quinta-feira, 31 de julho de 2014

Não é ele o filho do carpinteiro? Então, de onde lhe vem tudo isso?- Padre Antonio Queiroz



Não é ele o filho do carpinteiro? Então, de onde lhe vem tudo isso?
Este Evangelho narra que Jesus não foi bem recebido na sua terra, Nazaré. E isso por um motivo totalmente inválido: ele era de lá, pertencia a uma família simples (pai carpinteiro) e não cursou faculdade.
Mas o motivo verdadeiro é porque ele pisava no calo; falava coisas que as pessoas não queriam ouvir, porque tocava na ferida delas, isto é, chegava ao seu pecado, que elas não queriam abandonar.
O profeta fala a palavra certa, na hora certa, do jeito certo e para a pessoa certa, sem estar preocupado em agradar os ouvintes. Isso é difícil de engolir, a não ser que a pessoa queira realmente se converter.
E o nosso pecado nos leva a transferir para os outros, problemas que são nossos. Em vez de aceitar seu erro, criticavam a Jesus. Quando nos simpatizamos com uma pessoa, aprovamos tudo o que ela fala ou faz. Mas uma pessoa que nos é antipática fala ou faz a mesma coisa, nós reprovamos. Como que os nossos julgamentos são subjetivos!
Tudo é motivo para condenar um profeta, até este: eu conheço a sua família e sei que ele não estudou. E a perseguição ao profeta é, às vezes, covarde. Criticamos porque ele ou ela tem o cabelo comprido ou curto, porque usa essa ou aquela roupa, porque reza ou porque não reza, porque é alegre ou porque é sério etc.
“E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé.” A fé é condição necessária para se receber uma graça de Deus. E o motivo principal da recusa a um profeta é a nossa falta de fé.
Os profetas, isto é, os líderes cristãos que são nossos vizinhos, e cujas famílias nós conhecemos, por si são melhores do que os desconhecidos, porque eles ou elas nos conhecem e podem dar o remédio certo, pois conhecem as nossas falhas. Também porque, sendo da nossa cidade ou bairro, fica mais fácil a continuidade do trabalho evangelizador.
Os fariseus colocavam sua segurança na Lei. Os saduceus colocavam sua segurança no dinheiro; eram todos latifundiários. E os sacerdotes colocavam a sua segurança no culto. Assim, nenhum deles precisava de Deus! Eram pessoas cheias de si mesmo e que se julgavam donas do próprio destino. O certo é nos esvaziarmos de tudo. “Esse povo me procura só de palavra, honra-me apenas com a boca, enquanto o coração está longe de mim. Seu temor para comigo é feito de obrigações tradicionais e rotineiras” (Is 29,13). “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15,8). “Na sua boca, tu (Senhor) estás presente, mas longe do coração” (Jr 12,2).
Deus nos fala de muitas maneiras: pelos profetas, pela Sagrada Escritura, por outros livros ou programas bons... Que estejamos abertos.
Hoje nós celebramos a festa de Santo Inácio de Loyola, o fundador da Ordem dos Jesuítas. Ele era espanhol e viveu no Séc. XVI. Toda a vida de Inácio foi maravilhosa. Mas nos chamam a atenção dois fatos:
Como jovem ele levava uma vida devassa, envolvido com bebidas, mulheres, jogo, boemia... Como era soldado, um dia foi gravemente ferido. Na hora da cirurgia, para mostrar a sua bravura, dispensou a anestesia. Após a cirurgia, teve de ficar muitos dias internado. Ele pedia romances de cavalaria para ler. Mas, ao invés disso, as Irmãs do hospital lhe davam vidas de santos. Inácio lia aqueles gestos heróicos dos santos e pensava: se eles puderam, por que não eu? As Irmãs deram para ele ler um livro intitulado: A lenda dourada, que narrava a vida de Jesus Cristo. Foi esse livro que mudou a vida de Inácio. Ao lê-lo, ele começou a comparar a sua vida fútil e vazia, com o grande ideal de Cristo, a serviço de Reino de Deus. Assim, aos poucos, ele foi redescobrindo aquele Jesus que conhecera quando criança, no catecismo da primeira comunhão. Tomou a firme resolução de trocar de carreira: em vez de defender reinos humanos, tornar-se soldado de Cristo, lutando pelo Reino de Deus. Logo que recebeu alta, foi ao santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat e depositou sua espada aos pés da Virgem Maria. Depois, retirou-se para o meio do mato, num lugar solitário, e ali se entregou totalmente à oração, à leitura da Bíblia e à prática de penitências.
Outro fato que nos chama a atenção aconteceu quando ele estava no meio do mato, fazendo penitências. Um dia, enquanto caminhava, encontrou-se com um mendigo. Propôs ao mendigo uma troca das roupas. O pobre aceitou, claro. Na hora, os dois trocaram as roupas. E lá se foi Inácio vestido com as roupas do mendigo, e o mendigo com as de Inácio. Isso mostra bem o temperamento de Inácio. Ele era prático, não suportava ter boas idéias apenas na cabeça, mas queria executá-las logo. Que bom se nós ouvíssemos os profetas com esse tipo de postura!
Maria Santíssima é a Rainha dos profetas. Ela testemunhou corajosamente a verdade, com atitudes e com palavras, por exemplo, no hino Magnificat. E o principal: ela nos deu o maior profeta de todos os tempos: Jesus Cristo. Rainha dos profetas, e Santo Inácio, rogai por nós.
Não é ele o filho do carpinteiro? Então, de onde lhe vem tudo isso?




