quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Senhor, até os demónios se sujeitaram a nós, em teu nome!-Dehonianos

 3 Outubro 2020

Tempo Comum - Anos Pares

XXVI Semana - Sábado

Lectio

Primeira leitura: Job 42, 1-3.5-6.12-17
1Job respondeu ao Senhor e disse: 2«Sei que podes tudo e que nada te é impossível. 3Quem é que obscurece assim o desígnio divino, com palavras sem sentido? De facto, eu falei de coisas que não entendia, de maravilhas que superavam o meu saber. 5Os meus ouvidos tinham ouvido falar de ti, mas agora vêem-te os meus próprios olhos. 6Por isso, retracto-me e faço penitência, cobrindo-me de pó e de cinza.» 12O Senhor abençoou a nova condição de Job, mais do que a antiga, e Job chegou a possuir catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. 13Teve também sete filhos e três filhas; 14à primeira pôs-lhe o nome de Jemima, à segunda, Quecia e à terceira, Quéren-Hapuc. 15Em toda a terra não havia mulheres mais formosas que as filhas de Job. E o pai deu-lhes uma parte da herança entre os seus irmãos. 16Depois disto, Job viveu ainda cento e quarenta anos e viu os seus filhos e os filhos dos seus filhos, até à quarta geração. 17Depois Job morreu velho e satisfeito com os dias vividos.
O livro de Job termina com expressões de confiança e abandono em Deus. Job fizera a sua primeira confissão de fé ao contemplar a criação e as suas maravilhas. Agora, reconhece a desordem da sua mente, mas confessa a sabedoria e a omnipotência de Deus.: «Sei que podes tudo e que nada te é impossível» (v. 2).
Job fez uma longa caminhada. Passou por situações de desespero, pela noite dos sentidos e do espírito, numa experiência das mais terríveis da existência. Compreendeu que Deus se esconde para se fazer procurar e ser encontrado: a aceitação disto sublinha o seu caminho místico, o grande dinamismo da sua vida espiritual. Pôde, pois, afirmar: "Agora vêem-te os meus próprios olhos», enquanto «antes conhecia-te por ter ouvido falar de Ti» (cf. 42, 5). Agora conheço-Te; entrei no mais profundo do teu mistério - pode dizer Job. O santo varão já não conhece Deus por ter ouvido falar d´Ele. Aproximou-se do mistério divino e procurou tornar-se semelhante ao Filho de Deus que deu a sua vida pelo homem. E ficamos a perceber que o problema de Job é, sobretudo, um problema de grande amor. É o problema de quem, sentindo-se rejeitado, não desiste de procurar e gritar a Deus a sua fidelidade. Satanás tinha apostado com Deus que não havia amor gratuito. Job consegue provar que, quando o amor do homem é atraído pelo de Deus, sabe chegar à doação total.

Evangelho: Lucas 10, 17-24
Naquele tempo, 17os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios se sujeitaram a nós, em teu nome!» 18Disse-lhes Ele:«Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19Olhai que vos dou poder para pisar aos pés serpentes e escorpiões e domínio sobre todo o poderio do inimigo; nada vos poderá causar dano. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu.» 21Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lho.» 23Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: «Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. 24Porque - digo-vos - muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!»
Os setenta e dois discípulos voltam «cheios de ale¬gria» (v. 17) e Jesus revela-lhes o conteúdo profundo daquilo que fizeram.
O tema é tratado em duas secções ligeiramente diferentes, mas unitárias (vv. 17-20 e vv. 21-24). Temos, em primeiro lugar a missão, considerada pelos 72 discípulos uma vitória na luta contra Satanás (v. 18); depois, a vitória sobre Satanás, que evidencia a capacidade dos discípulos em vencer o mal que há no mundo. Por isso são chamados «Felizes» (v. 23) e os seus nomes estão «escritos no Céu» (v. 20); em terceiro lugar, o evangelho faz notar que «os pequenos» (v. 21) estão abertos ao mistério e recebem a verdade de Jesus; finalmente, Jesus louva o Pai pelo dom concedido «aos pequenos» e revela a união de amor entre Ele e o Pai: «Tudo me foi entregue por meu Pai; e nin¬guém conhece quem é o Filho senão o Pai...» (v. 22).
Pode dizer-se que a missão é irradiação do amor que une o Pai e o Filho. Este amor, revelado «aos pequenos» é a força que destrói o mal. Os discípulos são «felizes» (v. 23) porque vêem e saboreiam desde já o amor do Pai e do Filho.

Meditatio
Terminamos, hoje, a leitura do livro de Job. No começo, Satanás tinha apostado com Deus que o homem não era capaz de um amor gratuito. Na conclusão, verificamos que, ainda que não saibamos se o homem é ou não capaz de um amor gratuito por Deus, uma coisa é certa: Deus ama-nos e dilata o nosso coração provando-o no fogo incandescente do seu amor. Deus espera que nos entreguemos a Ele, com confiança e perseverança, tal como Job. Se amamos a Deus, o nosso amor encontrará em si mesmo a sua riqueza. É este amor incrível e atraente que nos envolverá e conduzirá a saborear o dom inaudito do amor trinitário.
O Cântico dos Cânticos diz-nos que Aquele que procuramos existe e nos ama. Havemos de encontrá-lo um dia, se perseverarmos na busca contemplativa. E seremos repletos de alegria. Mas é preciso procurá-lo desde já, sem desânimos. Job, no fim da sua caminhada dramática, pode afirmar: «os meus olhos vêem-te» (Jb 42, 5). Só quem viu e ouviu, como Pedro (cf. 2 Pe 1, 16-19), pode anunciar, pode fazer apostolado. Tudo o que podemos dizer sobre Deus deriva da contemplação: da contemplação feita por Jesus, pela Igreja e por nós. Graças ao amor, que o firmou numa autêntica relação com Deus, Job alcança a bênção de Deus, muito mais alargada do que antes.
Meditámos, nos últimos tempos, sobre o mistério da provação e do amor. Viver a oblação de amor, a vida de vítima, quando se está alegre, com saúde, em prosperidade, não levanta particulares problemas, se houver uma fé viva, espírito de oração e de intimidade com Deus. Árduo é quando temos de enfrentar o sofrimento ou a provação. A experiência da dor é perturbadora e difícil de viver. Ela perturbou o próprio Cristo (cf., Lc 7, 13; Jo 11, 33-34). Chocou-O profundamente (cf. Mt 26, 37-38; Mc 14, 3
3-34; Lc 22, 43-44).
Ao mistério da dor e do mal, que para a razão é um absurdo, a fé responde com outro mistério, o de Cristo na cruz. A fé não responde às interrogações sobre cada um dos sofrimentos, mas dá-lhes um sentido, infunde uma luz e força que permitem vivê-los com amor. Para quem não tem fé, o sofrimento, especialmente o dos inocentes, não tem sentido, não tem resposta; falta a luz e a força de Cristo crucificado, vítima inocente de expiação e de redenção.
O sofrimento é uma das possíveis realidades da nossa vida. E tantas vezes nos bate à porta! É preciso falar dele com realismo e discrição. Só deveria falar dele quem o experimenta ou já o experimentou. Às vezes encontram-se pessoas com uma fé maravilhosa que, embora sofrendo, consolam e dão força a quem as desejaria consolar. Neles é uma realidade, com simples heroísmo, a oferta dos sofrimentos, levados «com paciência e abandono» à vontade de Deus, «mesmo na noite escura e .na solidão, como eminente e misteriosa comunhão com os sofrimentos de Cristo pela redenção do mundo» (cf. Cst n. 24)
O tempo do sofrimento, tanto o das provações morais e espirituais, como o da doença e o da velhice, se for vivido como um tempo de «eminente e misteriosa comunhão» com a oblação de sofrimento de Cristo, torna-se um tempo de «disponibilidade pura», de «pura oblação».
Se for vivido com Cristo crucificado, o sofrimento é um tempo, não só de purificação dolorosa, mas de abertura à acção do Espírito, de puro abandono, de união amorosa à Vítima divina. Então, o tempo do sofrimento torna-se uma interiorização profunda, um encontro e comunhão com uma Presença misteriosa que nos ama.

