segunda-feira, 31 de julho de 2017

Transfiguração do Senhor-Jorge Lorente



Evangelhos Dominicais Comentados

06/agosto/2017 – Transfiguração do Senhor

Evangelho: (Mt 17, 1-9)
Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a sós para um monte alto e afastado. E transfigurou-se diante deles. Seu rosto brilhou como o sol e as roupas se tornaram brancas como a luz. Nisso, apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, levantarei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias”. Ele estava ainda falando quando uma nuvem brilhante os envolveu e da nuvem se fez ouvir uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, de quem eu me agrado, escutai-o”. Ao ouvir a voz, os discípulos caíram com o rosto no chão e ficaram com muito medo. Jesus se aproximou, tocou-os e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”. Então eles ergueram os olhos, mas não viram mais ninguém, a não ser Jesus. Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do homem ressuscite dos mortos”.

Celebramos hoje a Transfiguração do Senhor. E, o evangelho retrata um acontecimento ocorrido seis dias depois que Jesus preveniu seus discípulos que deveria morrer. Pedro, porém, não quis aceitar esse fim. Pedro tinha suas razões. Como deixar morrer aquele que viera para salvar? Como lutar tanto e acabar derrotado pela morte?

Aproxima-se o momento em que Jesus será entregue aos malfeitores. Sua missão na terra está quase concluída. Sua paixão e morte estão muito próximas, no entanto, sua Ressurreição também está prestes a acontecer. 

É por isso que devemos nos alegrar! A Ressurreição é a vitória da Vida sobre a morte. Na Ressurreição está a certeza da vida eterna. A morte foi vencida, sofreu a sua maior derrota. A Vida Plena brotou através da Ressurreição.

Hoje os discípulos presenciam Jesus com o rosto brilhante como o sol e roupas brancas como a luz. Com sua transfiguração, Jesus quer mostrar a Pedro e para cada um de nós, que o caminho para a glória deve passar pelo calvário. A aparente derrota é só uma etapa para atingir a vitória.

O semblante resplandecente e as vestes luminosas simbolizam a presença de Deus na pessoa de Jesus. Este evangelho vem nos confirmar que quem tem Deus dentro de si tem um brilho forte que ilumina os ambientes. É um mensageiro cujo semblante, gestos e palavras irradiam a Verdadeira Luz.



No livro do Êxodo (13,21), uma nuvem luminosa protegia o povo de Israel no deserto. Esse era o sinal de que Deus acompanhava o seu povo. Quando Moisés recebeu as tábuas da lei (Ex 24,15-16), também o monte Sinai foi envolvido por uma nuvem simbolizando a Glória e a presença de Deus. A nuvem, que na transfiguração de Jesus envolve a todos, também é sinal da presença de Deus.

Em meio à nuvem, ou seja, em meio à Presença Gloriosa de Deus, os discípulos vêm Jesus conversando com Moisés e com Elias. Vejamos quem são eles: Moisés é aquele que entregou ao povo a Lei que recebeu de Deus. Elias é considerado como o primeiro dos profetas.

Para os israelitas, Moisés e Elias representavam todo Antigo Testamento, pois a Bíblia, para os judeus, se resumia na lei e nos profetas. Neste episódio, Moisés e Elias conversam com Jesus. Podemos dizer que esta cena representa o encontro do Antigo com o Novo Testamento.

Para confirmar que Jesus não é um simples legislador, ou apenas um profeta, Deus Pai apresenta seu Filho Predileto e deixa claro que, somente a Ele os discípulos devem dar ouvidos. A partir dai tudo assume um caráter novo, tudo converge para Jesus, Ele é a explicação e a realização da lei e dos profetas.

Pedro, assustado e percebendo a segurança que aquele local oferecia, tentando preservar o Mestre e, quem sabe, também a si próprio, propõe a construção de tendas para que fiquem ali.

Essa tentação de Pedro faz parte do nosso dia-a-dia. É mais cômodo e seguro fechar-se na tenda duma comunidade passiva, isolada e sem compromisso, sem se arriscar nem se expor na luta por mudanças, por justiça e paz.

No entanto, Jesus trata de desfazer essa ideia covarde e ordena que se levantem, que se organizem e que não tenham medo de sair pelo mundo para enfrentar os opressores, mesmo sabendo que encontrarão lágrimas, sofrimento e, até mesmo a morte, na difícil luta por um mundo pacífico e solidário.

(1501) 




"QUEM TEM OUVIDOS OUÇA.”- Olivia Coutinho






Dia 01 de Agosto de 2017

Evangelho de Mt13,36-43


Deus criou um mundo perfeito, mas o mal, disfarçado do bem, encontrou brecha no coração humano e assim como o joio no meio do trigal, ameaçou destruir o que Deus criou. Mas Deus, na sua infinita bondade, não desistiu da sua criação, enviou o seu Filho para recuperar  o que Ele criou!
Através de pequenas histórias, conhecidas como parábolas, Jesus o enviado de Deus, passava a sua a mensagem salvífica, que só era entendida, por aqueles   que  estavam  com o coração aberto  para  acolhê-la.  E assim, Ele começou a trazer de volta o que o mal tentou tirar de Deus, o que lhe é de mais precioso: o povo! Foi essa  luta contra o mal, que o levou a cruz.
No evangelho  de hoje,  Jesus explica aos discípulos, a parábola do joio. Uma explicação,  que deve chegar até a nós, como um alerta,  para que não sejamos ingênuos de achar, que o mal esteja somente no outro e  em ambientes de  promiscuidade. Precisamos estar sempre vigilantes,  pois o mal  está presente em todo o lugar que existe o bem, até mesmo  em ambientes religiosos, inclusive dentro de nós.
A parábola, explicada por Jesus, vem nos dizer, que neste mundo, o bem e o mal estão misturados, nós  é que  precisamos discernir o que é do bem e o que é do mal. 
O joio, na faze de crescimento, é semelhante ao trigo, podendo confundir  até mesmo o agricultor, a diferença só é percebida, no tempo da colheita. Assim é o mal, o mal aproxima de nós, disfarçado do bem, às vezes, nós só vamos perceber  o tamanho da sua malignidade depois do estrago provocado por ele, na nossa vida, como, nos afastar de Deus.
Na parábola do Joio, temos a confirmação de que o mal existe e que ele tem poder, e que só Deus, é mais forte do que ele. Por tanto, é importante estarmos sempre fortalecidos em Deus, pois Nele,  conseguiremos vencer o inimigo!
O mal e o bem estão constantemente confrontando dentro de nós, somos nós que escolhemos qual dos dois queremos cultivar.
Não é arrancando  o mal daqui ou dali, (joio) que vamos erradicá-lo, a única forma eficaz de combater o mal, é com a força do bem!  É alimentando o bem que Deus plantou nos nossos corações, que aniquilamos  o mal, foi o que Jesus fez, Ele venceu o mal com o bem.
 Quando o mal encontra espaço dentro de nós, é sinal de que não estamos alimentando  o bem que Deus plantou em nossos corações! 
Uma erva daninha, não  irá se sobressair em meios as plantas bem adubadas(trigo). É assim que  acontece com o mal em nós: se alimentarmos o bem que existe no nosso interior, o mal jamais  ganhará  força em nós.
Estejamos certos: O mal nunca sobreporá  o bem se estivermos fortalecidos pelo o Espírito Santo, enxertados em Jesus.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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A providencia de Deus está ao alcance de todos-Helena Serpa

07/08/20170 - 2ª. Feira XVIII semana comum –Números 11, 4-15 –“ precisamos expor a Deus a nossa aflição”
Com saudade da “comida do Egito”, o povo no deserto continuava a lamentar-se mesmo depois do Senhor ter providenciado o maná para alimenta-lo. Desanimados eles não sentiam mais gosto no alimento que Deus lhes enviara do céu, fazendo com que o Senhor se enchesse de cólera contra eles. Contudo, Moisés também cheio de ousadia desabafou diante do Senhor o seu cansaço por conduzir aquele povo tão difícil! Tomando, então, sobre si as dores do povo, ele confessou toda a sua amargura com o peso que carregava pela missão que recebera. Há momentos na nossa caminhada que nós também precisamos argumentar com Deus e expor a Ele o nosso cansaço pelas lutas que travamos com a vida. Quando ousamos arguir a Deus por causa dos aparentes fracassos no desempenho da nossa missão é sinal de que temos confiança Nele e O temos como um Pai amigo. Mesmo que o povo não tivesse razão ou que a impaciência deles tivesse gerando todo o conflito, Moisés, mais uma vez assumia o papel de intercessor daquela gente. Assim também nós devemos fazer quando as pessoas a quem amamos e de quem nos sentimos responsáveis passam por situações de penúria: expor a Deus a nossa aflição e Dele cobrar com confiança a Sua atenção e o Sua proteção. Não tenhamos medo de sermos sinceros e transparentes com o Senhor, pois Ele conhece profundamente o nosso coração e mesmo que não ousemos olhá-Lo Ele tem o nosso olhar sob o Seu julgamento. – Você costuma se acomodar diante das situações de sufoco ou consegue cobrar de Deus a sua intervenção? – Você já ousou arguir a Deus? – Você pede ao Senhor que atenda ao lamento das pessoas a quem você ama?