A REJEIÇÃO À JESUS NÃO INTERROMPEU O ANÚNCIO DO REINO! - Olívia Coutinho

 
Dia 01 de Agosto de 2014
 
Evangelho de Mt 13,54-58
 
O caminho do profeta é um caminho marcado pela perseguição, pela rejeição e até mesmo pela incompreensão das pessoas  que fazem parte do seu convívio!
Jesus, o profeta de ontem e  de hoje, passou por esta experiência, além de rejeitado pelas autoridades políticas e religiosas,  foi  rejeitado também, pelos seus conterrâneos.
 O  evangelho que a liturgia de  hoje coloca diante de nós, nos trás uma amostra  dos desafios enfrentados pelos profetas de ontem e que os profetas de hoje continuam enfrentando.
A cruz é inevitável  no caminho do profeta,  pois são muitos os que tentam calar a sua voz, o que é impossível, pois nem a morte  consegue calar a voz de um profeta! É  justamente depois da  morte do profeta, que a  sua voz, passa ressoar com mais intensidade ainda no coração da humanidade! O profeta morre, mas as suas palavra ficam, tornando conhecidas, de geração a geração como ficaram  conhecidas as palavras do Profeta Maior que é Jesus!
O texto que nos é apresentado, nos fala  do retorno de Jesus a sua cidade de origem, quando Ele experimenta no corpo e na alma, a dor da rejeição.  Uma dor, que certamente foi  mais forte ainda, por partir dos seus próprios conterrâneos, àqueles que deveriam ser os primeiros a acolhê-Lo. 
A admiração pelas palavras de Jesus, que a princípio havia  agradado  a todos,  cai por terra, quando a identidade do Messias, anunciado pelos profetas do antigo testamento, se revela na pessoa de Jesus. Os que esperavam por um Messias extraordinário, milagreiro, rejeitaram Jesus, um  Messias de origem simples, que tinha o olhar voltado para  os pequenos.
Julgando  conhecer Jesus, pela  sua condição social, os conterrâneos de Jesus,  se recusam a aprofundar no mistério de Deus, ficando somente no superficial,  o mais importante, eles não quiseram enxergar:  o Rosto humano do Pai, desenhando-se no filho de um carpinteiro!
Os compatriotas de Jesus, tiveram nas mãos a chave da felicidade, mas não se deram conta desta preciosidade, por isto desperdiçaram a graça de Deus. Ali, Jesus não pode realizar muitos  milagres, não por retaliação, mas pela falta de fé daquele povo. 
Será que nós também, não temos atitudes semelhantes as atitudes dos conterrâneos de Jesus? Será que estamos aceitando o recado de Deus, que chega até a nós, por meio das pessoas simples?
 Dificilmente reconhecemos  a sabedoria presente nas pessoas simples, temos uma forte tendência a acreditar somente nas palavras retóricas das pessoas de alto "nível intelectual", com isso, muitas vezes deixamos escapar as mensagens que Deus quer nos passar através dos pequenos. Não podemos esquecer: o Mestre de todos os mestres, o profeta Maior de todos os tempos, serviu-se de meios humanos bem simples, para anunciar o reino de Deus!
Infelizmente, a humanidade ainda continua dividida, uns acolhe a voz do profeta e se dispõe a mudar de vida, outros, a  ignoram preferindo continuar na escravidão  do pecado.
A rejeição à Jesus,  não o intimidou, não interrompeu o anúncio do Reino dos céus, que continua através dos incansáveis profetas de hoje: homens e mulheres que se embrenham pelo caminho da cruz, dispostos a dar a vida se preciso for, pela causa do Reino.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
 
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Se ele te ouvir, tu ganharás o teu irmão -Igreja Matriz de Dracena


13 de agosto - Quarta- Evangelho - Mt 18,15-20

CORREÇÃO FRATERNA
Ninguém está isento do pecado. Mas, se alguém erra, não pode ser punido impiedosamente e ser excluído da comunidade, sem a devida ponderação.
Havia, nas primeiras comunidades cristãs, uma tendência a resolver, com uma certa dose de leviandade, os casos de desvio da fé. Os pequeninos eram as primeiras vítimas desta intransigência.
Deve-se percorrer um longo caminho, antes de se tomar a decisão de afastar da comunidade alguém que errou. O primeiro passo consiste em ser advertido, a sós, por quem se sente ofendido. Isto pode ser suficiente para que a pessoa refaça sua conduta. Pode, entretanto, acontecer de a pessoa não se deixar tocar, e persistir no erro. O passo seguinte consistirá em convocar as testemunhas previstas pela Lei mosaica e, diante delas, admoestar quem pecou, tentando demovê-lo de sua má conduta. Talvez, ele se deixe convencer e se converta. Também esta iniciativa pode resultar inútil. Só então a comunidade toda, neste caso, deve ser convocada para discernir, com muita responsabilidade, se a melhor decisão consiste em afastar o pecador de seu meio. 
Jesus, porém, cuida para que a reunião da comunidade não se transforme numa espécie de tribunal. Antes, que busque descobrir o desígnio do Pai a este respeito. A certeza da presença do Filho de Deus visa garantir a justiça num assunto tão fundamental.

Oração

Senhor Jesus, livra-me de tratar a quem erra, com impiedade e dureza; antes, que eu procure, por todos os meios, fazê-lo voltar para ti.