Oratio
Senhor, ensina-me a entender melhor o sentido do sofrimento. Do sofrimento físico, do sofrimento moral, do sofrimento espiritual. Ensina-me, sobretudo, a vivê-lo unido a Ti, Crucificado de Lado aberto e Coração trespassado, como sinal supremo do amor gratuito, do amor oblativo com que o Pai, e Tu próprio, nos amastes e continuais a amar-nos. Que, nessa contemplação, encontre luz e força para olhar o tempo do sofrimento como ocasião de «eminente e misteriosa comunhão» com a Tua oblação, como tempo de «disponibilidade pura», de «pura oblação». Torna-te, Tu mesmo, uma torrente em mim, para que o correr dos meus dias, me conduza ao teu amor e possa ajudar muitos irmãos a atingir a mesma meta. Que, como Paulo, possa dizer com verdade: "Alegro-me nos sofrimentos suportados... e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja" (Col 1,24). Amen.

Contemplatio
As provações interiores eram mais temíveis antes da instituição da devoção ao Sagrado Coração, mas desde esta revelação de amor, as almas abandonadas que amam o Sagrado Coração são mais ajudadas nestas vias dolorosas. O divino sol não deixa de luzir por elas; se uma nuvem por vezes vela a face do sol, nunca é por muito tempo.
O divino Salvador quis passar por este estado de desolação interior sem exemplo, a fim de que nós não julgássemos tudo perdido quando a parte inferior do nosso ser foge daquilo que lhe é contrário, e para nos ensinar que não seremos julgados acerca da enfermidade da nossa carne, mas sobre a disposição da nossa vontade...
O Sagrado Coração consolará os seus servidores nas suas penas, se não libertando-os destas penas, pelo menos adoçando os seus sofrimentos, porque não há nada de rude nem de desagradável que não seja adoçado por Ele.
Ele tornar-se-á a sua força nas suas fraquezas. Encontrarão n'Ele um soberano remédio para todos os seus males e o seu refúgio em todas as suas necessidades e em todas as suas misérias».
Divino Coração de Jesus, ... agradeço-vos terdes tomado sobre vós uma grande parte das minhas. A vossa bondade é sem medida. Abandono-me a vós, conduzi-me pelas sendas que escolherdes. Sei que, se a cruz aí se encontra, sabeis sempre adoçá-la. Se tiver um grande amor por vós, as provações mesmas ser-me-ão doces, porque considerarei que sois vós que me pedis de as suportar para vos ajudar em algum desígnio de misericórdia. (Leão Dehon, OSP 2, p. 312s.).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a Palavra:
«Completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja" (cf. Cl 1,24)
| Fernando Fonseca, scj |

 

Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida!-Dehonianos

 

2 Outubro 2020

Tempo Comum - Anos Pares

XXVI Semana - Sexta-feira

Lectio

Primeira leitura: Job 38, 1.12-21; 40, 3-5
1O Senhor respondeu a Job do meio da tempestade e disse: 12Alguma vez na tua vida deste ordens à manhã e indicaste o seu lugar à aurora, 13para que ela alcançasse as extremidades da terra e expulsasse dela os malfeitores? 14Modela-se a terra como o barro sob o sinete e tinge-se como um vestido. 15Então, aos maus é recusada a sua luz, e o braço dos soberbos é quebrado. 16Desceste até às fontes do mar e passeaste pelas profundidades do abismo? 17Abriram-se-te, porventura, as portas da morte? Viste as portas da morada tenebrosa? 18Consideraste a extensão da terra? Fala, se sabes tudo isso! 19De que lado habita a luz? Qual é o lugar das trevas, 20para que as conduzas ao seu domínio e lhes mostres as veredas da sua morada? 21Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido era já grande o número dos teus dias! 3E Job respondeu ao Senhor, dizendo: 4«Falei levianamente. Que poderei responder-te? Ponho a minha mão sobre a boca; 5falei uma vez, oxalá não tivesse falado; não vou falar duas vezes, nem acrescentarei mais nada.»
A passagem de Job pelo vale tenebroso do sofrimento baseou-se numa indestrutível esperança. Aquele que Job procura existe e ama-nos. A busca de Deus é penosa e marcada pelo sofrimento. Mas o encontro do rosto de Deus enche-nos de alegria, de paz, de entusiasmo. O livro de Job parece descrever o jogo do amor, feito de ausência e de encontro, de escondimento e de presença. A mãe esconde-se para que a criança tenha a alegria de a encontrar. Nas últimas palavras do poema, ecoa o tema do Cântico dos Cânticos: «O meu amado é para mim e eu para ele» (Ct 2, 16).
Job apelou várias vezes para o juízo de Deus: «Oxalá eu tivesse quem me ouvisse!» (31, 35). Nos capítulos 38-42, Deus responde finalmente aos pedidos de Job. Mas é uma resposta que, por sua vez, é uma interrogação. Deus apresenta a Job a imensidão e a grandeza da criação. Mostra-lhe que o mundo é um imenso projecto divino que causa admiração pela sua grandeza e beleza. As perguntas de Deus a Job são também para nós. Deus criou o mundo movido apenas pela alegria de dar. Não se pode contemplar o mundo permanecendo fechados em cálculos egoístas, feitos à base de interesses pessoais.
Job, que polemizou e lutou com Deus e com os amigos, fica agora silencioso e confuso. Renuncia à discussão. Reconhece ter falado demais e superficialmente. Job sempre foi sincero. Procurou seriamente, mas não encontrou. Mas pode finalmente dizer: «Agora vêem-te os meus próprios olhos»; antes, dizia: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de ti» ( Jb 42, 5). Tendo passado pela provação, e permanecido fiel, Job penetrou finalmente no mistério de Deus.