Salmo 80 – “Exultai no Senhor, nossa força

Somos o povo de Deus que também se recusa a ouvir a Sua voz e a obedecê-lo, por isso mesmo, sofremos as consequências pela nossa rebeldia. Quando damos ouvido de mercador aos conselhos de Deus Ele não nos pressiona e deixa que nós sigamos os anseios do nosso duro coração. No entanto, com certeza, nós O entristecemos por não atendermos aos Seus apelos que são meios de alcançarmos a nossa felicidade.

Evangelho – Mateus 14, 13-21 – “a providencia de Deus está ao alcance de todos”
Quando Jesus rejeitou a ideia de seus discípulos para “dispensar as multidões” famintas Ele nos deu uma grande lição de solidariedade humana. Quantas vezes nós queremos nos ver livres dos problemas e “despedimos” as pessoas que são para nós empecilhos à nossa missão, à nossa caminhada. Quantas pessoas também vêm famintas precisando de nós e fazemos vista grossa às suas dificuldades, achando que não somos capazes de ajudá-las porque temos muito pouco. Hoje também Jesus então nos orienta a sentar e escutar as pessoas.  E depois nos colocar à disposição delas para ajuda-las nas suas necessidades para que Ele mesmo possa providenciar o que estiver faltando. Não precisamos possuir nada, a providência de Deus é quem realizará o grande milagre da multiplicação. A nós somente compete abençoa-las em nome de Jesus e expor a Ele a situação, sabendo que nós sozinhos (aa) não podemos providenciar. – Você também tem propensão a eliminar da sua frente aquelas pessoas que lhe “dão trabalho”? - Do que você dispõe para alimentar a multidão que procura pão? - A quem Jesus manda hoje você oferecer o pão da Palavra? – Você tem sentado com as pessoas para partilhar?


A intimidade com o Pai muda a nossa aparência-Helena Serpa

06/08/2017 -  Domingo - Transfiguração do Senhor -  Daniel 7, 9-10.13-14 – “O Espírito Santo é quem nos dá a percepção das coisas espirituais”.
Na visão de Daniel nós podemos perceber a glória e a majestade de Deus diante das nações, quando nos fala de veste branca, de lã pura, de fogo em brasa, de rio de fogo. Jesus Cristo, o Filho de homem, surge aqui como a figura central da visualização que define para nós a realeza e a força de Cristo, Salvador e Senhor de todas as nações, o qual está glorificado nos céus ao lado de Deus Pai. Essa visão é interior e, pelo poder do Espírito Santo, nós também poderemos vivenciá-la. Só poderemos nos apossar desse clima, todo diferente e espiritual, se nos abandonarmos completamente às sugestões do Espírito Santo de Deus nos desprendendo de todo raciocínio lógico. O Espírito Santo é quem nos dá a percepção das coisas espirituais. Refletir sobre este cenário é de alguma forma trazer o céu para a terra e já alegrar-se com a perspectiva feliz da eternidade. O reino dos céus se manifesta dentro do nosso coração e pensar nas coisas de Deus nos leva a enxergar a grandeza, a realeza e o Amor, sentimento que “desce do céu” para nos contagiar e nos fazer também experimentar, já aqui, a realidade celeste. Assim sendo, pela fé, nós nos apossamos das promessas do Pai de que um dia também estaremos com Ele no reino que nunca se dissolverá. Nos nossos momentos de oração é que o Senhor nos revela os Seus mistérios, portanto, não percamos a preciosa chance de parar para contemplar a Face de Deus no nosso coração. - No que você tem pensado, ultimamente? - Você tem parado para entrar em sintonia com Deus e contemplar a Sua Face? – Você tem feito a sua oração pessoal?

Salmo 96 – “Deus é rei, é o Altíssimo, muito acima do universo”
O salmista nos convida a exultar de alegria pela realeza do nosso Deus que tem poder sobre toda a terra. Ante a face do Senhor todos os povos se curvam e até as montanhas se derretem numa comprovação de que o Senhor, nosso Criador é o Rei Altíssimo. Ele se apoia na justiça e no direito, por isso todos os povos podem ver a sua glória.

2ª. Leitura – 2 Pedro 1, 16-19 – “a voz do Pai no coração”

Este é o meu Filho bem-amado, no qual ponho o meu bem querer”. Reportando-se ao episódio da Transfiguração São Pedro dá o testemunho da honra e glória que Jesus recebeu quando, no Monte Tabor, a voz do Pai se fez ouvir. São Pedro, então, afirma que a voz do Pai vinda do céu fez com que se tornasse mais firme a palavra dessa profecia. Nós também, podemos escutar a voz do Pai no nosso coração e ser testemunhas do Seu grande amor por cada um de nós que fomos adotados pelo Seu Filho Jesus. No nosso Batismo, a voz do Pai também se fez ouvir e no nosso coração ficou impressa a nossa filiação divina. Que esta certeza nos faça caminhar cada vez mais convictos de que estamos aqui a caminho do céu para que um dia também sejamos glorificados.  – Você já é capaz de perceber a Voz do Pai que fala no seu coração? – Você se sente realmente filho (a) amado (a) do Pai? – Será que você já está aproveitando a herança de ser filho e não mais criatura?

Evangelho Mateus 17, 1-9 – “A intimidade com o Pai muda a nossa aparência.”

A figura de Jesus transfigurado, ao lado de Moisés e de Elias representa para nós uma realidade espiritual que nos faz, desde já, participantes da glória futura, juntamente com os santos e os profetas que vivenciam o amor infinito do Pai. Assim como fez com Pedro, Tiago e João, Jesus também quer fazer conosco, a cada dia. Ele nos leva para a montanha, a fim de que possamos elevar o coração a Deus e ter com Ele uma experiência de Amor, pelo poder do Espírito Santo. Deus não discrimina ninguém e todos nós somos capazes de, desde já, experimentar Sua Majestade e a Sua glória, manifestadas dentro do nosso coração. As roupas brilhantes e brancas de Jesus representam a veste e a glória que Deus Pai quer destinar a todos nós os Seus filhos muito amados. Todos nós, como homens, podemos também ser transformados e ter a nossa alma e o nosso corpo, purificados, pelo poder do Espírito Santo. A intimidade com o Pai muda a nossa aparência. E é pela oração que podemos ter um conhecimento real de Deus e manter com Ele um diálogo como fez Jesus com Moisés e Elias. Quando nos retiramos para um momento de oração o Pai também nos fala e revela algo sobre Jesus: “Esse é o meu filho amado,....Escutai-o!” O cenário da transfiguração de Jesus nos dá também o entendimento de que Deus nos prepara no Tabor, isto é, no monte, na oração, no recolhimento para que possamos depois descer e enfrentar a luta da nossa vida de uma maneira toda nova. Na oração, nós obedecemos ao Pai e escutamos a Jesus. – Você já subiu com Jesus ao Monte Tabor? – A sua oração pessoal tem lhe ajudado a se transfigurar diante de Jesus, ou ver Jesus transfigurado diante de você? – Qual será a diferença entre as duas situações? - ?   Você tem medo de dar passos concretos na sua vida? - O que o (a) tem assustado (a)?

A verdade nos incomoda em todos os sentidos-Helena Serpa

05/08/17 – Sábado XVII semana comum  -  1a. Leitura – Levítico  25,1.8-17 – “O ano jubilar”
  “O Ano do Jubileu  tem um significado espiritual, e apresenta à humanidade a esperança de que Deus estabeleceu um Dia quando toda escravidão cessará, e tudo o que Deus deu à humanidade no princípio será restaurado. É a ocasião quando todas as dívidas são pagas, todos os escravos são libertados, e todas as propriedades restauradas aos seus legítimos possuidores. Jesus Cristo é o nosso  Jubileu. Nele há liberdade,  vida  e restauração, (Sl 102:19-20). Jesus  veio e nos libertou,  pagou as nossas dívidas. Este foi o propósito da Sua vinda, e este é o poder da Sua ressurreição.”
Hoje nós já temos consciência de que fomos perdoados e restaurados e elevados à condição de filhos de Deus pela Morte e Ressurreição de Jesus. E se cremos em Jesus e Nele fomos batizados nós somos chamados a viver conformados a Ele e a imitá-Lo nas atitudes e ações. Por isso, o Senhor quer nos acordar lembrar que todos o dia da nossa vida é dia de perdão, de libertação, oportunidade para voltar atrás nas nossas transgressões, dia de conversão.   “Não vos leseis uns aos outros entre irmãos, mas temei o vosso Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus”. A trombeta já soou e você, crê que Jesus já garantiu para você o dia D da salvação? - Como você tem se portado com aqueles que necessitam da sua misericórdia e do seu perdão? - Existe alguém que você ainda não perdoou e que você acha que lhe deve muita coisa?