Não desprezeis nenhum desses pequeninos -Igreja Matriz de Dracena


12 de agosto-Terça - Evangelho - Mt 18,1-5.10.12-14

QUE NINGUÉM SE PERCA
A severidade e o desprezo dos líderes da comunidade em relação àqueles que davam os primeiros passos na vida de fé foram seriamente censurados por Jesus. Não era possível exigir deles uma maturidade própria de quem já havia feito uma longa caminhada. Os pequeninos deveriam ser tratados de maneira muito especial, com paciência e benignidade. Só assim sua fé haveria de se consolidar e se tornariam capazes de dar um testemunho autêntico de sua condição de discípulos.
O carinho dos líderes pelos pequeninos não se parecia, por nada, com o amor do Pai para com eles. A parábola da ovelhinha desgarrada serviu de motivo para a compreensão deste amor paterno. Vale a pena deixar noventa e nove ovelhas, que estão em segurança, para ir em busca de uma que se desviou. O desinteresse pela ovelha desgarrada não tem justificativa. O pastor está em relação pessoal com cada ovelha. Por isso, não pode contentar-se com a perda de nenhuma delas. Para ele, o rebanho não é questão de número. As ovelhas são consideradas na sua individualidade. E a perda de uma só delas é motivo de dor.
O mesmo se passa com o Pai. Ele não considera a comunidade de discípulos sob o aspecto numérico. Cada um deles, por menor que seja, é objeto de um carinho especial. Portanto, os líderes da comunidade não têm o direito de desprezá-los.
Oração
Senhor Jesus, que eu jamais perca de vista o desejo do Pai em relação aos pequeninos, de forma a me tornar um incansável defensor deles.


Eles o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará-Igreja Matriz de Dracena


11 de agosto - Segunda - Evangelho - Mt 17,22-27

A ISENÇÃO DO IMPOSTO
Jesus encontrou-se numa situação constrangedora para sua consciência de Filho de Deus, quando quiseram saber se ele pagava, ou não, o imposto devido ao templo de Jerusalém. Os galileus, marginalizados do contexto religioso judaico, recusavam-se a pagá-lo. Isso gerava sérios conflitos. A resposta de Pedro aos cobradores de impostos mostra que Jesus não estava disposto a criar confusão por algo sem relevância. Entretanto, Jesus tinha consciência de estar dispensado de recolher o imposto do templo, tido como o lugar escolhido por Deus para estabelecer sua habitação. Sua condição de Filho de Deus isentava-o deste imposto. 
A submissão de Jesus à exigência da Lei tinha uma motivação pastoral. Ele não queria escandalizar os cobradores de impostos, ou seja, não queria criar neles resistência em relação ao Reino, nem fechá-los para uma eventual acolhida de sua mensagem. Uma atitude intransigente de Jesus, neste caso, poderia ter como efeito afastar dele pessoas que já não gozavam da estima do povo. Para elas Jesus se sentia enviado de modo especial.
Foi Pedro quem pagou o imposto por si e por Jesus. Este gesto singelo ligava, definitivamente, seu destino ao do Mestre. Apesar dos percalços por que passaria sua relação com o Mestre, a sorte de ambos estava irremediavelmente ligadas.

Oração

Senhor Jesus, que eu me sinta livre diante de certas exigências humanas, tendo sempre em vista atrair as pessoas para o Reino.

Manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água-Igreja Matriz de Dracena

10 de agosto- DOMINGO - Evangelho - Mt 14,22-33

EM MEIO ÀS TEMPESTADES
A cena evangélica desenrola-se em meio aos ventos, tempestades e ondas encapeladas, que põem em risco a vida dos discípulos, enquanto atravessam o mar da Galiléia. Além disso, é noite! A natureza toda parece ter-se colocado contra o pequeno grupo. O quê fazer neste contexto desesperador, quando todos já haviam sido tomados pelo medo?
A salvação aparece com a chegada de Jesus. Embora a tempestade continue, ele lhes recomenda a não temer, mas confiar. Quando o Mestre está com eles, podem estar seguros de que não perecerão.
A ousadia de Pedro, querendo por à prova o Mestre, acabou em fracasso. Amedrontado pelo vento furioso, começou a afundar. Sua falta de fé levou-o a duvidar da presença do Senhor. Donde o risco de quase ter sido tragado pelas ondas. Só se salvou porque recorreu a Jesus.
Este fato ilustra a vida da comunidade cristã, atribulada por perseguições, verdadeiras tempestades que devem enfrentar. Quando tudo parece concorrer para fazer a comunidade sucumbir, é preciso reconhecer a presença salvadora do Mestre. Até mesmo as lideranças, representadas por Pedro, correm o risco de perder a fé. Atitude arriscada, que pode levar a todos de roldão. Só é possível salvar-se, recorrendo a Jesus: “Senhor, salva-nos!”

Oração
Espírito de entrega nas mãos de Deus, nos momentos de tempestade, faze-me perceber a presença salvadora de quem pode impedir-me de sucumbir.

Se tiverdes fé nada vos será impossível-Igreja Matriz de Dracena

09 de agosto- Sábado - Evangelho - Mt 17,14-20

NADA É IMPOSSÍVEL

Os discípulos viram-se em situações idênticas às de Jesus e foram solicitados a fazer milagres como ele. A missão dos discípulos correspondia àquela do Mestre e devia ser realizada, tomando-o como modelo. Contudo, nem sempre eles foram capazes de realizar, a contento, a tarefa recebida. E Jesus explicou-lhes o porquê não eram eficientes. 
A ocasião surgiu quando alguém trouxe o filho para ser livre de uma terrível possessão demoníaca. Os discípulos não foram capazes de expulsar o demônio. Assim, o pai teve de recorrer diretamente a Jesus, que realizou o milagre desejado. 
Quando se viram a sós com o Mestre, os discípulos perguntaram-lhe por que foram impotentes para expulsar o demônio. Ao que Jesus respondeu sem rodeios: porque vocês têm uma fé demasiado pequena. O que teria acontecido com os discípulos? Talvez não estivessem muito convencidos do que eram capazes, ou desconfiassem do próprio poder, ao se encontrarem diante de situações concretas. Ou, ainda, porque sua adesão ao Senhor não era consistente. Também poderia ser que o confronto com os poderes malignos do anti-Reino os intimidasse. Em todo caso, a mesquinhez de sua fé os bloqueava. Não poderiam dar continuidade à missão, sem possuir uma fé sólida. Com ela, tudo lhes seria possível, até mesmo o que, numa visão puramente humana, lhes pudesse parecer impossível, uma vez que tinham sido enviados a realizar grandes coisas.