Evangelho: Lucas 10, 13-16
Naquele tempo, Jesus disse: 13Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sídon se tivessem operado os milagres que entre vós se realizaram, de há muito que teriam feito penitência, vestidas de saco e na cinza. 14Por isso, no dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon do que para vós. 15E tu, Cafarnaúm, porventura serás exaltada até ao céu? É até ao inferno que serás precipitada. 16Quem vos ouve é a mim que ouve, e quem vos rejeita é a mim que rejeita; mas, quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.»
O evangelho de hoje conclui a mensagem com que foram enviados os setenta e dois discípulos. Porque fala Jesus tão duramente das cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaúm? Que nos quer dizer Jesus?
A condenação das três cidades deve se entendida a vários níveis. Em primeiro lugar, Jesus sublinha que estas cidades não acolheram a Palavra pregada por Ele, isto é, a graça do Evangelho, o apelo à conversão. Em segundo lugar, Jesus realça o abandono dos seus. Talvez se dê conta da hostilidade do povo. As cidades pagãs de Tiro e Sídon terão um juízo menos severo que o povo de Israel. Em terceiro lugar, Jesus prevê que o Evangelho ultrapasse as fronteiras da Galileia, que chegue aos gentios, enquanto as cidades que, por primeiras, ouviram a sua pregação permaneçam fechadas num judaísmo anticristão.
Este evangelho é um aviso para todos aqueles que se excluem da graça do Senhor e caem na hipocrisia e na resistência sublinhadas pelos "Ai" de Jesus. Jesus lastima o maior dos pecados, o pecado contra o Espírito Santo: fechar os olhos às manifestações da graça, à oferta de perdão. É o grande risco da missão cristã. Jesus disse claramente: «Quem vos ouve é a mim que ouve, e quem vos rejeita é a mim que rejeita; mas, quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou» (v. 16).

Meditatio
Diante dos males e das injustiças que nos rodeiam, facilmente somos tentatdos a protestar contra Deus. Foi o que fez Job, no meio do seu sofrimento: «Por que ocultas a tua face, e me consideras teu inimigo? Queres assustar uma folha levada pelo vento e perseguir uma palha ressequida? Pois escreves contra mim acusações amargas, e atribuis-me faltas da minha mocidade» (Job 13, 24-26). Mas, no fim do livro, ouvimos Deus que interpela Job: «Alguma vez na tua vida deste ordens à manhã e indicaste o seu lugar à aurora... Desceste até às fontes do mar e passeaste pelas profundidades do abismo? Abriram-se-te, porventura, as portas da morte? Viste as portas da morada tenebrosa?» (cf. 38, 12.16s.).
Quantas coisas Job ignora! Quantas lhe escapam e não pode captar! Nem com a ciência mais refinada poderia conhecer muitas coisas. Job reconhece, por isso, a necessidade de permanecer pequenino e humilde diante de Deus: «Falei como uma criança; que posso responder-Te» (40, 3). Job reconhece que não sabe tudo. Só Deus possui toda a ciência. É preciso confiar n´Ele, abandonar-se a Ele. Renuncia a fazer perguntas: «Ponho a minha mão sobre a boca; falei uma vez, oxalá não tivesse falado; não vou falar duas vezes, nem acrescentarei mais nada» (Jb 40, 4s.). A humildade é o "não saber", é estar sem pretensões diante de Deus. Só na humildade, em ponta de pés, podemos entrar no mistério de Deus. «Reflectia nestas coisas, para as entender - problema difícil para mim - até ao dia em que entrei no santuário de Deus e compreendi a sorte que os (aos ímpios) esperava... eu era um louco, sem entendimento, como um irracional diante de vós... porém, estarei sempre convosco» (cf. Sl 72, 16-23). Job ensina-nos que o mais importante é estar sempre com Deus.
Precisamos de pedir ao Senhor «um espírito de sabedoria e de revelação para descobrir e conhecer verdadeiramente a Cristo Senhor Crucificado, de Lado aberto e Coração trespassado, para, no meio das provações da vida, compreendermos a esperança fomos chamados (cf. Ef 1, 17-18) (Cst 77). A nossa «esperança» - realidade que «não desilude» (Rm 5, 5) -, «
o único necessário» para nós é a «vida de união à oblação de Cristo» em todas as circunstâncias da vida (Cst 26).
Do «Ecce venio» (Eis-me aqui) ao «Consumatum est» (Tudo está consumado!), o Pe. Dehon faz realçar como o cumprimento das Escrituras e, portanto, da vontade do Pai é, em Cristo, a expressão de uma verdadeira liberdade, uma verdadeira oblação do Homem-Deus, vivida no tempo, «tendo sido Ele mesmo provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado» (Heb 4, 15). «Apesar de Filho de Deus, aprendeu a obedecer, sofrendo, e, uma vez atingida a perfeição (como sacerdote e como vítima) tornou-Se para todos os que lhe obedecem fonte de salvação eterna» (Heb 5, 8-9).
A nossa contemplação deve fixar-se no mistério da transfixão do Lado e do Coração de Cristo (Cst 21): «Videbunt in quem transfixerunt»: Hão-de olhar para Aquele que trespassaram (Jo 19, 37). Contemplar, não só Alguém, mas em Alguém. A nossa vida deve ser «uma vida de união à oblação de Cristo» (Cst 26), uma vida caracterizada pela reparação, entendida como «acolhimento do Espírito, como resposta ao amor de Cristo por nós, comunhão no seu amor pelo Pai e cooperação com a sua obra redentora no coração do mundo» (Cst 23): deve ser também uma vida que acolhe, com serenidade e abandono, as cruzes de cada dia, dando graças, para que, vistas à luz da fé, sejam provas de amor (cf. Cst 22.24).
Animamos «assim, tudo o que somos, fazemos e sofremos pelo serviço do Evangelho, o nosso amor, pela participação na obra de reconciliação, cura a humanidade, reúne-a no Corpo de Cristo e consagra-a para Glória e Alegria de Deus» (Cst 25).
Todas estas realidades, pensando bem, não são um privilégio nosso, um privilégio dehoniano; são realidades que dizem respeito a todos os cristãos, os quais, no baptismo foram tornados participantes do sacerdócio e do sacrifício de Cristo. Por isso, devem corresponder à oblação de amor, que implica a aceitação das cruzes e a irradiação da caridade, «para Glória e Alegria de Deus» (Cst 25).
Nós, dehonianos, por «graça especial» (Cst 26) fomos chamados a ser sacramentos desta graça baptismal, devemos ser testemunhas da oblação, da reparação e da imolação junto do nossos irmãos, muitas vezes esquecidos destas realidades, porque divididos pelas preocupações terrenas, ou porque profundamente mergulhados em situações de grande sofrimento... e tudo fazemos «para Glória e Alegria de Deus» (Cst 25).

Oratio
Senhor Jesus, ao contemplar o teu mistério de amor, e o abismo de sofrimento que envolveu o teu coração, fico sem palavras e sem forças. Sinto-me incapaz de experimentar o infinito poder do teu amor por mim. Sucumbo diante da tua entrega, completamente desarmado.
Faz-me compreender o que está no mais profundo dos meus tormentos, o que está escondido nos problemas, que tanto me afligem. Que eu jamais me afaste de Ti! Ajuda-me a pôr as minhas mãos nas tuas mãos, para atingir o teu mistério, que não suprime os sofrimentos, mas os torna capazes de me conduzirem ao Pai. Mostra-me que o segredo profundo da realidade não está tanto nas grandes especulações, quanto na superabundância do amor do Pai. Amen.