Salmo 66 – “Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.”
Com a bênção e a graça do Senhor nós podemos caminhar aqui na terra sob o Seu olhar cuidadoso. O Senhor conhece  o  coração  de todos, por isso mesmo é que ele nos governa com retidão e nos julga com justiça. Acolhendo  as suas bênçãos nós podemos produzir frutos de santidade que serão colhidos no dia em que o Senhor nos convocar. Enquanto isto, façamos com que todas as nações do mundo O glorifiquem e O respeitem.

Evangelho – Mateus 14,1-12 – “A verdade nos incomoda em todos os sentidos”

Os poderes miraculosos de Jesus chegaram ao conhecimento de Herodes e a sua consciência logo o acusou, pois, imaginou que João Batista voltara para puni-lo, pois como profeta ele falara tudo aquilo que Deus lhe mandara dizer em relação às transgressões do governador. Por não ter se omitido João Batista foi às últimas consequências, até morrer, para cumprir com a sua missão. Foi decapitado por falar a verdade quando advertiu a Herodes que não lhe era permitido ter como esposa a mulher do seu irmão. Incomodado por isso, Herodes desejava mata-lo, até que surgiu a ocasião e ele, como justificativa para o seu intento e para satisfazer os caprichos da sua enteada mandou decapitá-lo. Nós todos também somos chamados a ser profetas, com o encargo de exortar, admoestar, animar e consolar as pessoas. Não podemos nos omitir embora corramos os riscos que a verdade acarreta. A verdade nos incomoda em todos os sentidos! Não queremos admiti-la quando ela nos coloca em xeque mate e não temos alternativas para nos defender e quando ela vem como uma luz revelando os nossos crimes, nós tentamos confundi-la. Jesus veio nos revelar a verdade do Pai para que também pudéssemos vivenciá-la e abrir os olhos das pessoas com as quais convivemos. Muitas vezes, no entanto, nós também nos tornamos como Herodes quando prometemos a alguém aquilo que não nos é permitido oferecer e por causa das nossas promessas aos homens esquecemos a promessa que fazemos a Deus de amar-nos uns aos outros e partilhar com eles a vida.  Quantas vezes também nós procedemos mal para satisfazer a alguém a quem queremos “agradar”! Pedem-nos a cabeça de uma pessoa e nós impiedosamente não medimos as consequências e a difamamos, fazendo intrigas contra ela, levantando falso, suspeitas e com isso, nós conseguimos matar o corpo, mas nada podemos fazer com a alma. Deus é o Senhor de todos e só Ele pode nos julgar com justiça de acordo com as nossas ações. - Você tem medo da verdade? – Ela o (a) incomoda quando revela algo que você faz de errado? -  Você já entregou a “cabeça” de alguém em troca dos seus interesses? – Como você se sente em relação a isto? -  Do que você será capaz de fazer para conseguir os seus intentos? – Você teme mais a Deus ou aos homens?


Somos apenas meros instrumentos de Deus-Helena Serpa

04/08/17 - 6ª. feira  XVII semana comum – Levítico 23, 1.4-11.15-16.27.34-37 – “em todas as
circunstâncias da nossa vida nós precisamos ter o coração voltado para Deus “
Por intermédio de Moisés o Senhor continua instruindo o povo que tirou do Egito dando o roteiro para que a celebração de cada solenidade em Sua honra fosse vivenciada em assembleia e tudo conforme a Sua determinação. Por isso, nesta leitura nós encontramos diversas datas referentes às festas da Páscoa do Senhor, a festa dos Ázimos, a festa da colheita, a festa das Tendas e em todas elas Deus orientava o povo a vivenciá-las com a referência de números que, na Bíblia significam alguma mensagem divina. O número sete aparece como alusão para a duração das festas ou como intervalo de dias entre uma celebração e outra. “Sete é o número frequentemente usado nas Escrituras para significar inteireza. Às vezes tem referência a se levar uma obra a cabo. Ou pode referir-se ao ciclo completo de coisas como estabelecidas ou permitidas por Deus. Por concluir a sua obra para com a terra em seis dias criativos e repousar no sétimo dia, Deus estabeleceu o padrão para todo o arranjo sabático, desde a semana de sete dias até o ano de jubileu que seguia o ciclo de sete vezes sete anos.  Sete ocorre muitas vezes com relação a regras levíticas de ofertas  e de purificações.” Retirado do site http://br.answers.yahoo.com/question/index?
A mensagem que podemos tirar desta leitura é que em todas as
circunstâncias da nossa vida nós precisamos ter o coração voltado para o Deus que nos criou e que tudo providencia para que nós alcancemos o desígnio para o qual nós fomos criados. Assim, como os antigos ofereciam os primeiros frutos da sua colheita ao Senhor como prova de gratidão, nós também necessitamos colocar nas Mãos de Deus a nossa luta e as nossas conquistas celebrando o Seu grande amor por nós. Antigamente se ofereciam ao Senhor sacrifícios, holocaustos e oblações para a purificação do povo. Hoje, temos consciência de que Jesus já se ofereceu por nós e definitivamente já alcançou para nós o direito de celebrarmos a glória de Deus desde já. Por isso, hoje somos chamados (a) a participar da maior solenidade que é a Celebração Eucarística, grande Mistério do Amor de Deus, onde somos purificados pela Palavra e pela memória da Paixão e Ressurreição de Jesus Todas as vezes que comemos o seu corpo e bebemos o seu sangue, anunciamos a sua morte, até que Ele venha (cf. 1 Cor 11, 26), bem como a sua ressurreição. É esta, portanto, a Santa e perfeita assembleia a que nós somos convocados a participar.  – Você dá o devido valor à Celebração Eucarística? – Você entende porque é convocado (a) a participar desse Mistério? – Você costuma ir a Missa, pelo menos, todos os domingos? – A Santa Missa tem tido alguma influência no seu processo de conversão? – O que significa para você participar da Eucaristia?

Salmo 80 – “Exultai no Senhor, nossa força”
Celebrar e exaltar o Nome do Senhor é um preceito antigo que ao longo de todas as gerações se tornou uma manifestação da nossa gratidão ao Deus que nos criou e que nos salvou. Com salmos, cantos e danças nós podemos celebrar e louvar a Deus e a Ele prestar adoração com a consciência de que somente Ele é digno de receber a honra, a glória e o poder.

Evangelho – Mateus 13, 54-58 –“somos apenas meros instrumentos de Deus

Assim como os profetas do Antigo Testamento foram rejeitados, Jesus também o foi, principalmente na Sua terra, no meio do Seu povo e da Sua parentela. Ele era homem igual a todos os outros, conviveu no meio da Sua família, trabalhou, chorou, sofreu, e teve que encarar as mesmas dificuldades que nós hoje também enfrentamos. E o grande empecilho para que Ele, como Enviado do Pai, operasse milagres na sua cidade, era a falta de fé da sua gente.  O seu povo não conseguia enxergar os sinais de Deus por meio de dele, por isso, também não usufruiu da Sua assistência e do Seu poder libertador. Ainda hoje acontece isto dentro da nossa casa e no meio da nossa família, quando, em Nome de Jesus nós também anunciamos a sua Palavra e queremos ver acontecer maravilhas que pessoas fora do nosso convívio conseguem vivenciar. Somos hoje também os “profetas que não são estimados em sua própria pátria e em sua família”, como disse Jesus. A nossa sabedoria vem do alto e nós somos apenas meros instrumentos por onde Deus opera milagres e prodígios. Precisamos também ter consciência de que aquele (a) que fala em nome de Deus será perseguido, mas tem a assistência do Seu amor. Por outro lado, devemos estar atentos para não banalizarmos as pessoas que dentro da nossa casa nos abrem os olhos e são canais do Senhor para nossa conversão. Ouvidos atentos e coração aberto, porque o Senhor fala por meio de quem nós nunca nem esperávamos que falasse.   -  Você tem “escutado” as pessoas observando se elas são instrumentos de Deus para você? – Você tem tentado dar a mensagem que Deus coloca no seu coração para alguém? -  Por que você não se põe de pé e vai falar? – O Senhor está esperando por você! 

