
“O
que queres que eu faça por ti?” Jesus assume a atitude de servo do cego; o
servo não determina o serviço que vai prestar, e sim o patrão. O cego virou
patrão de Jesus!
“Senhor,
eu quero ver de novo.” Para aquele cego, o maior problema era a cegueira. Pode
ser que para outros cegos, a cegueira não seja o maior problema, mas para este
era.
“Enxerga,
pois, de novo. A tua fé te salvou. No mesmo instante, o cego começou a ver de
novo e seguia a Jesus, glorificando a Deus.” Como é bom acreditar que Deus pode
nos libertar de nossos males, sejam eles quais forem. A fé é fundamental na
vida.
Que
felicidade daquele moço! Agora não precisa ficar sentado na beira do caminho. E
a primeira coisa que ele fez foi seguir a Jesus, glorificando a Deus.
A
fé do ex-cego aumentou ainda mais, pois passou a seguir a Jesus. Ele recebeu
dupla graça: a cura física e o aumento da fé.
A
exemplo dele, digamos a Jesus: Senhor, eu quero enxergar de novo! Eu tenho fé,
mas quero um aumento dela. Quero ser seu (sua) discípulo e missionário, para
que o nosso povo tenha mais vida.
E
vamos aprender também de Jesus a sua humilde disponibilidade: que queres que eu
faça por ti?
Vendo
o fato, e o comportamento de Jesus, todo o povo deu louvores a Deus. Um gesto
de amor aproxima as pessoas de Deus, não só a pessoa beneficiada, mas os que
ficam sabendo.
Apresentemos
a Jesus todos os nossos problemas, físicos, psicológicos ou espirituais,
grandes ou pequenos, pois ele é Deus e para ele não há problema sem solução.
Afinal, todos nós somos cegos em alguma coisa, e precisamos ver.
Havia,
certa vez, um homem que todos os dias ia à banca comprar jornal. O homem que
atendia naquela banca era grosseiro e sempre tratava mal o comprador. Era
sempre mesma cena. Um dia, um amigo do homem que comprava o jornal chamou-o de
lado e disse:
“Amigo,
eu tenho observado que todo dia você compra o jornal nesta banca e todo dia
esse vendedor trata você mal! Não entendo por que você ainda continua comprando
jornal nesta banca... no outro quarteirão do bairro, à mesma distância da sua
casa, há outra banca de jornais e revistas. O vendedor lá é muito simpático e
atende bem as pessoas. Por que você não compra o jornal nessa outra banca?”
Ouvindo
isso, o homem respondeu: “E por que iria ser esse vendedor, que, segundo você,
me trata mal, a decidir por mim o local onde vou comprar meu jornal?”
Não
são as pessoas mesquinhas que vão determinar ou modificar o nosso modo de agir.
Vamos seguir o exemplo do cego de Jericó, que não deu ouvidos à multidão
egoísta que o mandava calar a boca.
Maria
Santíssima era também uma mulher firme servidora. Se fizermos como Jesus e
Maria, não haverá mais cegos no meio de nós!
O
que queres que eu faça por ti? Senhor, eu quero enxergar de novo.
Padre
Queiroz
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