Contemplatio
O Salvador que tanto sofreu por nós é o nosso tudo: é o nosso Deus, o nosso pai; é o nosso irmão. Antes de se entregar ao sofrimento, fez-se também nosso amigo. Como é que Ele se teria entregado à Paixão e à morte por nós se não nos tivesse extremamente amado? Dilexit me, et tradidit semetipsum pro me: Amou-me e entregou-se por mim (Gal 2, 20). Amou-me primeiro e muito; sem isso, como é que teria chegado a entregar-se por minha causa a todos os sofrimentos? Esta consideração deve dominar todas as meditações sobre a Paixão. Ele amou-me: eu era a sua vinha, que Ele cultivava com amor, que envolvia de assíduos cuidados. Ele amou-me: eu era o seu filho e o seu irmão. E porque Ele me amava, quis dar a sua vida para me salvar. (Leão Dehon, OSP 2, p. 302).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a Palavra:
«Ponho a minha mão sobre a boca; não vou replicar» (cf. Job 40, 4s.)
| Fernando Fonseca, scj |

A messe é grande...-Dhonianos

 

1 Outubro 2020

Tempo Comum - Anos Pares

XXVI Semana - Quinta-feira

Lectio

Primeira leitura: Job 19, 21-27
Job tomou a palavra e disse: 21Compadecei-vos! Compadecei-vos de mim, vós, meus amigos, porque a mão de Deus me feriu. 22Porque me perseguis como Deus, e vos mostrais insaciáveis da minha carne? 23Quem me dera que as minhas palavras se escrevessem e se consignassem num livro, 24ou gravadas em chumbo com estilete de ferro, ou se esculpissem na pedra para sempre! 25Eu sei que o meu redentor vive e prevalecerá, por fim, sobre o pó da terra; 26e depois de a minha pele se desprender da carne, na minha própria carne verei a Deus. 27Eu mesmo o verei, os meus olhos e não outros o hão-de contemplar! As minhas entranhas consomem-se dentro de mim. 21Compadecei-vos! Compadecei-vos de mim, vós, meus amigos, porque a mão de Deus me feriu. 22Porque me perseguis como Deus, e vos mostrais insaciáveis da minha carne? 23Quem me dera que as minhas palavras se escrevessem e se consignassem num livro, 24ou gravadas em chumbo com estilete de ferro, ou se esculpissem na pedra para sempre! 25Eu sei que o meu redentor vive e prevalecerá, por fim, sobre o pó da terra; 26e depois de a minha pele se desprender da carne, na minha própria carne verei a Deus. 27Eu mesmo o verei, os meus olhos e não outros o hão-de contemplar! As minhas entranhas consomem-se dentro de mim..
O diálogo entre Job e os três amigos chega ao auge no capítulo 19. Os amigos não se tinham cansado de repetir que as provações que atingiam Job eram prova evidente das suas culpas diante de Deus. Job, pelo contrário, teimava em afirmar a sua inocência. O seu maior sofrimento era, agora, resistir às palavras dos amigos. Sentia-se e dizia-se inocente, mas não conseguia prová-lo, nem diante de Deus, nem diante dos amigos. Estava completamente extenuado: «Grito contra essa violência e ninguém responde, levanto a voz e não há quem me faça justiça. Deus fechou-me o caminho, para eu não passar, e encheu de trevas as minhas veredas» (19, 7-8).
Então Job pensa escrever a sua defesa para que, um dia, alguém, talvez nós que lemos as suas palavras, pudesse fazer-lhe justiça: «Quem me dera que as minhas palavras se escrevessem e se consignassem num livro, 24ou gravadas em chumbo com estilete de ferro, ou se esculpissem na pedra para sempre!» (v 23 s.). Mas esta solução não o convence. Então apela para o supremo "vingador" para que lhe faça justiça: «Eu sei que o meu redentor vive» (v. 35). Depois de ter insultado a Deus, chama-o "Vingador, Redentor". Nós, que conhecemos o Evangelho, apelamos para o amor, para a caridade, para Deus omnipotente, misericordioso, salvador.

Evangelho: Lucas 10, 1-12
1Naquele tempo, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2Disse-lhes:«A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. 3Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa!' 6E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós. 7Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido, 9curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: 'O Reino de Deus já está próximo de vós.' 10Mas, em qualquer cidade em que entrardes e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11'Até o pó da vossa cidade, que se pegou aos nossos pés, sacudimos, para vo-lo deixar. No entanto, ficai sabendo que o Reino de Deus já chegou.'» 12«Digo-vos: Naquele dia haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade.
O sim cordial dos discípulos a Cristo torna-se a força da missão evangélica. Jesus manda os discípulos a fazer o que Ele mesmo fez. É o que a Igreja continua, ainda hoje, a fazer. Os Doze são o fundamento da missão da Igreja. Mas Jesus escolheu ao longo dos séculos, e continua a escolher hoje, muitos outros. A messe é grande e os operários são poucos. Os 72 de que nos fala o evangelho anunciam a mensagem do Reino. O número "Doze" evoca as doze tribos de Israel. O número "Setenta e dois" evoca os 72 povos da terra elencados em Gn 10. A missão dos discípulos é universal, destinada a toda a terra. Os Setenta e dois são sinal de todos quantos o Senhor da messe chama para o anúncio do Evangelho. Trata-se de uma empresa divina, do Reino, que só é possível realizar com a força de Deus, e não com as simples forças humanas.
O verdadeiro operário do Reino, não é aquele que o anuncia, mas o próprio Jesus Cristo. É Ele que envia, que toma a palavra, que actua. Mais do que fazer, é preciso deixar Jesus fazer. O mais importante é ser como Ele, adoptar o seu estilo, com as suas vicissitudes e os seus frutos - e por isso com alegria. "Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos» (v. 3). Não há que lamentar-se sobre as dificuldades da missão. Elas são o sinal do Reino. São obra do Espírito Santo. Jesus pede aos discípulos que não se preocupem: «Não vos preocupeis com o que haveis de dizer... Não sois vós a falar, mas é o Espírito do Pai que falará por vós» (10, 19 s). O Mestre não nos quer ver ansiosos. A missão é sempre um milagre do Senhor.