Somente o Espírito Santo pode realizar a “cirurgia plástica” da nossa alma-Helena Serpa


03/08/17 – 5ª. feira  XVII semana comum  – Êxodo 40, 16-21.34-38 – “O santuário hoje é construído por nós”
a nuvem cobriu a tenda da reunião e a glória do Senhor encheu o santuário”.  A glória do Senhor se manifestou no meio do Seu povo, depois que Moisés fez tudo o que o Senhor lhe ordenara: levantou o santuário, colocou as bases e as tábuas, assentou as vigas, ergueu as colunas, estendeu a tenda sobre o santuário e colocou o documento da aliança (as taboas da Lei) dentro da arca. Assim também nós precisamos fazer! Quando seguimos as orientações do Senhor e vivemos segundo os Seus ensinamentos nós também construímos em nós um santuário para Deus habitar. O santuário hoje é construído por nós e dentro do nosso coração.  É lá que o Senhor quer fazer morada e manifestar a  Sua glória nos dando sinais que orientam a nossa caminhada. Noite e dia são realidades vivenciadas por nós e é na Palavra de Deus que descobrimos as sugestões do Espírito Santo que se traduzem em figuras como nuvem e fogo, proteção e calor. O documento da Aliança para nós, hoje, é, portanto, a Palavra de Deus que guardamos dentro do nosso coração. Por meio dela o Espírito Santo nos dá o roteiro para que, de dia a nuvem repouse sobre nós e nos proteja e de noite o fogo nos ilumine e nos aqueça. O Espírito Santo é quem realiza conosco esta nova aliança de amor.  – Você já fez como Moisés e construiu uma tenda para o Senhor no seu coração? – Você sente também a glória do Senhor se manifestando na sua vida? – Em que ocasiões você tem provado da nuvem e do fogo de Deus? – Faça a experiência de reviver esses momentos e acolha novamente a manifestação do poder de Deus.

Salmo 83 – “Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!”
O salmo retrata o anseio da nossa alma que peregrina pelo mundo em busca de meios para conquistar a felicidade, no entanto nunca está satisfeita.  Há dentro de nós uma fome de Deus, entretanto, nós não temos consciência de que, realmente, nós sentimos saudade do paraíso, do infinito de onde viemos. Esta fome de felicidade só nos é saciada quando nos apossamos do reino do céu proposto por Jesus e entendemos que “um só dia no templo do Senhor vale mais do que milhares fora dele!”  Somos felizes quando habitamos na casa de Deus, isto é, vivemos os Seus ensinamentos e a Sua Palavra.

 Evangelho Mateus 13, 47-53 – “Somente o Espírito Santo pode realizar a “cirurgia plástica” da nossa alma”

Neste Evangelho nós percebemos que os mestres da Lei não admitiam a revolução que Jesus veio promover no meio do povo de Deus, por isso, Jesus se dirige, especialmente a eles quando falava para a multidão. Ele compara, então, o reino dos céus a uma rede lançada ao mar que apanha peixes de todo tipo. E o mestre da Lei que se torna discípulo do reino, Jesus compara a um pai de família que tira do seu patrimônio as coisas velhas  que se confundem com as novas. Podemos refletir que dentro de nós há o velho e o novo. O Pai que é o Oleiro, o Mestre é quem pode nos ajudar pelo poder do Espírito Santo a nos despojar do que é inútil, do que está apodrecido dentro de nós e fazer valer apenas as coisas que são do coração de Deus e que trarão para nós a felicidade, a concórdia, o amor. Assim, mediante esta figura, nós podemos entender que o reino dos céus é uma proposta lançada por Jesus para todos nós, independentemente de quem somos. Ele nos acena com um jeito novo de viver, de acordo com a vontade do Pai, dentro dos ensinamentos evangélicos que transformam paulatinamente a nossa mentalidade, e, consequentemente a qualidade da nossa existência.  Quando aderimos à proposta de Jesus nós nos tornamos discípulos do reino dos céus e acontece em nós uma verdadeira metamorfose que depende também de um processo que exige paciência e maturidade. Só um perito espiritual poderá nos ajudar a fazer o discernimento.  É como uma intervenção cirúrgica que um especialista realiza para tirar imperfeições. Somente o Espírito Santo pode realizar a “cirurgia plástica” da nossa alma, pois Ele é o especialista na nossa matéria espiritual.  Dentro de nós há confusão, há dúvidas, porém antes que chegue ao fim dos tempos nós poderemos nos deixar esclarecer pelo Espírito que há em nós a fim de, eternamente, participarmos do reino dos céus.   – Você tem buscado o auxílio de Deus para suas dificuldades? – Você percebe as coisas boas e más que estão dentro do seu coração? – Você acha que Deus tem poder para transformar você num vaso novo?  - Peça a Jesus que faça de você um homem, uma mulher nova.


Processo de conversão de mudança e transformação-Helena Serpa

02/08/2017 - 4ª. Feira XVII Semana comum -  1a Leitura: Ex 34,29-35 –“bronzeados pela graça de Deus” 
Todas às vezes em que se recolhia para falar a sós com o Senhor, Moisés voltava com o rosto resplandecente. Na intimidade com Deus, Moises recebia as ordens para que fossem transmitidas ao povo que conduzia. Quando o povo via a pele do rosto de Moisés resplandecer sentia medo, mas acreditava que Ele estivera com Deus. O mesmo acontece conosco quando nos recolhemos para ouvir o Senhor, para adorá-Lo e receber Dele instruções para a nossa caminhada e da nossa família. Quando realmente nos prostramos diante de Deus e recebemos Dele a Sua Luz, a nossa face se ilumina e mesmo sem saber nós damos testemunho disso por meio das nossas palavras, ações e reações.  Por meio da luz do Espírito Santo nós ficamos bronzeados, isto é, cheios da graça de Deus e conseguimos transmitir alegria, paz, confiança, bondade, e muito mais. Erroneamente, às vezes, nós procuramos palavras para convencer as pessoas de alguma coisa, fazemos cálculos sobre os conselhos que precisamos dar a alguém e nos esquecemos de ir diante do Senhor para saber qual é a Sua vontade para ela. Perdemos tempo e não conseguimos alcançar os nossos objetivos. Aprendamos, pois, com Moisés a nos apresentar diante do Senhor para falar-Lhe, retirando o véu que encobre a nossa verdadeira face e nos desnudando diante Dele para que também sejamos bronzeados com a sua graça e, assim, possamos conduzir o povo que nos foi confiado. Teremos então convicção plena de que estaremos dando a orientação certa e seremos ouvidos por todos os que vêm a nossa face esplandecer. - Você tem ido conversar com o Senhor, receber dele as instruções para a sua vida e daqueles a quem ama?   - Qual tem sido a ação do Espírito Santo em você?  Você é uma pessoa  que transmite o poder de Deus?- Você  dá testemunho através dos gestos, do seu semblante, das suas ações, reações  e das suas palavras que tem encontrado o próprio Deus? Você transmite alegria, confiança?
Salmo 98 – “Santo é o Senhor nosso Deus!”
Porque o Senhor é Santo é que todos nós devemos nos prostrar perante Seus pés e exaltar o Seu Santo Nome. Todos os homens da Bíblia souberam reconhecer a Majestade do Senhor, guardando a Sua Lei e os Seus preceitos, por isso, tiveram êxito na sua missão. Nós também, hoje, precisamos exaltar o Senhor nosso Deus e prostrar-nos perante o Seu Monte Santo, que está dentro do nosso coração, lá onde o Espírito Santo ouve a sua voz e nos concede poder para guardar os ensinamentos que nos são revelados.
Evangelho: Mateus 13,44-46 –“ processo de conversão de mudança e transformação”

Jesus nos revela neste Evangelho duas características da vivência do reino dos céus aqui na terra. Na primeira parábola, o reino dos céus é comparado a um tesouro escondido no campo e que é encontrado por um homem.  Na segunda parábola, o reino dos céus é comparado a um comprador que procura pérolas precisas e encontra uma de grande valor. Podemos perceber, então, que o reino dos céus também pode ser encontrado sem que o procuremos e achado quando o buscamos. Nas duas realidades, porém, os seus personagens só se apossam da descoberta, depois que vendem todos os seus bens. O tesouro e a pérola constituem a vivência do reino dos céus desde já, aqui na terra, tendo Jesus como Aquele que nos proporciona a verdadeira felicidade. O reino dos céus está escondido no campo do nosso coração e, de acordo com o projeto de Deus para a nossa vida, podemos reconhecê-lo enquanto caminhamos ou encontra-lo porque o buscamos. No entanto, há um momento de discernimentos e desapego para que possamos verdadeiramente vivenciar o reino dos céus. Dependendo de cada um, muitas vezes precisamos vender o que possuímos da mentalidade do mundo, optar por algumas realidades que não condizem com os ensinamentos de Jesus, enfim, nos desapegarmos de tudo o que é empecilho para a sua vivencia. Por isso, a conquista do reino de Deus é como o processo de conversão de mudança e transformação firme e gradual que vai se manifestando por meio do nosso modo de ser  e de agir.  Quando nós descobrimos que dentro de nós há a riqueza do reino de Deus, do amor do céu, aos pouquinhos nós vamos substituindo o que há em nós, as coisas que nos prendem na vida e são nossas inimigas, e vamos nos apossando da riqueza que gera, amor, paz, alegria, consolo, fortaleza, mansidão, compreensão, esperança, vitória, felicidade, mesmo no meio das dificuldades.  – Você já sente em   as primícias do reino de Deus?   – Você ainda continua procurando “pérolas preciosas” para comprar ou   já encontrou este tesouro? - O que você tem feito com esse tesouro?  O que existe em você que se compara à pérola preciosa? - Qual é a percepção do reino dos céus em você? – Você demonstra ao mundo que o reino de Deus está no seu coração?