Oração
Senhor Jesus, reforça minha fé para que, no cumprimento da missão, eu seja capaz de fazer o que aos olhos humanos parece impossível.

O que poderá alguém dar em troca de sua vida?-Igreja Matriz de Dracena

08 de agosto - Sexta - Evangelho - Mt 16,24-28

RENUNCIAR A SI MESMO
O seguimento de Jesus exige do discípulo renunciar a si mesmo e ser capaz de defrontar-se com a cruz, resultante desta sua opção.
A renúncia de si mesmo predispõe o discípulo a acolher a proposta de Jesus, sem subordiná-la aos seus projetos pessoais, e sem privá-la daqueles elementos que não convém. O discípulo abraça a proposta de Jesus, assim como ela é, sem adaptações. Para isto, precisa superar seu comodismo e tudo quanto o impede de ser generoso.
Tomar a cruz significa assumir sua opção pelo Reino até as últimas conseqüências, mesmo as mais dolorosas. A cruz do discipulado não se identifica com um sofrimento ou com uma morte quaisquer. Muito menos essa cruz é buscada por si mesma, numa atitude velada de masoquismo. A cruz aparece na vida do discípulo quando, permanecendo fiel ao Reino, ele não pactua com as solicitações do mal, a ponto de atrair sobre si a ira de seus adversários. Ela resulta da fidelidade a Deus.
O discípulo reconhece estar em jogo, aqui, a sua própria salvação. O alerta de Jesus é inequívoco: quem pretende desviar-se da cruz, pensando, assim, poder salvar-se, coloca-se no caminho da condenação; quem, pelo contrário, enfrenta a cruz por causa de Jesus, encontrará a salvação. Por conseguinte, a sabedoria do discipulado passa pela cruz.

Oração
Espírito de fidelidade ao Reino, torna-me capaz de viver a sabedoria da cruz, sem deixar-me seduzir pelos apelos egoístas do meu coração.

Não basta ser católico-Canção Nova

08 de Agosto-Evangelho - Mt 16,24-28



Não basta ser católico. É preciso reconhecer Deus em nossas vidas e em nossa realidade, para que possamos viver sua verdade presente no meio de nós. Jesus não nos ilude: Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Sua cruz é vida doada e partilhada para nossa redenção.
Jesus identificou-se com o “humano”, agraciado por Deus com um destino de glória e felicidade eterna. Agora Jesus dirige um convite a todos. O tema é o seguimento de Jesus, a meta é a “vida”. O seguimento comporta o renunciar a si mesmo e tomar sua cruz. O renunciar a si mesmo, perder a sua vida, é desprezar a ideologia do sucesso, do enriquecimento e do consumismo. Porém, a renúncia por si mesma não é um fim. É uma libertação para assumir o compromisso da transformação deste mundo. É preciso tomar a cruz. Marcos não fala em um sentido espiritual, mas no sentido concreto. Quem carregava sua própria cruz eram os condenados, incômodos à sociedade. Tomar a cruz é enfrentar a violência da repressão do sistema político-religioso contra quem busca vida plena para todos. É a comunhão de vida com o próximo e com Deus.
Não basta apenas que alguém se diga católico. Não basta ter feito a profissão na vida religiosa. Não basta levar adiante uma determinada ação pastoral? Não basta. Será preciso ser discípulo do Senhor, segui-lo. Hoje, mais do que nunca, se compreendeu a urgência do discipulado que prepara para a missão.
O caminho da formação do seguidor de Jesus lança suas raízes na natureza dinâmica da pessoa e no convite pessoal de Jesus Cristo, que chama os seus pelo nome e estes O seguem porque lhe conhecem a voz. O Senhor despertava as aspirações profundas de seus discípulos e os atraía a Si, maravilhados. O Documento de Aparecida no nº 277 diz que “o seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena. O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como Mestre que o conduz em acompanha”.
Que abismo de profundidade no tema do seguimento de Cristo! Ele chama e exige entrega irrestrita, corajosa, sem meias medidas! O discípulo se sente fascinado. Não há outra palavra que exprima melhor o sentimento daquele que foi sendo tocado pelo Senhor. Consciente de conservar sua liberdade, aquele que é chamado caminha para uma luz que quase irresistivelmente o chama. O Mestre exige abandono do mundo dos pequenos interesses, do ganho, do lucro, das vantagens, das satisfações menores.
Há que renunciar. Uma força estranha age no coração do discípulo exigindo tal renúncia. Haverá momentos em que a cruz aparecerá na vida daquele que segue Jesus. Sem ela o discípulo não prova o seguimento do Mestre. Há um corajoso deixar. Francisco de Assis, no começou de sua vida de seguimento de Jesus, lembra que o Altíssimo o levou ao mundo dos leprosos que lhe causavam literalmente enjôo. Ele abraça os seres decrépitos e deixa o mundo, começando uma vida esplendorosa de seguimento de Cristo, que ele designará de vida de penitência, de deixar o mundo, isto é, o espírito das coisas pequenas, de baixo….
De que serve ter bens, aplausos, riqueza, prestígio se o coração do homem se distanciar das exigências do mundo novo? De que serve uma família bem instalada, com bens e filhos doutores e mestres, de gente que corre, mas esqueceu de colocar os passos nos passos de Jesus? Há os que perdem tudo, para tudo ganharem. São os santos, são os heróis do Evangelho. Seja você um deles e terá tudo em abundância!

Pai dá-me a pobreza e a coragem necessárias para ser seguidor de teu Filho Jesus e realizar obras que merecerão a recompensa divina.