Meditatio
A atitude de Job deixa-nos espantados. Depois de falar contra Deus, depois de ter amaldiçoado o dia em que nasceu, proclama, agora, a sua esperança: «Eu sei que o meu redentor vive ...Eu mesmo o verei, os meus olhos e não outros o hão-de contemplar» (vv. 25-27). Primeiro foi a lamentação, o choro diante de Deus. Agora é o grito de vitória.
Como chegou Job a este acto de fé tão profunda e de esperança em Deus? Como passou da angústia e do desejo de morrer a esta confiança em Deus? A resposta é: Job nunca deixou de lutar na oração: adorou, pediu, suplicou. No meio das maiores tribulações, manteve um diálogo íntimo e profundo com Deus. Lutou no meio da noite escura. Experimentou a Deus como desumano, como Aquele que leva a carne e os ossos, como Aquele que rouba mas, por fim, reconheceu-O como o tudo da sua vida. Do nada, ao tudo. Só nesta noite escura, nesta luta desumana é possível chegar a Deus. Em Job, verificamos como é espantoso atravessar o nada. Mas é através da noite que entramos no «mistério da luz infinita».
A oração dos salmos de lamentação confirma esta experiência. O Sl 21 começa com um grito de desespero: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? Como estais longe da minha oração?...» E termina com um grito de esperança:
«Para Ele viverá a minha alma». Para chegar à ressurreição, é preciso passar pelo Getsémani. Para entrar na comunhão com Deus, é preciso não afastar-se d´Ele, continuar na sua presença, qualquer seja a situação, o vale tenebroso que tenhamos de passar.
. O sofrimento e a provação são tempos privilegiados na vida de vítima (cf. Cst 68). Para além de todo o sentimentalismo devocional, a experiência da dor é perturbadora e difícil de viver. O próprio Cristo foi perturbado (cf. Lc 7, 13; Jo 11, 33-34) e profundamente chocado com ela (cf. Mt 26, 37-38; Mc 14, 33-34; Lc 22, 43-44).
Ao absurdo da dor e da morte, para a razão, a fé responde com um mistério: o de Cristo crucificado.
A fé não responde ao porquê de cada um dos sofrimentos, mas dá-lhes um sentido, infunde-lhes uma luz e força, que permitem viver como amor a dura realidade do sofrimento.
O sofrimento é uma das possíveis realidades da nossa vida. É preciso falar dele com realismo e com discrição. Às vezes encontram-se pessoas com uma fé maravilhosa que, embora sofrendo, consolam e dão força a quem as quer consolar. É real nelas, com simples heroísmo, a «oferta dos sofrimentos suportados com paciência e abandono, mesmo na noite escura e na solidão, como eminente e misteriosa comunhão com os sofrimentos e com a morte de Cristo pela redenção do mundo» (Cst 24).

Oratio
«Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste. Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim» (Jo 17, 20s.).
Senhor Jesus, agradeço-te porque rezaste por mim, que acreditei na palavra dos teus apóstolos. Que eu me mantenha unido a Ti, confiante na tua oração. Se ela me tivesse faltado, não estaria certamente aqui, junto de Ti; não poderia louvar-te, dar-Te graças e dar testemunho de Ti. Que, pelas minhas palavras e pela minha vida, eu dê testemunho de que estás sempre connosco e não nos abandonas, que, se lutas connosco, é para Te render e nos abençoar. Graças à tua oração, posso e quero agora adorar-Te. Obrigado, Senhor!

Contemplatio
As palavras não impotentes para dizer os sofrimentos da Paixão do Salvador. Por uma inversão das coisas, era Jesus, o justo, que era arrastado pelos culpados aos tribunais e ao suplício.
Os sofrimentos da sua alma e do seu coração ultrapassavam os do seu corpo. Os seus apóstolos eram ingratos. O sacerdócio mosaico acabava a sua carreira num acto de suprema loucura. O povo esquecia os benefícios de Cristo e deixava-se levar pelos seus ódios brutais.
As bofetadas, os escarros e os insultos tomavam o lugar das honras que eram devidas à divindade do Salvador.
Os chicotes rasgavam o seu corpo até esgotarem as suas forças. O seu pudor era ofendido para reparar as nossas imodéstias.
A loucura humana insultava a sua sabedoria revestindo-lhe o manto dos loucos.
Pilatos achincalhava a sua realeza coroando-o de espinhos e cobrindo-a com uma púrpura de escárnio para o mostrar ao povo.
Como Isaac levava o madeiro do seu sacrifício, mas era para ser aí realmente sacrificado.
Não havia uma palavra, um passo, um pormenor deste drama que não ferisse todos os seus sentimentos no mais profundo do seu coração. A justiça, a verdade, a doçura, a piedade, a modéstia, o reconhecimento, o respeito, tudo o que Ele ama, era desprezado. Toda a sua alma era partida enquanto o seu corpo era rasgado pelos chicotes e furado pelos cravos.
As três horas da crucifixão são as da sua suprema dor. Condensou lá todos os seus sofrimentos para oferecer o preço infinito ao seu Pai. Revia todos os nossos pecados e assumia a sua expiação. Era rebaixado ao nível dos ladrões, era despojado de tudo, traído pelos seus amigos e abandonado pelo seu Pai. Todo o seu corpo era uma chaga e consumava a doação da sua vida por nós. (Leão Dehon, OSP 2, p. 67).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a Palavra:
«O meu Redentor está vivo... Eu mesmo O verei» (cf. Job 19, 25-27)
| Fernando Fonseca, scj |

O FILHO DO HOMEM NÃO TEM ONDE REPOUSAR A CABEÇA-Olivia Coutinho.

 REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DIA - 30/09/20 – Lc9,57-62

QUARTA -FEIRA DA 26º SEMANA DO TEMPO COMUM

“O FILHO DO HOMEM NÃO TEM ONDE REPOUSAR A CABEÇA.”

Reflexão de Olivia Coutinho.

Caros irmãos e irmãs em Cristo!

A cada dia, Deus coloca em nossas mãos uma página em branco, na qual devemos escrever mais um capítulo da nossa história, história, que só terá sentido, se colocarmos o seguimento a Jesus como prioridade na nossa vida!

Deus nos ama incondicionalmente, mas Ele não nos controla, nos deixa livres para fazemos as nossas escolhas... Cada dia é uma oportunidade que Deus nos concede para buscarmos em Jesus, o nosso encontro definitivo com Ele, para  escolhermos o que queremos: a vida ou a morte? A luz ou as trevas?

A palavra de Deus, que chega até a nós, no evangelho de hoje, vem nos dizer, que nada deve ser mais importante, do que o nosso seguimento a Jesus!

Enquanto caminhava com seus discípulos, rumo a Jerusalém, Jesus ia deparando com várias situações. Muitos, sentiam atraídos por Ele, chegando a dar passos em sua direção, mas desistiam ao tomar conhecimento das exigências deste seguimento. Estes, pensavam que com Jesus, seus caminhos estariam abertos, mas se decepcionavam, quando Jesus lhes dizia, que o caminho precisava ser Feito...

“Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” Estas palavras de Jesus, vem nos dizer, que não tem como viver o Reino de Deus olhando o que deixamos para trás, é olhando pra frente, que seguimos Jesus, qualquer desvio do olhar, tira o nosso foco...

O seguimento à Jesus, implica em mudança radical de vida, exige de nós, muito mais do que boa vontade do que entusiasmo, exige compromisso, fidelidade, disposição em gastar a vida para que outros tenham mais vida. 

A todo instante, somos chamados a seguir Jesus, em momento algum, Ele não nos ilude prometendo-nos facilidades, mas nos garante uma valiosa recompensa, a vida eterna como herança! Vida eterna, que já podemos experimentá-la no aqui e no agora, pois quem vive em Jesus e Jesus nele, já vive a plenitude!
Precisamos aprender a perder, para termos um ganho maior, isto é: a aprendermos a perder o que é do mundo, para ganharmos o que é do céu!