A vitória do bem já nos foi garantida por Jesus-Helena Serpa


01/08/2017 - 3ª. feira  XVII semana comum– Êxodo 33, 7-11;34,5-9.28 – “ face a face com o Senhor”
Como um homem fala com seu amigo, assim também Moisés falava face a face com o Senhor, na tenda da reunião, erigida num lugar afastado do acampamento. Enquanto orava, com certeza, Moisés confidenciava ao Senhor as suas angústias e aflições por causa do povo que conduzia. Um povo, que mesmo de cabeça dura, era aquele que o Senhor lhe entregara, por isso, Moisés intercedia e pedia ao Senhor que caminhasse com eles, perdoasse os seus pecados e os acolhesse como Sua propriedade. Jesus Cristo é o nosso Moisés, que intercede por nós junto do Pai e pede a Ele que tenha misericórdia de nós e da nossa descendência. Em Jesus, foi nos dada também a oportunidade de ter intimidade com o Pai de pedir a Ele o auxílio para a nossa caminhada. Hoje nós armamos a tenda da reunião dentro do nosso próprio coração e o Senhor também fala conosco e escuta as nossas confidências como se faz a um amigo. Hoje também nós temos acesso à Sua misericórdia, paciência, bondade e fidelidade. No entanto, como falou para o povo no deserto o Senhor também nos adverte que as nossas ações boas ou más têm consequências na qualidade da nossa vida. Aquele povo que caminhava no deserto era um povo de cabeça dura e apesar das advertências de Deus errava e sofria em decorrência dos seus malfeitos. Nós também temos conhecimento do que é bom e do que é mal, pois o Senhor nos instrui, assim sendo, a bênção ou a maldição vêm como resultado das nossas obras.   Somos também um povo de cabeça dura, mas através da nossa oração, da nossa súplica o Senhor nos manifesta a Sua graça e nos ensina com a Sua Palavra a caminhar para a santidade. O Senhor investiu em nós o Seu Amor e a Sua misericórdia e nunca poderemos pensar que não há jeito para a nossa situação de pecador, pois somos parte da Nova Aliança que o Pai fez no Seu Filho Jesus Cristo. – Você alguma se entristeceu com o seu ser pecador e achou que não havia mais jeito para si? - Você confia na intercessão de Jesus diante do Pai? - Você é uma pessoa que gosta de se justificar e se desculpar?- Você se considera um (a) pecador (a)? – Você costuma falar com Deus na tenda da reunião?

Salmo 102 – “O Senhor é indulgente, é favorável!”
O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas, diz o salmista, porque ele é indulgente, é favorável, paciente e bondoso. O Senhor nos trata como Seus filhos e filhas amados e quer salva a cada um de nós por meio do Seu amor. Basta que entendamos isso! Ele não quer nos castigar, pelo contrário, Ele deseja que cultivemos uma confiança cega na Sua justiça e misericórdia. Somos oprimidos pelo pecado, pela mentalidade do mundo e o Senhor compreende a nossa situação. Por isso, Ele não fica sempre repetindo as suas queixas nem guarda rancor contra nós. A justiça de Deus é o amor vivendo sempre em nós.

Evangelho Mateus 13, 36-43 – “a vitória do bem já nos foi garantida por Jesus”

Usando a figura do joio e do trigo Jesus nos explica o que acontece com o mundo em relação ao bem e o mal. Jesus é o semeador, que veio instaurar o reino do amor de Deus no coração dos homens. A boa semente é a Sua palavra que é acolhida no coração daqueles que desejam pertencer ao reino dos céus. O campo é o mundo onde convivem os bons e os maus e a boa semente são os que aceitam os ensinamentos de Jesus para acolher o reino dos céus. O joio são aqueles sugestionados pelo maligno, isto é, pelo espírito do mal que intervém e sutilmente se infiltra querendo impedir que o reino de Deus aconteça no interior do coração do homem.  Joio e trigo são plantas muito parecidas a ponto de confundir a visão de quem colhe. “Normalmente o joio cresce nas mesmas zonas produtoras de trigo e se considera uma erva daninha desse cultivo. A semelhança entre essas duas plantas é tão grande, que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como "falso trigo". Dentro do nosso coração há trigo, mas também há o joio, por isso acontece dentro de nós uma luta constante entre o bem e o mal. Porém, quando nos apossamos da semente da Palavra, nós saímos vitoriosos e o bem prevalece. Mesmo que algumas vezes a nós parecer que o mal está prevalecendo, podemos ter certeza de que a vitória do bem já nos foi garantida por Jesus.  E é a partir desta dinâmica que cada um de nós pode ser uma boa ou uma má semente no campo que é o mundo. Assim sendo, partindo dessa compreensão, nós podemos ajuizar que tipo de semente tem sido jogada no terreno do nosso coração e se nós a estamos acolhendo. Quando acolhemos a Palavra do Senhor dentro da mentalidade que Ele prega nós podemos dizer que estamos sendo também no mundo uma semente boa. Todavia, também podemos estar sendo confundidos pela ação do inimigo que tenta desvirtuar o sentido dos ensinamentos de Jesus fazendo com que tenhamos no mundo um comportamento duvidoso. Precisamos estar bem atentos enquanto estamos aqui na terra e possuímos vida e oportunidade, porque o próprio jesus falou que no final os Seus anjos virão e retirarão do seu reino todos os que praticam o mal.  Não podemos nos acomodar, necessitamos fazer a nossa parte para edificar o reino de Deus aqui na terra. Por ocasião da colheita nós seremos ofertados a Deus ou seremos queimados pelo fogo, dependendo da nossa adesão ao Projeto do Pai que Jesus Cristo veio instaurar na terra.   – Faça uma reflexão sobre tudo o que você tem percebido aqui na terra: quem está vencendo o bem ou o mal? – O que você tem feito para difundir o reino de Deus? – Você se considera trigo ou joio? – Qual a influência que você está tendo para os seus amigos e suas amigas: você tem sido instrumento do bem ou do mal? Para onde você os  (as) está levando?