"DAI-LHES VÓS MESMOS DE COMER!" -Olívia Coutinho



18º DOMINGO COMUM
 
 Dia 03 de Agosto de 2014
 
Evangelho de Mt 14,13-21
 
A fome de tantos irmãos é uma ferida que  sangra constantemente no coração de Jesus! E está em nossas mãos a cura desta ferida! Uma  cura, que  pode vir  de  pequenos gestos de amor, afinal, quem de nós, não tem “5 pães e dois peixes”?
É difícil acreditar, mas é a dura  triste realidade; num mundo de tanta fartura, ainda hoje, morrem  pessoas vítimas do nosso abandono, irmãos nossos, que continuam morrendo de fome, ou por doenças causadas pela desnutrição.   Uma  conseqüência do nosso egoísmo, que nos fecha  à partilha.
A todo instante, pessoas  necessitadas de  ajuda,  desfilam diante de nós!  São  irmãos nossos, pessoas desprovidas do mínimo necessário para a sua sobrevivência.  E quantos de nós, que dizemos seguidores de Jesus,  tampamos os nossos ouvidos para não ouvir os seus clamores, preferindo ignorá-los, para nos  isentar  de quaisquer responsabilidade sobre  eles. E assim,  vamos  buscando  mil desculpas para justiçar a nossa impassibilidade, diante a esta triste realidade.
Precisamos  aprender a olhar o irmão com o mesmo  olhar de Jesus,  um olhar que  não apenas constata  a sua  necessidade, como também, ajuda-o a encontrar o caminho que o possibilitará a ter  uma vida digna.
A exemplo de Jesus, não podemos fechar os olhos diante as necessidades do nosso irmão, e  muito menos transferir para outros, a responsabilidade que é  também nossa, afinal como filhos do mesmo Paisomos co-responsáveis pela vida do outro, por tanto, não podemos permanecer indiferentes as suas necessidades.
Podemos observar, que quase sempre, o que o nosso irmão busca em nós, não é muito, é sempre algo que está  ao nosso alcance, às vezes, nem é algo material,  pode ser uma palavra de incentivo de animo, ou até mesmo de um ouvido  para escutá-lo!
O evangelho que a liturgia de hoje  nos apresenta, mostra-nos mais uma vez, a sensibilidade de Jesus, diante a necessidade humana!
A  narrativa nos apresenta  o episódio  da multiplicação dos pães: o milagre da partilha! O ponto fundamental deste acontecimento é o amor, o amor que nos leva à partilha!  
Sabemos que Jesus, se  quisesse, poderia realizar sozinho a multiplicação dos pães, mas Ele  quis envolver todos os seus discípulos, o que  nos mostra, que Ele quer agir  no mundo através de nós.
Jesus nos encarrega de saciar a fome dos nossos irmãos, fome de pão e fome de amor, na certeza de que: colocando em suas mãos o pouco que temos, Ele  transformará  em muito! Onde existe amor, existe partilha, onde existe partilha, Deus entra e o milagre da multiplicação acontece!
É também, nosso compromisso cristão, despertar no outro a necessidade de Deus, mas antes, é preciso saciar a sua fome, criar no seu coração a  necessidade  de Deus,  como fez Jesus: a  partir da necessidade do pão material, Ele criou a necessidade do pão da vida eterna. Quem partilha com o outro, o pão material, desperta nele, a necessidade de Deus, pois ele vê na pessoa quem o ajudou, a presença do próprio Deus.
Na multiplicação dos pães, Jesus nos ensina na prática,  que é na partilha que resolvemos o problema  emergencial da fome, mas não podemos parar por aí, precisamos  ir mais além.  Além de uma  conscientização social, precisamos nos conscientizar politicamente, para que possamos  eleger com responsabilidade  os nossos governantes, homens e mulheres, compromissados com o bem comum, que se empenhe no sentido  de diminuir a desigualdade social.
 Como verdadeiros seguidores de Jesus, precisamos colocar em prática os seus ensinamentos, e assim como Ele, estarmos  sempre atentos às necessidades do outro.
De nada adianta, decorar versículos  da bíblia, erguer as mãos para louvar  a  Deus, se negamos  a abaixá-las, para erguer o nosso  irmão que está no chão!
Pensemos nisso.

 FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Adultério--Diac. José da Cruz