Jesus veio mudar o rumo da nossa vida, dar um novo sentido ao nosso existir, nos libertar de nossas próprias amarras, Ele  é o caminho, a verdade e a vida, nossa opção por Ele, tem que ser radical, do contrário, ficamos na periferia  da fé, não adentramos no mistério...
Não neguemos o nosso “sim” à Jesus usando as mais variadas desculpas como muitos fazem: “só posso seguir Jesus, depois que eu terminar meus estudos, depois que meus filhos crescerem, depois que eu me aposentar...

Se queremos de fato, seguir Jesus, não esperemos resolver os nossos problemas primeiro, sigamo-lo com os nossos problemas, dentro da realidade em que estejamos vivendo...

QUE DEUS ABENÇOE A TODOS!

FIQUEM NA PAZ DE JESUS!

Reflexão de Olivia Coutinho

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Marta ou Maria?-Helena Serpa

 

6 DE OUTUBRO DE 2020

 

3ª FEIRA DA XXVII SEMANA

 

DO TEMPO COMUM 

 

 

Cor Verde

 

 

1ª Leitura - Gl 1,13-24

 

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas 1,13-24

Irmãos: 13Certamente ouvistes falar como foi outrora a minha conduta no judaísmo, com que excessos perseguia e devastava a Igreja de Deus 14e como progredia no judaísmo mais do que muitos judeus de minha idade, mostrando-me extremamente zeloso das tradições paternas.  15Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça 
16se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos, não consultei carne nem sangue  17nem subi, logo, a Jerusalém  para estar com os que eram apóstolos antes de mim. 
Pelo contrário, parti para a Arábia e, depois, voltei ainda a Damasco.  18Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias.  19E não estive com nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor.  20Escrevendo estas coisas, afirmo diante de Deus que não estou mentindo.  21Depois, fui para as regiões da Síria e da Cilícia. 
22Ainda não era pessoalmente conhecido das igrejas da Judéia que estão em Cristo.  23Apenas tinham ouvido dizer que ’aquele que, antes, nos perseguia, está agora pregando a fé que, antes, procurava destruir'.  24E glorificavam a Deus por minha causa. 
Palavra do Senhor. 

 

Reflexão – “a mentalidade evangélica”

Reportando-se ao processo da sua conversão ao cristianismo depois que aceitou Jesus Cristo como Senhor e Salvador, São Paulo reconhece haver sido “extremamente zeloso das tradições paternas”.  Como judeu e não querendo admitir outra fé e doutrina diferentes daquela que havia abraçado no judaísmo, ele devastava a Igreja de Deus e perseguia os cristãos. No entanto, depois que   teve um encontro com Jesus, ele não consultou carne nem sangue, isto é, não quis saber da opinião das pessoas, mas abraçou somente o que o Espírito Santo lhe mandava realizar. Por isso, as pessoas agora glorificavam a Deus e enxergavam que ele, de perseguidor de Cristo, imediatamente se tornara um pregador do Evangelho. Nunca é tarde também para que reconheçamos o nosso excesso de zelo pelas opiniões e crenças que estão enraizadas dentro de nós e nos deixemos conduzir pelo Espírito Santo, dando testemunho de verdadeira conversão. O encontrar-se com Jesus sinceramente, nos leva a uma mudança profunda na nossa maneira de agir e de pensar. Mesmo que não tenhamos ninguém que nos forme ou oriente, por meio da Palavra de Deus o Espírito Santo nos conduz e nos aperfeiçoa.  Precisamos, pois, abrir o nosso coração a fim de que o Espírito Santo nos conforme à imagem de Jesus e encarne em nós a mentalidade evangélica afim de que possamos dar exemplo de verdadeiras testemunhas como fez São Paulo.    – A sua opinião sobre religião tem mudado na medida em que você conhece mais a Igreja e a sua doutrina? – Você também já foi perseguidor (a) de Cristo e agora é pregador (a) do Evangelho? – Você tem se deixado guiar pelo Evangelho de Cristo à luz do Espírito Santo?

 

Salmo - Sl 138,1-3. 13-14ab. 14c-15 (R. 24b)

 

R. Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!


1Senhor, vós me sondais e conheceis, * 
2sabeis quando me sento ou me levanto; 
de longe penetrais meus pensamentos, + 
3percebeis quando me deito e quando eu ando, * 
os meus caminhos vos são todos conhecidos.R.

13Fostes vós que me formastes as entranhas, * 
e no seio de minha mãe vós me tecestes. 
14aEu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, + 
porque de modo admirável me formastes! * 
14bQue prodígio e maravilha as vossas obras!R.

14cAté o mais íntimo, Senhor me conheceis; * 
15nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis; 
quando eu era modelado ocultamente, * 
era formado nas entranhas subterrâneas.R

 

Reflexão - O Senhor sonda os nossos corações e conhece as nossas intenções. Por mais que muitas vezes, por ignorância, tenhamos agido erradamente, Ele conhecendo o nosso intento, sabe o porquê das nossas ações. O tempo da ignorância não conta, portanto entreguemo-nos ao Senhor de coração rendido e reconheçamos a maravilha que Ele pode fazer na vida de cada um de nós.

 

Evangelho - Lc 10,38-42

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 10,38-42.

Naquele tempo: 38Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. 40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: 'Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!' 41O Senhor, porém, lhe respondeu: 'Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42Porém, uma só coisa é necessária.
Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada.'
Palavra da Salvação.

 

Reflexão – “Marta ou Maria?”

Neste Evangelho podemos perceber uma mensagem muito atual que nos leva a avaliar, dentro do contexto do nosso dia a dia, qual a percepção que temos do tempo que nos é destinado e como o estamos utilizando. Jesus nos visita a cada dia da nossa vida como fez a Marta e Maria, no entanto, o que nós precisamos discernir é qual é o tempo de sentar-se aos Seus pés para escutá-lo e  o tempo em que precisamos nos levantar para  servi-Lo.  Jesus visitou a casa de Marta e de Maria e cada uma delas teve uma atitude diferente diante da Sua presença.   Todas duas estiveram em função da visita de Jesus, no entanto, uma usou todo o tempo que tinha para permanecer perto Dele, ouvindo e aprendendo com Ele. A outra, preocupada com o Seu bem estar se atarefou em servi-Lo melhor e, para isso, usou o tempo todo de que dispunha.   Com certeza, para nós como disse Jesus, a melhor parte é aquela em que nós ficamos perto Dele em adoração e escuta, porque esse também é o tempo em que aprendemos a servi-Lo melhor. É o tempo que ocupamos fazendo a nossa oração pessoal, quando nos abastecemos e nos fortalecemos para enfrentar os desafios do serviço. No entanto, Jesus nos acolhe do jeito que somos e como estamos, e nós, precisamos das duas ações: estar aos pés do Mestre para escutá-Lo, como também ficar à sua disposição para servi-Lo. A oração nos leva à ação. Há que se ter uma fé coerente que nos leve a ser Maria, mas também a como Marta, assumir os nossos encargos. – Você é Marta ou Maria? – Você tem equilibrado essas duas situações? – Você tem feito esforço para sentar-se aos pés de Jesus? – Faça a experiência

 

 

O que fazer para receber a vida eterna?-Helena Serpa

 

5 DE OUTUBRO DE 2020

 

2ª. FEIRA DA XXVII SEMANA

 

DO TEMPO COMUM 

 

 

Cor Verde

1ª. Leitura – Gal 1, 6-12

 

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas 1,6-12

Irmãos: 6Admiro-me de terdes abandonado tão depressa aquele que vos chamou, na graça de Cristo, e de terdes passado para um outro evangelho. 7Não que haja outro evangelho, mas algumas pessoas vos estão perturbando e querendo mudar o evangelho de Cristo. 8Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu
vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado. 9Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado. 10Será que eu estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus? Ou estou procurando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo. 11Irmãos, asseguro-vos que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos.
12Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo. Palavra do Senhor.