domingo, 30 de julho de 2017

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM-Dehonianos




6 Agosto 2017
Ano A

Tema do 18º Domingo do Tempo Comum
A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos o convite que Deus nos faz para nos sentarmos à mesa que Ele próprio preparou, e onde nos oferece gratuitamente o alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.
Na primeira leitura, Deus convida o seu Povo a deixar a terra da escravidão e a dirigir-se ao encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará definitivamente a fome do seu Povo e oferecer-lhe-á gratuitamente a vida em abundância, a felicidade sem fim.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. No contexto de uma refeição, Jesus mostra aos seus discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.
A segunda leitura é um hino ao amor de Deus pelos homens. É esse amor – do qual nenhum poder hostil nos pode afastar – que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.
LEITURA I – Is 55,1-3
Leitura do Livro de Isaías
Eis o que diz o Senhor:
“Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas.
Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei.
Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite.
Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta
e o vosso trabalho naquilo que não sacia?
Prestai-Me atenção e vinde a Mim;
escutai e a vossa alma viverá.
Firmarei convosco uma aliança eterna,
com as graças prometidas a David.
AMBIENTE
Em 597 a.C., no reinado de Joaquin, os babilónios derrotaram os exércitos de Judá, conquistaram Jerusalém e deportaram para a Babilónia uma primeira leva de exilados, escolhidos de entre a classe dirigente de Judá. No entanto, esse primeiro grupo de exilados acreditava que o Exílio não estava para durar e que rapidamente poderiam regressar à sua terra. O profeta Jeremias, no entanto, desfez essas falsas esperanças, anunciando aos exilados que o desterro iria prolongar-se e convidando-os a refazer a sua vida na Babilónia (“edificai casas e habitai-as; plantai pomares e comei os seus frutos. Casai, gerai filhos e filhas, casai os vossos filhos e filhas, para que tenham filhos e filhas. Multiplicai-vos, em vez de diminuir. Procurai o bem do país para onde vos exilei e rogai por ele ao Senhor, porque só tereis a lucrar com a sua prosperidade” – Jer 29,5-7). Aos poucos, estes exilados acabaram por se adaptar à situação e por lançar as bases para uma permanência prolongada na Babilónia.
Em 586 a.C. deu-se uma nova catástrofe para o Povo de Deus: Jerusalém foi de novo conquistada pelos babilónios e completamente arrasada… Os que tinham escapado à primeira deportação foram levados cativos para a Babilónia e juntaram-se aos seus irmãos exilados.
Os tempos do Exílio foram tempos de desolação e de sofrimento… Todas as referências tinham caído; Jerusalém, a cidade santa, estava reduzida a um montão de ruínas; à frustração pela humilhação nacional, juntavam-se as dúvidas religiosas: Jahwéh será o Deus libertador, como anunciava a teologia e a catequese de Israel – ou será um “bluff”, incapaz de proteger o seu Povo? Para alguns dos exilados já nada importava, pois o quadro de referência que dava segurança ao Povo tinha sido completamente subvertido. Enquanto que alguns continuavam a sonhar com a libertação e o regresso, muitos outros deixaram de sonhar e lançaram as bases materiais para se enraizarem definitivamente na Babilónia.
O Exílio prolongou-se até 539 a.C., quando Ciro, rei dos Persas, tomou a Babilónia e deu aos exilados a possibilidade de retornarem à sua terra de origem.
É no contexto do Exílio que aparece o Deutero-Isaías, um profeta anónimo cuja mensagem nos é oferecida nos capítulos 40-55 do Livro de Isaías. O profeta esforça-se por “consolar” os exilados, anunciando-lhes a libertação iminente, o regresso à Terra (cf. Is 40-48) e a reconstrução de Jerusalém (cf. Is 49-55).
O texto que nos é proposto como primeira leitura apresenta-nos as últimas palavras do “livro da consolação”. Depois de um oráculo que anuncia a restauração de Jerusalém (cf. Is 54,11-17), o Deutero-Isaías procura dar aos exilados razões para regressarem à cidade santa.
MENSAGEM
O profeta convida os exilados a cumprirem um novo êxodo, deixando a terra da escravidão e dirigindo-se ao encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova que Deus vai reconstruir para o seu Povo. Aí, Judá redescobrirá o Deus libertador, que derrama sobre o seu Povo – gratuita e abundantemente – a justiça, a prosperidade, a abundância, a paz sem fim. O profeta representa esse quadro de salvação através da imagem de um “banquete”: em Jerusalém, à volta da mesa de Deus, esse Povo sofredor, desolado, carente, faminto, encontrará trigo, “vinho”, “leite” e “manjares suculentos” (vers. 1).
Será fácil, depois de mais de quarenta anos de Exílio, deixar a relativa segurança da Babilónia, enfrentar uma terra devastada e começar tudo de novo? É claro que não. Muitos exilados, correspondendo às palavras do profeta Jeremias (cf. Jer 29), construíram as suas casas, refizeram as suas vidas, lançaram as suas raízes no solo babilónico e consolidaram existências tranquilas e cómodas. A referência ao gastar “o dinheiro naquilo que não alimenta” e “o trabalho naquilo que não sacia” parece dizer respeito ao facto de muitos exilados pretenderem continuar na Babilónia, em lugar de arriscarem o regresso a uma terra desolada e, aparentemente, sem futuro (vers. 2).
O profeta adverte: é preciso ter a coragem de arriscar, de se desinstalar, de partir ao encontro do sonho. Àqueles que forem capazes de sair dos seus esquemas para abrirem o coração ao seu dom, Deus vai oferecer, de forma gratuita e incondicional, a vida em abundância, a felicidade infinita.
Mais: a esses que estão dispostos a deixar as suas certezas e seguranças para partir ao encontro do seu chamamento, Deus oferecerá uma aliança eterna (vers. 3), que nada nem ninguém poderão romper.
Quem aceitar esse dom que Deus oferece encontrará aí a água que mata a sua sede de vida e o alimento que sacia a sua fome de felicidade. Viverá uma relação nova com Deus e integrará, em definitivo, a comunidade do Povo de Deus.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar, na reflexão, os seguintes pontos:
• Antes de mais, a leitura que nos é proposta revela o “coração” de Deus: o seu amor, o seu cuidado, a sua preocupação com a situação de um Povo atolado na miséria, no sofrimento, na desolação. Deus não fica, nunca, indiferente à sorte dos seus filhos; mas está continuamente atento às suas necessidades, à sua fome de vida, à sua sede de felicidade. Os crentes podem estar seguros de que, à mesa desse banquete onde Deus os reúne, encontram o alimento que os sacia, a mão que os apoia, a palavra que lhes dá ânimo, o coração que os ama. A reflexão deste texto convida-nos, antes de mais, a descobrir este Deus providente, amoroso e dedicado e a colocar toda a nossa existência nas suas mãos. A reflexão deste texto convida-nos também a sermos testemunhas deste Deus no meio dos nossos irmãos: os pobres, os famintos, os desesperados têm de encontrar nos nossos gestos e palavras esse “coração” amoroso de Deus que os apoia, que lhes dá esperança, que os ajuda a recuperar a dignidade e o gosto pela vida, que lhes mata a fome e a sede de justiça, de fraternidade, de amor e de paz.
• Se é verdade que Deus não cessa de nos oferecer a salvação, também é verdade que nós, os homens, nem sempre acolhemos a oferta que Deus nos faz. Muitas vezes escolhemos caminhos de egoísmo e de auto-suficiência, à margem do “banquete” de Deus. Na leitura que nos foi proposta, há um apelo a não gastar o dinheiro naquilo que não alimenta e o trabalho naquilo que não sacia. Corresponde a um convite a não nos deixarmos seduzir por falsas miragens de felicidade (os bens materiais, a ilusão do poder, os aplausos e a consideração dos outros homens) e a não gastarmos a vida a beber em fontes que não matam a nossa sede de vida plena e verdadeira. Como é que eu me situo face a isto? De que é que eu sinto “fome”? Como é que eu procuro saciá-la? Eu também sou dos que gastam o tempo, as forças e as oportunidades a correr atrás de ilusões, de valores efémeros, de miragens? Quais são as verdadeiras fontes de vida em que eu devo apostar de forma incondicional?
• Para acolher os dons que Deus oferece, é preciso desinstalar-se, abandonar os esquemas de comodismo e de preguiça que impedem que no coração haja lugar para a novidade de Deus e para os desafios que ele lança. Estou disponível para deixar cair os meus preconceitos, seguranças, esquemas organizados, egoísmos, e para me deixar questionar por Deus e pelas suas propostas?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)
Refrão: Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
Todos têm os olhos postos em Vós
e a seu tempo lhes dais o alimento.
Abris as vossas mãos
e todos saciais generosamente.
O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.
LEITURA II – Rom 8,35.37-39
Irmãos:
Quem poderá separar-nos do amor de Cristo?
A tribulação, a angústia, a perseguição,
a fome, a nudez, o perigo ou a espada?
Mas em tudo isto somos vencedores,
graças Àquele que nos amou.
Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida,
nem os Anjos nem os Principados,
nem o presente nem o futuro,
nem as Potestades nem a altura nem a profundidade
nem qualquer outra criatura
poderá separar-nos do amor de Deus,
que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor.
AMBIENTE
O texto que nos é hoje proposto como segunda leitura conclui a reflexão de Paulo sobre a questão da salvação.