SEXTA FEIRA da 19ª SEMANA DO TC 15/08/2014
1ª Leitura Ezequiel 16, 1-15.60.63.
Salmo Isaías 12, 1 c “Vossa cólera se aplacou e vós me consolastes”
“A decisão de amar por toda a vida, não pode ser revogada”
Evangelho de Mateus 19, 3-12
Eis aqui um evangelho que seria melhor tirar do Novo Testamento, pois falar sobre ele e a verdade que proclama, é arranjar encrenca até em família. Como é que vamos falar desse evangelho em família se temos um filho ou uma filha, um sobrinho ou neto, que está nesta situação? Na própria comunidade, já vi pregadores da Palavra tentar amenizar a pregação, para não ofender casais em segunda união, levando estes ao desanimo na Fé. Para a pós modernidade esse ensinamento evangélico é uma velharia do passado, pois hoje em dia não dá mais para se falar em adultério.
Prestemos atenção nessa palavra tão pesada “Adultério”, que significa “Falsa” ou que foi adulterada, mudada, como os ladrões de veículos fazem com o número do chassis, tentam assim, fazer com que o veículo roubado passe por outro e não mais aquele original em sua numeração saída da fábrica.
Com dinheiro falso é também essa atitude, não ficamos escandalizados quando compramos algo e o caixa examina a nota de cem ou cinquenta á nossa frente, para certificar-se de que ela não é falsa.. Também na compra de peças para veículos ou outro equipamento, exigimosoriginais, porque sabemos que têm qualidade, não são imitação, não foram adulteradas.
Mas quando tratamos das coisas de Deus, e principalmente desse ensinamento sobre a vida Conjugal dos quese uniram um dia na Igreja, deixamos de lado nosso rigorismo e exigências, e começamos a achar que tanto faz casar-se na igreja ou não, e uma vez casados, a separação é sempre uma possibilidade, e a união com outra pessoa também é coisa normalíssima em nossos dias. A confusão e o desconhecimento é tão grande nessa área, ( com certeza culpa da nossa própria igreja) que amasiados ou divorciados procuram os Ministros Ordinários do Matrimônio, para pedir uma bênção, ás vezes em um salão durante a festa. E tem mais ainda, quando o caso acontece com a filha ou o filho da vizinha, logo alardeamos que se trata de um adultério, quando, porém, é com o nosso filho ou filha, daí não é adultério pois temos uma justificativa.
Claro que Bênção também significa compromisso, mas para a maioria é um modo de envolver o Divino em nossos interesses humanos, e se ter dele a necessária proteção ou ter “sorte” no casamento, como me dizia um amigo, nessa situação, e que queria que eu fosse ministrar a bênção para ele e a sua Terceira esposa...Esse descompromisso total que têm marcado a vida conjugal de tantos casais, mesmo os cristãos, nada mais é do que influência do Néo-ateísmo que impera em nossa sociedade, onde se crê em Deus, mas Ele não tem nada a ver com minha vida da qual faço o que quiser....
Sacramento do matrimonio é uma Graça Santificante e Operante, que eleva o amor humano dando a este a mesma força e grandeza do amor Divino. No altar, homem e mulher dizem o SIM não para um amor sentimental ou somente do Eros, mas trata-se de uma decisão sagrada, manifestada naquele sim e que significa “Sei das minhas fraquezas, mas diante de Deus e da Igreja, tomo a decisão de amar para sempre, até a morte esta pessoa que Deus colocou na minha vida, confiando que só conseguirei isso com a Graça de Deus que vou agora receber”.
O SIM dos noivos supõe exatamente isso, daí que neste evangelho, Jesus manifesta o desejo e a vontade, de que este projeto original, iniciado para o casal precisamente no dia do casamento, seja mantido até o fim. Quando ocorre o contrário, e a união com uma segunda pessoa quebra e rompe este vínculo, esta união foi adulterada, falsificada e nem por isso Deus manda do céu a sua Ira na vida do casal. E então, perante a Santa Igreja, que acolheu a decisão dos nubentes no dia do casamento, a comunhão de vida do casal já não existe, e como a Igreja não pode voltar atrás em sua decisão, ela precisa sinalizar que a ruptura aconteceu e por isso, casais em segunda união são orientados a não receberem a Eucaristia, que é a expressão mais alta e por Excelência, da nossa comunhão com Deus, uma vez que, recebendo-a, não podem vivê-la na vida conjugal de maneira autêntica, já que a pessoa com quem se vive, não é aquela que diante de Deus e da Igreja decidiu amar para sempre.

E se foi um casamento errado, celebrado diante de Deus em cima de mentiras e falsidades, compete ao Tribunal Eclesiástico verificar cada caso, dando as pessoas envolvidas o direito de recomeçar a sua vida conjugal.

Perdoar sempre, sem nenhum limite--Diac. José da Cruz

QUINTA FEIRA DA 19ª SEMANA DO TC  14/08/2014
1Leitura Ezequiel  12, 1-12
Salmo 77 (78) , 7    ” Aprendam a por em Deus sua esperança”
Evangelho Mateus 18, 21-19,1

Sempre que meditamos esse evangelho, nosso coração certamente se questiona de maneira inquietante porque se dá conta de que perdoar sempre, sem nenhum limite ou condição, a quem nos ofender, é algo quase impossível, pois a gente perdoa, mas quando a vê a pessoa lá vem no coração um restinho da raiva que ali sobrou, pelo mal que ela nos fez. E não adia ta querer disfarçar, pois isso acontece com todos nós, na família, no trabalho e na comunidade.
A prática cristã deixada por Jesus parece sempre tão fascinante mas quando chega nesse amor radical pelo próximo, que ama sempre e perdoa sempre, a gente fica se lamentando, quando percebe que não somos capazes de tal proeza. Será que Jesus, sendo nosso Deus e Senhor, não sabe que teríamos dificuldade para por isso em prática? Se esse for um dos critérios principais para demonstrarmos nossa total fidelidade á Jesus Cristo e a seu evangelho, quem irá sobrar no final? Ou melhor, irá sobrar alguém?
Precisamos compreender esse evangelho com muita clareza, para que o desânimo não nos faça desistir de ser cristão, achando que o mesmo não é para nós, pois não somos perfeitos e santos como Deus espera que sejamos. Então vamos para algumas observações importantes nesse sentido. Em primeiro lugar, como membros da Igreja peregrina nesta terra, na prática das virtudes morais e da relação com o nosso próximo, sem por cento não conseguiremos atingir pois o amor é infinito e sempre há algo novo a ser alcançado na experiência amorosa que fazemos com Deus e com o próximo. É como se marcássemos uma montanha como a nossa referência do horizonte, e quando chegamos lá, descortinamos outro horizonte mais á frente, a ser alcançado.
Foi esta lógica que levou o apóstolo Pedro a descortinar um patamar bem acima das práticas judaicas do perdão, que se limitava a três vezes, com as pessoas mais próximas, Pedro descortinou um horizonte novo, que ao ser alcançado, estaria em concordância com os ensinamentos do Mestre, ou seja, há um limite, um patamar que é a referência, e que cada um deve esforçar-se em atingi-lo. Talvez isso possa se aplicar a outras religiões como o próprio Judaísmo, Hinduísmo, Mulçumanos e outras mais, onde a Divindade se deixa encontrar mas isso requer o esforço humano de elevar-se a patamares mais altos, na virtude moral e na relação com o outro. No cristianismo porém, isso cai por terra, pois a iniciativa é sempre de Deus, é ele que nos atrai para a Salvação que ele mesmo oferece.
Esse evangelho não exige de nós que da noite para o dia a gente saia por aí, á procura de quem nos ofendeu, ofereça a ele o nosso perdão e tudo volte a ser como era antes. Isso seria uma grande utopia. Exatamente por isso que a parábola nos mostra algo de grandioso... a relação amorosa de Deus para com cada um de nós, tínhamos para com ele uma dívida impagável ( o Devedor da parte 1 da parábola, aquele que implorou e suplicou pedindo um prazo) o Credor sabia que jamais ele pagaria, e perdoou totalmente toda a dívida. É aqui que vem a prática que Jesus ensinou aos discípulos: ter pelo menos um coração que consiga perdoar o “pouco” que o próximo nos deve e para isso, basta apenas sempre termos presente que a nossa dívida era impagável  e ele nos perdoou.