 

Reflexão - “ter fé é perseverar”
O ser humano é por natureza, pecador, instável e inconstante nas suas concepções, nas suas crenças. É por isso, que temos a tendência de escutar melhor, isto é, de “entender” mais as mensagens que agradam às nossas conveniências. Assim sendo, muitos de nós procuramos encontrar a solução para os nossos problemas nas crenças que nos acenam com prosperidade e vida fácil. São Paulo recrimina os gálatas pela sua inconstância em relação ao Evangelho de Jesus Cristo que lhe fora anunciado e por tê-lo abandonado tão depressa seguindo a outras pessoas que os atraiam com doutrinas vãs.   Precisamos ter consciência de uma coisa: servir a Cristo e viver o Seu Evangelho é uma tarefa que exige de nós a Fé como primeira condição, a perseverança como sustentação e a confiança nas promessas de Deus, como alento. Não podemos nos impressionar com as doutrinas que pregam uma felicidade utópica, sem sofrimento e sem dificuldades. Somos aprovados por Deus na medida da nossa entrega e confiança nos Seus desígnios mesmo diante das barreiras e dos enigmas a que somos submetidos. Toda a Palavra de Deus é inspirada para nos edificar e nos fortalecer na fé. A nossa fidelidade a Deus se manifesta nos momentos em que exercitamos a nossa fé de uma maneira coerente e perseverante. – Você muda de opinião conforme a mensagem lhe convém? -  Você tem convicção em relação ao que o Evangelho ensina? – Como você tem conseguido permanecer fiel a Ele mesmo quando lhe é difícil vivenciá-lo?

 

Salmo - 110,1-2. 7-8. 9.10c (R. 5b)

 

R. O Senhor se lembra sempre da Aliança.

Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia

1Eu agradeço a Deus de todo o coração *
junto com todos os seus justos reunidos!
2Que grandiosas são as obras do Senhor, *
elas merecem todo o amor e admiração!R.

7Suas obras são verdade e são justiça, *
seus preceitos, todos eles, são estáveis,
8confirmados para sempre e pelos séculos, *
realizados na verdade e retidão.R.

9Enviou libertação para o seu povo,
confirmou sua Aliança para sempre. *
Seu nome é santo e é digno de respeito.
10cPermaneça eternamente o seu louvor.R.

Reflexão - Os preceitos do Senhor são estáveis e quando neles perseveramos com confiança, as promessas do Senhor se cumprem e são confirmadas na nossa vida. Nunca poderemos desanimar. Que permaneça eternamente o Seu louvor!

 

Evangelho – Lc 10, 25-37

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 10,25-37

Naquele tempo: 25Um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: 'Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?' 26Jesus lhe disse: 'O que está escrito na Lei? Como lês?' 27Ele então respondeu: 'Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma,
com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!' 28Jesus lhe disse: 'Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás.' 29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: 'E quem é o meu próximo?' 30Jesus respondeu: 'Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. 31Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. 33Mas um samaritano que estava viajando,
chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata
e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: 'Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais.'
E Jesus perguntou: 36'Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?' 37Ele respondeu:
'Aquele que usou de misericórdia para com ele ' Então Jesus lhe disse: 'Vai e faze a mesma coisa.' Palavra da Salvação.

 

Reflexão – “o que fazer para receber a vida eterna?”
Respondendo à essa pergunta do mestre da Lei Jesus nos ensina a como agir para receber a herança da vida eterna, colocando como prioridade o Amor, a Deus, ao próximo e a nós mesmos. Diante da insistência do mestre da Lei Jesus conta a parábola do bom samaritana para esclarecer quem é o nosso próximo e coloca a situação do próximo ao inverso do que sempre pensamos. Por isso, Ele diz: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” O mestre da lei, então, respondeu-lhe: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Geralmente, nós entendemos que o nosso próximo é alguém a quem encontramos no nosso caminho e que está necessitado e dependente de ajuda. E isto é uma verdade! A despeito, Jesus hoje nos esclarece, que o nosso próximo é, também, alguém que se aproxima de nós para nos acolher e ajudar. São duas vias, são duas situações: às vezes, somos o necessitado, outras vezes, somos nós os bons samaritanos ou os donos da hospedaria, mas sempre seremos o próximo de alguém. Nenhum de nós é autossuficiente, pois, sempre carecemos de alguém que seja instrumento de Deus para que recebamos a herança da vida eterna. Em qualquer situação que nos encontremos, como necessitados ou como cooperadores, todos seremos convidados pelo Senhor a amar o próximo como a nós mesmos. Às vezes, ajudamos às pessoas e as socorremos por obrigação ou a contragosto, porém, a própria Palavra do Evangelho nos esclarece:  o próximo “é aquele que usou de misericórdia para com ele”. A misericórdia, então, é o sinal para que sejamos “o próximo” de alguém. Agir com misericórdia é fazê-lo por amor a Deus e acolher a miséria do outro com o mesmo amor de Deus e não somente com o nosso amor imperfeito e interesseiro. – Como você costuma agir: como o sacerdote, como o levita, como o samaritano, como o hospedeiro? – Ou você sempre é aquele que desce de Jerusalém para Jericó, se mete em enrascadas e está continuamente precisando que alguém se aproxime de si? - Você já experimentou ser aquele (a) que se aproxima de alguém necessitado de socorro? - Quando ajuda alguma pessoa você o faz por amor a Deus e com o amor de Deus?

 

Os vinhateiros, de hoje-Helena Serpa

 

4 DE OUTUBRO DE 2020

 

DOMINGO DA XXVII SEMANA DO

 

TEMPO COMUM

 

Cor Verde

 

1ª. Leitura – Is 5, 1-7

 

Leitura do Livro do Profeta Isaías 5,1-7

1Vou cantar para o meu amado o cântico da vinha de um amigo meu: Um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta. 2Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas,
edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens. 3Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, julgai a minha situação e a de minha vinha. 4O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz? Eu contava com uvas de verdade,
mas por que produziu ela uvas selvagens? 5Pois agora vou mostrar-vos o que farei com minha vinha: vou desmanchar a cerca, e ela será devastada; vou derrubar o muro, e ela será pisoteada.
6Vou deixá-la inculta e selvagem: ela não terá poda nem lavra,
espinhos e sarças tomarão conta dela; não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela. 7Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça - e eis injustiça;
esperava obras de bondade - e eis iniquidade.
Palavra do Senhor.