Há já alguns domingos que temos vindo a acompanhar o desenvolvimento das ideias de Paulo sobre esta questão: toda a humanidade vive mergulhada numa realidade de pecado (cf. Rom 1,18-3,20); mas a bondade de Deus oferece a todos os homens, de forma gratuita e incondicional, a salvação (cf. 3,21-4,25). Essa salvação chega ao homem através de Jesus Cristo (cf. Rom 5,1-7,25). O Espírito Santo é que dá ao homem a força para acolher esse dom (cf. Rom 8,1-39), para renunciar à vida do egoísmo e do pecado (a vida “segundo a carne”) e para ascender a uma nova situação – a situação de “filho de Deus” (vida “segundo o Espírito”).
Acolher a salvação que Deus oferece, identificar-se com Jesus e percorrer com Ele o caminho do amor a Deus e da entrega aos irmãos (vida “segundo o Espírito”) não é, no entanto, um caminho fácil, de triunfos e de êxitos humanos; mas é um caminho que é preciso percorrer, tantas vezes na dor, no sofrimento e na renúncia, enfrentando as forças da morte, da opressão, do egoísmo e da injustiça.
Apesar das barreiras que é necessário vencer, das nuvens ameaçadoras e dos mil desafios que, dia a dia, se põem ao crente que segue o caminho de Jesus, o cristão pode e deve confiar no êxito final. Porquê?
É a esta questão que Paulo procura responder nestes versículos que nos são hoje propostos.
MENSAGEM
“Se Deus é por nós, quem será contra nós”? – pergunta Paulo no início da perícopa (Rom 8,31). A verdade é que nada pode derrotar aquele que é objecto do amor imenso e imortal de Deus – amor manifestado nesse movimento que levou Cristo até à entrega total da vida para nos colocar na rota da salvação e da vida plena.
O crente tem de estar certo de que Deus o ama e que lhe reserva a vida em plenitude, a felicidade total, a comunhão plena com Ele. Dessa forma, pode escolher, com tranquilidade e serenidade o caminho de Jesus – caminho de dom, de entrega da vida, de amor até às últimas consequências… Pode, como Jesus, lutar objectivamente contra o egoísmo, a injustiça, a opressão, o pecado; pode gastar a vida nessa luta, sem temer o aniquilamento ou o fracasso; pode enfrentar a perseguição, a angústia, os perigos, as armadilhas montadas pelos homens, com a certeza de que nada o pode vencer ou destruir… E, no final do caminho, espera-o essa vida plena de felicidade sem fim, que Deus oferece àqueles que aceitam a sua proposta de amor e caminham nela.
Nos dois últimos versículos do texto que nos é proposto (vers. 38-39), Paulo enumera uma série de forças que, na época, se julgavam mais ou menos hostis ao homem. Não devemos, contudo, tomar essas expressões como uma descrição detalhada daquilo que, para Paulo, era o mundo sobrenatural. Devemos ver nessa lista, apenas uma forma retórica de sugerir que nada – nem sequer esses poderes que os antigos acreditavam que hostilizavam o homem – será capaz de separar o crist&a
tilde;o do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão da leitura pode fazer-se a partir das seguintes linhas:
• Para Paulo, há uma constatação incrível, que não cessa de o espantar (e que temos repetidamente encontrado nos textos da Carta aos Romanos lidos nos últimos domingos): Deus ama-nos com um amor profundo, total, radical, que nada nem ninguém consegue apagar ou eliminar. Esse amor veio ao nosso encontro em Jesus Cristo, atingiu a nossa existência e transformou-a, capacitando-nos para caminharmos ao encontro da vida eterna. Ora, antes de mais, é esta descoberta que Paulo nos convida a fazer… Nos momentos de crise, de desilusão, de perseguição, de orfandade, quando parece que o mundo está todo contra nós e que não entende a nossa luta e o nosso compromisso, a Palavra de Deus grita: “não tenhais medo; Deus ama-vos”.
• Descobrir esse amor dá-nos a coragem necessária para enfrentar a vida com serenidade, com tranquilidade e com o coração cheio de paz. O crente é aquele homem ou mulher que não tem medo de nada porque está consciente de que Deus o ama e que lhe oferece, aconteça o que acontecer, a vida em plenitude. Pode, portanto, entregar a sua vida como dom, correr riscos na luta pela paz e pela justiça, enfrentar os poderes da opressão e da morte, porque confia no Deus que o ama e que o salva.
ALELUIA – Mt 4,4b
Aleluia. Aleluia.
Nem só de pão vive o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
EVANGELHO – Mt 14,13-21
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto,
retirou-Se num barco para um local deserto e afastado.
Mas logo que as multidões o souberam,
deixando as suas cidades, seguiram-n’O a pé.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão
e, cheio de compaixão, curou os seus doentes.
Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus
e disseram-Lhe:
“Este local é deserto e a hora avançada.
Manda embora toda esta gente,
para que vá às aldeias comprar alimento”.
Mas Jesus respondeu-lhes:
“Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”.
Disseram-Lhe eles:
“Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”.
Disse Jesus: “Trazei-mos cá”.
Ordenou então à multidão que se sentasse na relva.
Tomou os cinco pães e os dois peixes,
ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção.
Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos
e os discípulos deram-nos à multidão.
Todos comeram e ficaram saciados.
E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos.
Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens,
sem contar mulheres e crianças.
AMBIENTE
No capítulo 13 do Evangelho segundo Mateus, começa uma longa secção que poderíamos intitular “instrução sobre o Reino” (cf. Mt 13,1-17,27).
Na primeira parte desta secção (cf. Mt 13,1-52), Jesus apresentou em parábolas a realidade do Reino (como vimos, aliás, nos domingos anteriores). Como é que os interlocutores de Jesus reagiram, frente a essa apresentação viva, popular, interpeladora, questionante? Aderiram à proposta de Jesus?
A resposta a esta questão vai ser dada na segunda secção da “instrução sobre o Reino” (cf. Mt 13,53-17,27). De uma forma geral, a comunidade judaica responde negativamente ao desafio apresentado por Jesus. Quer os nazarenos (cf. Mt 13,53-58), quer Herodes (cf. Mt 14,1-12), quer os escribas, quer os fariseus, quer os saduceus (cf. Mt 15,1-9; 16,1-4. 5-12) recusam embarcar na aventura do Reino. Diante dessa recusa, Jesus volta-Se, cada vez mais decisivamente, para o pequeno grupo dos seus seguidores – os discípulos. Esse pequeno grupo vai-se definindo cada vez mais como a comunidade do Messias, que acolhe as propostas de Jesus e aceita o Reino. As multidões continuam a seguir Jesus; mas, cada vez mais, é aos discípulos que Jesus Se dirige e a quem destina a sua “instrução”.
O texto que nos é proposto neste domingo situa-nos no âmbito de uma refeição. O “banquete” é, para os semitas, o momento do encontro, da fraternidade, em que os convivas estabelecem entre si laços de familiaridade e de comunhão. É, portanto, símbolo desse mundo novo que há-de vir e no qual todos os homens se sentarão à mesa de Deus para celebrar a fraternidade, a igualdade e a felicidade sem fim. Torna-se, pois, um símbolo privilegiado desse Reino para o qual Jesus veio convidar os homens.
MENSAGEM
Na introdução ao episódio de hoje, Mateus anota que Jesus se retirou para o deserto, seguido por uma “grande multidão”; e que, impressionado pela fome de vida de toda essa gente, Se encheu “de compaixão e curou os seus doentes” (vers. 13-14).
Provavelmente, Mateus quer sugerir, com esta referência, que Jesus é um novo Moisés, cuja missão é libertar o seu Povo da escravidão, a fim de conduzi-lo à terra da liberdade e da vida plena. Como é que vai fazê-lo? Conduzindo-o ao deserto…
O deserto é, para Israel, o tempo e o espaço do encontro com Deus; aí, Israel aprendeu a despir-se das suas seguranças humanas, das suas certezas, da sua auto-suficiência, para descobrir que cada passo em direcção à liberdade, cada pedaço de pão caído do céu, cada gota de água que brota de um rochedo, é um “milagre” que é preciso agradecer ao amor de Deus. Tudo é um dom de Deus, que o Povo deve acolher com o coração agradecido. O deserto é ainda o lugar e o tempo da partilha, da igualdade, em que cada membro do Povo conta com a solidariedade do resto da comunidade, onde não há egoísmo, injustiça, prepotência, açambarcamento dos bens que pertencem a todos, e em que todos dão as mãos para superar as dificuldades da caminhada (no deserto, quem é egoísta, auto-suficiente e não aceita contar com os outros, está condenado à morte).
É esta experiência que Jesus vai convidar os discípulos a fazer. Vai ensinar-lhes – com uma lição concreta – que tudo é um dom que deve ser agradecido ao amor de Deus; e vai ensinar-lhes também que os dons de Deus são para ser partilhados, colocados ao serviço dos irmãos. É deste processo libertador – que conduz do egoísmo ao amor – que vai nascer a comunidade do Reino.
A história da multiplicação dos pães apresenta todas as características de uma lição, destinada a demonstrar como é que deve viver quem quer aderir ao Reino.
O primeiro momento desse processo pedagógico destinado a formar os membros do Reino tem a ver com a constatação da fome do mundo e com a responsabilização da comunidade do Reino nesse problema&hell