Fica como conclusão desta reflexão, prestarmos muita atenção ao nosso dia a dia, onde as pequenas ofensas que possamos receber, no trânsito, na família, no trabalho e até na comunidade, possam ser relevadas, sinal de que há em nós uma misericórdia Cristã, que sempre se exercita em pequenos gestos de perdão, estando assim preparados para perdoar também uma grande ofensa, quantas vezes seja necessário. 

Se o teu irmão errar...--Diac. José da Cruz

QUARTA FEIRA DA19ª SEMANA DO TC 13/08/2014
1ª Leitura Ezequiel 9, 1-7; 10,18-22
Salmo 112(113),4b “A glória do Senhor ultrapassou a altura do céu”
Evangelho Mateus 18, 15-20

                                           “Se o teu irmão errar..."
Esse evangelho deveria ser proclamado solenemente em todas as nossas reuniões pastorais, porque traz ensinamentos profundos para um desafio sempre presente, e que nunca sabemos enfrentar: como administrar os conflitos surgidos dentro da comunidade...
Muitas vezes a gente prefere fazer “vista grossa” diante de certas “briguinhas” entre membros da comunidade, e quando nos omitimos diante dessas situações, que transformam a pastoral, o movimento, ou até a comunidade, em um barril de pólvora, pronto para ir aos ares, estamos fazendo como aquela faxineira desleixada, que empurra a sujeira em baixo do tapete, fazendo de conta que tudo está limpo. "Aqui em nossa comunidade as pessoas se amam e se querem bem", como se o ser humano já fosse em sua essência esse bem supremo. Nesse evangelho somos convidados a olhar a nossa relação com o próximo, marcada por tantos limites. No fundo o apelo é, para que nos reconheçamos assim, incapazes de uma relação perfeita, pois a plenitude do amor faz parte da nossa esperança escatológica, um dia nós seremos assim como imaginamos, aquela comunidade ideal sonhada por Lucas no Livro dos Atos, onde todos se amavam...
Até que chegue esse dia tão esperado, temos que ter muito presente em nossa vida de comunidade, os ensinamentos do evangelho, tendo uns pelos outros um amor co-responsável que quer ajudar o outro a crescer, pois assim é a correção fraterna. Se faltar-nos essa compreensão para com o outro, a nossa alegria nunca estará completa e este nosso pecado irá contaminar toda comunidade.
A conclusão do evangelho nos faz pensar seriamente nas relações conturbadas existentes no seio da comunidade, como é que duas pessoas que não se querem bem, vão orar com toda assembléia, fazendo diante de Deus um só pedido, uma só prece? Preces que brotam de corações tomados por ressentimentos, além de não serem ouvidas por Deus, comprometem a oração de toda assembléia. Que Pai ou Mãe, se alegra ao saber que um dos irmãos está brigado com o outro? Com Deus é a mesma coisa. Sem misericórdia, amor e compreensão, não há de se resolver nenhum conflito.
É nesse sentido que Jesus recomenda a correção fraterna, que só pode ser feita entre irmãos, entre os quais há uma total liberdade de expressão, é preciso ter humildade, tanto para fazer a correção como para aceitá-la. A Comunidade é como o circuito de um aparelho eletrônico, tem que estar bem unido, bem ligado um ao outro, senão a graça de Deus, conectada a nós pelo Santo Batismo, não fará seus efeitos. Como é que o amor de Deus vai passar de um irmão para o outro, se há na comunidade relações que foram rompidas?
As divergências de opiniões só nos ajudam a crescer, desde que o debate em nossas reuniões, não seja marcado por velhas mágoas, ciúmes ou inveja, afinal, a nossa unidade se torna mais consistente na adversidade e no pluralismo de valores, precisamos sim, de ter oposição, pessoas que pensem diferente, mas que sejam inteligentes e sempre direcionados ao bem comum e não ao bem particular ou pessoal.
Uma oposição assim, que não seja burra, enriquece a comunidade e a faz crescer nos valores do evangelho. Mas que nunca nos falte a consciência de que o Senhor está no meio de nós, que o Dono da Obra é Ele, somos apenas obreiros, cada um com seus carisma e suas possibilidades de realizar ações concretas, esse poder, enquanto possibilidade de fazer sempre o melhor para a comunidade, é sempre muito bem vindo.

Admoestação de Jesus: Se o teu irmão errar... O ato do erro não é uma exceção, não se trata de uma maça poder no meio das outras que estão ótimas, pois o erro do outro é oportunidade para exercemos a caridade, a misericórdia e a compreensão, manifestando um amor que se sente responsável pelo outro, e só quer ajudá-lo a crescer, e não humilhá-lo em seu pecado.