 

Reflexão – “missionários da vinha do Senhor”

Antes, a vinha do Senhor era o povo de Israel que foi escolhido para dar frutos de conversão. Hoje, nós somos a vinha do Senhor, cuidada, cercada, adubada por Ele para produzir uvas de boa qualidade, no entanto, como a vinha da história, nós também frustramos a expectativa de Deus. O Senhor também faz a si mesmo esta pergunta: “O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz”? E nós também poderíamos fazer a nós mesmos esta indagação: “o que seria preciso Deus fazer a mais por mim para que eu possa corresponder a sua expectativa?” As nossas ações provocam reações e consequências. Muitas vezes, para que produzamos mais frutos, assim como a vinha deveremos ser devastados, desmanchados e até pisoteados. Aí, então, perceberemos que para melhorar nós precisamos estar num estado pior e sair da mediocridade e da inanição em que vivemos. Só se arruma aquilo que está desarrumado, assim sendo, nós precisamos reconhecer o nosso estado de pecado, de desobediência, de rebeldia e que necessitamos de cura, de libertação e de perdão. O Senhor espera de nós frutos de justiça e de conversão, pois precisa que cada um de nós seja um missionário do Seu Amor e da Sua justiça no mundo. Neste mês missionário, que cada um de nós possamos refletir sobre a nossa verdadeira missão na vinha do Senhor. – Você tem percebido a qualidade dos frutos que produz no mundo? – São uvas de verdade ou uvas selvagens? – São frutos de santidade ou de impiedade? – Para você o que significa fruto de justiça?

 

 

Salmo 79,9.12.13-14.15-16.19-20 (R. Is 5,7a)

 

R. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

9Arrancastes do Egito esta videira,*
e expulsastes as nações para plantá-la;
12até o mar se estenderam seus sarmentos,*
até o rio os seus rebentos se espalharam.R.

13Por que razão vós destruístes sua cerca,*
para que todos os passantes a vindimem,
14o javali da mata virgem a devaste,*
e os animais do descampado nela pastem?R.

15Voltai-vos para nós, Deus do universo!
Olhai dos altos céus e observai.*
Visitai a vossa vinha e protegei-a!
16Foi a vossa mão direita que a plantou;*
protegei-a, e ao rebento que firmastes!R.

19E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!*
Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!
20Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo,
e sobre nós iluminai a vossa face!*
Se voltardes para nós, seremos salvos!R.

 

Reflexão - Como o salmista nós também hoje pedimos a atenção de Deus para a nossa situação de pecado que nos tira da nossa verdadeira vocação de santidade. Só o Senhor poderá nos libertar das garras dos nossos inimigos e nos purificar para que tenhamos serventia. Foi a sua mão direita que nos plantou, portanto, peçamos a sua proteção e a Sua assistência para que nunca mais nos deixemos ser massacrados.

 

 

2ª. Leitura – Fl 4, 6-9

 

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses 4,6-9

Irmãos: 6Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. 7E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamento em Cristo Jesus. 8Quanto ao mais, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor. 9Praticai o que aprendestes e recebestes de mim, ou que de mim vistes e  ouvistes. Assim o Deus da paz estará convosco. Palavra do Senhor.

 

Reflexão - “não nos inquietemos”

São Paulo nos aconselha a não nos inquietar com coisa alguma, mas apresentar as nossas necessidades a Deus em oração e súplica. Os nossos pensamentos dão a matiz para os nossos sentimentos e as nossas ações e, dependendo das nossas cogitações nós podemos desenvolver sentimentos de medo, de revolta, de indignação ou manifestações de alegria, de paz e de concórdia.   Quando nós voltamos para Deus a nossa mente e oferecemos a Ele a nossa oração e o nosso louvor; quando ocupamos o nosso tempo no serviço a Deus e ao próximo, naturalmente nós experimentamos um clima de paz e de confiança. O segredo para superar a barreira das nossas dificuldades é nos ocupar com as contrariedades dos nossos irmãos e irmãos, pois assim perceberemos que o nosso sofrimento é muito mais ameno. Tudo o que nós desejarmos ao nosso próximo, com certeza voltará para nós. A paz de Jesus se manifesta em nós e por nosso intermédio ela poderá alcançar os quatro cantos da terra. Apressemo-nos, pois, a acatar os conselhos de São Paulo, tendo pensamentos bons e agradáveis e, então, contriburemos para que haja mais paz e harmonia no mundo. – Você sente paz no seu coração? – Com que você tem ocupado os seus pensamentos? – Você é promotor (a) da paz de Jesus? – Você se inquieta com os acontecimentos ou procura descobrir o lado bom deles?

 

Evangelho – Mt 21, 33-43

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 21,33-43

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: 33Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro.
34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos.
35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho,
pensando: `Ao meu filho eles vão respeitar'. 38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: `Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!' 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram.
40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?' 41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: 'Com certeza mandará matar de modo violento esses
perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo.' 42Então Jesus lhes disse:
'Vós nunca lestes nas Escrituras: `a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor
e é maravilhoso aos nossos olhos'? 43Por isso eu vos digo:
o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos. Palavra da Salvação.

 

Reflexão - “os vinhateiros, de hoje

Deus criou o mundo e o entregou aos homens para que eles o edificassem, nele trabalhassem e dessem bons frutos na qualidade de vida humana e espiritual. Os homens, porém, quiseram afastar-se de Deus e não deram mais atenção aos Seus ensinamentos. O pecado rompeu o relacionamento do homem com Deus e danificou a sua obra. Porém, mesmo assim o Senhor continuou mandando os seus emissários, os profetas, para que este homem voltasse atrás na sua soberba e autossuficiência.  Todavia, eles continuaram dando as costas para Deus não aceitando a sua intervenção. Por fim, veio Jesus, o Filho de Deus que se fez homem para dar dignidade ao ser humano, no entanto, foi Ele rejeitado e morto pelos homens. Os judeus não aceitaram a salvação de Jesus e o reino foi tirado do povo de Israel e entregue a nós, a fim de que possamos dar bons frutos, não só materiais, mas na qualidade de vida humana e espiritual com santidade e justiça.  Somos os vinhateiros de hoje, aqueles a quem o proprietário entregou a sua vinha. Precisamos, porém, nos questionar se temos cumprido com a nossa missão de colaboradores de Deus na construção do mundo.    Somos os responsáveis por entregar a colheita do nosso trabalho, na hora precisa, em que os emissários do Senhor se apresentarem. Entretanto, muitas vezes, nós preferimos construir o reino dos céus ao nosso modo e nos esquecemos de o edificar aqui na terra segundo o projeto do coração do Pai. Por qualquer coisa nós nos desviamos da obra de Deus, atropelamos os planos divinos e confundimos o Seu mistério de amor pela humanidade.    Jesus é a pedra que os construtores rejeitaram, mas tornou-se a pedra angular, isto é, a pedra central da nossa fé.  Jesus Cristo é o alicerce para a obra de Deus no mundo e a rejeitamos preferindo as nossas próprias convicções. Por isso, não conseguimos sucesso na nossa missão. Contudo, precisamos ter consciência de que o que nos foi entregue hoje, amanhã poderá nos ser tirado. O Senhor quer receber de nós a colheita e, se não estivermos plantando, nada teremos para entregar ao Senhor que vem.  - Se lhe pedissem hoje contas qual seria a colheita que você teria para entregar ao proprietário? - O que você entende por pedra angular?  Quem é Jesus na sua vida?