ip; Quando os discípulos Lhe pedem que mande a multidão embora, para que ela encontre comida (lavando as mãos face à situação de necessidade em que a multidão está), Jesus pede-lhes: “dai-lhes vós de comer” (vers. 16). Ensina-lhes, dessa forma, que têm uma responsabilidade inalienável face a esse desafio que o mundo dos pobres todos os dias grita… Depois disto, nunca um discípulo de Jesus poderá dizer que não tem nada a ver com a fome, com a miséria, com as necessidades dos mais desfavorecidos. Qualquer irmão necessitado – de pão, de alegria, de apoio, de esperança – é da responsabilidade dos discípulos de Jesus. A dinâmica do Reino passa pela solidariedade que torna todos os cristãos responsáveis pelas necessidades dos pobres.
No segundo momento deste processo pedagógico, Jesus ensina como dar resposta a este desafio. Começa por pedir aos discípulos que façam a listagem dos bens disponíveis; depois, toma os “cinco pães e dois peixes”, recita a bênção e manda repartir por todos os presentes… E todos comeram até ficarem saciados.
A lição é clara: diante do apelo dos pobres, a comunidade do Reino tem de aprender a partilhar. “Cinco pães e dois peixes” significam totalidade (“sete”): é na partilha da totalidade do que se tem que se responde à carência dos irmãos. É uma totalidade fraccionada e diversificada mas que, posta ao serviço dos irmãos, sacia a fome do mundo. A comunidade do Reino é, portanto, não só uma comunidade que se sente responsável pela fome dos irmãos, mas também uma comunidade de coração aberto, disposta a repartir tudo o que tem… É uma comunidade que venceu a escravidão do egoísmo, para fazer a experiência da partilha que sacia e que torna todos os homens irmãos.
No terceiro momento deste processo pedagógico, Jesus dá a razão para a partilha. “Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção” (vers. 19). A “bênção” é uma fórmula de acção de graças, na qual se agradece a Deus pelos seus dons. Isso significa, em concreto, reconhecer que algo que se possui é um dom recebido de Deus… Para quem? Para um único homem ou para uma única família? Mas Deus não é o Pai de todos, que se preocupa com todos e que a todos ama da mesma forma? Portanto, “pronunciar a bênção” é reconhecer que determinado dom veio de Deus e que pertence a todos os filhos de Deus. Aquele que recebeu esse dom não é o seu dono; mas é apenas um administrador a quem Deus confiou determinado dom, para que o pusesse ao serviço dos irmãos com a mesma gratuidade com que o recebeu. À comunidade do Reino é proposto que aprenda a considerar os bens postos à sua disposição como dons de Deus Pai, colocando-os livremente ao serviço de todos.
Jesus é aqui apresentado como o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo e oferecer-lhe a vida em abundância. Como é que Ele o faz? Criando a comunidade do Reino – isto é, uma comunidade de homens novos, que reconhecem que tudo o que têm é um dom de Deus, destinado a ser partilhado com os outros irmãos.
ACTULIZAÇÃO
Na reflexão, ter em conta os seguintes aspectos:
• Antes de mais, o texto convida-nos a reflectir sobre a preocupação de Deus em oferecer a todos os homens a vida em abundância. Ele convida todos os homens para o “banquete” do Reino… Aos desclassificados e proscritos que vivem à margem da vida e da história, aos que têm fome de amor e de justiça, aos que vivem atolados no desespero, aos que têm permanentemente os olhos toldados por lágrimas de tristeza, aos que o mundo condena e marginaliza, aos que não têm pão na mesa nem paz no coração, Deus diz: “quero oferecer-te essa plenitude de vida que os homens teus irmãos te negam. Tu também estás convidado para a mesa do Reino”.
• A nossa responsabilidade de seguidores de Jesus compromete-nos com a “fome” do mundo. Nenhum cristão pode dizer que não tem culpa pelo facto de 80 por cento da humanidade ser obrigada a viver com 20 por cento dos recursos disponíveis… Nenhum cristão pode “lavar as mãos” quando se gastam em armas e extravagâncias recursos que deviam estar ao serviço da saúde, da educação, da habitação, da construção de redes de saneamento básico… Nenhum cristão pode dormir tranquilo quando tantos homens e mulheres, depois de uma vida de trabalho, recebem pensões miseráveis que mal dão para pagar os medicamentos, enquanto se gastam quantias exorbitantes em obras de fachada que só servem para satisfazer o ego dos donos do mundo… Nós temos responsabilidades na forma como o mundo se constrói… Que podemos fazer para que o nosso mundo seja alicerçado sobre outros valores?
• É preciso criarmos a consciência de que os bens criados por Deus pertencem a todos os homens e não a um grupo restrito de privilegiados. O Vaticano II afirma: “Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos (…). Sejam quais forem as formas de propriedade, conforme as legítimas instituições dos povos e segundo as diferentes e mutáveis circunstâncias, deve-se sempre atender a este destino universal dos bens. Por esta razão, quem usa desses bens temporais, não deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si, mas também os outros. De resto, todos têm o direito de ter uma parte de bens suficientes para si e suas famílias” (Gaudium et Spes, 69). Como me situo face aos bens? Vejo os bens que Deus me concedeu como “meus, muito meus e só meus”, ou como dons que Deus depositou nas minhas mãos para eu administrar e partilhar, mas que pertencem a todos os homens?
• O problema da fome no mundo não se resolve recorrendo a programas de assistência social, de “rendimento mínimo garantido” ou de outros esquemas de “caridadezinha”; mas resolve-se recorrendo a uma verdadeira revolução das mentalidades, que leve os homens a interiorizar a lógica de partilha. Os bens que Deus colocou à disposição dos seus filhos não podem ser açambarcados por alguns; pertencem a todos os homens e devem ser postos ao serviço de todos. É preciso quebrar a lógica do capitalismo, a lógica egoísta do lucro (mesmo quando ela reparte alguns trocos pelos miseráveis para aliviar a consciência dos exploradores), e substitui-la pela lógica do dom, da partilha, do amor. Sem isto, nenhuma mudança social criará, de verdade, um mundo mais justo e mais fraterno.
• A narração que hoje nos é proposta tem um inegável contexto eucarístico (as palavras “ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção, partiu os pães e deu-os aos discípulos” levam-nos à fórmula que usamos sempre que celebrámos a Eucaristia). Na verdade, sentar-se à mesa com Jesus e receber o pão que Ele oferece (Eucaristia) é comprometer-se com a dinâmica do Reino e é assumir a lógica da partilha, do amor, do serviço. Celebrar a Eucaristia obriga-nos a lutar contra as desigualdades, os sistemas de exploração, os esquemas de açambarcamento dos bens, os esbanjamentos, a procura de bens supérfluos… Quando celebramos a Eucaristia e nos comprometemos com uma lógica de partilha e de dom, estamos a tornar Jesus presente no mundo e a fazer com que o Reino seja uma realidade viva na história dos homens.
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 18º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 18º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. “VINDE, ESCUTAI, COMEI”.
Estes três apelos da leitura de Isaías marcam os três primeiros tempos da celebração de qualquer domingo: reunião da assembleia, liturgia da Palavra, liturgia eucarística (o último é o envio). Para a proclamação do texto de Isaías, procure-se valorizar os imperativos: “Vinde… escutai-Me… prestai atenção… vinde a Mim”, procurando o tom que convém à aliança que Deus quer concluir com o seu povo. É uma questão de atitude interior! Para pôr em realce o convite, o texto poderia ser proclamado por dois leitores, alternando os apelos contidos na leitura.
3. DAR AMPLITUDE AO RITO DA FRACÇÃO.
Na homilia, o sacerdote poderia destacar o relato evangélico que descreve os gestos de Jesus aquando da multiplicação dos pães como gestos litúrgicos, os mesmos que são empregues no coração da Eucaristia: “ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão”. Procurar ligar esta passagem ao momento da fracção do pão ou da comunhão. É conveniente hoje dar amplitude ao rito da fracção do pão.
4. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Nós Te damos graças por todas as refeições que ofereceste ao teu Povo, para saciar a sua fome e para anunciar o banquete da Nova Aliança.
Nós Te pedimos por todos os famintos da nossa terra e por todas as formas de pobreza: os mendigos de pão, de atenção, de ternura, de justiça e de paz. Dá-nos a coragem de lhes deixar mais do que as migalhas.
No final da segunda leitura:
Pai Nosso, nós Te bendizemos pelo amor de Cristo, que manifestaste nas missões do apóstolo Paulo e do qual nada nos pode separar: Tu comunicas o amor de Cristo em cada Eucaristia, ao ponto de nos unires a Ti.
Nós Te pedimos por todos os nossos irmãos e irmãs desencorajados, ameaçados pelo desânimo, a angústia, a perseguição, a fome, os perigos.
No final do Evangelho:
Erguemos os olhos para Ti e damos-Te graças pela infinita ternura do teu Filho Jesus. Nós Te bendizemos pelo pão de vida que nos ofereces.
Nós Te pedimos pelos teus discípulos, encarregados de distribuir o pão produzido pelos nossos pobres meios; que a bênção cumule as nossas refeições com a graça do teu Espírito Santo.
5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística III das Assembleias com Crianças, que faz alusão à obra de misericórdia de Cristo.
6. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Ousemos! Quantas sedes e fomes estão em nós e entre nós, para as quais gastamos sem contar o nosso dinheiro e as nossas forças, sem nunca ficarmos saciados! Ousemos… “ir a Ele… e levemos-Lhe…” com toda a confiança o pouco que temos, seguros de que só Ele nos pode satisfazer para além de qualquer desejo.
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
portugal@dehonianos.org – www.dehonianos.org