Servir com alegria aos menos importante--Diac. José da Cruz


TERÇA FEIRA DA 19ª SEMANA DO TC  12/08/2014
1ª Leitura Ezequiel 2, 8-3,4
Salmo 118(119), 103ª “Quão saborosas são para mim vossas palavras”
Evangelho Mateus 18, 1-5 . 10.12-14
“Servir com alegria aos menos importantes”
A  gente está habituado a servir, ser gentil e acolhedor, com gente importante, no trabalho profissional buscamos agradar ao chefe e demais superiores, quando mais importante o cargo e a função de quem nos pede algo, mais que vamos nos esforçar para atendê-lo. Talvez não só por questão de obediência, mas muito mais porque, sendo importante, aquela pessoa pode nos ajudar a subir dentro da empresa, nomeando-nos quem sabe para algum cargo. Quando esse modo de agir é uma obcessão, determinando nossas relações com essas pessoas, acaba se tornando puxa - saquice sem tamanho, mas no fundo é isso mesmo, gostamos de servir a quem pode nos retribuir com algo vantajoso.
Podem reparar que trazemos esse modo de agir para a comunidade, o pessoal da liturgia trata o Padre de um jeito, o Diácono de outro, e o coitado do Ministro da Palavra é o último que fala e o primeiro que apanha. Por que isso? Por que se observa as pessoas através de uma visão hierarquizada. Conforme se tem um cargo maior, mais “servidores” vão aparecer.
Não sou contra, dar uma atenção maior ao sacerdote, ao arcebispo, quando está em uma comunidade, são nossos pastores que nos orientam, nos apontam caminhos. Não há nada de errado nisso. Mas as pessoas são iguais e o espírito cristão tem que nos levar a agir dentro dessa igualdade.
No evangelho de hoje Jesus vai além e coloca como referência as criancinhas e os meninos, que naquele tempo eram insignificantes na sociedade, além das mulheres. Criança nem entrava nas estatísticas e eram totalmente dependentes dos adultos, começando pelos pais e parentes. Não tinham nenhuma autonomia e só lhes restava obedecer e fazer o que os adultos mandavam, diferente de hoje quando há até leis específicas que garante o direito das pessoas, crianças, adolescentes, jovens e idosos.

Os discípulos fizeram uma pergunta “Quem é o maior no Reino dos Céus?” porque seguiam essa lógica da submissão a quem é o maior. Jesus, entretanto desmonta esse esquema de domínio sobre as pessoas e afirma que no Reino, os pequenos, pobres, insignificantes, é que devem ser servidos. Esse ensinamento, tanto nos tempo dos discípulos e das primeiras comunidades, como em nossos dias,  parece absurdo porque na lógica humana somente as pessoas importantes são valorizadas. Mas Jesus não está fazendo um belo discurso demagógico como o de alguns políticos, pois na conclusão do evangelho, com a parábola da ovelha desgarrada, ele nos mostra que o Pai do Céu age assim com todos nós,buscando a ovelha perdida e a valorizando mais que as outras.

Um Reino do Céu, mas que está na terra - -Diac. José da Cruz



SEGUNDA FEIRA DA 19ª SEMANA DO TC  11/08/2014
1ª Leitura Ezequiel 1. 2-5.24
Salmo 148,5  “Louvem o nome do Senhor, porque ele mandou e tudo foi criado.”
Evangelho Mateus 17,22-27
                                                “Um Reino do Céu, mas que está na terra...”
Difícil entender esta verdade do Reino de Deus, que é do Céu, mas que está assentado na terra, no meio dos homens, entretanto há uma lógica muito simples: se Jesus se encarnou em nosso meio, assumindo totalmente a nossa frágil natureza humana, com o Reino acontece  a mesma coisa, e Jesus é o Reino.
O Reino não é da terra, Jesus disse isso diante do Governador Pôncio Pilatos, no seu processo de julgamento “O Meu Reino não é deste mundo”, e nos versículos iniciais deste evangelho ele anuncia, enquanto caminhavam pela Galiléia que o Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos homens.Eles irão matá-lo mas ao terceiro dia ressuscitará”.E diante dessa revelação, os discípulos ficam aflitos. Por que?
Eles imaginavam um reino terreno, com vitórias e glórias sobre os maus, e o Messias um Libertador Político e cheio de poder como Moisés e depois o grande Rei Davi, ficam aflitos porque descobrem que o Reino que Jesus anuncia, não acontece nos moldes dos reinos humanos, não terá inicialmente glória e vitória, mas sim fracasso, sofrimento e morte, daquele Messias que eles seguiam.
Entretanto, no episódio a seguir, mostra como Jesus é fiel á natureza humana, e não um alienado e fanático religioso. Pedro não quer saber de confusão e informa ao cobrador de impostos que Jesus paga em dia seus impostos. Mas em casa Jesus lhe garante que não está atrelado a nenhuma instituição humana, sua Filiação Divina o faz Poderoso e todas as coisas, inclusive as instituições humanas, estão sob seu poder e domínio. Isso é, Jesus não é estrangeiro mas Filho de Deus, tendo portanto todas as prerrogativas Divinas.
Por isso mesmo vai disponibilizar o recurso para o imposto, tanto para ele como para Pedro, de uma forma inusitada . Vai ao mar e lança o anzol, o primeiro peixe que pegares, abrirás a sua boca e encontrarás um estater. Toma-o e dá-o, por mim e por ti”. O fato mostra o domínio completo de Deus, presente em Jesus, sobre todas as coisas. Entretanto, aquele que tem sob si todas as coisas, se submete á natureza humana, tão limitada e frágil.

Nossas comunidades devem vivenciar esta verdade, da presença real porém invisível, de um reino que é do Céu, mas que nem por isso nos aliena, ao contrário, nos compromete a usar a força da Fé que transforma, até que um dia o Reino se torna visível e o Senhor reine para sempre.